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Como escrever cenas de sexo

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Por: Verlaine Vincertty
Link: https://fanfiction.com.br/u/503552/

Aviso: conteúdo proibido para menores de 18 anos.
Olá, seres humanos! Tudo bem com vocês? Sou novata na liga dos betas, logo, este é o primeiro artigo que faço para blog. Hoje, trago para vocês um tema que todos nós gostamos. Exatamente, estou falando de sexo. A relação sexual está muito presente na literatura contemporânea, e não seria diferente nas fanfics. No entanto, tenho observado que alguns autores possuem dificuldades em abordar o ato. No presente artigo, estarei dividindo com vocês algumas orientações sobre o que é interessante numa cena de sexo. 
É importante o autor ter em mente que não existe uma manual passo-a-passo de como descrever o ato sexual no universo ficcional, pois a cena vai depender do contexto da história e da construção dos personagens. 
Inicialmente, o autor deve fazer um esboço mental da cena. Alguns questionamentos devem ser levados em consideração, como: quem irá narrar o ato? Quão explícito eu quero ser? Quero algo romântico ou selvagem/carnal? Onde quero que isso aconteça? É fundamental que o momento faça sentido, ou seja, que haja compatibilidade com que está acontecendo em volta dos personagens. Imaginem que eles estão sendo perseguidos por zumbis. Provavelmente parar e fazer amor não seria algo muito adequado. Da mesma maneira, é importante situar adequadamente o local do momento de amor, que deve estar, também, de acordo com o enredo.
Uma cena de sexo não é algo que deve ser inserida levianamente. É preciso que haja um encaixe com o enredo, do contrário, será apenas uma exibição de sexo gratuito. É interessante levar em consideração as motivações e os conflitos dos envolvidos, como o ato vai influenciar na história e no relacionamento dos personagens e como eles irão reagir.
Uma dica pertinente para os autores que desejam escrever boas cenas de sexo: não tenha pressa. Conduza a situação com calma. Isso instiga o leitor e o excita. Muitas vezes, o ato de descrever bem as preliminares torna-se mais interessante para o público do que o ato propriamente dito. É interessante investir em cenas que possam conduzir os personagens ao sexo, como uma dança, uma comida, uma bebida, um jantar, etc. Serão nesses momentos que os mocinhos irão instigar um ao outro, criando uma tensão sexual entre eles. Vejam o exemplo:
“Ele estava de lado, virado para ela, descansando a cabeça na mão, o braço apoiado no cotovelo, o joelho direito dobrado, servindo champanhe. Eles brindaram ao seu amor e tomaram o Dom Pérignon vintage favorito de Gabriel antes de ele se inclinar para capturar os lábios dela com os seus. 

– Gostaria de alimentar você – murmurou ele.
– Sim, por favor.
 – Feche os olhos. Apenas prove.
Julia confiava nele, então fechou os olhos e sentiu algo tocar seu lábio inferior; em seguida, estava dentro da sua boca: chocolate, morango doce e suculento e a sensação do polegar de Gabriel roçando sua carne. Abrindo os olhos, ela o agarrou pelo punho, puxando seu polegar para dentro da boca, lentamente. Ele arregalou os olhos e gemeu. Ela deslizou seu polegar pela língua, tocando-o de leve e chupando-o com determinação, antes de girar a boca ao longo da sua ponta para saborear qualquer resquício de chocolate. Gabriel tornou a gemer pelo modo como Julia olhou para ele sob os cílios, encarando-a com uma mistura de paixão e surpresa.

O Inferno de Gabriel, Livro 1.
Perceberam? 
Aspectos físicos e emocionais não devem ser esquecidos. O acontecimento não deve ser baseado unicamente no que eles estão fazendo. É de vital importância descrever o que os personagens sentem, seus temores e suas expectativas. Invista nos cinco sentidos para descrever uma cena erótica. A textura, o cheiro e o sabor da pele, o contorno dos corpos, o sabor dos lábios, a sensação dos corpos unidos, o contorno dos glúteos, a maciez dos lençóis, o peso de um corpo sobre o outro, o barulho do rádio, os sussurros, as carícias, os gemidos, o sexo oral e os dedos… É muito instigante olhar nos olhos da pessoas amada e visualizar uma confusão de sensações: amor, carinho, desejo e excitação. Tudo isso contribui para que o leitor não só visualize a cena, mas se imagine nela. 
Seja criativo! Apesar de tudo resumir-se a toques, sensações, preliminares e sexo, é preciso ter cuidado para não soar repetitivo. Use e abuse da criatividade. É interessante utilizar de artigos sexuais, como velas para massagem, canetas para o corpo, massageadores eróticos, bebidas afrodisíacas e, para os mais ousados, vibradores. Não caia na repetição, seja autêntico. 
Uma coisa que acontecia comigo, como leitora, mas que eu acho que acontece também com autores, é sentir timidez e vergonha em ler/descrever relações sexuais. Não precisa ser assim. Lembre-se que sexo é algo tão natural quanto respirar. Logo, não se sinta tímido em colocar algo que você considera que irá contribuir na cena. É difícil no início, mas passa. 
Diálogos são importantes para a construção da cena. O que é dito durante o ato pode ser tão importante quanto sexo propriamente dito e isso ajuda a esquentar o clima. Só é preciso ter cuidado para que os diálogos não ficarem pornográficos, quando não é o objetivo, tipo: “Oh, God, fick my ass…”. Me deparei com situações em que a história era bem “algodão doce”, mas os diálogos nas cenas de sexo eram exageradamente “sujos”. Siga o contexto da sua história.

ALGUNS CUIDADOS:

  • Virgindade: não é novidade pra ninguém que a primeira vez da mulher, na maioria das vezes, dói muito ou é incômoda. Por isso, é interessante colocar um pouco da realidade no universo ficcional. Muitas vezes, autores descrevem a primeira vez da mulher como algo estupendo, sem dor e inteiramente prazeroso. Não é crime, mas lembre-se que importante fazer o leitor sentir um pouco de representatividade no personagem e fazer com que a história não fique fantasiosa em demasia. 
  • Mais de um ato sexual em uma única cena: é comum encontrar nas histórias situações em que, logo após o orgasmo, os personagens já estão prontos para iniciar novamente, sem levar em consideração o lado fisiológico da situação. É necessário tempo para que haja excitação novamente, e é importante levar a realidade em consideração para a cena não ficar hilariante.
  • Excesso de detalhes: muitos autores perdem tempo em descrevem a anatomia masculina de maneira detalhada, exaltando tamanho, cor, temperatura e até mesmo localização de veias. Uma verdadeira idolatria! Não é bacana.
  • Fantasia X realidade: é preciso ter consciência que o ato sexual não envolve unicamente pessoas bonitas e com corpos perfeitos. Nem sempre o sexo será algo super romântico e que ambas as partes estão plenamente enamoradas. Na realidade, o ato pode envolver raiva, desconforto, medo e tensão. Não há erro em descrever um personagem masculino sem “tanquinho” ou uma mulher com cicatriz no corpo. Muitas vezes, os leitores são influenciados pelo contexto do ato. 


CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Não esqueça que escrever deve ser divertido e prazeroso, então, não fiquem tensos. Na dúvida, pesquise, leia e assista filmes, pois estas são ferramentas que podem servir de inspiração. 


Referências:
http://www.ehow.com.br/escrever-cena-sexo-ficcional-como_20312/
http://pt.artsentertainment.cc/livros/Fic%C3%A7%C3%A3o/1009027533.html
http://www.ditopelomaldito.com/2013/10/o-que-nao-fazer-ao-escrever-ficcao.html

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Romance vs Erotismo

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Por: NamelessChick

Olá, moranguinhos. Cá estou, de novo, atacando o blog com um artigo, e desta vez vou discutir um pouco mais sobre romance e erotismo, mais precisamente suas diferenças. 

Pois é… O assunto, não necessariamente novo no mundo das fics, passou a chamar a atenção do público depois do sucesso de vendas de livros como “50 Tons de Cinza”. Pondo de lado quaisquer juízos de valor acerca da obra citada (ou semelhantes), é uma discussão bem interessante; o gênero erótico, em geral, traz consigo certas peculiaridades. Mas, por agora, vamos nos ater às suas diferenças em relação ao gênero romântico. 

Antes de mais nada, um pequeno esclarecimento:

Quero que entendam romance não como “narrativa ficcional em prosa, mais longa que o conto ou a novela”, e sim como aquela história em que o enfoque está numa relação romântica entre duas pessoas, seja ela heterossexual ou não. 

Tendo isso em vista, podemos começar o artigo propriamente dito :D 

Precisamos, primeiramente, entender o que seria o erotismo e como ele se insere numa história, para que então seja mais fácil a diferenciação entre o romântico e o erótico, não é mesmo? 

Segundo o dicionário Priberam, erotismo pode ser definido como qualidade do que é erótico, manifestação explícita da sexualidade ou grau de excitação/prazer sexual. 

Certamente a definição é ótima, mas nós temos que tomar muito cuidado para não confundirmos o erótico com o pornográfico, porque apesar de sutil existe uma diferença entre esses dois gêneros, frequentemente confundidos, e quando colocamos o romance na jogada, aí que a confusão se instala. 

Uma fic pornográfica (os famosos PWPs - Porn Without Plot) tem o único intuito de excitar o leitor. Sem quaisquer outras pretensões, essas fics não podem ser confundidas com aquele romance que por acaso tem um quê de sensualidade e erotismo. O erótico NÃO é essencialmente pornográfico e isso tem que ficar claro. Uma fic pode muito bem ter marcas de erotismo, mas ainda permanecer na faixa dos 16, por exemplo. Alguns livros infanto-juvenis utilizam desse artifício, muitas vezes para chamar a atenção de seu público. John Green, com seu “Quem é você, Alaska?”, trabalha com uma personagem que certamente alude à sensualidade, ora de forma sutil, ora de forma explícita, mas sem fugir do seu enfoque narrativo, ou mesmo da faixa etária do seu público alvo.

O romance, em si, é toda e qualquer história que tenha como plano principal um amor romântico. Seja ele entre dois homens, duas mulheres, um homem e uma mulher, ou mesmo entre mais pessoas (sim, quem disse que o amor romântico se restringe à figura do casal?). De qualquer forma, é uma história que trata de amor, independentemente da forma como ele é abordado, descrito, de seus dramas, de sua “melosidade”... Basta ser amor. 

O erotismo não requer, todavia, esse viés amoroso. Pode ser simplesmente uma história com enredo lindinho, com casal, mas sem estar voltada ao amor. Imaginem uma história que simplesmente conta de João e sobre as pessoas com quem ele se relaciona romanticamente. Não precisa ser um hentai/lemon/orange da vida, mas também não precisa detalhar sentimentos, por exemplo. 

É compreensível a confusão entre os dois, porque nada mais natural que exista erotismo em um romance. Casais, afinal, se envolvem sexualmente. Amor e sexo não se excluem, moranguinhos, mas também não estão colados. Podemos, sim, misturá-los ao se tratar de uma relação entre personagens, mas não é obrigatório, entendido? Esse é o grande “tcham” do artigo. 

A diferença básica entre os dois gêneros é que no romance há amor, enquanto no erotismo, mesmo que exista amor, ele não é o foco da narrativa. 

Fontes: 
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Erros comuns em cenas de sexo – Parte 3

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Por: CowardMontblanc
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/232980/

Boatos diziam que eu, tia Coward, fugi e perdi minha conexão com a internet para sempre. Esses boatos estavam errados.

Porque enfim, depois de muito tempo, eu estou de volta com a parte final da série de posts sobre erros comuns nas cenas de sexo. Acredito que você se lembra dos dois primeiros posts, certo? Se não, sinta-se livre para reler! O primeiro se trata de erros na narração e falas, e o segundo sobre erros de anatomia. E nesse post, que será o último da série, vamos falar de erros que eu irei chamar de erros conceituais.

Mas o que seriam erros conceituais, exatamente?

Para fins meramente explicativos, esses são os erros que não tem tanto a ver com a narração em si ou com o que está acontecendo anatomicamente durante uma cena de sexo. Muitas vezes eles estão ligados ao conceito da cena, e principalmente do que está se passando na cabeça de quem está escrevendo, ou quando deveria ser levado em conta e não é. São coisas que estão mais ligadas com a ideia por trás da cena do que com o que está acontecendo em si.

Muitas vezes, cenas eróticas perdem todo o seu potencial pelo fato de que se baseiam nesses erros. A escrita pode ser boa, mas de nada adianta isso se ela cair num desses erros que o post vai tratar. Na verdade, eu já vi muitos bons escritores caindo em pelo menos um deles.

Vamos ver quais são?

  1. Pensar que escrever cenas de primeira vez é mais fácil

Chegou a hora. O casal daquela fanfic linda e enorme que você está lendo finalmente vai ter aquele momento super-romântico e especial. Seu coração está quase pulando pela boca, afinal, você sonha com isso desde que percebeu que eles tem química e você acompanhou cada troca de olhares, o primeiro beijo, o primeiro encontro...

Então você chega na primeira vez deles. Os personagens são inexperientes e vão descobrir tudo juntos… Ou deveriam, porque quando você lê a cena, percebe que eles juntos na cama são capazes de fazer qualquer ator ou atriz pornô corar de vergonha e ficar verde de inveja com suas incríveis habilidades e confiança, além de já saberem todos os pontos fracos e fetiches secretos um do outro.

Não é preciso pensar muito pra entender que na realidade é bem diferente, não é? Por mais que uma fanfic seja uma fantasia, escrever cenas de primeira vez são na verdade bem mais complicadas do que as que envolvem personagens mais experientes. E quando você escreve uma cena assim totalmente perfeita, sem envolver pelo menos um pouco de timidez por parte dos personagens, pequenos erros no meio do caminho e outras trapalhadas, toda e qualquer suspensão de descrença se vai. É difícil acreditar que os personagens são inexperientes quando eles já sabem tudo que deveriam aprender com o passar do tempo, especialmente quando as partes são jovens.

Se você quer mais liberdade para fazer cenas que envolvem alguns fetiches ou posições mais incomuns, é melhor deixar isso para um casal mais experiente ou uma cena futura. Ninguém começa sabendo tudo, e por mais que seja um pouco mais complicado narrar cenas eróticas com personagens inexperientes, a experiência de narrar ou ler sobre as primeiras descobertas de um casal ou personagem é com certeza bastante gratificante!

  1. Fazer todas as cenas com o mesmo “roteiro”

A fanfic é bem escrita e tem um enredo incrível! Você começou a ler algumas horas mais cedo e não consegue mais parar. Você passou pela primeira cena de sexo, e ela foi muito bem escrita e divertida, sem nada de errado. Feliz, você continua a leitura. E a próxima cena erótica tem basicamente os mesmos acontecimentos da primeira. E a próxima… E a próxima… E todas as seguintes.

Todas as cenas são iguais, e você começa a pular porque já leu isso antes.

Sexo na vida real nunca é sempre igual, mesmo quando ocorre com as mesmas pessoas num mesmo lugar. Por isso mesmo, não precisa ser sempre igual na ficção. Isso é algo que parece ser bem simples, até, mas infelizmente sexo repetitivo é algo muito fácil de se encontrar. Não tenha medo de tentar coisas novas! Os leitores gostam de variedade, e os personagens também.

  1. Achar que a cena não é sexo “de verdade” por não ter penetração

Os personagens podem fazer tudo. Podem tirar as roupas, podem se pegar em todos os lugares possíveis, e realizar mil e uma acrobacias na cama. Porém, enquanto não houver penetração, não é sexo.

Nem preciso dizer muita coisa aqui. Sexo não é apenas penetração. Outras espécies de carícias que seus personagens podem trocar podem e devem ser consideradas sexuais, contanto que tenham esse intuito. Uma cena de oral é uma cena de sexo, assim como uma de masturbação mútua e tantos outros derivados que se podem imaginar. Não se sinta obrigado a colocar penetração numa cena erótica para que ela seja considerada “de verdade”, porque se tem atos sexuais, então já é. Além disso, na vida real muitas vezes pessoas fazem sexo sem penetração e ficam satisfeitas mesmo assim.

Sem falar que alguns casais nem praticam necessariamente o sexo com penetração. Basta olhar para os casais lésbicos. A não ser que uma das mulheres seja trans, elas só podem praticar o sexo com penetração com o auxílio de brinquedos, e não é sempre que elas vão usar isso, não é verdade?

  1. Como assim ninguém engravidou até agora?

A fanfic se passa no mundo atual, com toda a tecnologia que nós temos. Ainda assim, o casal fez sexo inúmeras vezes, nunca usou uma camisinha no ato e mesmo assim a menina nunca engravidou e ninguém nunca pegou uma doença sexualmente transmissível. Como? Pura conveniência para a trama.

É claro que por ser ficção, você tem o total controle de saber quando alguém irá engravidar ou pegar uma doença. Ainda assim, ver os personagens fazendo sexo a torto e a direito sem nenhuma proteção e saindo sem nenhuma consequência física depois acaba com a descrença de quem está lendo. Não é difícil falar de métodos contraceptivos, basta escrever uma linha ou duas sobre como Fulaninha toma anticoncepcional ou como Fulaninho pegou a camisinha e colocou antes do ato. É um detalhe muito simples, mas faz bastante diferença, e falar sobre essas coisas apenas serve pra tornar a cena mais verossímil.

Se seu plano é fazer alguém engravidar, porém, pode deixar de lado. Ou então caso a sua história se passe em tempos antigos ou num universo onde esses métodos não existem ou são pouco utilizados. Afinal, camisinhas modernas com certeza não devem existir na Terra Média.

  1. Tratar os personagens como bonecos infláveis na hora do sexo

Muitas vezes em cenas eróticas quem está escrevendo se foca tanto em descrever direito o que está acontecendo no aspecto físico que se esquece completamente de narrar o psicológico dos personagens. Então, quando alguém lê a cena, eles não parecem pessoas, e sim bonecos infláveis sem personalidade ou sentimentos que mais parecem estar lá para satisfazer as fantasias de quem escreveu.

Sexo não é apenas algo físico, pois envolve muitos sentimentos. Não é apenas pelo fato de que os personagens estão se agarrando que eles vão deixar de pensar. Afinal, se eles estão fazendo sexo, eles devem nutrir sentimentos um pelo outro e é bem provável que acontecimentos anteriores acabou levando-os para esse ato.

Não deixe os sentimentos e pensamentos de seus personagens de lado nessas horas! Narrar o que se passa na mente deles não é uma distração para o leitor, e sim uma adição. Saber o que cada um está pensando e sentindo ajuda a cena a ter mais sentido, e faz com que a pessoa que está lendo se conecte mais com o momento e com o casal.

As melhores cenas eróticas não se apoiam apenas em boas descrições físicas, mas também das psicológicas. Sentimentos tornam tudo mais especial e inesquecível para quem está lendo, além de darem aquele diferencial para cada cena. O amor e carinho nutridos pelas partes, o nervosismo de uma primeira vez para aquele personagem inexperiente, o medo de um casal ser pego em flagrante num relacionamento proibido… Narre isso tudo e mais.

  1. BDSM não é como em 50 Tons de Cinza

Desde que 50 Tons de Cinza foi publicado, muitas fanfics e livros começaram a falar mais sobre o incrível e curioso mundo do BDSM. E por mais que isso seja interessante, muitas pessoas inventam de escrever sobre BDSM baseando-se apenas no que está na série 50 Tons, que só trata da ponta do iceberg e contém uma série de informações erradas; ou então nem pesquisam e usam apenas de clichês disseminados pela cultura pop, que não trata o tema com o maior respeito do mundo.

Como o conteúdo desse post se trata de cenas eróticas em geral e não apenas de BDSM, vou aproveitar aqui apenas para dar algumas dicas, e não um manual. A mais importante é que, se você pretende escrever sobre o tema, pesquise muito. Existem milhares de sites e artigos sobre BDSM escritos por pessoas que praticam isso nas suas vidas, e que cobrem desde as coisas mais básicas como os papéis de dominador e submisso e vão até as mais específicas, como informações de segurança em relação a algumas práticas. E que fonte melhor para saber como acontece na prática do que lendo sobre o assunto a partir do ponto de vista de quem possui a experiência?

Outra coisa importante é saber que tudo no BDSM deve ser consentido entre as partes. É muito comum que elas conversem sobre o que pretendem fazer antes de cada sessão, e muitas vezes isso ajuda na preparação do que for necessário. É um ato de confiança e respeito. Além disso, existe a safeword, que é uma palavra combinada que pode ser dita por qualquer uma das partes a qualquer momento durante a sessão por qualquer motivo, e assim que isso acontece, é preciso parar com o que se está fazendo.

Por último, existe uma coisa chamada aftercare, que acontece logo após o fim de cada sessão, onde as partes cuidam uma da outra da maneira que for necessária. Pode ser com abraços, preparando um banho, dando água ou alguma coisa para comer, enfim. É um momento para relaxar e para as partes se apoiarem física e psicologicamente, lembrando uma a outra que está tudo bem e que agora que tudo acabou, elas podem voltar a agir normalmente.

  1. De repente, o OOC sem explicação

A fanfic estava correndo muito bem. A história estava fluindo, a leitura estava harmoniosa e todo mundo estava agindo de acordo com o esperado… Até que de repente aquele casal começou a trocar uns beijinhos ali, foram ao quarto e depois tudo virou uma bagunça só. Sem motivo algum, aquele garoto tímido passou a soltar falas dignas de um filme pornográfico, e aquela moça extrovertida e que vive flertando com os garotos fica toda tímida, coradinha e mal consegue falar sem gaguejar. Aqueles personagens que você conhecia viraram pessoas completamente diferentes sem a menor explicação para tal.

O problema aqui, obviamente, não é a mudança na personalidade. Não é porque alguém age de uma maneira publicamente que ela vai continuar agindo da mesma forma privadamente. O que não pode acontecer é faltar explicação para tal, e a mudança acontecer de uma maneira muito brusca. Talvez os seus personagens estão encenando papéis, talvez estejam praticando BDSM, beberam um pouco e se soltaram ou simplesmente se sentem mais à vontade sozinhos porque se conhecem há tempos. Contanto que esteja bem explicado no texto, está valendo.

  1. Estupro não é uma forma de conquista!

Esse erro aqui é, sem sombra de dúvidas, o mais sério de todos os que estão sendo tratados nesse post, e infelizmente é algo fácil de se achar por aí não apenas em fanfics, como algumas vezes em livros. Geralmente a mocinha ou mocinho sofre da violência sexual e acaba se apaixonando por quem fez isso depois. Não há raiva, dor ou trauma, mesmo quando o ato não foi consentido. E muitas vezes o casal acaba feliz para sempre, seja com ou sem outras formas de abuso sexual depois.

Isso está erradíssimo. O estupro além de ser um crime (e hediondo segundo as leis brasileiras) é um ato que acaba causando danos terríveis para a vítima. Na grande maioria das vezes ela vai se sentir culpada pelo ocorrido, vai se sentir suja, e sua autoestima e confiança diminuem muito. Ela também não vai passar a gostar de quem a abusou, pelo contrário: ela vai sentir nojo, ódio, medo e coisas negativas. Não é incomum que ela acabe ficando com ansiedade e depressão derivados desse ato.

Estupro não é um sexo mais intenso ou BDSM, pois nesses dois casos ainda há o consentimento de quem está participando. Estupro é o ato sexual não consentido, que acaba causando sérios danos psicológicos para a vítima. Não é algo bonito ou romântico, e não é algo que pode ser deixado de lado. Além disso, estupro não é apenas a penetração forçada: nosso próprio Código Penal compreende como sendo qualquer ato sexual não consentido feito a partir de violência ou grave ameaça.

Você pode tratar sobre o tema na sua história, mas faça com o devido respeito. Estupro é um crime muito sério e suas consequências também. Se você quer mesmo falar sobre isso, fale, mas não se esqueça de levar em conta o fato de que não é uma coisa bonita. Porém, se você quer escrever uma cena de sexo mais “pesada” sem ir pra esse lado, faça os personagens consentirem. E não se esqueça de que narrar uma cena erótica na qual os personagens estão consentindo e felizes é muito mais romântico e bonito do que narrar uma onde uma das partes não quer seguir com o ato ou fazer algo específico.

  1. Escrever sexo só como forma de atrair leitores

Sim, tem gente que realmente faz isso. Mesmo quando não querem ou quando não vai agregar nada para a história, elas escrevem cenas de sexo para atrair leitores. Afinal, sexo vende. Ainda assim, ninguém deve se forçar a escrever o que não quer, especialmente se isso for algo que te deixe desconfortável.

Não é todo mundo que se sente bem narrando cenas eróticas, assim como existem pessoas que não se dão bem com comédia, drama ou terror. Todo escritor tem seus pontos fortes e fracos, e sabe o que gosta ou não de escrever. Além disso, quando você se força a escrever o que não gosta, o resultado geralmente não é muito bom. É melhor você escrever sobre o que realmente gosta, assim a sua escrita vai brilhar mais.

É claro, se você for iniciante na escrita erótica, é normal sentir uma certa vergonha e hesitação. Isso acontece com qualquer gênero quando você não tem experiência, e quanto mais você pratica, mais confiante você vai estar. Porém, se você realmente se sentir desconfortável e não achar que é algo que sirva pra você, tudo bem!

Sua história não precisa de cenas de sexo para ser boa, e você pode escrever muito bem sem colocar sexo no meio. Lembre-se que apenas você pode ditar o que vai ou não acontecer na sua história, então escreva o que lhe agrade em primeiro lugar. Acredite, seus leitores vão saber ver o carinho que você investiu para contar aquela história que você ama.

E ficamos por aqui. Essa terceira parte ficou enorme, não é mesmo? Ainda assim, acredito que está tudo bem explicado, e eu espero que esse artigo lhe sirva de ajuda!

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Desvendando os gêneros sexuais Hentai, Lemon e Orange

segunda-feira, 29 de setembro de 2014


Por: Takahiro Haruka

Olá amores, como vocês vão? Olha a Noni aqui de novo! (risos)

O post de hoje tem o conteúdo mais voltado aos adultos, por isso, se você for menor de idade – e se ofender com a exploração de temas adultos –, pode ignorar o post e ser feliz, juro que não ficarei ofendida.

Dado o aviso, vamos iniciar o assunto, que é gêneros sexuais. Isso mesmo, vamos pautar as diferenças entre hentai, lemon e orange.

Lemon e orange são gêneros para histórias envolvendo homossexualismo. Para heterossexualidade, usa-se o hentai. Vamos criar a relação:

Hentai – o gênero faz alusão ao relacionamento sexual explícito entre um homem e uma mulher. Há riqueza de detalhes e narração de acordo com o que o autor achar conveniente.
Lemon – o gênero diz respeito ao relacionamento sexual explícito entre dois ou mais homens. Novamente, o autor dispõe de liberdade para narrar e detalhar o ato como lhe convém.
Orange – o mesmo que o lemon, mas aqui, trata-se do relacionamento sexual explícito entre duas ou mais mulheres. As cenas são descritas em sua totalidade, de acordo com o autor.

Eventualmente vemos os gêneros sendo usados de forma errônea. Se o relacionamento na história é entre um homem e uma mulher, então os gêneros serão hentai, romance, ecchi. No caso do relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, teremos, para homens, lemon, yaoi e shounen-ai, e, para mulheres, orange, yuri e shoujo-ai. Pode haver a mistura entre os gêneros quando, mesmo o foco sendo um relacionamento hétero, em algum momento houver cenas de homossexualismo. Do contrário, se não houver cenas homoafetivas na história, não tem como os gêneros yaoi e/ou orange aparecerem – porque são situações quase opostas (ou é hétero ou é homo, meio termo é bissexual).

Há casos em que o nível de detalhes sobre o relacionamento faz os gêneros serem outros. Citei aqui Yaoi e Yuri, que são gêneros que informam que há uma relação amorosa entre pessoas do mesmo sexo, e Shounen-ai e Shoujo-ai, que indicam um grau leve de afeição entre os personagens do mesmo sexo, como beijos, abraços, ou até uma amizade muito profunda.

Vale lembrar que tais gêneros ganharam mais espaço no mundo das fanfics do que possuíam há alguns anos. Alguns shipps (casais) chegam a ser tão populares quanto o próprio universo a que pertencem. Uma observação interessante também é que, o público-alvo das histórias sobre o envolvimento entre dois homens é as mulheres. Grande parte do conteúdo é feito por elas.

Também vale ressaltar que, sempre que houve um dos três gêneros, a história obrigatoriamente será +18. Isso porque os três envolvem cenas de sexo explícito e há censura nos sites de fanfics. Por isso, lembre-se de que capas, títulos e sinopses devem sempre ter conteúdo livre. Deixe as coisas pervertidas para o enredo da história.

Ficou alguma dúvida? Esses gêneros, no começo, são realmente muito confusos, mas basta tentarmos nos acostumar com eles e treinarmos que alcançaremos a luz!



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[Sugestão atendida] Como escrever cenas de estupro

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Por: Carol Guimarães

Hello, hello, hello!
Há algum tempo eu vi no Ask da Liga alguém pedindo dicas de como escrever cenas de estupro, um assunto delicado, que pode acabar mudando toda a personalidade do seu personagem e o rumo da sua história. Resolvi atender ao pedido, visto que eu mesma fiquei com essa dúvida ao elaborar uma história.
A resposta? Depende. Depende de quem é o narrador, depende do tipo de história que você está escrevendo, depende de qual impressão você quer passar ao leitor. Eu não posso simplesmente lhe passar uma fórmula mágica, pois ela não existe. Cenas de estupro são variáveis, pois os personagens são variáveis. 
O fato é que estupro é um tabu e pouco se fala sobre o assunto. Entretanto, eu vou colocar algumas situações aqui para tentar ajudar você, autor, da melhor maneira possível, a retratar uma situação dessas. 
Mas antes de tudo, vamos esclarecer uma coisa:

Estupro - Ato de forçar alguém a ter relações sexuais contra a sua vontade, por meio de violência ou ameaça. = VIOLAÇÃO
("estupro", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/estupro [consultado em 05-05-2014].)

Estrupo - Ruído, tropel, tumulto.
("estrupo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/estrupo [consultado em 05-05-2014].)

As duas palavras existem e são fáceis de confundir, mas agora você já sabe e não vai mais errar. Certo? Ok. A partir de agora eu não quero mais ninguém escrevendo que a personagem foi “estrupada”.
Depois de claro que o correto é estupro, não estrupo, que tal alguns dados? Aproveitando a pesquisa do Ipea recentemente e todo o bafafá que rolou por conta dela, vamos tentar desmistificar algumas coisas.
  • Estima-se que, no Brasil, no mínimo 527 mil casos de estupro são consumados a cada ano. E dentre esses, apenas dez por cento são reportados à polícia.

Mas por que apenas dez por cento? Você me pergunta, abismado com um número tão baixo. Ora, se grande parte da população acredita que a vítima é culpada por ser vulgar, quem é que irá querer contar para alguém e ser ainda mais humilhado?
  • Em relação ao total das notificações ocorridas em 2011, 88.5% das vítimas eram do sexo feminino, mais da metade tinha menos de 13 anos de idade.

Reparem que esses dados são apenas dos casos relatados à polícia. Homens talvez tenham ainda mais dificuldade para mencionar esse tipo de coisa, afinal, criou-se na sociedade atual uma ideia de que apenas mulheres são estupradas, homens são homossexuais e não querem admitir, preferindo inventar uma história de estupro, ou então que eles são homens e todo homem gosta de sexo, e que a ideia de eles negarem isso a uma mulher é ridícula. Claro que não, né? E homossexuais ou não, homem ou mulher, jovem ou adulto, todos têm o direito de procurar a justiça e atendimento psicológico.
Outra coisa, meninas com menos de treze anos costumam se vestir vulgarmente? A grande maioria não, certo? Então é cabível dizer que a vítima pediu para ser estuprada usando roupas inapropriadas?
  • No geral, 70% dos estupros são cometidos por parentes, namorados ou amigos/conhecidos da vítima, o que indica que o principal inimigo está dentro de casa e que a violência nasce dentro dos lares.

A fulana coloca uma roupa curta para ir a uma festa e depois de um pouquinho embriagada, decide ir para casa, passando por um beco escuro e sujo. Um sujeito mal encarado, feio, fedorento e com uma faca na mão, aparece e a estupra. Previsível? Clichê?
A Beltrana tem um tio lindo, cheiroso, que parece um príncipe aos olhos de todos, até mesmo dela. Até que esse tio a estupra e continua o fazendo até que ela se rebele. Por mais que pareça doentio, esse tio ainda a trata com carinho, porque ele a ama. 
Qual dos dois casos nós vemos mais nas histórias? Um biscoito para quem disse o primeiro. Agora, qual dos dois casos acontece mais no mundo real? Um biscoito de chocolate com sorvete e petit gâteau para quem respondeu o segundo. Por incrível que pareça, o último caso é o mais comum de ocorrer. Tente surpreender o leitor, evite o beco escuro e o cara feio com a faca na mão.
Se você quiser mais dados como esses, no final do post há um link com as estatísticas do Ipea. É interessante dar uma olhada, pois grande parte dos resultados vai contra o senso comum.
Valendo lembrar também que, antes de 2009, estupro era categorizado apenas como um homem inserindo o pênis na vagina da vítima sem o seu consentimento, ou seja, todos os outros casos de violência sexual eram chamados de outra maneira e tinham outras penas, homens não podiam ser estuprados, mulheres não podiam ser agressoras, pênis inserido no ânus da mulher também não era considerado... Agora, desde 2009, estupro é categorizado como toda forma de violência sexual para qualquer fim libidinoso (finalidade de satisfazer o desejo sexual), incluindo a conjunção carnal (pênis introduzido na vagina). O crime pode ser cometido por qualquer forma e em qualquer delas será considerado crime hediondo, o tipo mais grave de crime.
Por que escrever uma cena de estupro?

Se você quer adicionar mais drama à sua história, ou se quer que seja o motivo do personagem sair em busca de vingança e iniciar a ação, sugiro fortemente que não o faça. Sério, saia desse post e vá procurar algum outro, não escreva a cena de estupro!
Abuso sexual é coisa séria. Pode mudar a personalidade do personagem inteira e até o rumo de sua história. Na verdade, muito provavelmente será o clímax.
O que você tem que entender é que estupro é um ato tão impactante que pode destruir a vida de uma pessoa, ela nunca mais será a mesma. Ela pode se recuperar? Pode, claro que sim. Há vários grupos de apoio que ajudam a vítima a se recuperar a ponto de ela viver uma vida saudável, feliz e normal. Mas ela nunca poderá dizer que é a mesma pessoa que costumava ser antes do abuso. E você terá que desenvolver essa mudança.
O personagem deverá passar por fases. Choque, negação, culpa — sim, algumas vítimas se culpam, por mais que não seja culpa delas ―, pensar, diversas vezes, no que elas poderiam ter feito para evitar — e aceitação, não necessariamente nessa ordem. Lembrando que isso varia de acordo com a idade, sexo e situação da personagem. Isso dá trabalho, e você não pode simplesmente ignorar e seguir a história como se nada tivesse mudado.
Além disso, a vítima, salvo algumas exceções, não gostará do abuso, nem irá agradecer o algoz pelo que ele fez com ela. A pessoa sentirá dor, vai odiar e temer o estuprador. A vítima pode até gozar, por fatores biológicos, mas muito provavelmente sentirá ainda mais nojo de si mesma por ter tido tal reação.
Mas não existem exceções, Carol? 
Sim, existem. Mas saiba que são raras e você teria que trabalhar com um lado psicológico totalmente diferente. O cérebro humano tenta encontrar a melhor maneira de se defender diante de um choque desse tipo, e pode acabar criando a ilusão de afeto entre a vítima e o agressor. No entanto, lembre-se de que isso não é muito comum de acontecer e, se quiser escrever algo assim, saiba com o que está lidando e faça pesquisas.
Resumindo, só escreva sobre estupro se for realmente a sua intenção falar sobre o assunto, não para tapar buracos ou deixar as coisas mais emocionantes, ou para o seu vilão parecer mais cruel. Isso é um erro!
Mas agora que decidiu que quer mesmo escrever sobre o tema, que vai se dedicar no desenvolvimento do personagem a partir do clímax, você deve se perguntar: o que eu quero passar para o leitor? Eu quero que ele fique enojado com o ato vil? Eu quero que ele sinta o sofrimento da vítima? Eu quero que ele fique indignado com o autor do crime?
E ainda: qual o narrador da cena? A vítima ou o agressor? Talvez um narrador observador?
Essas perguntas são importantes, porque dependendo das suas respostas, a sua cena mudará.
Uma cena de estupro é caracterizada, principalmente, pelo seu teor dramático. Por isso eu aconselho que foque mais nos sentimentos dos personagens durante o ato, do que o próprio ato em si, até porque não costuma ser cheio de sangue ou com muita ação como seria o caso de um assassinato, por exemplo.
A beta estudante de psicologia, Senhorita Nada, e a beta formada em direito, Tina, gentilmente me ajudaram a entender o que ocorre na mente das pessoas nessas situações. Nos três casos seguintes você terá de usar a psicologia a seu favor. Dê as mãos a ela e não largue mais. Ela será sua amiga pelo resto de sua vida ou, pelo menos, até terminar de escrever. 

A vítima
As vítimas, de modo geral, costumam demonstrar uma reação padrão. Elas se fecham a qualquer aproximação, não socializam, choram muito, acabam criando medos excessivos, ou se tornam pessoas mais agressivas, podem até começar a andar com acessórios para se defender, sprays de pimenta, facas, pistolas...
Se o seu narrador for a vítima, você terá que mostrar essas características no texto. Pergunte-se o que seu personagem faria se tivesse que andar sozinho pela cidade à noite, e depois que ele sofresse o abuso, como reagiria? Como se comportava, e como passa a se comportar com pessoas do mesmo sexo do agressor?
Durante o ato, procure focar no sofrimento e na humilhação que a vítima sente, também na raiva e frustração por tentar escapar e não conseguir. Talvez seu personagem fique em choque e apenas ore para que termine logo, ou até mesmo para que ele morra. Como eu disse anteriormente, pegue o seu amigo psicólogo, grude a traseira dele na cadeira ao seu lado e só o deixe sair depois que ele te ajudar a ver como o seu personagem reagiria em uma situação dessas.

O agressor
Se quem estiver contando a história for o agressor, a jornada será mais árdua do que se fosse a vítima, mas não menos interessante. Talvez até um pouquinho mais original.
Como as estatísticas mostraram, normalmente os criminosos são próximos da vítima, apresentam-se como amigos, frequentam os mesmos locais, são sujeitos que aparentemente têm uma boa relação com toda a família, tudo numa tentativa de liberar os seus ímpetos sexuais, algumas vezes de modo tão cruel que o crime acaba em morte. O que se pode ter ideia, devido a várias pesquisas e depoimentos, é que eles, os estupradores, demonstram ser pessoas tranquilas, calmas na frente de parentes, amigos, mas que no fundo, apenas estão calculando o momento ideal de praticar o ato do estupro (ou o ato libidinoso). 
Porém, alguns desses estupradores já vêm com problemas psiquiátricos, têm transtornos compulsivos, psicopatias, enfim, quando o objeto do desejo é inalcançável, o estupro consequentemente se torna mais agressivo, e a tendência é matar a vítima. O desejo carnal de manter ato é quase que animal, irracional, transcende a questão saudável do sexo.
Durante o ato, foque na sensação de prazer que o estuprador sente, na euforia por ter finalmente conseguido realizar o que tanto desejava, talvez até na afeição que ele sente pela vítima, pois apesar de doentio, não é incomum de acontecer. 

Narrador observador
Lembre-se de que o estupro é um ato de dominação, a fim de humilhar a vítima e minar sua moral. O abuso sexual é antigo e faz parte da história como, por exemplo, na Roma Antiga, onde a pederastia era comum. Era normal e tolerado que um jovem rapaz, ainda não considerado cidadão, que quisesse estudar, fosse abusado pelo mestre pedagogo, pois mostrava a relação de submissão que o jovem deveria ter com seu professor. É muito comum também, em tempos de Guerra, que os exércitos pratiquem o ato no inimigo, de forma a subjugá-lo, como aconteceu muito durante a Segunda Guerra Mundial, nos conflitos de vikings e na guerra de Troia. 
Portanto, se a história for contada em terceira pessoa, tente mostrar os dois lados da moeda: como a vítima se sente e pensa (está em uma posição de submissão, mesmo que não queira), e como o estuprador se sente e pensa (está dominando a vítima). 

Bom, espero ter ajudado e que tenham gostado do post! Se ainda tiver dúvidas, pesquise, peça ajuda a alguém que entenda do assunto, corra atrás e faça dessa cena uma coisa memorável para os seus leitores.
That’s all folks!


CERQUEIRA, Daniel; COELHO, Danilo de Santa Cruz. Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde (versão preliminar). Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/nota_tecnica/140327_notatecnicadiest11.pdf>. Acesso em: 05 de maio de 2014.
HINES, Jim C. Writing about rape. Disponível em: <http://www.apex-magazine.com/writing-about-rape/>. Acesso em: 05 de maio de 2014.
Estupro. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Estupro. Acesso em: 05 de maio de 2014.
Sexualidade na Roma Antiga. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Sexualidade_na_Roma_Antiga>. Acesso em: 05 de maio de 2014.
Pederastia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Pederastia>. Acesso em: 05 de maio de 2014.
Estupros de Guerra. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Estupros_de_guerra>. Acesso em: 05 de maio de 2014.
Homem pode ser vítima de estupro. Disponível em: <http://endireitado.wordpress.com/2009/09/11/homem-pode-ser-vitima-de-estupro/>. Acesso em: 05 de maio de 2014.


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Erros comuns em cenas de sexo – Parte 2: biologia

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Por: Coward Montblanc 
(Liga dos betas team)

<< Esse post é proibido para menores de 18 anos, por conter linguagem imprópria de cunho sexual.>>

Olá, queridos! Já faz um tempo que a gente não se vê, né? Ouvi dizer que vocês sentiram saudades de mim e estavam ansiosos para a continuação do meu post anterior!

Então podem relaxar, aqui estou com os erros mais cometidos em cenas de sexo em fanfics. E desta vez vamos falar de biologia, porque parece que muita gente por aí não prestou muita atenção nas aulas dessa matéria na escola.

Não se preocupem, vocês não vão precisar pegar seus livros de biologia para compreenderem o que eu vou falar aqui. Vou explicar do jeito mais simples possível para que todos aqui possam entender. E não é nada difícil, eu prometo!

Vamos lá?

<< Esse post é proibido para menores de 18 anos, por conter linguagem imprópria de cunho sexual.>>


1) Achar que o ânus se lubrifica sozinho

Esse erro é mais comum em fanfics yaoi, mas não pense que escritores de casais hétero e até yuri escapem disso! Muita gente acha que só porque garotas se lubrificam quando excitadas e os garotos produzem líquido pré­-seminal, o ânus também faz isso.

A lubrificação serve para facilitar a penetração. A vagina foi feita para ser penetrada e portanto se lubrifica naturalmente. O pênis foi feito para penetrar, e por isso também se lubrifica, mas é bem menos que uma vagina, até. E o buraquinho que todo mundo tem lá atrás não é feito para isso, em teoria. Por causa disso, ninguém fica com o bumbum molhadinho quando vai fazer sexo.

E se ficar, não vai ser por lubrificação natural, tenha certeza.

Seu personagem pode ser o homem mais másculo e forte do mundo, mas se ainda tentar colocar alguma coisa ali dentro sem lubrificar antes, nem que seja só um dedo, vai doer, e talvez nem mesmo entre. E é para isso que lubrificante é fabricado, vendido e usado. Portanto, se o seu personagem pretende inserir algo nesse local, sozinho ou acompanhado, não se esqueça do lubrificante!

Aliás, coisas como sangue, esperma, saliva, lágrimas, água, manteiga, hidratante, vodka, vinho, sorvete, nutella, mel e derivados não servem como substitutos. E alguns desses itens que eu acabei de citar anteriormente não são nada higiênicos para se colocar em um local tão sensível.

E mesmo se houver lubrificante na hora, vá devagar! Deixe quem for receber preparado física e psicologicamente antes, porque se ele estiver muito tenso ou sem muita preparação, ainda vai doer bastante. Isso vale especialmente para personagens que possuem pouca ou nenhuma experiência com penetração anal. Porém, com as devidas precauções, todos podem se divertir sem correr risco algum!


2) Pensar que é fácil colocar um pênis inteiro na boca

O sexo oral é considerado como uma prática bastante prazerosa, ainda mais quando bem feita. Para muitos homens, então, se a pessoa que o fizer for capaz de colocar seu membro inteiro na boca, é algo incrível. Mas fazer isso não é tão fácil quanto parece!

As pessoas possuem uma coisa conhecida como “reflexos”, que são respostas involuntárias ao nosso corpo diante de certos estímulos. Se alguma coisa ficar tocando na nossa garganta, vamos querer vomitar. É por isso que muitas pessoas forçam o vômito colocando os dedos ali. 

Normalmente, um pênis ereto tem tamanho o bastante para tocar no fundo da garganta e ativar esse reflexo. E vomitar no seu parceiro no meio do ato não soa lá muito sexy. Para isso, as pessoas costumam treinar bastante para que isso não aconteça, pois essa técnica exige justamente muito controle dos reflexos naturais. E, na verdade, tem gente que não consegue fazer isso mesmo com anos de treino, então como alguém virgem ou não muito experiente poderia ser capaz disso com tamanha facilidade?

Uma cena de sexo oral pode ser bem quente, prazerosa e sensual sem precisar que o personagem faça peripécias. Só é necessário um bom uso da imaginação, mãos, boca… E tomar muito cuidado com os dentes. Fora isso, é apenas uma questão de ter entusiasmo e uma boa criatividade!


3) Dizer que esperma tem gosto delicioso

Mais um erro super comum em cenas desse tipo. Quem aqui nunca viu um personagem engolindo o “gozo” de outro todo contente como se fosse algum tipo de néctar dos deuses? Infelizmente, não é bem assim.

Não é necessário que ninguém aqui experimente para saber como é o gosto. Simplesmente é fato universal. A grande maioria da população mundial não gosta do sabor de sêmen e acha difícil de engolir não apenas por causa disso como também por sua consistência mais viscosa. Se fosse gostoso, não existiria o dilema de cuspir ou engolir, ou até mesmo de deixar ou não o parceiro ejacular dentro da boca. Pode não ser muito sensual, mas colocar que o personagem engoliu tudo com uma certa dificuldade e não apreciando muito o sabor já deixa você totalmente livre dessa gafe.

No entanto, existem exceções. Algumas pessoas apreciam o gosto de esperma, ou então possuem um certo fetiche com isso. Se o seu personagem se encaixa em algum desses casos, então ele pode engolir como se fosse mesmo algo divino.


4) “E então nós gozamos juntinhos...”

Imagine só: seu casal favorito naquele momento íntimo, mostrando o quanto se amam entre beijos, abraços e carícias cada vez mais ousadas... Em um certo momento, eles com certeza vão ter seus respectivos orgasmos. E não seria lindo e romântico se os dois chegassem lá juntos para mostrar o quanto se amam e se completam?

Realmente, é algo muito bonito tanto de se imaginar quanto de se escrever. Mas, na realidade, isso é quase impossível de acontecer. Para um casal vivenciar um momento assim, os dois lados precisam não apenas se conhecer bastante como também possuírem muito autocontrole. E mesmo que eles cumpram esses “requisitos”, gozar juntos não é algo que acontece o tempo todo, porque por mais que uma pessoa saiba quando está perto de ter um orgasmo, ela nunca vai ser capaz de adivinhar o momento exato. E se até para um casal que já se conhece há anos esse é um feito que exige muito esforço – e que pode até mesmo nunca acontecer –, isso é algo literalmente impossível para virgens e pessoas inexperientes.

É claro, pode acontecer. Mas isso é algo tão escrito em fanfics por aí que acaba sendo melhor fazer com que os participantes da cena tenham orgasmos separados. Ainda assim, se você quer usar esse recurso na sua cena, use, mas saiba que isso é algo raríssimo de acontecer e que fica melhor sendo usado uma única vez do que em todas as cenas de sexo da sua fanfic.

5) Bater no colo do útero dói e atingir a próstata o tempo todo é impossível

Coloquei esses dois juntos porque eles se resumem no mesmo princípio. Muita gente adora fazer o rapaz ficar atingindo o colo do útero da parceira para mostrar como ele é grande e capaz de satisfazê-la ou então fazem com que um dos garotos em um yaoi fique sempre tocando a próstata do parceiro após “encontrá-la” para que ele possa ter prazer durante o sexo anal, e não apenas dor. Essas duas coisas acontecem muitas vezes por causa da falta de informação por parte do escritor, e agora nós vamos ver porque essas duas coisas estão erradas.

Comecemos pelas meninas. A vagina não é um buraco negro sem fim, e por isso ela tem uma certa profundidade. E lá no final, temos o colo do útero, que “separa” a vagina e o útero, como se fosse uma porta. Para chegar lá, um homem precisaria ter um pênis bem grande, pois os de tamanho médio naturalmente não vão até lá. Isso acontece para que o sexo seja confortável.

O colo do útero é um lugar muito sensível. Não como o clitóris, onde se tem prazer quando se toca, mas sim de uma forma realmente mais frágil. É claro, não vai “quebrar” e nem “se abrir” fácil, mas ainda vai sentir o “impacto”. E dependendo de como for o ritmo do parceiro, pode doer bastante. Por isso que homens mais bem dotados precisam ser mais gentis com suas parceiras, para que isso não aconteça e também para não machucá-las. 

Quanto ao prazer, saiba que as maiores concentrações de nervos se encontram nos primeiros centímetros da vagina, no ponto G (que é mais fácil de ser encontrado com um dedo do que com um pênis) e, obviamente, no clitóris. Então seu personagem não precisa ter um membro gigante para deixar o amor da sua vida feliz.

Agora, vamos falar da próstata. Ela existe apenas nos homens, e pode ser estimulada por dentro do ânus. Fazer isso com um pênis propriamente dito é possível, mas não tem como se repetir sempre simplesmente porque no sexo tem muita movimentação por parte dos participantes para que isso aconteça. Além disso, como no caso do ponto G feminino, ela é mais fácil de ser encontrado com um dedo.

E assim como o colo do útero, lá também é um local muito sensível! Por mais que massagear seja prazeroso, também tem seus riscos. Ficar fazendo isso com intensidade pode levar a danos sérios no local, capazes de levar o homem a uma visita séria ao hospital por hemorragia interna, lesões, e outras coisas nada bonitas que você com certeza não quer que seu personagem sofra. Faça-o ter prazer com isso, mas sem exagerar.

6) Pessoas não fazem poças gigantes com seus líquidos

O sexo é algo naturalmente úmido. Tem beijos, suor, saliva, lubrificação... E em alguns casos o negócio é molhado até demais. Em muitas fanfics por aí tem meninas que literalmente encharcam a calcinha quando ficam excitadas, sem falar dos homens que ejaculam verdadeiros litros de esperma, quando na verdade nenhum dos dois sexos é capaz de tamanha produção.

Enquanto que em desenhos e filmes pornôs isso acontece por uma questão de efeito visual e também para atiçar quem está vendo, no mundo da literatura isso não funciona, pois tudo depende da imaginação do seu leitor.

Pedir para quem está lendo imaginar verdadeiros rios de “gozo” só irá fazer quem está lendo rir ou sentir nojo. Sem falar que daria muito trabalho para limpar. Numa fic, é melhor deixar todo mundo produzir essas coisas do mesmo modo que na vida real, que já é o suficiente.

7) Homens não podem ter orgasmos múltiplos a cada cinco segundos

Se um orgasmo já é bom, que tal agraciar aquele personagem que você tanto gosta com dois ou três numa única cena? Dependendo da sua duração, isso pode muito bem acontecer, mas no caso de nosso sortudo ser um homem, preste bastante atenção com o tempo entre cada um.

Ao contrário das mulheres, que podem ter orgasmos múltiplos em questão de poucos minutos, os homens precisam de uma “pausa”, chamada de “período refratório”. Nesse momento, ele perde a ereção e mesmo que continue com o ato sexual, e só vai poder voltar a ter uma depois de um certo período de tempo, que pode variar desde alguns minutos a algumas horas, dependendo da idade do indivíduo – que obviamente, será menor quanto mais jovem ele for.

Tentar evitar que isso aconteça estimulando o pênis logo depois do orgasmo também não é uma boa ideia, já que o local fica sensível aos toques ao ponto de irritar. Logo, é melhor deixar ele em paz e continuar a cena com outras coisas para deixar o personagem “descansar”.

8) Não é normal passar horas numa mesma posição ou ato

E assim como é impossível para um homem ter milhares de orgasmos em menos de dez minutos, também não é saudável para ele, e nem para uma mulher, ficar excitado por muito tempo sem que nada aconteça.

Existem fanfics em que o casal faz sexo por horas antes dos dois chegarem ao orgasmo. Ou então onde alguém recebe um oral por uma hora completa sem pausas. É bom, mas cansa, além de ser algo que com certeza deve irritar. Uma coisa é ter um bom controle para se segurar, mas todas as pessoas têm limites. Em algum momento, não vai ser possível adiar o orgasmo. E com certeza esse momento não vai demorar mais de três horas para chegar, seja com uma masturbação ou em sexo penetrativo.

Se alguém demora tempo demais para ter um orgasmo, ela precisa de ajuda médica, e não continuar vivendo desse modo achando que é normal.

****

Minha nossa, mas que post grande! Acho que compensou bastante a espera, não é? Curiosamente, a maior parte desses erros são relacionados ao sexo masculino, mas deu pra ver que as meninas também não escapam de terem certas atrocidades "ditas" com o seu corpo.

Por isso, seja o personagem do sexo oposto ao seu ou não, é muito importante pesquisar quando se tem dúvidas! Acredite, não custa nada e você só vai sair ganhando.

O próximo post será sobre erros conceituais que vemos nessas cenas sempre tão polêmicas. São, literalmente, coisas que não deveriam estar na cabeça de um autor na hora de escrever sobre esse assunto.

Vejo todos vocês lá!

Material consultado:
Acervo de fanfictions do Nyah!Fanfiction
Entrevista aos membros das Liga dos Betas


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Erros comuns em cenas de sexo – Parte 1/3: narração e falas

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

<< Esse post é proibido para menores de 18 anos, por conter linguagem imprópria de cunho sexual.>>


Por: Coward Montblanc (lLiga dos betas Team)


Olá, queridos leitores do blog! Quem está escrevendo o post de hoje é Diandra Santiago, e como dá pra ver pelo título, irei falar sobre coisas bem... Quentes. Ou melhor, nos erros que muita gente comete tentando escrever cenas quentes e que acabam deixando elas... Frias, se é que você me entende!

Não é difícil achar uma fic classificada como 18+ no Nyah!, geralmente por conteúdo sexual, mas é ainda mais complicado conseguir encontrar uma história dessas com cenas de sexo realmente boas. E já que eu adoro bons textos eróticos, já vi muita coisa nessa minha vida de leitora, e muitos erros que costumam se repetir como se fossem pragas.

E como são muitos erros, eu resolvi tratar deles não apenas em um, mas em três posts. Esse primeiro será focado apenas nos erros cometidos durante a narração e nas falas dos personagens, e os próximos serão focados nos erros de biologia e conceituais vistos nesse tipo de cena. Além disso, precisamos de conteúdo na zona 18+ do blog, vocês não acham?

Agora, sem mais delongas, os erros mais cometidos na narração e falas na hora do sexo em fanfics!


1) Usar palavrões em excesso na narrativa

O ato sexual por si só é uma coisa considerada suja pela sociedade, e palavrões para designar as partes do corpo de seus personagens e os que eles estão fazendo só vão causar essa impressão no leitor. Muita gente também odeia palavras chulas jogadas ao vento, até porque elas costumam indicar imaturidade, desrespeito e falta de compromisso de quem escreveu para com o texto, em geral.

Escrever algo bom com palavrões é complicado, então por via das dúvidas é melhor evitar. Tente descrever as posições como se fossem qualquer outra pose que os personagens estejam fazendo, chame os genitais de nomes como "membro", "sexo" e "intimidade", e evite expressões como "louco de tesão".

No entanto, palavrões podem sim ter seu lugar em cenas quentes! Narrativas em primeira pessoa podem ser incrementadas com alguns nomes "feios" para serem mais realísticas, e se os personagens estão conversando no calor do momento, eles até que podem deixar a educação um pouco de lado. Apenas não exagere, tudo bem?


2) Encher o texto de eufemismos desnecessários

"Doce néctar do prazer", "minha flor”, “sua lança comprida”? Isso é um concurso de poesia ou é uma cena de sexo? Qual a necessidade de usar metáforas bregas e no mínimo estranhas para se referir a certas coisas que você pode descrever normalmente sem causar estranhamento ou risadas por parte do leitor?

É claro, o sexo é considerado algo “sujo” e muitos escritores — em especial aqueles que nunca escreveram nada desse tipo — costumam ter vergonha na hora de descrever. Por isso as metáforas. Ou então, para deixar o texto menos “vulgar”. O problema é que, na grande maioria das vezes, isso acaba tirando todo o clima romântico, tenso ou luxurioso da cena e irá fazer com que tudo vire uma estranha comédia para quem está lendo.

No entanto, isso não significa que você não possa usar tais recursos. Comparar os toques dos dedos de alguém com choques elétricos, por exemplo, é interessante. 

Assim como os palavrões, as metáforas e comparações possuem seu lugar numa cena de sexo, mas não o tempo todo. Use com moderação e pense bem antes de usar. Pense bem: se você lesse isso escrito por outra pessoa, você riria ou acharia estranho? Se sim, é melhor deixar de lado, porque quem estará lendo provavelmente terá a mesma reação.


3) Descrever as intimidades dos personagens com detalhes demais

Todas as pessoas são diferentes, e nenhuma genitália é igual à de outra pessoa. Isso é algo que todo mundo sabe, mas que não precisa ser reforçado quando você está escrevendo uma cena de sexo. Esse é um erro que, por alguma razão, costuma aparecer mais nas fics escritas por mulheres — principalmente quando as mesmas são yaoi. É como se as autoras estivessem numa estranha competição para decidir quem consegue imaginar o pênis mais bonito para cada personagem, e para isso elas descrevem todos os detalhes possíveis.

Achou bizarro? De fato, é mesmo. Também pode ser considerado um tanto assustador, mas a questão não é essa, e sim que tais explicações são completamente desnecessárias para se compreender o texto. Acredite, seu leitor vai ser capaz de mentalizar o pênis ou a vagina de alguém sem precisar de um retrato falado do local. É claro que ele provavelmente não vai pensar nisso do mesmo jeito que você, mas vai fazer seu trabalho na cena, e é isso que importa.


4) Escrever linhas de “ohs” e “ahs”

Pessoas gemem, grunhem e fazem barulho durante o sexo. Elas também gritam, falam os nomes dos parceiros repetidamente, e podem até mesmo chorar ou rir. Mas você não precisa colocar tais falas o tempo inteiro. Quem está lendo sabe que está sendo prazeroso para os personagens, e que eles expressam isso com a voz, mas não precisa ser obrigado a ler linhas cheias de “oh”, “ah”, “hng”, “argh” e derivados. Isso não apenas torna a cena cansativa e entediante de ler, como também um pouco ridícula.

Você pode usar um pouco disso no meio de algumas falas para interrompê-las, mas também não faça isso em excesso. Coisas como “oh, Edwa— ah, ah, ah, Edward, eu — oh, hnnng, gah — eu te — oh, oh, sim — , amo!” são completamente desnecessárias. Assim como as descrições das genitálias, os detalhes vocais são algo que fica melhor quando deixados em aberto para o leitor imaginar o que quiser.




5) “Eu vou, eu vou… Aaaaaaah!”

Oh, o orgasmo! Uma das melhores sensações que uma pessoa pode ter, mesmo que dure apenas alguns segundos, e também um dos momentos em que os escritores mais erram na hora de escrever. É claro, depois de muitos beijos, carícias e suor, seus personagens merecem tal prazer, mas…

Eles precisam anunciar o tempo todo, e sempre do mesmo jeito? E seria apenas um grito a melhor forma de explicar para quem está lendo o que está acontecendo?

Como você deve ter imaginado, a resposta para essas duas perguntas é “não”. Deixe-me explicar os motivos.

Ninguém anuncia seus orgasmos toda vez que faz sexo. É claro, quem é familiarizado com o próprio corpo sabe dizer quando o grande momento se aproxima. Porém, em um momento intenso como esse, não é sempre que uma pessoa vai comentar isso, até porque ela provavelmente vai estar mais ocupada gemendo. Além disso, assim como com os “ohs” e “ahs”, ninguém quer ler um grande “AAAAAAAAAAAH” para representar o orgasmo. Mas como indicar isso sem gritos, então?

A resposta é simples, meu caro escritor: descrevendo. Você já deve ter lido em muitos locais que isso é algo “indescritível”, mas na verdade é sim. E como para cada pessoa é algo diferente, use isso ao seu favor. Enquanto alguém pode apenas se tremer todo e grunhir, outro personagem pode ser mais “selvagem”, arranhando o parceiro e se agarrando ao mesmo com força. Sem falar que é bem mais interessante deixar seu leitor imaginar seu casal se contorcendo de prazer na cama do que apenas gritando.


6) Exagerar no “eu te amo”

Tudo bem, eu entendo que, quando um casal resolve fazer sexo, é para demonstrar o quanto se amam e o que sentem um pelo outro. Porém, dá para perceber isso pelos beijos, abraços, carinhos, entre outros gestos no meio do ato. Fazer alguém deixar escapar um “eu te amo” algumas poucas vezes é até aceitável e fofo, mas não é necessário que nenhum dos dois envolvidos repita isso pelo menos a cada estocada ou entre cada gemido, até porque soa extremamente falso.

E essa dica vale para toda e qualquer declaração de amor em qualquer momento de sua história! Então, por favor, use com moderação.

Ufa, acabamos! Por enquanto. Afinal, essa é apenas a primeira parte. Ainda tem muitos erros que não foram mencionados aqui, mas que serão devidamente explicados e corrigidos nos próximos posts.

Até a próxima, pessoal!



Material consultado:

Acervo de fanfictions do Nyah! Fanfiction
Entrevista aos membros da Liga dos Betas
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As imagens que servem de ilustração para o posts do blog foram encontradas mediante pesquisa no google.com e não visamos nenhum fim comercial com suas respectivas veiculações. Ainda assim, se estamos usando indevidamente uma imagem sua, envie-nos um e-mail que a retiraremos no mesmo instante. Feito com ♥ Lariz Santana