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Escritores e Leitores de Cada Signo

segunda-feira, 24 de outubro de 2016


Por: Edgar Varenberg


Os signos do zodíaco têm sido um assunto muito popular em qualquer meio de conversa informal, principalmente na internet. Esse post contribuirá com algumas descrições, envolvendo os doze signos conhecidos, baseados em suas características, voltados para escritores e leitores. Venha ver como o seu signo se comporta na hora de se aventurar numa história!

♈ Áries (21 de Março a 19 de Abril)
O escritor de Áries é aquele que adora uma iniciativa. Ideias surgem, ideias vêm, toda hora tem um enredo sendo construído. Embora tenha grandes planos que parecem promissores de início, ele pode apresentar dificuldades em prosseguir com alguns projetos. Entretanto, com os que ele consegue prosseguir, costuma fazer as coisas acontecerem sempre, dificilmente encontrando um roteiro mais calmo, com coisas que se desenvolvem aos poucos. Na escrita, o ariano é direto ao ponto, ainda mantendo o mistério necessário para suas ideias fluírem da maneira desejada.
O leitor de Áries é aquele que adora cobrar. Deixe-o esperando por um capítulo por muito tempo e, em poucos momentos, ele estará duvidando de sua existência literária. O leitor ariano costuma buscar personagens fortes, geralmente anti-heróis, para combinar com o seu jeito diferente de ver ações sendo tomadas da forma que ele considera correto. Além disso, costuma se envolver muito com enredos eletrizantes, principalmente momentos de revelações.

♉ Touro (20 de Abril a 20 de Maio)
O escritor de Touro é aquele que gosta de ter ideias. É um farejador bom de buracos no enredo e sabe muito bem como fechá-los. Também tem certa apreciação por trazer coisas novas, de um jeito que só a criatividade deles pode trazer. É muito insistente com seus personagens, isto é, quer fazer cada um como se fosse único e igualmente envolvente; além disso, gosta bastante de coloca-los em situações complicadas.
O leitor de Touro é aquele que gosta de adivinhar. Adora fazer suposições do que vai acontecer, de como ele imagina que algo vai funcionar e é capaz até de discutir com o autor se algo não funcionou como ele esperava. Também costuma se atrair por situações em que os personagens brigam por algo ou alguém.

♊ Gêmeos (21 de Maio a 20 de Junho)
O escritor de Gêmeos é aquele que gosta de contrastes. Histórias felizes com finais trágicos; situações tristes com finais felizes, provavelmente estamos falando da obra de um geminiano. Isso porque o seu foco é sempre procurar as coisas boas em lados ruins e vice-versa, tornando os seus textos verdadeiros espaços de desconfiança para os leitores, que, por mais que percebam um possível padrão nisso, nunca sabem o que esperar.
O leitor de Gêmeos é aquele que gosta das contradições. Não os erros de contradições, mas sim os personagens que cometem erros, geralmente grandes. Os geminianos costumam ser atraídos por histórias resultantes de erros, ou geralmente conteúdos em que o personagem precisa escolher entre duas coisas, numa indecisão mortal. Típico. 

♋ Câncer (21 de Junho a 22 de Julho)
O escritor de Câncer é aquele que gosta das uniões. Gosta de ver seus personagens se envolverem e de trabalhar plenamente em suas emoções, tanto negativas quanto positivas. Amante de um bom drama, essencial para o seu lado escritor é procurar as inspirações em pequenas coisas como música de fundo, aromas; tudo para imergi-lo dentro do próprio enredo.
O leitor de Câncer é o admirador da arte de shippar. Ele, em primeiro lugar, procura logo um shipp para chamar de OTP; envolvendo-se fielmente naquela união. Portanto, ler uma história de um casal passando dificuldades pode trazer bastante angústia para um canceriano que tenha pegado algum tipo de ligação com esse casal; embora seja mais fácil, para ele, gostar de uniões no geral.

♌ Leão (23 de Julho a 22 de Agosto)
O escritor de Leão é aquele que constrói enredos esperando o final. Enquanto geralmente os escritores têm suas ideias baseadas em um acontecimento específico, em tratar de um assunto; o escritor leonino é aquele que planeja suas histórias para um fim bombástico. Para ele, o fim justifica todos os meios e inícios do seu enredo e, portanto, ele é capaz de mudar qualquer ponto na história dele para que o fim aconteça daquele jeito espetacular que ele sempre sonhou.
O leitor de Leão é o ansioso. Ele é aquele que procura sempre o agora, um impacto diferente a cada capítulo. Se o título, capa ou qualquer coisa pré-leitura impactar, ele vai chegar e vai ter interesse, e esperar que isso continue. Além disso, costuma ter muito apreço por personagens corajosos, intimidantes e com algum tipo de passado difícil.

♍ Virgem (23 de Agosto a 22 de Setembro)
O escritor de Virgem é o que aprecia um bom e longo planejamento. É daqueles que só começa a escrever quando tem todas as ideias prontas, isto é, nada de ir decidindo ao longo do caminho. Gosta daquilo que é bem feito e reconhece isso em detalhes que só ele é capaz de enxergar, pois, afinal, só ele que procura se interessar por detalhes desse tipo.
O leitor de Virgem é aquele que gosta de descrições, sejam elas explícitas ou não. Ele quer imaginar aquilo que não foi dito nem colocado para ser lido. Além disso, costuma ser muito paciente, do tipo que lê todo um enredo monótono para ter a esperança de ter algo no final, o qual julga valer a pena o esforço. Gosta muito de personagens críticos e estratégicos.

♎ Libra (23 de Setembro a 22 de Outubro)
O escritor de Libra é eclético, é comum ver seus textos trabalhados em diversos temas, situações, formalidades. Por que não juntar aquele suspense todo com um pouco de comédia? Por que não adicionar um pouco de ação naquele drama bem planejado? Com todas essas junções e o conhecimento adequado de que as coisas se misturam e formam outras coisas interessantes, o escritor libriano sabe como trazer diversidade para os seus leitores.
O leitor de Libra gosta de elogiar. Claro, isso não significa que ele vai sair por aí elogiando qualquer um e a todos sem motivo algum; na verdade, pode ser difícil arrancar um desses elogios, mas é importante saber que ele gosta e faz com prazer. Gosta de personagens com bastante positividade e que contribuam muito com o enredo, geralmente protagonistas.

♏ Escorpião (23 de Outubro a 21 de Novembro)
O escritor de Escorpião gosta de atrair, e seus textos não indicam bem, no início, o que ele quer dizer. O escritor escorpiano é o amante do jogo de palavras e das figuras de linguagem, muito vem da interpretação do próprio leitor, mas ele busca atrai-los com tamanha subjetividade. Além disso, possuem muitos mistérios no enredo os quais, por preferência, não são revelados.
O leitor de Escorpião é poético. Ele consegue ser eclético, mas sempre busca mensagens mais profundas, muitas vezes particulares, no meio de tudo. Gosta de ver personagens misteriosos e situações dramáticas na medida certa. Além disso, é um apreciador de grandes reflexões estimuladas pela história, as famosas lições de moral.

♐ Sagitário (22 de Novembro a 21 de Dezembro)
O escritor de Sagitário é o apaixonado. Como sempre, o sagitariano coloca todo o seu corpo e alma naquilo que faz: escrever. Gosta de contribuir com obras de muito significado, mesmo que exageradamente individual, e é muito diverso também, equilibrando originalidade, paixão e foco. Entretanto, os resultados desse fervor são misteriosos até para ele mesmo.
O leitor de Sagitário é o animado. Gosta de ver as histórias acontecendo, do tempo real, mas sem deixar de, também, pensar no futuro; ou seja, é um leitor que se anima com o meio da história. Busca personagens independentes para se inspirar e se colocar na realidade junto com eles, de forma até mesmo para trazer essa inspiração para o seu próprio cotidiano.

♑ Capricórnio (22 de Dezembro a 19 de Janeiro)
O escritor de Capricórnio é o anacrônico. Gosta das coisas do jeito antigo, buscando inspirações de atores mais clássicos ou de qualquer outra forma que ele encontra e julga como superior. É muito focado em objetividade e tratar de assuntos simples, sempre na margem de trabalhar com o que é suficiente, ou seja, não é fã de enredos complicados se não ver a necessidade disso; por isso, é extremamente hábil em nivelar suas necessidades.
O leitor de Capricórnio é o objetivo. Não costuma ser muito seletivo, mas pode ser difícil de agradar; seu principal foco como leitor é justamente achar o que procura sem muitos rodeios, geralmente preferindo temas de maior racionalidade, envolvendo comportamento ou forma de pensar. Não costuma gostar muito de obras que escapam muito da realidade nem personagens indecisos.

♒ Aquário (20 de Janeiro a 18 de Fevereiro)
O escritor de Aquário é o revolucionário. Está sempre em busca de enredos novos, histórias nunca antes contadas, e ele nem se preocupa tanto se isso está fazendo sentido ou não, se pode ou não ser compatível com a realidade; o que importa, para o escritor aquariano, é a forma com a qual ele pode se expressar livremente na sua obra e, ainda assim, atrair leitores que estejam interessados em observar esse ponto de vista diferenciado.
O leitor de Aquário é o sonhador. Ler, para ele, é um convite aberto para a sua imaginação própria. Simplesmente, ele não lê sem escrever e vice-versa, tornando, assim, um usuário de um ciclo inevitável de leitura e escrita constantes. Gosta de personagens interativos que costumam quebrar seus próprios limites que, na verdade, jamais foram estabelecidos.

♓ Peixes (19 de Fevereiro a 20 de Março)
O escritor de Peixes é o produtor. É capaz de criar uma infinidade de situações, universos e afins e, ainda assim, se desejar, unir tudo em uma coisa só. Está interessado em temas populares bastante explorados, mas, mesmo assim, arranja um jeito de explorar aquilo de uma forma completamente nova, mesmo que esteja taxado como um extremo clichê. Também gosta de assumir diversas personalidades diferentes enquanto narrador.
O leitor de Peixes é o viajado. É aquele que busca uma interpretação extra para tudo, geralmente “só para ver no que vai dar”. É muito fã de debater os acontecimentos com outros leitores e de explicar teorias, fatos e quaisquer coisas que rendam assunto sobre determinada obra. São amantes de personagens carismáticos, porém incertos de como agir em momentos importantes da vida.

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Todo conteúdo apresentado aqui é puramente de conteúdo abstrato, sem nenhuma base científica ou espiritual, como qualquer astrologia popular, o intuito é apenas de entretenimento. Espero que tenham gostado.
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Reconhecendo Uma Ideia Ruim

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Por: Edgar Varenberg

É muito comum que a vida de um escritor seja repleta de momentos aleatórios em que, de repente, temos uma ideia. Seja para algo novo ou para algo que ainda está sendo desenvolvido, diversas situações, palavras ou até mesmo outras obras implicam aquela movimentação nas “engrenagens” do cérebro. Entretanto, também passa pela mente de alguns a insegurança da tal ideia realmente é aplicável, isto é, se ela é boa ou ruim. Este artigo trará algumas dicas e exercícios que podem ajudar a reconhecer se essa ideia é ou não o esperado.

Primeiramente, reflita sobre a dimensão da ideia. É algo difícil de desmembrar? Tem muita quantidade de informação? Vejamos as situações mais comuns de quando a ideia é:

  1. Muito complexa ou quantitativa: caso se trate de uma ideia nova, significa que é um bom caminho a seguir, afinal, enquanto construímos nossas ideias, é muito comum cortarmos muito material, como um processo de polimento. Entretanto, se for para uma ideia para algo em desenvolvimento, é necessário se policiar quanto a isso, porque quantidade em excesso, nesse caso, pode implicar num desvio da sua ideia original (a que já estava em desenvolvimento). Normalmente, quando temos ideias mais quantitativas, elas estão orientadas para algo novo.
  2. Muito simples ou pequena: é evidente que para uma ideia nova, até mesmo para projetos pequenos (como, por exemplo, uma one-shot), é insuficiente; inclusive, a teimosia de seguir ideias assim costuma gerar bloqueio criativo. Já para projetos em andamento, já é possível uma reflexão sobre como aquilo pode contribuir, desde um detalhe importante sobre um personagem ou fato a até mesmo um pequeno acontecimento em um dos capítulos.

Outro ponto importante a ser trabalhado é a expectativa da ideia. Às vezes temos a falsa impressão de que uma ideia não funcionou por não ter parecido “tão legal” quando passada para o papel, mas as expectativas mudam de pessoa para pessoa, portanto, costumamos realizar aquele velho e bom ato de perguntar aos outros, pedir opiniões.

O terceiro ponto envolve o formato da ideia. Uma ideia pode assumir quatro formatos diferentes, que, por consequência, atuam de maneira distinta num projeto, e é elaborada conforme o seu tipo e cada tipo tem sua função própria no texto. São eles:

  1. Formato lógico: A ideia perante um conceito, um significado. Basicamente é o formato que mais conhecemos (e costumamos dizer que apenas isso é “ideia”), é tudo aquilo que é concreto e possível de se passar para o papel. É a “coisa pronta”, podemos dizer.
  2. Formato ontológico: A ideia perante a si mesmo, se o material é possível no real. Basicamente são conceitos que decidimos, conforme nossas próprias capacidades, se é utilizável ou não. Geralmente, quando a resposta é negativa, encaramos a ideia como algo absurdo.
  3. Formato transcendental: A ideia acima do conceito de ideia, quando é algo que não se conhece e você ainda precisa alimentar o conhecimento por trás disso. Geralmente é assim quando experimentamos coisas novas ou entramos em contato com ideias ontológicas alheias.
  4. Formato psicológico: A ideia perante informações subjetivas no nosso inconsciente, o formato em que se encontra a fonte das demais e que é alimentada pelas experiências da vida, também pode ser enxergada pelas inspirações ou o que nos inspira (embora não seja totalmente isso, já que este é um conceito mais perto da criatividade).

E como saber disso ajuda, afinal, a identificar uma ideia ruim? O primeiro passo é saber diferenciar esses conceitos para que não haja confusão. Muitas vezes achamos que uma ideia é ruim, por exemplo, por acharmos um absurdo; mas, na verdade, como foi visto, isso é simplesmente uma ideia ontológica, que só não se encaixa nas próprias capacidades; é um recurso que realizamos automaticamente e nos impede de trabalhar coisas que nunca estaria compatível conosco. Ou que a ideia ficou pequena demais e, portanto, necessariamente, é ruim; vimos que não é bem assim.

Contudo, o fato de reconhecer ideias ruins não se encontra nesses meios óbvios. O exercício disso deve ser justamente em situações aparentemente imperceptíveis, as quais achamos que tudo está perfeitamente aplicável, mas pode, na verdade, não estar. Juntamente com o conhecimento de saber separar esses conceitos de ideias, existem dois exercícios muito úteis para essa situação:

Situação 1 

Você se encontra numa situação onde tudo se encaixa perfeitamente, sua ideia tem início, meio e fim, é só colocar em prática. É muito provável que você esteja se deparando com uma ideia ruim. Afinal, todo projeto passa por modificações, tanto pessoais quanto externas. Basta rever os formatos de ideia, ou seja, um projeto está fadado a passar por pelo menos aqueles quatro formatos, essa linearidade que você vê inicialmente na sua ideia vai ser quebrada cedo ou tarde. 

Um ótimo jeito de contornar isso é, primeiramente, aceitando que por mais perfeita que a situação pareça ser, você pode estar lidando com uma ideia ruim. Tente mudar algumas situações, ver se fica melhor ou pior. Esse senso crítico que você estiver exercitando vai te ajudar não só a ver se o seu projeto realmente pode seguir outro caminho, mas também serve para olhar a ideia, antes totalmente perfeita, com uma visão mais crítica. Se você tiver dificuldades com senso crítico, pode sempre chamar um amigo ou um beta-reader. Ser crítico amplia horizontes e abre portas para uma ideia ter mais de um conceito.

Situação 2

Você está com uma ideia, porém se encontra totalmente em dúvida sobre valer a pena ou não; além disso, não quer arriscar colocar em prática só para descobrir que isso, futuramente, vai ser como você queria ou não. Realmente não dá para prever o futuro, mas essas quatro perguntas a seguir podem ajudar a ter um esclarecimento mental:

  1. A ideia veio realmente de uma inspiração ou de um impulso temporário em ter visto algo maravilhoso?
  2. O meu eu de x anos atrás planejaria algo assim?
  3. Eu realmente faço ideia do que eu estou fazendo?
  4. Eu seria capaz de ter essa ideia novamente?

Como muitas coisas na vida, fazer as coisas por impulso tendem a nos levar para o erro. Inspiração é algo que nos vem e permanece, admiração é algo que acontece enquanto estamos ali para admirar e, no processo criativo, isso nos instiga a querer “fazer parecido”; e esse desejo de fazer parecido nos leva a ideias ruins.

Se você se considera um ser em constante evolução, coisa que é comum entre os escritores, olhar para o passado pode ser uma ótima opção. Se a resposta para a pergunta “2” for sim, considerando que você se considera em constante evolução, esteja em mente que é muito provável que você esteja segurando uma ideia ruim. Desapega!

Essa vai para os ambiciosos de plantão, que se esforçam bastante para ter a ideia triunfal e mais bem trabalhada de todas. Antes que me joguem pedras, não tem nada de errado em se esforçar demais com isso, mesmo que seja extremamente trabalhoso. No entanto, a pergunta “3” pode ter pegado alguns desse tipo de surpresa. E se a resposta foi não... Ideia ruim.

O melhor artifício que um escritor pode ter é a mente e a criatividade que funcionam constantemente, por dias, abordando uma infinidade de assuntos. Mas escritores também são pessoas e pessoas são muito passageiras, assim como ideias. Uma ideia forte é aquela que não é tão passageira assim, algo bom para refletir. E a última pergunta foca justamente nisso: a ideia é algo passageiro assim como o meu eu naquele momento em que a tive ou é algo que com certeza eu pensaria hora ou outra? Se você não consegue enxergar aqui sempre como novo e intenso com o passar dos dias, a ideia ruim é uma possibilidade.

Enfim, o conceito de ideia ruim não fica preso a coisas inviáveis ou rejeições pessoais; com esse artigo, o que desejo é que vocês enxerguem como ruim aquilo que não é praticado, que pode se tornar um obstáculo e, futuramente, atrapalhar mais do que ajudar, ou simplesmente ser algo que não vai para frente, que não produz. Afinal, são ideias ruins.


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Uma reflexão sobre o processo criativo (03/03)

quarta-feira, 29 de junho de 2016


Edgar Varenberg 

https://fanfiction.com.br/u/581877/


Nesta terceira e última parte do artigo, chega a oportunidade para refletirmos sobre o conceito de potencial criativo. Nos textos passados, encaramos fatos sobre consciência e memória criativas, vimos a singela relação entre elas e, para fechar o nosso trio de relações, é a vez do potencial.

Temos como potencial criativo tudo aquilo que podemos fazer para expressar nossa consciência e memória; isto é, é o momento do nosso processo criativo em que sabemos o que estamos fazendo e aplicando nosso conhecimento, muito encontrado, geralmente, em recursos literários ou até mesmo quando você está discutindo com o seu beta a melhor maneira de representar uma ideia.

Com isso em mente, a ideia de potencial vem do plano concreto de já se saber o que fazer, ou seja, vem do pressuposto da linhagem da consciência criativa e da memória que já foram refletidas antes (por isso deixei para falar do potencial por último).

É simples. A consciência criativa trabalha com aspectos existenciais do seu texto; a memória com aspectos teóricos; e, por fim, o potencial trabalha com a parte prática, aquilo que nos faz “colocar a mão na massa”. E ela é formada justamente da soma consciência + memória.

Consciência + Memória = Potencial

Como eu disse mais acima, encontramos mais comumente essa etapa do processo criativo em recursos literários e discussões. Por que isso? Bom, os recursos literários são o uso concreto de toda uma reflexão que se tem acerca da literatura; por exemplo a aliteração, que é a repetição de fonemas no início de cada palavra durante a mesma frase para causar um efeito estilístico; temos por consciência saber que esse recurso não se usa naturalmente, ou seja, ele é pensado; ter a consciência de que isso não é natural da nossa mente, mas que pode ser configurada mesmo assim, apresenta evidências da consciência criativa, daí passamos a aplicar as palavras com as tais repetições, palavras estas que surgem da nossa memória, é essa memória que vai decidir o conjunto de palavras que você quer usar, qual o fonema que soará mais agradável para o seu texto, tudo diante das palavras que você já conheceu ao longo da sua vida, apresentando evidências da memória criativa.

A união de toda essa bagunça, da forma como trabalhamos isso para caracterizar nosso texto, e usamos, buscamos saber se causou um efeito legal (geralmente perguntando aos outros ou simplesmente seguindo nossos instintos), tornar isso mais frequente e construtivo na sua história apresenta as ideias do potencial criativo.

Agora que temos uma maior noção dos três principais termos, que tal vermos como isso se aplicaria numa construção de enredo? Consideremos a seguinte linha do tempo:

Abstrato – Memória – Rascunho – Potencial 1 – Ideia – Consciência – Potencial 2 – Enredo – Escrita

Primeiramente, quero esclarecer que essa não é uma linha do tempo obrigatória, que TODO processo criativo se passa por ela, muito menos de que é o único caminho. Lembremos que o objetivo deste artigo é apenas propor reflexão, não orientar necessariamente sobre algo, até porque orientar sobre processo criativo é uma coisa muito individual.

Pensa naquele momento que você está, por exemplo, voltando para casa, num transporte qualquer, ou até mesmo caminhando, e diversos temas começam a perambular pela sua mente; temas estes que começam a te despertar um interesse inicial por criar uma história ou acrescentar algo numa que já exista. Vamos denominar isso como Abstrato.

E então, dentro deste abstrato, começamos a recuperar informações que já estão na nossa consciência, ou prontamente ao nosso redor, seja conteúdos de outros textos ou um personagem que te inspira, ou até o que você almoçou na tarde da semana passada; são informações que já estão na sua mente que servirão para dar forma a essa abstração, e falamos deste tipo de informação antes, certo? Lá no segundo artigo, isto é, a Memória.

O objetivo da memória, como dito no parágrafo anterior, é dar forma à abstração. Porque, em forma, além da melhor visualização das suas informações, você tem ali base para construir algo, editar, mostrar para outros, obter opinião. Essa informação já concreta, já com forma, denominaremos de Rascunho.

E qual é o objetivo do rascunho? Mexer, remexer, pedir opinião, tudo que já citei acima, certo? Afinal, sua informação já tem forma, já está sendo bombardeada de informações, então é hora de refinar com todos os recursos que você tem disponíveis. E essa ideia de recurso nos lembra de qual conceito? O de Potencial.

Então, revisadas e refinadas suas informações, passada por opiniões (seja dos outros ou a sua própria), já temos um novo nível de criação, certo? Com tudo isso, com algo que já saiu do papel, já saiu da área de rascunho, já podemos dizer que temos uma Ideia. Basicamente, aquilo que se quer transformar numa história.

E é com a ideia que começamos a colocar nossa mente para funcionar, para vermos certos detalhes que foram questionados na primeira parte do artigo, ver o quanto você domina essa ideia e o quanto ela é simplesmente construída inconscientemente, e tentar equilibrar isso a seu favor. Como vimos na primeira parte do artigo, são as relações da Consciência.

A sua ideia atingiu um novo nível, mas ainda precisa ser melhor lapidada, conversada, revisada, porque todo o processo criativo é feito de pura revisão de fatos. Ou seja, novamente está na hora de darmos aquela parada de opinião, utilizarmos nossos recursos para ir mais longe, novamente aparecendo o Potencial.

E com isso lapidado, atingimos o novo nível, que é propriamente o Enredo, termo o qual todos conhecem muito bem. Uma ideia que está pronta para ser um pressuposto de uma história, um ponto de partida para a Escrita, que se trata de um termo extremamente relacionado com o Potencial, visto que a nossa escrita é moldada de memória e consciência puramente (aquela equação lá no início do artigo).

Conseguem refletir como o processo criativo é muito dependente dessa equação? De como as coisas precisam ser lapidadas, revisadas? Da importância de ler conteúdos para inspiração ou para aprendizado, simplesmente porque cada detalhe conta.

Se tiver dúvidas ou quiser mais reflexões, entre em contato comigo, ok?

REFERÊNCIAS

http://www.mariosantiago.net/textos%20em%20pdf/criatividade%20e%20processos%20de%20cria%C3%A7%C3%A3o.pdf
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Uma reflexão sobre o processo criativo (02/03)

terça-feira, 14 de junho de 2016


Por: Edgar Varenberg

Na primeira parte do artigo refletimos sobre consciência criativa e em como esse aspecto da nossa cognição influencia na nossa maneira de escrever sem que, necessariamente, percebamos. Esta segunda parte tratará dos aspectos da memória criativa, ou seja, as informações que nos cercam e como a aplicação disso tudo funciona (ou pode funcionar).

Entendemos como memória criativa todas as informações que adquirimos ao longo do dia, da vida, basicamente tudo que nos cerca, seja ou não de nosso conhecimento. No artigo anterior falamos da consciência criativa, sobre ela agir conforme ou não nossa vontade; a memória trata justamente do conteúdo que encaixamos, conscientemente ou não.

E como captamos isso? Para que isso nos serve?

Às vezes vemos uma propaganda legal, lemos um texto interessante, ouvimos uma música mais intensa, atividades que nos estimulam a pensar e, posteriormente, ter ideias. Às vezes também acontece simplesmente de estarmos num ambiente propício a nos fazer refletir e relembrar situações, ou passar a notar certos detalhes não percebidos antes, tudo isso representa nossa memória criativa.

Em outras palavras, nossa memória criativa está diretamente associada àquilo que conhecemos como inspiração.

O que nos cerca e nos inspira são coisas armazenadas nessa memória, que vemos ao longo da nossa vivência e, de repente, lembramos para determinado efeito. A diferença é que podem ser lembranças bem específicas e precisas ou meros detalhes de coisas que você não faz ideia de que viu (como um cachorro na rua, por exemplo). Tudo que costumamos escrever provém desta fonte.

Quando utilizamos o inconsciente criativo é mais comum que trabalhemos mais com a parte inconsciente da memória, isto é, geralmente esses detalhes que não costumamos lembrar muito, que muitas vezes sentimos até como uma espécie de intuição. Por isso, como dito no artigo anterior, é importante termos noção da consciência criativa, pois trabalhando nossa mente de forma consciente faz com que essas memórias sejam melhor aproveitadas.

Daí vem aquela nossa inspiração de se basear em alguém que gostamos muito, querer retratar um ambiente que presenciamos, ou até mesmo usar palavras (ou termos, às vezes até frases) que sentimos trazer um determinado poder (o famoso soar bem ou ter uma boa mensagem) e que combina com o texto pretendido.

Tá, mas como eu uso essa memória em meu favor, Tio Edgar?

Sabe quando você deseja assistir, ouvir, ler algo ou entrevistar alguém para conseguir grandes inspirações para o seu texto? Então, aproveite muito bem essa experiência, não faça simplesmente por fazer. Também não faça só para ter um amontoado de informação e se iludir achando que é bom e o suficiente.

A memória tem que ser aquilo que te desperta interesse e inspiração, algo que te sirva de recurso natural, não como uma planilha a que você sempre tem acesso e tem tudo esquematizado de forma exata e concreta; isso desvia dos valores reais de uma inspiração, de uma memória, pois se torna um roteiro, um esquema de seguimento obrigatório. Tais esquemas não são ruins, só não fazem parte do processo criativo.

Refletindo todo o processo até então, temos a consciência criativa, que transporta as ideias da sua memória criativa, que é adquirida ao longo dos seus conhecimentos diários, e que podem ser usadas de forma consciente ou não. Parece um ciclo quase se fechando, mas ainda falta o último item: o potencial criativo, que consiste em como utilizar recursos para construir esse material que você possui naturalmente, de forma totalmente consciente (diferente da consciência e da memória, que podem atuar inconscientemente também).

Entretanto, isso é assunto para o próximo artigo!

REFERÊNCIAS:
http://www.mariosantiago.net/textos%20em%20pdf/criatividade%20e%20processos%20de%20cria%C3%A7%C3%A3o.pdf
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-58212009000300017
http://www.espacoacademico.com.br/052/52silvafilho.htm
http://www.intelliwise.com/seminars/criativi.htm
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Uma Reflexão Sobre o Processo Criativo (01/03)

quarta-feira, 11 de maio de 2016


Por: Edgar Varenberg 

Quando falamos em processo criativo, tendemos a pensar em aspectos simples: basicamente tendemos a aceitar que toda a nossa arte é fruto de puramente “inspiração”. Entretanto, o ramo da criatividade traz conceitos maiores que podem ajudar qualquer um a entender melhor como funciona a planificação de uma ideia. E é disso que trataremos neste artigo. O intuito deste artigo não é ajudar a ter um processo criativo mais eficaz, mas, sim, refletir a respeito de como funciona.

Antes de tudo, é importante refletir sobre o conceito de criatividade. Tal conceito é visto de maneiras diferentes em diferentes áreas; entretanto, todas possuem um consenso: a criatividade trata-se de um processo da criação do novo, seja em cima de algo antigo, seja não tendo base alguma. Mas o que seria algo novo? Como eu posso dizer que algo é novo, ainda mais no campo da literatura em que as ideias parecem cada vez mais restritas? Reparem que quando eu digo algo novo, é bom também refletirmos que há uma distância entre criatividade e originalidade. É daí que podemos começar a refletir sobre o processo criativo.

A criatividade não é nada sem o ser humano e vice-versa. Se temos três “doses” de ideias sobre, por exemplo, aviões, e distribuirmos tais “doses” para três humanos diferentes, teremos três obras diferentes sobre aviões; todos podem até falar dos mesmos detalhes, mas a nossa cognição, o jeito de escrever, o jeito de pensar, os conhecimentos prévios, e até as tão famosas inspirações, nos diferem no que se diz respeito da expressão do processo criativo.

O que você quer com isso, Tio Edgar?

A criatividade é um bem humano, que funciona independente entre cada indivíduo mediante fatores internos e externos que compõem a mente de cada um. Em outras palavras: a criatividade é a mesma, mas a forma de expressar dos seres humanos não; e apenas essa diferença já é o suficiente para transformar uma obra.

Para este artigo vamos explorar apenas três destes fatores, os que eu julgo como principais: consciência, memória e potencial. Contudo, nesta primeira parte, vamos tratar apenas da consciência.

Na planificação de pensamentos, mais especificamente quando estamos criando uma história desde o início, temos por instinto pegar todas as nossas bases de conhecimento e começar a montar diversas peças, que, aos tons de originalidade, se tornam nosso material. Mas de onde tiramos tais materiais? Na verdade, a planificação de ideias está diretamente ligada à inconsciência criativa; por isso é explicável o fenômeno de ser tão difícil começar algo do zero, da história parecer confusa e de não sabermos como guiá-la no início. E muitas vezes, nessas ocasiões, um beta-reader acaba nos salvando, não é mesmo? 

Ok, mas o que saber dessa inconsciência afeta no meu processo criativo?

O desenvolvimento da consciência criativa é fundamental para a compreensão dos campos que estamos criando cada vez mais sem percebemos. Acabei de citar acima a salvação de um beta-reader; eles, neste caso, funcionam simplesmente como a nossa consciência criativa, pois são eles que apontam positividades e negatividades de aspectos que ainda estão no pensamento, que não foram ainda para o papel, o que chamamos informalmente de “rascunho de ideias”.

Vamos colocar isso na mente então: tudo que ainda não foi passado para o papel pertence ao campo da consciência criativa.

Quando criamos um personagem, já pensamos logo naquele ator que admiramos que daria um bom “cast”, ou pensamos em outro personagem prévio, mesmo que minimamente. Ocorre muito também o efeito “Frankenstein”, que consiste em você pegar várias partes para construir um todo (mas isso será melhor discutido na segunda parte do artigo, pois se trata da memória criativa). E, para esta reflexão, eu quero estabelecer um comparativo. Imagina que você está bolando um antagonista para a sua história. Normalmente, de cara, você já pensa “Tem que ser alguém com personalidade diferente do protagonista!”. Ué, mas o que impede o antagonista de ter personalidade semelhante ao protagonista? Na hora de criar uma briga, você já pensa em quem vai vencer. Ué, por que não empatar? Entendem o que eu quero dizer? Não, então para o próximo parágrafo.

Aspectos inconscientes do nosso processo criativo tendem a seguir linhagens que estamos acostumadas a acompanhar em nossas leituras, nossas vivências ou simplesmente por nossas mentes serem preguiçosas. Citei acima o exemplo das lutas sempre terem um vencedor; mas, se você parar para pensar, um “empate” é sempre feito de propósito pelo autor; uma vitória não. O mesmo vale para o exemplo do antagonista: um antagonista muito parecido com o protagonista é feito propositalmente; um diferente não. Tudo que foge do padrão inconsciente é feito propositalmente porque passa a ser consciente.

O que isso significa, Edgar?

Que a partir do momento em que separamos o que deve ou não ser consciente no nosso trabalho, temos um controle diferenciado das ideias. E o objetivo deste artigo é justamente refletirmos sobre isso para usarmos a nosso favor tal habilidade cognitiva. Mas como ser consciente das minhas ideias pode me ajudar a desenvolver melhor o meu processo criativo?

Suponhamos que você esteja no terceiro capítulo da sua fanfic nova, você está lá abalando, recebendo elogios do Brasil inteiro, bem Andrea Mello, e, BOMBA, bloqueio criativo. Você não sabe como fazer a cena do encontro da Yrisbelle com o Carlos Daniel Jorge, não sabe o porquê de um diálogo entre eles começar, como juntar a história de ambos, acabou, e agora? É aí que entra a consciência criativa. Quando temos ideias e mais ideias, geralmente oriundas do que conhecemos como inspiração, elas não estão muito filtradas, portanto, muito abrangentes, são todas inconscientes criativas.

Mas, Edgar, se o consciente é uma limitação do inconsciente, como isso pode me ajudar a combater o bloqueio, que é outra limitação?

Primeiramente, a função da consciência criativa não é combater nada. Tal consciência é usada para termos uma segunda forma de pensar, totalmente diferente da primeira; então se uma está emperrada, usamos a outra, simples. Usar essa “segunda cognição” nos ajuda a obter resultados que nossa forma comum de pensar não nos permitiria; e por que é importante fazermos uso disso? Porque toda ideia que dá certo abre portas para novas ideias. Então melhor que ter uma porta aberta é ter duas.

Praticamente falando, temos a seguinte situação, baseada no exemplo que eu dei mais acima: está impossível criar alguma ligação entre Yrisbelle e Carlos Daniel Jorge. Ora de trabalhar nossa cognição, toda a nossa consciência, finge que deu aquele freeze dramático estilo Elsa e vamos pensar:

Impossível eles se falarem? Por quê? Por acaso um deles está preso num buraco negro?

Não. Então, SIM, é possível eles se falarem, vamos acordar!

Ah, mas se ela chegar e falar com ele do nada, não vai combinar com a personalidade da personagem, ela é muito tímida, jamais faria isso. E ele nem sabe da existência dela.

Tá, ele não falar é plausível. Agora ela. Se ela quer mesmo, ela vai. Mas Edgar, você está falando para eu ir contra a personalidade da minha personagem?

SIM. Humanos não são padrões que nunca saem do seu estado, mas não é conversa pra esse artigo. O que eu quero trazer como reflexão para esse caso, é mostrar que a impossibilidade não está na situação, mas nas limitações que a nossa inconsciência criativa nos impõe. Inconscientemente, foi colocado na cabeça do autor que a menina tímida jamais teria coragem de falar com o cara do nada. Entretanto, inconscientemente, também sabemos que o cara não fala com a menina porque ele não sabe da existência dela. Então vemos que essa inconsciência nos guia para informações boas e ruins (não diria ruins, diria mais “limitadas”). Então cabe à nossa consciência criativa quebrar as barreiras daquilo que, sem sabermos, acabamos por limitar.

Tá, mas é assim? Ela fala com o cara e fim? Mas como eu vou fazer isso sem parecer forçado? Isso aí já fica para o tópico sobre potencial criativo, mas o que temos que refletir no momento é que muitas limitações são criadas dentro da nossa própria mente, e que podem facilmente serem “corrigidas” para não atrapalhar nosso fluxo criativo.

Para encerrarmos, um pequeno resumo: criamos tudo inconscientemente porque a cognição humana trabalha assim. Quando criamos algo novo, tendemos a criar blocos de informações inconscientes que nos servem para estabelecer informações essenciais para o prosseguimento do enredo, pois são informações básicas que nos impedem quase sempre de cometer erros de enredo; todavia, esses blocos também acabam por nos limitar, pois trazem conceitos que muitas vezes podem ser quebrados se notarmos que eles existem e, em determinados conceitos, não precisam fazer sentido.

Referências:

http://www.mariosantiago.net/textos%20em%20pdf/criatividade%20e%20processos%20de%20cria%C3%A7%C3%A3o.pdf
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-58212009000300017
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Como escrever uma fanfic interativa

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Por: Jean Claude

As fanfics interativas estão ganhando um espaço incrível no mundo da escrita. Com a sua forma inovadora de criar personagens e uma interação bem mais direta entre autor e leitor, esse tipo de fanfic vem se tornado popular justamente por ser uma experiência diferente tanto para quem escreve quanto para quem lê.
No entanto, como organizar tudo isso? Como manter as características clássicas de uma história já que o autor não tem total controle das personagens? Este post do blog orientará como fazer uma fic interativa e como deixá-la nos padrões literários, afinal, a história tem que continuar sendo boa, não é mesmo?
Obs: O termo “fanfic interativa” utilizado nesse post se refere às conhecidas “fanfics de fichas” e não às fanfics que utilizam o sistema html para modificação dos textos.
Passo 1 – Montando o seu enredo
Como qualquer história comum, a primeira coisa que você precisa fazer é montar um enredo. Faça a si mesmo(a) as seguintes perguntas:
I - De quantas personagens eu precisarei?
Quando você está fazendo uma fic normal, você também pensa nas personagens principais, certo? E, geralmente, com o tempo, você vai criando os secundários, os figurantes, etc. No entanto, tratando-se de uma fic interativa, lembre-se de que todos os leitores (que tenham uma personagem participante) serão personagens principais. Nenhum leitor vai gostar de saber que a personagem do outro é mais importante que a dele, isso gerará desinteresse.
Precauções: Tenha cuidado com os extremos! Não vá fazer poucos personagens, senão você atrairá poucos leitores, as vagas terminarão rapidamente e a interação não será bem proveitosa. Entretanto, também não vá exagerar na quantidade de personagens, lembre-se de que todas precisarão da devida importância, portanto, não crie mais do que você consegue administrar. Crie o que o seu enredo precisa, sem forçar.
II – O que eu pretendo fazer com elas?
Será uma história com foco no romance e todos terminarão em pares? Será uma competição em que só um sairá vivo? Qual será o destino da vida das personagens? Independente do que você escolha, deixe isso claro desde o início para o seu leitor, afinal, ninguém gostaria de ver, por exemplo, a sua personagem morrer logo no segundo capítulo assim, de surpresa. Se a proposta for eliminar personagens, faça eliminações justas que despertem a interação.
Precauções: Não se prenda a gêneros. Se você decidiu que a fic terá 8 vagas, não as faça 4 masculinas e 4 femininas, mesmo que a sua intenção seja unir todos no final, até porque um desses 8 pode ter uma sexualidade diferente ou pode ser que ele simplesmente queira aparecer na história, mas não deseje ser fruto de um casal. Se você uniu os casais e tem gente que quer um casal, mas sobrou, crie novos personagens ou, melhor ainda, abra novas vagas! Se a proposta envolver eliminação das personagens (não digo só morte, afinal, sua fic pode ser um reality-show, por exemplo), não elimine a personagem de determinado leitor só porque, por exemplo, os reviews dele são curtos, faça uma proposta justa, também não vá dar preferência àquele leitor que recomendou a fic antes de todo mundo.
III – Elas poderão mudar, diretamente, o rumo da história?
Se tem uma coisa óbvia é que toda personagem tem a sua história. Todas terão um conflito, um problema, um objetivo e, claro, obstáculos. E, no meio disso, está a história principal, o seu enredo. Decida se as suas personagens podem, ou não, causar alguma mudança à história principal (devido às suas próprias histórias). Caso a resposta seja positiva, é um bom momento para interagir com o leitor e perguntá-lo o que ele gostaria que a personagem dele alterasse.
Precauções: Claro que você, como autor(a), não é obrigado(a) a concordar com todos os pedidos e sugestões, afinal, imagina se você dissesse “sim” para tudo? Ficaria um caos, não é mesmo? Então pondere tudo e, se necessário, passe as ideias dos leitores por uma “peneira” e as encaixe da maneira que achar melhor.
IV – Qual tipo de interação eu quero com o meu público?
É preciso definir se os leitores atuaram apenas como leitores (e confeccionadores da personagem) ou se eles poderão opinar nas mudanças da trama. É claro que, independente do que você escolher, sempre virá um leitor dar aquela sugestão básica. Contudo, quando eu digo “sugerir”, nesse caso, é se o leitor terá que tomar uma decisão – pela personagem dele – durante todos os capítulos ou não. Caso a resposta seja positiva, esteja preparado(a) para ter que sempre criar várias versões de um determinado acontecimento, pois nunca se sabe o que um leitor pode pedir.
Precauções: Lembre-se de que, caso você escolha que o leitor terá que decidir, será preciso muita paciência, afinal, cada leitor tem o seu tempo de leitura diferente, então uns darão sua opinião mais tarde que outros. Não desconte na personagem de um determinado leitor só porque ele demora a mandar a decisão dele. Se for o caso dele demorar muito, faça com que a personagem realize uma ação neutra.
Passo 2 – Criando uma ficha
Com um enredo pronto, aquele capítulo de introdução já feito, está na hora de pedir as fichas! Mas, caramba, o que eu peço na ficha, Roberto? Bom, as características mudam, afinal, as histórias são diversas, mas aqui vão algumas sugestões:
I – Nome – Talvez a citação mais óbvia do post. Não preciso explicar a importância desse quesito, né? Se preferir, pode pedir, também, um apelido.
II – Idade – É importante, independente do tipo de história, afinal, ajuda muito na hora de imaginar características, principalmente físicas.
III – Classe, Raça, Distrito, Ordem, Casa, etc – Se a sua fic exigir alguma dessas coisas, algo que o segregue em qualquer tipo de grupo, é obrigatório estar numa ficha.
IV – Gênero – Para fins de identificação. Masculino, Feminino, Bigênero, Agênero, etc, como a personagem gosta de ser tratada, chamada e afins.
V – Características Físicas – Também não é preciso explicar a importância. Minha sugestão é pedir características escritas mesmo, mas, se preferir, pode pedir fotos/imagens.
VI – Personalidade – É a chave da personagem, é o que vai diferenciá-la dos demais, portanto, seja bem exigente e peça bastantes detalhes. Cuidado para não cair num beco sem saída e ver que todos os personagens são muito iguais, como, por exemplo, todos serem frios, antissociais e sem comunicação, até porque a comunicação é outra chave da fic, certo?
VII – Habilidades, Armas, Elementos, Talentos, Vocações, etc – Se for necessário para o seu enredo, esse quesito é indispensável!
VIII – País, Localização, Origem, etc – É opcional, mais para fins culturais mesmo.
IX – História – Fundamentalíssimo! É aqui que você precisa pedir a maior quantidade de detalhes possíveis. Organize bem as ideias e molde-as conforme o seu enredo.
X – Gostos e não-gostos, medos, sonhos – Pode não parecer tão importante assim, mas uma informaçãozinha dessas pode fazer a diferença em determinados capítulos.
XI – Orientação Sexual – Se a sua intenção for jogar algum romance, pergunte a sexualidade da sua personagem, é claro. Também pergunte se o leitor quer que a sua personagem tenha um par.
XII – Observações – Campo que serve para colocar quaisquer informações não contidas nos demais campos. É muito útil quando não se sabe mais o que perguntar.
Passo 3 – Prosseguindo com a história
Não é muito bom todas as personagens já aparecerem de uma vez. Todavia, também não é bom isolar um capítulo para cada personagem (a não ser que sejam poucos). A sugestão que eu dou é tentar cruzar as informações das personagens disponíveis. Sempre tem uma coisinha que, mesmo que pequena, mesmo sendo apenas um detalhe, já é o suficiente para o cruzamento dos personagens e, se o seu objetivo for unir todos, junte aos poucos, uma hora você conseguirá.
Além disso, lembrando que as personagens não precisam – nem devem – ser todas amigas, aproveite a quantidade de possibilidades e crie rivalidades! Polêmicas, caos! E quem é que não gosta daquele momento novela em que descobrimos que uma amiga traiu a outra? A fic, independente do gênero, tem que ter esses pontos, afinal, estamos falando de comunicação entre pessoas, ninguém se dá só bem a vida toda, não é mesmo? Inove! Tente ousar com os personagens, os leitores adorarão e sentirão o gostinho da rivalidade fictícia.
E o mais importante: como finalizar uma fic assim? Nesse caso, não é diferente de uma história original, até porque os personagens já estarão bem desenvolvidos, conhecidos na trama, como se fossem personagens seus. Justamente termine da mesma forma que você fez com todos os capítulos anteriores. Chega uma hora que a história fica tão dinâmica que às vezes nem parece ser interativa, pois a familiaridade com as personagens dos outros passa a ser bastante notável.
Observações:
I – Quando for postar o seu capítulo introdutório, poste um capítulo mesmo! É contra as regras do Nyah postar capítulos de aviso ou capítulos somente com fichas, portanto, deixe a sua ficha nas notas finais.
II – Tome cuidado na hora de pedir fotos/imagens para descrição física, ainda mais se pretende postá-las como hyperlink. Abusar do recurso hyperlink também é contra as regras.
III – Lembre-se de classificar a sua história corretamente, com os devidos gêneros e avisos. Lembrando que as alterações podem ser feitas a qualquer momento, isto é, podem ser editadas conforme o andamento da história.
Conclusão:
Fanfics interativas precisam ser bem administradas. As personagens não são suas (totalmente), portanto, é preciso ter bastante cuidado na hora de representá-las. Não hesite em perguntar ao(à) criador(a) da ficha sobre como a personagem dela agiria em determinado momento, pergunte mesmo, afinal, isso também faz parte da interação desejada. Faça propostas justas com as personagens e mantenha seus leitores antenados do possível!
Bibliografia:
Não há material profundo relativo ao tema. Baseei-me nas experiências próprias com fanfics do gênero (seja como autor ou como leitor).
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Sexualidade e Verossimilhança (3/3)

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Por: Roberto Lasneau

Nos dois posts anteriores, vimos as principais informações sobre a homo, bi e assexualidade, a fim de mostrar, da maneira mais clara possível, como funciona esse universo que muitos desconhecem, visto que nossa sociedade é heteronormativa.
Este post tratará sobre os principais tópicos da Transsexualidade e da tão conhecida Heterossexualidade. O post também terá um grande foco numa situação que é facilmente confundível: a diferença entre sexualidade e identidade de gênero.
Parte 3.1 – Transsexualidade
O mais importante de tudo:
Sexualidade x Identidade de gênero
A primeira coisa que precisa ser desmistificada é que a transsexualidade tem a ver com homossexualidade. Seja na hora de construir suas personagens ou tratando-se de pessoas reais, esses dois termos (sexualidade e identidade de gênero) são totalmente independentes. Nenhum tem relação com o outro.
Para entender melhor, podemos fazer uma simples relação da sua personagem e, você, escritor, verá que não é nada tão complicado. Vamos pegar um exemplo aleatório:
Mulher¹ cisgênera² homossexual³
¹É a sua identidade de gênero. Ela se identifica como mulher. Gosta de ser mulher e de tudo que o gênero lhe proporciona. Gosta que a tratem por meio de pronomes femininos.
²O termo “cisgênera” indica a “concordância” entre a identidade de gênero e o sexo biológico (que se difere do sexo psicológico). Falando de forma mais simples, ela se identifica com o gênero que lhe foi determinada no nascimento (biologicamente falando).
³É a sexualidade dela. Perceberam como isso não interfere na identidade de gênero? Como eu disse mais acima, ela se identifica como mulher; logo, não tem interesse por coisas de identidade masculina, não se sente como um homem. Ser homossexual, no caso, não significa que ela queira ser homem.
Vamos criar outra personagem aleatória para visar melhor:
Homem¹ transgênero¹ bissexual¹
¹É a identidade de gênero do personagem. Ele se identifica como homem, gosta disso e gosta de que o tratem como homem.
²O termo “transgênero” indica a “não-concordância” entre a identidade de gênero e o sexo biológico, isto é, ele não se identificou com o gênero que lhe foi determinado no nascimento.
³Independente da identidade de gênero, sua orientação sexual é definida pela bissexualidade, ou seja, ele sente atração por mulheres e homens, o que mostra mais ainda que esses três itens não influenciam uns aos outros.
Não-binários
Ainda há outro grupo de pessoas que são classificadas como não-binárias, que, como o próprio nome já diz, são aqueles que não se prendem aos dois gêneros: masculino e feminino. Nesse caso, sendo tanto uma pessoa bigênera (que se identifica com os dois sexos) quanto uma agênera (que não se identifica com nenhum). Além disso, existem casos de gêneros fluídos e até mesmo algumas culturas que nomeiam terceiros sexos.
Sexo: a necessidade e o ato
Não vou me estender muito nesse tópico porque o assunto já foi abordado. Identidade de gênero não tem a ver com sexualidade, portanto, uma pessoa transgênera terá as mesmas necessidades da sua orientação sexual, sendo iguais a todos os outros da mesma sexualidade.
F.A.Q. sobre a Transsexualidade
1 – Eu tentei pesquisar sobre o assunto, mas são tantos termos que eu me confundi. Queria criar uma personagem trans, mas vi tantos nomes que não sei como farei a devida referência. Como proceder?
Bom, as principais nomenclaturas conhecidas são “Transexual”, “Transgênero”, “Travesti” e “Não-binários”. O transexual é aquele que, por desconforto, acaba por optar a fazer a operação da genitália, “mudando” para o sexo com o qual se identifica. O transgênero é aquele que simplesmente não criou uma “concordância” com o sexo que lhe foi designado (o que inclui os travestis e os transexuais). O travesti é aquele que tem o desconforto com o gênero, mas não necessariamente com a genitália, isto é, com a necessidade de fazer uma operação. Já os não-binários são aqueles que não se prendem aos dois gêneros, como foi explicado mais acima.
2 – Um transgênero pode ser homossexual? E assexual?
Pode, em ambos os casos. Lembrando que, no caso da homossexualidade, leva-se em conta o gênero com que a pessoa se identifica, portanto, se for uma pessoa transgênera que se identifique como mulher, a homossexualidade será definida pelo fato de ela sentir atração por outras mulheres. O sexo biológico não tem relevância nisso.
3 – Como eu posso fazer a insatisfação de gênero da minha personagem sem parecer algo forçado?
Creio eu que não há como fazer isso forçadamente, afinal, insatisfação é algo fácil de explorar num personagem, algo bem abrangente também. No entanto, acho que cair em contradição possa tornar o texto forçado, isto é, escrever, por exemplo, dois desejos totalmente opostos que, juntos, gerariam algum conflito.
4 – Supondo que minha personagem nasceu homem, mas sempre se sentiu incomodada com isso. Minha fic falará sobre esse processo de “transformação” dele e eu pretendo que na primeira metade da fic ele ainda esteja como homem e, na segunda metade, já como mulher. Como devo me referir à personagem na primeira metade da fic?
Se sua narração for em primeira pessoa, use pronomes femininos (caso contrário, seria uma contradição). Se a narração for em terceira pessoa, fica a seu critério, já que este tipo de narração é impessoal. Já sobre as personagens restantes, sempre terão aqueles que respeitarão e os que não respeitarão a identidade de gênero da sua personagem, mude conforme as ocorrências.
5 – O que é drag queen? Tem algo a ver com o tema?
Não tem muito a ver com o tema, mesmo se tratando de um ser travestido. As drag queens (ou drag kings, para mulheres que se travestem de homem) são apenas manifestações artísticas, ou seja, trata-se de arte ou até mesmo de profissão. Existem homens héteros que trabalham como drags, então não há nenhuma relação.


Parte 3.2 – Heterossexualidade
Por último, e não menos (ou mais) importante, temos a orientação sexual mais comum na nossa sociedade, indicada por cerca de 90% da população mundial, a heterossexualidade. Apesar de ser muito conhecida, ainda existem alguns (poucos) erros que muitos enfrentam, principalmente quando se trata da relação entre um hétero com outra pessoa de outra sexualidade.
Heterossexualidade x Curiosidade
É normal que o ser humano, principalmente na adolescência, queira experimentar coisas novas e diferentes do habitual. No entanto, com a heteronormatividade presente na nossa sociedade, nem sempre esses “experimentos” são muito bem vistos. Há dois tipos de heterossexuais: os convictos e os curiosos.
O heterossexual convicto é aquele que não está aberto a experimentar. Então, no caso de um homem heterossexual convicto, ele somente ficará com pessoas do sexo oposto, exclusivamente. Já o heterossexual curioso é aquele que aceita experimentar uma pessoa do mesmo sexo (seja pra ver como é ou simplesmente por experimentar mesmo) e isso não o faz de indeciso ou de menos hétero; ele continua hétero, ele apenas experimentou.
Concluindo, curiosidade não torna ninguém mais/menos homem ou mulher heterossexual. É uma coisa comum do ser humano, apesar de existirem seres convictos.
Heterossexualidade x Comportamento
Não é todo rapaz hétero que se comporta de forma 100% masculina. Assim como não é toda moça hétero que se comporta de forma 100% feminina. O mesmo vale para pessoas de outras sexualidades. Isso acontece porque os seres humanos são diversificados, cada um é diferente do outro e a sexualidade não influencia no comportamento. Sexualidade não tem relação direta com comportamento!
Existem, sim, rapazes héteros com trejeitos, assim como existem rapazes homossexuais totalmente discretos, e o mundo é repleto dessas diferenças. E ninguém é mais homem (no caso do exemplo) que ninguém, porque ser homem é questão de identidade de gênero e não de quem é mais “macho” que o outro. Pensar dessa maneira já é considerado uma ideologia machista (por machismo temos aqueles que pensam que ter mais masculinidade que alguém é sinônimo de superioridade).
Sexo: a necessidade e o ato
Diferente das outras sexualidades, creio eu que não preciso explicar muita coisa aqui, visto que é bem conhecido (o clássico homem e mulher). No entanto, existem alguns pontos pequenos que merecem ser ressaltados. Um deles é o polêmico fio-terra (para os que não sabem, consiste no ato da mulher introduzir o dedo no ânus do homem, pois, em alguns casos, ele vem a sentir prazer). Muitos dizem que prazer anal é sinônimo de homossexualidade (para homens) e isso é um absurdo total. Não existe isso, gente. Homens héteros podem, sim, sentir prazer anal e isso não faz com que eles sejam menos homens e mereçam desprezo. É preciso respeitar o prazer de cada um. E comparar com homossexualidade não faz sentido, pois existem homossexuais que não possuem prazer anal, por exemplo.
Outro ponto que ocorre muito é a questão da lubrificação feminina e a penetração na mulher. Tudo bem que a vagina é uma área maior, mais lubrificada e mais preparada para a ação de uma penetração, mas isso não é sinônimo de penetração extremamente mais fácil. O erro que ocorre muito são os caras que conseguem penetrar com uma facilidade assustadora (às vezes as meninas são até virgens ainda). Gente, não funciona assim. Além disso, a lubrificação feminina não é um líquido milagroso e inesgotável do puro prazer, isto é, ela não soltará litros e litros com facilidade, e a penetração tem que ser cuidadosa, tanto para o homem (que pode ter o membro lesionado/entortado caso exagere nos movimentos) quanto para a mulher (que pode ter umas lesões internas dependendo de como forem feitos os movimentos). Resumindo, não é pelo fato de, naturalmente, a penetração heterossexual ser mais facilitada que significa que é totalmente mais fácil e sem preocupações.
F.A.Q. sobre a heterossexualidade
1 – Você disse que existem héteros curiosos que só experimentam, mas são héteros. Por que então, no caso, eles não são bissexuais? E nos casos em que o hétero experimentou e viu que só gosta do mesmo sexo?
Para a primeira pergunta, eles não são chamados de bissexuais pelo simples motivo de não serem bissexuais. Lembrando que bissexuais são aqueles que sentem atração por pessoas de ambos os sexos e que, experimentar não tem nada a ver com isso. Você pode escolher ficar com alguém de qualquer sexo, mas não pode escolher sentir (ou não) atração.
Já para a segunda pergunta, se ele percebeu que só gosta de pessoas do mesmo sexo, convenhamos que ele não é um hétero curioso, mas, sim, um homossexual que acabou por se descobrir. Por vivermos numa sociedade heteronormativa, é comum que todos “comecem” como héteros até que se percebam.
2 – Os héteros são contra a população LGBT?
Não todos. Sexualidade não define personalidade. Existem LGBTs que são contra a própria população.
3 – Afinal, o que é essa tal de heteronormatividade? Posso usar isso numa fanfic?
A heteronormatividade é a ideologia que define a heterossexualidade como a sexualidade mais comum, isto é, a qual a sociedade está, culturalmente, acostumada. Com isso, temos muitas coisas sempre se referindo a héteros, inclusive no nascimento (pois, antes de uma pessoa se descobrir de outra sexualidade, ela mesma se considerava hétero). Alguns costumam associar esse termo também ao comportamento (masculino e feminino), mas eu, particularmente, não concordo, pois, como eu disse, existem homens héteros afeminados e homens homossexuais discretos. No caso dessa associação ao comportamento já entra o conceito de “sexismo” (que consiste em rotular os comportamentos e responsabilidades do homem e da mulher). A heteronormatividade é uma questão cultural, flui naturalmente na nossa sociedade, creio que, numa fanfic, ela já apareça por conta própria, não tem como evitar, pelo menos não nos dias atuais.
Conclusão

Respeite sua personagem. Não importa sua sexualidade ou identidade de gênero, não importa se você quer tratá-la como uma pessoa de boa ou má índole. Não se esqueça do principal: sexualidade, identidade de gênero e personalidade não se misturam. Esses três termos são independentes. Não rotule seus personagens. Entenda que seres humanos são diversificados por natureza. E, principalmente, que ninguém quer passar por cima de ninguém, que cada um tem seus interesses e gostos, que, mesmo não sendo aprovados, podem ser respeitados.
Como sempre, meu material foi muito grande, portanto, estou resumindo em poucos links:




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Sexualidade e Verossimilhança (2/3)

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Por Roberto Lasneau

No post anterior, vimos as dificuldades mais comuns em se representar a homossexualidade nas fanfics. Falou-se sobre a sociedade heteronormativa (que está acostumada com a heterossexualidade) e os fundamentos do pré-conceito.
Seguindo a mesma linha do post anterior, este post tratará dos mesmos tópicos, porém, dessa vez, tratando-se de Bissexualidade e Assexualidade.
Parte 2.1 – Bissexualidade
Desmistificando os conceitos da bissexualidade
Bissexualidade é uma transição para a homossexualidade – Muitos pensam que, ao a pessoa se descobrir homossexual, ela primeiro passa por uma transição bissexual (como se fosse mudar aos poucos). Não, não é assim. Apesar de existirem homossexuais que usaram a bissexualidade como uma fase de transição (e isso, inclusive, é muito retratado em algumas fics e não há problema algum), os bissexuais em si não possuem esse pensamento. Eles simplesmente sentem atração pelos dois gêneros.
Bissexuais são um bando de indecisos! – Não! Eles não são indecisos. Muito pelo contrário, eles se decidem muito bem pelo fato de reconhecerem que são adeptos aos dois sexos. Alguns bissexuais podem ter mais atração homossexual do que heterossexual, mas isso não os torna indecisos, claro que não.
Bissexuais são mais promíscuos, afinal, eles pegam de tudo – Também não funciona assim. A sexualidade não define as pessoas, portanto, ser promíscuo (ou não ser) não é algo que é ditado por bi, homo ou heterossexualidade, não é algo que pode se relacionar assim; não funciona com essas proporções. Sua personagem bissexual pode muito bem conseguir, naturalmente, estabelecer relações monogâmicas e duradouras como qualquer outra.
Sexo: a necessidade e o ato
O que mais se discute, na bissexualidade, em relação ao sexo é o grande questionamento: “Um bissexual, quando, por exemplo, está se relacionando com uma mulher, sente falta das relações com os homens?”.
Não. Não funciona assim. Usando o caso como exemplo, se sua personagem for bissexual e estiver num relacionamento com uma mulher e quer levá-lo mais adiante (popularmente conhecido como o relacionamento sério), ela não sentirá falta das relações com os parceiros masculinos.
Por que não?”
Sentir atração pelos dois sexos não significa, necessariamente, que essa atração é simultânea e contínua. Didaticamente falando, supondo que você goste de maçã e chocolate, isso não significa que, necessariamente, você goste de comer os dois juntos (o gosto, para você, pode não ser algo agradável). É exatamente assim que funciona. Não se esqueça de que sua personagem é humana e seres humanos não seguem regras exatas e constantes.
Mini F.A.Q. sobre bissexualidade
Perguntas para ajudar na aplicação do tema em fics
01 – Muitos adolescentes costumam experimentar os dois lados apenas por experiência mesmo. Numa festa, por exemplo, eu quero retratar todo esse envolvimento, então devo colocar, nos avisos, que tem Bissexualidade?
No caso do Nyah, creio eu que colocar nos avisos o termo “Bissexualidade” é avisar que uma mesma pessoa tem relações com pessoas dos dois sexos. No entanto, não vamos confundir “curiosidade” com “bissexualidade”. Na adolescência, é muito comum que as pessoas experimentem mesmo, às vezes por vontade própria, às vezes para agradar a expectativa de um grupo, mas isso não tem muito a ver com a Bissexualidade. Pelo contrário, é um jeito de assimilá-la, erroneamente, com promiscuidade.
02 – Se a minha personagem é um homem bi, mas, na fic, ele só se envolverá com homens, eu posso denominá-lo, na história, como gay?
Não. Não significa que, por um homem bi estar se relacionando com outro homem, que ele seja gay: ele continuará bi. Apesar de, no caso, ele não sentir falta de um relacionamento com uma mulher, isso não significa que ele vai deixar de achá-las atraentes.
03 – Eu li em algum lugar sobre pansexualidade, uns dizem que é um ramo da bissexualidade, outros dizem que não é. O que é, como funciona, seria interessante eu trazer isso para uma fic?
Muito se fala sobre a tal da pansexualidade, eu não diria que é um ramo da bissexualidade, pois ela tem características próprias. A pansexualidade seria a atração por tudo e por todos, sem muitas restrições. Uns relatam que essa atração envolve desde pessoas até mesmo objetos, outros já dizem que é só uma forma de sentir atração por qualquer tipo de humano (saindo do conceito de gênero). Para uma fic, minha recomendação é simplesmente atuar como alguma cena em específico, uma característica mais relevante, mas não aconselho a fazer disso o foco principal da sua fic.
Parte 2.2 – Assexualidade
Primeiramente, o que seria a assexualidade? Uns já notam logo o prefixo “a” e dizem: a não atração por pessoas. Não é bem assim, não tão geral assim. Não se atrair sexualmente com alguém não significa uma não atração em geral. E isso será visto aqui:
Assexuais x Arromânticos
Arromânticos são as pessoas que não sentem atração afetuosa (amorosa) por outras. No entanto, assexuais já são aqueles que não sentem atração sexual por outras, mas que podem, naturalmente, desenvolver a atração afetuosa.
Assexuais românticos podem ser classificados como “heterorromânticos”, “homorromânticos” e “birromânticos”. Com a nomenclatura clara, indica com quem eles sentirão essa atração afetuosa.
Assexuais arromânticos não são necessariamente infelizes. A maioria prefere manter relações amistosas e ficam muito bem com isso. Amor/sexo não é de grande valor e isso pode parecer estranho diante da nossa sociedade.
Sexo: a necessidade e o ato
O assexual não sente a necessidade em praticar o sexo. Eles podem, sim, casar-se, manter uma união estável sem depender do sexo. No entanto, nem sempre assexuais se casam com outros assexuais e alguns fazem um certo sacrifício para agradar o parceiro de vez em quando.
É importante ressaltar que a falta de atração pelo sexo não significa infelicidade, insatisfação, etc. É simplesmente a forma como essas pessoas querem que seja, a forma que elas se sentem bem.
Além disso, tem-se uma curiosidade: “Assexuais praticam a masturbação?”. Bom, uns sim, outros não. Os que fazem costumam dizer que está mais associado a uma necessidade fisiológica, que o fazem sem pensar em muita coisa.
F.A.Q. sobre Assexualidade
01 – Supondo que minha personagem encontrou uma pessoa legal e eles decidiram que não praticariam sexo antes do casamento. Durante esse tempo, eles seriam assexuais?
Não. Ser assexual não é a mesma coisa que não ser praticante de sexo. A assexualidade está envolvida na falta de atração pelo ato. Uma pessoa que não tem a vida sexual ativa não tem relação alguma com assexualidade, ainda mais se tratando desse tipo de promessa (já que, depois do casamento, eles praticariam o sexo).
02 – Quero fazer uma personagem assexual arromântica, como fazê-la dentro de um grupo de não-assexuais?
Faça um personagem normal, nada muda. A pessoa arromântica não fica incomodada ao ver os românticos tendo suas relações, afinal, não é aquilo que a agrada.
03 – Se minha personagem sofreu abuso sexual e ficou com trauma de sexo, isto a torna assexual?
Nesse caso, já parte para uma questão mais psicológica. O trauma até pode fazer a pessoa perder o gosto pelo ato sexual e se sentir satisfeita com isso, mas depende muito do psicológico da personagem. Numa fic, é necessário deixar essas informações bem claras (da satisfação da personagem, etc).
04 – Vi que alguns dizem “Assexuado” e outros dizem “Assexuais”. Tem termo correto?
Bom, “assexuado” dá a ideia de pessoa sem genitália, enquanto “assexual” dá a ideia que estamos costumados a conhecer, portanto, é recomendável que se use o segundo termo.
05 – Eu tive uma ideia para um enredo interessante: um assexual arromântico que, por não se preocupar com sexo e amor, acabou desenvolvendo maior capacidade mental. Isso tem chance de dar certo?
Não. Sexualidade não define ninguém. Fazer ou não fazer sexo, amar ou não amar não deixa ninguém mais burro ou mais inteligente. Trata-se de um enredo preconceituoso.
Conclusão
Independente se a pessoa gosta de ambos os sexos ou de nenhum, é preciso representar da melhor maneira possível nas fanfics. Respeite suas personagens, tente entendê-las, pensar como elas e até quebrar um pouco os seus próprios conceitos, é uma ótima dica para tentar compreender o lado diferente da sua personagem.
Novamente com pesquisas grandes, então vou resumir dois sites ótimos:
http://assexualidade.org/faq - O que é a assexualidade?
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