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Lira dos Betas no Blog #8

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Por: queijo e uvas passas

 

 Este texto foi publicado originalmente no Lira dos Betas, a caixa de poesias da Liga dos Betas.

To fix alone

 

I was broken
so you fixed me
but you forgot to fix the most importante part:
my head
there are disruptions everywhere
and I don't know how to fix they alone
by myself
so I ask you to fix my head like you fix the remainder of my body
but you left me
to fix my head alone
by myself 

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O que é um anti-herói e como construí-lo na sua história?

domingo, 21 de março de 2021

 

Por: queijo e uvas passas


Os textos com dicas e reflexões sobre escrita de histórias originais, fanfic e seus enredos fazem parte da programação tradicional do Blog. A dica de hoje é da camarada beta queijo e uvas passas!

 

Olá, leitores do Blog! Tudo bem com vocês? Espero que sim.

Hoje eu vou falar um pouco sobre anti-heróis e como podemos trabalhar com eles em nossas histórias.

Bom, mas o que é um anti-herói em primeiro lugar? Como o sufixo sugere, é um personagem que se opõe ao conceito de herói, não sendo alguém cheio de valores e virtudes; ele possui atitudes de moral questionável e muita malandragem. Dois exemplos muito famosos são o Han Solo e o Deadpool. Ambos têm atitudes egoístas e que fazem você se questionar sobre a sua verdadeira intenção, contudo não deixam de ajudar os mocinhos e demais pessoas inocentes envolvidas no conflito, desde que se beneficiem diretamente com isso.

Existe um modo simplório de identificar quem é o herói, quem é o anti-herói e quem é o vilão: o herói tenta salvar a população destruindo o menos possível a cidade, o anti-herói têm suas motivações pessoais para salvar a população e não se importa se vai destruir a cidade nesse processo e o vilão é quem está tentando destruir a cidade e ferir a população.

Agora você, autor, deve estar se perguntando "Como eu construo um personagem que é anti-herói?". O mais importante, independente do personagem, é dar humanidade a ele. Ou seja, ele precisa ter qualidades e defeitos, atitudes boas, ruins e neutras e uma história de vida que explique porque ele se tornou quem é hoje. Você também deve definir se ele tenderá para o lado dos heróis, dos vilões ou se será um personagem mais neutro no conflito, lembrando que é necessário que ele tenha seus motivos para agir nesse ou naquele lado, ser bom ou ruim não é suficiente.

O ponto mais importante é fugir da dualidade que muitas vezes se encontra nas histórias e trazer à tona um personagem mais humano possível.

Características clichês dos anti-heróis: ser um lobo solitário, não aceitar ajuda/não saber pedir ajuda, ter dificuldade para demonstrar os sentimentos, possuir um passado sombrio (perder a família, amigos ou um amor, ter sido rejeitado etc..).

Contudo existem alguns que são construídos de maneira um pouco diferente, como Robin Hood. Ele faz coisas boas, mas visando seus próprios objetivos pessoais enquanto prejudica outras pessoas no processo e, é claro, ele é bastante sociável. Assim como Jack Sparrow, também um ótimo exemplo, que é bastante carismático e conquistador.

É interessante ajustar a personalidade do seu personagem ao enredo, pensando nas melhores características que o anti-herói precisa para atuar na sua história e fazer com a participação dele na história vá de encontro aos seus anseios pessoais. 

Por hoje é isso, queridos leitores. Comentem aqui embaixo suas dúvidas, sugestões, elogios e críticas!

Até a próxima! :D

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Estereótipos em histórias de aventura

domingo, 1 de novembro de 2020

 


Por: queijo e uva passas

Olá! Tudo bem com vocês? Espero que sim. Eu sou a beta queijo e uvas passas e hoje iremos falar sobre estereótipos nas histórias de aventura. Lembrando que não é porque são clichês que são necessariamente ruins. O importante é a maneira como você, escritor, desenvolve a sua história e faz tudo acontecer. :)


Estereótipos dos protagonistas:

  1. O escolhido

Um exemplo típico é Percy Jackson. Escolhido há muito tempo por meio de uma profecia ou premonição, ele é o único que pode salvar o mundo de um destino terrível. Geralmente há lendas sobre o possível herói e todos o olham com admiração.

 

  1. O "normal"

Assim como Harry Potter, que nem imaginava que tinha algo de especial e que as vidas das pessoas estariam em suas mãos algum dia, muitos protagonistas passam por essa mesma situação: vivem uma vida pacata até um evento X acontecer.

 

  1. O que não queria ser herói

Colocar-se em perigo? Tá fora! Bem, mas às vezes não é bem questão de escolha e se torna inevitável ser o herói. Um exemplo disso é a Katniss Everdeen, de Jogos Vorazes, que, mesmo sem o querer, se tornou o Tordo, símbolo da revolução.

 

  1. O badass

Quando a Princesa Leia apareceu pela primeira vez nas telas, muitos julgaram que ela não seria mais do que um rosto bonito, contudo ela surpreendeu a todos ao mostrar sua destreza com a arma e sua coragem. É um protagonista que admiram muito pelas habilidades.

 

  1. O entusiasmado

É aquele personagem que quer muito, mas muito mesmo ser herói. Ele se mete em aventuras e situações perigosas apenas para ter sua oportunidade de brilhar. Aceita todas as chances que a vida lhe dá de fazer a coisa certa. Não poderia ter outro exemplo além de Finn, de Hora de Aventura.

 

Estereótipos na trama:

  1. Dicotomia herói x vilão

É aquele clássico do vilão super malvado, que não tem nenhum traço de personalidade além de ser mau; ele é afogado em trevas e escuridão. Enquanto isso o herói é o mocinho perfeito, não comete erros e representa toda a luz.

Particularmente, eu acho esse um clichê um pouco problemático, porque ele acarreta não desenvolver sua história e seus personagens de maneira complexa. Em se tratando somente dos personagens, ninguém é 100% bom ou 100% mau! É necessário construir o caráter e a bagagem do herói e do vilão, mostrar que eles são humanos, têm forças e fraquezas, erram e acertam, enfim, fazer com que tenham personalidade. Isso dá profundidade à história.

Um exemplo interessante de um protagonista com caráter ambíguo e bem trabalhado é o Robin Hood: para alguns, vilão, para outros, herói. Nesse caso, também dá para fazer do protagonista um anti-herói em vez de um herói.

 

  1. História acontece em um lugar fantástico

Em muitas histórias de fantasia, a aventura não acontecem no local onde o protagonista mora e sim em algum lugar em outra dimensão ou universo. Não há problema nisso, porém seria interessante variar um pouco e tentar algo diferente.

 

  1. O mundo todo nas mãos do herói

O mundo está acabando e só o herói pode salvá-lo! O interessante, nesse clichê, é fazer com que o protagonista tenha consciência disso e mostrar os sentimentos dele acerca dessa situação. A carga emocional de ter tanta responsabilidade é enorme, sendo muito importante trabalhar isso.

Também tem como realizar uma abordagem diferente, fazendo com que o mundo fique na mão de um grupo de heróis, cada qual encarregado de algo. Apesar de geralmente o herói não salvar todos sozinhos e haver, de fato, um grupo, a importância do grupo não fica muito explícita e bem trabalhada e, é claro, o herói é o parabenizado por salvar o mundo (e não o grupo todo, o que é bem chato). :/

 

  1. Mestre idoso e sábio

Sempre tem o senhorzinho ou senhorinha que tem uma palavra de sabedoria para dizer ao protagonista. Ele não entende na hora, mas depois que ele já está na metade da jornada e o sábio morre, finalmente as peças parecem se encaixar. Particularmente, amo esse clichê!

 

  1. Herói nunca parece abalado

Isso eu considero um pouco incômodo, afinal, depois de passar por situações traumatizantes, ver pessoas morrer e às vezes matá-las, é normal que você não fique bem e precise de apoio dos amigos e terapia. Entretanto, os heróis não parecem ter esse tipo de problema. Pesquisar sobre como as pessoas reagem após passar por essas situações (relatos de sobreviventes de guerras e dos campos de concentração nazistas, dentre outros, são bons começos) e trabalhar esse trauma de maneira coerente é recomendável. Dá para ir dando pistas ao longo da história por meio do comportamento do personagem e, quem sabe, fazê-lo conversar sobre isso com os outros personagens.

 

Esses foram os estereótipos mais recorrentes que eu li e assisti ao longo da minha vida, mas é claro que existem muitos outros. Se tiver algum que vocês gostem muito ou odeiem com todo o coração, compartilhem com a gente nos comentários!

Sintam-se à vontade para discordar de mim quanto ao que coloquei aqui.

E lembrando que é a minha opinião pessoal sobre o assunto, ou seja, vocês são livres para escreverem da maneira que desejarem, nada disso é uma regra absoluta.

Espero que tenham gostado e até o próximo post! :)

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Deve-se separar o autor da obra?

domingo, 23 de agosto de 2020

Por: queijo e uvas passas 



Bom dia, estrelinhas! A Terra diz olá! (Pegaram a referência?) Como têm andado? Espero que bem.

O nosso artigo de hoje é um pouco polêmico, mas espero que eu consiga tratar a discussão da maneira mais imparcial possível, apesar de ter minha própria opinião sobre o assunto.

Essa discussão entrou em voga quando denúncias de assédio foram feitas contra atores de Hollywood, como Kevin Spacey, Dustin Hoffman e Lars Von Trier, e também com o infame caso de Johnny Depp, acusado de agredir fisicamente sua ex-esposa, Amber Heard. Houve muitos outros casos, como o da cantora Melanie Martinez, que supostamente estuprou uma amiga, e, o mais recente de todos, a questão da transfobia de J. K. Rowling. Contudo, esse impasse não é atual. Ao longo da história da humanidade, muitos músicos, escritores, empresários e outras figuras importantes apoiaram o antisemitismo, nazismo, regime escravocrata, dentre outras impensáveis e desumanas ideologias.


Todas essas situações convergem a uma pergunta: é ético consumir o produto/serviço de uma pessoa que apoia regimes totalitários, desrespeitou outras pessoas ou agrediu alguém? 

A partir disso, podemos ir além: até que ponto o artista deve ser apreciado apenas pela sua arte e não pela pessoa que é? A arte deve ser desvinculada do seu valor social de mudança e protesto para servir à arte pela arte?


Alguns escritores e pensadores, como a escritora Laura Freixas, alegam que a obra serviria como escudo para não julgarmos as atrocidades cometidas pelos autores, uma vez que consumiríamos a obra sem questionar o caráter da pessoa que a realizou.


Outros, como Marco Severo, defendem a desvinculação da obra e do autor, argumentando que a obra não é uma retrato dos pensamentos e ideias da pessoa que a criou, uma vez que a obra transcende o autor.


Porém, como dizer com 100% de certeza que a obra está desvinculada do autor? Analisemos Harry Potter, por exemplo. Embora muito implícitos, há sim traços de transfobia presentes na obra. Rita Skeeter, por exemplo, é descrita com "maxilar marcado", uma característica considerada masculina, de forma zombeteira, como se fosse muito engraçado uma mulher com aparência "de homem". Qual um dos maiores motivos de chacota de mulheres trans? Elas apresentarem características masculinas. Zombando de Rita Skeeter, J. K. Rowling denota sua transfobia.

Dessa forma, a obra é de certa forma sim um reflexo do autor.


Contudo, o que aconteceria se deixássemos de consumir por completo obras de autores racistas, xenofóbicos, misóginos, antisemitas, pró-autoritarismo ou acusados de tais ações? Perderíamos a oportunidade de realizar a leitura dos livros de Monteiro Lobato. De assistir aos filmes de Johnny Depp. De ouvir as músicas de Melanie Martinez. Estaríamos perdendo um mundo de possibilidades artísticas.


Podemos concluir, após essa análise, que não é moral consumir os produtos do artista sem julgar suas atitudes perante a sociedade e sendo indiferente às suas atitudes erradas. O fato da arte ser boa não deve impossibilitar o autor dela de ser julgado por suas ações. Não podemos nos alienar quanto à isso e passar pano para esses artistas. 

Porém, também não podemos deixar de produzir e analisar a obra, realizando uma leitura crítica daquilo que o artista propõe. Seria alheamento tanto fingir que a obra não existe quanto ler sem julgar.





FONTES PESQUISADAS PARA REFERÊNCIA:

Correio Braziliense: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2017/11/06/interna_diversao_arte,638854/casos-de-assedio-no-cinema.shtml

Cine.com: https://www.jornalismo.ufv.br/cinecom/da-para-separar-o-autor-da-obra/

Medium: https://medium.com/@caiquecabarroz/separar-a-obra-do-autor-peter-handke-e-a-moralidade-do-consumo-de-arte-dcc459c9bdc0 

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Fanfic vs. Intertextualidade vs. Plágio

domingo, 7 de junho de 2020


Por: queijo e uvas passas

Link no Nyah: https://fanfiction.com.br/u/684111/


Oi, oi, oi, aqui é beta queijo e uvas passas de novo! Tudo bem com vocês? Como está a quarentena? Espero que esteja tudo bem. :) 

Hoje iremos tratar das diferenças entre fanfic, intertextualidade e plágio. Aliás, será que existe diferença mesmo ou é tudo a mesma coisa?

 

Bom, existe diferença sim! E para explicar isso melhor, vou primeiro definir cada uma delas. 

 

Comecemos pela fanfic, conhecida minha de vários anos e acredito que de vocês também. Fanfic é uma abreviação, a palavra completa é fanfiction, a qual significa, no sentido literal, ficção de fã. Ou seja, é quando o fã de um filme, livro, seriado, anime, desenho animado, dorama, HQ, mangá, videogames e afins escreve uma história não canônica envolvendo o universo escolhido. 

A fanfic pode ser feita de muitas formas: explorar um personagem, acontecimento ou lugar que não foi bem trabalhado na história original; criar uma nova história no mesmo universo; escrever sobre o que aconteceu antes da história; e também sobre o que aconteceu depois; introduzir um OC (original character, em português personagem original); ambientar a mesma história ambientada em um universo alternativa (UA ou AU, em inglês); reescrever a história a partir de um "e se?"... As possibilidades são infinitas. 

 

Quando uma fanfic é escrita, o conteúdo original não é apropriado nem substituído. Não há prejuízo para o autor. Em alguns casos, pode haver ganho financeiro, como a fanfic de Crepúsculo, Cinquenta Tons de Cinza, porém na maioria das vezes não haverá. Mesmo que haja, não prejudicará a obra original, pois ninguém deixaria de comprar Crepúsculo por já ter lido Cinquenta Tons de Cinza, uma vez que são obras diferentes.

 

A escrita de fanfic não configura crime de plágio, porque o autor original sempre é creditado, porém há vários autores que se sentem bastante incomodados, chegando a processar fãs e pedindo para que não escrevam fanfics. O ideal seria verificar se o autor da obra está de acordo com a escrita de fanfics, embora não haja mecanismo legal que impeça a escrita de fanfics, mesmo que o autor da obra original não seja favorável. 

 

Indo agora para a definição de intertextualidade. Seria uma referência, seja implícita ou explícita, a outra obra, criando uma relação entre os textos. É um recurso bastante utilizados em redações do Enem e vestibulares regionais para embasar argumentos. 

 

A intertextualidade pode ocorrer de diversas formas: 

 

·         Paródia: normalmente ocorre com músicas e filmes, de caráter crítico e humorístico;

·         Paráfrase: reescrever uma frase ou texto com suas palavras;

·    Epígrafe: (não necessariamente uma epígrafe será um intertexto) é uma frase que serve de introdução a um assunto, normalmente usado em monografias. Funciona como uma intertextualidade quando se usa uma frase de outra obra;

·         Citação: citar na íntegra uma frase ou texto;

·         Alusão: referenciar elementos de outras obras.

 

Em uma situação de intertextualidade, usualmente se dá créditos ao autor do texto-base.

 

Finalmente chegando ao plágio, o mais infame (e com razão). Existem três maneiras de plagiar:

 

·         Reprodução integral: cópia da íntegra da obra sem creditar o verdadeiro autor;

·         Reprodução parcial: frases ou parágrafos da obra sem dar crédito sem autor;

·         Conceitual: uso de ideias da obra, apropriando-se delas.

 

Ou seja, configura-se plágio o desrespeito aos direitos autorais.

 

No Código Penal Brasileiro, no artigo 184, consta:

"Violar direitos de autor e os que lhe são conexos: (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)

"Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa (Redação dada pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003)"

 

E, além disso, na Lei brasileira 9.610/1998 está escrito:

 

"Art. 103 – Quem editar obra literária, artística ou científica, sem autorização do titular, perderá para este os exemplares que se apreenderem e pagar-lhe-á o preço dos que tiver vendido.

"Art. 106 – A sentença condenatória poderá determinar a destruição de todos os exemplares ilícitos, bem como as matrizes, moldes, negativos e demais elementos utilizados para praticar o ilícito civil, assim como a perda de máquinas, equipamentos e insumos destinados a tal fim ou, servindo eles unicamente para o fim ilícito, sua destruição."

 

Assim, podemos concluir que intertextualidade não é plágio, uma vez que há créditos ao autor da obra original. No caso das fanfics, de certa maneira, os ficwriters se apropriam das ideias do autor, contudo, lhe é dado os devidos créditos a trama, universo, personagens e etc., de forma que também não é plágio.

 

Há um tratado internacional importante. A Convenção de Berna, que regulamenta os direitos autorais dos países que assinaram o tratado, sendo o Brasil um deles. Nela está escrito:

 

"3) são protegidas como obras originais, sem prejuízo dos direitos do autor da obra original, as traduções, adaptações, arranjos musicais e outras transformações de uma obra literária ou artística."

 

Ou seja, além das fanfics e intertextos não serem plágio, elas são obras também protegidas pelos direitos autorais.

 

Muito que bem, agora que apresentei o conceito de fanfic, intertextualidade e plágio, façamos um comparativo entre os três termos.

 

Fanfic é uma criação ficcional não canônica baseada em outra obra, utilizando-se das ideias do autor original com os devidos créditos.

 

A intertextualidade utiliza elementos e faz referências ao texto-base. Difere da fanfic no que tange ao uso da obra original e a forma como é construída: as fanfictions são apenas textos escritos, enquanto intertextos podem ser manifestados de várias formas; além disso, fanfic de baseia na obra original enquanto intertexto faz referência a ela.

 

O plágio, por fim, a grosso modo, é o roubo de propriedade intelectual, não sendo considerado plágio a fanfic ou o intertexto.

 

E chegamos ao fim do artigo! A questão de fanfic ser plágio ou não é bastante polêmica devido a vários processos envolvendo autores e fãs, mas espero ter dado uma luz nisso tudo e esclarecido quaisquer dúvidas.


Até o próximo post!


Fontes:

www.queriaestarlendo.com.br/2019/02/eles-nao-5-autores-que-nao-gostam-de.html?m=1 por Bianca da Silva

https://www.todamateria.com.br/intertextualidade/ 

https://avctoris.com/fanfic-tem-copyright-direito-autoral/ 

 


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Como Escrever Histórias em Formato de Diário

domingo, 12 de abril de 2020

Por: queijo e uvas passas


Olá novamente! Aqui quem escreve é a beta queijo e uvas passas.
Nessa quarentena, que tal arriscar-se escrevendo alguma coisa diferente? Quem sabe uma história escrita em formato de diário? Tem interesse, mas não sabe como fazer isso? Tudo bem, estou aqui para te ajudar. *piscadinha*
Primeiramente, as histórias escritas dessa forma costumam possuir indicação de data com dia, mês e ano e uma assinatura no final do registro, e também são escritas em primeira pessoa. Por exemplo:
07/08/2005 (data)
Querido diário,
Hoje briguei com mamãe. Foi horrível! [continua...]
Por hoje é só.
Com carinho, queijo e uvas passas. (assinatura no final)
Contudo, esse é apenas o formato do diário. Escrever a história requer cuidados e, para planejar-se antes de iniciar sua jornada, tenho algumas perguntas que podem lhe auxiliar.

1)      Quem é o dono do diário?
É muito importante pensar no personagem, como ele será e, talvez o mais relevante, como verá a si próprio. Pense nas características mais relevantes sobre ele e, ao longo da narrativa, vá apresentando ao leitor. Se o protagonista tem uma autoestima muito baixa (e isso é importante para a história!), deixe implícito fazendo pequenos apontamentos: “me olhei no espelho ao acordar e minha aparência estava horrível”, “como ele poderia gostar de mim? É mil vezes mais bonito que eu!”.
Apresentar as características do personagem desse modo é mais realista, afinal ninguém começaria um diário escrevendo que é introvertido ou extrovertido, lindo ou feio, etc. A pessoa apenas contaria sua vida e a sua personalidade iria se revelando aos poucos.
Talvez seja relevante o protagonista falar sobre o contexto em que vive, mas isso depende bastante da história. Aqui usarei como exemplo o diário mais famoso da história: O Diário de Anne Frank. Tudo que ocorria ao redor dela, como o holocausto, a ascensão e a queda do nazismo, a perseguição aos judeus era muito importante para ela e para que ela pudesse contar sua história no diário. Todavia, será que todo esse contexto seria tão notório e considerável se Anne não fosse judia? Se a menina estivesse à parte dessa situação, talvez todos esses fatos não tivessem sido citados.

2)      Como ele se apresentará aos leitores?
Como eu disse na primeira pergunta, é de extrema importância a visão que o protagonista possui de si mesmo. Isso determinará como os leitores o verão. “Mas como assim?” você pode perguntar. Veja bem, se fosse uma história menos pessoal, talvez escrita em terceira pessoa, poderíamos tirar nossas próprias conclusões sobre os personagens e as situações ao ler as histórias. Porém é um diário, o qual é escrito em primeira pessoa, o que significa que, de certa forma, seremos influenciados pelas visões pessoais do protagonista. Ou seja, o modo como ele percebe as coisas e a si mesmo afeta a nossa percepção enquanto leitores. Por isso, planeje bem o modo como o protagonista perceberá o mundo, porque ele será os olhos dos leitores!

3)      Irá interagir com o diário ou apenas escrever?
No exemplo de datação e assinatura que dei acima, o personagem referiu-se ao diário por meio daquela expressão bem conhecida “Querido diário”. Essa seria uma forma de interação com o diário. No caso de O Diário de Anne Frank, foi atribuído o nome de Kitty ao diário e era assim que Anne se referia a ele. Você, assim como ela, pode inventar diferentes maneiras para que o seu protagonista dirija-se ao diário. Ou pode não usar esse recurso. Pode apenas colocar a data e então escrever.
O que determina o que você fará, além de querer ou não, é claro, é a personalidade do protagonista, bem como a idade que também deve ser levada em consideração. Uma menina de 11 anos escrevendo “Querido diário” é comum, mas uma mulher de 35, mais madura, provavelmente não interagiria com o diário.

4)      Em que momento o protagonista ganhará ou comprará o diário?
Alguém deu o diário ao protagonista? Em que contexto? Quem deu? Isso tem algum significado? De repente o responsável por ele deu o diário por recomendação do psicólogo. Ou o personagem pode ter percebido que precisava desabafar e comprou um diário para si.
É interessante começar os registros no dia em que foi recebido, assim pode contar tudo isso e também quais são as pretensões quanto ao diário: vai tentar escrever todo dia? Ou pretende apenas registrar se algo extraordinário acontecer no dia? Está contente com o diário ou ficou aborrecido? No caso de ter recebido como presente, gosta da pessoa que o presenteou? No caso de ter comprado, está satisfeito com a compra ou arrependeu-se?

5)      Qual a motivação do protagonista em fazer os registros diários?
Certo, você tem o protagonista, tem o diário, tem o contexto todo da história. Contudo o que motiva o protagonista a escrever? É recomendação do psicólogo, como sugeri antes? Ou apenas um meio de se expressar? O personagem se sente aliviado a escrever, sendo uma espécie de terapia?
É relevante que o protagonista tenha um motivo e que seja explícito, isso acrescenta propósito à história.

6)      Qual é a história a ser contada?
Essa questão está intimamente atrelada à anterior. Se a história possui propósito é porque ela é importante e merece ser contada. Então, qual é a história desse protagonista?
Está dando a volta ao mundo em uma expedição fantástica? Está vivendo uma pandemia (cof cof covid-19)? Ou algum momento histórico como uma guerra? Talvez seja apenas um adolescente descobrindo-se sexualmente, por que não? Ou um homem que leva uma vida monótona até descobrir o propósito da sua vida. Há inúmeras possibilidades, infinitas histórias a serem contadas. Sejam elas “grandiosas” ou não, todas merecem ser contadas.
Agora, vamos ver algumas dicas! J

Mantenha a personalidade do protagonista! Se ele começou a história com autoestima baixa, como pode terminar se amando sem ter havido uma mudança clara quanto a isso? O personagem vai amadurecer e se desenvolver, mas isso não é da noite para o dia, é um processo, por isso tenha cuidado. E se por acaso algum dia ele for levantar sentindo-se bem sem motivo aparente, precisa deixar claro que é uma situação inusitada (até porque somos humanos e às vezes acordamos com sentimentos e sensações distintas dos que costumamos sentir).

Lembre-se de que o leitor não conhece o universo fictício do diário. Por isso, tenha cuidado para situá-lo e explicar situações que podem não ficar claras por si só. Se o personagem mal fala com o padrasto, é interessante explicar o porquê, quando isso começou e etc.; assim, os leitores entenderão porque ambos se desgostam e, consequentemente, porque não há interação animosa entre ambos.

O recurso de flashbacks é muito legal para explicar essas situações do passado. E também tem o chamado fluxo de consciência, no qual o protagonista reflete sobre eventos passados com a sua atual consciência e comparando-a o que sentiu na época. Utilizando-se do exemplo acima, você poderia, por exemplo, descrever uma cena de briga entre o padrasto e protagonista ocorrida há cinco anos e, após, fazer questionamentos sobre o que levou a tudo, de quem foi a verdadeira culpa, se houve de fato apenas um culpado.

Outro aspecto a ser considerado no planejamento, e isso depende bastante da história a ser escrita, é o de protagonista possuir algum segredo oculto até mesmo do próprio diário. A revelação bombástica pode levar ao clímax da história se for bem trabalhado.
Bom, creio que dei todos os conselhos que pude! Hehe Espero ter ajudado a todos que leram.
Até mais ver! <3
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Como Abordar Temas Polêmicos de Forma Consciente

domingo, 16 de fevereiro de 2020
notebook, caderno, caneta, óculos


Por: queijo e uvas passas

Olá, pessoinhas! Tudo bem? Hoje o post no blog é uma discussão sobre como abordar temas polêmicos de forma consciente nas fanfictions.
Muitas vezes ao lermos fanfics, nos deparamos com as seguintes situações: romantização de estupro, relacionamentos abusivos, assédio, dentre outras situações preocupantes. A abordagem de temáticas delicadas requer responsabilidade por parte dos autores e gera bastante discussão: esses comportamentos de personagens fictícios influenciam os leitores na vida real?
Quando a história conta uma situação de estupro, assédio, abusos é importante esclarecer aos leitores previamente. Há muitas pessoas sensíveis a essas situações e para as quais a leitura geraria um gatilho; portanto, é preciso ter responsabilidade e sempre indicar nos avisos e notas iniciais da fanfic/original. Bem como pôr a classificação indicativa correta! Caso você tenha começado a escrever e não tenha planejado isso, mas precisa que aconteça para dar continuidade à história, sem problemas. Apenas mude os avisos e coloque um comunicado grande no início do capítulo. Lembre-se de que você não é responsável pelo que as outras pessoas sentem e o que viveram, porém é 100% responsável pelo que escreve.
Seguindo esse mesmo pensamento, não há como atribuir a culpa aos escritores pelos comportamentos negligentes de pessoas reais. Se o leitor leu os avisos, viu a classificação indicativa e sentiu-se apto a ler a história, é dele que deve vir a maturidade e consciência de entender que aquele comportamento é doentio e deplorável e não deve ser reproduzido. (Aliás, se você, como leitor, leu uma fanfic que continha estupro, assédio, relacionamentos abusivos, seja de forma romantizada ou não, e sentiu-se tentado a comportar-se daquela maneira, realizar aquelas ações, procure ajuda profissional urgentemente!) E os responsáveis pela criança/adolescente que lê fanfics devem sempre supervisionar as leituras.
Chegamos, pois, a outro impasse. E o que acontece quando um jovem lê uma fanfic com um relacionamento abusivo, por exemplo, mas romantizado e normalizado? Como se, de fato, fosse uma história de amor? Nem todos os leitores são maduros o suficiente para compreender o abuso e o pior é que, por falta de orientação, podem acabar vivendo essa situação na vida real sem identificar; não por influência das fanfics, mas por não perceberem que não é normal, nem aceitável. A arte é a forma mais antiga de manifestação do ser humano e ao longo da história serviu como conscientizadora e foi usada como forma de protesto. Quando se trata desses temas, é importante considerar essa abordagem da arte, a de conscientizar, para que cada vez mais jovens e adultos sejam capazes de detectar abusos e evitá-los.
Uma das melhores alternativas para resolver essa situação é denunciar as fanfics que romantizam situações abusivas e conversar com os escritores e leitores a respeito. Felizmente é um debate aberto, no grupo oficial do Nyah! no Facebook, por exemplo, discussões sobre o assunto e relacionados já foram abordados pelos integrantes diversas vezes.
Para os escritores, a principal dica para descrever situações de estupro, abusivas de forma consciente é ter empatia. Ninguém se apaixona pelo seu raptor a menos que tenha Síndrome de Estocolmo. (E mesmo essa condição psicológica deve ser retratada de modo a se entender que não é romantização, que é um problema e deve ser tratado como tal.) O estuprador não é carinhoso, atencioso, nem se importa com a vítima (estuprador não é nem gente, em primeiro lugar). Essas situações geram traumas, sequelas, sofrimentos. Muitas vezes até pensar nisso é difícil. Por isso, se colocar no lugar da vítima é necessário.
Caso queira escrever do ponto de vista do abusador, é a mesma situação. Lembrando que deve-se deixar claro que de que a pessoa não é normal, tem sérios problemas e precisaria de ajuda para se reintegrar na sociedade. É importante pesquisar sobre as condições psicológicas que levam a esses comportamentos. Temos o exemplo do livro Lolita, de Vladimir Nabokov, o qual é narrado pelo ponto de vista de Humbert, o pedófilo, porém a condição de pedofilia e os abusos são deixados claros.
E, é claro, há vários depoimentos e histórias reais na internet. É interessante buscá-los como fonte de inspiração para escrever com o máximo de verossimilhança.
A ficção, portanto, não inspira jovens a tomarem atitudes abusivas quando esses leitores possuem a idade e a maturidade para compreenderem a situação. (Devemos abordar esses temas com crianças também, porém considerando o seu nível de intelecto e entendimento, e com explicações e alertas dos pais/responsáveis/professores e não por meio de obras fictícias.) Contudo, como já dito, leituras que romantizam essas situações podem levar os leitores a normalizarem os abusos e, posteriormente, não terem o conhecimento para identificar essas situações.
Na dúvida sobre estar abordando da forma correta ou não, peça ajuda! Pergunte a amigos, outros escritores e até aos próprios betas da Liga (como assim você não tem um beta? Tá esperando o que para entrar em contato com um??? xD).
Por hoje é isso, espero tê-los ajudado!
Até o próximo post!
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As imagens que servem de ilustração para o posts do blog foram encontradas mediante pesquisa no google.com e não visamos nenhum fim comercial com suas respectivas veiculações. Ainda assim, se estamos usando indevidamente uma imagem sua, envie-nos um e-mail que a retiraremos no mesmo instante. Feito com ♥ Lariz Santana