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Como criar um mundo em (talvez mais que) seis dias (2/3)

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Por: M L Carneiro

Ahoy! Cá estou de volta para continuar a série sobre criação de mundos. Na primeira parte vimos algumas coisas básicas para se preparar para essa construção, hoje, vamos partir para áreas mais palpáveis. Continuem comigo nessa jornada que logo seu mundo estará de pé!
Ah, e para quem ainda não leu a primeira parte deste post, sugiro que a leiam aqui: http://www.ligadosbetas.blogspot.com.br/2014/07/como-criar-um-mundo-em-talvez-mais-de.html

Terceiro dia – Esculpindo

ou “Como vai ser a geografia do meu mundo?”
Na minha opinião, fazer o mapa de um mundo que você está criando é uma das partes mais divertidas. Você não precisa ser um mestre do desenho, os seus rabiscos já ficam incríveis quando você vai criando ilhas, continentes, penínsulas... Mas para criar esse mapa é legal que você tenha definido alguns pontos sobre a geografia do seu mundo, e é disso que vamos tratar neste dia.
Qual o tamanho do seu mundo?
No post anterior já falamos um pouco disso, no sentido do tamanho do universo que você quer criar. Mas agora vamos pensar no tamanho literal mesmo. Vai ser um planeta inteiro do tamanho da Terra ou apenas um continente pequeno e isolado? Tente pensar no que você quer para a sua história e o quanto o tamanho do mundo vai influenciá-la. Fazer um mundo gigante é bem legal, mas lembre-se de que quanto maior o mundo, mais tempo você levará detalhando-o, então tente pensar em algo razoável para as suas necessidades.
Esse mundo segue as mesmas leis que o nosso?
Aqui eu digo das leis físicas, químicas e biológicas. Se sua história vai ter um tema mais verossímil, é bom que ela siga todas as leis da natureza que temos aqui, ou que pelo menos você descreva bem como vão ser as novas leis. Mas numa história mais fantasiosa ou utópica, você pode ter coisas como gravidades invertidas ou oscilantes, inércia inexistente, som no espaço, enfim, você vai ter bastante liberdade criativa. Entretanto, tenha em mente se o mundo segue ou não as mesmas regras da Terra e, se não, quais são as leis dele.
Outro detalhe a se pensar é em como o tempo funciona no seu cenário. Quantas horas um dia possui? Quantos dias existem em um ano? Os dias e noites funcionam como na Terra, equilibrados, ou há mais tempo de um deles? Como funcionam as estações? Existem outras divisões temporais, como meses e semanas? São vários detalhes que vão enriquecendo seu mundo.
O quanto do mundo já é explorado?
Se seu mundo for situado com uma tecnologia futurística ou ao menos próxima da atual, muito provavelmente todo ele já vai ter sido explorado, ou ao menos cartografado. Mas até poucas centenas de anos atrás a própria Terra não estava totalmente no mapa. Então, se seu cenário segue um tema semelhante à época das grandes navegações ou anterior a isso, é bem provável que existam grandes pedaços de terra inexplorados no planeta que você está criando. Isso normalmente ocorre quando temos continentes separados por pedaços muito grandes de mar, quando os continentes são grandes demais em alguma direção, ou ainda quando um pedaço dele chega a uma parte muito gelada ou muito quente do planeta, e então ninguém consegue passar e povoar além dali.
Com isso em mente, defina qual é a parte “principal” de seu mundo, onde estão as principais civilizações, onde sua história vai se passar. Em seguida, defina onde serão os limites daquele pedaço do planeta, levando em conta o quanto a tecnologia dele o deixaria ser explorado. Em cenários futuristas os limites serão para além dos planetas, serão até a parte da galáxia em que se é possível chegar. Por fim, pense um pouco nas partes inexploradas. Você não precisará detalhá-las ao máximo, mas seria interessante ao menos pensar no quê e em que povos existem nesses lugares.
Quais são os principais pontos geográficos?
Todo planeta possuí acidentes geográficos característicos e interessantes. Alguma cordilheira gigantesca que percorre toda a costa de um continente, uma ilha-continente isolada ao sul do planeta, uma península pontiaguda e comprida onde é possível encontrar grandes quantidades de pedras preciosas, enfim, deixe sua criatividade fluir. Muitas pessoas se limitam a criar cidades e construções interessantes, mas lembre-se de que a natureza estava no seu mundo muito antes das civilizações chegarem, e que em muitos momentos ela é extremamente mais interessante, complexa e bonita.
Como é o clima e a vegetação do planeta?
Você pode achar que não, mas esses dois pontos também definem muito as interações entre os povos do planeta. Um planeta muito frio ou muito quente vai impor grandes dificuldades de desenvolvimento para sua população. Ao mesmo tempo, a vegetação (ou a falta dela) de um lugar pode auxiliar ou prejudicar as raças que vivem ali. Então gaste algum tempinho pensando em como são esses pontos nos vários cantos de seu mundo. Se ele for extenso, muito provavelmente terá diversos climas e vegetações, então aqui também vale a regra máxima da verossimilhança: se você quer deixar seu cenário muito próximo do real, pesquise bastante sobre como funciona na Terra, que vegetações existem em cada clima, que tipo de terreno existe de acordo com a vegetação e o clima, e depois disso, replique essas regras na sua criação.

Quarto dia – Povoando

ou “A demografia de seu mundo”
Pronto, já conseguimos moldar como vai ser o nosso mundo. Mas de que adianta um lugar onde ninguém vive? Agora é a hora de povoar esse planeta! Para começar, vamos ver quais são os povos, ou raças, que existem.
Quais são as raças existentes neste mundo?
Percebam que estou falando de raças, não de etnias. Estamos falando da raça humana, da raça élfica, raça anã, e assim por diante. Se seu mundo é fantasioso, você provavelmente vai querer colocar essas e algumas outras raças místicas nele. Então agora é a hora de pensar em quais e em como serão elas. Você pode, e deve, se inspirar em outras obras para tirar as raças fantasiosas mais comuns, como elfos, anãos, gnomos, orcs, fadas, entre outros. Com elas você terá bastante material de inspiração e consulta pronto, facilitando bastante seu trabalho.
Mas não se limite a isso, você pode alterar substancialmente as características dessas raças ‘tolkienianas’, adaptando-as às suas necessidades, como você também pode criar raças totalmente novas e diferentes. Isso acontece muito em histórias futurísticas, com diversos planetas a serem a explorados na galáxia, mas também não há problema algum em você inovar nas raças de histórias medievais. Só é preciso cuidado e dedicação para criar uma nova raça. Para isso, colocarei aqui um miniguia para auxiliá-los na criação dessas novas raças:
  • Tome como comparação o humano. É com essa raça que estamos mais acostumados, afinal somos dela, então todas as características da nova raça serão mais bem entendidas quando comparadas às dos humanos.
  • Equilibre bem as vantagens e desvantagens que essa raça tem. Se você fizer um povo que é apenas mais forte e mais inteligente, sem nenhuma desvantagem, vai desequilibrar a balança e deixar espaço para que as outras raças sejam subjugadas e pereçam. É só olhar para a Terra, você conhece algum Neandertal hoje? Não, porque o Homo Sapiens era mais evoluído e “venceu” na dominação do planeta.
  • Como é a aparência física desse novo povo? São humanoides, ou seja, muito parecidos com o homem, apenas com alguns detalhes diferentes? Ou são bem distantes? Faça o “design” da sua raça, essa pode ser uma das partes mais divertidas, especialmente se você for criativo e um bom desenhista.
  • Defina como são as características mentais dessa nova raça, ou seja, qual é o comportamento comum dela, como é a personalidade de integrantes dela, quais são suas ambições e desejos no mundo, etc.
  • Como é a organização política dessa raça? É uniforme ou possui diferenças em diversas regiões? Lembre-se do que falei no post anterior, é legal você definir muito bem como é a organização política de cada povo, mas elas não precisam ser sempre as mesmas.



Existem raças dominantes? Raças em guerra?
Isso também é algo muito comum, apesar de tentarmos equilibrá-las, sempre terá alguma raça que possui algumas vantagens em certa região e por isso dominam aquele local. A região pode ser desde um pequeno condado até o planeta inteiro, e por isso essa raça pode entrar em conflito com outras raças, algo que é extremamente comum. Se entre nós, humanos, temos guerras entre etnias diferentes, imagine como seria a interação entre raças diferentes. Não é algo que pareça ser simples. Se existe alguma guerra entre raças, explique o porquê, pense de onde essa guerra surgiu, quem está ganhando, quais são os aliados de cada lado e o quanto essa guerra pode afetar o desenvolvimento do planeta, e também da sua história.
Quais são as raças “civilizadas” e as “bárbaras” ou “monstruosas”?
Aqui podemos entrar em um maniqueísmo entre o bem e o mal. Sabemos que dentro de uma própria raça vão existir indivíduos bondosos e maldosos, mas cada raça normalmente possui sua tendência média. Algumas serão as raças “do bem”, como normalmente são os homens, anãos e elfos, e outros serão “do mal”, como orcs, goblins e dragões. Fazer essa divisão pode ajudar muito na criação do desenrolar da história. É onde normalmente dividimos as raças civilizadas dos “monstros”.
Dentro de cada raça existem muitas divisões?
Reinos, países, casas, famílias... Mesmo dentro da mesma raça os povos costumam se dividir, confiam em se agrupar para se proteger. Então pense em quais são esses tipos de divisão, relacionando-os com a sua organização política. Detalhar isso ajudará você a entender como as raças vão se relacionar entre si e com o mundo exterior.
Existem idiomas diferentes nesse mundo?
A menos que seja um mundo bem pequeno, é bem provável que existam vários idiomas nele. Normalmente temos um tipo de linguagem para cada raça, e às vezes mais de uma língua dentro de cada uma delas. Outra coisa normal é termos o idioma “comum”, ou seja, aquele que a maior parte do planeta sabe, e que é utilizado entre os diferentes povos.
Então pense em como você quer que seja a distribuição de linguagens no seu mundo e decida também se você quer deixá-las explícitas ou implícitas, isto é, se você quer realmente criar outros idiomas, ou deixar implícito que os povos estão falando em outra língua, mas sem ter que detalhá-la. Tome cuidado aqui, apesar de que criar um novo idioma pode ser bem interessante, dá um trabalhão, principalmente para deixá-lo bem feito.
Que outros tipos de criaturas extraordinárias existem no mundo?
Ok, já falamos das raças inteligentes, mas um mundo não é feito só delas, não é mesmo? Existem diversos outros tipos de animais para povoar o mundo. Então você pode pensar em que tipo de animais, além dos já encontrados na Terra, existem no seu planeta. Monstros, bestas mitológicas, humanoides não muito inteligentes... Vale pensar em tudo aqui. Buscar inspiração em outras obras é uma ótima dica, mas tente inovar também e criar algo novo, da sua cabeça, tenha certeza de que vai ficar bom!
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Ufa, lá se foram mais dois dias de criação, já estamos chegando ao fim. Os próximos dois e últimos dias serão “Explicando” e “Detalhando”, onde vamos falar dos últimos detalhes da criação. Mas uma coisa que queria lembrar aqui é que vocês não precisam seguir esses posts como um guia de passo-a-passo, durante a criação tudo fica misturado. Você pensa em como vai ser o tamanho do planeta, depois numa raça que vai existir, depois no clima em que essa raça vive... Enfim, coloco aqui tudo que eu vejo de principal para você detalhar em seu mundo numa ordem agrupada, mas a ordem de criação para seu mundo é você quem faz!
Espero que tenha sido útil e que vocês tenham gostado. Lembrem-se, qualquer dúvida podem falar nos comentários.
Até a próxima! Cheers!


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Como criar um mundo em (talvez mais que) seis dias (1/3)

segunda-feira, 14 de julho de 2014
Por: M L Carneiro

Ahoy! Venho hoje falar de um tema que muita gente já deve ter lidado ou ao menos pensado: a criação de um mundo fictício. Já houve um artigo aqui no blog com um tema parecido, por isso, para não soar repetitivo, tentarei abordar o assunto de forma um pouco diferente. Para a postagem também não ficar muito extensa (e mesmo assim ficou...), eu a dividirei em três partes, passando dois “dias” em cada. Colocarei aqui tudo o que pesquisei para fazer este texto, além das experiências que eu já tive com o tema, e tentarei sempre dar exemplos para ficar mais claro, seja a partir de mundos já criados, de algum que eu já criei, ou de algum outro fictício criado na hora. Preparados? Então vamos ao trabalho!

Primeiro dia – Começando

ou “O que raios eu tenho que fazer de início?”

A primeira coisa que eu tenho que contar para vocês é que o título dessa postagem é uma piadinha. Criar um mundo inteiro é algo bem trabalhoso, acredite: você não vai conseguir criar algo tão detalhado como a Terra em seis dias. Dependendo do quanto você quiser se aprofundar, você levará semanas, meses ou até anos para concluir o mundo que você queria criar. E sempre vai ter espaço para mais criação.
Caso você esteja determinado a trilhar este longo caminho para chegar ao seu objetivo, a primeira coisa que deve fazer é se perguntar: “Por que eu quero criar esse mundo?”. Qual é o seu objetivo com essa criação? Pode haver diversas razões para isso, mas se você está lendo esse post, imagino que seu objetivo esteja relacionado a alguma história original que queira escrever. Se for isso fica mais fácil, pois assim você provavelmente já tem alguma ideia para essa história e vai guiar a construção do mundo em torno dela.
Mas aí eu te pergunto: Você precisa mesmo criar um mundo? A Terra não é suficiente para a sua história? Eu pergunto isso porque você pode economizar um enorme tempo se usar a Terra como cenário de sua narrativa. Milhares de livros fantasiosos se passam em nosso planeta, apenas adicionando um pouco de pó de pirlimpimpim, talvez. Podemos citar diversos best-sellers que fazem isso: Harry Potter, Percy Jackson, Crepúsculo (talvez tenha sido um pouco de pirlimpimpim demais aqui), os quadrinhos da Marvel, Cavaleiros do Zodíaco e o próprio Sítio do Pica-Pau Amarelo. São todas histórias cheias de ficção e fantasia, mas situadas na Terra. Nosso mundo já está aqui, pronto, amplamente detalhado, você já conhece muito dele e, o que você não conhecer, é só chamar o nosso amigo Google.
Não é muito mais fácil usar a Terra? Além disso, como eu disse há pouco, criar um mundo dá um trabalhão, então se você quiser economizar esforço ou achar que sua história pode muito bem se passar no meio de nós, é só pegar suas ideias e moldá-las ao nosso mundo. Aí você pode até parar de ler este artigo por aqui e se focar em começar a escrever sua história! Isso não é ótimo? (Brincadeira, pode continuar lendo, porque os próximos tópicos também podem ser úteis)
Falando sério mesmo, para muitas pessoas, criar um mundo pode só atrapalhar e tirar o foco de criação do enredo da história. Se existe bloqueio criativo para escrever, imagine para criar um mundo. Então analise muito bem e veja se no seu caso não vale mais usar o nosso planeta azul em lugar de gastar um grande tempo moldando outro.
Maaaas se você é que nem eu e tem esse espírito desbravador e criativo, e para você o mundo não é o bastante, vamos lá, próximo passo. A segunda coisa a se fazer é começar a definir algumas coisas básicas, como: que tipo de mundo vai ser? Você vai usar algum outro como inspiração ou base? Quer que ele seja mais caricatural ou que seja o mais verossímil possível? Qual vai ser o tamanho desse mundo? Estou sempre falando aqui de um planeta, mas um “mundo” que eu digo pode ser menos ou mais que isso. Você pode criar uma ilha flutuante no meio do nada, ou um planeta do tamanho daquele do Sr. Kaiô de Dragon Ball, assim como você também pode criar um mundo complexo como a Terra Média ou mesmo uma galáxia inteira, como em Star Wars.
A minha dica aqui é: crie um mundo compatível com o tamanho da história que você quer escrever. Por favor, não me venha querer criar uma Westeros para escrever uma one-shot (aliás, se você quer criar um mundo para uma one-shot, por favor, volte para aquela minha pergunta de quatro parágrafos atrás). Pense no tamanho que você pretende que sua história tenha e crie um mundo de dimensão compatível. Às vezes você não precisa criar e detalhar o planeta inteiro, diversos autores fazem isso, desde Tolkien e Martin até o Paolini (escritor de Eragon). Você pode criar um continente, uma ilha, dois continentes ligados... Isso é usado, especialmente, quando a temática da história é medieval e não se consegue explorar e cartografar o planeta inteiro. Talvez, para a sua história, tudo o que você precisa detalhar é uma cidade ou um reino. O maluco do George Lucas criou uma galáxia inteira, mas foi para uma história gigantesca, com vários livros e filmes. Então pense bem no tamanho e no tipo de mundo que você vai criar, tendo em mente que quanto maior for ele, mais tempo você gastará detalhando-o.
Outro ponto interessante de se ponderar é sobre como vai ser a sua “ordem de criação”. O que seria isso? É algo como o que você vai pensar primeiro no seu mundo. O que veio primeiro, o ovo ou a galinha? Para explicar melhor, vou mostrar algumas opções que você tem:
  • Pensar em como foi a Criação e seguir a partir daí: Essa é uma forma ousada e difícil de se fazer, mas a ideia aqui é definir como foi a concepção desse mundo e, a partir disso, criar o que veio depois. Por exemplo, você pode pensar que, no seu mundo, uma criatura divina chamada Sued criou seu planeta em seis dias e descansou no sétimo. A história da população daquele mundo começou com uma mulher chamada Ada, que estava sozinha, e então Sued criou um homem para lhe fazer companhia, o Evão, a partir de uma vértebra de Ada. Aí, com base nesse início, você pensa em como o mundo se desenvolveu, criando toda uma cronologia até o tempo da sua história.
  • Pensar em como é hoje e voltar até a criação: Assim talvez seja um pouco mais fácil. Você imagina o mundo como ele é nos “dias atuais”, ou seja, no tempo em que você contará a sua história, e vai pensando no que aconteceu antes disso, voltando até chegar em como aconteceu a criação do mundo.
  • Pensar em um rascunho inicial e deixar sua história moldar o resto: Aqui eu acho que é o jeito mais simples, mas pode ser um tiro no pé mais para frente. A ideia é você criar um rápido rascunho de algumas características principais do mundo, desenhar rapidamente um mapa, criar o nome de algumas cidades e pronto. A partir daí, enquanto você escreve, vai detalhando o mundo, povoando as cidades, pensando em como é aquele povo, criando as histórias, criando novos caminhos e lugares. O mundo fica mais como uma folha em branco que você preenche enquanto escreve. As vantagens são que você fica mais livre e precisa de menos tempo de planejamento, mas as desvantagens são que você pode acabar se perdendo no meio da trama, errando alguns detalhes ou criando algo confuso e não verossímil. Então pense bem antes de usar essa técnica.
  • Pensar no que você quer que o mundo tenha de diferente e criar um background: Essa é a técnica que eu usei quando comecei a criar o meu mundo e é uma que eu gosto bastante, pois pode ser bem útil para histórias que surgem de uma ideia específica. Você foca nela e começa a criar o mundo inteiro em torno daquilo. Vou usar como exemplo aqui o mundo que eu criei (na verdade, que ainda estou criando). Ele é um mundo fantasioso no estilo da Terra Média. A ideia inicial foi de que nele os elfos estavam em péssima situação, dizimados e muito enfraquecidos. Aí eu fui criando... Por que eles estavam assim? O que levou à ruína deles? O que aconteceu com as outras raças quando os elfos ficaram fracos? Assim por diante. A partir de uma ideia, você vai criando e moldando o mundo até ele chegar à forma que você quer que ele tenha.
Mas vale anotar aqui que nenhuma dessas técnicas é excludente e que elas não são as únicas, pelo contrário. É muito comum você mesclar algumas delas, ou usar uma delas de inicio e depois complementar com outra, enfim, são várias possibilidades. O importante é, se você não souber como começar, escolha uma dessas técnicas e comece. Só assim o mundo pode começar a tomar forma.

Segundo dia – Planejando

ou “Como vai ser meu mundo?”

Tudo bem, você já se decidiu que vai mesmo criar um mundo, já pensou mais ou menos em como ele vai ser e já tem ideia da forma em que vai pensar na criação dele. Ok, e agora? Agora o ideal é começar a pensar em fatores mais práticos de seu universo. Para isso, vou separar os tópicos principais em algumas perguntas para guiar o seu desenvolvimento. Aí vai:

Qual é o nível de tecnologia presente?
Isso pode definir muita coisa da sua história, afinal, quantidade de tecnologia que um mundo possui influencia demais o comportamento dos povos. Lembre-se de que nível de tecnologia não é algo só de science-fiction, afinal, um instrumento pontiagudo já é um tipo de tecnologia. Seu planeta pode estar na era pré-histórica, na era do bronze, ou então já ter evoluído para a era do ferro, enfim, mesmo em cenários antigos é preciso se definir a que tipo de tecnologia os povos têm acesso.
Aqui você só precisa tomar cuidado se quiser fazer um mundo muito verossímil, pois então terá que pesquisar bastante para saber quais tecnologias influenciam ou permitem outras. Caso esta não seja a sua intenção, você pode misturar sem problemas algumas tecnologias antigas com novas, colocar transportes aéreos em mundos medievais, ou mundos avançados em que não se usa pólvora, enfim, a sua imaginação é o limite.
O quanto de fantasia ou magia existe?
Normalmente, trato isso como o “nível de mana” do mundo. Em alguns deles isso é zero, então se prepare para usar sempre e unicamente a tecnologia. Em outros, existe magia, mas a “mana” é muito baixa, ou seja, magia é algo raro e poderoso. Alguns exemplos disso são os mundos de O Senhor dos Anéis e de A Song of Ice and Fire. Nesses dois mundos, apesar da magia existir, não é algo que se presencia a todo o momento, você não vê bolas de fogo voando para todos os lados. Já outros mundos possuem mana até em excesso, como em Harry Potter, onde aparentemente nada limita o quanto de mágica você pode fazer, ou em Eragon, onde a magia pode fazer qualquer coisa, até as mais mirabolantes.
Portanto, pense em que tipo de fantasia você que colocar na sua história e como isso vai afetar os personagens e desenvolver os fatos. Lembre-se também de que, magia sempre é algo muito poderoso e, como diz o Rumpelstiltskin de Once, “always comes with a price”. Tenha cuidado, sempre coloque um “preço” na magia, alguma forma de limitação, para que ela não vire algo totalmente desbalanceado que deixe a história chata ou que seja um recurso desonesto para os personagens que possam usá-la. Muitas histórias pecam nisso e depois não conseguem te convencer em por que tal personagem não fez uma mágica em determinado momento.
Qual é o tipo de organização social do mundo?
Aqui é um ponto bem importante também, pois definirá como os povos e as personagens se relacionam. O seu mundo segue uma configuração feudal com castelos, servos e vassalos? Ou é uma sociedade escravocrata? Talvez já seja algo mais avançado, industrial ou mesmo capitalista. Ainda pode ir além, sendo um sistema de castas, dividido em sociedades distintas, ou distritos, com direitos e obrigações diferentes.
Tente pensar no que faz mais sentido para a sua história e pesquise um pouco sobre. As aulas de história da escola podem ser muito úteis aqui. Tente aprender um pouco mais sobre o funcionamento do modelo que você vai adotar, ou então desenvolva muito bem o modelo que vai criar. Lembre-se também de que não é o mundo todo que precisa seguir a mesma organização, alguns reinos podem ser feudais, enquanto outras cidades distantes são ainda escravocratas. Alguns países podem ser capitalistas enquanto outros são socialistas, etc. O importante aqui é você saber minimamente como esses modelos funcionam e adequá-los bem ao seu cenário.
Qual o principal problema do seu mundo?
A menos que você queira criar uma história no estilo de Teletubies, seu mundo terá problemas. Até os Ursinhos Carinhosos tinham problemas, oras. Digo mais, o problema normalmente é a parte mais legal da história, é o plot, o ponto central, o detalhe que faz tudo se desenrolar. Então pense, qual é o principal problema do seu mundo? Um rei maligno que tomou conta do reino e oprime a todos? Um homem que traiu sua ordem e recrutou um exército de homens maus para destruir o país? Um grupo de pessoas que se acha superior aos outros e quer dominá-los? Uma peste que assola o reino e que ninguém sabe a cura?
Em grande parte das vezes o problema, a princípio, é de dominação, alguém mais forte querendo subjugar alguém mais fraco. No entanto, tome cuidado para não se limitar a isso, pois esse normalmente é um bom plot para uma história. Mas estamos falando do plot de um mundo, algo bem maior. Qual é a motivação dessa pessoa para querer dominar todo o restante? O que propicia as guerras que acontecem nesse planeta? Tente ir mais além e pensar na razão por trás dos problemas.
Para clarear um pouco aqui, vou dar um exemplo do mundo que eu criei, mostrando como os problemas podem ter várias camadas.
Qual é o principal problema aparente desse cenário? Um imperador maligno destruiu e conquistou vários reinos e quer dominar grande parte do mundo. Ok. Mas por que ele fez isso? Porque na verdade todo o continente dele foi dominado por uma peste que transforma os homens em um tipo de morto-vivo e esse imperador conseguiu controlar essas criaturas. Mas de onde surgiu essa peste? Ela foi espalhada por criaturas que estavam escondidas dentro da terra e agora estão se libertando. E por que essas criaturas estavam dentro da terra? Porque elas ajudaram a construir esse mundo, com o preço de que ficariam escondidas ali para depois de certo tempo tomarem o mundo para elas. E por que elas ajudaram a construir o mundo? Porque o deus que criou esse mundo não tinha o poder necessário para fazer isso sozinho. E por que esse deus quis criar esse mundo? Para presentear outra deusa, sua esposa. Ou seja, a culpa da destruição dos reinos começou quando o deus fracote quis fazer um mimo para sua esposa. Viram como dá para aprofundar bastante?
Qual o principal diferencial do seu mundo?
Na mesma linha da pergunta anterior vem essa, mas dessa vez passando para as coisas boas. O que seu mundo tem de bom que o diferencia dos demais? Você pode começar a aprender magia aos 11 anos? Você controla as pessoas se souber o nome verdadeiro delas? A política lá é tão complexa e interessante? Os deuses andam entre os homens? A água está acabando e é uma arma contra uma praga? Existem diversas raças diferentes e interessantes? A gravidade é estranha? As pessoas cavalgam dragões? Os vampiros brilham?
Veja que você pode criar uma infinidade de características e diferenciais dos mais variados tipos. Esses diferenciais, normalmente, estão ligados à ideia principal da história e são os chamarizes para o leitor começar a ler. Imagine um mundo onde tal coisa acontece, imagine um mundo assim e assado, imagine um mundo onde isso é assim... Nós sempre buscamos coisas diferentes e extraordinárias e, se seu mundo for ser extraordinário, defina bem como e por quê.
Por que você acha que é legal contar uma história do seu mundo?
Essa é uma parte bem importante, a menos que você queira criar um mundo só para si. Depois de pensar em todos esses detalhes que eu falei, faça essa pergunta a si mesmo. Está difícil de responder? Volte e trabalhe mais um pouco nos pontos anteriores. Eu não quero dizer que você tem que criar uma obra prima, mas seu mundo tem que ser minimamente interessante, tem que chamar a atenção de alguma forma, tem que ter um problema e um diferencial marcante, tem que conseguir prender a atenção de seu futuro leitor. Senão você estará tendo um trabalho gigante para nada. Então pare, pense e reflita se essas características iniciais que você pensou estão te agradando. Se precisar, volte e trabalhe mais um pouco, caso contrário você está pronto para o próximo dia.
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E então, prontos para começar a criação? Enquanto os próximos dias não vêm, comecem a pensar em todos esses pontos que eu coloquei aqui e deem início ao desenvolvimento desse mundo que está escondido aí dentro das suas cabeças. Espero que tenham gostado da postagem e que ela seja útil de alguma forma. Se tiverem dúvidas sobre alguma coisa que eu falei ou quiserem complementar com algo, por favor, façam isso, comentem abaixo que responderei com prazer.
Vejo vocês na próxima parte, que trará o terceiro e quarto dia, “esculpindo” e “povoando”, respectivamente. Os últimos dois dias, “explicando” e “detalhando”, ficam para a última postagem.

Até mais! Cheers!

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