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Diferenças Entre as Religiões e Denominações Cristãs

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018


Olá!

 Se você está pensando em escrever uma história que aborda a religiosidade, clicou no artigo certo. É sempre necessário pesquisar tudo o que puder sobre o tema que se planeja tratar. Ainda mais quando se fala em algo tão delicado quanto a religião.

 Com o passar dos séculos e a evolução da humanidade, muitas religiões surgiram e desapareceram, e um artigo só não bastaria para falar sobre todas elas. Por isso, vamos focar aqui nas principais religiões que são praticadas atualmente no mundo.

 Para começar, é importante definir o que é religião. Religião é um conjunto de símbolos, crenças, rituais e tradições que rege um grupo de fiéis nos aspectos espirituais e morais. Geralmente, uma religião tem sua base na crença do sobrenatural, da existência de um poder divino que comanda o destino da humanidade e que deve ser temido (no sentido de ser respeitado, obedecido).

 Atualmente, as principais religiões do mundo são:

1. Cristianismo
  1. Origem: fundada pelos seguidores de Jesus Cristo em 30 d.C. (estimativa).
  2. Adeptos: cristãos - aproximadamente 2,2 bilhões
  3. Crença: monoteísta - Deus Uno e Trino; Pai, Filho e Espírito Santo (formando a Santíssima Trindade); santos e profetas; anjos e demônios.
  4. Na prática:
    * batizado dos recém-nascidos;
    * seguimento e reflexão da Bíblia Sagrada (Cristã);
    * em memória da morte e ressurreição de Jesus Cristo, celebra-se a eucaristia (comunhão);
    * atividades religiosas aos domingos.
     Os cristãos acreditam que Jesus Cristo, filho de Deus, veio ao mundo para salvar a humanidade. Para eles, Deus é onipresente e onisciente, ou seja, está em todo lugar e sabe de todas as coisas.
     Têm o propósito de viver sob os mandamentos de Deus para alcançar o perdão dos pecados e, assim, ter a vida eterna.
     Há divisões dentro desta religião, mas sua base está presente em todas elas.
  5. Para saber mais: documentário da BBC sobre a história do cristianismo - https://goo.gl/LXvNXT.

2. Islamismo
  1. Origem: fundada pelo profeta Maomé no início do século VII.
  2. Adeptos: muçulmanos - aproximadamente 1,6 bilhões.
  3. Crença: monoteísta - Deus único chamado Alá; Maomé e outros profetas; anjos e jinns (espíritos que podem ser bons, mas em sua maioria são maus).
  4. Na prática:
    * obediência aos cinco pilares do Islã: fé, oração, peregrinação, esmola e jejum;
    * seguimento e reflexão do Alcorão;
    * não se pode consumir carne de porco, cão ou gato;
    * exercício do Ramadã, mês em que se pratica o jejum desde o nascer até o pôr-do-sol.
    * atividades religiosas às sextas-feiras.
     Os muçulmanos seguem os mandamentos da lei islâmica (a sharia), e acreditam que os ensinamentos de Alá contidos no Alcorão foram revelados a Maomé pelo anjo Gabriel. Assim como a Bíblia Cristã, o Alcorão apresenta admoestações sobre o Juízo Final e sobre a conduta ética e moral que seus fiéis, bem como histórias sobre Maomé e outros profetas.
     Também como os cristãos, os muçulmanos creem que, após a morte, as pessoas boas vão para o Paraíso, e as más, para o Inferno.
     Existem vertentes dentro desta religião com diferenças significativas relacionadas, principalmente, às concepções de liderança.
  5. Para saber mais: documentário sobre a história do Islã - https://goo.gl/f5obYA.

3. Hinduísmo
  1. Origem: Índia.
  2. Adeptos: hindus - aproximadamente 900 milhões.
  3. Crença: politeísta - Brama representa a força criadora ativa no universo, se manifestando em cerca de 330 mil deuses e deusas; Brama, Vishnu e Shiva são os deuses que formam a Trimúrti (a trindade hindu).
  4. Na prática:
    * devoção a um deus ou a uma deusa hindu;
    * crença no carma (a lei do retorno), a força que define que todas as ações têm consequências diretas;
    * exercícios de meditação e yoga;
    * peregrinação às cidades sagradas da tradição hindu.
     O hinduísmo tem suas doutrinas baseadas nas escrituras sagradas do livro de Vedas, e abrange uma vasta gama de seitas e variações (que podem ser politeísta ou monoteístas).
     Para os hindus, os humanos são escravos da ignorância, mas podem e devem evoluir espiritualmente. Eles creem que, após a morte, a alma reencarna diversas vezes até atingir o Nirvana (o ápice da evolução espiritual).
  5. Para saber mais: documentário da universidade Estácio de Sá (Vitória - ES) sobre o hinduísmo - https://goo.gl/1hMfyn.

4. Religião Tradicional Chinesa
  1. Origem: China.
  2. Adeptos: aproximadamente 400 milhões.
  3. Crença: politeísta - Guan Yu é o deus supremo; dualista - baseada no yin e yang.
  4. Na prática:
    * culto e devoção aos ancestrais;
    * adivinhações e profecias;
    * práticas de longevidade;
    * exercício do feng-shui: um prática chinesa que envolve arte e ciência, tendo o propósito de atrair influências positivas da natureza.
     O termo “religião tradicional chinesa” engloba a complexas interações entre as várias religiões e tradições filosóficas que se manifestam no território chinês. Misturam crenças, práticas e rituais de diferentes doutrinas como o Budismo, o Confucionismo, o Taoísmo e outras religiões menos populares.
     O objetivo dos adeptos desta religião é viver de modo favorável e alcançar a vida após a morte, reverenciando os ancestrais em ritos de homenagem. Acreditam no Juízo Final, que guia as almas para a reencarnação ou para o inferno temporário. Após a passagem pelo inferno, as almas podem voltar ao ciclo de reencarnação até que atinjam o Nirvana.
  5. Para saber mais: artigos com fotos e vídeo sobre as doutrinas da China - https://goo.gl/2C1oxW, https://goo.gl/eQGx6k. 

5. Budismo
  1. Origem: fundada por Sidarta Gautama (Buda), em 520 a.C. (estimativa).
  2. Adeptos: budistas - aproximadamente 376 milhões.
  3. Crença: não há um deus, apenas um líder espiritual (Buda); vertente politeísta e ateia.
  4. Na prática:
    * exercícios de meditação e mantras;
    * leitura de cânones;
    * devoção às divindades (dentro das seitas politeístas);
    * adoração às mandalas budistas.
     O budismo acredita no ciclo reencarnação, onde as vidas presentes e passadas estão interligadas, até que se atinja o Nirvana e se consiga a plenitude da natureza humana. Para seus fiéis, o carma passado e/ou presente determina consequências (frutos) e/ou resultados (vipaka); ele é gerado pelas ações do corpo, da fala e da mente (pelas reais intenções mentais).
     Existem diferentes escolas dentro desta religião que se dividem em: Escolas Antigas, Escolas Mahayana e Escolas Vajrayana.
  5. Para saber mais: documentário sobre a história do budismo - https://goo.gl/oigwqp.

6. Sikhismo
  1. Origem: fundada pelo Guru Nanak, na província de Punjab na Índia, no fim do século XV.
  2. Adeptos: sikhs - aproximadamente 20 milhões.
  3. Crença: monoteísta - Deus supremo chamado Ik Onkar (ou Nam).
  4. Na prática:
    * uso de turbantes;
    * orações e meditações sobre Deus;
    * equilíbrio entre trabalho, culto e caridade;
    * cerimônia de iniciação à comunidade sikh, chamada de khalsa.
     Os sikhs têm o objetivo de superar a si mesmos, alinhando a vida com a vontade divina para lutar pelo bem da humanidade e se tornar um “soldado santo”. Também acreditam na reencarnação, que termina após a solução das falhas humanas numa busca pela união com Deus.
     Uma das tradições do sikhismo consiste em levar as crianças recém-nascidas a um gurdwara (templo sikh). Lá, abre-se o Guru Granth Sahib (o principal texto religioso) numa página qualquer para se escolher um nome. Ele começará pela primeira letra da primeira palavra da página do lado esquerdo, na parte em que o livro foi aberto.
  5. Para saber mais: documentário da Globo sobre o sikhismo - https://goo.gl/PVhFEB.

7.  Judaísmo
  1. Origem: Palestina, 1300 a.C. (religião hebraica).
  2. Adeptos: judeus - aproximadamente 15 milhões.
  3. Crença: monoteísta - Deus único chamado Adonai; Abrãao como patriarca.
  4. Na prática:
    * circuncisão no nascimento;
    * leitura e reflexão da Bíblia Hebraica;
    * celebração do Bar Mitzvá (para meninos aos 13 anos e um dia) e do Bat Mitzvá (para meninas aos 12 anos e um dia), que marcam a passagem para a maioridade religiosa;
    * reserva dos sábados para descanso;
    * cultos nas sinagogas e nos templos judeus.
     O judaísmo objetiva uma vida ética sob a obediência aos mandamentos divinos contidos na Torá, que foi revelada a Moisés por Deus. Dentre seus fiéis, há aqueles que acreditam numa vida após a morte (no “Mundo Vindouro”, o paraíso), e há aqueles que descartam a ideia. A religião em si não determina nada exato em relação a esse quesito.
     Os judeus praticam uma tradição matriarcal, ou seja, um filho de mãe judia também será judeu.
     A religião possui três grupos diferentes: o ortodoxo, o conservador e o reformista.
  5. Para saber mais: documentário sobre a história e origem do judaísmo - https://goo.gl/PpfXof.

8.  Espiritismo
  1. Origem: fundado nos EUA após a difusão do O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec (França, 1857).
  2. Adeptos: espíritas - aproximadamente 13 milhões.
  3. Crença: a crença oficial é baseada na doutrina e no Deus cristão, mas existem variações.
  4. Na prática:
    * comunicação com os espíritos dos mortos;
    * medicina espiritual;
    * leituras de guias e idas a centros espíritas.
     Na verdade, o espiritismo é mais um movimento do que uma religião. Seus princípios são baseados em cinco “obras básicas” chamadas de Codificação Espírita (também de Allan Kardec).
     Para os espíritas, o corpo e o espírito são entidades separadas. Acreditam que seguir valores morais e manter contato com espíritos afeta a vida após a morte. Quando uma pessoa morre, seu espírito vai para o Céu, ou fica preso neste plano até que tenha evoluído o suficiente para seguir seu caminho em forma de luz.
  5. Para saber mais: documentário da BBC - https://goo.gl/Bmkmhc.


 Como dito anteriormente, há divisões dentro da religião cristã, e um dos pedidos para esse post foi a diferenciação entre elas. No Brasil, convivemos diariamente com a maioria dessas divisões, mas quem as observa de fora pode confundi-las, ou ficar com a impressão de que são todas iguais. Apesar de a base do cristianismo (as informações listadas lá em cima) estar presente em cada uma de suas divisões, podemos encontrar muitas divergências.
 Dê uma olhada na lista a seguir com as principais ramificações cristãs:

1. Catolicismo
  1. Hierarquia: o papa é a autoridade máxima dentro da Igreja.
  2. Sacramentos: batismo, eucaristia, crisma, casamento, ordem, penitência e extrema unção.
  3. Salvação: fé e boas obras.
  4. Escrituras: Bíblia e livros deuterocanônicos (sete livros que foram retirados da atual tradução do Antigo Testamento).
  5. Particularidades:
    * latim como língua litúrgica oficial (mas as missas podem ser celebradas em qualquer idioma);
    * uso de terços, crucifixos e imagens (estátuas) de santos (importante lembrar que católicos não adoram imagens, apenas as usam como uma representação concreta dos santos).

2. Igreja Ortodoxa
  1. Hierarquia: descentralizada, porém representada pelo Patriarca de Constantinopla.
  2. Sacramentos: batismo, eucaristia, crisma, casamento, ordem, penitência, extrema unção, jejum e doações.
  3. Salvação: fé e boas obras.
  4. Escrituras: Bíblia e livros deuterocanônicos.
  5. Particularidades:
    * todas as missas são realizadas na língua vernácula;
    * uso de rosários, crucifixos e imagens pintadas (quadros) de santos (importante lembrar que ortodoxos não adoram imagens, apenas as usam como uma representação concreta dos santos).
    > Para conferir diferenças mais detalhadas entre a Igreja Católica e a Ortodoxa, dê um pulinho aqui: https://goo.gl/oPkhvo.

3. Anglicanismo
  1. Hierarquia: centralizada de forma moderada, com o arcebispo da Cantuária como símbolo de unidade mundial.
  2. Sacramentos: batismo e eucaristia, são os principais; crisma, casamento, ordem, penitência e extrema unção são tidos como sacramentos menores (ritos sacramentais).
  3. Salvação: fé.
  4. Escrituras: Bíblia e livros deuterocanônicos (com restrição às seções mais protestantes).
  5. Particularidades:
    * não possui língua litúrgica oficial.
    * a Igreja Anglicana se descreve como uma instituição que manteve alguns elementos católicos, mas que também incorporou elementos protestantes.

4. Luteranismo
  1. Hierarquia: descentralizada.
  2. Sacramentos: batismo e eucaristia.
  3. Salvação: fé.
  4. Escrituras: Bíblia e livros protocanônicos (que foram retirados da atual tradução do Antigo Testamento).
  5. Particularidades:
    * a Bíblia pode ser livremente interpretada.

5. Igreja Batista
  1. Hierarquia: descentralizada.
  2. Sacramentos: não há. O batismo é voluntário e a Ceia do Senhor, memorial; ambos são tidos como ritmos comunitários.
  3. Salvação: arrependimento e contrição.
  4. Escrituras: Bíblia (com ênfase no Novo Testamento).
  5. Particularidades:
    * a Bíblia pode ser livremente interpretada;
    * separação entre Igreja e Estado.

6. Presbiterianismo
  1. Hierarquia: descentralizada.
  2. Sacramentos: batismo e eucaristia.
  3. Salvação: predestinação.
  4. Escrituras: Bíblia e livros protocanônicos.

7. Adventismo
  1. Hierarquia: escolhido por voto, o presidente da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia é a autoridade máxima.
  2. Sacramentos: batismo, eucaristia e lava-pés.
  3. Salvação: fé e boas obras.
  4. Escrituras: Bíblia e Obras de Ellen G. White.
  5. Particularidades:
    * sábado como dia de descanso;
    * separação entre Igreja e Estado;
    * mortalidade da alma e volta de Jesus Cristo.

8. Metodismo
  1. Hierarquia: descentralizada.
  2. Sacramentos: batismo e eucaristia.
  3. Salvação: em três passos - graça previniente, conversão e santificação.
  4. Escrituras: Bíblia.

9. Testemunhas de Jeová
  1. Hierarquia: centralizada no Corpo Governante e suas corporações afiliadas.
  2. Sacramentos: batismo.
  3. Salvação: fé e obras de evangelização.
  4. Escrituras: Bíblia, com exclusão dos livros apócrifos (e na tradução do Novo Mundo).
  5. Particularidades:
    * evangelização de casa em casa;
    * paraíso na terra como esperança.

10. Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmon)
  1. Hierarquia: presidente da igreja (com sede em Salt Lake City) é a autoridade máxima.
  2. Sacramentos: batismo, crisma, casamento e ordem.
  3. Salvação: boas obras.
  4. Escrituras: Bíblia, Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e Pérola de Grande Valor.
  5. Particularidades:
    * pré-existência da alma antes da encarnação.

 Existem outras ramificações cristãs, mas procurei listar aqui as que mais encontrei pelas fanfics do Nyah!. Aqui você encontra uma linha do tempo com mais ramificações: http://arte.folha.uol.com.br/poder/2016/12/25/arvore-religioes/.
 Independentemente da religião que escolher abordar em sua história, tenha em mente que esse post contém apenas características básicas para uma diferenciação mínima, e que, claro, existem outras religiões além das que apareceram aqui. Para descobrir mais particularidades sobre a sua escolha, aposte nestas dicas:
  1. Documentários: nesse mundo vasto chamado internet, você consegue encontrar documentários em várias línguas e durações sem muito esforço. Antes de assisti-los, cheque as críticas para saber o que vai encontrar (procure sempre pelos conteúdos neutros).
  2. Artigos: muitos veículos de informação têm artigos super esclarecedores sobre as religiões do mundo (como BBC, Globo, Superinteressante…). Além deles, você pode contar com sites dedicados à religião que você escolher, onde, geralmente, o conteúdo é mais rico em detalhes.
  3. Pesquisa de campo: se possível, vá a uma celebração/cerimônia dessa religião para observar com seus próprios sentidos a reação dos fiéis e a realização dos ritos, por exemplo. Se conhecer algum praticante, tente uma entrevista para tirar suas dúvidas.
  4. Pesquisa, pesquisa e pesquisa: apoie-se em imagens, músicas, vídeos de depoimentos/celebrações e tudo o mais que puder encontrar sobre a religião escolhida. Claro, sua história não tem de ser uma aula de religião, mas incrementá-la com alguns detalhes únicos a deixará muito mais palpável para os leitores!

  Agora, e se você ainda não escolheu que religião abordar? Não se preocupe! Temos dicas para esse caso também:
  1. Local/Época: definindo esses dois pontos sobre seu enredo, você pode pesquisar quais eram as religiões mais populares no espaço entre eles e qual se encaixa melhor no plot.
  2. Características dos personagens: de acordo com o perfil dos seus personagens, qual religião você acredita que eles se encaixariam?

 Bom, esse foi nosso post sobre as diferenças entre as principais religiões. Obrigada por ter lido até aqui. Espero ter te ajudado pelo menos um pouquinho, e também espero criar uma ótima história!
 Se restar alguma dúvida, fique à vontade para me contatar pelo Nyah.
 Até mais ver!

Referências

Entrevista com Mariléa Antunes Costa, formada em Teologia (para leigos) pela Faculdade Paulo VI (Mogi das Cruzes - SP).
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[Pedido] Escrevendo cenas românticas

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Por: Mayy-chan (Liga dos betas)



Olá. Hoje falaremos sobre algo que é motivo de dúvida entre muitos ficwhriters que conheço. Penso ser sobre algo que até alguns renomados autores têm certa dificuldade: falaremos sobre como narrar uma cena de romance.

Quem aí já se cansou de fanfics em que, nas cenas de romance tão esperadas, leem apenas as seguintes palavras: “E ele me beijou”, ou coisas horrivelmente melosas em que a personagem passa um terço da fanfic descrevendo o seu beijo maravilhoso com o seu “príncipe encantado”.

Pois bem, para se escrever uma boa cena de romance, temos que nos lembrar de um fato importantíssimo: beijos são coisas que nos despertam sentimentos. Não importa se foi nojo, por causa de uma situação forçada ou apenas desagradável, ou felicidade, pois a personagem esperou por muito tempo por aquilo ou simplesmente achou agradável.

Outra coisa que é muito importante: o primeiro beijo nunca é algo intenso ou divino. Que atire a primeira pedra quem teve o seu com seu príncipe encantado no meio de uma praia com um lindo pôr-do-sol ao fundo e uma trilha sonora perfeita tocando. Vamos ser um pouco realistas, okay? Sua personagem pode até gostar, porém não pode ser algo profundamente intenso. Contudo, temos que lembrar que, ela querendo ou não, vai ser inesquecível.

O mais importante nessas cenas, é se lembrar de suas próprias experiências ou se inspirar em algumas autoras que realmente são boas nisso, cujos livros sejam mais focados no romance.

Também não podemos nos esquecer de que cenas de romance não são apenas beijos. Abraços, cafuné, andar de mãos juntas e outras coisas assim, também são contados como romance e, além de darem um toque mais real à fanfic, ainda fazem com que seu texto fique mais rico.

Vejo muitas autoras confundirem a forma como narrar o afeto que a personagem sente pelo seu melhor amigo, e o amor que sente por aquele cara que faz seu coração bater mais forte. E isso é algo essencial, por isso vou tentar diferenciar ambos os sentimentos:

Um sentimento de afeto é bem mais calmo, agradável e que faz o coração ficar estabilizado. Já o amor é bem mais conturbado, desesperador e faz sentir como se fosse vomitar todo o coração.

E, claro, não podemos esquecer que para compor uma cena de romance, a personagem não deve apenas chegar ao lugar onde está o garoto de seus sonhos, falar qualquer coisa sem sentido e, de repente, os dois estão se beijando. Antes disso temos que criar um cenário, além da forma como os dois personagens foram parar lá juntos.

Também não é adequado, a meu ver, fazer uma cena de beijo um dia após o casal se conhecer. Seria bom ter uma espécie de “enchimento”, nada que seja do tipo: “Eles se esbarraram na rua, ele olhou nos olhos de Jujuba e beijou-a”. Até porque, se fosse assim, não seria romance.

É extremamente importante, porém, e a maioria das pessoas se esquece, ter em conta que o nosso corpo envia sinais de quando estamos interessados por uma pessoa. Exatamente pelo fato de quase ninguém se lembrar, resolvi citar alguns sinais que me parecem ser importantes:

(1) Demonstrar cuidado com a aparência;
(2) Sorrir com frequência;
(3) Posicionar o corpo na direção da outra pessoa;
(4) Inclinar o corpo e imitar a postura do outro;
(5) Tocar na outra pessoa;
(6) Ficar muito perto durante uma conversa;
(7) Olhar fixamente para a outra pessoa;
(8) Prestar muita atenção na outra pessoa;
(9) Tomar a iniciativa de contato;
(10) Prolongar o encontro;

Mas é claro que não podemos nos esquecer de sempre manter a personalidade dos personagens. Isso é um fato de suma importância.

Agora penso que deu para tirar boa parte de suas indecisões sobre as cenas romance. Espero que tenham gostado e possam fazer bom uso dessas dicas em suas fanfics.


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[Pedido] Como descrever as emoções

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Por: Anne 


Não é nada fácil lidar com as emoções, isso é um fato. E escreve-las ou melhor, descreve-las, é fácil? 

Para muitos, não. Mas relaxem, a partir desse post, isso vai mudar.

Quem nunca se emocionou com a cena de um filme, novela e também com a de um livro preferido? São inúmeras as cenas que mexem com a gente, seja de uma forma boa, ruim, dolorosa, triste ou feliz e até mesmo amedrontadora. Quando escrevemos, queremos fazer com que os acontecimentos da nossa história sejam capazes de atingir os leitores, da mesma forma como somos atingidos quando lemos ou assistimos algo, mas essa não é uma tarefa da mais fáceis. Você visualiza em sua mente tudo tão intenso, expressivo e tocante, mas quando coloca tudo em palavras, sumiu, nada daquilo que imaginou está lá! Saiba o porquê nos dois passos a seguir. 


O primeiro passo para descrever melhor as emoções é:


Saiba diferenciar o que é emoção e o que é sentimento


Muitas pessoas se confundem com o significado dessas duas palavrinhas, acham até que sentimento é sinônimo de emoção e vice-versa, mas não é bem assim, existe uma grande diferença entre sentir (sentimento) e agir (emoção). De acordo com o site Cola da Web emoção é:


“A emoção é uma experiência afetiva que aparece de maneira brusca e que é desencadeada por um objeto ou situação excitante, que provoca muitas reações motoras e glandulares, além de alterar o estado afetivo.”



Um indivíduo muito entendido do assunto, o neurocientista português António Damásio, diz que sentimento é a forma como a mente vai interpretar todo conjunto de movimentos causados pela emoção. 

Resumindo, emoção é a ação que temos quando somos postos diante de uma situação, e sentimento é a maneira como nossa mente vai processar aquela ação.

Segundo passo: 

Coloquem seus personagens em movimento!


Como foi dito anteriormente, emoção significa agir, e não faz sentido o personagem em um momento de tristeza, por exemplo, ficar parado, sem nenhuma expressão facial ou sensações internas. Saibam que o nosso corpo também fala, não é só verbal e oralmente que nos comunicamos, a linguagem corporal é uma das formas de sabermos muitas coisas sobre o que outras pessoas estão sentindo e até mesmo omitindo, utilize essas belezinha como ferramenta na hora da descrição.


Entendido os dois passos, vamos amplificar as emoções! 


O amplificador de emoções é uma ferramenta de linguagem corporal para descrever diversas emoções e condições, como fome e desidratação, ajudando a amplificar as reações internas e externas dos personagens. Ele foi retirado de um artigo chamado "EMOTION AMPLIFIERS: A COMPANION TO THE EMOTION THESAURUS", e foi traduzido pelos membros Anne L, Laranja Lima e Gabriela Petusk da Liga do Betas, vocês podem encontrar o arquivo original AQUI (em inglês).

Nas tabelas a seguir, vocês irão saber como amplificar as emoções de atração, tédio e vício.


Atração

Atração: ter a habilidade ou poder de evocar interesse ou prazer.



Dica da Escritora: Com um estado reativo forte como a atração, tenha em mente que as expressões da pessoa variarão de acordo com sexo, idade e experiência.

Tédio

Tédio: sentimento de cansaço mental provindo de falta de interesse ou de estímulo.




Dica do escritor: Ninguém gosta de ficar entediado, mas essa sensação não precisa ser negativa. Transforme-a em positiva usando-a como um catalisador que impulsiona seu personagem a descobrir a verdade, a encontrar uma nova paixão ou a consertar um problema existente na sociedade.



Vício

Vício*: a necessidade compulsiva por uma substância, marcado por sintomas psicológicos agudos mediante a retirada da fonte.


*Nota: Embora pessoas possam ser viciadas à qualquer número de coisas, para clareza, esta estrada foi limitada para os sinais associados à substâncias viciantes.


Dica da Escritora: Quando estiver escrevendo sobre uma situação que está fora de sua experiência, consulte experts. Livros, profissionais na área, ou amigos com experiência própria podem fornecer os detalhes necessários para descrever o evento com credibilidade.


Agora é com vocês, arrasem na descrição das emoções nas cenas e até mesmo na fanfic inteira!


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Referências

http://www.institutoluz.com.br/artigos/item/128-as-emocoes-basicas-do-ser-humano
http://www.coladaweb.com/psicologia/emocao-e-sentimento
http://www.coladaweb.com/doencas/o-controle-das-emocoes
http://globotv.globo.com/editora-globo/revista-galileu/v/antonio-damasio-a-diferenca-entre-emocao-e-sentimento/2736952/
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/os-sentimentos-sao-fundamentais-para-a-sociedade-diz-antonio-damasio


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[Pedido] Desvios mais comuns no teste da Liga

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Por: Holly Robin (Beta Reader - Liga dos Betas) e Lady Salieri



Queridos nossos,

Atendendo a pedidos, e também pensando no teste da Liga cujo processo começa dia 25.11, resolvemos fazer este post voltado para aqueles que desejam ser betas. Na verdade, a Holly Robin o escreveu e eu (Lady Salieri) me intrometi aqui, apenas acrescentando alguns detalhes. Espero que possa sanar as dúvidas em relação ao nosso teste e sirva de guia para aqueles que desejam ser betas. Desde já, desejamos boa sorte a todos!


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Quando você pensa em um beta, o que vem à sua mente? Muitos ainda veem um beta reader apenas como um corretor ortográfico e pensam que para passar no teste da Liga só é necessário ser bom em gramática. É importante ter prestado atenção a todas as aulas do seu professor de português e ser bom nos aspectos gramaticais da nossa língua? Sim. Mas não é apenas isso que fará de você um bom beta.


Mas por que você está falando isso, tia, já não existe um post na Liga falando o que é um beta reader?


Sim, existe! Mas foi preciso ressaltar mais uma vez o que é um beta antes de começarmos a falar sobre o tema deste post. Todos os meses, centenas de testes são aplicados, mas muitos possuem os mesmos erros. Boa parte deles nos mostra que o candidato não compreendeu muito bem o que é um beta e simplesmente saiu corrigindo cada vírgula do texto. Para acabar de vez com as dúvidas, explicaremos os desvios mais cometidos nos testes, assim como se beta uma história. Então, vamos lá!


a) Acreditar que beta só corrige gramática — o candidato corrige “todas as vírgulas”, mas não diz por que o está fazendo. Além disso, se esquece de que a expressão escrita é muito — mas muito mesmo! — mais do que escrever frases gramaticalmente corretas.

Então, seja crítico! Quando você pega uma história para betar, deve ‘entrar’ na história, avaliar o enredo, as personagens, tudo. Para tanto, é necessário ter mente aberta e um excelente senso crítico. Lembrando que criticar não significa humilhar e utilizar-se de piadas maldosas. Avalie a história, veja todas as inconsistências e aponte-as para o autor. Não tenha medo de ser sincero, só tome os cuidados necessários para não ofender ou influenciar o autor a modificar sua história. Tudo não pode passar de uma sugestão.


b) Hipercorreção — o autor/avaliador escreve: “ele colocou a ‘pia’ na lanterna para procurar as ‘teias’ de aranha.” O candidato vai lá e corrige: “ele colocou a ‘pilha’ na lanterna para procurar as ‘telhas’ de aranha.” “Pilha” ficou certo, estrelinha na testa, mas não existe “telha” de aranha, não é mesmo?

Dessa forma, nada de “corrigir em excesso”. Primeiramente, como beta, o seu objetivo é guiar o autor. Lembre-se de que você vai ajudá-lo a melhorar sua escrita através de dicas, explicações, inúmeras pesquisas, dentre muitos outros aspectos. Sempre tenha em mente esse objetivo, pois muitas vezes você pode salvar uma história. Betar não é simplesmente sair corrigindo vírgula, acentuação e formatação errada.

Cada autor tem o seu jeito de escrever, por isso, do mesmo jeito que um beta pode salvar uma história, pode destruí-la. “Corrigir em excesso” não ajuda, pelo contrário, atrapalha. Isso é o que chamamos de hipercorreção. Este é um dos principais erros nos testes da Liga. Aprofundando um pouco mais no tema:

Segundo o dicionário de linguística Dubois (2002), hipercorreção corresponde à busca do uso correto que se eleva “acima da correção” em uma língua. Resumindo, é um esforço exagerado para escrever o que consideram como correto. O teste da Liga pede para que você aponte o maior número de desvios possíveis, mas é bom levar em conta que é impossível fazer um texto perfeito e que muitas vezes o candidato irá corrigir o que não deve e ser desclassificado.

c) Trocar o que está certo pelo que está equivocado — é muito próximo ao tópico “b”, mas aqui é algo mais generalizado. Nesse caso, o autor escreve: “comi pão com ‘muçarela’ ontem”. Nosso amado candidato tacha “muçarela” e troca por “mussarela”. E, creiam-me, se escreve "muçarela" mesmo. Vai marcar alguma coisa como equívoco? Mesmo que seja algo com que você esteja acostumado, não custa nada pesquisar, por desencargo de consciência, verdade?

Assim, pesquise e revise o que escreveu: esse é um item muito importante quando se está betando uma história. Como todo ser humano, somos passíveis de erros, mas no caso do beta reader, que irá apontar falhas e sugerir correções para o autor, não é nada legal ensinar errado, não é mesmo? Por isso, as pesquisas são imprescindíveis. Pesquise! Deixe mais de dez abas abertas no seu navegador, mas pesquise.

Também é super importante revisar o que você escreve; uma vez que estará sugerindo correções, não irá pegar nada bem o autor ver erros desastrosos na sua betagem. Além de causar constrangimento, fará com que você perca uma boa parte da confiança do autor.


d) Fazer uma betagem por cores e, ou não colocar legenda, ou colocar tantas cores que fica impossível entender a legenda — esse é quase autoexplicativo. O candidato supõe que o autor/avaliador já conhece as cores (ou mesmo já conhece o método “Bob Marley”, não sabemos ao certo) e, no fim da betagem, o texto se parece a uma “árvore de natal”, mas está ininteligível.

Ao fazer o teste, então, não deixe o texto ‘poluído’. Isso significa que é para sair mexendo (editando) no texto do autor? Não, meus caros, não é isso. Em hipótese alguma você irá “mexer” no texto do autor, a menos que seja para algo muito simples como um travessão, ou uma vírgula. Mesmo assim, o autor deve ser avisado destas mudanças porque quem irá corrigir tudo é ele.

Quando falamos de ‘poluição’ no texto, nos referimos à poluição visual. Existem diversos métodos de betagem, não existe um padrão e por isso cada um irá se adequar ao que for mais cômodo. O problema surge quando o método utilizado faz o autor ficar confuso, como o já citado ‘método Bob Marley’, ou seja, quando você usa as cores para indicar o que está fazendo no texto do autor. Fica um efeito bonitinho, mas, ao ser usado de forma errada, causa muita dor de cabeça. Imagine uma história repleta de erros: simplesmente fazer uma legenda e colorir o texto todo fará com que o autor tenha que voltar para cima toda hora só para saber o que cada cor significa. Isso torna a correção muito mais cansativa. Então o método “Bob Marley” está errado e não é bom para ser usado? Não. Muito pelo contrário, adapte-se ao método de betagem que acreditar ser melhor, mas pense antes de tudo no bem estar do seu autor.

Atenção especial na hora de apontar as falhas de um texto apenas sublinhando, seja tachando ou escrevendo observações no final do capítulo, pois eles também geram poluição visual e cansaço.


e) Destratar o autor — há duas formas de fazer isso: 1. Quando o beta pensa que o autor/avaliador é “idiota” e fica, por meio de uma arrogância bem intencionada, se sobrepondo às ideias do autor; 2. Quando o beta fala mal mais da pessoa do autor/avaliador que do texto, ou seja, aqui ele é descarado mesmo. Como foi dito acima, se um beta (no extremo de um lado) não corrige somente gramática, tampouco (no extremo oposto) é coautor da obra. Ele sugere coisas, não “diz o que é melhor”, mas o que “lhe soa melhor”. Preste atenção na diferença entre as duas frases.

E isso é o mais importante de tudo! Trate bem o seu autor. Lidar com as pessoas não é a tarefa mais fácil do mundo, logo um beta deve ser expansivo e sociável. Quando se está betando uma história, é necessário tomar muito cuidado com o que irá ser dito. Um primeiro contato com o autor antes de betar é essencial, pois assim você será capaz de saber seus objetivos e expectativas para a trama. Dependendo do método de abordagem utilizado, você irá se meter em situações embaraçosas. 

Tenha paciência e seja gentil, essas são as palavras-chave para ser um bom beta. Cada pessoa possui um ritmo e você deverá se adequar a cada um deles.


Acreditamos que com estes cinco itens você será capaz, não só de se preparar melhor para os testes de admissão da Liga, como também estará apto para betar uma história, mas não se esqueça de sempre aprimorar seus conhecimentos. Conhecimento é poder. 

Esperamos que todos tenham gostado, e até a próxima!

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Material consultado




Blog Karina – Meireles/beta reader, disponível em: http://karina-meireles.blogspot.com.br/2012/04/beta-reader.html

Blog da Liga dos Betas – O que é um beta reader, disponível em: http://ligadosbetas.blogspot.com.br/2013/02/o-que-e-beta-reader.html


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[Pedido] Como narrar cenas de briga verbal

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Por: Letícia G (Beta reader – Liga dos Betas)

“Sem contrários não há progresso. Atração e repulsão, razão e energia, amor e ódio, são necessários à existência humana.” William Blake, poeta inglês, em O casamento do Céu e do Inferno.

Grandes histórias são nascidas de conflitos, físicos ou não. Há sempre aquele momento em que ficamos tensos aguardando o próximo movimento do personagem, ou a palavra dita que mudará toda a história. E isso é fato. Narrativas nascem e se desenvolvem em torno de embates. E qual é a melhor maneira de se expor um conflito do que através de uma discussão? 

Não há dúvidas de que, se convenientes e condizentes com a história, brigas físicas são um excelente recurso de avanço da narrativa, mas quando se trata de um desentendimento oral, o nível dramático que se pode alcançar é muito maior, pois é ali que segredos e sentimentos são revelados. Assim, exponho aqui algumas dicas e orientações que podem auxiliá-los na construção de uma discussão, e da própria história, por consequência.


Não crie conflito a partir do nada

Grandes discussões não começam porque Fulano decidiu sentar no banco da janela, mas o Cicrano queria ver a paisagem. Desenvolva o conflito através de momentos anteriores, ou questões acumuladas que vêm à tona. Crie um embasamento para o problema, senão ficará completamente sem sentido e desanimará os leitores. Certamente é algo mais trabalhoso de se construir, mas se deve prezar pela qualidade do texto, não pela rapidez dos acontecimentos.


Não distorça as personalidades dos personagens

Conflitos são trabalhosos, traiçoeiros. Às vezes uma expressão mal elaborada pode confundir toda a cena, e deve-se estar constantemente atento para evitar uma descaracterização do personagem. Quem não acharia no mínimo estranho ver o todo poderoso e orgulhoso Tywin Lannister chorando numa discussão com o Jaime? Situações como essa até poderiam ocorrer, mas apenas depois de um enredo muito bem construído, e que levasse o leitor aos poucos a ver o personagem de outra forma. De qualquer modo, é algo perigoso, evite fugir dessas mudanças. 


Mantenha o foco da discussão em mente

Esse e um dos maiores problemas quando se escreve uma briga verbal: desviar-se do assunto principal. Dificilmente uma briga plausível começaria porque Fulano teve um caso e traiu o outro e terminaria com Cicrano chorando porque a mãe morreu e o outro não estava lá. A situação pareceu confusa? Pois é assim que o leitor fica quando as brigas perdem seu propósito ou abordam coisas demais. Mantenha o foco.


Utilize-se de sentimentos e descrições psicológicas

A dica parece um tanto óbvia, mas nem tudo é tão perceptível assim. Já vi várias cenas de discussão secas, onde eram apenas as falas dos personagens, e nenhuma narração sobre o seu estado psicológico. Ainda que essa prática dê mais velocidade à cena, não é muito aconselhável por manter em aberto os sentimentos dos personagens. Nem tudo fica claro através de uma fala, e é necessário expor isso. Descreva no que o personagem está pensando, se alguma lembrança vem à mente, ou se alguma palavra ativou um sentimento nele. Mas tome cuidado: não escreva longos parágrafos descritivos entre as falas, ou, ao chegar ao final, o leitor já terá se esquecido do que o personagem falou.


Combine o cenário com o teor da briga

Quando digo isso, não quero dizer que é para colocar os móveis da sala sacudindo e pulando porque Fulano está com raiva. Mas, geralmente, quanto um sentimento está muito forte numa pessoa, ela tende a ver as coisas daquele jeito. Quem nunca viu uma cena de filme em que o personagem está tão feliz que o mundo parece sorrir para ele? Um perfeito exemplo é no filme 500 dias com ela, logo depois que o casal passa a noite juntos pela primeira vez.

A seguir está um exemplo de uma pessoa vendo a mesma cena sob duas ópticas: quando está se sentindo feliz e leve, e quando está no meio de uma discussão com o namorado.

Alana saiu do prédio e franziu os olhos sob a luz forte do sol. O dia estava quente, e a cidade parecia mais viva do que nunca. O barulho das ondas batendo nas rochas era fraco, suave, mas nunca nada pareceu tão confortável à jovem. Sentia-se livre, feliz, e inatingível. Era só ela ali, e nada a afetaria.
Alana saiu do prédio e logo se incomodou com o sol quente em sua pele. Escutou os passos apressados de Connor tentando lhe alcançar, quem sabe para se explicar, quem sabe para mentir. Talvez os dois. A jovem caminhou em direção à calçada oposta, irritantemente consciente do barulho das ondas batendo nos recifes. A cidade estava cheia, e tornava difícil a caminhada, mas Connor a alcançou mesmo assim.

           Perceberam a diferença? Espero que sim. Usem disso com confiança em seus textos, mesmo em cenas que não se restringem a brigas e conflitos.


NÃO ESCREVA TUDO EM CAIXA ALTA, É IRRITANTE!!!!!

E não coloquem mais de um ponto de exclamação ou de interrogação, ou qualquer outra coisa. Por favor. O texto fica esteticamente feio, incomoda. Se você precisa falar que o personagem está gritando, só escreva isso. “... — Fulano gritou.” Viu? Não é difícil, e há milhões de verbos e advérbios que podem perfeitamente explicar a urgência da fala do personagem. Também é importante deixar claro que discussões nem sempre precisam ser aos berros. Uma pessoa parece muito mais ameaçadora quando fala num tom mais baixo, por exemplo. 


Faça listas

Antes de começar a escrever a cena, liste quais são as partes essenciais da discussão, quais são os tópicos que necessitam ser abordados, que são obrigatórios para a continuação do enredo. Parta deles e crie outros núcleos para a briga, mas não se estenda demais, ou o foco se perderá. Também não utilize frases compridas demais, seja o mais sucinto possível em sua listagem, para que, no momento da escrita, não se limite apenas ao que já foi pensado. Particularmente, sugiro que se faça um esquema radial, pegando a ideia principal, colocando-a ao centro, e adicionando ideias posteriores e anteriores ao fato central na narrativa. Acrescente detalhes psicológicos, frases impactantes, descrição física. Não se preocupe com repetição de palavras, apenas você verá o esquema. Segue um exemplo:


Connor alcança Alana, e vê que ela está chorando
Alana tenta se esquivar, mas Connor a faz olhar em seus olhos
Alana confronta Connor sobre a traição – fato principal

Ele procura, mas não encontra desculpas. Arrepende-se

Ela se despede com pesar, raiva e mágoa

Connor fica para trás, encarando o chão


Isso foi um exemplo bem básico, basicamente um clichê, mas apenas para facilitar a compreensão. Tente inserir em seu planejamento, os momentos anteriores e posteriores à discussão em si, como ela surge como termina, assim ela não ficará solta dentro do enredo.

Por último, mas não menos importante, não faça discussões sem propósito, apenas para movimentar a história. Fica cansativo e enjoativo, e geralmente conflitos arranjados duram muito pouco, o que não traz profundidade alguma ao texto. 

Leiam também, todo tipo de texto é bem vindo para quem procura evoluir. Encontrem seu próprio estilo narrativo e desfrutem dele, inspirem-se nos grandes escritores, modernos e clássicos. Sempre há brigas verbais e toda uma obra escrita a partir disso. Façam, portanto, a sua própria.



Material consultado: 



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[Pedido] Como narrar cenas de luta

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Por: Jean Claude 
(Beta reader Liga dos Betas)




O que se fazer quando não se sabe o que pôr numa cena de luta?

A cena de luta, dependendo do tipo de fic, pode ser sua parte mais importante. No entanto, é notável que descrever essas situações pode ser, de forma ou outra, um verdadeiro desafio, pois é preciso transmitir diversos aspectos nessa parte da narração. Contudo, já adianto que dois conceitos já devem estar em sua mente: Atenção e Administração (falarei sobre esses conceitos mais adiante, no item C).

Com base nisso, apresentarei diversos elementos que devem ser notados quando uma cena de luta precisa ser escrita.

A) Personagens

Os personagens fazem toda a diferença! Existem personagens com inúmeras habilidades distintas e que, em alguns casos, podem trazer vantagens, desvantagens ou um conflito. 

Seguiremos com alguns exemplos:
  • Personagens com armas normais – Com esse tipo de personagens, temos aqueles que usam armas comuns, geralmente brancas, tais como espadas, arcos, adagas ou até as próprias mãos. Como exemplo, podemos citar Katniss Everdeen (Jogos Vorazes) ou Ezio Auditore (Assassin’s Creed). Personagens assim, de forma geral, são aqueles que conseguem fazer o que qualquer ser humano normal (com muito treino ou não) consiga fazer. Em contrapartida, é preciso lembrar que eles também se cansam.
  • Personagens com poderes especiais – Já com esse tipo, temos aqueles que possuem poderes inexistentes em nosso mundo, e geralmente fazem uso de magias ou poderes psíquicos. Além disso, eles possuem uma fonte alternativa de energia. Como exemplo, podemos citar Naruto (que usa o Chakra como fonte de energia) e Ichigo (Bleach. Além disso, por mais que ele use espada como arma, ele possui seus poderes anormais). Personagens assim costumam causar algumas catástrofes ao ambiente ao realizar seus golpes e também possuem maior resistência.
  • Personagens com características especiais – Eles são bem semelhantes aos de “poderes especiais”, mas existe uma característica que os diferem: a fonte de energia alternativa, que é ausente nesse tipo. Esses personagens geralmente possuem algum poder especial, são resistentes, mas preservam diversas características dos que usam “armas normais”. Como exemplo, podemos destacar Edward Cullen (Saga Crepúsculo) e diversos super-heróis, como o Batman ou o Hulk.

B) Ambiente

O local da batalha é essencial para uma boa descrição. Todos os detalhes precisam ser bem especificados. Por exemplo, não podemos citar só uma floresta, pois ela pode ser uma floresta aberta ou fechada, pode estar de dia ou noite (em determinadas fics, isso pode fazer toda a diferença. Por exemplo, se tivermos algum personagem que é mais poderoso à noite), pode ter uma lagoa ou não (pode ser que exista um ser capaz de usar a água como arma). 

Usando isso como base, podemos diferenciar se:

  • O lugar é aberto ou fechado – Nesse caso, temos, por consequência, a presença do céu. Num lugar fechado, as condições climáticas são ignoradas. Logo, se existe algum personagem que, por exemplo, seja um lobisomem e dependa da lua para ampliar seus poderes, fica bem claro que ele estará enfraquecido. A mesma coisa ocorre se temos um vampiro que fique em desvantagem por estar exposto ao sol.
  • As condições climáticas do local são favoráveis – Se está nevando, chovendo ou apenas um céu nublado. Essas condições possuem as mesmas influências que o tópico anterior. Podemos citar, por exemplo, os Nórdicos de Skyrim, que são resistentes ao gelo e, por consequência, resistentes a lugares nevados. Utilizar o ambiente como vantagem é uma tática usada desde sempre, pode-se citar o filme 300 como exemplo, pois eles, por estarem em menor quantidade num exército, precisam elaborar essas estratégias para garantir a vitória, isto é, eles estão trabalhando com as desvantagens, buscando reverter as circunstâncias com que o âmbito favorece.
  • A área do local é favorável – Podemos ter uma região íngreme, uma grande cratera no meio do nada, ou uma batalha em pleno ar. Para essas condições, as descrições já devem ser outras. Como no último exemplo, a força do vento pode ou não influenciar.
  • Existem detalhes adicionais – Pode ser que em uma determinada situação, algum elemento terceiro pode trazer uma vantagem ou desvantagem para algum personagem. Isso é muito comum acontecer com personagens de “poderes especiais”. Por exemplo, temos uma luta do anime Naruto e que, por algum motivo, o lugar da batalha possui uma espécie de barreira que impede a circulação de chakra (a energia alternativa deles), então eles ficam incapazes de realizar os estilos de Ninjutsu e Genjutsu (estilo de luta que exige o uso de Chakra). No entanto, os usuários de Taijutsu (o estilo corpo-a-corpo) terão vantagem, pois esse estilo não consome a energia alternativa.

C) Montando sua cena

Os dois últimos itens serviram para demonstrar a atenção na hora de escrever uma cena de luta. Vamos agora prestar atenção na parte da administração, que é quando começamos a juntar nossos fatores. No que foi dito até então, ficou claro que as lutas sempre trabalham com Vantagem x Desvantagem, o que segue mais ou menos esse caminho:

Personagens > Cenário > Vantagens > Resultado da Luta


Ao visualizarmos nosso tipo de personagem, precisamos ver como ele se encaixa na cena. Então, antes de uma cena, é recomendável que você separe algumas características dos seus personagens que estarão na luta, como será feito a seguir, numa suposta luta entre Naruto e Sasuke:



.Naruto
Estilo de Luta: Ninjutsu
Elemento: Vento (Fuuton)
Informação Adicional: Raposa de Nove Caudas (Kyuubi)
Estratégia principal: Usar clones
Fraqueza: Emocional (É notável que o ninja loiro se leva muito para emoção. Em vários casos isso o ajudou nas lutas, porém também pode ser usado como uma fraqueza).


.Sasuke
Estilo de Luta: Ninjutsu (Ambos possuem o mesmo estilo de luta, então eles estarão equilibrados nesse tópico).
Elemento: Fogo (Katon); Trovão (Raiton) (Esse caso é bem interessante, pois, nos elementos do anime, o Fogo tem vantagem sobre o Vento, enquanto o Vento tem vantagem sobre o Trovão, isto é, numa luta entre os dois, seria mais fácil o Sasuke usar jutsus de Fogo).
Informação Adicional: Sharingan (Por mais que o Sharingan copie bastante jutsus, o Naruto utiliza muito do seu Chakra da Raposa, no qual o olho não pode copiar. No entanto, ele ainda pode usá-lo para uma maior mobilidade).
Estratégia principal: O uso do Sharingan. (No caso de Sasuke, existe uma aprimoração desse poder, isto é, ele não só copia como faz uso de artifícios de defesa e também de ataque).
Fraqueza: O Sharingan. (O exemplo do Sasuke é bem interessante, pois o poder que ele mais usa trás vantagens e desvantagens ao mesmo tempo, pois a utilização contínua trás alguns problemas de visão, tais como sangramentos).


Separar ajuda bastante. No exemplo acima, foi possível fazer uma satisfatória comparação para ver como funcionariam os benefícios e os malefícios de cada um. Feito isso, agora temos que encaixá-los num cenário e, para o exemplo, vamos usar o Vale do Fim, lugar que marcou o fim da saga clássica. No entanto, vamos acrescentar que está tendo uma chuva muito forte, com ventos fortes também. Temos então:


.Vale do Fim

Local aberto. Forte chuva com ventos poderosos. Terreno com uma extensa cachoeira. Local não plano.
Analisando, vemos que a condição climática impede Sasuke de utilizar jutsus de Fogo, logo, ele terá que optar pela sua segunda opção, o Trovão, porém, como já foi visto, Trovão é fraco contra Vento, que é o elemento de Naruto e, por causa do ambiente, Naruto ganhou uma vantagem. Sendo assim, Sasuke terá que arrumar formas alternativas de se equiparar com ele e não perder a batalha, podendo usar a cachoeira como opção, visto que é uma ótima condutora de eletricidade.


Pronto, já foram encaixados os personagens no cenário.

D) Narração

Agora que temos pessoas e cenários, temos que introduzi-los numa narração. Vamos separar assim:

Motivo (Conflito) > Luta > Resultado


Comece revelando o que os trouxe ali, se foi uma briga amistosa ou um conflito sério (aproveite para descrever o cenário nessa parte). Com isso, é bom reproduzir um bom diálogo de introdução para a luta e, depois disso, que ela comece. Para esse início, veja um exemplo:


“Eles se entreolharam. O Vale do Fim estava carregado de lembranças, de uma luta que ficou no passado, mas ainda marcava o presente. A intensa tempestade fazia com que eles não se enxergassem muito bem, visto que estavam sobre uma distância considerável. Cada um estava sobre uma das estátuas, Naruto sobre a de Senju Hashirama e Sasuke sobre a de Uchiha Madara. A cachoeira em meio a eles quebrava o silêncio, até que Sasuke resolveu se pronunciar:

-Vamos resolver isso de uma vez por todas. – O Uchiha, já com seu Sharingan preparado, mantinha a mesma voz fria de sempre – E lembre-se: A luta só terminará quando um de nós sucumbir.

-Eu sei... – Naruto respondeu rapidamente. Ele não queria deixar suas emoções o atrapalhar. – Mas você é o responsável por ter escolhido essa opção. Você sabe que poderia ter sido diferente.

-Que seja! – Após a exclamação, Sasuke sacou sua arma e avançou contra seu oponente.”


Como foi visto acima, o ambiente foi descrito enquanto se mostrava o motivo de eles estarem ali e, após um breve diálogo, o combate teve início.

Agora que já foi fixada a atenção e a administração, a cena de luta pode se iniciar. É importante perceber que ambos os lados precisam estar bem ativos, isto é, se um ataca, o outro precisa defender e tem que ser no mesmo instante. Logo, a narração precisa estar dinamizada e focada na luta entre os dois e existem alguns elementos que podem colaborar com isso:

  • Gerúndio – É aquele conhecido verbo terminado em “ndo”. Ele expressa ação que está sendo feita naquele exato momento, facilitando a descrição de determinadas ações. Exemplo: “Naruto desviou do ataque surpresa, contra atacando em seguida.”. Perceba que com o uso do gerúndio, deu para descrever a evasiva e o contra ataque, tudo de forma momentânea.
  • Narração em terceira pessoa – Não é uma obrigação, porém, quando se usa esse tipo de narração, fica bem mais fácil relatar os acontecimentos, justamente porque o narrador não está participando daquilo. Esse estilo de narração ajuda ainda mais quando a luta possui três ou mais personagens.
  • Caso de luta coletiva – Quando a cena exigir três ou mais personagens em uma luta, é muito importante colocá-los em ação o tempo inteiro, para que, em um determinado personagem, não fique parado por muito tempo. Quando for uma batalha de times, a dica é sempre utilizar um como atacante e o outro como suporte, pois ambos estarão em ação e não causará confusão ao leitor, coisa que ocorreria se todos fossem atacantes. Agora, se for uma luta com mais de três e for cada um por si, tente evitar que todos se confrontem ao mesmo tempo e, mesmo que isso aconteça, ainda pense numa forma de separá-los, pois quanto mais gente lutar ao mesmo tempo, mais difícil fica de organizar a narração.

E) Conclusão

Com isso, ficou mais fácil de compreender o que constitui a criação de uma cena de luta. Por incrível que pareça, tudo é focado na organização em vez da ação. Sua cena não precisa ser uma luta milenar que dura dez capítulos e nunca tem um fim. Para uma boa cena, basta ter essa organização e respeitar os limites estabelecidos por cada personagem e ambiente, isto é, não vamos fazer com que os personagens destruam o mundo com suas batalhas nem que eles ganhem ou percam uma batalha injustamente.

Uma boa dica é acompanhar alguns animes, filmes ou até mesmo fics que sigam o gênero. Dessa forma, é possível ter uma melhor visão desse tipo de cena na própria mente, pois você passa a tentar querer reproduzir o que você viu e acrescenta o seu estilo, criando tais combates com muito mais facilidade.

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Fonte de pesquisa:

http://battlenerds.wordpress.com/2008/09/15/top-5-melhores-cenas-de-luta-de-todos-os-tempos/ - As 5 melhores lutas de todos os tempos.
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