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Como Descrever Vestuário

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Por: Ana Mesquita


Olá! Eu sou a Ana, e hoje estou aqui para falar um pouco sobre descrições de vestuário. Vou dividir o artigo em seções, para que as informações não fiquem largadas, tudo bem?

Então vamos lá!

A IMPORTÂNCIA

Assim como toda descrição na sua história, a descrição do vestuário é necessária de acordo com a relevância do que é descrito. Mas a grande questão é: como definir a relevância de uma roupa? Para ajudar com isso, eu vou lhes mostras algumas situações para que vocês tenham uma ideia de qual caminho seguir:

  • Caracterização da personagem: o tipo de vestuário que sua personagem usa é uma maneira de exteriorizar a personalidade dela. Nesse caso, o ideal é descrever suas roupas de forma superficial, não precisa dizer cada peça de roupa que há no seu armário, mas sim focar-se nos pontos em comum dessas roupas: há muitos jeans? Ela customiza suas roupas? Gosta de roupas formais ou informais? Aliás, ela se importa com o que veste?
  • As características físicas da personagem e como elas contrastam com seu vestuário: descrever o que sua personagem veste também é uma forma de descrever seus atributos físicos. Como as cores que ela usualmente usa contrastam com sua pele, seus olhos e/ou seu cabelo? E qual é o caimento das vestes de acordo com o formato do seu corpo? Sua personagem prefere roupas justas ou roupas largas? Mostram muito ou pouco de seu corpo?
  • Situações especiais: assim como o vestuário habitual de sua personagem é importante, ocasiões em que ela é forçada a usar roupas que não está acostumada também o são! Como são essas roupas? Como ela se sente vestindo-as? Em que elas contrastam com as vestes que normalmente usa?

Todos esses pontos são essenciais quando você vai pensar na importância da roupa para a caracterização de uma personagem. É claro que você não precisa responder a todas elas, mas é interessante sempre refletir sobre essas questões na hora em que for descrever o vestuário.


A PARTE VISUAL

Agora vamos para a parte prática da descrição! Quais termos usar para descrever uma roupa em seu aspecto físico? O mais importante nessa parte é conhecer quais os componentes de uma roupa que são mais marcantes, e não se esqueça de sempre pensar em quais deles são relevantes a partir das questões apontadas acima.
  • Peça de roupa: meio óbvio apontar que você precisa indicar qual peça está descrevendo, se é uma blusa, um short, saia, calça, paletó etc. Mas também é importante dizer qual a situação física da sua roupa. Ela é desgastada pelo uso? Puída? Bem cuidada? Desbotada? Amassada? Essas características, além de ajudar na imagem mental do leitor, também vão dizer algo sobre a personalidade da sua personagem.
  • Tecido/Material: temos seda, algodão, poliéster... há uma infinidade de tecidos, alguns mais comuns que outros e você pode usá-los de duas formas em sua descrição
    1. Poupar o esforço de descrições excessivas apenas definindo qual o tecido, principalmente se ele for conhecido. Alguns exemplos: camisa de algodão, os famosos suéteres de cashmere, calças jeans, camisola de seda. São tipos de tecidos que evocam uma imagem rápida ao leitor por serem comuns, então, não é necessário que você perca tempo com outras características, como a textura.
    2. Se for um tecido não tão comum assim, é interessante dar ao leitor mais além do que a simples definição do tecido. Aqui terá de haver mais esforço para descrever outros pontos, então novamente eu tenho que enfatizar a necessidade de se perguntar: qual a relevância dessa roupa?
  • Textura: macia, com paetês, aveludada... Essas são características importantes, principalmente se estiver lidando com cenas de contato físico que envolvem sua personagem, ou mesmo para dar ao leitor a ideia do conjunto que compõe o vestuário se houver texturas diferentes.
  • Estampa/Cores: os pontos importantes ao descrever esse aspecto são:
    1. Esse já foi citado, mas vou reforçar — como as cores e estampas contrastam com as cores do seu personagem? Elas destacam alguma parte? Disfarçam outra parte?
    2. As cores de suas vestes são harmônicas, ou, de alguma forma, elas não se encaixam?
  • Corte: novamente, já falei um pouco sobre isso ali em cima, ainda assim, é sempre importante ressaltar que, se você está descrevendo uma roupa, significa que ela tem importância na caracterização da sua personagem, que por sua vez, significa que é importante dizer como essa roupa cai sobre o corpo dela. Quais partes que eles salientam e quais que disfarça? O quanto ele cobre do seu corpo? Basicamente, é isso que você terá de responder nesse quesito.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Lembre-se que descrições podem ser chatas, então não se estenda muito nelas. A relevância do que você vai dizer sobre o vestuário também interfere no tamanho da descrição: se for um quadro geral das roupas que a personagem usa, então não é necessário se estender por mais de uma linha ou duas. Se for algo especial, então pode usar mais. Mas, ao priorizar o que você falar, eu quero sugerir uma ordem de quais informações visuais são mais importantes:

Peça de roupa > tecido > estampa/cores > caimento > textura

E é isso, gente, espero ter ajudado!


Referências:
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Worldbuilding para Dummies, parte 2

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Por: Giulia Correia


Olá de novo! Depois de muito tempo, estou de volta com mais um artigo sobre sociedades fantásticas. (: Dessa vez, vamos falar sobre uma coisa muito interessante, mas pouco explorada: a economia.

Há muita, muita, muita coisa que eu posso falar sobre economia. Sério. É um assunto tão extenso quanto interessante. Aqui, porém, eu vou focar em alguns aspectos básicos e como eles podem ser pensados para aprofundar a sociedade que você está construindo e deixá-la mais verossímil.


A economia de um povo está intrinsecamente conectada à quantidade e qualidade de recursos que ele tem disponíveis para produzir e consumir, e a quantidade e qualidade de recursos estão, por sua vez, intrinsecamente conectadas ao tamanho e tipo de território que esse povo habita. Portanto, se estamos falando de um povo que habita montanhas (vamos ser clichês e chamá-los de anões, ok?), estamos falando de um povo cujos recursos mais importantes são, por exemplo, metais e pedras preciosas. 

E por que definir os recursos disponíveis para um povo é importante? Bem, lembra-se das suas aulas de geografia? Os recursos disponíveis são a sua matéria-prima. Com matéria-prima é possível produzir outros tipos de recursos, com mais utilidade e mais valor para as pessoas e, por consequência, que custam mais e produzem lucro. Vamos voltar aos anões. Se nos baseássemos nos recursos que eles têm disponíveis, o que conseguiríamos produzir? Armas, armaduras e talvez joias, certo? E, mais ainda, baseado nos recursos e no que eles produzem, que tipos de empregos seriam comumente encontrados? Mineradores, ferreiros, joalheiros, esse tipo de coisa, certo?

Já delineamos aspectos importantes da economia, então. Porém, não dá para parar aí. Temos que ir adiante e aprofundar nosso pensamento mais um pouco: se temos recursos e esses recursos são explorados, então quem os explora? Quero dizer, quem é que domina esses recursos e tira lucro deles? Pensemos não somente na mão de obra, mas efetivamente em quem paga essa mão de obra, se tal figura existe. Pode não existir? Pode, também. E isso é um aspecto econômico a ser pensado. Não somente isso, mas também é essencial pensar na relação entre essa mão de obra e a pessoa que domina os recursos disponíveis.

Vamos lá, quais são as opções? Vamos voltar aos anões e supor que há três grupos, cada um com uma economia diferente. O império norte, em que as minas pertencem à família imperial e onde a mão de obra são anões de famílias que servem à família imperial e destinam parte de sua produção a ela. O sul, em que as minas estão nas mãos de comerciantes ricos, que pagam impostos à família imperial baseados no lucro, onde a mão de obra recebe um salário determinado pela quantidade de trabalho prestado. E, por fim, as vilas a noroeste, onde as minas pertencem à comunidade e o lucro é dividido entre todos. Nesse momento, eu sugiro pesquisar sobre sistemas e ideologias econômicas, para ter ideias e entender como as coisas funcionam. Capitalismo, socialismo, feudalismo, liberalismo, etc.

Você não precisa, é claro, imitar nenhum deles. Pode pegar as características que quiser e misturar, desde que faça sentido. Além disso, você não precisa pesquisar a fundo nenhum desses sistemas, só conhecer como funcionam e saber como aplicar suas características na economia que você quer montar. Não sei se você notou, mas o império norte é meio feudalista, o sul é capitalista e as vilas são socialistas.

Nesse momento você tem mais ou menos uma ideia de como as relações econômicas funcionam internamente, certo? Quem é rico, quem trabalha, que tipos de recursos são produzidos, quais são os empregos mais comuns, como os ricos lidam com os pobres. Depois disso, é necessário pensar nas relações econômicas entre um país e outro. Claro, um país dificilmente será economicamente isolado de outros, e as relações econômicas são importantíssimas para enriquecer um país.

Logo, está na hora de pensar nas rotas econômicas. Vamos voltar aos anões. Eles vivem em montanhas, certo? Logo, há recursos necessários que eles não acham com facilidade mas precisam para viver. Além disso, eles têm recursos em abundância que podem ser vendidos para outras nações. Então, vamos pensar em termos de importar e exportar. Os anões importam madeira dos elfos da floresta, porque têm pouca, e exportam armas e armaduras para os humanos que estão sempre em guerra entre si.

Disso, há outras coisas para pensar. O quão importante são as relações econômicas para o país? Como que essas relações econômicas afetam o país politicamente? Não somente isso, mas como é que as rotas de comércio funcionam? Geralmente, quanto mais bem localizado é o país, melhor para fazer comércio ele é. Um país portuário, com bons barcos, é muito melhor para fazer comércio que um país montanhista, por exemplo. Chegar lá é mais fácil. Por que os outros países compram desse país em específico e não de outro país que produz a mesma coisa? Porque eles são mais baratos? De maior qualidade? Por motivos políticos?

No caso dos anões, seria impensável ficar sem exportar armas e armaduras, a economia deles quebraria. Logo, é importantíssimo que a cultura de guerra dos humanos permaneça a mesma E QUE as relações entre os dois governos seja amistosa para que o comércio flua facilmente. Além disso, estar nas montanhas é uma desvantagem econômica. Logo, se quero que o império norte seja rico, preciso de uma maneira para superar isso. Talvez as armas dele sejam as de melhor qualidade, o que faria valer a pena o preço pago por elas, ou talvez sejam o único produtor de armas (monopólio), o que faria com que os humanos não tivessem escolha. Ou, talvez, eles tenham uma tecnologia específica que permite que a mercadoria passe facilmente por dentro das montanhas até a fronteira com um dos reinos humanos. Tudo depende da criatividade e do perfil da nação.

Uma vez que você já tem tudo isso, vai perceber que a economia da sociedade que você está tentando construir já tem uma base sólida. A partir daí, é só ir pensando nos detalhes que ainda não foram pensados, se necessários. Você não precisa de nada muito detalhado, a não ser que a economia seja uma parte muito importante da história que você quer contar.


Agora, pra finalizar, um resumão dos pontos chaves a se pensar quando se está construindo a economia, que podem ter ficado perdidos no meio do texto:

  • Quais são os principais recursos do país?
  • O que o país costuma produzir?
  • Quais são os empregos mais comuns?
  • Quem é dono dos recursos?
  • Quem é a mão de obra que os explora?
  • Como é a relação entre essas “classes”?
  • Quais são as relações econômicas do país?
  • O quão importante elas são?
  • Como que o território afeta essas relações econômicas? E a política?
  • Por que essas relações econômicas existem?
Até a próxima!

Referências:
Principalmente esse doc com perguntas sobre worldbuilding em geral: https://docs.google.com/document/d/1sVjgHmircLnwbe0zpsB-GG6yrL1PlJPJX7_ZQ2QCXe8/edit
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Construindo histórias ambientadas em lugares reais — algumas dicas práticas

terça-feira, 12 de julho de 2016

Por: Helen Corrêa

Você já deve ter ouvido falar que, quando se está construindo uma história que se passa numa localidade existente, é muito importante que se realize pesquisas antes e durante o desenvolvimento do plot, pois são elas que nos propiciam o domínio sobre aquilo que estamos escrevendo. Contudo, se você é um pouco como eu e ainda não possui tanta experiência na hora de ambientar uma história, pode ser que nem mesmo saiba por onde começar essa pesquisa, ou como fazê-la de maneira organizada.

Pensando nisso, resolvi compartilhar algumas dicas, baseadas em minha experiência pessoal, para que essa parte do processo de escrita possa ser feita com um pouco mais de facilidade e, em vez de algo chato, se torne até mesmo divertido. Vamos a elas:


I. Faça uma lista com tópicos que precisam ser pesquisados


Conheça o máximo de coisas possíveis sobre o local no qual a sua história estará inserida, pois é ele quem irá reger os costumes de seus personagens, bem como as paisagens que os cercam. Algumas culturas podem ser parecidas, principalmente de pessoas que residem num mesmo país. Ainda assim, sabemos que existem diversas diferenças de uma região para a outra, e somente pesquisando sobre elas é que poderemos ter um vislumbre melhor sobre quais são elas. Agora, imagine quanta diferença pode existir na cultura de um país para o outro. Por isso, se a sua história está sendo ambientada fora do seu país de origem ou de onde reside, saiba que a sua pesquisa terá de ser bem maior do que se a sua história se passa dentro do seu próprio estado, por exemplo. Portanto, liste tudo aquilo que lhe vier à mente e que acredita que merece uma atenção especial da sua parte. Algumas dessas coisas podem ser:

  • O clima (frio, quente, seco, úmido, chuvoso, ensolarado...);
  • A disposição das estações do ano (em que época do ano ocorre o inverno, outono, a primeira e o verão?);
  • Datas comemorativas (quais são as principais datas para o povo daquele lugar e como eles costumam celebrá-las?);
  • Pontos turísticos (em que parte da cidade eles ficam? O que é permitido naquele local?);
  • Culinária (do que as pessoas ali se alimentam? Quais são os pratos típicos? E as bebidas?);
  • Vestimenta;
  • Sistema educacional (Como são as escolas naquele lugar? Como são contadas as séries? Quanto tempo leva para concluir o curso no qual o meu personagem será formado?);
  • Pessoas (elas são mais receptivas ou mais reservadas? Festeiras ou caseiras?);
  • Estrutura da cidade (as ruas são largas? O trânsito é congestionado? Como são as casas e apartamentos? Onde fica o bairro nobre da cidade e onde moram as pessoas mais pobres?).
Estes são apenas alguns exemplos do que pode ser de seu interesse pesquisar. Mas existem inúmeras outras questões também, e você montará essa lista de acordo com aquilo que estiver presente no enredo que está sendo desenvolvido.


II. Locais de pesquisa


Agora que já listou aquilo que necessita pesquisar num primeiro momento, é hora de colocar a mão na massa, de fato. Então, por onde começar a busca?

  • Youtube — Nele, em pouco tempo, é possível encontrar vários vídeos dedicados aos mais diversos lugares do planeta. Procure por documentários, reportagens, vlogs de intercambistas, tudo isso pode lhe ser útil para iniciar a sua imersão no assunto;
  • Blogs de viajantes, estudantes internacionais, pessoas que moram fora do seu país — Existem blogs muito bons, com uma riqueza muito grande de informações sobre a cultura dos mais variados locais do planeta. Muitas pessoas acabam por se mudar para outro país e criam um blog para contar para outros as experiências pelas quais estão passando. Esses blogs geralmente são muito úteis porque, quem os cria, é capaz de fazer comparações entre o local em que ele está no momento e a sua terra natal. Isso facilita o entendimento de quem não é nativo daquele lugar;
  • Imagens do Google — Muito facilitará a sua vida conter fotos das coisas que está pesquisando. A nossa imaginação pode ser muito favorecida com isso. Clicando na sessão de Imagens do Google, você tem acessodireto a estas fotos, em vez de ter que ficar pesquisando por zilhões de sites para, só então, encontrar algo que lhe interesse visualmente. Inclusive,saiba que os mapas lhe serão extremamente úteis. Encontrou algo que lhe chamou a atenção? Clique na imagem e salve no seu computador para usar posteriormente;
  • Google Maps — Essa ferramenta maravilhosa será muito útil, principalmente para o caso no qual precise fazer uma visualização mais profunda sobre determinada área (com o street view), ou comparar trajetos. Caso necessário, tire print daquilo que encontrar.

III. Salve tudo aquilo que achar necessário na barra de favoritos do seu navegador


No momento em que estiver realizando a sua pesquisa inicial, você encontrará logo de cara inúmeros sites, blogs e vídeos contendo muita informação. Porém, nem todas elas lhe serão úteis, e muitos sites também trarão informações repetidas. Dessa forma, é preciso garimpar aquilo que encontrar. 

Quando deparar-se com um link com conteúdo em potencial, abra-o e deixe a aba aberta, enquanto vai buscando por outros. Após isso, o próximo passo é olhar um por um e selecionar aqueles que contém temáticas relevantes para a sua história. Quando já tiver feito essa seleção, coloque essas páginas da internet na sua barra de favoritos, para que tenha fácil acesso àqueles conteúdos sempre que for necessário.


IV. Mantenha um caderno de anotações


Assim que estiver com os links daquilo que importa ser pesquisado no momento, é hora de começar a estudar as informações neles contidas cuidadosamente. Em se tratando de vídeos, é muito importante que anote aquilo que estiver sendo transmitido a você, pois seria uma tremenda dor de cabeça ter de procurar algo nele toda vez que precisar rever alguma coisa para colocar na sua história, ainda mais se esse vídeo for longo. Portanto, arranje um caderno no qual possa anotar aquilo que for aprendendo. E não somente dos vídeos, como dos links com conteúdo escrito também.

Caso queira, organize este caderno pelos tópicos pesquisados. Informações adquiridas sobre o clima de um lado, informações da culinária do outro, e assim por diante. Quanto mais organizada for essa separação, mais fácil será de encontrar aquilo que precise para montar alguma cena na história. Obviamente, não é necessário que anote tudo nos mínimos detalhes. Anote, porém, o suficiente para que sua mente se recorde com clareza daquilo que foi visto ou lido.

Um bocado de ideias, cenas e diálogos irá surgir conforme vai conhecendo sobre o lugar que está estudando. À vista disso, reserve igualmente em seu caderno uma parte para anotar todas as novas ideias que forem surgindo.


V. Tenha uma pasta de arquivos para as imagens que for adquirindo


Por fim, como já dito anteriormente, é bom que pesquise imagens nas quais possa basear a sua ambientação. Logo, não hesite em manter um lugar dentre os arquivos de sua história no qual possa salvar todas as fotos que, uma hora ou outra, poderão ser úteis para descrição de interiores, ruas, pessoas, etc. Organize por pastas. Quanto mais organizado você for, menos dores de cabeça terá depois.


Essas foram, portanto, algumas dicas que podem nortear a vida de um principiante, caso ele esteja completamente perdido e não saiba nem por onde começar. Com o tempo irá, por meio de sua própria experiência, perceber o que funciona para você e o que não funciona. Pessoas trabalham de formas diferentes, e estas dicas com certeza não são o único caminho existente para se organizar a ambientação de uma história situada num local real. Não obstante, são um começo.

Lembre-se que nem tudo aquilo que tiver de pesquisar irá entrar para o seu texto. Você até mesmo sentirá que sabe muito mais do que deixou transparecer na sua escrita. Mas é assim que as coisas são. Algumas vezes é preciso ter um bom domínio de determinada coisa, para que simples detalhes façam a diferença na sua história e sejam captados pelos olhos do leitor.

É muito fácil escrever uma história dizendo que esta se passa na China, sem nunca citar os costumes do povo que mora lá, sua religião, descrever seus costumes e suas pessoas.

O enredo pode até ser o carro-chefe de uma história. Entretanto, de nada adianta uma boa trama se não souber explorar o mundo de possibilidades que está ao redor de seus protagonistas!
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Ambientação

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Por: Humberto Cotrim
Um texto narrativo é, basicamente, o ato de contar uma história, seja ela real ou fictícia. Sendo assim, para que o enredo de uma obra literária faça sentido, ele deve ser construído sobre elementos alicerces, que são: as personagens, o narrador, o tempo e o espaço. Essas unidades estão conectadas e tornam a narração factível. Todo leitor já se deparou com esses elementos narrativos, certo? Sim. Mas existe sempre aquele algo a mais.
Ao iniciarmos o processo de escrita, todos os elementos destacados acima estarão lá. Porém, podemos nos complicar na hora de definir e descrever aonde a história irá acontecer, tornando-a pouco atrativa aos olhos de um leitor. Uma boa maneira de gerar um texto coerente com o espaço/tempo, por exemplo, é se prender à ambientação. Embora a palavra ambientação nos remeta a um ambiente, esse termo está longe de ser simplesmente o cenário ou local onde a narração acontece.
Podemos definir ambientação como o conjunto das circunstâncias ou condições em que existe certo objeto ou em que ocorre determinada ação. Este termo engloba ainda diferentes contextos, como a biologia, política e geografia.
Tudo fica mais fácil quando tomamos exemplos, não é? Então, para compreender melhor o que cada termo desses representa, vamos analisar uma obra cinematográfica bem conhecida: Avatar, de 2009. O enredo é todo ambientado com a ajuda da ficção científica e usa a lua Pandora como palco principal para desenvolver a trama. Daí já se pode observar o que seria a geografia da ambientação. Afinal, este “mundo” não existe e foi criado a partir da imaginação do roteirista. Ele teve que criar espaços físicos, relevo, fauna, flora e clima do local. A ambientação foi embasada ainda na biologia de Pandora, tanto na sua natureza diferenciada quanto na de seus habitantes humanoides, os Na’Vi. E para tornar esse “mundo” novo mais acreditável, montou-se também uma estrutura política dos nativos, um povo caçador-coletor que se dividiam em tribos e que tinham uma forte ligação com todos os seres vivos.
Dito isso, pode-se afirmar que a ambientação traz para a história profundidade e torna a leitura muito mais crível, pois possibilita que o leitor veja as personagens situadas nas condições em que vivem: seja no tempo, no espaço, na interação social e cultural em que estão inseridas.
Por vezes, a ambientação auxilia na hora de criar um conflito dentro da história. E isso é bom? Claro! Uma narração é preenchida com momentos-chave, que predem a atenção do leitor e servem de combustível para o andamento da trama. Quando o ambiente se opõe às personagens, estabelecendo com elas um conflito, o enredo se torna mais atrativo. Sendo possível até mesmo categorizar a ambientação como uma antagonista. Nestes casos, é comum haver uma caracterização mais aprofundada do ambiente.
Então, caro colega, que tal fazer uma ambientação legal em seu texto? Eu acho digno.
“Mas, tio, eu não sei fazer essas coisas.”
Sabe sim, jovem padawan.
A capacidade de narrar é um aspecto intrínseco dos seres humanos. Estamos sempre narrando episódios ou contando eventos de que participamos, assistimos ou sobre os quais ouvimos falar. Logo, fazer uma ambientação dentro de seu próprio mundo é totalmente possível. Quando tratamos de um enredo que é contextualizado de acordo com o mundo a nossa volta, fica muito mais fácil ambientar a história. Afinal, tudo que você precisa já existe, só é necessário um olhar mais observador para captar o essencial e, então, o traspor para o papel ou tela do computador. Há, claro, a possibilidade de sua narrativa ser ambientada no passado. Aconselho, nesse caso, a escrever após uma pesquisa em cima de registros históricos.
Há ainda a possibilidade de você querer escrever uma história mais distante do nosso mundo sensível, ou seja, um enredo voltado para a fantasia ou sci-fi, por exemplo. Diante disso, as coisas mudam de figura. Todos os três termos da ambientação podem necessitar de alterações e caberá a você uni-los em harmonia.
Nesse contexto, irei exibir algumas dicas básicas para auxiliar a construção da ambientação de um enredo.
Dica um: defina o gênero.
Ok, pode parecer meio óbvio, mas é bom lembrar. O gênero da sua narrativa diz muita coisa sobre o enredo. Ele guiará a história por dentro de seu mundo fictício. Sem falar que muitos gêneros direcionam a mente criativa por trás da obra, ou seja, você! ao criar coisas novas ou a adaptá-las de maneira adequada.
Dica dois: encare o mundo atentamente.
Se você optar por uma história original que pretende usar a sociedade atual como plano de fundo, um olhar mais atento pode ajudar bastante. Cada tempo é caracterizado por um estilo diferente. O contemporâneo não é diferente, a sociedade age de uma maneira e você pode transpor isto para seu texto. Sem falar que diversos eventos atuais, que variam de conflitos a transformações sociais, podem virar palco para a trama.
Dica três: a ambientação também ajuda os fandons.
Você fará uma fanfiction sobre um fandom existente, mas não é por isso que negligenciará a ambientação. Certo? Certo. Pense em como as personagens estão estabelecidas dentro daquele ambiente narrativo. Procure compreender como o tempo/espaço afeta o desenvolver da história e de que forma ele se relaciona com as personagens. Isso irá te auxiliar até mesmo na hora de compor as personagens.
Dica quatro: a literatura fantástica não requer tantas explicações.
Polêmica!
Temos diversas referências de histórias de fantasia ou sci-fi que exploram bastante a ambientação, descrevendo com riqueza de detalhes o mundo da qual faz parte; sem falar das línguas, cultura, mitologia etc. Isso é ruim? Não, mas pode cansar o leitor. Existem narrativas que exploram tanto o ambiente, que acabam por esquecer-se do principal, do enredo. É como se as personagens existissem somente para que o autor pudesse descrever seu universo particular. Dessa maneira, aconselho uma descrição sucinta e gradual. Assim, a leitura se torna mais natural e você não deixa de dar destaque para os detalhes da ambientação. Seria ótimo também se você conseguisse mesclar as descrições com momentos-chave. Desse modo, a trajetória não seguiria aquela linha de documentário, que por vezes dificultam a fluidez da leitura. Vale lembrar que a literatura fantástica não é única que sofre com o excesso de detalhes. Existem inúmeras histórias que descrevem tudo a todo o momento e fazem nossa animação em ler diminuir consideravelmente. Por isso, siga o conselho do Balu, de Molgi - O Menino Lobo, e faça “o necessário, somente o necessário”.
Dica cinco: evite incoerências.
Você estava lendo aquela fic, quando algo que lhe soou estranho? A história se passava nos Estados Unidos, mas estavam comemorando uma data tipicamente brasileira? Esse tipo de situação deprecia a qualidade da fic aos olhos do leitor. Fique atento. Pesquisar sobre a cultura que sua personagem vive é algo muito importante na hora de ambientar. Contradições de diversos gêneros poderão ser evitadas. Outra coisa legal é não limitar a diversidade étnica de suas personagens. É comum você encontrar histórias que padronizarem personagens ou até mesmo o seu tipo físico. Altos, ruivos e de olhos claros. Isso soa irreal. Por isso, fuja dos clichês e traga representatividade para seu texto.
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Bem, pessoal, é isso. Espero que as dicas tenham ajudado vocês, mas não se limitem a elas, é claro. Pesquisem bastante. Todo conhecimento é válido e só a prática irá lapidar a sua habilidade em fazer a ambientação. Enfim, até mais!

BLOG ABISMO INFINITO. O que é  Ambientação? Disponível em: https://abismoinfinito.wordpress.com/2010/02/25/o-que-e-ambientacao/. Acesso em: 6 de novembro, 2015.
COSTA, M. M. Teoria Da Literatura II. In: COSTA, M. M. (Ed.) A Estrutura da narrativa: romance. Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2008. p. 127-131.
PINNA, D. Animadas Personagens Brasileiras: A linguagem visual das personagens do cinema de animação contemporâneo brasileiro. 2006. 448 f. Tese (Mestrado em Artes e Design) – Departamento de Artes e Design do Centro de Teologia e Ciências Humanas. PUC-Rio. 2006.


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Como criar um mundo em (talvez mais que) seis dias (2/3)

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Por: M L Carneiro

Ahoy! Cá estou de volta para continuar a série sobre criação de mundos. Na primeira parte vimos algumas coisas básicas para se preparar para essa construção, hoje, vamos partir para áreas mais palpáveis. Continuem comigo nessa jornada que logo seu mundo estará de pé!
Ah, e para quem ainda não leu a primeira parte deste post, sugiro que a leiam aqui: http://www.ligadosbetas.blogspot.com.br/2014/07/como-criar-um-mundo-em-talvez-mais-de.html

Terceiro dia – Esculpindo

ou “Como vai ser a geografia do meu mundo?”
Na minha opinião, fazer o mapa de um mundo que você está criando é uma das partes mais divertidas. Você não precisa ser um mestre do desenho, os seus rabiscos já ficam incríveis quando você vai criando ilhas, continentes, penínsulas... Mas para criar esse mapa é legal que você tenha definido alguns pontos sobre a geografia do seu mundo, e é disso que vamos tratar neste dia.
Qual o tamanho do seu mundo?
No post anterior já falamos um pouco disso, no sentido do tamanho do universo que você quer criar. Mas agora vamos pensar no tamanho literal mesmo. Vai ser um planeta inteiro do tamanho da Terra ou apenas um continente pequeno e isolado? Tente pensar no que você quer para a sua história e o quanto o tamanho do mundo vai influenciá-la. Fazer um mundo gigante é bem legal, mas lembre-se de que quanto maior o mundo, mais tempo você levará detalhando-o, então tente pensar em algo razoável para as suas necessidades.
Esse mundo segue as mesmas leis que o nosso?
Aqui eu digo das leis físicas, químicas e biológicas. Se sua história vai ter um tema mais verossímil, é bom que ela siga todas as leis da natureza que temos aqui, ou que pelo menos você descreva bem como vão ser as novas leis. Mas numa história mais fantasiosa ou utópica, você pode ter coisas como gravidades invertidas ou oscilantes, inércia inexistente, som no espaço, enfim, você vai ter bastante liberdade criativa. Entretanto, tenha em mente se o mundo segue ou não as mesmas regras da Terra e, se não, quais são as leis dele.
Outro detalhe a se pensar é em como o tempo funciona no seu cenário. Quantas horas um dia possui? Quantos dias existem em um ano? Os dias e noites funcionam como na Terra, equilibrados, ou há mais tempo de um deles? Como funcionam as estações? Existem outras divisões temporais, como meses e semanas? São vários detalhes que vão enriquecendo seu mundo.
O quanto do mundo já é explorado?
Se seu mundo for situado com uma tecnologia futurística ou ao menos próxima da atual, muito provavelmente todo ele já vai ter sido explorado, ou ao menos cartografado. Mas até poucas centenas de anos atrás a própria Terra não estava totalmente no mapa. Então, se seu cenário segue um tema semelhante à época das grandes navegações ou anterior a isso, é bem provável que existam grandes pedaços de terra inexplorados no planeta que você está criando. Isso normalmente ocorre quando temos continentes separados por pedaços muito grandes de mar, quando os continentes são grandes demais em alguma direção, ou ainda quando um pedaço dele chega a uma parte muito gelada ou muito quente do planeta, e então ninguém consegue passar e povoar além dali.
Com isso em mente, defina qual é a parte “principal” de seu mundo, onde estão as principais civilizações, onde sua história vai se passar. Em seguida, defina onde serão os limites daquele pedaço do planeta, levando em conta o quanto a tecnologia dele o deixaria ser explorado. Em cenários futuristas os limites serão para além dos planetas, serão até a parte da galáxia em que se é possível chegar. Por fim, pense um pouco nas partes inexploradas. Você não precisará detalhá-las ao máximo, mas seria interessante ao menos pensar no quê e em que povos existem nesses lugares.
Quais são os principais pontos geográficos?
Todo planeta possuí acidentes geográficos característicos e interessantes. Alguma cordilheira gigantesca que percorre toda a costa de um continente, uma ilha-continente isolada ao sul do planeta, uma península pontiaguda e comprida onde é possível encontrar grandes quantidades de pedras preciosas, enfim, deixe sua criatividade fluir. Muitas pessoas se limitam a criar cidades e construções interessantes, mas lembre-se de que a natureza estava no seu mundo muito antes das civilizações chegarem, e que em muitos momentos ela é extremamente mais interessante, complexa e bonita.
Como é o clima e a vegetação do planeta?
Você pode achar que não, mas esses dois pontos também definem muito as interações entre os povos do planeta. Um planeta muito frio ou muito quente vai impor grandes dificuldades de desenvolvimento para sua população. Ao mesmo tempo, a vegetação (ou a falta dela) de um lugar pode auxiliar ou prejudicar as raças que vivem ali. Então gaste algum tempinho pensando em como são esses pontos nos vários cantos de seu mundo. Se ele for extenso, muito provavelmente terá diversos climas e vegetações, então aqui também vale a regra máxima da verossimilhança: se você quer deixar seu cenário muito próximo do real, pesquise bastante sobre como funciona na Terra, que vegetações existem em cada clima, que tipo de terreno existe de acordo com a vegetação e o clima, e depois disso, replique essas regras na sua criação.

Quarto dia – Povoando

ou “A demografia de seu mundo”
Pronto, já conseguimos moldar como vai ser o nosso mundo. Mas de que adianta um lugar onde ninguém vive? Agora é a hora de povoar esse planeta! Para começar, vamos ver quais são os povos, ou raças, que existem.
Quais são as raças existentes neste mundo?
Percebam que estou falando de raças, não de etnias. Estamos falando da raça humana, da raça élfica, raça anã, e assim por diante. Se seu mundo é fantasioso, você provavelmente vai querer colocar essas e algumas outras raças místicas nele. Então agora é a hora de pensar em quais e em como serão elas. Você pode, e deve, se inspirar em outras obras para tirar as raças fantasiosas mais comuns, como elfos, anãos, gnomos, orcs, fadas, entre outros. Com elas você terá bastante material de inspiração e consulta pronto, facilitando bastante seu trabalho.
Mas não se limite a isso, você pode alterar substancialmente as características dessas raças ‘tolkienianas’, adaptando-as às suas necessidades, como você também pode criar raças totalmente novas e diferentes. Isso acontece muito em histórias futurísticas, com diversos planetas a serem a explorados na galáxia, mas também não há problema algum em você inovar nas raças de histórias medievais. Só é preciso cuidado e dedicação para criar uma nova raça. Para isso, colocarei aqui um miniguia para auxiliá-los na criação dessas novas raças:
  • Tome como comparação o humano. É com essa raça que estamos mais acostumados, afinal somos dela, então todas as características da nova raça serão mais bem entendidas quando comparadas às dos humanos.
  • Equilibre bem as vantagens e desvantagens que essa raça tem. Se você fizer um povo que é apenas mais forte e mais inteligente, sem nenhuma desvantagem, vai desequilibrar a balança e deixar espaço para que as outras raças sejam subjugadas e pereçam. É só olhar para a Terra, você conhece algum Neandertal hoje? Não, porque o Homo Sapiens era mais evoluído e “venceu” na dominação do planeta.
  • Como é a aparência física desse novo povo? São humanoides, ou seja, muito parecidos com o homem, apenas com alguns detalhes diferentes? Ou são bem distantes? Faça o “design” da sua raça, essa pode ser uma das partes mais divertidas, especialmente se você for criativo e um bom desenhista.
  • Defina como são as características mentais dessa nova raça, ou seja, qual é o comportamento comum dela, como é a personalidade de integrantes dela, quais são suas ambições e desejos no mundo, etc.
  • Como é a organização política dessa raça? É uniforme ou possui diferenças em diversas regiões? Lembre-se do que falei no post anterior, é legal você definir muito bem como é a organização política de cada povo, mas elas não precisam ser sempre as mesmas.



Existem raças dominantes? Raças em guerra?
Isso também é algo muito comum, apesar de tentarmos equilibrá-las, sempre terá alguma raça que possui algumas vantagens em certa região e por isso dominam aquele local. A região pode ser desde um pequeno condado até o planeta inteiro, e por isso essa raça pode entrar em conflito com outras raças, algo que é extremamente comum. Se entre nós, humanos, temos guerras entre etnias diferentes, imagine como seria a interação entre raças diferentes. Não é algo que pareça ser simples. Se existe alguma guerra entre raças, explique o porquê, pense de onde essa guerra surgiu, quem está ganhando, quais são os aliados de cada lado e o quanto essa guerra pode afetar o desenvolvimento do planeta, e também da sua história.
Quais são as raças “civilizadas” e as “bárbaras” ou “monstruosas”?
Aqui podemos entrar em um maniqueísmo entre o bem e o mal. Sabemos que dentro de uma própria raça vão existir indivíduos bondosos e maldosos, mas cada raça normalmente possui sua tendência média. Algumas serão as raças “do bem”, como normalmente são os homens, anãos e elfos, e outros serão “do mal”, como orcs, goblins e dragões. Fazer essa divisão pode ajudar muito na criação do desenrolar da história. É onde normalmente dividimos as raças civilizadas dos “monstros”.
Dentro de cada raça existem muitas divisões?
Reinos, países, casas, famílias... Mesmo dentro da mesma raça os povos costumam se dividir, confiam em se agrupar para se proteger. Então pense em quais são esses tipos de divisão, relacionando-os com a sua organização política. Detalhar isso ajudará você a entender como as raças vão se relacionar entre si e com o mundo exterior.
Existem idiomas diferentes nesse mundo?
A menos que seja um mundo bem pequeno, é bem provável que existam vários idiomas nele. Normalmente temos um tipo de linguagem para cada raça, e às vezes mais de uma língua dentro de cada uma delas. Outra coisa normal é termos o idioma “comum”, ou seja, aquele que a maior parte do planeta sabe, e que é utilizado entre os diferentes povos.
Então pense em como você quer que seja a distribuição de linguagens no seu mundo e decida também se você quer deixá-las explícitas ou implícitas, isto é, se você quer realmente criar outros idiomas, ou deixar implícito que os povos estão falando em outra língua, mas sem ter que detalhá-la. Tome cuidado aqui, apesar de que criar um novo idioma pode ser bem interessante, dá um trabalhão, principalmente para deixá-lo bem feito.
Que outros tipos de criaturas extraordinárias existem no mundo?
Ok, já falamos das raças inteligentes, mas um mundo não é feito só delas, não é mesmo? Existem diversos outros tipos de animais para povoar o mundo. Então você pode pensar em que tipo de animais, além dos já encontrados na Terra, existem no seu planeta. Monstros, bestas mitológicas, humanoides não muito inteligentes... Vale pensar em tudo aqui. Buscar inspiração em outras obras é uma ótima dica, mas tente inovar também e criar algo novo, da sua cabeça, tenha certeza de que vai ficar bom!
---------------xXx---------------
Ufa, lá se foram mais dois dias de criação, já estamos chegando ao fim. Os próximos dois e últimos dias serão “Explicando” e “Detalhando”, onde vamos falar dos últimos detalhes da criação. Mas uma coisa que queria lembrar aqui é que vocês não precisam seguir esses posts como um guia de passo-a-passo, durante a criação tudo fica misturado. Você pensa em como vai ser o tamanho do planeta, depois numa raça que vai existir, depois no clima em que essa raça vive... Enfim, coloco aqui tudo que eu vejo de principal para você detalhar em seu mundo numa ordem agrupada, mas a ordem de criação para seu mundo é você quem faz!
Espero que tenha sido útil e que vocês tenham gostado. Lembrem-se, qualquer dúvida podem falar nos comentários.
Até a próxima! Cheers!


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Os Elementos Essenciais de um Mundo Fantástico

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Por Sentinela

Estamos numa era de ouro da Fantasia. Qualquer um, hoje em dia, pode escrever livros e livros sobre mundos inspirados na era medieval sem sofrer quaisquer preconceitos (a não ser que o livro seja ruim, porque aí ele merece), como, um dia, foi escrever em uma região do Universo que não fosse nossa Terra, retratando nossos problemas e todo o tipo de conceito filosófico humano.
Dessa forma, sabendo que MILHÕES de pessoas vão a MILHÕES de blogs por toda a Internet para descobrir como elaborar um mundo fantástico, me propus a seguir uma fórmula de um dos MILHÕES de portais. E, sinceramente, não poderia ter dado mais errado. Não porque eu não segui com esforço os ensinamentos (ok, tinha um ou outro que eu ignorava), mas sim porque o artigo se focava no complexo, criando as fórmulas de planejamento de história que podem ser resumidas em parágrafos, e que, no final das contas, acabam não sendo.
Pensando nisso, decidi rever tudo que já fiz na minha breve "carreira". Concluí, no final, que tudo que escrevi - e tudo que escrevi é Ficção Científica passada em mundos mais distantes e sem conexão com a Terra - não sofreu de fórmulas mais complexas do que Mitologia, Estrutura (e esse abriga Personagem, Cenário e Trama) e Filosofia, a mesma fórmula que será trabalhada neste artigo (vocês não vão escapar tão cedo).

Para a existência de Mitologia é necessário “Referência”. Tolkien, antes da Terra Média, se baseou em conceitos da mitologia nórdica e judaico-cristã para dar forma, aspecto e substância a seu mundo fantástico. Como quero algo simples, não me estenderei a mais do que proferir o conceito de Mitologia: ela é toda a complexidade surreal ou que vai além do comum, ela tira a realidade e entrega algo melhor: Fantasia.
Estrutura é o mais importante por agregar valor três coisas importantes: “Personagem”, elas são os sentidos emocionais e mentais do autor; “Cenário”, que é todo o espaço que o autor usa (lembrando que um mundo fantástico complexo é sempre mil vezes maior que o Cenário); e “Trama”, que é o fio narrativo na qual o autor se baseia. Para isso ele deve, porém, considerar também a mitologia de seu mundo.
Filosofia não é necessariamente reflexão, mas simplesmente “Pensamento”. Quando o personagem pensa, deve pensar de acordo com o ambiente proposto pela mitologia em volta dele. É impossível haver uma obra dignamente genial onde a necessidade de reflexão por parte do autor e do leitor estejam excluídas. Obras onde o pensar está em segundo plano não prosperam.
É isso (eu não estou brincando, é isso mesmo).

Conclusão & Resumo

Acho que consegui. Expliquei simplesmente o que acho necessário para uma história. Claro, você não pode achar que vai ser o escritor quando terminar isso. Precisará usar conselhos mais voltados para a escrita, embora eles não fujam (e ainda bem que não, porque ia ser um saco): leia, escreva, leia o que escreveu, apague o que está ruim, ad infinitum. Além disso, verificar, uma hora ou outra, artigos sobre criação de universos é melhor do que andar cego em meio a algo tão difícil como escrever, mas, claro, deixe de lado essa enrolação sobre fazer linhas do tempo gigantescas e escreva.
E outra coisa, só porque eu disse que esse é o essencial, não significa que isso serve para criar obras essenciais, afinal podemos ver em qualquer material fantástico essa fórmula, seja ele complexo ou não. Livros como Frankenstein e Drácula, filmes como a Star Wars e Homem de Aço e finalmente séries como Doctor Who e Once Upon a Time (foi a primeira que me veio a cabeça) possuem essa fórmula e vão muito além do simples. Assim, eu espero ter fixado na cabeça que a fórmula serve para qualquer coisa que fuja um pouco da realidade.


Para fixar, um resumo: "A Estrutura de um universo fantástico se forma na Filosofia proposta nos conceitos elaborados pela Mitologia do mesmo."

Todo o artigo se baseia nas "belas" palavras de Maurício de Souza na seguinte entrevista: http://www.vicentetavares.com.br/2011/09/quando-mestres-se-encontram.html?q=dinheiro

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Como criar um mundo em (talvez mais que) seis dias (1/3)

segunda-feira, 14 de julho de 2014
Por: M L Carneiro

Ahoy! Venho hoje falar de um tema que muita gente já deve ter lidado ou ao menos pensado: a criação de um mundo fictício. Já houve um artigo aqui no blog com um tema parecido, por isso, para não soar repetitivo, tentarei abordar o assunto de forma um pouco diferente. Para a postagem também não ficar muito extensa (e mesmo assim ficou...), eu a dividirei em três partes, passando dois “dias” em cada. Colocarei aqui tudo o que pesquisei para fazer este texto, além das experiências que eu já tive com o tema, e tentarei sempre dar exemplos para ficar mais claro, seja a partir de mundos já criados, de algum que eu já criei, ou de algum outro fictício criado na hora. Preparados? Então vamos ao trabalho!

Primeiro dia – Começando

ou “O que raios eu tenho que fazer de início?”

A primeira coisa que eu tenho que contar para vocês é que o título dessa postagem é uma piadinha. Criar um mundo inteiro é algo bem trabalhoso, acredite: você não vai conseguir criar algo tão detalhado como a Terra em seis dias. Dependendo do quanto você quiser se aprofundar, você levará semanas, meses ou até anos para concluir o mundo que você queria criar. E sempre vai ter espaço para mais criação.
Caso você esteja determinado a trilhar este longo caminho para chegar ao seu objetivo, a primeira coisa que deve fazer é se perguntar: “Por que eu quero criar esse mundo?”. Qual é o seu objetivo com essa criação? Pode haver diversas razões para isso, mas se você está lendo esse post, imagino que seu objetivo esteja relacionado a alguma história original que queira escrever. Se for isso fica mais fácil, pois assim você provavelmente já tem alguma ideia para essa história e vai guiar a construção do mundo em torno dela.
Mas aí eu te pergunto: Você precisa mesmo criar um mundo? A Terra não é suficiente para a sua história? Eu pergunto isso porque você pode economizar um enorme tempo se usar a Terra como cenário de sua narrativa. Milhares de livros fantasiosos se passam em nosso planeta, apenas adicionando um pouco de pó de pirlimpimpim, talvez. Podemos citar diversos best-sellers que fazem isso: Harry Potter, Percy Jackson, Crepúsculo (talvez tenha sido um pouco de pirlimpimpim demais aqui), os quadrinhos da Marvel, Cavaleiros do Zodíaco e o próprio Sítio do Pica-Pau Amarelo. São todas histórias cheias de ficção e fantasia, mas situadas na Terra. Nosso mundo já está aqui, pronto, amplamente detalhado, você já conhece muito dele e, o que você não conhecer, é só chamar o nosso amigo Google.
Não é muito mais fácil usar a Terra? Além disso, como eu disse há pouco, criar um mundo dá um trabalhão, então se você quiser economizar esforço ou achar que sua história pode muito bem se passar no meio de nós, é só pegar suas ideias e moldá-las ao nosso mundo. Aí você pode até parar de ler este artigo por aqui e se focar em começar a escrever sua história! Isso não é ótimo? (Brincadeira, pode continuar lendo, porque os próximos tópicos também podem ser úteis)
Falando sério mesmo, para muitas pessoas, criar um mundo pode só atrapalhar e tirar o foco de criação do enredo da história. Se existe bloqueio criativo para escrever, imagine para criar um mundo. Então analise muito bem e veja se no seu caso não vale mais usar o nosso planeta azul em lugar de gastar um grande tempo moldando outro.
Maaaas se você é que nem eu e tem esse espírito desbravador e criativo, e para você o mundo não é o bastante, vamos lá, próximo passo. A segunda coisa a se fazer é começar a definir algumas coisas básicas, como: que tipo de mundo vai ser? Você vai usar algum outro como inspiração ou base? Quer que ele seja mais caricatural ou que seja o mais verossímil possível? Qual vai ser o tamanho desse mundo? Estou sempre falando aqui de um planeta, mas um “mundo” que eu digo pode ser menos ou mais que isso. Você pode criar uma ilha flutuante no meio do nada, ou um planeta do tamanho daquele do Sr. Kaiô de Dragon Ball, assim como você também pode criar um mundo complexo como a Terra Média ou mesmo uma galáxia inteira, como em Star Wars.
A minha dica aqui é: crie um mundo compatível com o tamanho da história que você quer escrever. Por favor, não me venha querer criar uma Westeros para escrever uma one-shot (aliás, se você quer criar um mundo para uma one-shot, por favor, volte para aquela minha pergunta de quatro parágrafos atrás). Pense no tamanho que você pretende que sua história tenha e crie um mundo de dimensão compatível. Às vezes você não precisa criar e detalhar o planeta inteiro, diversos autores fazem isso, desde Tolkien e Martin até o Paolini (escritor de Eragon). Você pode criar um continente, uma ilha, dois continentes ligados... Isso é usado, especialmente, quando a temática da história é medieval e não se consegue explorar e cartografar o planeta inteiro. Talvez, para a sua história, tudo o que você precisa detalhar é uma cidade ou um reino. O maluco do George Lucas criou uma galáxia inteira, mas foi para uma história gigantesca, com vários livros e filmes. Então pense bem no tamanho e no tipo de mundo que você vai criar, tendo em mente que quanto maior for ele, mais tempo você gastará detalhando-o.
Outro ponto interessante de se ponderar é sobre como vai ser a sua “ordem de criação”. O que seria isso? É algo como o que você vai pensar primeiro no seu mundo. O que veio primeiro, o ovo ou a galinha? Para explicar melhor, vou mostrar algumas opções que você tem:
  • Pensar em como foi a Criação e seguir a partir daí: Essa é uma forma ousada e difícil de se fazer, mas a ideia aqui é definir como foi a concepção desse mundo e, a partir disso, criar o que veio depois. Por exemplo, você pode pensar que, no seu mundo, uma criatura divina chamada Sued criou seu planeta em seis dias e descansou no sétimo. A história da população daquele mundo começou com uma mulher chamada Ada, que estava sozinha, e então Sued criou um homem para lhe fazer companhia, o Evão, a partir de uma vértebra de Ada. Aí, com base nesse início, você pensa em como o mundo se desenvolveu, criando toda uma cronologia até o tempo da sua história.
  • Pensar em como é hoje e voltar até a criação: Assim talvez seja um pouco mais fácil. Você imagina o mundo como ele é nos “dias atuais”, ou seja, no tempo em que você contará a sua história, e vai pensando no que aconteceu antes disso, voltando até chegar em como aconteceu a criação do mundo.
  • Pensar em um rascunho inicial e deixar sua história moldar o resto: Aqui eu acho que é o jeito mais simples, mas pode ser um tiro no pé mais para frente. A ideia é você criar um rápido rascunho de algumas características principais do mundo, desenhar rapidamente um mapa, criar o nome de algumas cidades e pronto. A partir daí, enquanto você escreve, vai detalhando o mundo, povoando as cidades, pensando em como é aquele povo, criando as histórias, criando novos caminhos e lugares. O mundo fica mais como uma folha em branco que você preenche enquanto escreve. As vantagens são que você fica mais livre e precisa de menos tempo de planejamento, mas as desvantagens são que você pode acabar se perdendo no meio da trama, errando alguns detalhes ou criando algo confuso e não verossímil. Então pense bem antes de usar essa técnica.
  • Pensar no que você quer que o mundo tenha de diferente e criar um background: Essa é a técnica que eu usei quando comecei a criar o meu mundo e é uma que eu gosto bastante, pois pode ser bem útil para histórias que surgem de uma ideia específica. Você foca nela e começa a criar o mundo inteiro em torno daquilo. Vou usar como exemplo aqui o mundo que eu criei (na verdade, que ainda estou criando). Ele é um mundo fantasioso no estilo da Terra Média. A ideia inicial foi de que nele os elfos estavam em péssima situação, dizimados e muito enfraquecidos. Aí eu fui criando... Por que eles estavam assim? O que levou à ruína deles? O que aconteceu com as outras raças quando os elfos ficaram fracos? Assim por diante. A partir de uma ideia, você vai criando e moldando o mundo até ele chegar à forma que você quer que ele tenha.
Mas vale anotar aqui que nenhuma dessas técnicas é excludente e que elas não são as únicas, pelo contrário. É muito comum você mesclar algumas delas, ou usar uma delas de inicio e depois complementar com outra, enfim, são várias possibilidades. O importante é, se você não souber como começar, escolha uma dessas técnicas e comece. Só assim o mundo pode começar a tomar forma.

Segundo dia – Planejando

ou “Como vai ser meu mundo?”

Tudo bem, você já se decidiu que vai mesmo criar um mundo, já pensou mais ou menos em como ele vai ser e já tem ideia da forma em que vai pensar na criação dele. Ok, e agora? Agora o ideal é começar a pensar em fatores mais práticos de seu universo. Para isso, vou separar os tópicos principais em algumas perguntas para guiar o seu desenvolvimento. Aí vai:

Qual é o nível de tecnologia presente?
Isso pode definir muita coisa da sua história, afinal, quantidade de tecnologia que um mundo possui influencia demais o comportamento dos povos. Lembre-se de que nível de tecnologia não é algo só de science-fiction, afinal, um instrumento pontiagudo já é um tipo de tecnologia. Seu planeta pode estar na era pré-histórica, na era do bronze, ou então já ter evoluído para a era do ferro, enfim, mesmo em cenários antigos é preciso se definir a que tipo de tecnologia os povos têm acesso.
Aqui você só precisa tomar cuidado se quiser fazer um mundo muito verossímil, pois então terá que pesquisar bastante para saber quais tecnologias influenciam ou permitem outras. Caso esta não seja a sua intenção, você pode misturar sem problemas algumas tecnologias antigas com novas, colocar transportes aéreos em mundos medievais, ou mundos avançados em que não se usa pólvora, enfim, a sua imaginação é o limite.
O quanto de fantasia ou magia existe?
Normalmente, trato isso como o “nível de mana” do mundo. Em alguns deles isso é zero, então se prepare para usar sempre e unicamente a tecnologia. Em outros, existe magia, mas a “mana” é muito baixa, ou seja, magia é algo raro e poderoso. Alguns exemplos disso são os mundos de O Senhor dos Anéis e de A Song of Ice and Fire. Nesses dois mundos, apesar da magia existir, não é algo que se presencia a todo o momento, você não vê bolas de fogo voando para todos os lados. Já outros mundos possuem mana até em excesso, como em Harry Potter, onde aparentemente nada limita o quanto de mágica você pode fazer, ou em Eragon, onde a magia pode fazer qualquer coisa, até as mais mirabolantes.
Portanto, pense em que tipo de fantasia você que colocar na sua história e como isso vai afetar os personagens e desenvolver os fatos. Lembre-se também de que, magia sempre é algo muito poderoso e, como diz o Rumpelstiltskin de Once, “always comes with a price”. Tenha cuidado, sempre coloque um “preço” na magia, alguma forma de limitação, para que ela não vire algo totalmente desbalanceado que deixe a história chata ou que seja um recurso desonesto para os personagens que possam usá-la. Muitas histórias pecam nisso e depois não conseguem te convencer em por que tal personagem não fez uma mágica em determinado momento.
Qual é o tipo de organização social do mundo?
Aqui é um ponto bem importante também, pois definirá como os povos e as personagens se relacionam. O seu mundo segue uma configuração feudal com castelos, servos e vassalos? Ou é uma sociedade escravocrata? Talvez já seja algo mais avançado, industrial ou mesmo capitalista. Ainda pode ir além, sendo um sistema de castas, dividido em sociedades distintas, ou distritos, com direitos e obrigações diferentes.
Tente pensar no que faz mais sentido para a sua história e pesquise um pouco sobre. As aulas de história da escola podem ser muito úteis aqui. Tente aprender um pouco mais sobre o funcionamento do modelo que você vai adotar, ou então desenvolva muito bem o modelo que vai criar. Lembre-se também de que não é o mundo todo que precisa seguir a mesma organização, alguns reinos podem ser feudais, enquanto outras cidades distantes são ainda escravocratas. Alguns países podem ser capitalistas enquanto outros são socialistas, etc. O importante aqui é você saber minimamente como esses modelos funcionam e adequá-los bem ao seu cenário.
Qual o principal problema do seu mundo?
A menos que você queira criar uma história no estilo de Teletubies, seu mundo terá problemas. Até os Ursinhos Carinhosos tinham problemas, oras. Digo mais, o problema normalmente é a parte mais legal da história, é o plot, o ponto central, o detalhe que faz tudo se desenrolar. Então pense, qual é o principal problema do seu mundo? Um rei maligno que tomou conta do reino e oprime a todos? Um homem que traiu sua ordem e recrutou um exército de homens maus para destruir o país? Um grupo de pessoas que se acha superior aos outros e quer dominá-los? Uma peste que assola o reino e que ninguém sabe a cura?
Em grande parte das vezes o problema, a princípio, é de dominação, alguém mais forte querendo subjugar alguém mais fraco. No entanto, tome cuidado para não se limitar a isso, pois esse normalmente é um bom plot para uma história. Mas estamos falando do plot de um mundo, algo bem maior. Qual é a motivação dessa pessoa para querer dominar todo o restante? O que propicia as guerras que acontecem nesse planeta? Tente ir mais além e pensar na razão por trás dos problemas.
Para clarear um pouco aqui, vou dar um exemplo do mundo que eu criei, mostrando como os problemas podem ter várias camadas.
Qual é o principal problema aparente desse cenário? Um imperador maligno destruiu e conquistou vários reinos e quer dominar grande parte do mundo. Ok. Mas por que ele fez isso? Porque na verdade todo o continente dele foi dominado por uma peste que transforma os homens em um tipo de morto-vivo e esse imperador conseguiu controlar essas criaturas. Mas de onde surgiu essa peste? Ela foi espalhada por criaturas que estavam escondidas dentro da terra e agora estão se libertando. E por que essas criaturas estavam dentro da terra? Porque elas ajudaram a construir esse mundo, com o preço de que ficariam escondidas ali para depois de certo tempo tomarem o mundo para elas. E por que elas ajudaram a construir o mundo? Porque o deus que criou esse mundo não tinha o poder necessário para fazer isso sozinho. E por que esse deus quis criar esse mundo? Para presentear outra deusa, sua esposa. Ou seja, a culpa da destruição dos reinos começou quando o deus fracote quis fazer um mimo para sua esposa. Viram como dá para aprofundar bastante?
Qual o principal diferencial do seu mundo?
Na mesma linha da pergunta anterior vem essa, mas dessa vez passando para as coisas boas. O que seu mundo tem de bom que o diferencia dos demais? Você pode começar a aprender magia aos 11 anos? Você controla as pessoas se souber o nome verdadeiro delas? A política lá é tão complexa e interessante? Os deuses andam entre os homens? A água está acabando e é uma arma contra uma praga? Existem diversas raças diferentes e interessantes? A gravidade é estranha? As pessoas cavalgam dragões? Os vampiros brilham?
Veja que você pode criar uma infinidade de características e diferenciais dos mais variados tipos. Esses diferenciais, normalmente, estão ligados à ideia principal da história e são os chamarizes para o leitor começar a ler. Imagine um mundo onde tal coisa acontece, imagine um mundo assim e assado, imagine um mundo onde isso é assim... Nós sempre buscamos coisas diferentes e extraordinárias e, se seu mundo for ser extraordinário, defina bem como e por quê.
Por que você acha que é legal contar uma história do seu mundo?
Essa é uma parte bem importante, a menos que você queira criar um mundo só para si. Depois de pensar em todos esses detalhes que eu falei, faça essa pergunta a si mesmo. Está difícil de responder? Volte e trabalhe mais um pouco nos pontos anteriores. Eu não quero dizer que você tem que criar uma obra prima, mas seu mundo tem que ser minimamente interessante, tem que chamar a atenção de alguma forma, tem que ter um problema e um diferencial marcante, tem que conseguir prender a atenção de seu futuro leitor. Senão você estará tendo um trabalho gigante para nada. Então pare, pense e reflita se essas características iniciais que você pensou estão te agradando. Se precisar, volte e trabalhe mais um pouco, caso contrário você está pronto para o próximo dia.
---------------xXx---------------
E então, prontos para começar a criação? Enquanto os próximos dias não vêm, comecem a pensar em todos esses pontos que eu coloquei aqui e deem início ao desenvolvimento desse mundo que está escondido aí dentro das suas cabeças. Espero que tenham gostado da postagem e que ela seja útil de alguma forma. Se tiverem dúvidas sobre alguma coisa que eu falei ou quiserem complementar com algo, por favor, façam isso, comentem abaixo que responderei com prazer.
Vejo vocês na próxima parte, que trará o terceiro e quarto dia, “esculpindo” e “povoando”, respectivamente. Os últimos dois dias, “explicando” e “detalhando”, ficam para a última postagem.

Até mais! Cheers!

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As imagens que servem de ilustração para o posts do blog foram encontradas mediante pesquisa no google.com e não visamos nenhum fim comercial com suas respectivas veiculações. Ainda assim, se estamos usando indevidamente uma imagem sua, envie-nos um e-mail que a retiraremos no mesmo instante. Feito com ♥ Lariz Santana