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Planeje Sua História Com A Gente 5 – Método Flashlight e Fluxograma

domingo, 3 de maio de 2020
Por: Michele Bran
Link no Nyah: https://fanfiction.com.br/u/5389/

Olá, escritores, leitores e betas.

Como vão? Espero que bem e escrevendo/lendo/betando bastante.

Hoje vamos, de novo, de post “dois em um” para economizar tempo e espaço. Dessa forma, conseguimos aprender mais estruturas sem riscos de um post ficar gigantesco e outros, pequenos demais (sou dessas que gosta de manter certa constância hehe).

Até começar as pesquisas sobre estruturas, eu não conhecia nenhum dos dois que vamos abordar hoje, mas são bem interessantes e, espero, vocês gostarão bastante.

Antes, não deixe de acompanhar as partes anteriores dessa série: a introdução, o Método SnowFlake , o Método dos Sete Pontos em suas partes um e dois, e os Métodos dos Três Pontos e de Outline de Capítulos.

Agora vamos em frente!


Método Flashlight
Considerado um método híbrido, o chamado Flashlight ou Método da Lanterna é muito interessante porque nos permite escrever conhecendo apenas o futuro imediato do personagem.

Basicamente, você começa a escrever planejando apenas o máximo que você consegue ver da história, “iluminando” o suficiente para escrever com propriedade cada capítulo. Ou seja: você está escrevendo o capítulo 1, mas lança a luz (a lanterna, flashlight) apenas até o capítulo 5, por exemplo, porque é até onde você tem em mente; e escreve o planejamento desses cinco capítulos, podendo ser breve ou detalhado. A ideia é o plot ir avançando conforme a história, mas sempre um pouquinho à frente.

Trocando por outro exemplo bem esdrúxulo (rs), é basicamente o que ocorre com o Youtube quando sua conexão não é muito boa. Tem a barrinha vermelha, a de reprodução do vídeo, e uma branca, que é até onde o vídeo já carregou e você pode ver sem travar. Normalmente, deixamos o vídeo carregar um pouco antes do play, justamente para vermos sem interrupções (palavras de quem até bem pouco tempo atrás tinha o pior plano do provedor hehe).

A ideia é essa: só começar a escrever sabendo um pouco do que acontece na frente para que sua escrita não “trave” no meio do caminho (às vezes, por tempo indeterminado) e ir deixando esse planejamento sempre alguns capítulos além até o fim.

O método é bom para plotters porque permite saber sempre o que está por vir ao mesmo tempo em que você tem espaço necessário para mudar coisas no plot, se quiser, sem precisar reescrever todo o planejamento. Em resumo, você tem um trajeto pré-determinado, mas ao mesmo tempo, mantém espaço para “manobrar” o enredo para esta ou aquela direção, conforme seu desejo ou necessidade.

Para pantsers é muito interessante também porque não é necessário planejar toda a história para começar e, como vimos acima, temos flexibilidade para mudar o que não está nos agradando.

E para plantsers, justamente por ser um método híbrido, permite que a gente possa lançar a “luz da lanterna” mais adiante ou de forma mais próxima ao que está sendo escrito. Ou seja: você pode planejar pontos-chave da trama e improvisar todo o restante. Ou lançar a lanterna apenas sobre o final e escrever todo o resto sem planejamento.



Método do Fluxograma
Esse é um dos meus preferidos, embora eu ainda não o tenha testado para histórias longas.

O fluxograma ou mapa mental é muito utilizado para estudos, por proporcionar uma visão geral e bem visual do assunto em estudo; tendo como principais características ser algo bem visual e colorido, com palavras ou textos bem curtos (e até desenhos ou imagens). Além dessas, outra vantagem é que não há um padrão: por ser um resumo dos pontos mais importantes, dificilmente encontraremos duas pessoas fazendo o mesmo mapa sobre o mesmo assunto; já que exceto conceitos, datas, locais e afins, o que pode ser importante para mim, pode não ser para outra pessoa que se debruce na mesma temática.

Ao aplicar este método na escrita, a ideia é justamente aproveitar todas estas vantagens. Você pode utilizar cores diferentes e mesmo desenhos para passar a ideia geral da história, de um capítulo, de um arco ou de personagens. Preferencialmente, fazendo isso em uma página, você terá como visualizar rapidamente e de forma que seja visualmente chamativa e agradável os principais pontos da história.

Como exemplos para fluxogramas de enredo, você pode planejar aspectos gerais de início, meio e fim ou o geral de cada capítulo. Para capítulos, a estrutura de início, meio e fim também é interessante de ser usada, bem como mencionar personagens que aparecem, localização, sentimentos a ser evocados, etc. Já sobre personagens, aspectos físicos, psicológicos e sociais, bem como sua função na trama são fundamentais. Fica ainda mais bonitinho se você sabe e gosta de desenhar.

Só recomendo fazer com lápis antes e só passar para caneta, hidrocor, etc. quando fizer seu fluxograma. Assim, você não precisa ficar refazendo tudo do zero quando cometer algum erro maior que não dê para corrigir com um corretivo ou um desenho para cobrir a falha. Caso utilize apenas textos e não goste de imagens, há sites e aplicativos para fazer mapas mentais (alguns você pode encontrar aqui).

É bom para plotters por ser um método mais divertido e intuitivo. Mesmo quando gostamos de planejar, esta etapa pode ser um pouco entediante (e até angustiante, dependendo do tamanho ou complexidade de seu enredo). Então procurar uma alternativa que seja mais lúdica e flexível pode ser uma ótima opção para tirar um pouco o peso dessa fase.

Para pantsers é bom também porque nos permite pensar apenas no geral e, depois, fechar as lacunas conforme escreve. Por ser um estilo livre, você não fica preso a fórmulas e segue apenas o fluxo de suas próprias ideias, sem modelos, fichas ou padrões pré-estabelecidos.

E para plantsers, é o meio-termo perfeito entre ter em mente todos os pontos importantes da história para não se perder e ter a flexibilidade necessária para improvisar o restante do enredo. Tudo isso de uma forma muito bonita e chamativa.

É isso, pessoal. Espero que tenham gostado desses métodos e, caso já tenha usado ou esteja querendo usar, deixe um comentário aí para trocarmos ideias.

Beijos e até o próximo mês, em que falaremos um pouco sobre o Método dos Cinco Pontos.

Até lá...
E agora voltem a escrever!
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Planeje sua história com a gente 4 - Método dos Três Pontos e Outline de Capítulos

domingo, 19 de abril de 2020

Por: Michele Bran
Link no Nyah: https://fanfiction.com.br/u/5389/

Oi, pessoal.
Lá vamos nós de novo para mais um post de nossa série sobre roteiros. Dessa vez, como vamos abordar duas estruturas que são bem simples e rápidas, optei por falar de duas no mesmo post, até para que a série não se estenda demais (acredite em mim: tem trocentas estruturas diferentes hehe).
Caso não tenha lido ainda as outras partes, temos uma breve introdução, depois falei sobre o Método Snowflake e o Método dos Sete Pontos, que precisei dividir em parte 1 e parte 2 devido ao tamanho. Pode ir lê-las antes, se quiser.
Mas vamos lá…

1) Método dos Três Pontos
Essa estrutura é bastante concisa e simples, por isso não devemos confundi-la com o Método dos Três Arcos (do qual falaremos mais adiante, e é uma forma um pouco mais aprofundada de estruturar seu enredo).
O Método dos Três Pontos se aproxima mais dos Sete Pontos que vimos no post anterior da série, com a diferença que aqui vamos pensar apenas no começo, meio e fim da história.
Sim, só isso. Você pode escrever palavras-chave, uma frase, um parágrafo (pequeno ou grande) ou mesmo uma página sobre cada etapa. Até mesmo várias páginas, se quiser, tudo vai depender do nível de detalhes que você deseja dar a seu planejamento.
Apenas não esqueça do que deve ter em cada etapa:
a) Começo: apresentação de personagens, cenários, trama principal e subtramas mais importantes. Normalmente, corresponde ao primeiro quarto (25%) da história.
b) Meio: complicação dos conflitos, entrelaçamento das subtramas entre si e com a trama principal, desenvolvimento e relacionamento dos personagens entre si. Corresponde aos dois quartos seguintes da história (25 a 75%).
c) Fim: percepção de como os personagens mudaram e cresceram ao longo da jornada, resolução dos conflitos e tramas sem deixar pontas soltas, exceto em casos de histórias que terão continuação (caso em que, geralmente, temos o encerramento de uma ou algumas subtramas e outras continuam em aberto, terminando com um gancho para manter o leitor interessado na próxima parte). Equivale ao quarto final da história.

É um método bem mais rápido e direto ao ponto, perfeito para quem nunca planejou nenhuma história, mas deseja começar a fazê-lo por não ter maiores passos a seguir e, portanto, não ser tão cansativo à primeira vista.
Permite ter uma visão geral da história de forma rápida (sobretudo se você vai colocar apenas frases), mas peca muito em minha opinião por não nos deixar nenhum campo específico para desenvolvimento de personagens; o que não nos impede de fazer isso conforme a história avança, abrindo parênteses para contar aspectos relevantes da personalidade ou história do personagem que seja relevante para cada parte do enredo e, depois, construir fichas específicas para eles.
Os planejadores (plotters), assim como eu, podem achar o método um pouco vago, mas como há sempre a opção de começar pequeno (com frases) e ir aumentando para uma página ou mais, acredito que valha a pena a tentativa (principalmente com histórias mais curtas, com menos subtramas e detalhes a acrescentar).
Já os improvisadores (pantsers) e intermediários (plotsers) podem tirar mais vantagem do método, uma vez que ele permite ser bem resumido e colocar apenas o que é mais importante de cada etapa.

Viu como foi rapidinho? Até para falar dele é prático.


Agora vamos ao segundo método de hoje, o que eu usei por quase dez anos mesmo sem nem saber que tinha nome.

2) Outline de Capítulos
Para quem não manja da língua da Rainha, “outline” quer dizer esboço, formato, rascunho. É empregado com mais frequência nas artes plásticas, quando os pintores (principalmente) primeiro fazem um desenho (normalmente a lápis) da obra apenas para ter um norte antes de pôr, para valer, a tinta na tela.
A literatura meio que se apropriou do termo com o passar dos anos, usando-o para designar o planejamento da história, que permite uma visualização de como ela será antes de começarmos a escrever de fato. Podemos fazer um outline geral, da história como um todo usando diferentes métodos (inclusive o Excel, como veremos futuramente), ou um de capítulos, como veremos agora.
Basicamente, você vai escrever um resumo do que vai colocar em cada capítulo, podendo ser também palavras-chave, pedaços de diálogo ou uma “mini-sinopse” do que deve ter em cada um. Planejar sua história por capítulos traz algumas vantagens interessantes, mas também uma desvantagem bem tensa.
A vantagem é que pode ajudar você até a escolher como nomear o capítulo, ou que tipo de tom ou emoção imprimir em sua escrita. Mas a desvantagem é que esse método, se utilizado sozinho, pode tirar um pouco de você a perspectiva da macroestrutura da história.
“Mas hein?”
Calma, vamos por partes.
Toda história tem uma estrutura maior, a macro (o enredo como um todo, começo, meio e fim, pontos de virada, etc.) e as microestruturas (que são os capítulos).
O ideal é que seu capítulo também siga uma estrutura interna que seja instigante. Ou seja, além de começo, meio e fim; é interessante que ele tenha um ponto-alto, um momento que instigue o leitor a prosseguir na leitura (normalmente, o gancho é o final dele, que deixará o leitor curioso pelo próximo).
E aqui entra o que, a meu ver, é o principal defeito desse método. Se você não tomar cuidado, vai ficar pensando o tempo todo apenas na microestrutura e perder a estrutura mais geral da história. Foi o que aconteceu comigo em várias histórias.
Os capítulos tinham ganchos bons entre um e outro, mas quando eu me afastava para ver o todo, ficava parecendo que as tramas ficavam soltas entre si, não tinha pontos de virada nos momentos certos (ou ficavam muito pertos um dos outros, ou espaçados demais) e alguns conflitos ou se resolviam logo ou demoravam muito para isso.
Uma boa sugestão é você utilizar o outline de capítulos em associação com outro método, porque aí sim você poderá pensar com cuidado tanto na estrutura maior da história quando na dos capítulos.
Este método é bom para plotters porque te permite ter uma ideia de quantos capítulos a história terá, quanto tempo leva para algumas tramas se resolverem e facilita pensar sua história também de forma mais dedicada: capítulo a capítulo, cena a cena.
Para pantsers, também é útil porque você pode só fazer um resumo dos capítulos importantes para não esquecer nada e deixar a imaginação rolar no resto.
E os plotsers se beneficiam também porque podem planejar macro e microestrutura de forma bem resumida mesmo sem deixar de lado a improvisação.


Por hoje é só, pessoal. Espero que tenham gostado.
Mês que vem, voltamos com um método que eu nem sequer conhecia antes de começar a pesquisar, mas achei bem interessante quando me debrucei mais sobre ele: o Método Flashlight.
Beijos e até o próximo post.
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Planeje sua História com a Gente 3 - Método dos Sete Pontos [2/2]

domingo, 8 de março de 2020

Por: Michele Bran
Link no Nyah: https://fanfiction.com.br/u/5389/


Olá, escritores.
Aqui estamos para a segunda parte de nosso post sobre o Método dos Sete Pontos (e a primeira você pode ler aqui).
Indo direto ao ponto, continuemos :D

4.       O Espelho

A escolha que seu personagem principal tomará no Catalisador o levará a um dos momentos mais cruciais da trama: o Espelho, onde o protagonista pode encontrar ou perder sua verdadeira motivação e onde a jornada parece ainda mais não ter volta (ou não ter possibilidade de acabar bem). Segundo as palavras do Lee:
Fazendo uma analogia com o próprio nome, é como se o protagonista se olhasse no espelho e se perguntasse: o que foi que eu fiz?”.
Aqui, algo muito importante (e geralmente de profundo impacto) acontece, levando seu personagem ao impulso de trabalhar ainda mais para resolver os problemas que aparecem em seu caminho. É aqui que o personagem reflete sobre suas ações e as consequências delas, se organizando para corrigir os erros e solucionar a questão da melhor forma possível (coitados, ainda temos muito chão hehe).
O Espelho, via de regra, deve aparecer no meio da história. Se formos usar um desenho como exemplo, podemos dizer que o começo é o ponto 0 e, a partir dali, temos uma curva ascendente, que sobe até o máximo e, depois, começa a descer novamente até a linha inicial. O Espelho é o meio disso e deve dar impulso para que o leitor chegue ao ponto alto, o clímax.
Exemplinhos:
1984: Após descobrir como o Partido manipula a população, Winston decide investigar um misterioso grupo de resistência.
Senhor dos Anéis: O conselho se reúne em Rivendell e, após diversos desentendimentos. Frodo decide ele mesmo levar o Um Anel a Mordor.
Harry Potter: Harry se olha no Espelho de Ojesed (coincidência?) e decide honrar a morte de seus pais.
Star Wars: Luke e seus companheiros são levados à Estrela da Morte, descobrem que Leia está sendo mantida prisioneira e decidem resgatá-la”.

5.       Crise

O protagonista já refletiu sobre suas ações e decidiu agir no sentido de resolver os problemas.
Maravilha! Hora de dar mais problemas para ele.
Como o próprio nome já indica, é hora de complicar ainda mais a situação de seu protagonista. Bônus se isso acontecer porque ele tomou uma decisão errada, que levou a uma grande e colossal tragédia e agora até seus aliados estão conta ele e-PERA, sem spoilers da minha história, hehe.
A crise é outro momento fundamental para o desenvolvimento da personalidade do personagem e serve para mostrar ao leitor todos os conflitos internos, dilemas, mudanças pelas quais ele passou e como toda essa jornada o está afetando (positiva ou negativamente falando). Aqui, podemos mostrar como o mundo interno do personagem interage com o externo com ainda mais força.
Exemplos:
Batman Begins: Ra`s Al Ghul queima a mansão Wayne e deixa Bruce à beira da morte.
Senhor dos Anéis: Gandalf cai no abismo ao enfrentar o Balrog.
Harry Potter: Harry vê Voldemort sugar o sangue de unicórnio e quase é morto.
Star Wars: Os stormtroopers atacam os heróis enquanto eles tentam fugir da Estrela da Morte com a princesa Leia”.

6.       Clímax

Aqui chegamos ao ponto alto da trama (lembrem da curva ascendente que mencionei ali em cima). Aqui, tudo se conecta e faz sentido, todos os segredos são revelados e agora o protagonista finalmente consegue descobrir o que é necessário para derrotar seus inimigos. É aqui que o detetive descobre que perseguiu o fulano errado a história inteira e o verdadeiro culpado está se preparando para agir em outro lugar.
Tudo na história deve culminar para o clímax para que ele tenha o efeito desejado de pegar todo mundo de surpresa (tanto quem participa da cena quanto quem a lê) e causar grande impacto emocional no leitor.
Exemplinhos:
O Caso dos Dez Negrinhos: Oito já morreram e apenas dois restam. Cada um dos dois sobreviventes sabe que ele próprio não é culpado pelas mortes e os dois se confrontam.
Senhor dos Anéis: Boromir tenta roubar o Um Anel de Frodo, fazendo o hobbit perceber o poder do anel em corromper seus companheiros. Ele, então, percebe que terá de enfrentar o desafio sozinho.
Harry Potter: Ao se olhar no espelho de Ojesed, percebe que, como seus motivos são puros, ele é o único que pode possuir a pedra filosofal.
Star Wars: Luke descobre que tem a Força, e terá que usá-la para destruir a Estrela da Morte”.

 7.       Resolução

E, por fim, o fim.
Aqui, tudo se resolve (ou se ferra de vez e todo mundo morre [juro que não é spoiler]). Batalhas são vencidas ou perdidas. Amores são reconquistados ou definitivamente desfeitos. Famílias se reencontram ou se separam por completo.
Ao chegar ao final, a ideia é que o conflito principal da trama seja resolvido e nenhum dos personagens de peso (protagonista, sobretudo, mas também secundários) termine da mesma maneira que era no começo. Toda a jornada, as lutas, os ganhos e perdas, os desafios, as dificuldades o terão transformado. Ele será uma pessoa melhor (ou pior) quando chegar ao fim de sua jornada.
E aqui cabem duas perguntas:
a)       Qual é o conflito principal? (importante para que você saiba, afinal, qual trama precisa ter maior destaque e deve ser resolvida ao fim de tudo); e
b)      Como meus personagens foram afetados? (se algum dos de grande importância terminar igual quem era no começo, volte e mude algo no meio).
Também é importante pensar se estamos falando do fim de uma história única ou de parte de uma saga (duologia, trilogia, série... etc). Se é uma história “livro único”, todos os mistérios precisam ser resolvidos até o fim. Se temos uma série, o mistério principal será resolvido, mas precisaremos deixar ganchos para a parte seguinte.
Vamos aos exemplos (todos do Livro 1 de uma saga, por coincidência, para facilitar o entendimento do que acabei de dizer hehe):
Jogos Vorazes: Katniss desafia os juízes dos Jogos e sobrevive. Ela agora tem uma visão distinta do governo controlador.
Senhor dos Anéis: A Sociedade se separa. Frodo resolve seguir seu caminho e destruir o Um Anel, custe o que custar.
Harry Potter: Harry derrota Voldermort. Ele agora sabe que, enquanto viver, Voldemort pode retornar para conseguir sua vingança.
Star Wars: A Aliança destrói a Estrela da Morte. Com o conhecimento da Força, Luke resolve treinar para destruir o Império”.

Mas como sabemos que o final e o meio (não necessariamente nessa ordem) são as partes mais difíceis de escrever, há algo maravilhoso sobre essa estrutura que me deixou positivamente surpresa enquanto estudava mais sobre ela. Devemos planejar nessa estrutura na seguinte ordem:

1º: Resolução
2º: Gancho
3º Espelho
4ª Chamado
5º Crise
6º Clímax
7º Catalisador

A ideia por trás disso é começar pelos pontos mais importantes, de forma que o seguinte se torne mais fácil de pensar a respeito após concluirmos o anterior. Começando pelo final, já temos uma boa visão de como queremos que seja a transformação do personagem.
Daí, fica mais fácil imaginar como apresentar essa bagunça e pensar na principal crise do meio. Com o começo, meio e fim já registrados, a tarefa de pensar em como desenvolver cada crise e problema também se torna menos árdua.

O método é excelente para plotters porque nos dá a estrutura geral da história com cada ponto-chave. Como o nível de detalhes é definido por você, fique livre para detalhar o máximo que quiser dentro da estrutura.
E auxilia pantsers e plotsers porque não é necessário expandir por páginas e páginas, como o Snowflake. Com apenas uma frase, você pode definir o que é mais importante em cada etapa. Além disso, também pode apenas fazer o começo e/ou o final e ir pensando no restante conforme a história avança.

E eu reclamando do post anterior, hein? Esse ficou quase um TCC (hehe).
Espero que tenham gostado apesar do tamanho e que tenha sido útil. Até o mês que vem com, espero eu, mais um post da série. Dessa vez, sobre a estrutura dos Três Pontos.
Beijos e até lá.
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Planeje sua História com a Gente 3 - Método dos Sete Pontos [1/2]

domingo, 1 de março de 2020

estrutura dos sete pontos


Por: Michele Bran
Link no Nyah: https://fanfiction.com.br/u/5389/

Olá, escritores. Como vão? Espero que bem e escrevendo bastante.
Dando continuidade a nossa série (se você ainda não viu as partes um e dois, só clicar nos links), hoje vamos conversar sobre uma estrutura que, pelo visto, é mais famosa na gringa. Sério, foi uma dificuldade encontrar posts em português sobre (só achei esse do Thiago Lee, que acabou sendo a principal referência), mas vamos lá.
O Método ou a Técnica dos Sete Pontos (como também é conhecida) foi criada pelo escritor norte-americano Dan Wells e tem por princípio mapear os sete pontos principais da trama e estabelecer os maiores conflitos a serem resolvidos. Podemos registrar como cenas inteiras, capítulos, diálogos ou um parágrafo.
Curiosos? Então vamos lá ver cada pontinho um por um. Todos os exemplos listados aqui são os que encontrei no post do Thiago. Resolvi manter por estarem bem mais claros e simples do que aqueles que eu colocaria originalmente (hehe).


1.       Gancho

O primeiro ponto tem este nome porque é ele quem deve fisgar a atenção de seu leitor, preferencialmente já nas primeiras linhas. Aqui, você deve se preocupar em despertar dúvidas na mente do seu leitor, fazê-lo pensar “agora preciso continuar lendo para saber no que isso vai dar”. Pode ser uma reviravolta, um acontecimento inesperado ou mesmo chocante, a entrada de um personagem cativante ou misterioso... Tudo vai depender de seu estilo de escrita e do gênero que você escreve.
Algo que eu sempre gosto de fazer é começar já no meio de algo. Por isso, um dos meus começos recentes que mais gostei de ter feito foi o de “Depois da Guerra”, uma alta fantasia que não postei em lugar nenhum ainda. Basicamente, estamos no meio da floresta, cercados pela neve branca e há uma tensão no ar, tão forte que a gente quase consegue cortar com as espadas que logo os protagonistas precisam levantar para se defender... E quando a gente se dá conta de não é uma luta comum e logo eles estão cercados por criaturas selvagens e famintas, já estamos curiosos para saber onde eles estão, para onde estavam indo e o que está acontecendo.
Pena que vou ter que reescrever tudo só com o que lembro, porque esta foi uma das histórias que perdi junto com o HD anterior. RIP.
É importante que você tenha em mente que quanto mais cedo o gancho aparecer na história, melhor para você. Mais os leitores vão querer continuar lendo, então parou aquela conversa de “ah, mas depois do capítulo 10 minha história melhora”. A menos que você ache legal ter leitores desistindo logo na página dois.
Outro alerta importante é nos dado pelo Thiago Lee:
O gancho não é necessariamente o acontecimento que conduz sua trama (veremos mais sobre isso depois no Chamado), ele serve apenas para criar interesse na história.
Se sua história é sobre um detetive que investiga um assassinato, seu gancho pode ser a própria cena do crime, um flashback do passado do detetive em que ele vê a mãe ser morta, ou até mesmo uma cena do fim do livro em que ele está à beira da morte, encurralado pelo assassino (mas sem deixar claro ao leitor quem é o criminoso). Nesse último caso, você voltaria no tempo para contar o início da trama, deixando o leitor ávido por saber como o detetive foi parar naquela situação”.
E como o gancho também pode vir em forma de prólogo, ele também cita dois exemplos que podemos usar para que este tipo de capítulo sirva a seu propósito, evitando que ele seja entediante e/ou confuso: “Prólogo do Monstro de Gelo” e “Prólogo In Media Res”.

Prólogo do Monstro de Gelo
Quem já leu “Guerra dos Tronos” sabe, mas quem ainda não, o livro é simplesmente um calhamaço que, se você atirar contra alguém que não gosta, pode ser preso por tentativa de homicídio.
Nada mais natural que em meio a tanta trama e personagem para desenvolver, alguns temas só fossem aparecer quilômetros depois da primeira linha; e é o caso da magia. Porém, para que o leitor não pensasse se tratar de mais um livro de política de um mundo que não existe, o Martin criou um prólogo em que alguns personagens se deparam com ameaças sobrenaturais.
É, reservadas as devidas proporções, um pouco do que fiz em “Inverno na Cidade do Sol”, em que para não deixar o leitor pensando que se trata de mais um suspense policial, incluí o elemento de fantasia urbana já no começo.

Prólogo In Media Res
“In Media Res” quer dizer “no meio das coisas” em latim. Usamos esse nome porque, aqui, a história começa pelo meio, com o intuito de conseguir aquele efeito que mencionei ali em cima de “começar com as coisas acontecendo”.
Ao invés de explicar quem são os personagens envolvidos de um por um, com inúmeras páginas de background, e descrição maciça de cenários e situação política da história (que é, aliás, um erro bem comum em histórias de fantasia), optei por começar com uma cena de ação e deixar todos esses fatores para mais tarde; ocasião em que, por já saber um pouco dos personagens pelas ações e se importar com eles o suficiente para tal, podemos começar a investigar seus passados e mentes sem ficar chato e repetitivo.

E agora minha parte preferida. Os exemplos. Nas palavras do autor que usei como referência:
Peter Pan: o Gancho (não, não é o Capitão) está logo na primeira frase: todas as pessoas crescem, menos uma.
Quem é essa pessoa que não cresce? Por que não?
Senhor dos Anéis: um mago poderoso pede a ajuda de um jovem e pacato hobbit para uma aventura.
Que habilidades esse inofensivo hobbit tem a oferecer? Que perigos eles encontrarão no caminho?
Réquiem para a Liberdade (livro de minha autoria): um ex-escravo é capturado por criminosos, e escapa com a ajuda de uma marca hedionda que carrega no peito.
Qual o segredo por trás dessa misteriosa marca? Quem fez isso com ele? Como ele foi parar nas mãos desses criminosos?”.

Ganchos “Prólogo do monstro Gigante”
“Harry Potter: Dois bruxos abandonam um bebê misterioso na porta de uma casa no meio da noite. (logo de início fica evidente que há magia no mundo)
O que há de tão especial nesse bebê? Que poderes esses bruxos possuem?
Star Wars: um poderoso vilão mascarado usa habilidades sobrenaturais e captura uma princesa.
Quem está por trás da máscara desse vilão? Qual a fonte do seu poder? Quem salvará a princesa?”

Ganchos com “Prólogo In Media Res”
“A Odisseia: Atena manda Telêmaco buscar seu pai Odisseu, que está sumido há dez anos. A história, então, começa a contar o que Odisseu tem feito nesses anos”.


2.       O Chamado

Passando para o ponto seguinte (sim, já conto três páginas do Word escrevendo em fonte Calibri tamanho 11 e só vimos o primeiro ponto. A PROLIXIDADE, MEU PAI), veremos que, já fisgamos a atenção do leitor e agora podemos prosseguir com nossa trama.
Mas não é porque o leitor já foi conquistado que vamos descuidar e entregar uma história parada e monótona. Não! Precisamos continuar mantendo as expectativas em alta, investindo em desenvolver os mistérios e aprofundar os conflitos, entrelaçando-os entre si.
Precisaremos parar para respirar e se refazer das lutas, descansar da cena de perseguição, tomar uma água depois de conhecer o crush na pista de dança daquela festa badalada, é claro. Mas cedo ou tarde precisaremos colocar nossos xuxus para passar por algum perrengue, aquela situação em que eles recebem o Chamado para que a trama engrene de vez.
Estabelecendo um paralelo com a famosa Jornada do Herói, da qual também trataremos no futuro, podemos dizer que é aqui que o personagem tem o primeiro empurrão em direção ao fluxo que o levará até o fim da trama, é aquele “sacode” do destino, uma situação imprevista que o força a agir em determinada direção. E atenção: é um ponto de não-retorno. Uma vez que ele parta em uma jornada inesperada, não há mais como largar mão, dar as costas para comitiva e se enfiar de novo em sua casinha no Condado (sei que você pescou a referência). Começou, termina. Ajoelhou, tem que rezar.
Acredita-se que o Chamado deve aparecer antes do primeiro quarto da trama. Ou seja, se sua história tem 100 páginas, esse momento precisa acontecer até a página 25, aproximadamente.
Mas é aquelas: “Bem-vindo ao mundo da escrita. Regras: não há regras”. Então ele pode acontecer a qualquer momento. O que se recomenda é que seja cedo, para seu leitor manter em alta o interesse e expectativa.
A melhor forma de introduzir o chamado é trazendo um conflito, algo que transforme a história em algo novo e faça o personagem seguir um rumo bem diferente do que ele planejava
Horinha dos exemplos:
Jogos Vorazes: A irmã mais nova de Katniss é escolhida para participar dos jogos, e Katniss se voluntaria para ir no lugar dela.
Senhor dos Anéis: Gandalf conta a Frodo que as forças do mal sabem que ele possui o Um Anel, e que eles devem deixar o Condado imediatamente.
Réquiem para a Liberdade: Marko chega à Ravina e confronta o tirano Dom.
Harry Potter: Harry descobre que é um bruxo e que irá estudar na Escola de Magia de Hogwarts.
Star Wars: Luke descobre que seus tios estão mortos e resolve se juntar a Obi-Wan Kenobi”.


3.       Catalisador

Seu personagem já fisgou o leitor e começou sua jornada. Agora é hora de quê? Dar a ele uns longos capítulos de paz?
Nada disso! É hora de colocar esse coitado (não tem melhor definição hehe) com ainda mais problemas para resolver, para tomar decisões difíceis, para fazê-lo se confrontar com as forças contra as quais ele luta. O catalisador é aquele momento (ou momentos, podemos ter mais de um) em que o protagonista sente aumentar o senso de urgência da questão que o atormenta e percebe a necessidade imperiosa de agir (claro que ele vai agir para ferrar tudo, porque se fosse para dar tudo certo, a história acabaria).
O que pode ser um bom catalisador? O surgimento de um vilão, o rapto de um aliado, descobrir um esconderijo, revelar um traidor, a descoberta de que terá que se separar da pessoa amada, etc. Aqui é um excelente momento para mostrar mais do mundo interno do protagonista ao leitor: suas escolhas dependem de forma crucial de seu caráter, valores, moral e visão de mundo — sobretudo se você está escrevendo fantasia em que um herói precisa salvar o mundo e, portanto, as vidas de muitos inocentes estão em suas mãos, mesmo que nem saibam.
Exemplos:
O Iluminado: Danny começa a ter alucinações e a perceber atividades sobrenaturais pela primeira vez.
Senhor dos Anéis: Frodo e seus companheiros são atacados pelos cavaleiros negros. Frodo é esfaqueado.
Harry Potter: Um trasgo ataca Hogwarts.
Star Wars: Os stormtroopers atacam a Millennium Falcon enquanto Luke e Ben Kenobi tentam alcançar a Aliança Rebelde”.


E termina aqui essa primeira parte porque o post ficou gigantesco, mas semana que vem, tem mais.
Até lá :D

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Planeje Sua História Com a Gente 2 - Método Snowflake (ou Floco de Neve)

domingo, 2 de fevereiro de 2020
floco de neve branco em fundo azul

Por: Michele Bran
Link no Nyah: https://fanfiction.com.br/u/5389/


Olá, escritores. Aqui estamos nós para a continuação de nossa série sobre planejamento e plotting.
Antes, vamos começar inserindo o conceito de três palavrinhas que aparecerão bastante nos nossos próximos posts e são, inclusive, empregadas na plataforma oficial do NaNoWriMo.
Quem não conhece um autor que planeja tudo o que vai acontecer na história nos mínimos detalhes (eu mesma sou dessas, se você ainda não conhecia ninguém, agora conhece)? Estes são os chamados plotters, planejadores. Também há os que preferem improvisar tudo, e esses são os pantsers, assim conhecidos por simplesmente “sentarem nas calças (pants)” e escreverem tudo. Por fim, também existem os que são um misto desses dois, ora planejando, ora improvisando a depender da história, ou mesmo planejando os pontos chaves e tramas principais, mas sem pensar muito no restante e preferindo usar a intuição para fechar as pontas. Estes últimos são os plotsers, uma mescla dos outros dois estilos.
Cada método abordado aqui será visto pelo ponto de vista destes três autores, expondo quais as vantagens para cada um. Isso vai ajudar você a se encontrar e decidir, ao final de tudo, qual método usará em suas histórias e que adaptações terá que fazer.
Essa é a mágica da escrita: nada é fixo; por mais que haja “regras”, sempre podemos adaptá-las, assim como as dicas e sugestões que recebemos para transformar aquilo em algo que funcione melhor para nosso estilo de escrever.
E agora, indo direto ao ponto (até porque o post está um pouco grandinho), hoje vamos conversar um pouco sobre o método Floco de Neve, ou Snowflake, que é, talvez, um dos mais conhecidos e utilizados, caminhando lado a lado com o método dos Três Arcos, do qual falaremos mais adiante.


O Que É?

O método foi desenvolvido pelo escritor israelense Randy Ingermanson e recebeu esse nome porque, para o autor, o processo de escrita de um livro seria mais ou menos como a formação de um floco de neve: primeiro temos a ideia central e a vamos fazendo crescer até o produto final tal como a gota de água congela e vai crescendo até virar o floco.
Em resumo, vamos começar pela ideia básica da história, o geral da trama, e algo bem simples sobre os personagens principais e, conforme vamos avançando, pegamos esse começo e expandimos, acrescentando detalhes e dando mais complexidade.
Aqui vem a grande vantagem do método: economizamos tempo e paciência porque vamos fazendo tudo por partes. Ao invés de querer pensar em um projeto grandioso logo de cara, começamos da menor parte e expandimos para o todo aos poucos.
Também é interessante porque traz o desenvolvimento do enredo lado a lado com a criação dos personagens. Isso é maravilhoso porque nos permite ir construindo conforme a ideia se desenrola, descobrindo quem nossos personagens são no meio do caminho. Dessa forma, enredo e personagens crescem juntos, um influenciando o outro.


Como Funciona?

Já sabemos o básico, mas como aplicar? O que colocar em cada etapa? Comofas/
Calma, como já preconiza o método (e também como diria o Jack, o Estripador rs), vamos por partes. Para evitar spoilers de alguma de minhas histórias futuras rs, vamos fingir que minha preparação para esta série de posts fosse uma história que eu quisesse escrever apenas para fins didáticos, okay? Também vou seguir o método original e falar só depois de formas que você pode adaptar.
Através de 10 etapas graduais e complementares, vamos desenvolvendo nossas ideias desde o ponto inicial até o plot final. Como já foi muito bem esquematizado pelo blog Autografia, são elas:

Etapa 1: escrever sua ideia em uma frase:

Basta ser uma frase simples, quanto mais enxuta e direto ao ponto, melhor. Há quem diga que o ideal é a frase ter até 15 palavras, mas eu nunca consegui ser assim tão resumida. Expandi meu limite máximo para 25 palavras (embora essa aqui embaixo tenha ficado com 17):
Uma jovem escritora decide escrever uma série de posts para ajudar outros escritores a planejar suas histórias”.
Viu como é fácil?
Aqui ainda não precisamos colocar nomes, descrições físicas, subtramas, nada. Apenas seu protagonista e o objetivo principal dele.
Lembre-se: é apenas o básico, quase como a ideia tal como ela veio na sua cabeça. Essa frase é chamada em muitos cursos de escrita de “premissa” e é útil de fazer, inclusive, para facilitar sua futura divulgação da obra, como a Bruna Meneguetti já explicou muito bem em seu texto.

Etapa 2: expandir a frase em um parágrafo:

Aqui, pegamos a ideia original e damos uma expandida, já acrescentando principais desafios e o final da história. Em um post maravilhoso do The Writer's Room, encontramos uma estrutura para facilitar.
1) Exposição: é basicamente como está a história no início de tudo.
2) A primeira parte: inclui o acontecimento que desencadeia toda a trama principal e suas complicações imediatas.
3) O meio: conflitos e mais problemas, derivados dessa trama principal ou inseridos pelas subtramas aparecem, piorando a situação do protagonista.
4) A segunda parte: aqui desenvolvemos os conflitos, mas já caminhando para sua resolução.
5) Clímax e resolução: como estes conflitos se resolvem para que a história possa terminar.

Agora vamos para a prática:
(1) Michele está procurando métodos de escrita diferentes porque percebe que o que usa não está mais funcionando (essa parte é verdade) e percebe que muitos autores podem estar com problemas nessa etapa também, resolvendo que irá fazer uma série de posts para discutir cada método. (2) Porém seu computador dá problema e ela fica quase duas semanas sem poder continuar suas pesquisas (essa parte é verdade também). (3) Ela envia o notebook para o conserto, mas não dá certo; principalmente porque se descobre que o HD queimou e ela perdeu todos os seus arquivos (essa parte é verdade também +1, snif). (4) Após consertar o computador e tê-lo de volta, ela tenta se reorganizar para continuar seus projetos, apesar da tristeza pelo acontecido. (5) Ela consegue terminar os posts, embora precise flexibilizar o prazo com a equipe do blog da Liga, e sua série é um sucesso absoluto (essa parte aqui vamos torcer para se realizar também hehe).”

Apenas para fins didáticos, enumerei cada frase para que você entenda que parte cada frase responde do roteirinho anterior.
Essa parte pode ficar um pouco complicada para quem, assim como eu em algumas histórias, gosta de escrever com mais de um protagonista, mas encontrei três formas de “hackear” isso.
1) Você pode escrever um parágrafo para cada e deixar para unir nas fases seguintes;
2) Escrever uma frase maior, abordando os arcos de cada personagem principal; ou
3) Pegar a estrutura de tópicos ali em cima e usá-la escrevendo uma frase para cada personagem, ao invés de escrever o parágrafo como um texto corrido.
Mais ou menos como:
1) Exposição: a) (como a história começa para o primeiro protagonista)
b) (como a história começa para o segundo protagonista)
2) A primeira parte: a) (acontecimento que chama o primeiro protagonista para a trama principal)
b) (chamamento do segundo protagonista)

E assim sucessivamente, com quantos protagonistas você tiver.
Prosseguindo...

Etapa 3: criar fichas para os personagens:

Aqui, ainda estamos no esboço geral, então não é necessário fazer uma ficha quilométrica para cada personagem. Vamos nos ater ao principal e começar apenas com algumas informações pontuais sobre os personagens mais importantes (via de regra: protagonista, antagonista e secundários de maior peso na trama).
E quando digo “informações pontuais” é algo bem resumidinho mesmo.
A Bruna nos deu um roteirinho bem bacana para seguir, que aproveito para já ir enfiando o exemplo para o post não ficar ainda maior do que já está (rs):
– Nome: Michele Bran
– Resumo da história desse personagem em uma frase: Ela é uma escritora que se dedica a ajudar outros escritores escrevendo em seu blog pessoal (ALERTA DE MERCHAN) e para o blog da Liga dos Betas sempre que possível.
– Motivação (o que quer de forma abstrata?): Auxiliar outros escritores a melhorarem suas histórias, escrevendo mais e mais rápido.
– Objetivo (o que quer de forma concreta?): Levar mais informações sobre diferentes métodos de escrita para permitir aos escritores conhecerem mais sobre cada um e escolherem o que melhor se adapta a suas necessidades.
– Conflito (o que o impede de conseguir o que ele quer?): O computador quebrar bem no meio do primeiro post, atrapalhando seu planejamento como um todo, e por fim excluindo todo o seu trabalho de anos.
– Epifania (o que esse personagem vai aprender/mudar): Ela vai aprender que, apesar das grandes perdas que temos pelo caminho, é sempre possível recomeçar e fazer ainda melhor do que antes (essa parte também é verdade +2, <3).
 Resumo da história do personagem em um parágrafo: Desejando melhorar sua forma de escrever, para não perder tanto tempo empacada na mesma ideia e eternamente reescrevendo a mesma coisa, Michele resolve pesquisar diferentes métodos de escrita para testar e adotar um novo, que se adapte melhor a suas necessidades. Ao fazer isso, percebe que muitos autores podem estar passando pelo mesmo problema, assim resolve usar seu tempo e conhecimentos para pesquisar e escrever uma série de posts sobre plotting para ajudar os escritores que acompanham o blog da Liga.

Tirando minha verborragia (estou usando o Snowflake há menos de uma semana de quando escrevi este post e sempre queimo a largada, escrevendo parágrafos inteiros e enormes ao invés de simples frases, mas let’s que let’s), dá para ver que é algo bem básico e nos focamos em aspectos fundamentais: quem é seu personagem, o que ele quer, o que o impedirá de conseguir e como ele precisa mudar para alcançar seu objetivo. É isso que vai mover sua trama.
Aqui, você deve repetir o processo para antagonista e também os secundários mais importantes. Como não temos antagonista no nosso exemplo, eu poderia pular para os secundários, incluindo, por exemplo, meus pais, o pessoal da Liga, algumas colegas de turma... Enfim, quem mais participou ou teve que lidar com os resultados da presepada junto comigo.


Ao fim dessas três etapas, já temos uma estrutura básica, um esqueleto da história. A partir daqui, vamos adicionando “músculos” a ela, enriquecendo com mais um pouco de detalhes.


Etapa 4: expandir o parágrafo inicial em vários parágrafos:

Aqui, voltamos para a etapa dois e pegamos aquele primeiro parágrafo, separando as frases. A ideia aqui é expandir isso, transformando cada uma delas em um parágrafo, te deixando com cinco ao fim da atividade, seguindo mais ou menos a mesma estrutura lá da etapa dois, mas com um pequeno diferencial: aqui, cada um dos primeiros quatro parágrafos podem terminar com um desastre ou complicação exceto o último, em que todos se resolvem.
Aqui, começamos a fechar buracos e passamos a profundar um pouco a visão das coisas, adicionando subtramas, mas tente não ir muito fundo: em geral, é esperado que você tenha apenas uma folha A4 inteira quando terminar esta etapa.
Não faça como eu e fique com duas e meia.

Etapa 5: expandir as fichas dos personagens em sinopses mais ricas de cada um deles:

Aqui nós já podemos ser mais detalhados.
Você já pode incluir na ficha de cada personagem dados referentes ao perfil psicológico de cada um, características físicas, um pouco do passado, ligações familiares, profissão, coisas do tipo. Mas não se empolgue: O ideal é que, ao fim desta etapa, você tenha uma página A4 para cada personagem importante (protagonista[s] e antagonista[s], via de regra) e meia página para cada secundário.
Particularmente, preencher as fichas de personagens é a minha parte que menos gosto e eu sempre acabo enrolando muito para terminar. Prefiro construir o enredo em suas minúcias.
Não me levem a mal. Gosto de criar personagens, mas na minha cabeça, e fazer registros sobre eles eu acho algo bem entediante, porém encontrei uma forma de hackear isso sem pular a etapa: dou respostas bem breves, como se estivesse entrevistando o personagem em um “bate e volta”. Talvez seja a única etapa que eu acabe escrevendo menos do que o previsto (rs).
Você também pode escrever um texto corrido com todos esses dados, se preferir, como uma minibiografia.

Etapa 6: expandir cada parágrafo em uma página:

Avançando um degrau na subida em direção a um planejamento detalhado, agora pegamos cada parágrafo da etapa 4 e expandimos para uma página, desenvolvendo as subtramas, incluindo mais personagens e interligando todos esses eventos entre si.
Aqui já dá para ter uma noção, mais ou menos, do tamanho de sua história e de quantos capítulos você vai precisar. Eu estou desenvolvendo esta etapa tentando seguir o padrão de um parágrafo para cada capítulo, mas não é regra. Detalhe o quanto achar necessário e registre como preferir.

Etapa 7: construir uma ficha detalhada dos personagens:

Já podemos voltar ao meu mini-martírio (rs).
Agora vamos adicionar detalhes às fichas dos personagens. Suas visões de mundo, valores, gostos, opiniões, relacionamentos, como se vê e como é visto pelos outros, qualidades e defeitos, e por aí vai.
Quanto mais importante na trama, mais detalhes, então para os secundários você pode fazer apenas uma ficha simples com os dados mais importantes e deixar para responder todo tipo de pergunta apenas com os protagonistas.
Há muitos modelos prontos de fichas na internet e você pode pesquisar qual prefere, ou dar uma passada lá no meu blog e baixar um modelo bem legal que fiz e disponibilizei para download ainda em 2018.

Etapa 8: fazer uma planilha com os capítulos e suas respectivas cenas (o Outline, também falaremos de forma específica desse método depois):

Agora chegamos à minha parte preferida. Já conheço o método de Outline há uns quatro ou cinco anos, desde que fiz meu primeiro curso online de escrita criativa, mas confesso que não o utilizei por um bom tempo porque achava bastante complexo e, confesso, tinha preguiça de usar.
Na verdade, meio que me parecia algo muito detalhado na época e fiquei meio perdida sem saber como aplicar, mas depois de estudar um pouco mais e começar a praticar o Snowflake, muita coisa se esclareceu.
Aqui, talvez seja necessário o uso do Excel, mas você também pode usar o recurso de tabelas do Word. Basicamente, nesta etapa você vai desenvolver uma lista de cenas baseado no que fez até o momento.
Utilizando uma coluna para cada dado, você deve colocar um breve resumo da cena (uma ou duas linhas sobre cada já é suficiente), o personagem com ponto de vista (quem conta a cena), onde ela se passa, quando, sentimentos que você pretende abordar na cena ou quer despertar no leitor (embora isso seja opcional) e até incluir quantas páginas, em média, você pretende escrever para cada uma.
Lembrando que vamos mudar de cena sempre que houver uma mudança de espaço ou de tempo. Quando digo que o personagem saiu da sala e foi para a cozinha, descrevendo o trajeto, ainda estamos na mesma cena. Quando tiro o personagem do quarto e o ponho já no banheiro, sem mencionar o trajeto, temos outra. Atenção a isso.
Estima-se que um livro de 300 páginas tenha, em média, 100 cenas, mas varia bastante entre cada gênero, nível de detalhes que você deseja dar, quantidade de subtramas, etc.

Etapa 9: desenvolver as cenas como base para um primeiro rascunho:

Ainda tendo como base a planilha anterior, você pode pegar cada linha da cena e desenvolver em parágrafos, adicionando um esqueleto dos diálogos, descrições, eventos, encontros, conflitos, objetos e locais mencionados que sejam importantes.
Ou seja: vai escrever um roteiro breve de como será cada cena. Um esqueleto de novo, mas agora não da história como um todo, e sim de cada partezinha dela.

Etapa 10: escrever o primeiro rascunho:

Por último, vamos pegar os esqueletos de cada cena e “preencher com músculos para cobrir com pele”, ou seja: escrevê-las cada uma de fato, terminando a primeira versão de sua história.
Ainda não é o final, claro. Colocar um ponto final nesse rascunho é apenas o começo do trabalho. Virão as revisões, mudanças, melhorias, acréscimos ou retiradas de partes, se necessário, mas ao menos a ideia saiu de sua cabeça e veio para o papel (ou para o Word).
É uma vitória e tanto. Comemore!


E assim chegamos ao objetivo final, que é ter a primeira versão do trabalho pronta para começar a trabalhar na etapa seguinte, de revisão.
Apesar de alguns dos artigos que eu consultei estimarem um tempo para cada uma, eu resolvi não me apegar tanto a isso e deixar as ideias fluírem. Você também não precisa se ater à quantidade fixa de páginas para cada etapa, podendo fazer como eu e escrever mais (ou menos) de acordo com sua necessidade.
Uma última alteração possível é mesclar etapas, o que é mais útil e rápido quando você já pensou bastante sobre a história e já sabe como ela será no geral. Por exemplo, ao invés de começar com uma ficha de personagem simples e aumentar aos poucos, você já pode fazer uma ficha final detalhada para cada um. Ou escrever um resumo geral da trama de uma página já de cara, já expandindo direto para o outline.
Seguir o método passo a passo acaba sendo mais útil para quem acabou de ter a ideia e ainda não sabe muita coisa da história, preferindo ir com calma e pensar em cada parte com cuidado.

Por fim, vamos ver como você pode se beneficiar desse método dependendo de como é seu estilo de escrita:
1) Plotter: os planejadores vão amar porque, como já bem disse a Sacha Black, é um método muito eficaz, um verdadeiro outline. Ele vai tornar possível pensar com cuidado em cada etapa da construção de sua história, além de não ter tanta firula quanto parece (já que você pode pular etapas e detalhá-las mais ou menos, se quiser).
2) Pantser: os improvisadores também podem se beneficiar porque não é necessário terminar todas essas etapas para escrever, ao contrário do que preconiza seu desenvolvedor. Você pode, simplesmente, pensar no resumo de uma frase para saber o que quer escrever e começar por aí, preenchendo o restante conforme a história a avança.
3) Plotser: se você é da turma do “meio termo”, também pode fazer bom uso do método porque, como vimos, não precisa de tanto detalhe. É possível adaptar para planejar a ideia geral, o todo da história e dos personagens, escrever e então voltar ao planejamento completando com o que você escreveu na base do improviso, tal como no exemplo dos Pantsers.


E já chega, caso contrário ninguém vai terminar de ler o post (hehe). Caso tenha chegado até o final, obrigada por me acompanhar até aqui. Na próxima postagem da série, vamos conversar um pouco sobre o Método dos Sete Pontos.
Beijos e até breve.
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