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Como Retratar Corretamente Relacionamentos Abusivos - 3/5

segunda-feira, 25 de março de 2019


Por: Musa


Bem-vindos, queridos leitores. Estou de volta com a continuação dessa série de utilidade pública para nos ajudar a retratar corretamente relacionamentos abusivos na escrita.

Até agora, aprendemos como escrever relacionamentos saudáveis e o ciclo do abuso. Tudo isso para termos uma ideia generalizada de como esse tipo de relações funciona e como distingui-las das saudáveis ou apenas disfuncionais.

Neste post, vou estar explicando os tipos de abuso, pois é. Existem vários tipos, uma relação abusiva pode funcionar de várias maneiras e ter mais que um tipo de abuso em simultâneo. Tudo vai depender do tipo de abusador que você pretende escrever, assim como o tipo de relação que ambos os personagens têm.

A importância deste post não é descrever as reações da vítima e do abusador ao exercer ou sofrer os diferentes tipos de abuso, e sim compreender do que se trata e o que os torna abusivos em vez de apenas casos isolados ou disfuncionais. A mentalidade da vítima e do abusador por trás ou após o abuso é algo muito complexo que deverá ser desenvolvido através da pesquisa do autor.

Existem várias niches de abuso e algumas delas podem ser incluídos em tipos mais abrangentes. Então vou resumir no seguintes: Abuso Emocional, Abuso Físico, Abuso Sexual, Abuso Financeiro e Abuso Espiritual.

Vamos lá!


Abuso Emocional

Há uma razão porque decidi abordar este tipo primeiro:

Ao contrário dos outros tipos de abuso, que são facultativos para constituir uma relação abusiva, o abuso emocional não pode, de jeito nenhum, não existir. Este tipo está na génese de qualquer relacionamento abusivo. Sem ele, não existe o abuso nem a possibilidade do abuso manter-se.

Como falei no post anterior, o ciclo de abuso é constituído por um abuso emocional integrado. Ele é o combustível deste tipos de relacionamento. Ou seja, se você se pergunta se a relação que escreve é abusiva, disfuncional, ou apenas mal escrita, tem que começar pelo abuso emocional e se ele está ou não presente, se está ou não desenvolvido.

Portanto, comece por ele.

Os outros tipos de abuso são apenas maneiras que o abusador procura para atingir a vítima de formas em que o emocional não é suficiente, ou é aquele que consolida ou banaliza as atitudes dos outros tipos de abuso. É aquele que quebra e molda a vítima ao gosto do abusador.

O abuso emocional é constituído ou realizado através de outros tipos mais pequenos, como o verbal. O abusador usa palavras como armas para a vítima, ela começa a acreditar nas suas mentiras; fazendo-a acreditar que é estúpida, doida, que ninguém a vai querer, que ninguém a ama/aguenta. Isso pode existir na vítima antes, e o abusador aproveitar-se, ou podem ser inseguranças que são inseridas na vítima após ouvi-lo por tanto tempo. Estas mentiras vão deixar a vítima isolada, pois ninguém a quer por perto, ou impossibilitá-la de falar acerca do seu abuso, por pensar que merece ou é doida e está exagerando.

Não apenas por palavras, pequenas ações ajudam a promover este abuso. Coisas como mover pertences da vítima e dizer que sempre estiveram ali, negar que certas coisas aconteceram, diminuir ou distorcer as palavras da vítima — especialmente se está queixando-se de algo que o abusador fez. Acontece através de um sistema longo e consistente, vai fazer a vítima duvidar da sua própria sanidade. O que gera mais isolamento ou fá-las sentir que ninguém vai acreditar nelas se falar no que está acontecendo, afinal elas nem se lembram onde deixaram as chaves de casa, não é mesmo?

Muito se pode dizer sobre este tipo de abuso e a sua importância, apenas saiba que não pode esquecer-se dele, pois é a cola que deixa tudo juntinho.

Quando for escrever um relacionamento abusivo sem desenvolver uma base cíclica, constante e bem fundada em abuso psicológico e/ou emocional, os seus relacionamentos abusivos vão parecer superficiais e não acreditáveis.

Este é o abuso que vai seguir a vítima por mais, tempo, o físico, sexual, financeiro, são palpáveis e visíveis, podemos afastar a pessoa que magoa a vítima e terminá-los. Porém o emocional permanece, por vezes permanentemente, muito depois da vítima sair da situação. Ele vai moldar o trauma e sua mentalidade dali para a frente.

Então pesquise muito sobre, não pense que pode adivinhar o que é passar sobre esse tipo de abuso sem tê-lo vivido; e desenvolva-o antes de qualquer outro.


Abuso Físico

Este é o mais visível e, normalmente, aquele em que pensamos quando vemos a palavra “abuso”. Às vezes, até mesmo relações que não envolvem este tipo de abuso nem são consideradas abusivas ou “abusivas o suficiente”.

Não existe muito a dizer sobre o que acontece no abuso físico, ele inclui machucar alguém com ou sem objetos (atirar coisas como vasos, usar armas, etc.); também inclui sufocar, invadir o espaço pessoal e até mesmo a ameaça de comprometer a integridade física da vítima através de coisas como conduzir sem cuidado, tornar os espaços onde ela se encontra inseguros, escorregadios, tóxicos, tudo o que é deliberadamente feito pelo abusador para magoar a vítima fisicamente é considerado abuso físico.

A violência pode estar presente em várias situações e relações, o que a torna abusiva é haver claramente uma vítima e um abusador consistentemente, no caso, não quer dizer que a vítima não retalie uma vez ou outra, mas ela sempre sai com um castigo muito maior se se atreve a fazê-lo. Também existe o facto que a violência é usada pelo abusador como demonstração de uma frustração por não conseguir o que quer da vítima através dos métodos não violentos (abuso emocional). Ou talvez seja o abuso físico nascente de problemas em lidar com a raiva, consumo de substâncias, e então o abuso emocional segue-se para que o comportamento seja banalizado.

O que se deve ter em consideração descrevendo abuso físico é encontrar a lógica que o seu abusador tem para usá-lo, por que ele o usa? Em que situações? Como ele faz depois de um episódio para que a vítima permaneça com ele? Quais os seus gatilhos? Como ele justifica fazer isso para si mesmo? Isso são tudo particularidades de uma relação abusiva, em oposição à violência disfuncional ou entre estranhos e rivais, que não tem um cariz manipulador e cíclico.

Portanto, quando escreve abuso físico, tenha em consideração que este é visível e portanto terá que trabalhá-lo muito bem para a vítima permanecer com o abusador ou os amigos e família não intervirem.


Abuso Sexual

O Abuso sexual merece estar numa categoria diferente do físico pelos componentes altamente emocionais, o cariz único sentimental que existe no ato sexual e a maneira como está diretamente relacionado com a autonomia da vítima.

Ele pode existir em qualquer tipo de relação abusiva, qualquer dinâmica ou natureza da relação. E o trauma é diferente para as vítimas de contextos diferentes, abuso sexual entre familiares e entre parceiros românticos vai gerar uma miríade de sentimentos distintos que devem ser estudados separadamente dependendo do que for tratar.

Pesquise sobre a experiência da vítima na perspectiva do papel que o abusador tem na vida dela, pois influencia muito o trauma.

Este tipo de abuso existe, como muitos sabem, através da violação, o ato sexual não consentido. Novamente, de uma maneira abusiva, isto acontece sempre com uma vítima e um abusador, os papéis não mudam, pois numa relação abusiva o poder está bem estabelecido.

Da mesma forma que o abuso físico, o abusador pode usar o sexo como uma arma para manipular e desarmar a vítima de formas que o abuso emocional não consegue. Isto é, fazê-la sentir que sexo é tudo para que serve, que não tem o direito de dizer não pois o sexo é um direito (comum em casos de relacionamentos românticos abusivos, especialmente entre personagens casados), ou também forçar situações ou atos sexuais que a vítima não deseja ou sente-se confortável a fazer pois é o que precisa para satisfazer o parceiro e humilhá-la se não conseguir ou quiser fazê-los.

A pressão para ser melhor no sexo, que nunca é bom suficiente, também faz parte do abuso sexual. O ato sexual é sempre, de um jeito ou outro, íntimo e repleto de reações biológicas e emocionais automáticas do nosso corpo. O que gera sentimentos muito confusos e nocivos para uma vítima de abuso sexual, pois algo inerentemente relacionado à autonomia da pessoa está sendo usado contra ela, está sendo roubado dela.

Isso gera um trauma complicado com repercussões complexas e profundas. Mais uma vez, se você nunca foi vítima de abuso sexual, não tente adivinhar o que passa pela cabeça de quem foi, pesquise diretamente a história de vítimas da boca delas para poder narrar melhor este tipo de trauma.


Abuso Financeiro

Afinal, a partir do momento que sua história se passa num universo capitalista, o dinheiro dita muita coisa acerca da independência e liberdade de uma pessoa. E é de esperar que um abusador fosse querer tirar partido disso ou controlar essa vertente da vida da vítima.

É algo mais comum em casais e relacionamentos abusivos entre pais e filhos. Pois normalmente existe uma partilha de bens ou dependência econômica entre ambos.

Para além disso, tem que se entender que esta dependência econômica é muitas vezes o que impede a vítima de sair da relação. 

Como funciona? De várias maneiras, o abusador pode impedir a vítima de arranjar um trabalho e consequentemente deixar todos os fardos financeiros a seu cuidado. Também pode não deixar a vítima ter acesso à sua conta bancária ou ter algum poder de decisão sobre o orçamento ou finanças, isto pode ser usado como abuso emocional ao fazer a vítima sentir-se incompetente para tais tarefas.

Também pode o abusador entrar em dívidas em nome da vítima, arruinando a sua situação econômica, o que pode impedi-la de arranjar nova habitação, transporte, ou fugir.

Este é um tipo de abuso muito materialista, o trauma que resulta dele normalmente é apenas associado ao emocional. Ele arruína as coisas materiais para a vítima, e não tanto o seu interior por si. Mas não deixa de ser um fator importante pensar na situação econômica dos seus personagens quando for escrever e como interfere com o ciclo abusivo.


Abuso Espiritual

Também pode ser conhecido como abuso religioso ou cultural, é encontrado em relações onde um ou ambos os personagens possui crenças religiosas, superstições ou uma cultura diferente ou iguais ao abusador.

É um sistema abusivo de comportamentos contínuos onde o abusador ridiculariza, banaliza e humilha a vítima na procura da sua espiritualidade, ou comportamentos religiosos e culturais, fazendo-a sentir-se mais isolada. Também acontece o abusador não permitir que a vítima participe de eventos culturais particulares dela, ou ir na igreja ou local de adoração específico. Como mencionado, é uma técnica para deixar a vítima isolada e retirar o lugar de Deus da sua vida, assim como afastá-la da sua comunidade para não haver espaço para alguém acima do abusador na vida dela.

Outra maneira que o abuso se manifesta é a contrária, se o abusador também é religioso ou parte de uma cultura igual à da vítima. Ele pode constantemente usar suas crenças para manipular a vítima, fazê-la sentir que o que faz para adorar o seu Deus ou honrar seus anciãos nunca é suficiente. É muito comum entre pais e filhos, por exemplo.

Também é possível o abusador usar a parte da identidade da vítima como ameaça, no sentido ameaçar revelá-la para pessoas que não sabem ou podem colocá-la numa posição de perigo.

Isto faz a vítima sentir-se em constante dívida para com Deus e sua cultura. O que a torna fácil de convencer a fazer coisas que o abusador quer para aliviar essa sensação.



É tudo por esse post. Podemos compreender as várias maneiras como o abuso se manifesta, tendo em consideração que o abuso emocional é o único que terá que estar sempre presente para constituir uma relação abusiva.

Entendemos também que para tratarmos estes comportamentos como abusivos em vez de casos de violência isolados, eles têm que acontecer consistentemente, por algum período de tempo com um ciclo semelhante ao que mencionamos no post anterior.

Espero que tenham gostado, nos vemos no próximo!
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Papo de Editoras - Delphi e Xeque-Matte

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Por: HikariNoHime



Hello, hello, olha só quem está de volta! Mais algum sobrevivente ao ENEM nessas terras maravilindas? Continuando essa série do babado q, hoje vamos falar das lindas e poderosas Delphi e Xeque-Matte, com mensagens especiais de três autores mais especiais ainda!
Caso alguém se interesse, vou deixar aí em baixo os links dos sites e o Facebook de cada editora. Então apertem os cintos e tragam a pipoca, porque lá vamos nós!


Delphi:

A Delphi é uma editora jovem no mercado. Foi fundada em 2016 em São Paulo e, de acordo com seu próprio site, visa: a satisfação dos leitores; encontrar e promover novos talentos; ser transparente; agir com competência, confiabilidade e ética, buscando se aprimorar cada vez mais. Atualmente possui apenas quatro livros em catálogo. Um deles, inclusive, pertence à autora Alice Alamo, especialmente conhecida pelo fandom de Naruto no Nyah! Fanfiction.
Ela está voltada para o público Jovem, YA (jovem-adulto) e NA (novo-adulto) e publica livros dos gêneros fantasia, romance, drama, aventura, ficção científica, terror, suspense, mistério e distopia. Também se trata de uma editora livre de preconceitos: seja qual for o tema ou o casal do seu original, desde que dentro desses gêneros listados, pode ficar tranquilo que ele será avaliado com todo o carinho do mundo!
A forma de envio é bastante simples: basta enviar por e-mail um anexo do livro no formato Word, sem decoração e, de preferência, na formatação texto justificado, Arial, tamanho 12, espaçamento simples entrelinhas. Também é necessário enviar um resumo de até três páginas no mesmo formato. No corpo do e-mail deve ir a sinopse do livro e alguns dados pessoais do autor (nome, idade, profissão e pseudônimo).
Em qualquer caso, o original aceito ou não, a editora retornará o contato. Lembrando que o tempo de avaliação não é especificado e que o recebimento de originais ocorre durante todo o ano.
Bônus: Essa é uma daquelas editoras maravilhosas que não possuem reclamações no Reclame Aqui!
Bem, isso é tudo o que eu consegui descobrir escavando as profundezas do site e da página do Facebook da Delphi. Mas, como é sempre bom ter uma opinião de alguém de dentro, trago um pouco da conversa que tive com Rodrigo Avelino, autor de “A Novela Nada Excepcional”! É de deixar o forninho cair, né non?

1.      A publicação foi paga? O preço foi satisfatório? A qualidade do serviço compensou a quantia?
Rodrigo: Sim, a publicação foi paga, mas o preço foi o mais acessível possível. Eu mal imaginei que seria tão razoável e o melhor de tudo é o serviço atencioso e de qualidade.
2.      A editora oferece outros serviços além da publicação? (Ex: Capa, revisão, divulgação, evento de lançamento, etc.) Se sim, quais? Você ficou satisfeito com o resultado?
Rodrigo: A editora oferece praticamente todos os serviços como: Revisão, Diagramação, Capa, ISBN, fora a divulgação... Evento de lançamento não teve, mas imagino que o motivo seja o fato da editora priorizar autores novos, desconhecidos...
3.      Você voltaria a publicar com essa editora?
Rodrigo: Voltaria e Voltarei!!! Para uma editora iniciante, eles têm um serviço de muita qualidade.
4.      O que diria a alguém que quer publicar com essa editora? Vale a pena?
Rodrigo: Você, escritor, vai publicar seu primeiro livro com a Delphi? Parabéns, você será mimado e prontamente atendido, e no final seu livro vem impresso em papel pólen amarelado!! O que falta? O cheiro de livro velho e nada mais.

Fofo, não? Depois disso até dá vontade de publicar por essa editora! Mas~ como nem tudo é tão simples, tem sempre uma segunda opção tão boa quanto esperando por nós para plantar aquela linda dúvida!
E esse precisamente é o caso da...



Xeque-Matte:

Também fundada em 2016, a Xeque-Matte mostra de cara um senso de ideal e transparência que chama a atenção. citando diretamente do próprio site:

“Missão: A Editora Xeque-Matte tem como principal missão ser referência em profissionalismo, qualidade e eficiência editorial para isso está alinhada aos valores éticos e morais que promovam a valorização dos autores nacionais e mereça o respeito e reconhecimento como uma editora séria e comprometida.
Visão: Diante de um mercado editorial nacional seletivo, buscamos dar a oportunidade de trazer aos leitores livros de qualidade e com diferencial, garantindo a valorização dos nossos autores.
Valores: A Editora Xeque-Matte entra no ramo editorial focada no compromisso com nossa literatura de promover e honrar o grande conteúdo nacional.”

Um belo impacto, sem dúvida. E, como prova do que dizem, Xeque-Matte hoje possui 18 livros em seu catálogo, entre eles a obra de uma autora também do Nyah!
A editora não possui um público-alvo específico e aceita qualquer gênero textual, sendo a única exceção biografias. O prazo de avaliação é de quatro meses, período ao qual a editora se compromete a enviar uma resposta para o autor.
O texto deve ser enviado no seguinte formato: documento Word em folha A4, margem padrão; texto justificado nas fontes Times New Roman ou Calibri, tamanho 12; espaçamento entre linhas: 1,5 linhas; diálogos pontuados com travessões (—), não hífens (-). Uma ficha de apresentação do autor, sinopse e resumo da obra também pode ser enviado no e-mail, apesar de não ser exigido pela editora. O período de envio, assim como a Delphi, se estende o ano inteiro.
Extra, extra: mais uma preciosidade sem reclamações no Reclame Aqui!
Agora para o nosso precioso insight da editora, uma palavrinha de Maria Eduarda Duarte, autora do livro “Apenas Viva Sem Mim":

1.      A publicação foi paga? O preço foi satisfatório? A qualidade do serviço compensou a quantia?
Maria: A publicação da Xeque Matte foi paga, o valor foi condizente com o serviço ofertado e explicado diretamente ao autor. Não é um demérito que eu sinta, considerando que tive como recuperar vendendo os meus próprios livros. Sim, a qualidade compensou. Como eu disse: a publicação foi paga, mas os serviços foram prestados e considerados bastantes antes de eu fechar. Todos elogiam a capa, a diagramação e a revisão da editora. Em termos de serviço, não posso reclamar.
2.      A editora oferece outros serviços além da publicação? (Ex: Capa, revisão, divulgação, evento de lançamento, etc.) Se sim, quais? Você ficou satisfeito com o resultado?
Maria: Sim, oferece revisão, todo projeto editorial gráfico, eles também entram em contato com livrarias para fazer lançamento físico (algo que não desejei, pois fiz o meu próprio na minha escola). Em termos de serviços, adorei os meninos, o carinho com o livro, enfim, é um lugar em que você se sente acariciada.
3.      Você voltaria a publicar com essa editora?
Maria: Se eu tivesse dinheiro? Com toda certeza!
4.      O que diria a alguém que quer publicar com essa editora? Vale a pena?
Maria: Vá em frente! Se você pode investir nos seus sonhos: faça! Você merece sonhar e realizar, além de merecer o melhor para seu livro. Eu realmente desejo que editoras como a Xeque, que tratam bem o autor e o livro, cresçam.

Isso é tudo por hoje pessoal! Espero que tenham gostado do nosso papinho! Nos vemos de novo (eu espero e rezo) em dezembro!
Beijinhos de Chocolate ♥




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Papo de Editoras - Introdução

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Por: HikariNoHime



Hello, pipous! Olha eu aqui de novo fazendo a sua alegria só que não. O post de hoje é mais uma introdução do que vamos falar nos próximos meses, por isso está um pouco curtinho.
O Nyah! é um lugar lindo, cheio de pessoas legais, histórias maravilhosas e autores mais maravilhosos ainda. Acho que todos já devem ter lido ao menos uma fic e pensado por que isso ainda não ‘tá numa livraria?, e, às vezes, o autor(a/e) tivesse mesmo essa vontade e a única coisa no caminho: como?
Felizmente, a lindíssima Michele Bran fez uma série de posts maravilhosa sobre o processo de publicação. E, seguindo essa linha, vou trazer para vocês um pouco sobre algumas editoras que publicam nós, os novatos no mercado editorial.
Ao todo teremos mais cinco posts falando sobre o histórico, gêneros, forma de publicação e envio de cada uma delas. E, por últimos e não menos importante, uma palavrinha de autores já publicados pelas editoras em questão.
Pela ordem:

1.      Delphi,
2.      Xeque Matte,
3.      Manias,
4.      Pendragon,
5.      Valentina,
6.      Sinna,
7.      Novo Século,
8.      Charme,
9.      Iluminare,
10.  Novo Conceito.

No próximo post, inclusive, já contamos com duas autoras que também compartilham suas histórias no Nyah! Fanfiction! Não é uma coisa linda?
Mas, bem, deixando as brincadeiras de lado, só gostaria de ressaltar que as editoras escolhidas não são as únicas que aceitam originais, e talvez nem todas se encaixem no seu perfil, talvez as opiniões de alguém sobre editora X também possam ser diferentes, talvez nenhuma dessa lista seja a ideal para você. E quer saber? Está tudo bem. Só significa que a busca continua para você.
E é isso, eu acho. Nos vemos no próximo mês com Delphi e Xeque Matte!
Beijinhos de Chocolate ♥
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Como Retratar Corretamente Relacionamentos Abusivos - 2/5

segunda-feira, 8 de outubro de 2018


Por: Musa


Bem-vindos de volta, aqui é a Musa.

Estou regressando à série acerca de relacionamentos abusivos com sua segunda parte. Deveria ter saído muito mais cedo? Deveria, porém aconteceram vários imprevistos que me impediram de postar na data pretendida.

Olhando para trás, imprevisto, instabilidade e inconsistência casa muito bem com o tema da segunda parte desta série. Onde, em relações tão complexas e dignas de todos os defeitos mencionados anteriormente, eu tento desenhar para vocês um padrão, semelhanças e uma base para a hora de escrevermos relacionamentos abusivos.

Isso mesmo, neste post vamos estar abordando a “Anatomia do Abuso”, ou seja, o conjunto de características que se encontram em todos ou na maioria dos relacionamentos abusivos e, mais importante, que distinguem um relacionamento abusivo de um apenas disfuncional.

No post anterior, ressaltamos o que é preciso para criarmos um relacionamento saudável, ou seja, também vos ensinei como criar um relacionamento não saudável. Um relacionamento abusivo vai quebrar todas ou a grande maioria das regras do post anterior. No entanto, também irá possuir particularidades diferentes.

Ultimamente é normal ver muitas pessoas utilizando a palavra “abusivo” para todos os relacionamentos nocivos. Sem ter noção que o abuso é constituído por muito mais que apenas duas pessoas incompatíveis discutindo a toda a hora.

Estamos aqui para escrevê-los corretamente, certo?

Então, vamos lá!


Ative a armadilha no momento certo

Um dos erros mais frequentes que encontro nas histórias por aí que pretendem retratar esse tipo de relacionamento é o abusador chegar atirando e agindo com todas as nuances de horrível para sua vítima que, até ao momento, era alguém de uma estabilidade ou mentalidade normal e que não tem motivos para aceitar comportamentos desses sem pestanejar.

Pense comigo, não é à toa que dizem que as primeiras impressões importam. Se um estranho começar chegando em você com ofensas ou até mesmo violência, não vai querer ficar perto dessa pessoa, correto? Então por que seria diferente com seus personagens?

Existem casos que o personagem abusado está com a mente tão distorcida, auto estima tão baixa ou mentalidade tão vulnerável que algo assim até possa resultar. Porém é muito menos possível o abusador passar despercebido aos amigos e companheiros da vítima e, portanto, ele terá menos manobra para manipulá-la como pretende.

Ou seja, o abuso, de uma forma ou outra, deve sempre começar gradualmente. Isso vai dar espaço para o abusador atrair sua vítima e fazê-la investir na relação. Assim, quando o comportamento se tornar obviamente inadmissível, é mais difícil cortar a relação ou sair dela, com receio de gerar uma discussão ou afastar a pessoa.

No fundo, o abusador tem que criar um ambiente cuja vítima tenha medo de perder.

As relações abusivas são, para o autor delas, como construir um ninho. Começa lento, faz com que a vítima se sinta confortável, a isola. Depois, vai testando as águas, descobre que pode sair ileso com, gradualmente, piores comportamentos. Com o tempo, a vítima sente medo de perder tudo o que foi construído ou até mesmo nem tem noção completa de como são nocivas as ações do abusador.

Pois tudo piorou de forma silenciosa e discreta.


Existe um desequilíbrio entre as duas partes.

Ou seja, a maneira que um abusador espera ser tratado ou abordado em nada se compara em como vai abordar, ou tratar a vítima.

O abusador vai esperar complacência completa em todos os seus comportamentos, tudo pode ser considerado como falta de respeito ou golpe no seu orgulho/ego, tudo pode ser razão para se sentir no direito de abusar. Isso vai de desacordos pequenos, a vítima querer falar com outras pessoas, ou simplesmente fazer algo que vá contra a sua vontade.

No outro lado, o abusador vai poder fazer todas essas coisas e muito mais sem esperar qualquer protesto da vítima. E se este existir, há tendência para o abusador trivializar a queixa ou mencionar às vezes que a vítima faz isso ou aquilo para e assim lhe tirar o direito de se queixar.

Ou seja, os abusadores desejam tudo com nada em troca. No fundo, as regras que vão existir na relação servem apenas para controlar uma pessoa e beneficiar a outra.


Período ‘Lua de Mel’.

Esta é uma das partes mais complicadas de abordar por duas razões:

Porque vemos bastantes histórias que extraem todos os detalhes mórbidos e desesperantes da relação ao máximo possível. Sensacionalizadas ao ponto que já mal se assemelha a uma relação abusiva e sim a um maníaco vilão de quadrinhos com seu refém.

A outra parte é, bem, essa regra pode validar a vontade de muitas pessoas para trivializar ou romantizar o relacionamento abusivo. Porque, de fato, para retratá-lo corretamente, temos que nos lembrar destes momentos em que está tudo “bem”.

O importante a ter em conta para detalhar esta fase da relação é que ela é boa no sentido que nenhum comportamento abusivo exterior está acontecendo e que, na verdade, ela é parte do abuso interno e serve para instalá-lo. É nisso que, enquanto escritores, temos que nos focar. Não ficar detalhando o ruim ao ponto de tornar-se apenas absurdo e muito menos detalhar o “bom” exterior ao ponto de passarmos a mensagem errada.

Portanto, foque-se que esta época “boa”, tanto faz como seu abusador age para acentuá-la (presentes, pedidos de desculpas manipuladores, criar planos que a vítima gostaria, etc.) serve para manipulá-la a pensar que realmente se importa; que todo o mau que fizeram é apenas parte da relação, que se arrependem e portanto deixá-la a duvidar mais de si mesma.

No lado da vítima, ela deve ser retratada num estado de alerta, suspeita e medo de retaliação. De não querer dizer ou fazer algo errado que acabe com esta fase e, claro, questionar-se se algo esteve errado para começar.

Ou seja, uma das partes mais importantes de relatar momentos “bons” nos relacionamentos abusivos, é conseguir retratar de forma equilibrada e realista o mau que lá se esconde.


Não acaba quando acaba

Todo o mundo pensa que o desfecho nobre de um relacionamento abusivo é a vítima escapar, e coloca o ponto de final, sem parágrafo, a história termina ali. Mas para a vítima, para o abusador e para todos os envolvidos, o final da união entre as duas pessoas é apenas o início.

Em relação ao trauma, ele não desaparece com o abusador. Aliás, normalmente se demonstra muito mais agudo quando a vítima finalmente se vê livre da relação. Por quê?

Bom, imagine que você está no meio de um massacre, tiro por todo o lado, tudo o que você consegue pensar naquele momento é, obviamente, sobreviver: onde se esconder, o que fazer para escapar ileso e tudo mais. Você tem tempo para processar o trauma que esta situação te vai causar no meio dela? Claro que não! Pois é, uma vítima também está nesse estado de sobrevivência durante a relação.

Agora, você é salvo desse desastre. Finalmente apanham o maníaco que causou toda essa tragédia, está seguro em casa ou num hospital. Terminou? Vai embora sem nunca mais pensar nessa experiência? Lógico que não! Uma vítima de abuso vai agir da mesma forma.

Porque finalmente têm um lugar seguro para desabar.

E isto é apenas a parte do trauma, temos que reconhecer todas as outras vertentes e particularidades que estão acarretadas dependendo do tipo de relação que escrevermos. Os dois têm filhos ou bens partilhados? Vão ter que resolver isso. Os amigos e família que apoiam o abusador vão pressionar a vítima? Como a vítima vai lidar com as pessoas que perdeu por estar isolada por tanto tempo?

Por fim, o abusador, não pode contar que simplesmente levou a separação de boas. Como ele vai reagir e retaliar? Como a sua vítima vai se proteger?

É muito para pensar, muito para explicar, o fim está longe de ser o fim.


Concluindo

Terminamos mais um post, desta vez mais curtinho e com menos tópicos. A verdade é que para fazer algo desse tipo onde me foco apenas em padrões e situações gerais de relações abusivas tive que cortar bastantes coisas. Mas espero que tenha ficado sucinto e compreensível. Além disso, haverão muitas partes faladas aqui que fazem mais sentido serem aprofundadas nos seguintes posts.

Hoje aprendemos algumas dicas de como o relacionamento abusivo se desenvolve, o que o constitui, e o que o difere dos outros. E, mais importante, como os escrevemos corretamente.

Espero que tenha ajudado, e até ao próximo post!

Webgrafia Utilizada
 http://springhole.net/writing/write-better-abused-characters.htm

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Cinco Pensamentos que Devíamos Abandonar para Escrever Melhor

segunda-feira, 10 de setembro de 2018
Por: MicheleBran
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/5389/



Olá, queridos leitores do blog.
Eu sei... Não era meu dia de estar aqui, mas sempre que aparece uma oportunidade, eu não resisto e venho aqui falar com vocês.
Então, vamos lá.
Algo bem recorrente em locais com muitos escritores é alguém estar desmotivado com a escrita, com um bloqueio, pensando em desistir ou até que já desistiu. Todos nós já vimos isso e não conto quantas vezes já fiz posts do tipo também até perceber que boa parte das dificuldades que nós enfrentamos está em nossa própria mente.
O maior inimigo de um escritor acaba sendo ele mesmo, muitas vezes. E o que é pior: geralmente, a gente nem se dá conta de que está se ponto para baixo e se sabotando.
Esse post tem por objetivo listar cinco pensamentos bem recorrentes que qualquer um de nós já teve pelo menos uma vez e tenta dar caminhos para superar aquela vozinha troll na nossa cabeça. Sente no divã e relaxe! Hoje temos uma sessão de post-terapia.




5) "Nunca vou conseguir terminar"
Já passei por isso com outras histórias e agora volto a enfrentar a situação com outra que, a essa altura, já deveria até estar finalizada.
Algo que funcionou em outros momentos (e talvez não estejam rolando com essas histórias porque ainda não consegui descobrir) é tentar identificar o principal motivo que o/a impede de chegar ao fim da história.
Muitas vezes são problemas no planejamento que deixam a trama confusa, alguma falha de enredo que o torne desinteressante ou personagens sem muito carisma. Quando a gente não gosta do que está escrevendo e não se sente motivado/a, é mais difícil continuar e vem esse sentimento de que nunca vai chegar ao fim.
Primeiramente relaxe! Tente identificar o problema e definir estratégias para superá-lo. Se o problema é tempo, experimente organizar seus horários, registrar uma agenda e rastrear um horário que você possa escrever nem que seja por 10 minutos.
Se são problemas mais técnicos, estudo e prática sobre sua maior dificuldade (que você precisa identificar, antes de mais nada) podem ajudar bastante. Se o problema é de inspiração, experimente tirar uma folga breve e ir ler outras histórias. A leitura ajuda bastante a dar ideias. Ver filmes ou séries bacanas e ouvir músicas também são uma ótima pedida. Mesmo exercícios ao ar livre podem quebrar um galho.
Já se o problema é motivação, veja o que está tirando sua disposição e principalmente se você não se sente mais a fim de escrever qualquer coisa que seja ou é apenas esse texto em específico.
De qualquer forma, uma folga sempre ajuda. Vá fazer outras coisas e arejar a mente. Ficar eternamente debruçado em um único texto tende a cansar sua mente e matar seu interesse mesmo. Divirta-se com outras coisas e depois, só depois, volte ao trabalho.


4) "Nunca vou ser tão famoso(a) quanto Fulano(a)"
Primeiramente, pegue essa pistola metafórica aí ao seu lado e mate esse pensamento agora!
Você não precisa ter fama, muitos números ou ser conhecido/a em todos os lugares para escrever bem. Seus números não definem quem você é nem a qualidade do seu trabalho. Há sim, histórias boas famosas, mas também tem umas com falhas gritantes. Por outro lado, há sim histórias ruins enterradas no limbo, mas outras ótimas esquecidas.
Não é justo, mas é o que acontece.
Feedback é muitíssimo importante, mas você tem que persegui-lo pelo conteúdo, não apenas porque ele irá aumentar seus números. É como viajar e se preocupar apenas em chegar, sem aproveitar a paisagem.
Não é porque alguém tem mil comentários e você apenas dois que sua qualidade de escrita é inferior. Até porque alguns aspectos dessa qualidade são relativos (farei um post relativo a isso no futuro, mas pode acontecer de uma história ser ótima em termos de técnica enquanto tem um tema que não prende o leitor, e consequentemente terá menos pessoas acompanhando).
Mais do que isso: não ataque o trabalho do amiguinho apenas porque ele é mais famoso. Como disse, óbvio que há histórias ruins que ficaram famosas por qualquer motivo, mas não é pelos números que você saberá disso.
Além do mais, é muito feio para você falar mal do que não conhece. Ao menos leia a história antes de tecer suas opiniões e, ao constatar problemas, não custa nada escrever uma crítica construtiva.
“Ah, mas e se a pessoa me xingar por isso?”. Problema dela. Sua parte você fez em ajudar. Vai ficar feio agora para ela ser escrota com alguém que apenas queria ajudar.


3) "Nunca fica do jeito que eu quero"
Vamos voltar aos conselhos dados lá em cima. Reflita sobre o que você planejava para essa história (não precisa ter feito um planejamento formal, basta se lembrar do que você tinha pensado para ela originalmente) e avaliar as mudanças.
Muitas vezes, mudanças não são negativas por si só. Ao contrário, há algumas que podem deixar até seu trabalho final mais interessante do que você queria no início.
Em uma das histórias que estou escrevendo, a versão atual ficou bem diferente da que eu tinha pensado a princípio, mesmo o básico ainda estando ali. E não ficou ruim. Acho até que os leitores gostarão muito mais dessa versão do que o meu plot inicial.
Então pense direitinho: “as mudanças deixaram meu texto melhor?” Caso não, “há algo que eu possa fazer para reverter ao que eu queria? Começar um plot daqui (caso ainda não tenha um) ajudaria a saber como a história vai seguir daqui para frente? Precisarei recomeçar tudo do zero?”.
O que importa é: ao decidir refazer o planejamento, faça em um documento separado e salve como “Plot – Versão X” ou similares. Assim você não perde sua ideia inicial. A mesma coisa com eventuais cenas excluídas. Você pode mudar de ideia e incluí-las novamente ou usá-las em trabalhos futuros.


2) "Preciso agradar meus leitores"
Mais um pensamento para matar sem dó.
Claro que é legal ouvir seus leitores, já que vez por outra eles dão sugestões importantíssimas que pode valer a pena seguir. Mas nem todas as dicas e ideias são viáveis, seja porque provocariam uma mudança muito gritante no que já está planejado ou simplesmente porque você não curtiu a dica.
A primeira pessoa que precisa estar feliz com seu trabalho é você. Repita isso até que aprenda. Se você não está feliz com sua história, se a motivação não está em alta, não vai rolar e ela será abandonada mais cedo ou mais tarde ou a qualidade ficará lá embaixo.
Já escrevi mais de sete mil palavras em um dia e terminei uma história bem longa em menos de um mês, mas apenas porque eram histórias que eu amava (e ainda amo de paixão) e queria muito contar. Sem isso, não adianta forçar.
Claro que você também não precisa ser uma pessoa grosseira e ignorar solenemente seus leitores. Abra o jogo e fale que talvez não dê para seguir todas as sugestões, mas que está ali para ouvir o que eles tem a dizer e quer saber as teorias. Eu, pelo menos, estou ansiosíssima para saber que hipóteses serão criadas em cima de algumas histórias minhas.
Também é interessante ouvir os leitores porque ideias que você não pode usar numa história podem ser guardadas para irem parar em outra história no futuro. Já tenho umas duas ou três oneshots planejadas com base em ideias que me deram em comentários de outras histórias.


1) "Escrevo muito mal"
Acho que é um dos pensamentos mais comuns. Todos nós já pensamos isso em algum momento, principalmente quando comparamos nossa escrita a de outros escritores que admiramos. Já tive vontade de deletar tudo e chorar em posição fetal ouvindo Adele após ler alguns textos do Nyah, infinitas vezes melhores que os meus, mas ok. Vida que segue hehehe.
O ponto principal é que todo mundo começa escrevendo mal. Sabe aquele autor ou autora conhecida no mundo todo? Um dia os livros dele/a foram textos sofríveis. Aquela fic incrível que você achou na internet? A mesma coisa.
A única coisa que diferencia essas pessoas de nós é que elas estudaram e praticaram bastante para superar suas deficiências literárias (e se você perguntar, certamente ainda vão dizer que escrevem mal pra cacete, testa aí). Você também pode melhorar.
Identifique suas falhas. É no enredo? Nos personagens? No português? Com o problema em foco, pesquise livros e artigos, peça ajuda a amigos que saibam um pouco mais que você, procure um beta-reader... Comece a trabalhar de verdade no que você está fazendo de errado e não tenho dúvidas: você vai superar isso.
Quando comecei a escrever em 2007 (PELAS BARBAS DE ODIN, TINHA GENTE ME LENDO HOJE QUE ESTAVA NASCENDO NESSA ÉPOCA, SOCORRO), meus personagens eram altamente estereotípicos (não estereótipos negativos, mas ainda assim eram planos e sem muitas evoluções ao longo da trama), eu escrevia sem plot e sem pesquisar nada, tirava os nomes dos personagens do c# (tinha uns ridículos) e ia escrevendo o que dava na telha. (Inclusive ripei uma delas no meu blog, nesse post, vemk passar vergonha junto comigo).
Não que eu esteja no nível Machado de Assis, tampouco superei todas as minhas dificuldades. Mas comparo esse texto incrivelmente velho com o primeiro capítulo de Moonlight, uma das histórias que estou trabalhando no momento, e fico feliz com minha evolução e pelo fato de eu ter superado falhas profundas.
Aliás, se vocês lessem a primeira versão de Moonlight e depois fossem para o primeiro capítulo reescrito, iam ficar “eita” com as diferenças sutis, mas que deixaram o texto bem mais limpo e agradável de ler.
Nesses momentos, olho para trás e vejo que as noites em claro de pesquisa, que passei lendo coisas, praticando, arrancando os cabelos quando não funcionava e chorando porque achava que ia escrever só porcaria sempre valeram muito a pena e também podem valer para você.
Talvez você nem escreva mal mesmo e isso seja só sua mente achando um jeito se sabotar seus planos e fazê-lo/a desistir de seus sonhos. Não dê ouvidos a ela e continue se esforçando, estudando, praticando e escrevendo. E se for o caso de ter realmente falhas graves do seu texto, você pode, sim, superá-las. Levante essa cabeça e comece suas pesquisas. Você tem um acervo IMENSO na internet de material que pode ajudar (começando pelo nosso bloguinho ♥).
Mãos à obra!
Até mais ;)
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Como Retratar Corretamente Relacionamentos Abusivos - 1/5

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Por: Musa




Olá, caros autores, betas e leitores. Decidi me estrear no blog com uma temática bem de boa e nada complexa que surgiu no banco de sugestões.



Sendo uma autora e beta reader que se foca muito em personagens, na maneira como as pessoas comunicam e nas dinâmicas de relações, era de esperar que esse assunto fosse tão importante para mim. Inclusive é um dos que eu mais gosto de abordar. Vamos falar de como retratar corretamente relacionamentos abusivos!



Vai ser uma série de posts dividida em cinco tópicos:



Desaprendendo e Aprendendo

Anatomia do abuso

Tipos de abuso

A vítima e o abusador

Dicas gerais



Cada um vai explorar uma vertente diferente do processo de escrever sobre estes relacionamentos que toda gente cria, quer criar ou já criou, mas quase ninguém sabe como.



O objetivo dos posts é oferecer uma perspetiva clara e focada na literatura e representação destes relacionamentos, ou seja, não vai ser um manual como um psicólogo faria. Vale dizer que eu não sou psicóloga ou profissional, todo meu conhecimento vem de experiência própria e muita, muita pesquisa.



Outra coisa: não vou estar falando de relacionamentos abusivos românticos, mas sim independentemente da relação entre os personagens. Todo o relacionamento abusivo, romântico, de amizade, ou familiar tem o mesmo peso potencial para a vítima e funciona através de mecânicas semelhantes.



Então, sem mais delongas, vamos lá!




Desaprendendo e Aprendendo



Talvez estejam curiosos sobre a razão do título desse tópico. É muito simples.



Se tem uma parte do meu interesse sobre a interação humana, especialmente em obras fictícias, já se devem ter perguntado por que existe a necessidade de uma postagem como esta. Afinal, não deveríamos ter noção do que é um relacionamento nocivo para nós mesmos e para quem amamos? Não deveria sair naturalmente?



É uma ideia razoável, mas quando se trata de abuso, as coisas se complicam. As razões porque isto acontece na vida real são mais complexas. Na ficção, pode ser mais facilmente explicada.



Ficção é ficção, podemos explorar muitas coisas que nunca poderíamos na vida real. As relações entre nossos personagens estão completamente sob nosso controle, pelo que não estamos magoando ninguém.



Ou seja, no relacionamento abusivo ficcional, por não envolver pessoas reais, os padrões são mais alargados ou moldáveis assim como todo o resto na escrita. Isto torna mais difícil para o escritor saber se aquela temática ou aquele comportamento já tão disperso no ambiente literário é realmente nocivo enquanto fictício.



Portanto, desaprender e aprender é o primeiro passo para escrevermos relacionamentos abusivos.



Para podermos escrevê-los, vamos ter que nos preparar para reaprender tudo o que a ficção nos ensinou sobre relacionamentos até agora. Temos que ser críticos de nós mesmos e do tipo de relação que achamos ideal; das reações, gestos e interações nocivas às quais perdemos a sensibilidade.



Isto porque a liberdade mencionada acima torna-nos insensíveis a muitos relacionamentos abusivos, e mais proeminentemente, comportamentos abusivos.



O problema não é que tanto os comportamentos idealizados apenas em meios fictícios, mas que na vida real são abominados. É bom separarmos realidade da ficção, assim como termos um espaço na para expressar nossas fantasias mais sombrias, desabafar e tudo mais, sem magoar alguém de verdade.



Mas o que acontece quando certos comportamentos abusivos estão sendo dispersos e até mesmo cobiçados tanto em meio real como na média?



Este post acontece! A grande parte da razão porque escritores têm dificuldade em retratar relacionamentos abusivos é porque, bom, nos esquecemos de como retratar relacionamentos saudáveis.



Isso aí, neste primeiro post, vamos falar do essencial para escrever um relacionamento saudável. Não se desespere, pois vai ensinar como escrever um não saudável. É uma base importante para qualquer escritor se limpar das ideias errôneas expostas a toda hora na média criativa.



Então vamos:



Algo tem que manter os personagens juntos.



Esse é um ótimo exercício para identificarmos se o relacionamento que estamos escrevendo é saudável ou não. Todos nós autores adoramos imaginar o que atraiu nossos personagens um ao outro, o que gerou aquele romance maravilhoso ou aquela amizade linda. Mas o que atrai duas pessoas nem sempre é o que as mantêm juntas.



Então pergunte-se: o que está unindo essa relação? A novidade de uma presença sempre vai expirar. O que fica depois é uma das chaves para você decidir que tipo de relacionamento estará escrevendo. É a confiança, um objetivo em comum? Provavelmente o relacionamento é saudável. São os ciúmes, o medo de perdê-lx? Provavelmente o relacionamento não é tão bom assim.



Esse é o ponto de partida, se está escrevendo um relacionamento abusivo, deve usá-la também.



Ambos apreciam tempo sem o outro.



Uma dependência e vontade inebriante de estar ao lado de outra pessoa a qualquer momento soa muito bem quando romantizada num parágrafo ou frase naquela fic gostosa do nosso OTP. E é normal que seus personagens quando apaixonados ou com outro laço muito forte acreditem nisso.



Porém, quando esta vontade se alarga por páginas e capítulos, e em vez de apenas um pensamento amoroso do seu personagem é algo que colocam em prática, o relacionamento já não é saudável. Seus personagens, antes de um casal, amigos, irmãos, são personagens independentes. Isto é, cada um sabe estar sozinho e, pois é, com outras pessoas.



Isto inclui não deixar para trás os amigos antigos. Uma nova relação importante vai demorar tempo a ajustar-se à rotina. Mas seu personagem não deveria, em ambiente saudável, perder todo seu círculo social anterior em função de uma pessoa.



Se isto gera desconforto, ansiedade, ciúmes e discussões entre os personagens, representa um ambiente extremamente tóxico.



Eles devem estar confortáveis um com o outro.



Parece simples, muitas vezes quando ainda se estão conhecendo, algum desconforto ou constrangimento é normal. A ideia é que, após um bom tempo convivendo e numa relação estável, se um ou ambos os personagens não sentem que podem ser eles mesmos na presença do outro, não é saudável. Se estão sempre preocupados que o que dizem vai ser mal interpretado ou gerar uma discussão, se têm medo de falar as coisas “erradas”, é um sinal importante que algo não está indo bem.



Um ponto fulcral numa relação é a intimidade, têm que haver barreiras quebradas e nenhum dos personagens deveria sentir que tem que seguir um certo padrão ou eliminar certos comportamentos para estar em convivência com a outra pessoa.



Não esquecer que a confiança tem que vir em medidas iguais em ambas as partes, assim como o respeito e conforto.



Vamos acalmar os controladores.



Se um dos personagens está seguindo o outro, invadindo sua privacidade e governando certos ou todos os aspectos de sua vida; se está metendo a mão em decisões que o outro personagem tem toda a independência e maturidade para tomar sozinho, algo está errado. Não importam as intenções nobres de “não quero que algo lhe aconteça” e afins, é estranho e atitude de maníaco.



Os personagens devem respeitar a autoridade que cada um tem sobre si próprio e seus limites. Se ultrapassa os conselhos ou opiniões, especialmente sem o consentimento do outro, não é saudável.



Ciúmes e atitudes possessivas desproporcionais.



Ciúme é um dos sentimentos mais dispersos e mal interpretados em qualquer relacionamento fictício. E, infelizmente, também modelou a maneira como vemos relacionamentos na vida real. O ciúme não é automaticamente mau, especialmente nas fases iniciais de um relacionamento onde tudo ainda é incerto e instável. Mas se os seus personagens estão juntos há um bom tempo e ainda não confiam um no outro para estar com outras pessoas, assumem que todo o mundo vai roubar o seu lugar ou que vai ser substituído, é um mau sinal.



A mesma regra vale para os comportamentos possessivos, que são muito romantizados por aí. “Eu sou dele, e ele é meu.” coisas do gênero, assim como a vontade de estar ao lado um do outro a toda a hora, são bonitas quando usadas de forma figurativa e esporádica. Porém, agir como se a personagem fosse sua propriedade e que as outras querendo estar em sua presença estão a “cobiçando” não é legal.



Sem jogos mentais.



Mais um tópico que deveria nem ser mencionado, e é verdade que quase todos os escritores e leitores entendem a ideia. O que muitas vezes nos confunde é o que se enquadra como jogos mentais.



Jogos mentais incluem fazer perguntas para a qual não existem respostas certas; chantagem se uma das pessoas expressa querer sair da relação; trivializar os sentimentos do outro; tratar o outro personagem como inferior ou fraco e também culpar o outro embora saiba que tenha sido o culpado.



Coisas como: “Você acha que eles te amam mais que eu?”; “Eu não iria conseguir viver se você me deixasse.”; “Você que não me entendeu.”; “Você não consegue fazer isso sozinho, eu faço.”; “Você que me provocou.” respectivamente.



Existem situações, claro, que se assemelham ou geram diálogo como o anterior sem serem nocivas. Porém, se é sistemático e com a pura intenção que mencionei parágrafos acima, algo está errado.



Concluindo



Agora que revemos o que torna uma relação saudável, temos toda a base necessária para criticarmos e analisarmos as relações abusivas que pretendemos escrever. Isto porque vamos ter noção de como construir a relação abusiva de uma forma realista e também evitar escrever relações tóxicas sem intenção.



Queria apenas finalizar com: Nem todos os relacionamentos não saudáveis são automaticamente abusivos. Isso é uma distinção que vou discutir melhor mais à frente. Todas as relações têm problemas, portanto se seus personagens estão com dificuldades num ou dois pontos daqui, isso ainda enquadra como um desafio para ambos resolverem juntos.



Existem fatores como transtornos psicológicos, inseguranças e personalidades incompatíveis que podem tornar um relacionamento disfuncional. Disfuncional não significa abusivo, pois existe maneiras de consertar os problemas com tempo, apoio e terapia sem separar os personagens.



Espero que tenham gostado, quaisquer dúvidas podem perguntar embaixo. Até o próximo!





Bibliografia Utilizada



http://www.springhole.net/writing/write-healthy-relationships.htm
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As imagens que servem de ilustração para o posts do blog foram encontradas mediante pesquisa no google.com e não visamos nenhum fim comercial com suas respectivas veiculações. Ainda assim, se estamos usando indevidamente uma imagem sua, envie-nos um e-mail que a retiraremos no mesmo instante. Feito com ♥ Lariz Santana