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Escrever: dom ou dedicação?

domingo, 29 de novembro de 2020

 

Por: Michele Bran

Olá, pessoal. Como estão? Espero que bem e escrevendo bastante.

Hoje trago mais um post que levei originalmente para o meu blog, mas é uma discussão interessante que eu acredito que deva chegar a mais pessoas.

E vamos de debate (hehe).

Há algum tempo (não lembro quanto, minha noção de tempo está meio bugada com essa quarentena), surgiu no grupo do Nyah no Facebook uma discussão sobre se escrever seria um dom ou fruto de muito trabalho.

Como eu não posso ver um tema passível de discussão que já quero brotar e deixar minha opinião, óbvio que fui lá deixar meus dois centavos de ideias sobre a questão e depois expandi para uma postagem inteira a respeito.

O debate não é novo e podemos resumi-lo na existência daqueles que acreditam que escrever é um dom, um talento nato, e outros dizendo que é tão somente resultado da persistência e de muitas horas de prática de estudo. Para um lado, há aqueles que nascem com a capacidade natural de escrever e de quem as palavras parecem fluir como um rio. E para o outro, com muita força de vontade qualquer um seria capaz de escrever qualquer coisa.

Como também já era de se esperar, no meio do caminho, há ~euzinha~; que acredito que nenhum dos dois lados da discussão carrega a verdade verdadeira sobre a questão. Para mim, a escrita de qualidade e fluida é resultado da dedicação com a aptidão.

Explico: é óbvio que estudando, pesquisando, praticando e sempre buscando melhorar, qualquer pessoa pode se tornar um escritor competente. Sobretudo se estamos falando de questões técnicas.

Porém só isso não parece explicar aquelas pessoas que possuem mais facilidade para se expressar do que as outras. Isso fica mais evidente quando observamos gêneros literários. Alguns escritores são divinos escrevendo ficção científica, outros não conseguem escrever nada bom nesse estilo mesmo que gostem dele e consumam muito material a respeito.

Romance, suspense, terror, comédia, ficção histórica, fantasia... Cada um tem mais facilidade com um estilo do que com outro. Eu mesma não consigo gostar de minhas histórias centradas em romance e meus contos de terror são uma derrota. Acho que me saio melhor na fantasia urbana e no suspense. Você que me lê ao do outro lado pode ser o exato oposto. Não é apenas estudo que responde por que isso acontece.

Alguns de nós possuem, também, mais facilidade em escrever na terceira pessoa em ponto de vista profundo. Outros não trocam a primeira pessoa por nada. Há quem ame escrever sob o ponto de vista de múltiplos personagens e quem ache isso um pesadelo completo. Alguns querem ser o novo George Martin. Outros, dariam um braço para ser metade da escritora que foi a Jane Austen. Também não é mera dedicação que nos explica o motivo disso.

Por razões que me são misteriosas por completo, alguns escritores parecem já vir programados de fábrica para escrever de certas maneiras, enquanto muitos de nós nem penando muito consegue fazer algo bom. É a mesma dúvida de porque alguns nascem sabendo cantar, com vozes divinas, e outros odeiam até se ouvir falando (eu mesma, não sei como vocês me aguentam no meu podcast hahaha). Ou porque alguns de nós ama jogar futebol, enquanto outros correm disso como um vampiro das antigas correria de alho.

Claro que estudando muito a gente consegue escrever uma boa cena de beijo mesmo quando romance não é a nossa praia, mas não é nada comparado a quem ama o estilo e tem mais facilidade com ele. A fluidez, a qualidade da cena, a chance de cativar o leitor logo de cara é bem maior nesse segundo caso.

MAS ESPERE!

Não estou escrevendo nada disso para desmotivar você. Sei que parece que estou dizendo que ainda que você estude muito e pesquise, jamais será capaz de escrever bem determinado estilo ou algo do tipo; mas a ideia aqui é outra.

Volte comigo a seus anos de escola. Tenho quase certeza de que, assim como eu, você não era muito bom em exatas, e que, assim como eu também, você se sentia a estupidez com pernas por não entender como os números funcionavam e interagiam (sobretudo, quando metiam letras no meio do negócio). Deve ser a mesma sensação de querermos escrever uma boa história de drama quando não sabemos muito bem como fazer isso.

E do mesmo jeito que não saber matemática não faz ninguém burro porque a aptidão daquela pessoa pode ser, por exemplo, português; não saber escrever determinado gênero ou não ter muita familiaridade com ele não te faz um escritor incompetente.

Você só precisa parar de bater a cabeça na parede e descobrir sua aptidão.

De repente, você não consegue escrever fantasia clássica capa-e-espada porque seu estilo fluiria melhor se você estivesse tentando contar um romance histórico. Ou sua história contada em terceira pessoa parece sem sal porque você é melhor em escrever em primeira pessoa. Talvez até escrever com um personagem só deixe a impressão de estar te limitando porque tudo caminharia melhor para você com múltiplos pontos de vista.

A boa notícia é que cada um de nós tem seu cantinho no mundo da escrita. A ruim é que você vai ter que sair viajando por ele até descobrir se seu lugar é em uma vila medieval, uma floresta cheia de fadas e elfos, uma cidade cinzenta e chuvosa dominada pela criminalidade ou um complexo futurista coberto de neon de alguma megacorporação qualquer.

Aqui vai minha dica final: se teste sempre, experimente largar textos que pareçam sem graça e sem emoção para explorar novas formas de contar histórias. Descobrir qual sua forma de escrever, como você se expressa melhor e do que você realmente gosta vai fazer uma sensação muito gostosa se apoderar de você; que é a de finalmente adquirir autoconhecimento nesse mundinho literário e escrever as histórias que você ainda não viu em nenhuma estante.

Estude, pratique e pesquise SEMPRE, claro, mas tudo isso será tempo perdido se você não souber para que estilo e para qual história você está fazendo isso.

Vai por mim: vai te fazer um bem enorme.

Por hoje é só, pessoal. Beijos, espero que tenham gostado e nos vemos novamente em uma próxima oportunidade :*

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Cinco Dicas para Deixar Críticas Melhores

domingo, 29 de dezembro de 2019

Por: Michele Bran
Link no Nyah: https://fanfiction.com.br/u/5389/

Olá, escritores. Tudo bem? Espero que estejam ótimos e escrevendo bastante.
No post de hoje, vamos conversar um pouquinho sobre como deixar críticas melhores, mais embasadas e sem grosserias, o que é ótimo.
Sinceramente, sou dessas que já pegou um milhão de brigas internet à fora defendendo que todos nós precisamos aprender a receber comentários negativos sobre tudo o que fazemos (não apenas na escrita). Acho realmente preocupante que pessoas não saibam lidar com o pensamento discordante e as críticas diretas, partindo para uma defensiva prejudicial: bloqueiam o crítico, difamam, xingam e até orquestram ataques junto a seus seguidores (quem não se lembra da guerrinha por pontos de popularidade do Nyah antigamente, em que muitos autores se juntavam com leitores para tirarem pontos de quem fazia críticas negativas?).
Mas, por outro lado, ultimamente vejo o surgimento de outra forma de agir que acho tão perigosa quanto: pessoas que não sabem tecer críticas sem ofender os outros. Pior ainda é quem já vai criticar com esse objetivo e usa as piores palavras possíveis para desqualificar o trabalho alheio, atacando a pessoa e não expondo a opinião sobre o trabalho dela.
A meu ver, tudo na vida tem que ter equilíbrio e, por isso, eu talvez vá gerar mais outros milhões de tretas, mas preciso dizer: por um lado, precisamos aprender a receber críticas sem nos sentir pessoalmente ofendidos, e por outro também precisamos entender que do outro lado da tela há um ser humano que merece respeito e por mais pobre e raso que esteja seu texto, ninguém merece ouvir palavras como “lixo” e afins.
Por isso, este post está aqui. Vamos ver hoje algumas dicas básicas para tecermos nossos comentários negativos de forma a ajudar o autor em questão a melhorar na escrita e, de quebra, não parecer um belo troll. Let’s go!

1) Ao apontar um erro, indique aonde ele ocorre

Apontamentos vagos como “tem alguns errinhos” não costumam ajudar muito porque, muitas vezes, somos incapazes de perceber o que houve de fato. Infelizmente, somos poucos betas no Nyah para a quantidade de usuários e muitos autores acabam precisando revisar seus textos sozinhos, o que causa um problema: geralmente, somos cegos a nossos próprios erros. Eles costumam passar batido aos nossos olhos e precisamos que alguém nos mostre onde eles estão exatamente para ser possível a mudança.
Não é necessário mostrar um por um (até porque, em alguns casos, o comentário ficaria maior do que a história e, sendo sincera ninguém é obrigado também), mas indicar um com mais cuidado e dizer que outros semelhantes ocorrem já é o suficiente para o autor se ligar e prestar mais atenção.

2) Evite palavras ofensivas

Um dos mais importantes. Tente manter o nível sempre, afinal a ideia é ajudar o autor a melhorar e não fazer com que ele desista da escrita, certo? (Até porque se esse é seu objetivo, você precisa voltar umas cem casas na vida).
Seja educado e cordial sempre, mesmo que a história não tenha agradado nem um pouco. Lembre-se de que do outro lado da tela existe uma pessoa e, por mais sério que seja o deslize, ninguém merece ser desrespeitado ou xingado por isso. Todos nós cometemos erros e ninguém nasce sabendo escrever (ou fazer o que quer que seja), é um trabalho diário de esforço, tentativa e melhoria.
Além disso, uma postura agressiva só vai te trazer problemas e minar as chances de as pessoas te ouvirem, não importando quanta razão você tenha.

3) Liste pontos fortes também, se conseguir encontrá-los

Eu, particularmente, acredito que todo texto tem seu lado positivo, nem que seja a ideia que foi mal aproveitada. É complicado ver o lado bom de algumas histórias, eu sei, mas é importante dizer que eles estão lá quando identificá-los.
Não digo isso para você passar a mão na cabeça do autor ou fazer um mero contraponto: a ideia aqui é fazê-lo perceber que por mais que alguns pontos precisem ser mudados, outros já estão bons e ele pode manter.
Caso contrário, ele pode mudar tudo e, muitas vezes, o que era um diferencial, um ponto forte, acaba se perdendo nas reescritas subsequentes. Ele pode acertar o que apontamos e acabar voltando a errar por alterar o que não precisava.

4) Se possível, apresente sugestões

Nem sempre vamos ter uma dica, mas quando isso acontecer, não custa nada deixá-la. Como sempre digo, conhecimento é um bem que não acaba quando compartilhamos. Ao contrário: ele aumenta e se multiplica.
Além de uma sugestão enriquecer seu comentário e mostrar que você realmente entende do que está falando e deseja, de fato, ajudar o autor, ainda facilita o entendimento dele do que você realmente quis dizer, acelerando o processo de evolução desse escritor.
E, de quebra, ainda pode proporcionar uma interação muito bacana entre vocês. Muitas amizades literárias começaram assim, na troca de ideias.

5) Sinceridade é diferente de grosseria

Anote isso em um bloquinho para não esquecer! Há um abismo gigantesco entre falar o que pensamos e destratar os outros. Quase sempre está na forma como falamos, então não custa nada observar como vamos passar nossa ideia de forma que ela não saia da maneira errada.
Soar grosseiro, rude e agressivo só faz as pessoas ficarem na defensiva com suas opiniões. Elas tenderão a desconsiderar o que você diz ou responder na mesma moeda, mesmo que você futuramente mude de posicionamento e passe a se colocar de outra forma.
Há jeitos de expressarmos nossa opinião negativa sobre algo minimizando os impactos dela. Só precisamos exercitar. Na prática, nem é tão difícil. Ao terminar seu comentário, releia-o e pense: “estou tratando os outros como gostaria de ser tratado?”.

BÔNUS: Não espere que todo mundo entenda

Por mais educados e cordiais que sejamos, infelizmente, nem todo mundo vai entender. Muitos vão continuar ignorando ou, pior, vão responder de maneira agressiva. É normal, nem todo mundo está preparado para receber uma crítica. É algo que demanda tempo, maturidade, cabeça do lugar. O importante é não desanimar porque a interação com o autor não saiu como o esperado.
Por mais que alguns não lidem bem com críticas, há outros tantos apenas esperando por alguém que possa dar uma força com a escrita. Pessoas que praticamente imploram por isso, que querem melhorar de fato, que desejam sanar seus problemas literários e apenas não sabem onde eles estão.
Continue sendo sincero e expondo seus pontos de vista sem grosserias, sem ter por objetivo destratar ninguém e, mais cedo ou mais tarde, encontrará essas pessoas para terem um feliz casamento literário.
Paciência!
Beijos e até a próxima.
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Dicas para conseguir reviews e fidelizar o público

domingo, 24 de novembro de 2019








Por: Michele Bran
Link no Nyah: https://fanfiction.com.br/u/5389/

Olá, escritores, leitores e betas. Como vão? Espero que bem.

Hoje vamos falar sobre um tema que pode ser até um pouco controverso. Eu, sinceramente, parto da ideia de que tudo aquilo de qualidade que é feito com dedicação e esforço merece ser visto, aplaudido e lembrado.

Porém, há sempre aqueles no meio literário que adoram começar “mimimis” e brigas contra quem gosta de ter bastante comentário e números elevados de views. Até entendo o motivo. Quando ter mais e mais números se torna o único objetivo de alguém, faça essa pessoa o que quer que seja, a coisa perde o sentido mesmo. Mas vamos combinar: se ninguém aqui quisesse ler lido, ninguém postava nada da internet. Por exemplo, se eu não quisesse vocês palpitando sobre minhas opiniões, meu blog pessoal não existiria, por exemplo, muito menos meus posts aqui.

O feedback é essencial para todos que trabalham lidando com outras pessoas, especialmente atividades artísticas. Sem o leitor para nos dizer no que erramos e acertamos, oferecer sugestões, mostrar o que sentiu com aquilo que produzimos e deixar suas opiniões em geral, não faria muito sentido postar uma fanfic ou publicar um livro. Escrever pode ser uma atividade solitária se você quiser, mas a partir do momento em que mostramos isso para outra pessoa (um amigo, parente, conhecido, etc) é porque esperamos, no mínimo, saber o que ela achou de tudo.

Dito isso, vamos em frente. Se você quer melhorar o feedback recebido e conseguir mais e mais pessoas para palpitar sobre os mundinhos que cria, aqui vão 5 dicas que podem te ajudar. Separa o bloquinho de anotações e vem!


5) Capa Bonita
Por mais que a gente saiba que não se deve julgar o livro pela capa, não tem como não se impressionar com lindas capas por aí a fora. Seja de livro, seja de fic, ela passa para o leitor a ideia de sua história e o clima do texto. Por isso, não basta apenas ser uma imagem bonita e que desperte interesse. Também é importante que ela passe a ideia certa sobre o que você escreveu e tenha a ver com o tema central da história.
Aliás, se você tem tempo e interesse, vale muito a pena investir no lado “visual” de sua história, seja se dedicando a fazer uma capa bacana ou em dreamcasts (aquelas fotos de um “elenco”, artistas e celebridades em geral que pareçam com seus personagens) e aesthetics (um conjunto de imagens, geralmente com um tom de cor que conversa entre si, e mostra um pouco sobre os gostos e universo de certo personagens, imagens que remetem a ele de alguma forma).
Não é todo mundo que curte, mas muitos leitores acham interessante saber com que cara você imagina os personagens, como eles se vestem, do que gostam, quais as cores preferidas, etc. Falei mais sobre isso (inclusive sobre o que é dreamcast, aesthetic e moodboard – meu preferido – nesse post no meu blog [ó o merchan, rs]).


4) Sinopse
Mas imagens são apenas 50% do setor responsável por passar a ideia de sua história. A sinopse faz o resto do trabalho.
Uma sinopse bacana e instigante vai chamar a atenção do seu leitor e dizer a ele o que esperar daquela história. É outro setor que vale muito a pena se dedicar em aprender como fazer, caso você não saiba. Pretendo até fazer mais posts a respeito, mas por hora clique aqui e seja feliz.


3) Qualidade de Escrita
Outro ditado recorrente é “beleza atrai, mas conteúdo convence”. Ou afasta. De nada vai adiantar você ter a melhor capa e uma sinopse perfeita se nas primeiras linhas da história em si você troca “mais” por “mas”, escreve “derrepente” ou “prolongo” no lugar de “prólogo”. Menos ainda se seus personagens não são consistentes ou o enredo não tem pé nem cabeça.

Aprender a estruturar uma história e conceber bons personagens é fundamental para construir uma boa história, e também vale muito a pena “perder” um tempo estudando muito sobre isso.

Eu sei... Eu sei que tem muita gente que escreve porcaria e fica bem famosa, mas pensa aqui comigo:

a) Se essas pessoas pularem de uma ponte você também vai? Claro que não. Então vai negligenciar seu trabalho (mesmo que não seja remunerado, é um trabalho) porque eles fizeram isso? Como já diria sua mãe: você não é todo mundo.

b) Tem certeza que quer ficar conhecido por escrever uma história tosca e sem sentido nenhum? Claro que não. Perfeitos nunca seremos, mas seu objetivo deve ser sempre dar o melhor que você puder.

Estão chuta essa preguiça para lá e estuda. Inclusive te recomendo começar por aqui, aqui e aqui.


2) Postagens Regulares
Eu sei que não sigo meus próprios conselhos, não precisa apontar esse dedo acusador para mim, caso me conheça de outros lugares, mas vou falar agora como leitora: é muito frustrante começar a ler uma história toda empolgada, se apaixonar pelo enredo e pelos personagens apenas para vê-la ser deletada ou abandonada.

Claro que não estou aqui para cagar regra, odeio quem faz isso, e eu tenho uma história abandonada desde 2014 (sdds SE2). Mas parece ser um fato, nas observações que tenho feito, que os autores mais bem-sucedidos em sua tarefa de criar um público fiel de leitores são aqueles que postam com certa frequência.

Obviamente, nem todos nós temos tempo para isso. Eu sei que escola, faculdade, trabalho e outras inúmeras obrigações consomem nosso tempo. Além disso, é perfeitamente normal a gente ficar descontente com uma história e querer deletá-la. Quem nunca? É um direito nosso, enquanto autores, inclusive, mas eu sinto que não seria honesta se não falasse isso. É algo que me desagrada também, porque sou a master tartaruga na hora de escrever e postar, mas... É o que acontece e é preciso ser dito. Inclusive tenho certeza que alguns de vocês ficam chateados quando a gente fura postagem aqui no blog da Liga ou aquele autor que gostamos tanto larga uma história que estávamos acompanhando. É normal.

“Então o que fazer? Se não tenho muito tempo e preciso de postagens regulares para manter leitores por perto, comofas/”

Primeiro, mantenha a calma. Respira fundo. Não precisa sair escrevendo e postando todos os dias. Sem revisão e sem a danada da qualidade de escrita, você pode postar toda hora que muita gente vai abandonar mesmo assim. Estabelecer uma rotina de postagens é diferente de postar o tempo todo. E, principalmente, de postar de qualquer jeito. Então não se apresse.

Você não precisa começar a postar amanhã se começou a escrever hoje. Deixe essa ansiedade de lado. Escreva normalmente, revise, mande para seu beta, revise de novo, e quando estiver tudo certinho, e pronto... Vá escrever o capítulo dois e repita o processo. Então vá para o capítulo 3... E o 4... Quando tiver um bom número de capítulos acumulados (cinco é um excelente número, mas quanto mais, melhor), você começa e decide uma rotina que fique melhor para você.

Pode ser uma vez por semana, a cada quinze dias ou um capítulo por mês... Contanto que tenha um capítulo novinho para seus leitores apreciarem na data marcada, você pode postar até um por semestre. O importante é eles perceberem que você está dando andamento à história de algum modo e não vai deletar ou largar no meio.

E se por acaso quiser exercer seu direito como autor de deletar ou largar, não custa nada deixar um aviso no seu perfil falando o motivo ou se vai postar em outro lugar (e deixando o link, se for esse o caso). Já vi algumas pessoas falando que isso é “cobrar justificativas do autor”, “autor não tem que se justificar”, “deleto quando eu quiser e pronto”. E não estão erradas. Mas um pouco de educação e consideração pelas outras pessoas não custa nada e ainda vai te render pontinhos com a audiência, vai por mim.
Já me aconteceu muito acompanhar fielmente um autor por cinquenta capítulos, deixar reviews grandes em todos, esperar ansiosamente pela continuação apenas para não ter nem um “Galera, deletei a história talz porque não quero mais escrevê-la, beijo na bunda até segunda” quando ele deletou. Doeu? Claro que doeu, mas eu segui em frente e perdoei.

Mentira. Não perdoei coisa nenhuma e guardei a mágoa por quatro anos para descarregá-la nesse post! Não sejam essa pessoa. Pelo amor de todos os deuses existentes nesse plano e em outros, coloca um “estou postando essa fic em X site” ou “deletei Y pra reescrever” ou mesmo um “não quero mais postar M e apaguei, não gostou, me prende”, mas avise. Por favor. Nunca te pedi nada!


1) Interação com os Leitores
Já que estamos falando de exorcizar demônios e colocar frustrações para fora, outra coisa que eu odeio do fundo do meu ser é escritor que divulga a fic em todo lugar, enche o saco atrás de review, cobra todo capítulo... apenas para ignorá-los solenemente quando eles começam a chegar.
Na verdade, cobrar reviews é chato em qualquer situação (por favor, não faça isso!), mas cobrar sem responder é ainda mais. Pior que isso, só quando o autor responde os reviews de todo mundo, menos os seus (não minta, você já passou por isso que eu sei!).

Então já que você resolveu entrar nessa batalha de melhorar seus números e conseguir mais gente para deixar opiniões nos seus textos, não custa nada responder. Mesmo. E ainda vai fazer seu leitor se sentir notado pelo senpai, super feliz.
Pensa comigo: eles tiram horas do dia deles (que eles podiam usar para qualquer coisa, desde um passatempo off-line até para ler a história de outra pessoa) para ler a sua. Entram de cabeça, sentem junto com seus personagens. Aí vão lá expor o que acham de tudo isso e às vezes fazem reviews quilométricos para mostrar todo seu amor pelo seu mundo e você vai simplesmente deixá-los no vácuo?

Eu mesma já parei de ler inúmeras histórias porque o autor não dava a mínima para mim e não me arrependo de nada. Não tem coisa mais amor que entrar no site depois de um dia cheio e descobrir uma resposta super amorzinho de um escritor a um review que deixei.

Mesmo quando recebo reviews de uma linha, me esforço para deixar uma resposta bacana porque entrei no Nyah como leitora primeiro e só comecei a postar alguns bons meses depois, então sei como o leitor curte a interação e acaba se ligando a um autor que se importa com ele e ouve o que ele tem a dizer (mesmo discordando ou não podendo seguir alguma sugestão na história por qualquer motivo).

Então, já que a ideia é conseguir mais reviews, responda-os. É de graça, vai fidelizar o leitor e ainda vai refrescar sua mente ler as teorias, as ideias e as gracinhas deles a respeito de sua história.


#BÔNUS ROUND – Divulgação.
Estou boazinha hoje, então resolvi fazer uma dica a mais. Enjoy!

Resumidamente, de pouco ou nada vai adiantar ser um autor amorzinho que responde todo mundo, ter postagens frequentes, uma escrita impecável com o combo de melhor capa e melhor sinopse ever se ninguém vai saber disso, certo?

Já que estamos na vibe de ditados, guarde esse: “quem não é visto, não é lembrado”. Crie perfis nas redes sociais, abra um blog, entre em grupos de escritores, não importa. Se faça notar. Obviamente alguns desses locais (como os grupos) têm regras para essa divulgação, então leia-as cuidadosamente e faça tudo dentro das normas para não ter o tópico deletado nem nada do tipo.

E não deixe apenas o link da história e fuja. Deixe um trecho interessante, um banner, a capa, imagens que estejam dentro do tema, o dreamcast... Algo que chame a atenção no meio do mar de gente que está lá com o mesmo objetivo de ser notado.

Mais do que isso: interaja com as pessoas, participe e abra debates sobre literatura, deixe suas opiniões, dê conselhos, ofereça ajuda quando necessário, faça amigos! Aprenda a mobilizar as pessoas e elas o seguirão.

Meu Deus, não sei se estou criando um número de escritores futuramente bem-sucedidos ou um exército de políticos HAUAHAUAHAUA. De qualquer forma, espero que gostem.
E até uma próxima oportunidade ;)

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5 Coisas que eu Queria que Tivessem me Ensinado Quando Comecei a Escrever

domingo, 6 de outubro de 2019
dicas de escrita


Por: Michele Bran
Link no Nyah: https://fanfiction.com.br/u/5389/

Olá, escritores, betas e leitores.
Como têm passado? Cá estou eu de novo (agora aos domingos, já que mudou a grade de posts aqui do blog). Para quem não me conhece (imagino que a maioria rs), faço parte da Liga desde 2013, mas comecei a escrever um pouco antes, em 2007.
Nesses doze anos (socorro, me senti meio velha agora rs), já cometi muitos erros e acertos (mais erros, claro) e consegui aprender coisas que, infelizmente, as dicas de escrita habituais não vão nos contar.
Contudo são lições muito importantes que, caso você aprenda apenas lendo, pode vir a evitar muita dor de cabeça. Sério, vai por mim.
Pega o bloquinho de notas e vem.


5) Seus problemas são seus

Já vamos começar com tijolada? Já vamos começar com tijolada!
Não importa o que tenha acontecido: se seu dia foi ruim, se sua escrita não está ok ainda, se você não recebeu o retorno que esperava... Esses problemas são seus e não é justo jogar para outros resolverem ou, pior ainda, rebaixar o trabalho alheio porque o seu não teve o destaque que você acha que merece.
Não foi algo que aprendi na prática (grazadels), mas a verdade é que quanto mais você sai falando em grupos de escritores que o livro do amiguinho é clichê, que determinado gênero literário é ruim, que só história ruim faz sucesso, que você não está nem aí pra comentários e visualizações (mesmo chorando pra ter mais deles o tempo todo), mais ranço as pessoas pegam de você. Uma coisa é fazer uma crítica pontual, outra é choramingar por isso em onze de dez posts que faz.
Vale muito mais a pena investir em você e em seu trabalho do que viver para falar mal dos outros, criar tretinha e discórdia, rebaixar o texto alheio. Falar eternamente mal dos outros diz mais sobre você do que sobre eles, além de que ranços conquistados não voltam atrás.
Não conto quantas histórias bacanas eu já deixei de lado porque os autores eram pessoas tóxicas e amarguradas. Credo!

4) Mulher, melhore!

Procure sempre melhorar suas técnicas de escrita e estudar bastante. Não apenas para deixar seu texto o mais afiado possível, mas principalmente porque quanto mais tempo você gastar em sua melhoria pessoal, menos chances de te sobrarem horas suficientes no dia para que você fique alguém amargo como as pessoas citadas no tópico anterior.
Joguei shade mesmo!

3) Ninguém é obrigado

Agora vamos começar a falar mais de mim.
E se você pensa que, por causa disso, serei boazinha, está redondamente enganado!
Algo que me ressentia bastante, e não faz muito tempo, era o fato de meus amigos escritores e/ou leitores não passarem pelas minhas histórias para dar um oi, mesmo quando eu estava escrevendo algo do gênero que eles mais gostavam. Principalmente quando eles liam e acompanhavam fielmente histórias parecidas com as minhas.
Mas... nem sempre as pessoas estão com tempo livre para ler. Ou têm interesse. Independentemente do motivo: ninguém é obrigado a ler absolutamente nada de ninguém. Muito menos a gostar.
Eu mesma não li ainda bastante coisa que meus amigos escreveram e odiaria que eles viessem me cobrar, então por que faria isso com qualquer um deles? A vontade de ler tem que partir da pessoa para que a experiência valha a pena. Cobrar, ficar de mimimi e choramingar que ninguém dá atenção só serve para as pessoas se encherem de nós.
Se a pessoa sequer é sua amiga, então, pior ainda. O que já vi de gente indo cobrar leitor atrasado ou gente que prometeu ler em algum momento não é brinks.
Não faz isso, gente. Descobri por experiência própria que isso é um tiro no pé. Ao invés de atrair leitores, afasta. Vai por mim.

2) Agrade a si mesmo/a antes de tudo

Nessa ânsia de querer ter mais e mais números, parece natural que seguir as dicas dos leitores (todas elas) vá tornar essa tarefa mais fácil, mas não se engane: é pegar um atalho para o fracasso.
Nem sempre as sugestões que você vai receber são viáveis ou te interessam. E é aí que entra meu conselho: só coloque na história aquilo que deixe você contente com o desenvolvimento dela.
Após anos tentando manter todo mundo satisfeito, percebi que é impossível. E olha que nem estou falando só por mim, pelo que eu queria. As dicas, muitas vezes, são conflitantes. Não dá para seguir x sem desagradar quem queria y. Não tem como você manter todos os seus leitores satisfeitos todo o tempo. Escrever é fazer escolhas, e fatalmente elas vão deixar alguém insatisfeito em algum momento.
Então se esforce em manter em alta a animação do seu leitor mais importante: você mesmo. Sem estar feliz com o que está fazendo, você vai se desmotivar e terminar seu trabalho se tornará um fardo muito pesado.
Já é algo complicado por si só começar, desenvolver e terminar uma história quando se tem por objetivo fazer algo com certo nível de qualidade. Não deixe esse processo ainda mais complicado.

1) Não vai ser fácil

Você vai ter vontade de mudar de história, largar tudo, se jogar de uma ponte... Eu sei, já passei por tudo isso.
Mas é assim mesmo. É normal se perder, se desmotivar, esperar tanto e receber tão pouco (ou mesmo nada) em troca.
O ponto é: todo mundo já passou por isso, o que nos leva à lição bônus "nada vai cair do céu". Todo mundo que hoje é famosinho nos sites já começou sendo apenas uma @ a mais com histórias para contar. Mais um número insignificante em meio a tantos outros. Com muito esforço, persistência e divulgação é que alguns começaram a se destacar, mas até isso acontecer, todos passaram por essa mesma fase ruim em que nada parece dar certo.
E não se engane: alguns estão nessa mesmo hoje, embora ainda pareçam tão bem-sucedidos.
Você pode chegar lá, claro! Mas não se iluda: vai ser preciso escrever bastante, insistir bastante e divulgar ainda mais. A única coisa que cai do céu é chuva.
E olhe lá!


Que lições literárias vocês aprenderam ao longo da vida? Deixem aqui nos comentários e vamos trocar figurinhas ♥
Beijos e até a próxima :*
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Cinco Pensamentos que Devíamos Abandonar para Escrever Melhor

segunda-feira, 10 de setembro de 2018
Por: MicheleBran
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/5389/



Olá, queridos leitores do blog.
Eu sei... Não era meu dia de estar aqui, mas sempre que aparece uma oportunidade, eu não resisto e venho aqui falar com vocês.
Então, vamos lá.
Algo bem recorrente em locais com muitos escritores é alguém estar desmotivado com a escrita, com um bloqueio, pensando em desistir ou até que já desistiu. Todos nós já vimos isso e não conto quantas vezes já fiz posts do tipo também até perceber que boa parte das dificuldades que nós enfrentamos está em nossa própria mente.
O maior inimigo de um escritor acaba sendo ele mesmo, muitas vezes. E o que é pior: geralmente, a gente nem se dá conta de que está se ponto para baixo e se sabotando.
Esse post tem por objetivo listar cinco pensamentos bem recorrentes que qualquer um de nós já teve pelo menos uma vez e tenta dar caminhos para superar aquela vozinha troll na nossa cabeça. Sente no divã e relaxe! Hoje temos uma sessão de post-terapia.




5) "Nunca vou conseguir terminar"
Já passei por isso com outras histórias e agora volto a enfrentar a situação com outra que, a essa altura, já deveria até estar finalizada.
Algo que funcionou em outros momentos (e talvez não estejam rolando com essas histórias porque ainda não consegui descobrir) é tentar identificar o principal motivo que o/a impede de chegar ao fim da história.
Muitas vezes são problemas no planejamento que deixam a trama confusa, alguma falha de enredo que o torne desinteressante ou personagens sem muito carisma. Quando a gente não gosta do que está escrevendo e não se sente motivado/a, é mais difícil continuar e vem esse sentimento de que nunca vai chegar ao fim.
Primeiramente relaxe! Tente identificar o problema e definir estratégias para superá-lo. Se o problema é tempo, experimente organizar seus horários, registrar uma agenda e rastrear um horário que você possa escrever nem que seja por 10 minutos.
Se são problemas mais técnicos, estudo e prática sobre sua maior dificuldade (que você precisa identificar, antes de mais nada) podem ajudar bastante. Se o problema é de inspiração, experimente tirar uma folga breve e ir ler outras histórias. A leitura ajuda bastante a dar ideias. Ver filmes ou séries bacanas e ouvir músicas também são uma ótima pedida. Mesmo exercícios ao ar livre podem quebrar um galho.
Já se o problema é motivação, veja o que está tirando sua disposição e principalmente se você não se sente mais a fim de escrever qualquer coisa que seja ou é apenas esse texto em específico.
De qualquer forma, uma folga sempre ajuda. Vá fazer outras coisas e arejar a mente. Ficar eternamente debruçado em um único texto tende a cansar sua mente e matar seu interesse mesmo. Divirta-se com outras coisas e depois, só depois, volte ao trabalho.


4) "Nunca vou ser tão famoso(a) quanto Fulano(a)"
Primeiramente, pegue essa pistola metafórica aí ao seu lado e mate esse pensamento agora!
Você não precisa ter fama, muitos números ou ser conhecido/a em todos os lugares para escrever bem. Seus números não definem quem você é nem a qualidade do seu trabalho. Há sim, histórias boas famosas, mas também tem umas com falhas gritantes. Por outro lado, há sim histórias ruins enterradas no limbo, mas outras ótimas esquecidas.
Não é justo, mas é o que acontece.
Feedback é muitíssimo importante, mas você tem que persegui-lo pelo conteúdo, não apenas porque ele irá aumentar seus números. É como viajar e se preocupar apenas em chegar, sem aproveitar a paisagem.
Não é porque alguém tem mil comentários e você apenas dois que sua qualidade de escrita é inferior. Até porque alguns aspectos dessa qualidade são relativos (farei um post relativo a isso no futuro, mas pode acontecer de uma história ser ótima em termos de técnica enquanto tem um tema que não prende o leitor, e consequentemente terá menos pessoas acompanhando).
Mais do que isso: não ataque o trabalho do amiguinho apenas porque ele é mais famoso. Como disse, óbvio que há histórias ruins que ficaram famosas por qualquer motivo, mas não é pelos números que você saberá disso.
Além do mais, é muito feio para você falar mal do que não conhece. Ao menos leia a história antes de tecer suas opiniões e, ao constatar problemas, não custa nada escrever uma crítica construtiva.
“Ah, mas e se a pessoa me xingar por isso?”. Problema dela. Sua parte você fez em ajudar. Vai ficar feio agora para ela ser escrota com alguém que apenas queria ajudar.


3) "Nunca fica do jeito que eu quero"
Vamos voltar aos conselhos dados lá em cima. Reflita sobre o que você planejava para essa história (não precisa ter feito um planejamento formal, basta se lembrar do que você tinha pensado para ela originalmente) e avaliar as mudanças.
Muitas vezes, mudanças não são negativas por si só. Ao contrário, há algumas que podem deixar até seu trabalho final mais interessante do que você queria no início.
Em uma das histórias que estou escrevendo, a versão atual ficou bem diferente da que eu tinha pensado a princípio, mesmo o básico ainda estando ali. E não ficou ruim. Acho até que os leitores gostarão muito mais dessa versão do que o meu plot inicial.
Então pense direitinho: “as mudanças deixaram meu texto melhor?” Caso não, “há algo que eu possa fazer para reverter ao que eu queria? Começar um plot daqui (caso ainda não tenha um) ajudaria a saber como a história vai seguir daqui para frente? Precisarei recomeçar tudo do zero?”.
O que importa é: ao decidir refazer o planejamento, faça em um documento separado e salve como “Plot – Versão X” ou similares. Assim você não perde sua ideia inicial. A mesma coisa com eventuais cenas excluídas. Você pode mudar de ideia e incluí-las novamente ou usá-las em trabalhos futuros.


2) "Preciso agradar meus leitores"
Mais um pensamento para matar sem dó.
Claro que é legal ouvir seus leitores, já que vez por outra eles dão sugestões importantíssimas que pode valer a pena seguir. Mas nem todas as dicas e ideias são viáveis, seja porque provocariam uma mudança muito gritante no que já está planejado ou simplesmente porque você não curtiu a dica.
A primeira pessoa que precisa estar feliz com seu trabalho é você. Repita isso até que aprenda. Se você não está feliz com sua história, se a motivação não está em alta, não vai rolar e ela será abandonada mais cedo ou mais tarde ou a qualidade ficará lá embaixo.
Já escrevi mais de sete mil palavras em um dia e terminei uma história bem longa em menos de um mês, mas apenas porque eram histórias que eu amava (e ainda amo de paixão) e queria muito contar. Sem isso, não adianta forçar.
Claro que você também não precisa ser uma pessoa grosseira e ignorar solenemente seus leitores. Abra o jogo e fale que talvez não dê para seguir todas as sugestões, mas que está ali para ouvir o que eles tem a dizer e quer saber as teorias. Eu, pelo menos, estou ansiosíssima para saber que hipóteses serão criadas em cima de algumas histórias minhas.
Também é interessante ouvir os leitores porque ideias que você não pode usar numa história podem ser guardadas para irem parar em outra história no futuro. Já tenho umas duas ou três oneshots planejadas com base em ideias que me deram em comentários de outras histórias.


1) "Escrevo muito mal"
Acho que é um dos pensamentos mais comuns. Todos nós já pensamos isso em algum momento, principalmente quando comparamos nossa escrita a de outros escritores que admiramos. Já tive vontade de deletar tudo e chorar em posição fetal ouvindo Adele após ler alguns textos do Nyah, infinitas vezes melhores que os meus, mas ok. Vida que segue hehehe.
O ponto principal é que todo mundo começa escrevendo mal. Sabe aquele autor ou autora conhecida no mundo todo? Um dia os livros dele/a foram textos sofríveis. Aquela fic incrível que você achou na internet? A mesma coisa.
A única coisa que diferencia essas pessoas de nós é que elas estudaram e praticaram bastante para superar suas deficiências literárias (e se você perguntar, certamente ainda vão dizer que escrevem mal pra cacete, testa aí). Você também pode melhorar.
Identifique suas falhas. É no enredo? Nos personagens? No português? Com o problema em foco, pesquise livros e artigos, peça ajuda a amigos que saibam um pouco mais que você, procure um beta-reader... Comece a trabalhar de verdade no que você está fazendo de errado e não tenho dúvidas: você vai superar isso.
Quando comecei a escrever em 2007 (PELAS BARBAS DE ODIN, TINHA GENTE ME LENDO HOJE QUE ESTAVA NASCENDO NESSA ÉPOCA, SOCORRO), meus personagens eram altamente estereotípicos (não estereótipos negativos, mas ainda assim eram planos e sem muitas evoluções ao longo da trama), eu escrevia sem plot e sem pesquisar nada, tirava os nomes dos personagens do c# (tinha uns ridículos) e ia escrevendo o que dava na telha. (Inclusive ripei uma delas no meu blog, nesse post, vemk passar vergonha junto comigo).
Não que eu esteja no nível Machado de Assis, tampouco superei todas as minhas dificuldades. Mas comparo esse texto incrivelmente velho com o primeiro capítulo de Moonlight, uma das histórias que estou trabalhando no momento, e fico feliz com minha evolução e pelo fato de eu ter superado falhas profundas.
Aliás, se vocês lessem a primeira versão de Moonlight e depois fossem para o primeiro capítulo reescrito, iam ficar “eita” com as diferenças sutis, mas que deixaram o texto bem mais limpo e agradável de ler.
Nesses momentos, olho para trás e vejo que as noites em claro de pesquisa, que passei lendo coisas, praticando, arrancando os cabelos quando não funcionava e chorando porque achava que ia escrever só porcaria sempre valeram muito a pena e também podem valer para você.
Talvez você nem escreva mal mesmo e isso seja só sua mente achando um jeito se sabotar seus planos e fazê-lo/a desistir de seus sonhos. Não dê ouvidos a ela e continue se esforçando, estudando, praticando e escrevendo. E se for o caso de ter realmente falhas graves do seu texto, você pode, sim, superá-las. Levante essa cabeça e comece suas pesquisas. Você tem um acervo IMENSO na internet de material que pode ajudar (começando pelo nosso bloguinho ♥).
Mãos à obra!
Até mais ;)
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Guia de Bolso do NaNoWriMo – Parte 3

segunda-feira, 30 de outubro de 2017
Por: Michele Bran
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/5389/

Novembro está às portas e a essa altura você já sabe o que ele traz: NaNoWriMo. Caso seja um newbie aqui no blog, por favor, leia esse post em que falo mais sobre o que é o desafio e depois clique aqui para saber como cadastrar seu projeto.
Caso já conheça, vamos seguindo. Já devo ter feito uns dois posts sobre minha preparação lá no meu blog pessoal, mas é sempre bom dar uma atualizada nas coisas. Além disso, se você está meio perdido e não sabe como começar o desafio, vamos lá com umas diquinhas rápidas (para dar tempo).
Let's go!


#Escolha bem seu projeto
Não adianta forçar uma história que não está saindo. Você precisa escolher uma que goste de verdade, uma que te deixe no clima, motivado para escrever. Apostar em uma com a qual não se tem essa ligação é receita de fracasso.
Ano passado, eu pretendia fazer outra história, mas não deu certo. Acabei mudando com três ou quatro dias de desafio. Mas você pode descobrir apenas quando for tarde demais e acabar perdendo muito tempo.
Por via das dúvidas, separe um projeto reserva. Assim, se precisar mudar, pelo menos já sabe para onde vai.

#Prepare um ambiente livre de distrações
Separe um cantinho da casa onde possa escrever concentrado e sem interrupções. Isso vai garantir um progresso rápido, uma vez que você se livrará de tudo aquilo que prejudique seu fluxo de ideias.
Quem não tem problema com isso e consegue retornar de boas mesmo com algumas pausas fruto de problemas externos, ok; mas saiba que parar o tempo todo pode, sim, prejudicar seu trabalho porque impede que você entre no estado de fluxo, o ponto alto da concentração. Quanto mais concentrado, mais inspirado se fica.
Coloque o celular no silencioso e resista à tentação de conferi-lo com frequência, saia da internet (o ideal é fazer suas pesquisas antes e aproveitar o momento de escrever apenas para escrever), avise a quem mais more com você que não deseja ser interrompido por um tempo, tranque seu gato ou cachorro fora do quarto, faça uma playlist inspiradora, guarde imagens de referência (prompts são sempre uma boa pedida, caso fique perdido no que quer escrever) coloque uma garrafinha de água por perto e vá ao banheiro antes de começar a escrever, etc.
Tudo para não tirá-lo desse estado de concentração fundamental para sua escrita.

#Pesquise o Máximo Possível Antes de Começar
O segredo para vencer o NaNo é aproveitar o tempo. Mesmo que você tenha horários longos livres, eles não adiantarão de nada se você não souber manejar isso. Eu sei muito bem o quanto uma pesquisa pode ser longa e consumir muitos dias (levei mil anos pesquisando para outra história), então o ideal é que você já comece novembro com seus estudos feitos, suas anotações sempre à mão e os conhecimentos na cabeça.
Mesmo que você não faça um planejamento, é bom ter uma ideia geral em mente do que planeja abordar, assim você pode se preparar direitinho antes e tirar novembro apenas para a escrita.
Dica extra: quando o desafio começar, escreva todos os dias. Deixar para fazer tudo no final vai estressar você e deixá-lo com metas altíssimas para cumprir. Dividindo 50 mil palavras por 30 dias, dá uma média de 1.667 palavras. Não é muito. Uma hora por dia de escrita concentrada já te fará alcançar esse número, e até passar, se você escrever rápido.
O mesmo vale para o planejamento. Se curte planejar sua história, faça isso antes. Hora de escrever é hora de escrever. Pesquise e planeje antes. E deixe para revisar apenas depois, pelo amor de Deus.
Repita de novo: Novembro é apenas para escrita!

#Programe-se
O que mais afasta pessoas do NaNo é o fato de ser em fim de semestre, época que sempre coincide com as provas de escolas ou faculdades. Porém a menos que sua agenda seja bastante apertada e cheia de compromissos, ou você trabalhe e estude, dá pra separar um tempinho por dia e escrever.
Como disse antes, dá em torno de 1.667 palavras diárias, não é muito. Uma hora de escrita concentrada e você consegue. Basta observar seus horários antes e separar um tempinho para a escrita, sem falhar. É algo que dá até pra fazer em outras ocasiões, não só no NaNo.
Outra alternativa é escrever aos fins de semana, dividindo o que você escreveria de segunda a sexta entre sábado e domingo. Por exemplo, do dia 1/11 (quarta) até o dia 5/11 (o domingo mais próximo), espera-se que o participante tenha feito 8.335 palavras. Dividindo por dois, temos uma média de 4.168 palavras, algo que dá para você fazer. Não precisa ser tudo de uma vez. Você pode, por exemplo, dividir em dois ou três turnos. Assim, coloca a matéria em dia durante a semana e escreve nos sábados e domingos.

#Descanse!
Essa dica também vale para o durante e o depois do desafio.
Assim que terminar essa fase de programação, relaxe e se divirta. Não comece com a mente cansada, não se esforce demais.
A jornada é puxada mesmo para quem tem tempo sobrando, calcule para quem não tem. Então não vale se desgastar desde já. Se não der para escrever agora, não tem problema. Você pode se reunir com amigos e fazer seu próprio NaNo fora de época em seu mês de férias ou mesmo separar um mês para escrever sozinho, se ninguém quiser acompanhar. Nada impede!


Como eu me preparo:
Agora vamos falar de maneira bem pessoal. Como eu fiz para vencer tudo?
Não precisei fazer nenhum pacto (será? rs). O segredo é um só: até o momento, eu não comecei nenhum Camp ou o NaNo sem saber o que eu queria escrever. Eu posso ter mudado de ideia e ido escrever outra no meio do caminho, porém comecei com uma ideia X.
E quando decido por tais projetos em detrimento de outros é justamente porque já tenho bem definida a ideia do que quero escrever neles. No mínimo, tenho um planejamento geral, um resumão com começo, meio e fim da história.
Mas vamos por partes. Minha preparação é por em etapas. Primeiro analiso dentre as histórias que já tenho o planejamento pronto qual delas eu estou mais a fim de escrever. Decidido isso, abro esse plot para ver se está tudo ok, se quero mudar algo, retirar, acrescentar, enfim.
Fechando essa parte, vou para o campo das pesquisas. Faço um apanhado geral do que eu preciso saber (normalmente, conforme faço o plot, já vou fazendo esse roteiro também) e crio umas anotações ao longo do plot (que é o único doc que deixo aberto quando começa a escrever para ir consultando) conforme a pesquisa avança com os conceitos-chave que preciso saber para desenvolver o enredo mais ou menos bem.
Apenas algo preliminar. Depois quando a história fica pronta, ou a maior parte dela, é que vejo se realmente preciso pesquisar mais alguma coisa, que parte precisa de maior aprofundamento, etc, aí vou fazendo os ajustes. 100% de precisão não é algo com o que eu me preocupe nessa fase
Toda essa parte pronta, vou colher coisas que me inspirem. Então faço uma pasta separada e coloco imagens de referência dos personagens, de cenários, de objetos que possam aparecer ao longo da história, fotos e desenhos que possam ter a ver com o enredo, etc.
Por último, antes de escrever, crio uma playlist (atualmente no Spotify, antes no pc mesmo) com músicas que eu goste e me deixem no clima para essa história, que tenham a ver com as cenas e personagens, que eu possa usar como epígrafes, etc.
Com tudo isso pronto, vou tentar relaxar um pouco e fazer outras coisas para deixar a mente fresca. Assim, quando o desafio começa para valer, estou de boas para começar a jornada que durará o mês inteiro.
Esse é meu segredo: dedicação, organização e começar com a mente descansada. Tenta também! Vai que funciona ;)

Apesar das dificuldades, vale a tentativa. Mesmo que você não vença, qualquer avanço em sua história já será uma vitória, especialmente se você está há muito tempo parado (será um ótimo exercício de retorno) ou só escreve sob pressão (como eu rs).
Adoraria ter vocês como meus coleguinhas de jornada literária, então convido todos que estiverem lendo isso a me adicionarem como amiguinha lá no site do NaNo.
Sem mais, me despeço. Separem seus cadernos e canetas, ou computadores, aqueçam os dedos, deixem água ou café por perto e SE PREPAREM! The challenge is coming!
Até qualquer dia \ô/
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Guia de Bolso do NaNoWriMo – Parte 2

terça-feira, 24 de outubro de 2017
Por: Michele Bran
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/5389/

Olá, pessoal. Como vão?
Continuando nosso post sobre o NaNo, agora veremos como cadastrar seu projeto no site oficial do desafio.
Se você caiu de paraquedas nesse post e não sabe do que se trata, estamos falando do “National Novel Writing Month”. Apesar de ter o “National/Nacional” ali, escritores do mundo inteiro tiram o mês de novembro para escrever 50 mil palavras em alguma de suas histórias já existentes, para continuá-la, ou começar uma nova. Para conhecer mais, só clicar neste post.
Caso já saiba e esteja com a empolgação lá em cima para começar, vamos em frente.
Antes de tudo, obviamente, você vai precisar se cadastrar no site, caso ainda não tenha uma conta. Acho que o que mais assusta a galera BR é o fato de o site ser em inglês, mas é simples: se você não tem conta ainda, só clicar no “Sign Up”. Se já tem, só ir pra “Sign In” e entrar com seu e-mail e senha:


Para quem não tem cadastro, isso é bem fácil de fazer. Após clicar no “Sign Up”, vai carregar essa página de baixo. Você escolhe um nome de usuário, coloca seu e-mail, confirma seu e-mail, escolhe uma senha, confirma essa senha.
Depois seleciona o seu fuso horário, clica na primeira caixinha se tiver mais de 13 anos e na segunda, para aceitar os termos de uso (dica importante que o Bilbo nos deu n’O Hobbit: não assine/aceite nada sem ler antes :v).
Então, clica ali no captcha, depois em Sign Up (que não apareceu no print, mas fica logo embaixo) e voi là! Sua conta foi criada:


Com isso feito, vai carregar uma nova janela, onde você deve cadastrar a história que você quer escrever. Como foi explicado no outro post (que você deve ler, se ainda não leu. Fiz um F.A.Q bem interessante lá), o site não vai guardar sua história, é apenas para registrar suas estatísticas (como o projeto está avançando, quantidade de palavras que você já fez, etc.).
De novo, é super simples também. Clique em “create your novel” e espere:


Conforme o print abaixo, coloque no primeiro campo o nome de sua história e no seguinte selecione o gênero dela. Têm vários, de horror/sobrenatural a romance LGBT. Se precisar de ajuda, não tenha vergonha de recorrer ao tradutor.
Em seguida, você pode escolher uma imagem para ser a capa.


Você também pode adicionar uma sinopse para seu projeto:



E um trecho dele:



Mas esses últimos dois campos não são obrigatórios, então não precisa preencher se não quiser. Depois disso, só clicar no “create novel” e já estará tudo pronto para começar. 

Além disso, você também pode adicionar amigos, para acompanhar o progresso deles também, e badges a seu perfil.


Esses são os meus badges desse ano. Os azuis e laranja você ganha automaticamente. Os primeiros são de participação. Você ganha ao preencher seu perfil, selecionar sua região local, adicionar amigos, participar dos fóruns e doar para o NaNo, respectivamente. Só me faltam esses dois últimos.
Os laranja são desbloqueados conforme você avança no desafio: cadastra seu projeto; atualiza sua contagem pela primeira vez e por 5, 10 e 30 dias seguidos; alcança 1.667, 5.000, 10.000, 25.000 e 40.000 palavras; valida sua contagem; e, após o fim do NaNo, se compromete a fazer uma revisão. Ano passado ganhei todos (chupa, haters #aquelas HAUAHAHHAU), já esse ano... Bem, vamos tentando HAHAHA.
Os últimos você desbloqueia de acordo com sua atividade, preparação e conquistas pessoais em relação ao NaNo. Os meus eu ganhei por fazer back-up da história, cuidar do meu bem-estar (afinal, né, como escrever com sono e fome? Não dá rs), planejar a história com antecedência (sou dessas, beijos rs), participar do Camp NaNoWriMo, ser uma REBELDE (a proposta original do NaNo é começar uma história nova, mas você pode continuar outra; só é recomendado desbloquear esse badge), fazer playlist para a história (também sou dessas, beijos rs), espalhar o NaNo pro mundo (“com licencinha, senhor(a), teria um minuto para ouvir a palavra do NaNoWriMo?”), por ter #gratidão pela força recebida e ajudar os amiguinhos.
Para saber quais os outros badges e desbloquear os seus, só fazer como na imagem abaixo.


Nossa jornada está quase no fim. Na semana que vem, falarei como me preparo para o NaNo e vocês podem usar como sugestão para seu #Preptober (outubro da preparação rs) de vocês também. Se a gente correr, ainda dá tempo rs
Nos lemos na próxima segunda ô/
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As imagens que servem de ilustração para o posts do blog foram encontradas mediante pesquisa no google.com e não visamos nenhum fim comercial com suas respectivas veiculações. Ainda assim, se estamos usando indevidamente uma imagem sua, envie-nos um e-mail que a retiraremos no mesmo instante. Feito com ♥ Lariz Santana