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Como Retratar Relacionamentos de Amor/Ódio

domingo, 20 de outubro de 2019
relacionamento amor ódio dica de escrita


Por: Lady Lovegood

Olá, chuchus da tia! Como estão? Depois de um tempinho sumida, cá estou eu com mais um artigo para o Blog! Da última vez eu dei algumas dicas sobre “Como escrever BDSM”, e dessa vez vou tentar dar uma direção sobre como escrever os tão queridos arcos de “Amor X Ódio”.
Esse trope com certeza é um dos meus favoritos e eu li centenas de fanfics sobre relacionamentos assim, uma vez que meu OTP é Draco e Harry, e eles com certeza são a encarnação de um relacionamento baseado nisso. Enfim, com base em toda minha longa gama de experiência com os mais variados tipos de histórias seguindo essa premissa, vou tentar guiar você, destemido escritor, que gostaria de se aventurar por essa terra misteriosa e deliciosa!
Lembrando que esse artigo será focado inteiramente em relacionamentos românticos (afinal, existe amor/ódio entre amigos, familiares, também, etc.).

  1. Antes do Amor


Para você, escritor, que está apenas começando a esboçar a ideia de uma história de amor e ódio, a coisa mais importante a se considerar para construir um relacionamento sólido e coerente entre seus personagens é tentar delinear primeiro quem eles são antes de atingir a etapa do amor; isto é, o que eles significam um para o outro.
Seus personagens são apenas conhecidos? Seus personagens já foram amigos em algum momento? Eles têm frequente contato um com o outro ou nunca se falaram? Os dois se odeiam mutuamente? Isso é muito importante, porque nos leva ao próximo item, que é com certeza um dos pontos que deve ser mais bem explicados na sua história.

  1. Motivos do Ódio

Veja bem, para que você tenha uma verdadeira história que caminhe nos moldes do “amor/ódio”, é preciso que o ódio sentido pelos personagens um pelo outro, ou apenas por parte de um, seja coerente e realmente faça sentido existir.
Responderei a algumas das indagações do item anterior para dar um exemplo de como definir o que os personagens significam um para o outro  +  o motivo de seu ódio ser essencial.

Seus personagens são apenas conhecidos?
Sim, suponhamos que você queira que eles sejam apenas conhecidos e nunca tenham sido amigos antes.
Veja bem, com base nisso, existe uma gama de possibilidades que você já pode descartar ou colocar na mesma. Seus personagens, já que não se conhecem muito bem e não têm um relacionamento íntimo anterior, não podem, por exemplo, manter seu ódio baseado em um sentimento de traição ou mágoa profundo (até pode, neste último caso, mas é outro caso que vou apresentar mais para a frente, sendo uma exceção*), mas eles podem muito bem odiar a outra pessoa pelo que ela representa.
Quem não se lembra do ódio entre alunos da sonserina e grifinória? A maioria dos alunos realmente não se conhecia, mas eles se odiavam simplesmente pelo que achavam que o outro representava.

Seus personagens se odeiam mutuamente?
Digamos que não, que apenas um deles odeia o outro. E isso, apenas isso, meu caro escritor, pode dar uma abordagem completamente diferente a sua história, porque então não somente você precisa definir quem eles são um para o outro, mas o motivo para um odiar enquanto o outro não.
Aqui, nesse conceito, está uma das ramificações mais usadas no trope de amor/ódio, que é quando um dos personagens sente ódio e o outro amor.
Isso me lembra muito o Simon e o Baz de Carry On, que vivem e respiram o amor/ódio.
Na história (SPOILER, SPOILER, SPOILER), eles realmente não se dão muito bem e são inimigos(?), mas eles também se conhecem muito bem, porque compartilharam um dormitório por muitos anos. Mas enquanto o Simon apenas demonstra desconfiança pelo Baz e parece que em algum momento realmente o odiou, o Baz, no fundo, sob todo o descontentamento, ódio e atitudes mesquinhas para chamar a atenção, realmente está apaixonado pelo Simon (sim, ele admite isso com todas as letras no livro. LEIAM, é muito bom).
E não esquecendo, é claro, que no livro o Simon tem motivos muito claros e sólidos para odiar o Baz (o Baz foi uma merda de várias formas), então o ódio dele é muito coerente, enquanto apresenta também argumentos muito sólidos para o Baz estar apaixonado pelo Simon e o odiar também.



  1. Eles se amam e odeiam ao mesmo tempo?


Resolvi separar isso do tópico anterior para não ficar muito grande e porque também quero trabalhar como um quesito de exceção (apesar de ser muito usado).
Como ressaltei anteriormente, há casos em que um dos personagens está apaixonado pelo outro enquanto o outro o odeia. Mas também existe a possibilidade deles se odiarem e amarem ao mesmo tempo. É uma das coisas que mais vejo em fanfics Drarry. 
O importante, como falei nos itens anteriores, é haver motivos coerentes para o ódio e o amor.
Vamos aos exemplos:
Em muitas fanfics vejo o Draco amando o Harry pela boa pessoa que ele é, por ser heroico, bonito e por ter salvado ele na guerra, além de ter matado Voldemort e ter livrado sua família da ira daquele tirano. Em contrapartida, ele também o odeia, pois a derrota de Voldemort também fez com que sua família estivesse do lado perdedor da guerra e Draco se sente inferior a Harry.
O Harry, por sua vez, ama o Draco por toda a lealdade que ele demonstra com sua família, por sua beleza, esperteza e engenhosidade, mas também o odeia por tudo que ele representa, por tudo que ele e sua família fez e por tudo que ele acredita.
Eu considero que esse seja uma das ramificações mais difíceis de trabalhar, pois vocês têm que decidir com antecedência se eles vão chegar a perdoar um ao outro em algum momento, se vão conseguir superar seu ódio, ou se vão apenas considerar enterrar tudo para debaixo do tapete.
Eu sinceramente espero que vocês escrevam muitas histórias em que eles se perdoem e sejam muito felizes e tenham bebês <3



  1. A estrada para o Amor

Depois de decidir todas essas coisas, aqui vamos nós! O desenvolvimento.
Você, corajoso escritor, precisa traçar o caminho que nossos jovens heróis vão traçar para chegar ao amor, e aqui vai muito da sua criatividade, sinceramente. Já vi fanfics de tudo quanto é jeito em que no final as coisas funcionam.
Mas eu vou dar alguns exemplos do que é mais comum por aí, casos vocês precisem de algumas ideias!
Seus personagens podem ser conhecidos que se odeiam apenas com base no pouco que conhecem um do outro e, com o tempo e oportunidade, começam a se conhecer melhor e sentir algo mais um pelo outro.
Eles também podem ser amigos que, por algum motivo, passaram a se odiar, mas que, com o tempo, reacendem a amizade, se perdoam e logo se tornam algo mais.
Ou, O MEU FAVORITO: eles são inimigos mortais que também sentem uma atração gigantesca um pelo outro e não conseguem manter as mãos longe um do outro, se amassando por aí nos armários de vassouras de Hogwar-... quer dizer, *cof, cof*, se amassando por aí... E então começam a lenta ou rapidamente a se apaixonar um pelo outro, conforme vão se conhecendo.
E lembram daquele meu asterisco de exceção lá em cima? Aqui vai ele!!!!!!!
Meu arco favorito de desenvolvimento de amor/ódio até hoje com certeza é o dos personagens Laurent e Damen de Príncipe Cativo! É sinceramente além do perfeito.
SPOILER, SPOILER!
Na série de 3 livros nós vemos o ódio que o Príncipe Laurent sente pelo Príncipe do país inimigo, Damianos, porque Damen matou o irmão mais velho de Laurent, Auguste.
Veja bem, como eu disse no asterisco, aqui está uma exceção porque o Laurent realmente não conhece intimamente o Damen, mas o odeia com todas as forças por isso. Mas é um motivo sólido, então é coerente.
No livro o Damen conhece o Laurent anos depois de ter matado o Auguste e realmente não pensa nele antes disso, todo o ódio dele pelo Laurent é baseado na pessoa que ele vem a conhecer durante o tempo que ele passa ao lado do Laurent (Laurent pode ser cruel).
Mas o mais interessante é como eles começam a lentamente mudar esse relacionamento deles, mesmo sem querer, para algo diferente. Eles começam a se conhecer e perceber que eles são muito mais do que o que viam superficialmente ou baseado em preconceitos. O livro também é excelente porque trabalha o personagem Laurent de uma forma fantástica, fazendo com que o leitor quase não reconheça o Laurent das primeiras páginas com o Laurent das últimas páginas. Mas, claro, se você ler o meio do livro irá entender o porquê disso e os motivos que levaram os dois a deixarem de se odiarem.
Desculpem, eu me empolgo falando desse livro.



  1. O Amor

E finalmente chegamos ao fim! O tão maravilhoso amor. Cabe a vocês, nobres escritores, decidirem que fim dar a seus personagens.
Como eu falei em um item anterior, vocês precisam decidir se, nesse ponto, os personagens conseguiram ou não superar seu ódio, se eles irão ficar juntos mesmo ainda odiando o outro um pouco, se eles não ficarão juntos, se eles perdoaram um ao outro, etc...
Como o trope se chama “ódio ao amor”, o mais comum é que eles consigam, sim, superar esse ódio e ficarem juntos <3 Vocês só precisam ter o cuidado, aqui, de fazer com que a estrada para o amor seja lógica e desembarque em um final que não vai deixar pontas soltas ou os leitores confusos se perguntando “Como?” ou “Por quê?”.
E lembrem-se: o clichê só é clichê porque é maravilhoso, sim, e as pessoas adoram. Não tenham medo de escrever sua própria versão desse trope e usar e abusar da imaginação!!!


Enfim, eu sinceramente espero que isso tenha ficado mais coerente do que eu acho que ficou, e que tenha ajudado vocês em algo! Hahahaha São tantas coisas para falar que ficou difícil selecionar.
Qualquer pergunta ou ajuda que vocês precisarem, podem comentar aqui embaixo que responderei com todo prazer! <3
Beijos!
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Como Retratar Corretamente Relacionamentos Abusivos - 3/5

segunda-feira, 25 de março de 2019


Por: Musa


Bem-vindos, queridos leitores. Estou de volta com a continuação dessa série de utilidade pública para nos ajudar a retratar corretamente relacionamentos abusivos na escrita.

Até agora, aprendemos como escrever relacionamentos saudáveis e o ciclo do abuso. Tudo isso para termos uma ideia generalizada de como esse tipo de relações funciona e como distingui-las das saudáveis ou apenas disfuncionais.

Neste post, vou estar explicando os tipos de abuso, pois é. Existem vários tipos, uma relação abusiva pode funcionar de várias maneiras e ter mais que um tipo de abuso em simultâneo. Tudo vai depender do tipo de abusador que você pretende escrever, assim como o tipo de relação que ambos os personagens têm.

A importância deste post não é descrever as reações da vítima e do abusador ao exercer ou sofrer os diferentes tipos de abuso, e sim compreender do que se trata e o que os torna abusivos em vez de apenas casos isolados ou disfuncionais. A mentalidade da vítima e do abusador por trás ou após o abuso é algo muito complexo que deverá ser desenvolvido através da pesquisa do autor.

Existem várias niches de abuso e algumas delas podem ser incluídos em tipos mais abrangentes. Então vou resumir no seguintes: Abuso Emocional, Abuso Físico, Abuso Sexual, Abuso Financeiro e Abuso Espiritual.

Vamos lá!


Abuso Emocional

Há uma razão porque decidi abordar este tipo primeiro:

Ao contrário dos outros tipos de abuso, que são facultativos para constituir uma relação abusiva, o abuso emocional não pode, de jeito nenhum, não existir. Este tipo está na génese de qualquer relacionamento abusivo. Sem ele, não existe o abuso nem a possibilidade do abuso manter-se.

Como falei no post anterior, o ciclo de abuso é constituído por um abuso emocional integrado. Ele é o combustível deste tipos de relacionamento. Ou seja, se você se pergunta se a relação que escreve é abusiva, disfuncional, ou apenas mal escrita, tem que começar pelo abuso emocional e se ele está ou não presente, se está ou não desenvolvido.

Portanto, comece por ele.

Os outros tipos de abuso são apenas maneiras que o abusador procura para atingir a vítima de formas em que o emocional não é suficiente, ou é aquele que consolida ou banaliza as atitudes dos outros tipos de abuso. É aquele que quebra e molda a vítima ao gosto do abusador.

O abuso emocional é constituído ou realizado através de outros tipos mais pequenos, como o verbal. O abusador usa palavras como armas para a vítima, ela começa a acreditar nas suas mentiras; fazendo-a acreditar que é estúpida, doida, que ninguém a vai querer, que ninguém a ama/aguenta. Isso pode existir na vítima antes, e o abusador aproveitar-se, ou podem ser inseguranças que são inseridas na vítima após ouvi-lo por tanto tempo. Estas mentiras vão deixar a vítima isolada, pois ninguém a quer por perto, ou impossibilitá-la de falar acerca do seu abuso, por pensar que merece ou é doida e está exagerando.

Não apenas por palavras, pequenas ações ajudam a promover este abuso. Coisas como mover pertences da vítima e dizer que sempre estiveram ali, negar que certas coisas aconteceram, diminuir ou distorcer as palavras da vítima — especialmente se está queixando-se de algo que o abusador fez. Acontece através de um sistema longo e consistente, vai fazer a vítima duvidar da sua própria sanidade. O que gera mais isolamento ou fá-las sentir que ninguém vai acreditar nelas se falar no que está acontecendo, afinal elas nem se lembram onde deixaram as chaves de casa, não é mesmo?

Muito se pode dizer sobre este tipo de abuso e a sua importância, apenas saiba que não pode esquecer-se dele, pois é a cola que deixa tudo juntinho.

Quando for escrever um relacionamento abusivo sem desenvolver uma base cíclica, constante e bem fundada em abuso psicológico e/ou emocional, os seus relacionamentos abusivos vão parecer superficiais e não acreditáveis.

Este é o abuso que vai seguir a vítima por mais, tempo, o físico, sexual, financeiro, são palpáveis e visíveis, podemos afastar a pessoa que magoa a vítima e terminá-los. Porém o emocional permanece, por vezes permanentemente, muito depois da vítima sair da situação. Ele vai moldar o trauma e sua mentalidade dali para a frente.

Então pesquise muito sobre, não pense que pode adivinhar o que é passar sobre esse tipo de abuso sem tê-lo vivido; e desenvolva-o antes de qualquer outro.


Abuso Físico

Este é o mais visível e, normalmente, aquele em que pensamos quando vemos a palavra “abuso”. Às vezes, até mesmo relações que não envolvem este tipo de abuso nem são consideradas abusivas ou “abusivas o suficiente”.

Não existe muito a dizer sobre o que acontece no abuso físico, ele inclui machucar alguém com ou sem objetos (atirar coisas como vasos, usar armas, etc.); também inclui sufocar, invadir o espaço pessoal e até mesmo a ameaça de comprometer a integridade física da vítima através de coisas como conduzir sem cuidado, tornar os espaços onde ela se encontra inseguros, escorregadios, tóxicos, tudo o que é deliberadamente feito pelo abusador para magoar a vítima fisicamente é considerado abuso físico.

A violência pode estar presente em várias situações e relações, o que a torna abusiva é haver claramente uma vítima e um abusador consistentemente, no caso, não quer dizer que a vítima não retalie uma vez ou outra, mas ela sempre sai com um castigo muito maior se se atreve a fazê-lo. Também existe o facto que a violência é usada pelo abusador como demonstração de uma frustração por não conseguir o que quer da vítima através dos métodos não violentos (abuso emocional). Ou talvez seja o abuso físico nascente de problemas em lidar com a raiva, consumo de substâncias, e então o abuso emocional segue-se para que o comportamento seja banalizado.

O que se deve ter em consideração descrevendo abuso físico é encontrar a lógica que o seu abusador tem para usá-lo, por que ele o usa? Em que situações? Como ele faz depois de um episódio para que a vítima permaneça com ele? Quais os seus gatilhos? Como ele justifica fazer isso para si mesmo? Isso são tudo particularidades de uma relação abusiva, em oposição à violência disfuncional ou entre estranhos e rivais, que não tem um cariz manipulador e cíclico.

Portanto, quando escreve abuso físico, tenha em consideração que este é visível e portanto terá que trabalhá-lo muito bem para a vítima permanecer com o abusador ou os amigos e família não intervirem.


Abuso Sexual

O Abuso sexual merece estar numa categoria diferente do físico pelos componentes altamente emocionais, o cariz único sentimental que existe no ato sexual e a maneira como está diretamente relacionado com a autonomia da vítima.

Ele pode existir em qualquer tipo de relação abusiva, qualquer dinâmica ou natureza da relação. E o trauma é diferente para as vítimas de contextos diferentes, abuso sexual entre familiares e entre parceiros românticos vai gerar uma miríade de sentimentos distintos que devem ser estudados separadamente dependendo do que for tratar.

Pesquise sobre a experiência da vítima na perspectiva do papel que o abusador tem na vida dela, pois influencia muito o trauma.

Este tipo de abuso existe, como muitos sabem, através da violação, o ato sexual não consentido. Novamente, de uma maneira abusiva, isto acontece sempre com uma vítima e um abusador, os papéis não mudam, pois numa relação abusiva o poder está bem estabelecido.

Da mesma forma que o abuso físico, o abusador pode usar o sexo como uma arma para manipular e desarmar a vítima de formas que o abuso emocional não consegue. Isto é, fazê-la sentir que sexo é tudo para que serve, que não tem o direito de dizer não pois o sexo é um direito (comum em casos de relacionamentos românticos abusivos, especialmente entre personagens casados), ou também forçar situações ou atos sexuais que a vítima não deseja ou sente-se confortável a fazer pois é o que precisa para satisfazer o parceiro e humilhá-la se não conseguir ou quiser fazê-los.

A pressão para ser melhor no sexo, que nunca é bom suficiente, também faz parte do abuso sexual. O ato sexual é sempre, de um jeito ou outro, íntimo e repleto de reações biológicas e emocionais automáticas do nosso corpo. O que gera sentimentos muito confusos e nocivos para uma vítima de abuso sexual, pois algo inerentemente relacionado à autonomia da pessoa está sendo usado contra ela, está sendo roubado dela.

Isso gera um trauma complicado com repercussões complexas e profundas. Mais uma vez, se você nunca foi vítima de abuso sexual, não tente adivinhar o que passa pela cabeça de quem foi, pesquise diretamente a história de vítimas da boca delas para poder narrar melhor este tipo de trauma.


Abuso Financeiro

Afinal, a partir do momento que sua história se passa num universo capitalista, o dinheiro dita muita coisa acerca da independência e liberdade de uma pessoa. E é de esperar que um abusador fosse querer tirar partido disso ou controlar essa vertente da vida da vítima.

É algo mais comum em casais e relacionamentos abusivos entre pais e filhos. Pois normalmente existe uma partilha de bens ou dependência econômica entre ambos.

Para além disso, tem que se entender que esta dependência econômica é muitas vezes o que impede a vítima de sair da relação. 

Como funciona? De várias maneiras, o abusador pode impedir a vítima de arranjar um trabalho e consequentemente deixar todos os fardos financeiros a seu cuidado. Também pode não deixar a vítima ter acesso à sua conta bancária ou ter algum poder de decisão sobre o orçamento ou finanças, isto pode ser usado como abuso emocional ao fazer a vítima sentir-se incompetente para tais tarefas.

Também pode o abusador entrar em dívidas em nome da vítima, arruinando a sua situação econômica, o que pode impedi-la de arranjar nova habitação, transporte, ou fugir.

Este é um tipo de abuso muito materialista, o trauma que resulta dele normalmente é apenas associado ao emocional. Ele arruína as coisas materiais para a vítima, e não tanto o seu interior por si. Mas não deixa de ser um fator importante pensar na situação econômica dos seus personagens quando for escrever e como interfere com o ciclo abusivo.


Abuso Espiritual

Também pode ser conhecido como abuso religioso ou cultural, é encontrado em relações onde um ou ambos os personagens possui crenças religiosas, superstições ou uma cultura diferente ou iguais ao abusador.

É um sistema abusivo de comportamentos contínuos onde o abusador ridiculariza, banaliza e humilha a vítima na procura da sua espiritualidade, ou comportamentos religiosos e culturais, fazendo-a sentir-se mais isolada. Também acontece o abusador não permitir que a vítima participe de eventos culturais particulares dela, ou ir na igreja ou local de adoração específico. Como mencionado, é uma técnica para deixar a vítima isolada e retirar o lugar de Deus da sua vida, assim como afastá-la da sua comunidade para não haver espaço para alguém acima do abusador na vida dela.

Outra maneira que o abuso se manifesta é a contrária, se o abusador também é religioso ou parte de uma cultura igual à da vítima. Ele pode constantemente usar suas crenças para manipular a vítima, fazê-la sentir que o que faz para adorar o seu Deus ou honrar seus anciãos nunca é suficiente. É muito comum entre pais e filhos, por exemplo.

Também é possível o abusador usar a parte da identidade da vítima como ameaça, no sentido ameaçar revelá-la para pessoas que não sabem ou podem colocá-la numa posição de perigo.

Isto faz a vítima sentir-se em constante dívida para com Deus e sua cultura. O que a torna fácil de convencer a fazer coisas que o abusador quer para aliviar essa sensação.



É tudo por esse post. Podemos compreender as várias maneiras como o abuso se manifesta, tendo em consideração que o abuso emocional é o único que terá que estar sempre presente para constituir uma relação abusiva.

Entendemos também que para tratarmos estes comportamentos como abusivos em vez de casos de violência isolados, eles têm que acontecer consistentemente, por algum período de tempo com um ciclo semelhante ao que mencionamos no post anterior.

Espero que tenham gostado, nos vemos no próximo!
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Como Retratar Corretamente Relacionamentos Abusivos - 2/5

segunda-feira, 8 de outubro de 2018


Por: Musa


Bem-vindos de volta, aqui é a Musa.

Estou regressando à série acerca de relacionamentos abusivos com sua segunda parte. Deveria ter saído muito mais cedo? Deveria, porém aconteceram vários imprevistos que me impediram de postar na data pretendida.

Olhando para trás, imprevisto, instabilidade e inconsistência casa muito bem com o tema da segunda parte desta série. Onde, em relações tão complexas e dignas de todos os defeitos mencionados anteriormente, eu tento desenhar para vocês um padrão, semelhanças e uma base para a hora de escrevermos relacionamentos abusivos.

Isso mesmo, neste post vamos estar abordando a “Anatomia do Abuso”, ou seja, o conjunto de características que se encontram em todos ou na maioria dos relacionamentos abusivos e, mais importante, que distinguem um relacionamento abusivo de um apenas disfuncional.

No post anterior, ressaltamos o que é preciso para criarmos um relacionamento saudável, ou seja, também vos ensinei como criar um relacionamento não saudável. Um relacionamento abusivo vai quebrar todas ou a grande maioria das regras do post anterior. No entanto, também irá possuir particularidades diferentes.

Ultimamente é normal ver muitas pessoas utilizando a palavra “abusivo” para todos os relacionamentos nocivos. Sem ter noção que o abuso é constituído por muito mais que apenas duas pessoas incompatíveis discutindo a toda a hora.

Estamos aqui para escrevê-los corretamente, certo?

Então, vamos lá!


Ative a armadilha no momento certo

Um dos erros mais frequentes que encontro nas histórias por aí que pretendem retratar esse tipo de relacionamento é o abusador chegar atirando e agindo com todas as nuances de horrível para sua vítima que, até ao momento, era alguém de uma estabilidade ou mentalidade normal e que não tem motivos para aceitar comportamentos desses sem pestanejar.

Pense comigo, não é à toa que dizem que as primeiras impressões importam. Se um estranho começar chegando em você com ofensas ou até mesmo violência, não vai querer ficar perto dessa pessoa, correto? Então por que seria diferente com seus personagens?

Existem casos que o personagem abusado está com a mente tão distorcida, auto estima tão baixa ou mentalidade tão vulnerável que algo assim até possa resultar. Porém é muito menos possível o abusador passar despercebido aos amigos e companheiros da vítima e, portanto, ele terá menos manobra para manipulá-la como pretende.

Ou seja, o abuso, de uma forma ou outra, deve sempre começar gradualmente. Isso vai dar espaço para o abusador atrair sua vítima e fazê-la investir na relação. Assim, quando o comportamento se tornar obviamente inadmissível, é mais difícil cortar a relação ou sair dela, com receio de gerar uma discussão ou afastar a pessoa.

No fundo, o abusador tem que criar um ambiente cuja vítima tenha medo de perder.

As relações abusivas são, para o autor delas, como construir um ninho. Começa lento, faz com que a vítima se sinta confortável, a isola. Depois, vai testando as águas, descobre que pode sair ileso com, gradualmente, piores comportamentos. Com o tempo, a vítima sente medo de perder tudo o que foi construído ou até mesmo nem tem noção completa de como são nocivas as ações do abusador.

Pois tudo piorou de forma silenciosa e discreta.


Existe um desequilíbrio entre as duas partes.

Ou seja, a maneira que um abusador espera ser tratado ou abordado em nada se compara em como vai abordar, ou tratar a vítima.

O abusador vai esperar complacência completa em todos os seus comportamentos, tudo pode ser considerado como falta de respeito ou golpe no seu orgulho/ego, tudo pode ser razão para se sentir no direito de abusar. Isso vai de desacordos pequenos, a vítima querer falar com outras pessoas, ou simplesmente fazer algo que vá contra a sua vontade.

No outro lado, o abusador vai poder fazer todas essas coisas e muito mais sem esperar qualquer protesto da vítima. E se este existir, há tendência para o abusador trivializar a queixa ou mencionar às vezes que a vítima faz isso ou aquilo para e assim lhe tirar o direito de se queixar.

Ou seja, os abusadores desejam tudo com nada em troca. No fundo, as regras que vão existir na relação servem apenas para controlar uma pessoa e beneficiar a outra.


Período ‘Lua de Mel’.

Esta é uma das partes mais complicadas de abordar por duas razões:

Porque vemos bastantes histórias que extraem todos os detalhes mórbidos e desesperantes da relação ao máximo possível. Sensacionalizadas ao ponto que já mal se assemelha a uma relação abusiva e sim a um maníaco vilão de quadrinhos com seu refém.

A outra parte é, bem, essa regra pode validar a vontade de muitas pessoas para trivializar ou romantizar o relacionamento abusivo. Porque, de fato, para retratá-lo corretamente, temos que nos lembrar destes momentos em que está tudo “bem”.

O importante a ter em conta para detalhar esta fase da relação é que ela é boa no sentido que nenhum comportamento abusivo exterior está acontecendo e que, na verdade, ela é parte do abuso interno e serve para instalá-lo. É nisso que, enquanto escritores, temos que nos focar. Não ficar detalhando o ruim ao ponto de tornar-se apenas absurdo e muito menos detalhar o “bom” exterior ao ponto de passarmos a mensagem errada.

Portanto, foque-se que esta época “boa”, tanto faz como seu abusador age para acentuá-la (presentes, pedidos de desculpas manipuladores, criar planos que a vítima gostaria, etc.) serve para manipulá-la a pensar que realmente se importa; que todo o mau que fizeram é apenas parte da relação, que se arrependem e portanto deixá-la a duvidar mais de si mesma.

No lado da vítima, ela deve ser retratada num estado de alerta, suspeita e medo de retaliação. De não querer dizer ou fazer algo errado que acabe com esta fase e, claro, questionar-se se algo esteve errado para começar.

Ou seja, uma das partes mais importantes de relatar momentos “bons” nos relacionamentos abusivos, é conseguir retratar de forma equilibrada e realista o mau que lá se esconde.


Não acaba quando acaba

Todo o mundo pensa que o desfecho nobre de um relacionamento abusivo é a vítima escapar, e coloca o ponto de final, sem parágrafo, a história termina ali. Mas para a vítima, para o abusador e para todos os envolvidos, o final da união entre as duas pessoas é apenas o início.

Em relação ao trauma, ele não desaparece com o abusador. Aliás, normalmente se demonstra muito mais agudo quando a vítima finalmente se vê livre da relação. Por quê?

Bom, imagine que você está no meio de um massacre, tiro por todo o lado, tudo o que você consegue pensar naquele momento é, obviamente, sobreviver: onde se esconder, o que fazer para escapar ileso e tudo mais. Você tem tempo para processar o trauma que esta situação te vai causar no meio dela? Claro que não! Pois é, uma vítima também está nesse estado de sobrevivência durante a relação.

Agora, você é salvo desse desastre. Finalmente apanham o maníaco que causou toda essa tragédia, está seguro em casa ou num hospital. Terminou? Vai embora sem nunca mais pensar nessa experiência? Lógico que não! Uma vítima de abuso vai agir da mesma forma.

Porque finalmente têm um lugar seguro para desabar.

E isto é apenas a parte do trauma, temos que reconhecer todas as outras vertentes e particularidades que estão acarretadas dependendo do tipo de relação que escrevermos. Os dois têm filhos ou bens partilhados? Vão ter que resolver isso. Os amigos e família que apoiam o abusador vão pressionar a vítima? Como a vítima vai lidar com as pessoas que perdeu por estar isolada por tanto tempo?

Por fim, o abusador, não pode contar que simplesmente levou a separação de boas. Como ele vai reagir e retaliar? Como a sua vítima vai se proteger?

É muito para pensar, muito para explicar, o fim está longe de ser o fim.


Concluindo

Terminamos mais um post, desta vez mais curtinho e com menos tópicos. A verdade é que para fazer algo desse tipo onde me foco apenas em padrões e situações gerais de relações abusivas tive que cortar bastantes coisas. Mas espero que tenha ficado sucinto e compreensível. Além disso, haverão muitas partes faladas aqui que fazem mais sentido serem aprofundadas nos seguintes posts.

Hoje aprendemos algumas dicas de como o relacionamento abusivo se desenvolve, o que o constitui, e o que o difere dos outros. E, mais importante, como os escrevemos corretamente.

Espero que tenha ajudado, e até ao próximo post!

Webgrafia Utilizada
 http://springhole.net/writing/write-better-abused-characters.htm

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Como Retratar Corretamente Relacionamentos Abusivos - 1/5

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Por: Musa




Olá, caros autores, betas e leitores. Decidi me estrear no blog com uma temática bem de boa e nada complexa que surgiu no banco de sugestões.



Sendo uma autora e beta reader que se foca muito em personagens, na maneira como as pessoas comunicam e nas dinâmicas de relações, era de esperar que esse assunto fosse tão importante para mim. Inclusive é um dos que eu mais gosto de abordar. Vamos falar de como retratar corretamente relacionamentos abusivos!



Vai ser uma série de posts dividida em cinco tópicos:



Desaprendendo e Aprendendo

Anatomia do abuso

Tipos de abuso

A vítima e o abusador

Dicas gerais



Cada um vai explorar uma vertente diferente do processo de escrever sobre estes relacionamentos que toda gente cria, quer criar ou já criou, mas quase ninguém sabe como.



O objetivo dos posts é oferecer uma perspetiva clara e focada na literatura e representação destes relacionamentos, ou seja, não vai ser um manual como um psicólogo faria. Vale dizer que eu não sou psicóloga ou profissional, todo meu conhecimento vem de experiência própria e muita, muita pesquisa.



Outra coisa: não vou estar falando de relacionamentos abusivos românticos, mas sim independentemente da relação entre os personagens. Todo o relacionamento abusivo, romântico, de amizade, ou familiar tem o mesmo peso potencial para a vítima e funciona através de mecânicas semelhantes.



Então, sem mais delongas, vamos lá!




Desaprendendo e Aprendendo



Talvez estejam curiosos sobre a razão do título desse tópico. É muito simples.



Se tem uma parte do meu interesse sobre a interação humana, especialmente em obras fictícias, já se devem ter perguntado por que existe a necessidade de uma postagem como esta. Afinal, não deveríamos ter noção do que é um relacionamento nocivo para nós mesmos e para quem amamos? Não deveria sair naturalmente?



É uma ideia razoável, mas quando se trata de abuso, as coisas se complicam. As razões porque isto acontece na vida real são mais complexas. Na ficção, pode ser mais facilmente explicada.



Ficção é ficção, podemos explorar muitas coisas que nunca poderíamos na vida real. As relações entre nossos personagens estão completamente sob nosso controle, pelo que não estamos magoando ninguém.



Ou seja, no relacionamento abusivo ficcional, por não envolver pessoas reais, os padrões são mais alargados ou moldáveis assim como todo o resto na escrita. Isto torna mais difícil para o escritor saber se aquela temática ou aquele comportamento já tão disperso no ambiente literário é realmente nocivo enquanto fictício.



Portanto, desaprender e aprender é o primeiro passo para escrevermos relacionamentos abusivos.



Para podermos escrevê-los, vamos ter que nos preparar para reaprender tudo o que a ficção nos ensinou sobre relacionamentos até agora. Temos que ser críticos de nós mesmos e do tipo de relação que achamos ideal; das reações, gestos e interações nocivas às quais perdemos a sensibilidade.



Isto porque a liberdade mencionada acima torna-nos insensíveis a muitos relacionamentos abusivos, e mais proeminentemente, comportamentos abusivos.



O problema não é que tanto os comportamentos idealizados apenas em meios fictícios, mas que na vida real são abominados. É bom separarmos realidade da ficção, assim como termos um espaço na para expressar nossas fantasias mais sombrias, desabafar e tudo mais, sem magoar alguém de verdade.



Mas o que acontece quando certos comportamentos abusivos estão sendo dispersos e até mesmo cobiçados tanto em meio real como na média?



Este post acontece! A grande parte da razão porque escritores têm dificuldade em retratar relacionamentos abusivos é porque, bom, nos esquecemos de como retratar relacionamentos saudáveis.



Isso aí, neste primeiro post, vamos falar do essencial para escrever um relacionamento saudável. Não se desespere, pois vai ensinar como escrever um não saudável. É uma base importante para qualquer escritor se limpar das ideias errôneas expostas a toda hora na média criativa.



Então vamos:



Algo tem que manter os personagens juntos.



Esse é um ótimo exercício para identificarmos se o relacionamento que estamos escrevendo é saudável ou não. Todos nós autores adoramos imaginar o que atraiu nossos personagens um ao outro, o que gerou aquele romance maravilhoso ou aquela amizade linda. Mas o que atrai duas pessoas nem sempre é o que as mantêm juntas.



Então pergunte-se: o que está unindo essa relação? A novidade de uma presença sempre vai expirar. O que fica depois é uma das chaves para você decidir que tipo de relacionamento estará escrevendo. É a confiança, um objetivo em comum? Provavelmente o relacionamento é saudável. São os ciúmes, o medo de perdê-lx? Provavelmente o relacionamento não é tão bom assim.



Esse é o ponto de partida, se está escrevendo um relacionamento abusivo, deve usá-la também.



Ambos apreciam tempo sem o outro.



Uma dependência e vontade inebriante de estar ao lado de outra pessoa a qualquer momento soa muito bem quando romantizada num parágrafo ou frase naquela fic gostosa do nosso OTP. E é normal que seus personagens quando apaixonados ou com outro laço muito forte acreditem nisso.



Porém, quando esta vontade se alarga por páginas e capítulos, e em vez de apenas um pensamento amoroso do seu personagem é algo que colocam em prática, o relacionamento já não é saudável. Seus personagens, antes de um casal, amigos, irmãos, são personagens independentes. Isto é, cada um sabe estar sozinho e, pois é, com outras pessoas.



Isto inclui não deixar para trás os amigos antigos. Uma nova relação importante vai demorar tempo a ajustar-se à rotina. Mas seu personagem não deveria, em ambiente saudável, perder todo seu círculo social anterior em função de uma pessoa.



Se isto gera desconforto, ansiedade, ciúmes e discussões entre os personagens, representa um ambiente extremamente tóxico.



Eles devem estar confortáveis um com o outro.



Parece simples, muitas vezes quando ainda se estão conhecendo, algum desconforto ou constrangimento é normal. A ideia é que, após um bom tempo convivendo e numa relação estável, se um ou ambos os personagens não sentem que podem ser eles mesmos na presença do outro, não é saudável. Se estão sempre preocupados que o que dizem vai ser mal interpretado ou gerar uma discussão, se têm medo de falar as coisas “erradas”, é um sinal importante que algo não está indo bem.



Um ponto fulcral numa relação é a intimidade, têm que haver barreiras quebradas e nenhum dos personagens deveria sentir que tem que seguir um certo padrão ou eliminar certos comportamentos para estar em convivência com a outra pessoa.



Não esquecer que a confiança tem que vir em medidas iguais em ambas as partes, assim como o respeito e conforto.



Vamos acalmar os controladores.



Se um dos personagens está seguindo o outro, invadindo sua privacidade e governando certos ou todos os aspectos de sua vida; se está metendo a mão em decisões que o outro personagem tem toda a independência e maturidade para tomar sozinho, algo está errado. Não importam as intenções nobres de “não quero que algo lhe aconteça” e afins, é estranho e atitude de maníaco.



Os personagens devem respeitar a autoridade que cada um tem sobre si próprio e seus limites. Se ultrapassa os conselhos ou opiniões, especialmente sem o consentimento do outro, não é saudável.



Ciúmes e atitudes possessivas desproporcionais.



Ciúme é um dos sentimentos mais dispersos e mal interpretados em qualquer relacionamento fictício. E, infelizmente, também modelou a maneira como vemos relacionamentos na vida real. O ciúme não é automaticamente mau, especialmente nas fases iniciais de um relacionamento onde tudo ainda é incerto e instável. Mas se os seus personagens estão juntos há um bom tempo e ainda não confiam um no outro para estar com outras pessoas, assumem que todo o mundo vai roubar o seu lugar ou que vai ser substituído, é um mau sinal.



A mesma regra vale para os comportamentos possessivos, que são muito romantizados por aí. “Eu sou dele, e ele é meu.” coisas do gênero, assim como a vontade de estar ao lado um do outro a toda a hora, são bonitas quando usadas de forma figurativa e esporádica. Porém, agir como se a personagem fosse sua propriedade e que as outras querendo estar em sua presença estão a “cobiçando” não é legal.



Sem jogos mentais.



Mais um tópico que deveria nem ser mencionado, e é verdade que quase todos os escritores e leitores entendem a ideia. O que muitas vezes nos confunde é o que se enquadra como jogos mentais.



Jogos mentais incluem fazer perguntas para a qual não existem respostas certas; chantagem se uma das pessoas expressa querer sair da relação; trivializar os sentimentos do outro; tratar o outro personagem como inferior ou fraco e também culpar o outro embora saiba que tenha sido o culpado.



Coisas como: “Você acha que eles te amam mais que eu?”; “Eu não iria conseguir viver se você me deixasse.”; “Você que não me entendeu.”; “Você não consegue fazer isso sozinho, eu faço.”; “Você que me provocou.” respectivamente.



Existem situações, claro, que se assemelham ou geram diálogo como o anterior sem serem nocivas. Porém, se é sistemático e com a pura intenção que mencionei parágrafos acima, algo está errado.



Concluindo



Agora que revemos o que torna uma relação saudável, temos toda a base necessária para criticarmos e analisarmos as relações abusivas que pretendemos escrever. Isto porque vamos ter noção de como construir a relação abusiva de uma forma realista e também evitar escrever relações tóxicas sem intenção.



Queria apenas finalizar com: Nem todos os relacionamentos não saudáveis são automaticamente abusivos. Isso é uma distinção que vou discutir melhor mais à frente. Todas as relações têm problemas, portanto se seus personagens estão com dificuldades num ou dois pontos daqui, isso ainda enquadra como um desafio para ambos resolverem juntos.



Existem fatores como transtornos psicológicos, inseguranças e personalidades incompatíveis que podem tornar um relacionamento disfuncional. Disfuncional não significa abusivo, pois existe maneiras de consertar os problemas com tempo, apoio e terapia sem separar os personagens.



Espero que tenham gostado, quaisquer dúvidas podem perguntar embaixo. Até o próximo!





Bibliografia Utilizada



http://www.springhole.net/writing/write-healthy-relationships.htm
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