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Dicas e Explicações Sobre Sex Talk

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Por: Grim o

Aviso importante: esse artigo é proibido para menores de dezoito anos.

Olá, galera! Essa aqui é a minha estreia no Blog da Liga e eu escolhi já um tema bem quente pra isso. :P Não será algo muito longo, visto que não há um manual sobre “como fazer uma boa sex talk”, mas trago aqui algumas informações importantes e dicas que podem vir a calhar na hora de fazer sua história +18 ;)

Então, para quem desconhece, sex talk (tradução livre: conversa sobre sexo) ou dirty talk (t.l.: conversa suja) é um artifício muito comum em livros e fanfictions que abordam o tema “sexo”. Não é algo moderno, apesar de ter sido disseminado com a onda de livros eróticos que invadiu as livrarias de todo o mundo. Marquês de Sade, escritor do livro “Os 120 Dias de Sodoma”, já falava abertamente sobre seus benefícios ainda no século XVIII.

Mas o que realmente é sex talk?

Bem, sex talk pode se manifestar de diversas formas, seja em ficção ou vida real. Geralmente se trata de uma conversa entre dois ou mais parceiros em que o foco principal é o sexo. Pode ser feito como preliminares, para deixar a relação mais apimentada no momento; também durante o sexo, como forma de causar mais excitação; assim como após, em uma forma de perpetuar a sensação prazerosa que vem com o sexo.

No entanto, não é regra que tenha que ser feito presencialmente. Sex talk também tem as suas variantes para “sexo à distância”, como o phone sex (t.l.: sexo por telefone) e cybersex (t.l.: sexo cibernético). Afinal, quantas vezes vocês não viram em histórias os personagens falando por telefone sobre o que fariam com o(a) parceiro(a) se estivessem ali? Ou personagens descrevendo o que estavam vestido e provocando um ao outro por um chat ou vídeo-chamada? Essas são algumas variantes de sex talk.

Há uma multiplicidade de assuntos que compõem uma sex talk dentro do tema “sexo”. Pode acontecer em forma de comandos, como, por exemplo, em 50 Tons de Cinza com a relação dominante e submisso do BDMS. Pode ser constituída por descrições eróticas, desde sobre o que a pessoa está vestido, até a forma como ela se tocaria ou tocaria o parceiro. Também há conversas em que se usa palavras rudes e/ou chulas, como, por exemplo, “você é uma puta”, “vou te arregaçar”, “chupa meu pau, sua vadia” e variantes.

Algo muito importante que deve ser dito sobre sex talk: é algo que deve ser debatido com todos os parceiros e eles devem estar de acordo e confortáveis com o uso de qualquer uma das formas. Usar palavras rudes ou comandos, até mesmo descrições, sem a aprovação do(s) parceiro(s) pode causar desconforto, humilhação e, com toda certeza, perda da vontade de fazer sexo. Então muito cuidado!

Agora, passada essa rápida explicação, venho com algumas dicas sobre como fazer um boa sex talk para sua história!

A primeira dica é fique confortável. Não adianta nada você ser um autor super tímido com seus personagens e ficar incomodado com o tema “sexo”. Escrever uma sex talk é algo que exige uma certa tranquilidade e bem-estar consigo mesmo, porque se não, no fim, a conversa entre os personagens vai ficar forçada, sem graça e até irritante para certos leitores. Por isso, se você não sente comodidade em escrever cenas onde os personagens falam sobre sexo para provocar seus parceiros é melhor que treine para então fazer uma oficial para sua fanfic. Escrever o que chamam de “ficlets” (pequenas fics, geralmente com menos de mil palavras) é uma boa forma de desenvolver cenas com as quais sente dificuldade, afinal são histórias sem compromisso e sem pressão alguma para agradar leitores.

A segunda dica que lhes dou é: estabeleça os personagens que aceitam os diferentes tipos de sex talk. Assim como com pessoas, os personagens têm suas próprias personalidades, gostos e desgostos, e, por isso, é importante que se crie um critério onde você, autor, tem que buscar saber quais aceitam sex talk num geral e, depois, quais aceitam tipos específicos de sex talk. Porque imaginem um personagem super tímido, inexperiente quanto ao que é sexo, que sente vergonha até de ver o namorado sem camisa. Esse é o tipo de personagem que, provavelmente, não conseguiria manter uma sex talk com descrições. Ele possivelmente entraria em combustão de tanta vergonha e timidez antes de conseguir falar algo. xD Por outro lado, imaginem uma personagem mulher e feminista, ela é super presente no movimento, luta diariamente contra o machismo. Esse é um tipo de personagem que, provavelmente, não se daria bem com aquela sex talk que utiliza de palavras rudes e chulas, principalmente se entre essas palavras estiverem as famosas “vadia”, “puta” e variantes. Então é muito importante que você analise os tipos de personagens e casais que existem na sua história para definir quais os estilos de sex talk irá utilizar na história.

Em terceiro, defina o(s) momento(s) correto(s). Talvez “correto” não seja a melhor palavra para descrever, mas tenha em mente que há momentos mais propícios para se escrever uma sex talk, independente dos assuntos e dos meios utilizados para se fazer. Afinal, imagine um personagem virgem, tímido e com pouca experiência sexual. Esse não é o tipo de personagem que, na sua primeira vez, vai ficar dando comandos ou descrevendo situações eróticas para o parceiro. Ou, imaginem um casal que se ama demais, mas que estão separados por algum motivo. No primeiro reencontro, naquela noite de amor e paixão, ele provavelmente estariam mais preocupados em demonstrar os sentimentos que possuem do que ter um super orgasmo ou deixar a(o) parceira(o) super excitado. Por isso deve-se pensar com carinho as cenas que pedem por sex talk, para que ela não apareça forçada em sua história.

E, por fim, se divirta. Porque escrever, seja sobre sexo, amor, mistério, terror ou drama, tem a ver com o prazer que o próprio autor sente ao colocar aquelas palavras no papel. Não force uma sex talk se acha que não está se divertindo ao fazer os personagens interagirem dessa forma. Porque o que mais importa é você, autor. Essa é a sua obra. xD


Indicações de livros contendo sex talk:
Cinquenta Tons de Cinza, por E. L. James.
Série Crossfire, por Sylvia Day
Amante Vingado, por J. R. Ward


Referências bibliográficas:
WARD, J. R. Irmandade da Adaga Negra - Amante Vingado. 1ª Edição. São Paulo: Universo dos Livros, 2010
JAMES, E. L. Trilogia Cinquenta Tons. Rio de Janeiro: Intríseca, 2012
GRAY, Jordan. Dirty Talk: The Ultimate Guide For Beginners (50+ Examples). <https://goo.gl/o0Vvxo> Acesso em: 27/11/2016 às 16:46.
WIKIPÉDIA. Dirty Talk. <https://goo.gl/9veYlo> Acesso em: 27/11/2016 às 16:49.
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Desvendando os gêneros sexuais Hentai, Lemon e Orange

segunda-feira, 29 de setembro de 2014


Por: Takahiro Haruka

Olá amores, como vocês vão? Olha a Noni aqui de novo! (risos)

O post de hoje tem o conteúdo mais voltado aos adultos, por isso, se você for menor de idade – e se ofender com a exploração de temas adultos –, pode ignorar o post e ser feliz, juro que não ficarei ofendida.

Dado o aviso, vamos iniciar o assunto, que é gêneros sexuais. Isso mesmo, vamos pautar as diferenças entre hentai, lemon e orange.

Lemon e orange são gêneros para histórias envolvendo homossexualismo. Para heterossexualidade, usa-se o hentai. Vamos criar a relação:

Hentai – o gênero faz alusão ao relacionamento sexual explícito entre um homem e uma mulher. Há riqueza de detalhes e narração de acordo com o que o autor achar conveniente.
Lemon – o gênero diz respeito ao relacionamento sexual explícito entre dois ou mais homens. Novamente, o autor dispõe de liberdade para narrar e detalhar o ato como lhe convém.
Orange – o mesmo que o lemon, mas aqui, trata-se do relacionamento sexual explícito entre duas ou mais mulheres. As cenas são descritas em sua totalidade, de acordo com o autor.

Eventualmente vemos os gêneros sendo usados de forma errônea. Se o relacionamento na história é entre um homem e uma mulher, então os gêneros serão hentai, romance, ecchi. No caso do relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, teremos, para homens, lemon, yaoi e shounen-ai, e, para mulheres, orange, yuri e shoujo-ai. Pode haver a mistura entre os gêneros quando, mesmo o foco sendo um relacionamento hétero, em algum momento houver cenas de homossexualismo. Do contrário, se não houver cenas homoafetivas na história, não tem como os gêneros yaoi e/ou orange aparecerem – porque são situações quase opostas (ou é hétero ou é homo, meio termo é bissexual).

Há casos em que o nível de detalhes sobre o relacionamento faz os gêneros serem outros. Citei aqui Yaoi e Yuri, que são gêneros que informam que há uma relação amorosa entre pessoas do mesmo sexo, e Shounen-ai e Shoujo-ai, que indicam um grau leve de afeição entre os personagens do mesmo sexo, como beijos, abraços, ou até uma amizade muito profunda.

Vale lembrar que tais gêneros ganharam mais espaço no mundo das fanfics do que possuíam há alguns anos. Alguns shipps (casais) chegam a ser tão populares quanto o próprio universo a que pertencem. Uma observação interessante também é que, o público-alvo das histórias sobre o envolvimento entre dois homens é as mulheres. Grande parte do conteúdo é feito por elas.

Também vale ressaltar que, sempre que houve um dos três gêneros, a história obrigatoriamente será +18. Isso porque os três envolvem cenas de sexo explícito e há censura nos sites de fanfics. Por isso, lembre-se de que capas, títulos e sinopses devem sempre ter conteúdo livre. Deixe as coisas pervertidas para o enredo da história.

Ficou alguma dúvida? Esses gêneros, no começo, são realmente muito confusos, mas basta tentarmos nos acostumar com eles e treinarmos que alcançaremos a luz!



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Diferença entre Hentai, Lemon e Orange

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Por: Carol F. (Annye)

Se você acompanha o blog da Liga há algum tempo, deve ter visto o “Dicionário de termos e siglas do mundo das fanfics ”, caso ainda não tenha visto, fica a dica de um post que pode te ajudar bastante na hora de buscar e classificar fanfics. 
Mas nesse post vamos explicar um pouco mais sobre três termos desse dicionário: Hentai, lemon e orange (e alguns outros sinônimos dessas palavras), bem como dar algumas dicas na hora de escrever esses gêneros. 

O que têm em comum?
Hentai, lemon e orange são subgêneros de escrita que classificam uma fiction. Toda vez que você vir uma dessas três palavras, saiba que o conteúdo que você lerá contém cenas de sexo explícito e deverá acompanhar a classificação +18 (ou M).  
– Então não existem Hentais/Lemons/Oranges com a classificação +16?
Não. Fanfics que contém temas adultos e sexo implícito recebem o título de Lime. Caso a fanfic seja focada em animes, mangás e obras da cultura japonesa, pode-se usar o termo “Shounen-ai” (para casais masculinos) e “Shoujo-ai” (para casais femininos), embora esses termos estejam ligados mais a um relacionamento platônico e cenas leves de romance nas quais há alguma insinuação ao ato sexual. 
As semelhanças, contudo, acabam por aqui. Vamos às diferenças.

Hentai
Fanfics com esse tema abordam relacionamento heterossexual adulto. Provavelmente o uso dessa palavra em nosso universo teve influência direta de mangás e fanfics de animes. Contudo, hoje é utilizada em todas as categorias do Nyah! (e outros sites de fanfictions, internet a fora). 
– Espera aí, eu já vi a palavra “lemon” ser utilizada no lugar desse “hentai”. Qual o certo?
Poderia escrever um grande discurso sobre “como a língua se modifica” ou “palavras podem ter significados diferentes para diferentes grupos”, mas vou simplificar com um “depende”. 
Dentro deste texto, a única forma aceita seria hentai mesmo, pois lemon terá outro significado (como poderá ser visto logo adiante). Além disso, a disseminação da palavra “lemon” como sendo relação sexual heterossexual veio, provavelmente, porque as fanfics da categoria lemon eram muito populares e conhecidas justamente por suas cenas de sexo. 
Enfim, nesse caso não temos um padrão. Se você posta suas fanfics no Nyah!, sugiro o uso do bom e velho hentai mesmo. Mas se você posta (ou lê) fanfics em outros sites, pode ocorrer de elas serem marcadas como lemon, desde que seja usual para aquele grupo (não se esqueçam de ter bom senso, ok?).  

Lemon
Caracteriza fanfics que tenham relação homossexual adulta entre dois homens. 
– Pode ser relação homossexual entre duas mulheres?
Não.
– E entre homem e mulher?
Cai no tópico que acabamos de abordar lá no “hentai”. Até pode, mas eu recomendo que não use (principalmente no Nyah!). 
Também é importante falar que “lemon” tem alguns sinônimos: yaoi e slash.
– Tá, tia, então tem lemon, yaoi e slash. E qual eu uso?  
Confesso que nem eu mesma sabia a diferença entre essas três palavras e, minha resposta instintiva seria: qualquer uma. Mas após pesquisas, consegui uma resposta.
Yaoi é o PWP (sigla para porn without plot, que significa “sexo sem enredo”) cujo o casal central é composto por dois homens. Além disso, esse gênero é usualmente utilizado para fanfics de origem japonesa (ou seja, animes e mangás). 
Já Lemon e Slash têm significados praticamente iguais. A única diferença que eu achei é que “slash” caracteriza relacionamento amoroso, ou seja, eles obrigatoriamente são o casal principal romântico da fanfic. Lemon simplesmente significa que haverá sexo explícito entre duas personagens do mesmo sexo em grande parte da fanfic. 
No Nyah!, quando vamos classificar os gêneros, não existe a opção “slash”, deixando subentendido que Lemon é o substituto da palavra. Então, para todos os efeitos, usamos: Lemon para relacionamento adulto homossexual masculino e Yaoi para cenas de sexo homossexual masculino que não terão um enredo OU (por favor, reparem bem nesse “ou”) fanfics que sejam com um tema advindo da cultura japonesa.

Orange
É a contraparte feminina do “Lemon”. Ou seja, relação homossexual adulta entre duas mulheres. 
Fanfics com esse tema são bem menos populares que as “Lemons”, por isso, praticamente todas suas nomenclaturas tiveram como base palavras masculinas (Orange relacionado ao Lemon, Femmeslash ao Slash e Yuri ao Yaoi).
“Femmeslash” seria a contraparte feminina do “Slash”. Caracteriza relacionamento central amoroso entre duas mulheres. 
“Yuri” seria a contraparte feminina do “Yaoi”. Caracteriza obras de origem japonesa que apresentam relações sexuais entre um casal homossexual feminino. 
– Espera ai, tia! Yuri não pode ser PWP como o Yaoi?
Como já disse acima, quem sou eu para falar o que você pode e o que você não pode? Mas devo avisar que não é algo usual.
No Nyah!, também não existe o uso do termo “femmeslash”; então as nomenclaturas ficam: Orange, como sendo relacionamento adulto homossexual  feminino e Yuri, como sendo relacionamento adulto homossexual feminino (se a obra tiver influência japonesa). Simples assim. 

Dicas
Depois de elucidar vossas dúvidas sobre o tema, queria fechar esse artigo com algumas dicas que vocês podem utilizar para escrever bons Hentais/Lemons/Oranges, porém, todos precisam de dicas muito direcionadas, e eu não quero me estender ainda mais. Por isso, selecionei alguns textos já publicados no blog da Liga, que caíram como uma luva para complementar esse artigo.
Se você procura dicas para Hentai, os links abaixo podem te ajudar:

Se você procura dicas para Lemons, os links abaixo podem te ajudar:

E se você procura dicas para Orange... Bem, não temos sequer um artigo com essa finalidade. Ainda. De qualquer forma, ler os dois artigos da categoria Hentai e o primeiro da categoria Lemon pode ajudar grandemente, ainda que não sejam direcionados especificamente para esse fim. 

Concluindo
É bem compreensível que haja dúvidas na hora de classificarmos uma fanfic, principalmente porque, como já foi dito, a linguagem é dinâmica e vive em constante mudança. 
Por isso, espero que esse texto tenha esclarecido todas as questões referentes aos temas abordados. 
Caso esse artigo não tenha sido suficientemente claro, ou você discorde de alguma definição, ou então tenha algo a complementar (como um link com dicas de Orange, rs), os comentários são um espaço aberto que espera por você. 


Material consultado 
Além dos textos já linkados nesse artigo, utilizei o http://www.urbandictionary.com/ para me nortear nas definições. 


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[Sugestão atendida] Como escrever cenas de estupro

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Por: Carol Guimarães

Hello, hello, hello!
Há algum tempo eu vi no Ask da Liga alguém pedindo dicas de como escrever cenas de estupro, um assunto delicado, que pode acabar mudando toda a personalidade do seu personagem e o rumo da sua história. Resolvi atender ao pedido, visto que eu mesma fiquei com essa dúvida ao elaborar uma história.
A resposta? Depende. Depende de quem é o narrador, depende do tipo de história que você está escrevendo, depende de qual impressão você quer passar ao leitor. Eu não posso simplesmente lhe passar uma fórmula mágica, pois ela não existe. Cenas de estupro são variáveis, pois os personagens são variáveis. 
O fato é que estupro é um tabu e pouco se fala sobre o assunto. Entretanto, eu vou colocar algumas situações aqui para tentar ajudar você, autor, da melhor maneira possível, a retratar uma situação dessas. 
Mas antes de tudo, vamos esclarecer uma coisa:

Estupro - Ato de forçar alguém a ter relações sexuais contra a sua vontade, por meio de violência ou ameaça. = VIOLAÇÃO
("estupro", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/estupro [consultado em 05-05-2014].)

Estrupo - Ruído, tropel, tumulto.
("estrupo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/estrupo [consultado em 05-05-2014].)

As duas palavras existem e são fáceis de confundir, mas agora você já sabe e não vai mais errar. Certo? Ok. A partir de agora eu não quero mais ninguém escrevendo que a personagem foi “estrupada”.
Depois de claro que o correto é estupro, não estrupo, que tal alguns dados? Aproveitando a pesquisa do Ipea recentemente e todo o bafafá que rolou por conta dela, vamos tentar desmistificar algumas coisas.
  • Estima-se que, no Brasil, no mínimo 527 mil casos de estupro são consumados a cada ano. E dentre esses, apenas dez por cento são reportados à polícia.

Mas por que apenas dez por cento? Você me pergunta, abismado com um número tão baixo. Ora, se grande parte da população acredita que a vítima é culpada por ser vulgar, quem é que irá querer contar para alguém e ser ainda mais humilhado?
  • Em relação ao total das notificações ocorridas em 2011, 88.5% das vítimas eram do sexo feminino, mais da metade tinha menos de 13 anos de idade.

Reparem que esses dados são apenas dos casos relatados à polícia. Homens talvez tenham ainda mais dificuldade para mencionar esse tipo de coisa, afinal, criou-se na sociedade atual uma ideia de que apenas mulheres são estupradas, homens são homossexuais e não querem admitir, preferindo inventar uma história de estupro, ou então que eles são homens e todo homem gosta de sexo, e que a ideia de eles negarem isso a uma mulher é ridícula. Claro que não, né? E homossexuais ou não, homem ou mulher, jovem ou adulto, todos têm o direito de procurar a justiça e atendimento psicológico.
Outra coisa, meninas com menos de treze anos costumam se vestir vulgarmente? A grande maioria não, certo? Então é cabível dizer que a vítima pediu para ser estuprada usando roupas inapropriadas?
  • No geral, 70% dos estupros são cometidos por parentes, namorados ou amigos/conhecidos da vítima, o que indica que o principal inimigo está dentro de casa e que a violência nasce dentro dos lares.

A fulana coloca uma roupa curta para ir a uma festa e depois de um pouquinho embriagada, decide ir para casa, passando por um beco escuro e sujo. Um sujeito mal encarado, feio, fedorento e com uma faca na mão, aparece e a estupra. Previsível? Clichê?
A Beltrana tem um tio lindo, cheiroso, que parece um príncipe aos olhos de todos, até mesmo dela. Até que esse tio a estupra e continua o fazendo até que ela se rebele. Por mais que pareça doentio, esse tio ainda a trata com carinho, porque ele a ama. 
Qual dos dois casos nós vemos mais nas histórias? Um biscoito para quem disse o primeiro. Agora, qual dos dois casos acontece mais no mundo real? Um biscoito de chocolate com sorvete e petit gâteau para quem respondeu o segundo. Por incrível que pareça, o último caso é o mais comum de ocorrer. Tente surpreender o leitor, evite o beco escuro e o cara feio com a faca na mão.
Se você quiser mais dados como esses, no final do post há um link com as estatísticas do Ipea. É interessante dar uma olhada, pois grande parte dos resultados vai contra o senso comum.
Valendo lembrar também que, antes de 2009, estupro era categorizado apenas como um homem inserindo o pênis na vagina da vítima sem o seu consentimento, ou seja, todos os outros casos de violência sexual eram chamados de outra maneira e tinham outras penas, homens não podiam ser estuprados, mulheres não podiam ser agressoras, pênis inserido no ânus da mulher também não era considerado... Agora, desde 2009, estupro é categorizado como toda forma de violência sexual para qualquer fim libidinoso (finalidade de satisfazer o desejo sexual), incluindo a conjunção carnal (pênis introduzido na vagina). O crime pode ser cometido por qualquer forma e em qualquer delas será considerado crime hediondo, o tipo mais grave de crime.
Por que escrever uma cena de estupro?

Se você quer adicionar mais drama à sua história, ou se quer que seja o motivo do personagem sair em busca de vingança e iniciar a ação, sugiro fortemente que não o faça. Sério, saia desse post e vá procurar algum outro, não escreva a cena de estupro!
Abuso sexual é coisa séria. Pode mudar a personalidade do personagem inteira e até o rumo de sua história. Na verdade, muito provavelmente será o clímax.
O que você tem que entender é que estupro é um ato tão impactante que pode destruir a vida de uma pessoa, ela nunca mais será a mesma. Ela pode se recuperar? Pode, claro que sim. Há vários grupos de apoio que ajudam a vítima a se recuperar a ponto de ela viver uma vida saudável, feliz e normal. Mas ela nunca poderá dizer que é a mesma pessoa que costumava ser antes do abuso. E você terá que desenvolver essa mudança.
O personagem deverá passar por fases. Choque, negação, culpa — sim, algumas vítimas se culpam, por mais que não seja culpa delas ―, pensar, diversas vezes, no que elas poderiam ter feito para evitar — e aceitação, não necessariamente nessa ordem. Lembrando que isso varia de acordo com a idade, sexo e situação da personagem. Isso dá trabalho, e você não pode simplesmente ignorar e seguir a história como se nada tivesse mudado.
Além disso, a vítima, salvo algumas exceções, não gostará do abuso, nem irá agradecer o algoz pelo que ele fez com ela. A pessoa sentirá dor, vai odiar e temer o estuprador. A vítima pode até gozar, por fatores biológicos, mas muito provavelmente sentirá ainda mais nojo de si mesma por ter tido tal reação.
Mas não existem exceções, Carol? 
Sim, existem. Mas saiba que são raras e você teria que trabalhar com um lado psicológico totalmente diferente. O cérebro humano tenta encontrar a melhor maneira de se defender diante de um choque desse tipo, e pode acabar criando a ilusão de afeto entre a vítima e o agressor. No entanto, lembre-se de que isso não é muito comum de acontecer e, se quiser escrever algo assim, saiba com o que está lidando e faça pesquisas.
Resumindo, só escreva sobre estupro se for realmente a sua intenção falar sobre o assunto, não para tapar buracos ou deixar as coisas mais emocionantes, ou para o seu vilão parecer mais cruel. Isso é um erro!
Mas agora que decidiu que quer mesmo escrever sobre o tema, que vai se dedicar no desenvolvimento do personagem a partir do clímax, você deve se perguntar: o que eu quero passar para o leitor? Eu quero que ele fique enojado com o ato vil? Eu quero que ele sinta o sofrimento da vítima? Eu quero que ele fique indignado com o autor do crime?
E ainda: qual o narrador da cena? A vítima ou o agressor? Talvez um narrador observador?
Essas perguntas são importantes, porque dependendo das suas respostas, a sua cena mudará.
Uma cena de estupro é caracterizada, principalmente, pelo seu teor dramático. Por isso eu aconselho que foque mais nos sentimentos dos personagens durante o ato, do que o próprio ato em si, até porque não costuma ser cheio de sangue ou com muita ação como seria o caso de um assassinato, por exemplo.
A beta estudante de psicologia, Senhorita Nada, e a beta formada em direito, Tina, gentilmente me ajudaram a entender o que ocorre na mente das pessoas nessas situações. Nos três casos seguintes você terá de usar a psicologia a seu favor. Dê as mãos a ela e não largue mais. Ela será sua amiga pelo resto de sua vida ou, pelo menos, até terminar de escrever. 

A vítima
As vítimas, de modo geral, costumam demonstrar uma reação padrão. Elas se fecham a qualquer aproximação, não socializam, choram muito, acabam criando medos excessivos, ou se tornam pessoas mais agressivas, podem até começar a andar com acessórios para se defender, sprays de pimenta, facas, pistolas...
Se o seu narrador for a vítima, você terá que mostrar essas características no texto. Pergunte-se o que seu personagem faria se tivesse que andar sozinho pela cidade à noite, e depois que ele sofresse o abuso, como reagiria? Como se comportava, e como passa a se comportar com pessoas do mesmo sexo do agressor?
Durante o ato, procure focar no sofrimento e na humilhação que a vítima sente, também na raiva e frustração por tentar escapar e não conseguir. Talvez seu personagem fique em choque e apenas ore para que termine logo, ou até mesmo para que ele morra. Como eu disse anteriormente, pegue o seu amigo psicólogo, grude a traseira dele na cadeira ao seu lado e só o deixe sair depois que ele te ajudar a ver como o seu personagem reagiria em uma situação dessas.

O agressor
Se quem estiver contando a história for o agressor, a jornada será mais árdua do que se fosse a vítima, mas não menos interessante. Talvez até um pouquinho mais original.
Como as estatísticas mostraram, normalmente os criminosos são próximos da vítima, apresentam-se como amigos, frequentam os mesmos locais, são sujeitos que aparentemente têm uma boa relação com toda a família, tudo numa tentativa de liberar os seus ímpetos sexuais, algumas vezes de modo tão cruel que o crime acaba em morte. O que se pode ter ideia, devido a várias pesquisas e depoimentos, é que eles, os estupradores, demonstram ser pessoas tranquilas, calmas na frente de parentes, amigos, mas que no fundo, apenas estão calculando o momento ideal de praticar o ato do estupro (ou o ato libidinoso). 
Porém, alguns desses estupradores já vêm com problemas psiquiátricos, têm transtornos compulsivos, psicopatias, enfim, quando o objeto do desejo é inalcançável, o estupro consequentemente se torna mais agressivo, e a tendência é matar a vítima. O desejo carnal de manter ato é quase que animal, irracional, transcende a questão saudável do sexo.
Durante o ato, foque na sensação de prazer que o estuprador sente, na euforia por ter finalmente conseguido realizar o que tanto desejava, talvez até na afeição que ele sente pela vítima, pois apesar de doentio, não é incomum de acontecer. 

Narrador observador
Lembre-se de que o estupro é um ato de dominação, a fim de humilhar a vítima e minar sua moral. O abuso sexual é antigo e faz parte da história como, por exemplo, na Roma Antiga, onde a pederastia era comum. Era normal e tolerado que um jovem rapaz, ainda não considerado cidadão, que quisesse estudar, fosse abusado pelo mestre pedagogo, pois mostrava a relação de submissão que o jovem deveria ter com seu professor. É muito comum também, em tempos de Guerra, que os exércitos pratiquem o ato no inimigo, de forma a subjugá-lo, como aconteceu muito durante a Segunda Guerra Mundial, nos conflitos de vikings e na guerra de Troia. 
Portanto, se a história for contada em terceira pessoa, tente mostrar os dois lados da moeda: como a vítima se sente e pensa (está em uma posição de submissão, mesmo que não queira), e como o estuprador se sente e pensa (está dominando a vítima). 

Bom, espero ter ajudado e que tenham gostado do post! Se ainda tiver dúvidas, pesquise, peça ajuda a alguém que entenda do assunto, corra atrás e faça dessa cena uma coisa memorável para os seus leitores.
That’s all folks!


CERQUEIRA, Daniel; COELHO, Danilo de Santa Cruz. Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde (versão preliminar). Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/nota_tecnica/140327_notatecnicadiest11.pdf>. Acesso em: 05 de maio de 2014.
HINES, Jim C. Writing about rape. Disponível em: <http://www.apex-magazine.com/writing-about-rape/>. Acesso em: 05 de maio de 2014.
Estupro. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Estupro. Acesso em: 05 de maio de 2014.
Sexualidade na Roma Antiga. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Sexualidade_na_Roma_Antiga>. Acesso em: 05 de maio de 2014.
Pederastia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Pederastia>. Acesso em: 05 de maio de 2014.
Estupros de Guerra. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Estupros_de_guerra>. Acesso em: 05 de maio de 2014.
Homem pode ser vítima de estupro. Disponível em: <http://endireitado.wordpress.com/2009/09/11/homem-pode-ser-vitima-de-estupro/>. Acesso em: 05 de maio de 2014.


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Erros comuns em cenas de sexo – Parte 2: biologia

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Por: Coward Montblanc 
(Liga dos betas team)

<< Esse post é proibido para menores de 18 anos, por conter linguagem imprópria de cunho sexual.>>

Olá, queridos! Já faz um tempo que a gente não se vê, né? Ouvi dizer que vocês sentiram saudades de mim e estavam ansiosos para a continuação do meu post anterior!

Então podem relaxar, aqui estou com os erros mais cometidos em cenas de sexo em fanfics. E desta vez vamos falar de biologia, porque parece que muita gente por aí não prestou muita atenção nas aulas dessa matéria na escola.

Não se preocupem, vocês não vão precisar pegar seus livros de biologia para compreenderem o que eu vou falar aqui. Vou explicar do jeito mais simples possível para que todos aqui possam entender. E não é nada difícil, eu prometo!

Vamos lá?

<< Esse post é proibido para menores de 18 anos, por conter linguagem imprópria de cunho sexual.>>


1) Achar que o ânus se lubrifica sozinho

Esse erro é mais comum em fanfics yaoi, mas não pense que escritores de casais hétero e até yuri escapem disso! Muita gente acha que só porque garotas se lubrificam quando excitadas e os garotos produzem líquido pré­-seminal, o ânus também faz isso.

A lubrificação serve para facilitar a penetração. A vagina foi feita para ser penetrada e portanto se lubrifica naturalmente. O pênis foi feito para penetrar, e por isso também se lubrifica, mas é bem menos que uma vagina, até. E o buraquinho que todo mundo tem lá atrás não é feito para isso, em teoria. Por causa disso, ninguém fica com o bumbum molhadinho quando vai fazer sexo.

E se ficar, não vai ser por lubrificação natural, tenha certeza.

Seu personagem pode ser o homem mais másculo e forte do mundo, mas se ainda tentar colocar alguma coisa ali dentro sem lubrificar antes, nem que seja só um dedo, vai doer, e talvez nem mesmo entre. E é para isso que lubrificante é fabricado, vendido e usado. Portanto, se o seu personagem pretende inserir algo nesse local, sozinho ou acompanhado, não se esqueça do lubrificante!

Aliás, coisas como sangue, esperma, saliva, lágrimas, água, manteiga, hidratante, vodka, vinho, sorvete, nutella, mel e derivados não servem como substitutos. E alguns desses itens que eu acabei de citar anteriormente não são nada higiênicos para se colocar em um local tão sensível.

E mesmo se houver lubrificante na hora, vá devagar! Deixe quem for receber preparado física e psicologicamente antes, porque se ele estiver muito tenso ou sem muita preparação, ainda vai doer bastante. Isso vale especialmente para personagens que possuem pouca ou nenhuma experiência com penetração anal. Porém, com as devidas precauções, todos podem se divertir sem correr risco algum!


2) Pensar que é fácil colocar um pênis inteiro na boca

O sexo oral é considerado como uma prática bastante prazerosa, ainda mais quando bem feita. Para muitos homens, então, se a pessoa que o fizer for capaz de colocar seu membro inteiro na boca, é algo incrível. Mas fazer isso não é tão fácil quanto parece!

As pessoas possuem uma coisa conhecida como “reflexos”, que são respostas involuntárias ao nosso corpo diante de certos estímulos. Se alguma coisa ficar tocando na nossa garganta, vamos querer vomitar. É por isso que muitas pessoas forçam o vômito colocando os dedos ali. 

Normalmente, um pênis ereto tem tamanho o bastante para tocar no fundo da garganta e ativar esse reflexo. E vomitar no seu parceiro no meio do ato não soa lá muito sexy. Para isso, as pessoas costumam treinar bastante para que isso não aconteça, pois essa técnica exige justamente muito controle dos reflexos naturais. E, na verdade, tem gente que não consegue fazer isso mesmo com anos de treino, então como alguém virgem ou não muito experiente poderia ser capaz disso com tamanha facilidade?

Uma cena de sexo oral pode ser bem quente, prazerosa e sensual sem precisar que o personagem faça peripécias. Só é necessário um bom uso da imaginação, mãos, boca… E tomar muito cuidado com os dentes. Fora isso, é apenas uma questão de ter entusiasmo e uma boa criatividade!


3) Dizer que esperma tem gosto delicioso

Mais um erro super comum em cenas desse tipo. Quem aqui nunca viu um personagem engolindo o “gozo” de outro todo contente como se fosse algum tipo de néctar dos deuses? Infelizmente, não é bem assim.

Não é necessário que ninguém aqui experimente para saber como é o gosto. Simplesmente é fato universal. A grande maioria da população mundial não gosta do sabor de sêmen e acha difícil de engolir não apenas por causa disso como também por sua consistência mais viscosa. Se fosse gostoso, não existiria o dilema de cuspir ou engolir, ou até mesmo de deixar ou não o parceiro ejacular dentro da boca. Pode não ser muito sensual, mas colocar que o personagem engoliu tudo com uma certa dificuldade e não apreciando muito o sabor já deixa você totalmente livre dessa gafe.

No entanto, existem exceções. Algumas pessoas apreciam o gosto de esperma, ou então possuem um certo fetiche com isso. Se o seu personagem se encaixa em algum desses casos, então ele pode engolir como se fosse mesmo algo divino.


4) “E então nós gozamos juntinhos...”

Imagine só: seu casal favorito naquele momento íntimo, mostrando o quanto se amam entre beijos, abraços e carícias cada vez mais ousadas... Em um certo momento, eles com certeza vão ter seus respectivos orgasmos. E não seria lindo e romântico se os dois chegassem lá juntos para mostrar o quanto se amam e se completam?

Realmente, é algo muito bonito tanto de se imaginar quanto de se escrever. Mas, na realidade, isso é quase impossível de acontecer. Para um casal vivenciar um momento assim, os dois lados precisam não apenas se conhecer bastante como também possuírem muito autocontrole. E mesmo que eles cumpram esses “requisitos”, gozar juntos não é algo que acontece o tempo todo, porque por mais que uma pessoa saiba quando está perto de ter um orgasmo, ela nunca vai ser capaz de adivinhar o momento exato. E se até para um casal que já se conhece há anos esse é um feito que exige muito esforço – e que pode até mesmo nunca acontecer –, isso é algo literalmente impossível para virgens e pessoas inexperientes.

É claro, pode acontecer. Mas isso é algo tão escrito em fanfics por aí que acaba sendo melhor fazer com que os participantes da cena tenham orgasmos separados. Ainda assim, se você quer usar esse recurso na sua cena, use, mas saiba que isso é algo raríssimo de acontecer e que fica melhor sendo usado uma única vez do que em todas as cenas de sexo da sua fanfic.

5) Bater no colo do útero dói e atingir a próstata o tempo todo é impossível

Coloquei esses dois juntos porque eles se resumem no mesmo princípio. Muita gente adora fazer o rapaz ficar atingindo o colo do útero da parceira para mostrar como ele é grande e capaz de satisfazê-la ou então fazem com que um dos garotos em um yaoi fique sempre tocando a próstata do parceiro após “encontrá-la” para que ele possa ter prazer durante o sexo anal, e não apenas dor. Essas duas coisas acontecem muitas vezes por causa da falta de informação por parte do escritor, e agora nós vamos ver porque essas duas coisas estão erradas.

Comecemos pelas meninas. A vagina não é um buraco negro sem fim, e por isso ela tem uma certa profundidade. E lá no final, temos o colo do útero, que “separa” a vagina e o útero, como se fosse uma porta. Para chegar lá, um homem precisaria ter um pênis bem grande, pois os de tamanho médio naturalmente não vão até lá. Isso acontece para que o sexo seja confortável.

O colo do útero é um lugar muito sensível. Não como o clitóris, onde se tem prazer quando se toca, mas sim de uma forma realmente mais frágil. É claro, não vai “quebrar” e nem “se abrir” fácil, mas ainda vai sentir o “impacto”. E dependendo de como for o ritmo do parceiro, pode doer bastante. Por isso que homens mais bem dotados precisam ser mais gentis com suas parceiras, para que isso não aconteça e também para não machucá-las. 

Quanto ao prazer, saiba que as maiores concentrações de nervos se encontram nos primeiros centímetros da vagina, no ponto G (que é mais fácil de ser encontrado com um dedo do que com um pênis) e, obviamente, no clitóris. Então seu personagem não precisa ter um membro gigante para deixar o amor da sua vida feliz.

Agora, vamos falar da próstata. Ela existe apenas nos homens, e pode ser estimulada por dentro do ânus. Fazer isso com um pênis propriamente dito é possível, mas não tem como se repetir sempre simplesmente porque no sexo tem muita movimentação por parte dos participantes para que isso aconteça. Além disso, como no caso do ponto G feminino, ela é mais fácil de ser encontrado com um dedo.

E assim como o colo do útero, lá também é um local muito sensível! Por mais que massagear seja prazeroso, também tem seus riscos. Ficar fazendo isso com intensidade pode levar a danos sérios no local, capazes de levar o homem a uma visita séria ao hospital por hemorragia interna, lesões, e outras coisas nada bonitas que você com certeza não quer que seu personagem sofra. Faça-o ter prazer com isso, mas sem exagerar.

6) Pessoas não fazem poças gigantes com seus líquidos

O sexo é algo naturalmente úmido. Tem beijos, suor, saliva, lubrificação... E em alguns casos o negócio é molhado até demais. Em muitas fanfics por aí tem meninas que literalmente encharcam a calcinha quando ficam excitadas, sem falar dos homens que ejaculam verdadeiros litros de esperma, quando na verdade nenhum dos dois sexos é capaz de tamanha produção.

Enquanto que em desenhos e filmes pornôs isso acontece por uma questão de efeito visual e também para atiçar quem está vendo, no mundo da literatura isso não funciona, pois tudo depende da imaginação do seu leitor.

Pedir para quem está lendo imaginar verdadeiros rios de “gozo” só irá fazer quem está lendo rir ou sentir nojo. Sem falar que daria muito trabalho para limpar. Numa fic, é melhor deixar todo mundo produzir essas coisas do mesmo modo que na vida real, que já é o suficiente.

7) Homens não podem ter orgasmos múltiplos a cada cinco segundos

Se um orgasmo já é bom, que tal agraciar aquele personagem que você tanto gosta com dois ou três numa única cena? Dependendo da sua duração, isso pode muito bem acontecer, mas no caso de nosso sortudo ser um homem, preste bastante atenção com o tempo entre cada um.

Ao contrário das mulheres, que podem ter orgasmos múltiplos em questão de poucos minutos, os homens precisam de uma “pausa”, chamada de “período refratório”. Nesse momento, ele perde a ereção e mesmo que continue com o ato sexual, e só vai poder voltar a ter uma depois de um certo período de tempo, que pode variar desde alguns minutos a algumas horas, dependendo da idade do indivíduo – que obviamente, será menor quanto mais jovem ele for.

Tentar evitar que isso aconteça estimulando o pênis logo depois do orgasmo também não é uma boa ideia, já que o local fica sensível aos toques ao ponto de irritar. Logo, é melhor deixar ele em paz e continuar a cena com outras coisas para deixar o personagem “descansar”.

8) Não é normal passar horas numa mesma posição ou ato

E assim como é impossível para um homem ter milhares de orgasmos em menos de dez minutos, também não é saudável para ele, e nem para uma mulher, ficar excitado por muito tempo sem que nada aconteça.

Existem fanfics em que o casal faz sexo por horas antes dos dois chegarem ao orgasmo. Ou então onde alguém recebe um oral por uma hora completa sem pausas. É bom, mas cansa, além de ser algo que com certeza deve irritar. Uma coisa é ter um bom controle para se segurar, mas todas as pessoas têm limites. Em algum momento, não vai ser possível adiar o orgasmo. E com certeza esse momento não vai demorar mais de três horas para chegar, seja com uma masturbação ou em sexo penetrativo.

Se alguém demora tempo demais para ter um orgasmo, ela precisa de ajuda médica, e não continuar vivendo desse modo achando que é normal.

****

Minha nossa, mas que post grande! Acho que compensou bastante a espera, não é? Curiosamente, a maior parte desses erros são relacionados ao sexo masculino, mas deu pra ver que as meninas também não escapam de terem certas atrocidades "ditas" com o seu corpo.

Por isso, seja o personagem do sexo oposto ao seu ou não, é muito importante pesquisar quando se tem dúvidas! Acredite, não custa nada e você só vai sair ganhando.

O próximo post será sobre erros conceituais que vemos nessas cenas sempre tão polêmicas. São, literalmente, coisas que não deveriam estar na cabeça de um autor na hora de escrever sobre esse assunto.

Vejo todos vocês lá!

Material consultado:
Acervo de fanfictions do Nyah!Fanfiction
Entrevista aos membros das Liga dos Betas


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Erros comuns em cenas de sexo – Parte 1/3: narração e falas

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

<< Esse post é proibido para menores de 18 anos, por conter linguagem imprópria de cunho sexual.>>


Por: Coward Montblanc (lLiga dos betas Team)


Olá, queridos leitores do blog! Quem está escrevendo o post de hoje é Diandra Santiago, e como dá pra ver pelo título, irei falar sobre coisas bem... Quentes. Ou melhor, nos erros que muita gente comete tentando escrever cenas quentes e que acabam deixando elas... Frias, se é que você me entende!

Não é difícil achar uma fic classificada como 18+ no Nyah!, geralmente por conteúdo sexual, mas é ainda mais complicado conseguir encontrar uma história dessas com cenas de sexo realmente boas. E já que eu adoro bons textos eróticos, já vi muita coisa nessa minha vida de leitora, e muitos erros que costumam se repetir como se fossem pragas.

E como são muitos erros, eu resolvi tratar deles não apenas em um, mas em três posts. Esse primeiro será focado apenas nos erros cometidos durante a narração e nas falas dos personagens, e os próximos serão focados nos erros de biologia e conceituais vistos nesse tipo de cena. Além disso, precisamos de conteúdo na zona 18+ do blog, vocês não acham?

Agora, sem mais delongas, os erros mais cometidos na narração e falas na hora do sexo em fanfics!


1) Usar palavrões em excesso na narrativa

O ato sexual por si só é uma coisa considerada suja pela sociedade, e palavrões para designar as partes do corpo de seus personagens e os que eles estão fazendo só vão causar essa impressão no leitor. Muita gente também odeia palavras chulas jogadas ao vento, até porque elas costumam indicar imaturidade, desrespeito e falta de compromisso de quem escreveu para com o texto, em geral.

Escrever algo bom com palavrões é complicado, então por via das dúvidas é melhor evitar. Tente descrever as posições como se fossem qualquer outra pose que os personagens estejam fazendo, chame os genitais de nomes como "membro", "sexo" e "intimidade", e evite expressões como "louco de tesão".

No entanto, palavrões podem sim ter seu lugar em cenas quentes! Narrativas em primeira pessoa podem ser incrementadas com alguns nomes "feios" para serem mais realísticas, e se os personagens estão conversando no calor do momento, eles até que podem deixar a educação um pouco de lado. Apenas não exagere, tudo bem?


2) Encher o texto de eufemismos desnecessários

"Doce néctar do prazer", "minha flor”, “sua lança comprida”? Isso é um concurso de poesia ou é uma cena de sexo? Qual a necessidade de usar metáforas bregas e no mínimo estranhas para se referir a certas coisas que você pode descrever normalmente sem causar estranhamento ou risadas por parte do leitor?

É claro, o sexo é considerado algo “sujo” e muitos escritores — em especial aqueles que nunca escreveram nada desse tipo — costumam ter vergonha na hora de descrever. Por isso as metáforas. Ou então, para deixar o texto menos “vulgar”. O problema é que, na grande maioria das vezes, isso acaba tirando todo o clima romântico, tenso ou luxurioso da cena e irá fazer com que tudo vire uma estranha comédia para quem está lendo.

No entanto, isso não significa que você não possa usar tais recursos. Comparar os toques dos dedos de alguém com choques elétricos, por exemplo, é interessante. 

Assim como os palavrões, as metáforas e comparações possuem seu lugar numa cena de sexo, mas não o tempo todo. Use com moderação e pense bem antes de usar. Pense bem: se você lesse isso escrito por outra pessoa, você riria ou acharia estranho? Se sim, é melhor deixar de lado, porque quem estará lendo provavelmente terá a mesma reação.


3) Descrever as intimidades dos personagens com detalhes demais

Todas as pessoas são diferentes, e nenhuma genitália é igual à de outra pessoa. Isso é algo que todo mundo sabe, mas que não precisa ser reforçado quando você está escrevendo uma cena de sexo. Esse é um erro que, por alguma razão, costuma aparecer mais nas fics escritas por mulheres — principalmente quando as mesmas são yaoi. É como se as autoras estivessem numa estranha competição para decidir quem consegue imaginar o pênis mais bonito para cada personagem, e para isso elas descrevem todos os detalhes possíveis.

Achou bizarro? De fato, é mesmo. Também pode ser considerado um tanto assustador, mas a questão não é essa, e sim que tais explicações são completamente desnecessárias para se compreender o texto. Acredite, seu leitor vai ser capaz de mentalizar o pênis ou a vagina de alguém sem precisar de um retrato falado do local. É claro que ele provavelmente não vai pensar nisso do mesmo jeito que você, mas vai fazer seu trabalho na cena, e é isso que importa.


4) Escrever linhas de “ohs” e “ahs”

Pessoas gemem, grunhem e fazem barulho durante o sexo. Elas também gritam, falam os nomes dos parceiros repetidamente, e podem até mesmo chorar ou rir. Mas você não precisa colocar tais falas o tempo inteiro. Quem está lendo sabe que está sendo prazeroso para os personagens, e que eles expressam isso com a voz, mas não precisa ser obrigado a ler linhas cheias de “oh”, “ah”, “hng”, “argh” e derivados. Isso não apenas torna a cena cansativa e entediante de ler, como também um pouco ridícula.

Você pode usar um pouco disso no meio de algumas falas para interrompê-las, mas também não faça isso em excesso. Coisas como “oh, Edwa— ah, ah, ah, Edward, eu — oh, hnnng, gah — eu te — oh, oh, sim — , amo!” são completamente desnecessárias. Assim como as descrições das genitálias, os detalhes vocais são algo que fica melhor quando deixados em aberto para o leitor imaginar o que quiser.




5) “Eu vou, eu vou… Aaaaaaah!”

Oh, o orgasmo! Uma das melhores sensações que uma pessoa pode ter, mesmo que dure apenas alguns segundos, e também um dos momentos em que os escritores mais erram na hora de escrever. É claro, depois de muitos beijos, carícias e suor, seus personagens merecem tal prazer, mas…

Eles precisam anunciar o tempo todo, e sempre do mesmo jeito? E seria apenas um grito a melhor forma de explicar para quem está lendo o que está acontecendo?

Como você deve ter imaginado, a resposta para essas duas perguntas é “não”. Deixe-me explicar os motivos.

Ninguém anuncia seus orgasmos toda vez que faz sexo. É claro, quem é familiarizado com o próprio corpo sabe dizer quando o grande momento se aproxima. Porém, em um momento intenso como esse, não é sempre que uma pessoa vai comentar isso, até porque ela provavelmente vai estar mais ocupada gemendo. Além disso, assim como com os “ohs” e “ahs”, ninguém quer ler um grande “AAAAAAAAAAAH” para representar o orgasmo. Mas como indicar isso sem gritos, então?

A resposta é simples, meu caro escritor: descrevendo. Você já deve ter lido em muitos locais que isso é algo “indescritível”, mas na verdade é sim. E como para cada pessoa é algo diferente, use isso ao seu favor. Enquanto alguém pode apenas se tremer todo e grunhir, outro personagem pode ser mais “selvagem”, arranhando o parceiro e se agarrando ao mesmo com força. Sem falar que é bem mais interessante deixar seu leitor imaginar seu casal se contorcendo de prazer na cama do que apenas gritando.


6) Exagerar no “eu te amo”

Tudo bem, eu entendo que, quando um casal resolve fazer sexo, é para demonstrar o quanto se amam e o que sentem um pelo outro. Porém, dá para perceber isso pelos beijos, abraços, carinhos, entre outros gestos no meio do ato. Fazer alguém deixar escapar um “eu te amo” algumas poucas vezes é até aceitável e fofo, mas não é necessário que nenhum dos dois envolvidos repita isso pelo menos a cada estocada ou entre cada gemido, até porque soa extremamente falso.

E essa dica vale para toda e qualquer declaração de amor em qualquer momento de sua história! Então, por favor, use com moderação.

Ufa, acabamos! Por enquanto. Afinal, essa é apenas a primeira parte. Ainda tem muitos erros que não foram mencionados aqui, mas que serão devidamente explicados e corrigidos nos próximos posts.

Até a próxima, pessoal!



Material consultado:

Acervo de fanfictions do Nyah! Fanfiction
Entrevista aos membros da Liga dos Betas
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