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Erros comuns em cenas de sexo – Parte 2: biologia

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Por: Coward Montblanc 
(Liga dos betas team)

<< Esse post é proibido para menores de 18 anos, por conter linguagem imprópria de cunho sexual.>>

Olá, queridos! Já faz um tempo que a gente não se vê, né? Ouvi dizer que vocês sentiram saudades de mim e estavam ansiosos para a continuação do meu post anterior!

Então podem relaxar, aqui estou com os erros mais cometidos em cenas de sexo em fanfics. E desta vez vamos falar de biologia, porque parece que muita gente por aí não prestou muita atenção nas aulas dessa matéria na escola.

Não se preocupem, vocês não vão precisar pegar seus livros de biologia para compreenderem o que eu vou falar aqui. Vou explicar do jeito mais simples possível para que todos aqui possam entender. E não é nada difícil, eu prometo!

Vamos lá?

<< Esse post é proibido para menores de 18 anos, por conter linguagem imprópria de cunho sexual.>>


1) Achar que o ânus se lubrifica sozinho

Esse erro é mais comum em fanfics yaoi, mas não pense que escritores de casais hétero e até yuri escapem disso! Muita gente acha que só porque garotas se lubrificam quando excitadas e os garotos produzem líquido pré­-seminal, o ânus também faz isso.

A lubrificação serve para facilitar a penetração. A vagina foi feita para ser penetrada e portanto se lubrifica naturalmente. O pênis foi feito para penetrar, e por isso também se lubrifica, mas é bem menos que uma vagina, até. E o buraquinho que todo mundo tem lá atrás não é feito para isso, em teoria. Por causa disso, ninguém fica com o bumbum molhadinho quando vai fazer sexo.

E se ficar, não vai ser por lubrificação natural, tenha certeza.

Seu personagem pode ser o homem mais másculo e forte do mundo, mas se ainda tentar colocar alguma coisa ali dentro sem lubrificar antes, nem que seja só um dedo, vai doer, e talvez nem mesmo entre. E é para isso que lubrificante é fabricado, vendido e usado. Portanto, se o seu personagem pretende inserir algo nesse local, sozinho ou acompanhado, não se esqueça do lubrificante!

Aliás, coisas como sangue, esperma, saliva, lágrimas, água, manteiga, hidratante, vodka, vinho, sorvete, nutella, mel e derivados não servem como substitutos. E alguns desses itens que eu acabei de citar anteriormente não são nada higiênicos para se colocar em um local tão sensível.

E mesmo se houver lubrificante na hora, vá devagar! Deixe quem for receber preparado física e psicologicamente antes, porque se ele estiver muito tenso ou sem muita preparação, ainda vai doer bastante. Isso vale especialmente para personagens que possuem pouca ou nenhuma experiência com penetração anal. Porém, com as devidas precauções, todos podem se divertir sem correr risco algum!


2) Pensar que é fácil colocar um pênis inteiro na boca

O sexo oral é considerado como uma prática bastante prazerosa, ainda mais quando bem feita. Para muitos homens, então, se a pessoa que o fizer for capaz de colocar seu membro inteiro na boca, é algo incrível. Mas fazer isso não é tão fácil quanto parece!

As pessoas possuem uma coisa conhecida como “reflexos”, que são respostas involuntárias ao nosso corpo diante de certos estímulos. Se alguma coisa ficar tocando na nossa garganta, vamos querer vomitar. É por isso que muitas pessoas forçam o vômito colocando os dedos ali. 

Normalmente, um pênis ereto tem tamanho o bastante para tocar no fundo da garganta e ativar esse reflexo. E vomitar no seu parceiro no meio do ato não soa lá muito sexy. Para isso, as pessoas costumam treinar bastante para que isso não aconteça, pois essa técnica exige justamente muito controle dos reflexos naturais. E, na verdade, tem gente que não consegue fazer isso mesmo com anos de treino, então como alguém virgem ou não muito experiente poderia ser capaz disso com tamanha facilidade?

Uma cena de sexo oral pode ser bem quente, prazerosa e sensual sem precisar que o personagem faça peripécias. Só é necessário um bom uso da imaginação, mãos, boca… E tomar muito cuidado com os dentes. Fora isso, é apenas uma questão de ter entusiasmo e uma boa criatividade!


3) Dizer que esperma tem gosto delicioso

Mais um erro super comum em cenas desse tipo. Quem aqui nunca viu um personagem engolindo o “gozo” de outro todo contente como se fosse algum tipo de néctar dos deuses? Infelizmente, não é bem assim.

Não é necessário que ninguém aqui experimente para saber como é o gosto. Simplesmente é fato universal. A grande maioria da população mundial não gosta do sabor de sêmen e acha difícil de engolir não apenas por causa disso como também por sua consistência mais viscosa. Se fosse gostoso, não existiria o dilema de cuspir ou engolir, ou até mesmo de deixar ou não o parceiro ejacular dentro da boca. Pode não ser muito sensual, mas colocar que o personagem engoliu tudo com uma certa dificuldade e não apreciando muito o sabor já deixa você totalmente livre dessa gafe.

No entanto, existem exceções. Algumas pessoas apreciam o gosto de esperma, ou então possuem um certo fetiche com isso. Se o seu personagem se encaixa em algum desses casos, então ele pode engolir como se fosse mesmo algo divino.


4) “E então nós gozamos juntinhos...”

Imagine só: seu casal favorito naquele momento íntimo, mostrando o quanto se amam entre beijos, abraços e carícias cada vez mais ousadas... Em um certo momento, eles com certeza vão ter seus respectivos orgasmos. E não seria lindo e romântico se os dois chegassem lá juntos para mostrar o quanto se amam e se completam?

Realmente, é algo muito bonito tanto de se imaginar quanto de se escrever. Mas, na realidade, isso é quase impossível de acontecer. Para um casal vivenciar um momento assim, os dois lados precisam não apenas se conhecer bastante como também possuírem muito autocontrole. E mesmo que eles cumpram esses “requisitos”, gozar juntos não é algo que acontece o tempo todo, porque por mais que uma pessoa saiba quando está perto de ter um orgasmo, ela nunca vai ser capaz de adivinhar o momento exato. E se até para um casal que já se conhece há anos esse é um feito que exige muito esforço – e que pode até mesmo nunca acontecer –, isso é algo literalmente impossível para virgens e pessoas inexperientes.

É claro, pode acontecer. Mas isso é algo tão escrito em fanfics por aí que acaba sendo melhor fazer com que os participantes da cena tenham orgasmos separados. Ainda assim, se você quer usar esse recurso na sua cena, use, mas saiba que isso é algo raríssimo de acontecer e que fica melhor sendo usado uma única vez do que em todas as cenas de sexo da sua fanfic.

5) Bater no colo do útero dói e atingir a próstata o tempo todo é impossível

Coloquei esses dois juntos porque eles se resumem no mesmo princípio. Muita gente adora fazer o rapaz ficar atingindo o colo do útero da parceira para mostrar como ele é grande e capaz de satisfazê-la ou então fazem com que um dos garotos em um yaoi fique sempre tocando a próstata do parceiro após “encontrá-la” para que ele possa ter prazer durante o sexo anal, e não apenas dor. Essas duas coisas acontecem muitas vezes por causa da falta de informação por parte do escritor, e agora nós vamos ver porque essas duas coisas estão erradas.

Comecemos pelas meninas. A vagina não é um buraco negro sem fim, e por isso ela tem uma certa profundidade. E lá no final, temos o colo do útero, que “separa” a vagina e o útero, como se fosse uma porta. Para chegar lá, um homem precisaria ter um pênis bem grande, pois os de tamanho médio naturalmente não vão até lá. Isso acontece para que o sexo seja confortável.

O colo do útero é um lugar muito sensível. Não como o clitóris, onde se tem prazer quando se toca, mas sim de uma forma realmente mais frágil. É claro, não vai “quebrar” e nem “se abrir” fácil, mas ainda vai sentir o “impacto”. E dependendo de como for o ritmo do parceiro, pode doer bastante. Por isso que homens mais bem dotados precisam ser mais gentis com suas parceiras, para que isso não aconteça e também para não machucá-las. 

Quanto ao prazer, saiba que as maiores concentrações de nervos se encontram nos primeiros centímetros da vagina, no ponto G (que é mais fácil de ser encontrado com um dedo do que com um pênis) e, obviamente, no clitóris. Então seu personagem não precisa ter um membro gigante para deixar o amor da sua vida feliz.

Agora, vamos falar da próstata. Ela existe apenas nos homens, e pode ser estimulada por dentro do ânus. Fazer isso com um pênis propriamente dito é possível, mas não tem como se repetir sempre simplesmente porque no sexo tem muita movimentação por parte dos participantes para que isso aconteça. Além disso, como no caso do ponto G feminino, ela é mais fácil de ser encontrado com um dedo.

E assim como o colo do útero, lá também é um local muito sensível! Por mais que massagear seja prazeroso, também tem seus riscos. Ficar fazendo isso com intensidade pode levar a danos sérios no local, capazes de levar o homem a uma visita séria ao hospital por hemorragia interna, lesões, e outras coisas nada bonitas que você com certeza não quer que seu personagem sofra. Faça-o ter prazer com isso, mas sem exagerar.

6) Pessoas não fazem poças gigantes com seus líquidos

O sexo é algo naturalmente úmido. Tem beijos, suor, saliva, lubrificação... E em alguns casos o negócio é molhado até demais. Em muitas fanfics por aí tem meninas que literalmente encharcam a calcinha quando ficam excitadas, sem falar dos homens que ejaculam verdadeiros litros de esperma, quando na verdade nenhum dos dois sexos é capaz de tamanha produção.

Enquanto que em desenhos e filmes pornôs isso acontece por uma questão de efeito visual e também para atiçar quem está vendo, no mundo da literatura isso não funciona, pois tudo depende da imaginação do seu leitor.

Pedir para quem está lendo imaginar verdadeiros rios de “gozo” só irá fazer quem está lendo rir ou sentir nojo. Sem falar que daria muito trabalho para limpar. Numa fic, é melhor deixar todo mundo produzir essas coisas do mesmo modo que na vida real, que já é o suficiente.

7) Homens não podem ter orgasmos múltiplos a cada cinco segundos

Se um orgasmo já é bom, que tal agraciar aquele personagem que você tanto gosta com dois ou três numa única cena? Dependendo da sua duração, isso pode muito bem acontecer, mas no caso de nosso sortudo ser um homem, preste bastante atenção com o tempo entre cada um.

Ao contrário das mulheres, que podem ter orgasmos múltiplos em questão de poucos minutos, os homens precisam de uma “pausa”, chamada de “período refratório”. Nesse momento, ele perde a ereção e mesmo que continue com o ato sexual, e só vai poder voltar a ter uma depois de um certo período de tempo, que pode variar desde alguns minutos a algumas horas, dependendo da idade do indivíduo – que obviamente, será menor quanto mais jovem ele for.

Tentar evitar que isso aconteça estimulando o pênis logo depois do orgasmo também não é uma boa ideia, já que o local fica sensível aos toques ao ponto de irritar. Logo, é melhor deixar ele em paz e continuar a cena com outras coisas para deixar o personagem “descansar”.

8) Não é normal passar horas numa mesma posição ou ato

E assim como é impossível para um homem ter milhares de orgasmos em menos de dez minutos, também não é saudável para ele, e nem para uma mulher, ficar excitado por muito tempo sem que nada aconteça.

Existem fanfics em que o casal faz sexo por horas antes dos dois chegarem ao orgasmo. Ou então onde alguém recebe um oral por uma hora completa sem pausas. É bom, mas cansa, além de ser algo que com certeza deve irritar. Uma coisa é ter um bom controle para se segurar, mas todas as pessoas têm limites. Em algum momento, não vai ser possível adiar o orgasmo. E com certeza esse momento não vai demorar mais de três horas para chegar, seja com uma masturbação ou em sexo penetrativo.

Se alguém demora tempo demais para ter um orgasmo, ela precisa de ajuda médica, e não continuar vivendo desse modo achando que é normal.

****

Minha nossa, mas que post grande! Acho que compensou bastante a espera, não é? Curiosamente, a maior parte desses erros são relacionados ao sexo masculino, mas deu pra ver que as meninas também não escapam de terem certas atrocidades "ditas" com o seu corpo.

Por isso, seja o personagem do sexo oposto ao seu ou não, é muito importante pesquisar quando se tem dúvidas! Acredite, não custa nada e você só vai sair ganhando.

O próximo post será sobre erros conceituais que vemos nessas cenas sempre tão polêmicas. São, literalmente, coisas que não deveriam estar na cabeça de um autor na hora de escrever sobre esse assunto.

Vejo todos vocês lá!

Material consultado:
Acervo de fanfictions do Nyah!Fanfiction
Entrevista aos membros das Liga dos Betas


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Erros comuns em cenas de sexo – Parte 1/3: narração e falas

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

<< Esse post é proibido para menores de 18 anos, por conter linguagem imprópria de cunho sexual.>>


Por: Coward Montblanc (lLiga dos betas Team)


Olá, queridos leitores do blog! Quem está escrevendo o post de hoje é Diandra Santiago, e como dá pra ver pelo título, irei falar sobre coisas bem... Quentes. Ou melhor, nos erros que muita gente comete tentando escrever cenas quentes e que acabam deixando elas... Frias, se é que você me entende!

Não é difícil achar uma fic classificada como 18+ no Nyah!, geralmente por conteúdo sexual, mas é ainda mais complicado conseguir encontrar uma história dessas com cenas de sexo realmente boas. E já que eu adoro bons textos eróticos, já vi muita coisa nessa minha vida de leitora, e muitos erros que costumam se repetir como se fossem pragas.

E como são muitos erros, eu resolvi tratar deles não apenas em um, mas em três posts. Esse primeiro será focado apenas nos erros cometidos durante a narração e nas falas dos personagens, e os próximos serão focados nos erros de biologia e conceituais vistos nesse tipo de cena. Além disso, precisamos de conteúdo na zona 18+ do blog, vocês não acham?

Agora, sem mais delongas, os erros mais cometidos na narração e falas na hora do sexo em fanfics!


1) Usar palavrões em excesso na narrativa

O ato sexual por si só é uma coisa considerada suja pela sociedade, e palavrões para designar as partes do corpo de seus personagens e os que eles estão fazendo só vão causar essa impressão no leitor. Muita gente também odeia palavras chulas jogadas ao vento, até porque elas costumam indicar imaturidade, desrespeito e falta de compromisso de quem escreveu para com o texto, em geral.

Escrever algo bom com palavrões é complicado, então por via das dúvidas é melhor evitar. Tente descrever as posições como se fossem qualquer outra pose que os personagens estejam fazendo, chame os genitais de nomes como "membro", "sexo" e "intimidade", e evite expressões como "louco de tesão".

No entanto, palavrões podem sim ter seu lugar em cenas quentes! Narrativas em primeira pessoa podem ser incrementadas com alguns nomes "feios" para serem mais realísticas, e se os personagens estão conversando no calor do momento, eles até que podem deixar a educação um pouco de lado. Apenas não exagere, tudo bem?


2) Encher o texto de eufemismos desnecessários

"Doce néctar do prazer", "minha flor”, “sua lança comprida”? Isso é um concurso de poesia ou é uma cena de sexo? Qual a necessidade de usar metáforas bregas e no mínimo estranhas para se referir a certas coisas que você pode descrever normalmente sem causar estranhamento ou risadas por parte do leitor?

É claro, o sexo é considerado algo “sujo” e muitos escritores — em especial aqueles que nunca escreveram nada desse tipo — costumam ter vergonha na hora de descrever. Por isso as metáforas. Ou então, para deixar o texto menos “vulgar”. O problema é que, na grande maioria das vezes, isso acaba tirando todo o clima romântico, tenso ou luxurioso da cena e irá fazer com que tudo vire uma estranha comédia para quem está lendo.

No entanto, isso não significa que você não possa usar tais recursos. Comparar os toques dos dedos de alguém com choques elétricos, por exemplo, é interessante. 

Assim como os palavrões, as metáforas e comparações possuem seu lugar numa cena de sexo, mas não o tempo todo. Use com moderação e pense bem antes de usar. Pense bem: se você lesse isso escrito por outra pessoa, você riria ou acharia estranho? Se sim, é melhor deixar de lado, porque quem estará lendo provavelmente terá a mesma reação.


3) Descrever as intimidades dos personagens com detalhes demais

Todas as pessoas são diferentes, e nenhuma genitália é igual à de outra pessoa. Isso é algo que todo mundo sabe, mas que não precisa ser reforçado quando você está escrevendo uma cena de sexo. Esse é um erro que, por alguma razão, costuma aparecer mais nas fics escritas por mulheres — principalmente quando as mesmas são yaoi. É como se as autoras estivessem numa estranha competição para decidir quem consegue imaginar o pênis mais bonito para cada personagem, e para isso elas descrevem todos os detalhes possíveis.

Achou bizarro? De fato, é mesmo. Também pode ser considerado um tanto assustador, mas a questão não é essa, e sim que tais explicações são completamente desnecessárias para se compreender o texto. Acredite, seu leitor vai ser capaz de mentalizar o pênis ou a vagina de alguém sem precisar de um retrato falado do local. É claro que ele provavelmente não vai pensar nisso do mesmo jeito que você, mas vai fazer seu trabalho na cena, e é isso que importa.


4) Escrever linhas de “ohs” e “ahs”

Pessoas gemem, grunhem e fazem barulho durante o sexo. Elas também gritam, falam os nomes dos parceiros repetidamente, e podem até mesmo chorar ou rir. Mas você não precisa colocar tais falas o tempo inteiro. Quem está lendo sabe que está sendo prazeroso para os personagens, e que eles expressam isso com a voz, mas não precisa ser obrigado a ler linhas cheias de “oh”, “ah”, “hng”, “argh” e derivados. Isso não apenas torna a cena cansativa e entediante de ler, como também um pouco ridícula.

Você pode usar um pouco disso no meio de algumas falas para interrompê-las, mas também não faça isso em excesso. Coisas como “oh, Edwa— ah, ah, ah, Edward, eu — oh, hnnng, gah — eu te — oh, oh, sim — , amo!” são completamente desnecessárias. Assim como as descrições das genitálias, os detalhes vocais são algo que fica melhor quando deixados em aberto para o leitor imaginar o que quiser.




5) “Eu vou, eu vou… Aaaaaaah!”

Oh, o orgasmo! Uma das melhores sensações que uma pessoa pode ter, mesmo que dure apenas alguns segundos, e também um dos momentos em que os escritores mais erram na hora de escrever. É claro, depois de muitos beijos, carícias e suor, seus personagens merecem tal prazer, mas…

Eles precisam anunciar o tempo todo, e sempre do mesmo jeito? E seria apenas um grito a melhor forma de explicar para quem está lendo o que está acontecendo?

Como você deve ter imaginado, a resposta para essas duas perguntas é “não”. Deixe-me explicar os motivos.

Ninguém anuncia seus orgasmos toda vez que faz sexo. É claro, quem é familiarizado com o próprio corpo sabe dizer quando o grande momento se aproxima. Porém, em um momento intenso como esse, não é sempre que uma pessoa vai comentar isso, até porque ela provavelmente vai estar mais ocupada gemendo. Além disso, assim como com os “ohs” e “ahs”, ninguém quer ler um grande “AAAAAAAAAAAH” para representar o orgasmo. Mas como indicar isso sem gritos, então?

A resposta é simples, meu caro escritor: descrevendo. Você já deve ter lido em muitos locais que isso é algo “indescritível”, mas na verdade é sim. E como para cada pessoa é algo diferente, use isso ao seu favor. Enquanto alguém pode apenas se tremer todo e grunhir, outro personagem pode ser mais “selvagem”, arranhando o parceiro e se agarrando ao mesmo com força. Sem falar que é bem mais interessante deixar seu leitor imaginar seu casal se contorcendo de prazer na cama do que apenas gritando.


6) Exagerar no “eu te amo”

Tudo bem, eu entendo que, quando um casal resolve fazer sexo, é para demonstrar o quanto se amam e o que sentem um pelo outro. Porém, dá para perceber isso pelos beijos, abraços, carinhos, entre outros gestos no meio do ato. Fazer alguém deixar escapar um “eu te amo” algumas poucas vezes é até aceitável e fofo, mas não é necessário que nenhum dos dois envolvidos repita isso pelo menos a cada estocada ou entre cada gemido, até porque soa extremamente falso.

E essa dica vale para toda e qualquer declaração de amor em qualquer momento de sua história! Então, por favor, use com moderação.

Ufa, acabamos! Por enquanto. Afinal, essa é apenas a primeira parte. Ainda tem muitos erros que não foram mencionados aqui, mas que serão devidamente explicados e corrigidos nos próximos posts.

Até a próxima, pessoal!



Material consultado:

Acervo de fanfictions do Nyah! Fanfiction
Entrevista aos membros da Liga dos Betas
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Entrevista com Yuka-chan, autora de A Clarividente

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Por: Diandra Santiago


A Clarividente é mais um caso de “fic boa não reconhecida”. Com boa expressão escrita e gramática de qualidade, o que é, na opinião de diversos usuários, difícil de se encontrar no site, além de um enredo que envolve magos, mistério, amizade e fantasia, essa Original tem muitas características que a tornam cativante. O projeto está sendo postado aos poucos, e mesmo que seja de classificação livre, a escrita é madura, sem ser cansativa. Eu mesma sempre gostei muito do estilo da Yuka-chan, e A Clarividente foi (ou melhor, está sendo) uma surpresa mais que agradável de ler, especialmente por ser a primeira fanfic longa da autora.

A história tem como personagem principal a jovem Nirina, no auge de seus quinze anos, que mora sozinha com Arthus, seu mestre e pai adotivo. A garota é uma aprendiz de magia relacionada a água, e também é fascinada por Zahra, uma famosa maga clarividente. Quando Nirina descobre que Zahra está voltando de viagem e que vai passar pela cidade, ela resolve ir conhecê-la.

Infelizmente, Nirina não consegue nem mesmo ver a maga, mas em compensação acaba se metendo em algo maior, perigoso e bastante inesperado...

Não se engane pelos seus capítulos que variam, em média, de duas mil a três mil palavras. Você vai perder a noção do tempo e vai acabar sempre com um gostinho de “quero mais” no final de cada capítulo. Aconteceu comigo pelo menos, e é por essas tantas qualidades que estou indicando A Clarividente aqui.

Vamos para a entrevista com a autora:


Pergunta: como você começou a escrever fanfics?

Resposta: Eu sempre gostei muito de ler, e aprendi desde cedo, desde os meus três anos, graças ao meu avô. Quando entrei na escola eu já gostava muito das palavras, e a minha melhor matéria sempre foi o português. Com o passar do tempo, comecei a me apaixonar pela escrita também. 

A primeira fanfic que eu escrevi foi de Naruto, aos meus catorze anos, e foi um horror, diga-se de passagem. As primeiras nunca são tão boas, né? Eu tinha visto sites de fanfics na internet, já que comecei a usar a internet cedo também, desde os nove anos, mas não tinha coragem de postar. Mas eu gostava de escrever e, como eu tinha facilidade com o idioma, escrever, pra mim, era simples. 

Eu costumava escrever durante as aulas, e a minha irmã me ajudou bastante também, escrevendo histórias junto comigo. Comecei com fanfics de animes, que eu sempre gostei, e por já terem personagens e enredos criados, algo bem mais fácil para começar antes de criar uma história original. Desde então não parei mais de escrever, e comecei a postar mesmo no Nyah em 2009, quando fiz minha conta e postei minha primeira história: uma história que envolvia o casal Gilbert (Prússia) e Elizaveta (Hungria) do anime Axis Powers: Hetalia. Foi no fandom de Hetalia que evoluí bastante e até mesmo fiquei mais conhecida.


Pergunta: O que havia em Hetalia que te fez ter inspiração? E por qual razão você saiu desse fandom?

Resposta: Eu gostava muito das personagens do anime e, pra ser sincera, tinhas muitas opções pra escrever yaoi, que era (e ainda é) um dos meus gêneros favoritos pra escrever, como os integrantes do fandom sabem (e é perceptível pelas minhas histórias). O motivo de sair do fandom, sinceramente, foi o fato de o anime ter ficado muito conhecido e o número de fanfics ter aumentado grotescamente. Quando postei minha história, ela foi a sétima da categoria de Hetalia e eu preferia quando a categoria tinha menos autores, por incrível que pareça. Um dos motivos principais também foi o fato do meu desencanto por animes. Apesar de ainda gostar e assistir alguns, gosto bem menos do que há quatro anos, quando escrevia várias fanfics de desenhos japoneses. Apeguei-me mais a livros do que a mangás, e acabei deixando a categoria de animes de lado, de modo geral.


Pergunta: Quando surgiu sua inspiração para escrever A Clarividente? O que te motivou?

Resposta: A inspiração para A Clarividente foi algo bem inesperado.
O que me fez começar, de uma vez por todas, foi a admiração pela trilogia mais recente de magos que li, a Trilogia do Mago Negro, da Trudi Canavan. Fantasia é meu gênero preferido e eu amo magos. Eu sempre sonhei em escrever uma história longa, que não fosse one-shot, que era o que eu mais escrevia. Já tinha tentado, há anos atrás, escrever um romance entre uma estudante descendente de alemães que se mudava para o Japão e se apaixonava por um amigo de classe. Os dois eram separados pelo trabalho do pai dela, já que ele precisava voltar para a Alemanha. A partir daí a história se tornava mais trágica, mas eu acabei achando o enredo fraquíssimo e desisti. Desde então, fiquei anos sem tentar.

Depois de ler a trilogia da Trudi, resolvi contar a história de uma aprendiz de magia, a Nirina, personagem principal da minha história. No começo, era simples. Minha intenção era contar apenas a história dela, vivendo em uma casa isolada da cidade com seu pai de criação, Arthus, já que ela é órfã. Resolvi que daria uma chance a mim mesma e à minha capacidade de escritora e comecei. Quando iniciei, não parei mais. Fui tendo novas ideias para as magias da minha história, novas personagens e novas complicações no enredo. Devo admitir que grande parte das ideias só surgiu quando eu já tinha começado. Alguns autores acreditam que as histórias tem vida própria e, sinceramente, às vezes parece mesmo!


Pergunta: Além do seu fascínio por magos, o que mais te inspirou para escrever A Clarividente? Em quais outras obras você se inspirou para escrever e definir o universo de sua história?

Resposta: De modo geral, me inspirei bastante na trilogia da Trudi. Mas minha história tem outra inspiração muito forte: Franz Bardon, vulgo Frabato, último mago de verdade do século XXI.

Bardon afirmava que todas as pessoas do mundo sofriam influência dos quatro elementos principais, mas tinha um deles que era mais evidente. E era graças a isso que as pessoas tinham personalidades diferentes. Lendo o livro dele, “Magia prática para Iniciantes”, descobri que o elemento mais influente sobre mim era a água e eu adorei isso. Os magos de elementos, no meu livro, são inspirados nas personalidades descritas por Bardon. Consequentemente pode-se perceber rivalidade entre magos de fogo e água; e magos de terra e ar, como geralmente acontece com as pessoas do mesmo elemento segundo Bardon. Eu realmente adoro magia e resolvi estudar um pouco mais a fundo antes de escrever.


Pergunta: Essa é sua primeira história original, além de possuir mais de um capítulo. Como está sendo a sensação de se aventurar nesse território novo?

Resposta: A sensação é ótima. Eu sempre tive facilidade de passar as minhas ideias pr’o papel (ou pr’o computador, haha), mas eu sentia que tinha poucas ideias. Quando senti que A Clarividente poderia crescer bastante, fiquei bem feliz.
O que mais acho difícil como escritora de one-shots até agora é a preocupação com o tempo. Como as coisas acontecem em uma história longa, cada acontecimento deve tomar seu tempo, e às vezes temo estar fazendo tudo acontecer rápido demais na história. Mas acho que esse é um aspecto que só melhora mesmo com muita leitura e muita escrita. Não existe mesmo uma fórmula.


Pergunta: Olhando em seu perfil, também notei que essa é sua única fic com classificação livre, enquanto as outras são entre 13+ e 18+. Há alguma razão para isso? Como está sendo escrever uma história sem apelar muito para a violência pesada, sexo ou dramas muito complexos?

Resposta: Pois é. Eu sempre foquei em histórias 18+, e A Clarividente é uma das poucas que fogem disso, apesar de ter algumas cenas de violência nem tão pesadas assim. Pra ser sincera, várias coisas aconteceram na minha vida pessoal que me fizeram mudar o foco. Pensar mais em questionar a personalidade das pessoas (existe muito disso na minha história), e dar valor aos verdadeiros amigos. Além disso, meu objetivo com A Clarividente era escrever algo completamente inédito, algo que eu nunca havia tentado antes. Por isso, resolvi fugir de todas as coisas que já havia escrito anteriormente.

A ideia de escrever algo diferente tem sido bem agradável. Escrever A Clarividente tem sido uma experiência ótima, e eu já sinto um carinho imenso por todas as personagens que criei.


Pergunta: Como alguém que segue seu trabalho, também vi que você deletou sua fics antigas de Hetalia, seu fandom original, deixando poucos trabalhos ainda publicados. Foi por vergonha de sua escrita antiga ou por desejo de mudar de ares?

Resposta: Ambos os motivos!

Frequentemente eu percebo como minha escrita tem mudado para melhor pois sempre tento melhorar e, relendo os trabalhos antigos, sinto que eles tinham muito o que melhorar. Algumas vezes deleto algumas, mas ainda tenho todas salvas nos meus documentos para, algum dia, aprimorar elas e quem sabe postar de novo.

Grande parte disso também veio, realmente, do desejo de mudar de ares. Eu tenho pensado em aprimorar minha escrita cada vez mais, até mesmo de um modo profissional, porque, sim, eu sonho em publicar um livro. Resolvi mudar meus temas de modo radical, e acho que a parte de deletar várias das minhas fanfics antigas vem disso. Também porque esse ano completo três anos de Nyah!, então minhas pretensões têm mudado bastante.


Pergunta: Alguma dica para quem está começando a escrever, seja em um fandom ou não?

Resposta: Escrever é uma melhora constante.

Como em qualquer uma das artes, leva-se tempo para atingir um bom nível. Apesar de se tratar de nosso idioma, algo que está presente no nosso dia-a-dia, escrever é difícil e requer bastante leitura e prática. Ninguém deve esperar escrever bem logo nas primeiras tentativas só porque sabe falar português. Pelo mesmo motivo, também não se deve desistir!

Leia vários autores, peça a opinião de leitores e, mais importante de tudo: sempre aceite críticas. Mesmo um escritor experiente deve aceitar críticas construtivas, que dirá um escritor iniciante. E sempre tenha em mente que pessoas gostarão ou não de suas histórias. Receber um “Não gostei” não quer dizer que sua história é ruim. Opiniões são sempre importantes, positivas ou não!


É, Yuka-chan, você realmente gosta de escrever. Que respostas longas! Espero que continue sempre assim, melhorando como você mesma falou aqui!

Link do perfil da yuka-chan: http://fanfiction.com.br/u/17541/


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Diandra Santiago é beta reader, ficwriter e estudante de Direito. Quer ser promotora e aspira ter pelo menos um livro publicado. Dona de uma imaginação fértil e administradora de seu Tumblr (http://unelmates.tumblr.com/).


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As imagens que servem de ilustração para o posts do blog foram encontradas mediante pesquisa no google.com e não visamos nenhum fim comercial com suas respectivas veiculações. Ainda assim, se estamos usando indevidamente uma imagem sua, envie-nos um e-mail que a retiraremos no mesmo instante. Feito com ♥ Lariz Santana