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Personagens que vestem a perfeição (física)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Por: Anne



“Com seus lindos fios dourados sendo atiçados pela brisa tépida da tarde, Mariazinha corria pelos jardins da redondeza.
Mariazinha gostava do lugar. Vivia em Perfeitanópolis desde que nascera. Com seus três irmãos, Perfucto, Perféilo e Perfeitício, dividia uma herança milionária. Perfucto era uma graça. Desde cedo inclinado à Literatura e às Artes, parecia mesmo com uma escultura grega. O corpo escultural, os membros todos muito chamativos. O sonho de todas as amigas de Mariazinha. Perféilo era um bad boy de olhos azuis, pele branco-pálida e boca avermelhada; sempre havia gostado de boas danceterias e de paquerar as líderes de torcida. Perfucto tinha lindos olhos amêndoas, uma cabeleira ruivo-acastanhada e uns músculos de doer na alma de tão lindos!” 

Acredite você ou não, caro escritor (seja do Nyah! Fanfiction ou de qualquer outro lugar, ou mesmo do Nyah! e de qualquer outro lugar), essa é a onda. Imagino que você já tenha visto, pelo menos uma vez, uma história onde os personagens, todos — não só o(s) protagonista(s), como é de se esperar —, vestissem a perfeição física. É comum, mesmo cotidianamente, que classifiquemos o belo como irresistível. É mais comum ainda transferir seus gostos, suas preferências físicas e seus padrões, sejam eles quais forem, para as narrativas que faz. Não tô julgando, não. E, mesmo que tivesse, você poderia me dizer (a arma mais potente): “A história é minha, a fic é minha, o futuro livro é meu; faço como quiser!”. Sim, você pode e deve fazer como quiser...
Só que o pessoal da Liga tá aqui pra ajudar. Nem falo muito “o pessoal” nessa postagem, porque pode ser que eu diga coisas com as quais algum deles não concorde, quem sabe? Mas voltemos ao assunto: vestir a perfeição. Antes de falar ou criticar qualquer coisa, coloquei um texto exemplificando o que quero dizer com “vestir a perfeição”. Na maioria das vezes, a perfeição também vem em forma de caráter — o personagem que sofre demais por seu caráter benévolo, altruísta e sempre perfeito —, mas vamos falar só da perfeição física (por enquanto?), porque isso seria assunto pra outro post.
Agora vou soltar uma bomba com a qual as pessoas que estão lendo ou lerão esse post podem concordar ou discordar profundamente (mas não me xinguem):
  •      É falta de respeito vestir a perfeição nos seus personagens.

Sim, pasmem. É falta de respeito? What? O personagem não é meu? A história não é minha? Vou ter que ter regras de escrita, agora?!
Não, gente. Nada de regras de escrita. Mas é que já vi gente (e eu mesma) que se sente incomodado com essa perfeição toda. Às vezes o roteiro da história é legal, o conteúdo é até bacana, você tá interessado...
... mas aí descobre que o autor coloca padrões perfeitos em todos os personagens. Muitas vezes sem querer. Sei como é. Também sou autora, também já fui assim. E a gente sabe que, quando você começa a descrever um personagem “por alto”, sem falar como ele se parece para os demais (bonito ou feio), sempre tendemos a imaginá-lo do jeito (que achamos) bonito. Vou te condenar ou me condenar por isso? Não, é claro.
   Mas nem só de perfeição vive o homem. Sabemos que vivemos numa sociedade onde existem muuuitos tipos diferentes de beleza. Não dá pra tacar só o nosso tipo numa história, por mais que seja nossa e não vá ser publicada e que escrevamos só por hobby. Não dá, entende?
      Eu sei que a maioria dos autores que estão no Nyah! não escreve somente pra si mesmo — até porque, se fosse assim, qual seria o motivo de postar num site? Sendo assim, é sempre bom dar dicas pra que você consiga agradar seu leitor. Não que essa questão da desmistificação dos padrões perfeitos vá ajudar só ao leitor a se interessar mais pela sua fic. Nada disso. Vai te ajudar, amiguinho escritor, assim como me ajudou. O mais comum de uma escrita iniciante com poucos detalhes e pouca variedade é isso mesmo: narrar personagens sempre bonitos, usando todos os adjetivos já aprendidos nos clássicos-clichês-adolescentes. “Ah, agora você tá dizendo que tem problema com os clichês e que quem escreve clichê é amador e iniciante?!”. Não, não, para com isso. Até pra narrar clichê é preciso ter dotes. Aliás, “até” não, porque o clichê não tem nada demais, mesmo. É uma forma de escrever e roteirizar sua história como qualquer outra. Mas o fato é que, meu caro gafanhoto, nem em clichês podemos adocicar tanto as aparências. Nada disso.
    “Ah, mas cada caso é um caso, querida”. Sim, queridos, é verdade: cada caso é um caso. Ex.: numa história que envolva mitologia, a maioria dos personagens — se não todos, o que eu acho muito entendível — vai carregar detalhes estéticos quase perfeitos. Perfeitos mesmo, algumas vezes.
   O problema é quando isso acontece sem circunstâncias que justifiquem. “Mas eu ser o autor e querer que a história seja assim já não é uma circunstância que justifique, Anne?”. Bom... na verdade, é. Mesmo assim, só quero que você entenda que dá um cansaço crônico ler uma história formada por perfeição física. Dá um estorvo na leitura, dá uma ideia de que todo mundo nasceu bonito. Nos filmes, até que dá pra aguentar... Beleza atrai os olhos, isso é verdade. Mas em livros, meus caros, isso fica “vomitante”. Você cansa de ler que fulano de tal é atrativo, é sexy, é tão bonito quanto, é isso e aquilo mais. É importante que você saiba o seguinte: não quero te impor uma condição pra sua escrita ser boa e/ou sua história ser chamativa pros leitores. Eu só quero dar uma opinião construtiva.
   Alguns pontos importantes que podem modificar e desconstruir essa cultura da beleza fixa — apenas o seu tipo de beleza, e nenhuma outra — nas histórias:
  •          Aborde outras culturas — muitas vezes, abordar outras culturas é uma boa. Você diversifica as características, narra de uma forma mais rica e consegue construir detalhes mais ousados. Uma pesquisadinha aqui, outra ali e você vai andando!
  •          Baseie-se em pessoas à sua volta — quem nunca viu aquela pessoa, seja da escola, da faculdade, do dia a dia no trabalho ou das noites de saída, e quis se basear na aparência dela pra um personagem? Às vezes é muito eficiente que você pegue características físicas de pessoas que conheça e coloque lá, só pra tirar um pouco a tendência de colocar só os traços que lhe são agradáveis e bonitos esteticamente.
  •          Seja generoso em cores, físicos e consistências — aprenda a ser generoso com seus personagens. A cada 3 personagens brancos, 3 negros; a cada um negro, um pardo e assim vai. A cada 3 cabelos lisos, 3 ondulados, crespos, cacheados, afros etc. Vai misturando. A cada um esguio, um mais gordinho; a cada um mais alto, um mais baixo. Não fica em um tipinho.




Bom, pessoal, é isso! Espero que tenha ajudado.
E, lembrem-se:
A diversidade é uma das maiores riquezas do ser humano no planeta e a existência de indivíduos diferentes numa cidade, num país, com suas diferentes culturas, etnias e gerações fazem com que o mundo se torne mais completo.” (www.brasil.gov.br)

  
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POV - Perspectiva Infantil

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Por: Anne
Olá, pessoas da superfície terrena! Tudo bom com vocês? Hoje quem vem lhes falar sou eu, Anne, com a participação especial de minha primeira postagem no blog! Espero que lhes seja útil.
Outro dia eu estava olhando perguntas no Ask da Liga e me deparei com a seguinte: “(não sei se aqui é o lugar certo pra falar isso, mas...) Eu queria sugerir que, se possível, vocês fizessem um post pro blog sobre como escrever do ponto de vista de crianças. Seria uma grande ajuda pra mim, e espero que para outras pessoas também >3< Ah, e eu adoro o trabalho e esforço de vocês c:”.
Não sei quem a fez, mas queria deixar bem claro que foi essa sugestão que me deu a inspiração para esse post. Com o título alardeando o assunto de hoje e a sugestão desse anônimo camarada postada aí em cima, você já deve ter uma noção do que eu vou tratar hoje, certo?
Perspectiva Infantil: O que é?
Para explicar nossa Perspectiva Infantil, primeiro quero esclarecer o significado da sigla POV, que é bastante utilizada no âmbito das fics. POV é uma sigla da língua inglesa que abrevia “Point of View”, ou seja, ponto de vista. O POV é utilizado quando o autor quer trazer para a história (se a mesma já não for narrada assim desde o início) uma perspectiva do personagem, seja ele principal ou secundário. O que seria implantado nessa tal perspectiva, então? Na maioria das vezes, em POVs o personagem pode falar abertamente sobre o que sente acerca de determinado assunto, como vê determinada situação e, principalmente, como reage às mesmas. Essa interação mais direta com o personagem ajuda o leitor no quesito de identificação do caráter em questão, e é muito eficiente quando utilizada em fics/livros que envolvem psicopatia e outros transtornos mentais.
E isso finalmente nos leva ao nosso “POV infantil”. Um ponto de vista infantil numa história – seja em fics ou livros materiais – é um caráter ingênuo – e muitas vezes confuso – muito difícil de produzir. Um POV infantil tem que levar em consideração inúmeros fatores impostos pelo autor no caráter da criança para que fique bem desenvolvido, tais como:
Quantos anos tem o personagem?
  • A idade do personagem é um fator decisivo para o POV do mesmo. Levando em consideração os conceitos psicanalíticos, a criança, dependendo de sua idade, pode já obter conceitos de razão. O ideal é fazer uma pesquisa geral sobre as características de desenvolvimento de cada idade, para não errar na hora de elaborar o caráter do personagem e, por consequência, equivocar-se em sua perspectiva na história.
Qual é o meio em que ele vive?
  • O meio ambiente em que o personagem foi criado também é uma importante rotatória de seu POV. Tanto psicológica quanto fisicamente, o meio em que vive o personagem é decisivo para sua perspectiva pessoal. Digamos que eu tenha uma criança que nasceu e se criou numa fazenda no interior:
Consequentemente, o POV do personagem terá que se adequar à falta de toda uma rotina que nos é normal nas grandes metrópoles, e terá que conter detalhes rurais com os quais ele convive diariamente.
Agora, vamos supor que eu tenha uma criança nascida em uma cidade futurística:
Os objetos de costume do meio infantil terão se modificado drasticamente, como já fizeram de épocas passadas para a de hoje (pense nos tablets, computadores, celulares e outras tecnologias que surgiram da época de seus bisavôs para a sua), e isso terá que ser abrigado na narrativa.
Qual é sua história?
  • Principalmente o passado e presente do personagem devem ser levados em consideração. Mesmo as coisas mais simples e banais (como um trauma que a mãe pode ter sofrido durante a gravidez; um susto que levou; um desejo que não foi realizado) podem ser retratadas na personalidade e no POV dessa criança. Além disso, os fatos presentes também adequam muitos detalhes da perspectiva infantil; por exemplo: essa criança sofre Bullying? Essa criança recebe amor dos pais? Essa criança confia demais em estranhos? Caso a criança sofra abuso sexual, o que a levou a não desconfiar de nada? Seria sua personalidade ou apenas a ingenuidade infantil? E o que gerou esse abuso, quais foram os métodos que o estuprador usou para convencê-la a ir com ele? São inúmeras perguntas importantes e, talvez, esse seja o ponto que mais altera/forma o POV, tanto infantil quanto os demais.
A criança tem sua saúde mental completa?
  • Talvez esse seja o ponto mais delicado de um POV infantil. Caso a história envolva transtornos mentais, as pesquisas devem ser ainda mais acirradas e minuciosas. Se narrar um transtorno mental em condições normais já é difícil, imagine trazendo-o para o POV infantil! O grande quê da questão é ligar essa característica com os outros pontos já citados anteriormente. Um exemplo:
Eliana tinha cinco anos, vivia no meio rural, tinha TOC e sofreu abuso sexual. – Viu como cada detalhe vai influenciar no POV de Eliana? Se ela vivia no meio rural, o abuso sexual não ia ter consequências graves para o estuprador, pela falta de contato com forças superiores e de policiamento nas regiões mais pobres e afastadas da metrópole. Se ela tinha cinco anos, a idade da ingenuidade ainda não havia passado e, isso, imediatamente, se tornaria um trauma confuso na cabeça da criança. Se ela tinha TOC, esse transtorno se agravaria por conta do abuso e com certeza a tornaria diferente do que era. As pesquisas têm que vir bem completinhas aqui, e o mais importante é juntar todos esses pontos da sua fic para inserir no POV infantil o máximo de informações possível.
Como elaborar a minha narrativa?

A segunda parte do post se inicia com essa perguntinha difícil. Como elaborar uma narrativa de POV infantil? Imagino que, com as circunstâncias do personagem já trabalhadas na sua cabeça, essa parte flua com mais facilidade. Então vamos lá:
  • Narrar dentro do pensamento infantil é uma coisa, no mínimo, complexa. Pelo menos o que eu lembro sobre quando era criança não é nada simples. Lembro que, na minha ideia, os beijos de novela eram mentira, e os atores colocavam um tipo de fitinha especial nos lábios – invisíveis ante a ação das câmeras, pra disfarçar legal, é claro – para evitar o constrangimento da cena e não sentir os lábios se tocando. Lembro que pensava que minha vida era uma novela improvisada, e que os telespectadores iam, uma hora ou outra, revelar-se a mim e aos demais participantes. As crianças pensam coisas loucas, improváveis e bobas – mas é claro que a idade também influencia demais nesse quesito –, então é importante ressaltar isso na narrativa e evitar construir um Pedrinho de sete anos que já consegue bolar frases de naipe pra discutir com o Seu Alceu, de quarenta e dois. O personagem pode ter uma inteligência intrigante? Pode, sim... Acho até interessante! Mas sem sair dos aspectos infantis, por favor, e analisando os assuntos que serão tratados com essa tal inteligência, porque acho que ninguém espera ver um Pedrinho de sete anos (ainda que inteligente) discutindo sobre política com o Seu Alceu.
  • A linguagem infantil também não pode fugir do seu POV, viu? É importante saber que a criança utiliza uma linguagem amena, simples e livre de complicações. Nada de fazer o Pedrinho falar “Nós nos encontramos ontem e sentamos para conversar sobre o José”. O Pedrinho de sete anos geralmente fala assim: “A gente se encontrou ontem e sentou pra bater um papo sobre o José”. Mas não vá também colocando esse tipo de linguagem pra qualquer criança, tá? Espere aí. Como eu disse anteriormente, todas as características já construídas valerão nessa fase de narrar o POV infantil; ou seja: se você construiu um Pedrinho nascido na Europa e desde cedo matriculado em internatos dos mais altos níveis, a linguagem também não pode vir fantasiada de dialeto comum de molequinho do morro. Tente fazer pesquisas acerca disso, também.
  • A situação em que esse POV virá na história também influencia muito o dialeto e as ações da criança. Acho que com qualquer personagem, aliás, e não só com crianças, essa circunstância pode beneficiar ou danificar um POV. Por exemplo: se a mãe da criança acabou de morrer num acidente de carro, não terá sentido fazê-la falar com todas as capacidades cognitivas intactas (mesmo que ainda usando o dialeto infantil e mais informal). Você tem que saber “interpretar” aquele personagem na narrativa e fazê-lo sentir realmente as circunstâncias que lhe rodeiam. É inútil tentar fazer um POV funcionar sem utilizar as circunstâncias para moldar seu personagem; o caráter não vai ficar incólume em todas as situações. Se já foi dito no início do capítulo que a criança tem asma, quando, no final, ela sofre um forte impacto, essa asma tem que vir à baila e fazer seu papel. Com qualquer POV é importante fazer isso, viu? Também vejo muitos autores errando nessas circunstâncias (não sei se é falta de pesquisa ou só desleixo): dizem que o personagem gagueja, mas só o fazem gaguejar na frente da garota dos sonhos, se esquecem de fazê-lo gaguejar também no cotidiano. Se o personagem tem algum problema/deficiência, não se pode escolher horas específicas para elas aparecerem.
Indicações de POV:

Acho que essa vai não só para quem quer narrar POVs infantis, mas para todos os autores que narram POVs, no geral. Se sua narrativa tem POV desde o início e só é narrada em um, pule esta parte. Mas, caso você queira incluir POVs apenas em alguns capítulos, ou variá-los diversas vezes em um só, isso é pra você:
Como indicar que vou narrar em POV?
Na verdade, acho que não há um jeito correto para fazer essa indicação. Cada autor tem sua maneira. Mas, além de dar alguns exemplos de como fazê-lo, também quero deixar claro alguns meios de indicar POV que não acho legais (por opinião própria). Já viu autores que, quando vão narrar em POV, indicam assim: “Fulano ON/Fulano OFF”? Não acho isso legal. Acho meio irreverente para narrativas, mesmo que sejam apenas fics e que não haja o desejo de transformá-las em livros algum dia. Pra mim, isso é como utilizar “Huehue” – uma linguagem de internauta em uma história. Outra coisa que não acho muito interessante: indicar que vai começar a narrativa em POV, assim: “POV de Fulano”. Acho muito discrepante, sabe? Então, vou colocar aqui alguns exemplos que me são agradáveis, e que, inclusive, já vi sendo utilizados em livros com POVs de vários personagens (principais ou não):
  • Quando o POV é divido por capítulos (um capítulo é narrado com o POV de um personagem, o outro é narrado com outro POV e assim por diante):
Eliana - como título do capítulo;
(e narrativa segue normal).
  • Quando o POV entra em 1° pessoa, depois do narrador observador:
(narrativa em narrador observador)....
- parágrafo
Eliana
(narrativa de Eliana).
  • Quando o POV vem como pensamento do personagem:
(narrativa normal)
Vou matá-lo!, ela pensou. (<- o POV em itálico e descrito como numa fala normal, com parágrafo e travessão).
(narrativa prossegue).
*
Bom, é isso! Obrigada pela atenção e espero que lhes tenha sido útil. Vocês têm outras maneiras para narrar/indicar POVs? Deixem nos comentários!

Fontes utilizadas:
Experiência própria;

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[Pedido] Como descrever as emoções

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Por: Anne 


Não é nada fácil lidar com as emoções, isso é um fato. E escreve-las ou melhor, descreve-las, é fácil? 

Para muitos, não. Mas relaxem, a partir desse post, isso vai mudar.

Quem nunca se emocionou com a cena de um filme, novela e também com a de um livro preferido? São inúmeras as cenas que mexem com a gente, seja de uma forma boa, ruim, dolorosa, triste ou feliz e até mesmo amedrontadora. Quando escrevemos, queremos fazer com que os acontecimentos da nossa história sejam capazes de atingir os leitores, da mesma forma como somos atingidos quando lemos ou assistimos algo, mas essa não é uma tarefa da mais fáceis. Você visualiza em sua mente tudo tão intenso, expressivo e tocante, mas quando coloca tudo em palavras, sumiu, nada daquilo que imaginou está lá! Saiba o porquê nos dois passos a seguir. 


O primeiro passo para descrever melhor as emoções é:


Saiba diferenciar o que é emoção e o que é sentimento


Muitas pessoas se confundem com o significado dessas duas palavrinhas, acham até que sentimento é sinônimo de emoção e vice-versa, mas não é bem assim, existe uma grande diferença entre sentir (sentimento) e agir (emoção). De acordo com o site Cola da Web emoção é:


“A emoção é uma experiência afetiva que aparece de maneira brusca e que é desencadeada por um objeto ou situação excitante, que provoca muitas reações motoras e glandulares, além de alterar o estado afetivo.”



Um indivíduo muito entendido do assunto, o neurocientista português António Damásio, diz que sentimento é a forma como a mente vai interpretar todo conjunto de movimentos causados pela emoção. 

Resumindo, emoção é a ação que temos quando somos postos diante de uma situação, e sentimento é a maneira como nossa mente vai processar aquela ação.

Segundo passo: 

Coloquem seus personagens em movimento!


Como foi dito anteriormente, emoção significa agir, e não faz sentido o personagem em um momento de tristeza, por exemplo, ficar parado, sem nenhuma expressão facial ou sensações internas. Saibam que o nosso corpo também fala, não é só verbal e oralmente que nos comunicamos, a linguagem corporal é uma das formas de sabermos muitas coisas sobre o que outras pessoas estão sentindo e até mesmo omitindo, utilize essas belezinha como ferramenta na hora da descrição.


Entendido os dois passos, vamos amplificar as emoções! 


O amplificador de emoções é uma ferramenta de linguagem corporal para descrever diversas emoções e condições, como fome e desidratação, ajudando a amplificar as reações internas e externas dos personagens. Ele foi retirado de um artigo chamado "EMOTION AMPLIFIERS: A COMPANION TO THE EMOTION THESAURUS", e foi traduzido pelos membros Anne L, Laranja Lima e Gabriela Petusk da Liga do Betas, vocês podem encontrar o arquivo original AQUI (em inglês).

Nas tabelas a seguir, vocês irão saber como amplificar as emoções de atração, tédio e vício.


Atração

Atração: ter a habilidade ou poder de evocar interesse ou prazer.



Dica da Escritora: Com um estado reativo forte como a atração, tenha em mente que as expressões da pessoa variarão de acordo com sexo, idade e experiência.

Tédio

Tédio: sentimento de cansaço mental provindo de falta de interesse ou de estímulo.




Dica do escritor: Ninguém gosta de ficar entediado, mas essa sensação não precisa ser negativa. Transforme-a em positiva usando-a como um catalisador que impulsiona seu personagem a descobrir a verdade, a encontrar uma nova paixão ou a consertar um problema existente na sociedade.



Vício

Vício*: a necessidade compulsiva por uma substância, marcado por sintomas psicológicos agudos mediante a retirada da fonte.


*Nota: Embora pessoas possam ser viciadas à qualquer número de coisas, para clareza, esta estrada foi limitada para os sinais associados à substâncias viciantes.


Dica da Escritora: Quando estiver escrevendo sobre uma situação que está fora de sua experiência, consulte experts. Livros, profissionais na área, ou amigos com experiência própria podem fornecer os detalhes necessários para descrever o evento com credibilidade.


Agora é com vocês, arrasem na descrição das emoções nas cenas e até mesmo na fanfic inteira!


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Referências

http://www.institutoluz.com.br/artigos/item/128-as-emocoes-basicas-do-ser-humano
http://www.coladaweb.com/psicologia/emocao-e-sentimento
http://www.coladaweb.com/doencas/o-controle-das-emocoes
http://globotv.globo.com/editora-globo/revista-galileu/v/antonio-damasio-a-diferenca-entre-emocao-e-sentimento/2736952/
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/os-sentimentos-sao-fundamentais-para-a-sociedade-diz-antonio-damasio


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