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Como Criar um Mundo em (Talvez Mais de) Seis Dias – Parte 3/3

quarta-feira, 7 de setembro de 2016


Por: MicheleBran

Olá, leitores do blog da Liga dos Betas.

Esse é meu primeiro post por aqui e, bem, já comecei com a tarefa complicada de continuar o trabalho de alguém. Para entrar no tema, é basicamente como se algum escritor de fantasia tivesse criado 60% do mundo e me desse nas mãos para que eu terminasse.O que ele estava pensando para os 40% que faltava? Como posso continuar bem essa tarefa, sem que nada se perca ou fique diferente da ideia original? O que eu posso acrescentar a esse trabalho?

Mil perguntas... Vamos lá tentar respondê-las.

Até aqui, já vimos como você pode criar as bases do seu mundo, começar a delineá-lo e povoá-lo. Hoje vamos mais além. Vamos tentar aprofundar tudo o que já temos, começando a dar dimensão ao nosso mundo de fato.

Prontos? Apertem os cintos para a reta final do seu “brincar de Deus” e construir um universo que faça sentido e seja verossímil. Come on!


Quinto Dia – Explicando
Ou “Por que tudo isso está acontecendo?”

Ao chegarmos aqui, o esperado é que você já tenha as bases do seu mundo. Isso inclui não apenas a criação dele, como também os povos e as raças, a história, a geografia, as leis físico-químicas e biológicas, além de já ter decidido quanto de magia e/ou tecnologia vai utilizar.

Se você já fez o mundo com uma história em mente, tanto melhor. Já temos o onde e o quem, a essa altura. É chegada a hora de pensar nos porquês, e aqui o passado do seu mundo é o ponto-chave.

Pense nas sociedades do nosso mundo. Por que estamos como estamos? Em termos de guerras, conflitos, relações entre diferentes povos, tecnologia, linguagem, organização social, cultura, ciência... Tudo isso é resultado de um processo milenar de evolução.

Agora vamos tentar aplicar isso ao seu mundinho.

Explicando tretas - Há uma guerra ou conflito entre povos? Se sim, vamos pensar no passado, em como tudo isso começou. Como essas sociedades se relacionavam? Normalmente, já há certa animosidade antes que o barril de pólvora (às vezes literalmente) exploda. Qual foi o evento inicial? Era algo simples, que poderia ser resolvido facilmente, mas saiu do controle? Há quanto tempo eles estão nessa briga? Com quem se aliaram e por quais motivos? Quem está ganhando? E perdendo? Por quê? Como esse conflito evoluiu ao longo dos anos? Como essa guerra mudou esses povos, não apenas social, mas também fisicamente? Há locais que foram abandonados? Destruídos? Que dificuldades esses conflitos vêm causando ao longo do tempo? É um conflito com vilões e mocinhos bem definidos (como na Terra-Média) ou é algo mais como Westeros, em que as pessoas possuem interesses conflitantes e os defendem, mas ora podem ser “bonzinhos” ou “vilanescos”, dependo do ponto de vista de quem observa? Para quem seu leitor deve “torcer”?

Muitas e muitas outras perguntas poderiam ser feitas ainda, mas como eu disse antes, explicar o mundo é basicamente investigar o que aconteceu no passado para saber o que e por que algumas coisas acontecem no presente, para daí tentar prever que consequências futuras esses eventos terão (o que vai facilitar até seu processo de construir o enredo da história em si, quando essa fase de worldbuilding acabar).

Explicando evoluções sociais – Semelhante ao tópico anterior em partes, aqui tentaremos explicar como os povos e raças se tornaram o que são hoje. Por quais dificuldades eles tiveram que passar? Que tecnologias desenvolveram e por quais razões? O quanto esse povo ou raça aumentou/diminuiu ao longo dos anos? Que alianças com outros povos ou raças foram firmadas ou quebradas esse tempo todo? Que preconceitos esse povo ou raça tem? Algum deles já foi quebrado? Como? O que esse povo ou raça tem produzido em termos de cultura (como pintura, escrita, música, etc.)? Como as ações desse povo mudaram o local onde eles vivem?

Com isso pronto, fica bem mais fácil explicar quem seus povos ou raças são e como eles se diferenciam uns dos outros (essa diferenciação é algo que você precisa ter em mente e deixar claro. Não tem nada mais maçante que todo mundo parecer muito igual aos olhos de quem está lendo). E, mais importante, como eles chegaram até aqui.

Explicando avanços tecnológicos – Aqui você deve pensar em como a produção intelectual dos povos avançou no período de tempo determinado. O que foi criado em termos de tecnologia de comunicação? E na medicina? E nos transportes? Que povo criou o quê? Há tecnologias ou criações em geral de um povo que foram adotadas por outros?

Definindo a mitologia – Outra dimensão interessante para explicar seu mundo e os principais acontecimentos dele é a mitológica/religiosa. Imagino que, a essa altura, você já tenha definido se vai usar o tema ou não em seu mundo (ou se usará de forma mais sutil), então é interessante pensar se as pessoas usam a mitologia para tentar compreender, por exemplo, fatos que ainda não possuem explicação científica (como fazíamos nos primórdios da humanidade), mas essas histórias são apenas mitos ou se o deus ou deuses realmente existem e interferem no mundo. Com isso decidido, caso tenha optado por também abordar religião e mitologia em sua história, podemos passar adiante e pensar em possíveis questões para ser respondidas. Segundo a perspectiva religiosa/mitológica, como o mundo foi criado? Há apenas um deus ou vários? Qual é ou quais são eles? Se há vários deuses, como eles se relacionam entre si?Como esses relacionamentos divinos afetam as relações dos povos ou raças do mundo? Há uma religião, ou mais de uma, que seja institucionalizada (com templos ou igrejas, doutrinas e regras a seguir, rituais, etc.)? As diferenças religiosas causam conflitos entre os povos ou raças? Se sim, como e por quê?

E poderíamos seguir perguntando infinitamente aqui, e sobre muitos mais outros temas...

A ideia desse tópico é ajudar você a entender que explicar algo é basicamente voltar no tempo. Se eu fosse explicar a qualquer pessoa como me tornei escritora e beta, não poderia falar apenas do que estou fazendo nesse momento. Teria que voltar anos e anos no tempo para falar como surgiu meu interesse pela escrita e como fui me desenvolvendo nessa área até o momento, tudo o que aprendi e com quem, porque quis aprender algumas coisas e outras não, porque quis escrever sobre alguns gêneros e outros não.

O importante é você ter em mente que explicar seu mundo usando a perspectiva histórica, social e religiosa dará muito mais profundidade e o fará parecer mais crível aos olhos do seu leitor. Tomando esse cuidado, os leitores terão a sensação de que as coisas realmente passaram por todo um processo até chegar ao que são no “atualmente” que você deseja contar.

Em resumo: explicar o presente é voltar no passado. Não precisa falar tudo ainda, explicar as minúcias das coisas por agora. Apenas registre os pontos mais importantes, que de fato expliquem o que quer que deva ser explicado nesse momento.
Com isso, poderemos passar para o dia seguinte...

Sexto Dia - Detalhando
Ou “Dando vida e dimensão ao seu mundo”

O simples exercício de explicar coisas já vai ajudar você a começar a detalhar alguns aspectos do seu mundo. Quanto mais você pensar no porquê das coisas, mais informações sobre cada aspecto do seu mundo vão aparecer.

Quanto mais você pensar nos porquês, ondes, quandos e com-quens dos eventos que deseja contar (ao menos, dos principais, que influirão positiva ou negativamente na configuração do mundo), mais ele ganhará vida e detalhes, seja geográfica, histórica ou socialmente falando.

Particularmente, gosto de começar no ponto inicial, de como tudo foi criado, e a partir disso seguir em frente com a história do mundo, então essa parte para mim não é tão difícil.

Mas não se desespere.

Há formas de aprofundar tudo e fazer seu universo parecer real mesmo que você siga outro método. O que não falta na internet, tanto na do Braza quanto na gringa, é formulário e tabela para ajudar você a pensar detalhadamente em todo esse lado de sua criação. Desde perguntas específicas sobre o aspecto físico, até questionamentos sobre seus povos e raças, religião, magia, tecnologia, cultura, educação, interação entre as populações, fauna, flora e por aí vai. Alguns são mais detalhados que outros e sempre é possível você acrescentar partes se achar necessário. Use a seu critério.

Tenho dois preferidos, um em pt-br e outro na língua do Obama, caso você compreenda, que estão linkados no final do post — junto com mais sites bacanudos que podem ajudar em vários aspectos do worldbuilding.

Outra dica fundamental é você rascunhar um mapa, nem que seja bem rudimentar, do seu mundo e destacar os principais lugares onde sua história se passa (vilas, cidades, reinos, estados, países, etc.). Assim você também evita ficar perdido sobre quanto chão sua história cobre e sabe exatamente onde estão e para onde vão seus personagens. Mesmo que você não seja desenhista (eu sou péssima, só faço boneco-palito e olhe lá), é interessante ter algo nesse sentido. Aliás, justamente para quem não é desenhista há vários sites que podem fazer esse trabalho por você. Novamente, linkei um deles ao fim do post.

Um último conselho ou dica. Ou sugestão. Ou pedido. Whatever. Está mais para opinião impopular, mesmo, mas vamos lá: é totalmente liberado se inspirar em eventos reais para criar coisas para seu mundo, seja no esboço ou nesse processo de detalhamento, mas... Se for para criar culturas completamente idênticas às que já existem em nosso mundo, com os mesmos costumes, o mesmo visual, os mesmos valores, não seria mais simples pesquisar mais sobre nosso mundinho e escrever nele? O mesmo vale para raças de mundos de fantasia que você use de base.

Há sempre algo de seu que você pode criar ou acrescentar. Há sempre coisas novas que você pode fazer, basta exercitar sua imaginação. Lembre-se de que por mais que seu leitor possa não se importar com clichês, o que não falta é história de fantasia usando certos conceitos por aí. Não custa nada quebrar essas expectativas de vez em quando, aliás, é excelente até para seu crescimento literário que faça isso.

Escolha suas referências, adicione sua própria criatividade, bata no liquidificador e sirva como preferir. De qualquer forma, boa sorte nesse caminho árduo.

BÔNUS: Sétimo dia – Organizando
Ou “Achou que ia descansar, né?”

Spoiler: Descanso? Seu trabalho está só começando. Ajeite essa postura, abra esse Word e volte ao trabalho!


Agora que, pelo menos, o grosso de seu mundo já está criado, que já há pessoas, animais e plantinhas vivendo em harmonia (ou não rs) nos diferentes locais geográficos criados por você, que tal ordenar isso de uma forma lógica e simples, que não vá deixá-lo confuso procurando onde está X coisa na hora de escrever?

De minha parte, tenho TOC em organização. Estou literalmente desde o começo do mês passado organizando minha pasta de fics e alguns escritos dos últimos meses e sinto que não vou conseguir trabalhar direitinho até que tudo esteja devidamente no seu lugar. Se você também é assim, já deve estar em polvorosa pensando em como vai arrumar tudo isso de forma que fique fácil de consultar.

Calma, seus problemas acabaram (????).

Se você fez uso de algum daqueles worksheets lá em cima, já tem boa parte de seu trabalho na parte de organização pronto, a não ser que tenha respondido de forma não-linear em múltiplos arquivos.

Se for o caso, tente separar seu material em diferentes pastas. Uma para as raças, outra para as civilizações humanas, outra para história do mundo, outra para geografia, e por aí vai.

É altamente recomendado que você use imagens para se ajudar a criar as referências visuais dos ambientes (naturais e criados), das raças e etnias que compõem esse mundo, etc. Nesse caso, talvez o melhor a ser feito é separar uma pasta apenas para as imagens e subpastas para cada um desses tópicos em que você vai utilizá-las.
Também é desnecessário dizer que, para o bem de sua sanidade mental, a história em si deve estar separada desses arquivos todos, certo? Tenha duas pastas, uma para o processo de criação completo e outra para seu plot e escrita em si da história.



Ao final de todo esse processo, dependendo de como você trabalhou, espera-se que pelo menos a maior parte do mundo já esteja devidamente criada e “pronta para uso”. Daqui em diante, dependendo de seu gosto, você pode se aprofundar e detalhar mais, procurar por furos e inconsistências e trabalhar em como superar esses problemas, ou já começar a escrever mesmo.

O que importa é que você sempre pesquise e busque novas formas de criar seu mundo com o máximo de detalhes possíveis que deseja colocar, que se dedique e procure sempre dar o melhor de si em seu trabalho. É isso o que faz mundos parecerem reais.

Foi o suor no rosto de seus respectivos autores que criaram universos incríveis, como a Terra-Média, Nárnia ou Westeros, e tantos outros que eu poderia citar aqui (mas não vou poder porque esqueci). Não é um processo fácil, não é simples e certamente você vai quebrar a cabeça muitas vezes até tudo ficar como você quer/precisa (experiência própria aqui, eu poderia ser exagerada e dizer que não tenho mais cabelo pra arrancar, mas convém não mentir).

Mas, ao final, quando seus leitores se sentirem tão ansiosos para visitarem seu mundo quanto você fica interessado no mundo dos autores que admira, tudo terá valido a pena.

Até as sugestões de internação em clínicas psiquiátricas.

Boa sorte com essas histórias e espero que esta última parte do artigo tenha sido útil.

Nos vemos por aí, beijo nessas bunda :*


Links Úteis:
Mapas:

Criação de Mundos:

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Worldbuilding para Dummies, parte 2

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Por: Giulia Correia


Olá de novo! Depois de muito tempo, estou de volta com mais um artigo sobre sociedades fantásticas. (: Dessa vez, vamos falar sobre uma coisa muito interessante, mas pouco explorada: a economia.

Há muita, muita, muita coisa que eu posso falar sobre economia. Sério. É um assunto tão extenso quanto interessante. Aqui, porém, eu vou focar em alguns aspectos básicos e como eles podem ser pensados para aprofundar a sociedade que você está construindo e deixá-la mais verossímil.


A economia de um povo está intrinsecamente conectada à quantidade e qualidade de recursos que ele tem disponíveis para produzir e consumir, e a quantidade e qualidade de recursos estão, por sua vez, intrinsecamente conectadas ao tamanho e tipo de território que esse povo habita. Portanto, se estamos falando de um povo que habita montanhas (vamos ser clichês e chamá-los de anões, ok?), estamos falando de um povo cujos recursos mais importantes são, por exemplo, metais e pedras preciosas. 

E por que definir os recursos disponíveis para um povo é importante? Bem, lembra-se das suas aulas de geografia? Os recursos disponíveis são a sua matéria-prima. Com matéria-prima é possível produzir outros tipos de recursos, com mais utilidade e mais valor para as pessoas e, por consequência, que custam mais e produzem lucro. Vamos voltar aos anões. Se nos baseássemos nos recursos que eles têm disponíveis, o que conseguiríamos produzir? Armas, armaduras e talvez joias, certo? E, mais ainda, baseado nos recursos e no que eles produzem, que tipos de empregos seriam comumente encontrados? Mineradores, ferreiros, joalheiros, esse tipo de coisa, certo?

Já delineamos aspectos importantes da economia, então. Porém, não dá para parar aí. Temos que ir adiante e aprofundar nosso pensamento mais um pouco: se temos recursos e esses recursos são explorados, então quem os explora? Quero dizer, quem é que domina esses recursos e tira lucro deles? Pensemos não somente na mão de obra, mas efetivamente em quem paga essa mão de obra, se tal figura existe. Pode não existir? Pode, também. E isso é um aspecto econômico a ser pensado. Não somente isso, mas também é essencial pensar na relação entre essa mão de obra e a pessoa que domina os recursos disponíveis.

Vamos lá, quais são as opções? Vamos voltar aos anões e supor que há três grupos, cada um com uma economia diferente. O império norte, em que as minas pertencem à família imperial e onde a mão de obra são anões de famílias que servem à família imperial e destinam parte de sua produção a ela. O sul, em que as minas estão nas mãos de comerciantes ricos, que pagam impostos à família imperial baseados no lucro, onde a mão de obra recebe um salário determinado pela quantidade de trabalho prestado. E, por fim, as vilas a noroeste, onde as minas pertencem à comunidade e o lucro é dividido entre todos. Nesse momento, eu sugiro pesquisar sobre sistemas e ideologias econômicas, para ter ideias e entender como as coisas funcionam. Capitalismo, socialismo, feudalismo, liberalismo, etc.

Você não precisa, é claro, imitar nenhum deles. Pode pegar as características que quiser e misturar, desde que faça sentido. Além disso, você não precisa pesquisar a fundo nenhum desses sistemas, só conhecer como funcionam e saber como aplicar suas características na economia que você quer montar. Não sei se você notou, mas o império norte é meio feudalista, o sul é capitalista e as vilas são socialistas.

Nesse momento você tem mais ou menos uma ideia de como as relações econômicas funcionam internamente, certo? Quem é rico, quem trabalha, que tipos de recursos são produzidos, quais são os empregos mais comuns, como os ricos lidam com os pobres. Depois disso, é necessário pensar nas relações econômicas entre um país e outro. Claro, um país dificilmente será economicamente isolado de outros, e as relações econômicas são importantíssimas para enriquecer um país.

Logo, está na hora de pensar nas rotas econômicas. Vamos voltar aos anões. Eles vivem em montanhas, certo? Logo, há recursos necessários que eles não acham com facilidade mas precisam para viver. Além disso, eles têm recursos em abundância que podem ser vendidos para outras nações. Então, vamos pensar em termos de importar e exportar. Os anões importam madeira dos elfos da floresta, porque têm pouca, e exportam armas e armaduras para os humanos que estão sempre em guerra entre si.

Disso, há outras coisas para pensar. O quão importante são as relações econômicas para o país? Como que essas relações econômicas afetam o país politicamente? Não somente isso, mas como é que as rotas de comércio funcionam? Geralmente, quanto mais bem localizado é o país, melhor para fazer comércio ele é. Um país portuário, com bons barcos, é muito melhor para fazer comércio que um país montanhista, por exemplo. Chegar lá é mais fácil. Por que os outros países compram desse país em específico e não de outro país que produz a mesma coisa? Porque eles são mais baratos? De maior qualidade? Por motivos políticos?

No caso dos anões, seria impensável ficar sem exportar armas e armaduras, a economia deles quebraria. Logo, é importantíssimo que a cultura de guerra dos humanos permaneça a mesma E QUE as relações entre os dois governos seja amistosa para que o comércio flua facilmente. Além disso, estar nas montanhas é uma desvantagem econômica. Logo, se quero que o império norte seja rico, preciso de uma maneira para superar isso. Talvez as armas dele sejam as de melhor qualidade, o que faria valer a pena o preço pago por elas, ou talvez sejam o único produtor de armas (monopólio), o que faria com que os humanos não tivessem escolha. Ou, talvez, eles tenham uma tecnologia específica que permite que a mercadoria passe facilmente por dentro das montanhas até a fronteira com um dos reinos humanos. Tudo depende da criatividade e do perfil da nação.

Uma vez que você já tem tudo isso, vai perceber que a economia da sociedade que você está tentando construir já tem uma base sólida. A partir daí, é só ir pensando nos detalhes que ainda não foram pensados, se necessários. Você não precisa de nada muito detalhado, a não ser que a economia seja uma parte muito importante da história que você quer contar.


Agora, pra finalizar, um resumão dos pontos chaves a se pensar quando se está construindo a economia, que podem ter ficado perdidos no meio do texto:

  • Quais são os principais recursos do país?
  • O que o país costuma produzir?
  • Quais são os empregos mais comuns?
  • Quem é dono dos recursos?
  • Quem é a mão de obra que os explora?
  • Como é a relação entre essas “classes”?
  • Quais são as relações econômicas do país?
  • O quão importante elas são?
  • Como que o território afeta essas relações econômicas? E a política?
  • Por que essas relações econômicas existem?
Até a próxima!

Referências:
Principalmente esse doc com perguntas sobre worldbuilding em geral: https://docs.google.com/document/d/1sVjgHmircLnwbe0zpsB-GG6yrL1PlJPJX7_ZQ2QCXe8/edit
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Worldbuilding para Dummies, parte 1

terça-feira, 5 de maio de 2015

Por: Last Rose of Summer
Perfil: http://fanfiction.com.br/u/348014/


Olá! O intuito desse artigo é ajudar você a estruturar sua própria sociedade para a sua história de fantasia, e eu resolvi escrevê-lo principalmente porque considero a maioria das postagens do gênero, em português, um pouco superficiais. Resolvi dividir o post em várias partes, onde cada uma delas fala sobre um aspecto diferente da sociedade. A parte 1, essa aqui, fala sobre o sistema de governo. Nós ainda falaremos, em outras partes, sobre sistema econômico, território, cultura, religião e povo. 

Bem, não há uma ordem certa para começar a estruturar a sua sociedade, você pode começar pela que preferir. Escolha a que melhor funciona com você, a sua preferida ou mesmo a que você tem mais desenvolvida na sua mente. Começar pelo governo foi uma escolha pessoal, e a sua pode ser diferente.

É importante destacar que, antes de começar a estruturar sua sociedade, você precisa ter conhecimentos básicos de geografia e dos conceitos com os quais vai trabalhar. Logo, ao tentar criar seu próprio sistema de governo, precisa saber o que governo realmente significa. Antes de começarmos de verdade, então, vou colocar o conceito de governo aqui para vocês: “autoridade governante de uma unidade política, que tem o objetivo de regrar uma sociedade política e exercer autoridade.”

Um monte de palavras bonitas, certo? Mas ‘pera que eu vou explicar o que isso significa. Autoridade governante de uma unidade política quer dizer que há alguém (uma pessoa ou um conjunto de pessoas) responsável por administrar um pedaço de terra. Mas não é um pedaço de terra qualquer, é uma vila, uma tribo, uma cidade, um distrito, um estado, um país. Aqui no Brasil, os responsáveis por isso são os prefeitos, os governadores e a presidenta. 

Que tem o objetivo de regrar uma sociedade política quer dizer que há alguém (novamente, uma pessoa ou um conjunto de pessoas) responsável por criar as regras que as pessoas que habitam o pedaço de terra precisam seguir. Não são regras quaisquer, são regras de convivência gerais. Podem ser leis, podem ser mandamentos. Aqui no Brasil, os responsáveis por isso são os vereadores, os deputados e os senadores.

Já exercer autoridade significa que há alguém (pessoa ou conjunto de pessoas) responsável por garantir que as pessoas que habitam o pedaço de terra sigam as regras que precisam seguir. São responsáveis por julgar e punir aqueles que infringem essas regras, e não necessariamente precisam fazer isso bem ou de maneira justa. Aqui no Brasil, os responsáveis por isso são as forças policiais e os juízes.



Para começar a organizar o sistema de governo, então, você precisa pensar nos três aspectos acima e de que maneira eles agem na sociedade que você planeja criar. Aqui no Brasil, eles são separados nos três poderes — executivo, legislativo, judiciário — mas na sua sociedade não precisa ser dessa forma. Você pode misturar o executivo com o legislativo, fazer com que a mesma pessoa exerça todos os três poderes ou mesmo colocar algum outro poder na equação — no Brasil, por exemplo, houve uma época em que havia o poder moderador, exercido pelo imperador, que dava a ele o poder de anular qualquer decisão tomada por um dos outros poderes.

Além disso, não é só de poderes que vive um governo. No Brasil, há um órgão público chamado Ministério Público, responsável por, entre outras coisas, promover a acusação na maior parte das ações penais, defender indivíduos vulneráveis, como crianças e idosos, e representar os interesses da sociedade em processos que envolvam, por exemplo, o direito do consumidor ou casos ambientais. Ele não é um quarto poder, nem faz parte, diretamente, dos três já citados, mas é responsável por auxiliar na organização da sociedade. Pode ser que haja, na sua história, a necessidade de se criar órgãos semelhantes (ou mesmo com funções completamente diferentes!). Minha sugestão é: pesquise sobre outros ministérios e órgãos públicos existentes, no Brasil ou em outros países, para que você possa ter uma ideia geral de como funcionam e nos quais pode se basear. 



Nesse momento, nomes não são importantes, nem classificações. O mais importante é que você tenha um rascunho em mente de como as coisas funcionam. Isso significa ser capaz de responder, pelo menos, à pergunta “quem possui o poder político.” É uma única pessoa ou um grupo de pessoas? Que tipo de pessoa(s) é (são) essa(s)? Um presidente, um primeiro-ministro, um partido político, um imperador, o próprio povo? De que maneira alguém pode chegar ao poder? Votação? Merecimento? Hereditariedade? Quem pode chegar ao poder? Militares? Pessoas de uma família específica? Pessoas de uma determinada casta?

Dessa forma, uma resposta possível para “quem possui o poder político” poderia ser “um presidente que chegou ao poder por meio da votação de um parlamento — equivalente ao nosso legislativo — e só pôde alcançar o poder porque era cidadão e possuía uma carreira militar”, ou talvez um “imperador que só pôde chegar ao poder porque era o filho mais velho do imperador que morreu” ou mesmo “um conselho que chegou ao poder por eleição do povo”. Entende? 

Dependendo da sua resposta, outros desenvolvimentos são necessários. Se a pessoa que governa chegou lá por meio de votação, você precisa saber quem pode votar. Qualquer cidadão? Cidadãos que possuem uma determinada característica (pertencem à casta x, recebem y por mês, têm nível z de escolaridade)? Um grupo de pessoas? Há votos que valem mais que outros? De que maneira é feita essa eleição? Há fases nessas eleições? E se houver empate, como faz? Já se chegou por meio de merecimento, precisa saber o que fez com que essa pessoa merecesse o cargo. Quem julga se merece ou não? Quem “pode merecer”? Somente homens? Somente mulheres? Somente intelectuais? Somente militares? Já se é por hereditariedade, quem pode herdar? O filho mais velho (independente do gênero)? Somente filhos homens? E se sim, o que acontece se uma pessoa não possui filhos homens?

O ideal é que você tente pensar nas possibilidades e nos aspectos mais profundos da maneira como o poder político funciona na sua sociedade. Se você dividiu os poderes, vai precisar pensar neles separadamente. Se possui um presidente no poder executivo e um parlamento no poder legislativo, pode fazer com que eles cheguem ao poder de maneira diferente. O povo pode votar no parlamento que, por sua vez, escolhe o presidente. Ou o povo vota no presidente, que escolhe o parlamento. Ou, se há um rei, ele escolhe o parlamento. Ou o parlamento é escolhido pelo povo, mas há um rei que é definido por hereditariedade. As possibilidades são infinitas e tudo depende da sua criatividade e da necessidade da sua história.



Para conseguir aprofundar ainda mais a maneira como o seu governo funciona, agora é a hora de pesquisar. Claro, sempre é hora de pesquisar, mas se você já sabe mais ou menos o que quer, você sempre vai ter um lugar para ir. Nesse momento eu sugiro pesquisar sobre os tipos de governo, ver com qual deles o seu governo se encaixa e pesquisar mais profundamente sobre eles. Você pode, também, pesquisar sobre a maneira como algumas nações da antiguidade funcionavam e tentar basear-se nelas. Se é uma nação militarista, Esparta pode ser uma boa ideia, ou a Alemanha nazista, ou a França napoleônica. Se for uma nação democrática, pode ser legal se basear em Atenas, ou talvez nos Estados Unidos, na época de sua fundação. Se for um império poderoso, dá para se basear no Império Romano ou no Império Britânico, por exemplo.

Pesquisar e ver como as coisas funcionam sempre ajuda na hora de construir o seu mundo. Claro, a não ser que você vá fazer uma história cheia de intrigas políticas, ou cujo protagonista é político, ou cuja política seja uma parte muito importante, talvez não seja necessário desenvolvê-la em detalhes, e pode ser muito mais simples usar um governo que já existe/existiu e modificar alguns detalhes, a criá-lo do zero e levantar suas bases. O que vai definir, no entanto, o melhor a fazer, é a necessidade da sua história, e isso só você pode descobrir.


Material utilizado e links úteis para pesquisa:
Grande parte do conhecimento que eu possuo (e que, por consequência, foi colocado no texto) veio das minhas aulas de história, geografia, sociologia e filosofia.
Também rolou a ajuda de uma pessoa linda chamada Sarah Hardt, e do povo com quem eu falo da Liga dos Betas do Nyah! Fanfiction.
Sobre o conceito de governo: http://www.significados.com.br/governo/
E esse doc super útil com perguntas sobre worldbuilding, traduzido por mim: https://docs.google.com/document/d/1sVjgHmircLnwbe0zpsB-GG6yrL1PlJPJX7_ZQ2QCXe8/edit



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