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Resenha: Trilogia O Príncipe Cruel

domingo, 21 de fevereiro de 2021

 

Por: Fuyu

 

As resenhas compõem o gênero mais tradicional de artigos no Blog da Liga dos Betas, sempre feitas por betas da Liga ou convidados especiais. Agradecemos a beta Fuyu pela resenha desta semana!

 

Certo, vamos falar sobre isso. *tensão*

Olá, pessoal! Tudo bem com vocês? Eu sou a Hannah e bem-vindos para mais um textinho aqui no blog da liga! Sim, falei meu bordão do Recanto, estou nem aí. Hahahaha!

Eu trouxe hoje uma resenha de uma trilogia. Ou seja, teremos uma resenha em dose tripla! E, o mais estranho: não tenho uma opinião formada sobre esses livros ainda, então estou precisando pensar e escrever um pouco sobre o assunto. A trilogia que iremos falar hoje é “O Povo do Ar”, mais conhecida como trilogia “O Príncipe Cruel”.

Há MUITAS opiniões diferentes sobre esse livro. Pessoas gostaram, pessoas amaram e pessoas odiaram. Eu, basicamente, nem sei onde me encaixo e espero descobrir hoje com vocês. Devo dizer que devorei esses livros e cada um foi bem rapidinho de ler, mas os dois primeiros perderam para o último no qual eu li em umas seis ou cinco horas (socorrinho). Foram três livros bem gostosinhos de ler e o plot twist no final do segundo foi simplesmente imperdível. Para situar vocês, a ordem é: O Príncipe Cruel, O Rei Perverso e A Rainha do Nada.

Vamos começar? Yay!

Sinopse do primeiro livro: Jude tinha 7 anos quando seus pais foram assassinados e foi forçada a viver no Reino das Fadas. Dez anos depois, tudo o que ela quer é ser como eles — lindos e imortais — e realmente pertencer ao Reino das Fadas, apesar de sua mortalidade. Mas muitos do povo das Fadas desprezam os humanos. Especialmente o Príncipe Cardan, o filho mais jovem, mais bonito e mais cruel do Grande Rei. Para ganhar um lugar na Alta Corte, ela deve desafiá-lo... e enfrentar as consequências. Envolvida em intrigas e traições do palácio, Jude descobre sua própria capacidade para truques e derramamento de sangue. Mas, com a ameaça de uma guerra civil e o Reino das Fadas por um fio, Jude precisará arriscar sua vida em uma perigosa aliança para salvar suas irmãs, e o próprio Reino. Com personagens únicos, reviravoltas inesperadas, e uma traição de tirar o fôlego, este livro vai deixar o leitor querendo mergulhar de cabeça na continuação deste universo.

“O Príncipe Cruel” nos envia ao mundo das fadas. Nele, conhecemos nossa protagonista, sua ânsia em ser reconhecida em um mundo que deseja ser seu, mas reconhece que não é, e conhecemos o início das intrigas políticas e das problemáticas que acompanharão a protagonista até o final de sua trajetória.

O primeiro livro me fez conhecer o que as pessoas chamavam de “feéricos” e o quanto eles conseguem ser cativantes. Porém, também me mostrou o quanto conseguem ser cruéis e vis, com fome pela desordem, pelo caos e pelo barulho desenfreado da calamidade. Jude, a nossa protagonista, é uma menina-mulher bem determinada e que está incrivelmente (e um pouco “estranhamente”) disposta a fazer tudo que for necessário para demonstrar e comprovar o seu valor numa terra estranha que se tornara a sua casa. No entanto, o que me desmotivou no primeiro livro foi a percepção e a impressão de que nossa protagonista, na verdade, estava muito perdida. E não apenas perdida: completamente desesperada. É claro que ela sofreu demais com a baixa autoestima e com bullying, mas acredito que não fazia muito sentido o tamanho de seu desespero. Por causa dele, ela cometeu atos catastróficos para sua personalidade e a sua empatia por outros seres que convivem com ela. E o pior de tudo: não teve um motivo completamente aparente.

Neste mesmo livro conhecemos melhor o tal “príncipe cruel” que seria Cardan, ou o meu personagem favorito! Cardan é um personagem cheio de camadas e não entendemos muito bem isso na primeira metade do livro. Na verdade, nada de sua personalidade floreada nos é apresentada em todos os livros.  A minha impressão foi que a autora queria fazer um personagem profundo e o que conseguiu foi um personagem bem confuso. Entretanto, isso não tira o carisma do personagem. E o fato é que sabemos de suas camadas mesmo elas não tendo sido apresentadas.

Além disso, as intrigas políticas são bem interessantes e há um golpe, mas não falarei muito sobre isso, hehe.

O Rei Perverso:

Ah, O Rei Perverso... um livrinho bem parado. A grande revelação dele é, na verdade, o final. E por ele vale muito a pena ler. De resto, o livro é bem quieto. Há alguns problemas bem interessantes acontecendo, mas nada extremamente animador, e os personagens em si não trazem muita revelação (tirando o final).

Jude está mais “pensativa” nesse livro. Ela deve usar muito a sua cabeça em seus deveres e por isso temos uma profunda adentrada em sua mente e como ela se relaciona com as pessoas ao seu redor, em especial Cardan que está mais radiante do que nunca em sua nova posição. Nossa protagonista como sempre, sofre nas mãos dos feéricos, mas não se dá por vencida e a sua determinação é muito gratificante de ler. Jude é o tipo de personagem que pode ser uma inspiração se for manuseada com um pouquinho de destreza. Eu ainda acho que sua sinceridade continua sendo meio deturpada e suas ambições um pouco confusas, mas tirando isso, acho uma protagonista bem adequada para o tipo de livro.

E O CARDAN? Ah, ele está exalando poder. Cardan continuou pouco aproveitado e apareceu pouco no livro. Levando em consideração que ele deveria ser um dos protagonistas, sua aparição foi bem medíocre. Porém, nos momentos em que ele aparece, conseguimos ver que precisa se acostumar com sua nova posição e geralmente não sabe muito bem como agir. Isso muda ao longo da leitura, o que é bem animador.

A trama desse livro é um pouco mais parada em relação ao primeiro, mas ele entrega o que geralmente livros “do meio” são capazes e esperados: uma linha para o último livro, e isso ele faz muito bem. E novamente, que final meus amigos!

A Rainha do Nada:

Será a primeira vez que eu falarei sobre “A Rainha do Nada” e estou bem intrigada!

A Rainha do Nada começa leve. Vemos a Jude em sua nova posição (bem inferior) e sua nova rotina. Nada muito interessante. Até que as coisas emendam e ela vai para o lugar de onde nunca deveria ter saído. Não falo mais nada!

Sendo bem sincera, eu gostei de “A Rainha do Nada”. Foi uma leitura rápida e prazerosa. E simplesmente não consegui parar de ler. Jude e Cardan estavam mais sintonizados nesse livro, Cardan apareceu bem mais, e muitas coisas loucas apareceram no final (se você leu, você sabe do que eu estou falando). Além disso, FINALMENTE o romance deu início e foi resolvido para o nosso alívio.

Nossa protagonista foi feroz nesse livro de uma maneira diferente. Ela foi perspicaz. Foi segura de si. E confiou mais naqueles que ela percebeu que podia confiar. Finalmente vemos o final de Jude dando forma e eu acho que foi um bom final. Entendi melhor as escolhas da protagonista e vi seu lado com um pouco mais de empatia. Ainda acho ela um pouco perdida e insegura, longe de encontrar o que realmente quer, mas acredito que o que ela encontrou foi o suficiente para ela e para os leitores.

Cardan me surpreendeu muito nesse livro. Ele foi inteligente. Ousado. E foi humilde em suas atitudes, além de conseguir ter uma posição diante dos outros e da Jude de uma forma nova, mas coerente e nem um pouco longe de sua personalidade. Apenas aprimorado. E isso foi incrível.

A resolução da política e dos perrengues que os personagens passaram foi bem leve. Alguns problemas foram resolvidos muito rapidamente e de forma bem “tranquila”. O livro não nos traz uma guerra, como eu esperava. E não traz muitas intrigas, como eu esperava. Tudo é bastante linear. E a história, em si, é bem fácil de ser lida e entendida.

Basicamente, pensando junto com vocês, eu gostei de ler essa história. Gostei da maioria dos personagens, gostei do espaço em que a história se passa e gostei das intrigas. Entretanto, para mim, não é uma história particularmente memorável. Muitas coisas podem ser melhoradas (como em qualquer outra história), mas acredito que muitos erros da autora são por falta de prática. O desenvolvimento dos personagens, suas ambições, as intrigas, o nível da trama, a ambientação... tudo pode ser aperfeiçoado. E eu acho que se for, poucas coisas poderiam superar uma história tão gostosa como essa. 3,5 estrelas para toda a trama!

Bem, é isso. Espero que tenham gostado! Leiam esses livros para conversarmos porque será demais! É isso! Beijinhos.

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Novel Mo Dai Zu Shi (série The Untamed) – Diferenças Entre as Versões

domingo, 20 de dezembro de 2020

 Por: Lady Lovegood

Olá, pequenos gafanhotos, como estão? Eu espero de coração que todos vocês estejam felizes, saudáveis e hidratados!

Então, sem mais delongas: hoje vou trazer para vocês uma “resenha” de uma novel chinesa que me conquistou muito nos últimos meses! Ela é literalmente tudo em que posso pensar depois que a li e vi a série! E essa, senhoras e senhores, é MDZS — Mo Dai Zu Shi!

Eu já fiz uma resenha aqui bem completinha (na medida do possível) sobre essa história, na verdade, mas nela eu abordei a trama seguindo o que existe na série, que, apesar de muito fiel à obra original, que é a novel, ainda diverge em algumas coisas.

Eu considero que seria muito prolixo simplesmente repetir tudo o que eu já disse na outra resenha, — a qual vou deixar o link aqui embaixo —, dessa forma eu vou tentar me ater nas coisas que existem na novel e não existem na versão cinematográfica — ou mesmo coisas que existem em The Untamed, mas que nunca existiram de fato na obra “original”. E também alguns fatos aleatórios e curiosidades!

 

Link da resenha de The Untamed:

https://ligadosbetas.blogspot.com/2020/12/resenha-untamed-serie-mo-dai-zu-shi.html

 

O Universo de MDZS

O universo de MDZS com certeza é bem mais explicado e completo no romance. E isso se estende desde interações entre personagens até a própria construção de mundo. Vamos aos exemplos, para facilitar.

Uma coisa que eu não tinha percebido, ao apenas assistir The Untamed, era o quão importante e significativo era a questão do nome das pessoas nesse universo. Nele, as pessoas têm um nome de nascimento e um nome de “cortesia”; sendo o nome de nascimento oferecido àqueles mais próximos da pessoa, amigos, parentes, pessoas com mais intimidade, e o nome de cortesia a desconhecidos, colegas, pessoas não muito próximas.

Por exemplo, Lan Zhan é o nome de nascimento do nosso querido Segundo Jovem Mestre Lan, e Lan WangJi é seu nome de cortesia. E, sabendo disso, algo que na série nós acabamos não dando o valor devido, é o fato do Wuxian, desde o começo, chamar o WangJi por seu nome de nascimento, demonstrando uma intimidade que não condizia com a situação — visto que eles eram colegas de classe que tinham acabado de se conhecer.

Aliás, se prestado bem atenção, esse é um dos motivos pelos quais o Lan Zhan fica “bravo” em uma das suas primeiras interações.

Mas, bem... também vamos lembrar que o Lan Zhan retribuiu o favor e chama o Wuxian por seu nome de nascimento, “Wei Ying”.

(Levante a mão se você também escutou a voz do Wang Yibo pronunciando “Wei Ying” \o/)

 

Outra coisa que também fica um pouco confuso e mal explicado na série é como, de fato, as pessoas se tornam cultivadores. O processo não é muito bem explicado, como na novel, e nem dá detalhes, por exemplo, de como exatamente o método de cultivo do Wuxian, o cultivo demoníaco, funciona.

Eu não vou explicar aqui porque talvez esse seja um spoiler, para você que ainda não leu.

Em The Untamed, também, apesar de com o passar do tempo você começar a entender o conceito de Seita e quais são as principais, também não explica muito bem como funciona cada uma. Na novel você entende que nas seitas existe sempre uma família principal, o clã, que são os responsáveis por liderar toda a seita, e que as principais seitas são:

- Seita Jin, que fica em Lanling (LanlingJin)

 - Seita Lan, que fica em Gusu (GusuLan)

- Seita Jiang, que fica em Yunmeng (YunmengJiang)

- Seita Nie, que fica em Qinghe (QingheNie)

- Seita Wen, que fica em Qishan (QishanWen)

 

E elas ainda tem, digamos, suas “capitais”, que são onde de fato residem dentro dessas regiões. Respectivamente, esses lugares são:

- A Torre da Carpa

- O Recesso das Nuvens

- O Píer Lotús

- O Reino Impuro

 - A Cidade Sem Noite

 

E cada uma dessas seitas tem suas peculiaridades, cultura e técnicas próprias de cultivo.

No geral, é muito interessante ler sobre como os personagens são diferentes de acordo com a Seita da qual vieram, e vemos muito em MDZS esse choque cultural, principalmente entre os dois personagens principais: Wei Wuxian e Lan WangJi.

 

Os Personagens

A coisa que mais me chocou depois de ler a novel foi com certeza perceber que a série dá muito destaque para personagens que quase não aparecem no romance. Personagens queridos como Jiang YanLi e Wen Qing têm de fato poucas cenas, essa primeira menos ainda que a última.

É inegável ainda a importância de Wen Qing para a história, mas ela, ao contrário do que a série mostra, não é inserida logo no começo da história, mas sim apenas mais tarde, já quase no estopim da guerra entre a Seita Wen e as outras Seitas. Na série, ela foi, ao meu ver, desnecessariamente inserida em situações onde ela nunca esteve presente. Aliás, ela e seu irmão Wen Ning.

A nossa amada Jiang Yanli, também, que aparece já nos primeiros episódios indo com seus irmãos, Jiang Cheng e Wei Wuxian, estudar em GusuLan, no Recesso das Nuvens, na verdade não vai com eles na novel, aparecendo apenas bem mais tarde na história, e tendo pouca participação ativa, apesar de ainda ser uma figura importante na história.

Outra coisa que deixou a história da série bem confusa, também, foi o fato de terem escolhido apenas um ator para interpretar o Wei Wuxian, tanto antes de sua morte como depois, quando ele ressuscita. Isso nos fez esquecer um pouco de um personagem importante, que apesar de nunca ter aparecido de fato, foi imprescindível para o encaminhar da história: Mo Xuanyu, que foi quem cedeu seu corpo, em troca de sua própria alma, para o espírito de Wei Wuxian.

Wei Wuxian, depois de voltar a vida, de fato tem a aparência de Mo Xuanyu, não mais a sua antiga, e isso fica muito explícito no romance, inclusive tendo uma cena dele mesmo descrevendo como ele se parece agora, no corpo do Xuanyu. E isso é muito mais válido para explicar o porquê das pessoas não o reconhecerem, a princípio, como Wuxian. Uma explicação muito melhor que a máscara que usaram como desculpa na série.

 

Linha do Tempo

Eu prefiro, indiscutivelmente, o sistema de linha do tempo da novel, pois, diferente da série, que nos quase trinta episódios sequenciais de flashback, a novel intercala os flashbacks de acordo com os acontecimentos do presente — o presente sendo a partir da ressurreição de Wuxian.

Essa forma é com certeza menos enfadonha e cansativa, e deu mais destaque aos eventos do presente que, ao meu ver, eram o que realmente importavam. A série passou muito tempo revendo coisas passadas, inclusive inventando coisas que nem existiam, e gastou uma quantidade de episódios menores no presente, cortando inclusive algumas cenas muito interessantes que poderiam ter sido incluídas.

O que salvou a série foi o fato da história ser, indiscutivelmente, incrível, sendo no passado ou presente.

 

Ah, sim, um fato importante também!

Em The Untamed, todos os acontecimentos, desde as aulas nos recessos das nuvens, atravessando a guerra com os Wen e até a morte do Wuxian, se passam em um período de três anos, enquanto na novel se passa bem mais tempo que isso.

É por isso que na sinopse da série fala de rever eventos de “16 anos atrás”, pois o Wuxian passou 13 anos morto, e com os três em que se passa desde o começo da história, dá a soma de 16 anos.

Mas não é bem assim.

O que dá a entender é que o Wuxian tinha em torno de 14/15 anos quando foi estudar no Recesso das Nuvens pela primeira vez, e algo em torno de 22 anos quando morre, o que nos daria um lapso de tempo de 7/8 anos, mais os trezes em que ele permaneceu morto.

Mas não se atentem muito a isso, pois, como eu disse na resenha de The Untamed, a própria autora, na novel mesmo, deu algumas mancadas em relação a contagem de tempo. O personagem Jin Ling, por exemplo, tinha algo em torno de quatro meses quando o Wuxian morreu e, trezes anos depois, quando Wuxian o encontra depois de ressuscitar, ele declara em alto e bom som que tem 15 anos.

Alguém avisa esse garoto que alguém está roubando seus preciosos anos de vida hahahahahaha

 

A Trama

A forma como a história é desenvolvida é com certeza bem diferente na novel.

Em primeiro lugar, não existe o “ferro yin”, que é o objeto de grande poder que parece instigar toda a guerra com o clã Wen na série. Na novel, vamos entender que a ganancia e sede de poder foi o que realmente levou o clã Wen a levantar guerra com o mundo do cultivo.

Aliás, a narração da novel é dividida em arcos e, apesar de ainda muito importante, nos primeiros arcos de flashback, que narram o Wuxian no Recesso das Nuvens, pouco vemos a presença do clã Wen ser mencionada. Diferente da série, os discípulos Wen nem comparecem às aulas, o que explica porque Wen Qing e Wen Ning não aparecem tanto no romance como na adaptação cinematográfica.

Em decorrência da censura e do tempo curto, que não poderia de fato abarcar toda a narrativa da novel, também tivemos muitas cenas importantes cortadas e coisas que ficaram sem explicação ou não foram dadas a importância que mereciam.

Uma dessas coisas é a cena rápida que apresenta o juramento feito entre Lan Xichen, Nie MingJue e Jin GuangYao, que os tornaram irmãos jurados. Ao meu ver, não ficou explícito na série o quão importante esse juramente era, e dessa forma, não ficou evidente o quanto Lan Xichen era próximo do líder do clã Nie, e quão profunda foi a traição que ele sentiu de Jin GuangYao.

Também não é explicado porque aquela prostituta, que surge mais tarde como testemunha dos crimes do nosso vilão, foi poupada, enquanto suas amigas meretrizes foram todas mortas. Na novel há toda uma cena explicando o motivo.

Na série, eles também mostram Wen Ruohan, o líder do clã Wen, tendo o título de “Cultivador Chefe”. No entanto, tal título, no romance, só foi criado após a Campanha Tiro ao Sol, depois de Wen Ruohan já estava morto.

No romance também não é dito se o posto de cultivador chefe é oferecido a alguém mais depois que o anterior morre, enquanto na série ele é oferecido a HanGuang-Jun.

 

Romance

O que mais sofreu com os cortes da série foi com certeza o romance. Toda a história de amor de Lan Zhan e Wei Ying foi quase em sua totalidade suprimida, apenas algumas cenas mais românticas aqui e ali, que, sem um contexto bem situado, poderiam se passar como momentos de companheirismo entre amigos muito próximos.

Na novel, longos capítulos e arcos são dedicados ao desenvolvimento do relacionamento deles, além de ainda estar presente no meio da história em si, conforme eles vão interagindo, crescendo e amadurecendo.

É um romance explícito, intenso e poderoso.

Eu senti, na verdade, que muito do personagem do Lan Zhan foi perdido nessa censura da série, pois, muito do que ele fez e faz é guiado pelo profundo amor que ele sempre sentiu por Wei Ying.

Na série, por exemplo, retrata a morte do Wei Wuxian após ele enfrentar o exército de cultivadores que queria matá-lo.

Na novel, não foi isso que aconteceu; ele não morreu ali.


SPOILERS, SPOILERS, MUITOS SPOILERS

(Prossiga por sua própria conta e risco)

 


Na novel, mais tarde vamos saber, pela boca de Lan Xichen, que, em meio a sua loucura e matança, Lan Zhan conseguiu resgatar Wei Ying do meio da batalha e levá-lo para outro lugar em segurança e, durante muito tempo, mesmo Wei Ying não o reconhecendo, em meio ao seu surto de loucura, ele ficou ao seu lado, doando energia espiritual e lhe transmitindo carinho e conforto.

Depois, quando seu tio, seu irmão, e anciões do clã Lan os encontraram e quiseram levar Lan Zhan de volta para Gusu, WangJi lutou contra os 33 anciões de seu clã, o que o levou a ser sentenciado a receber 33 chibatadas que o deixaram ferido por anos e a beira da morte. Ele também foi obrigado a entrar em reclusão por três anos.

Dessa forma, a morte de Wei Wuxian foi alguns meses depois, no que ficou conhecido como “cerco da colina sepultura”, e WangJi nem estava presente, pois ainda estava muito machucado. Mas, após saber da morte de seu amado, mesmo com toda a dor, ele ainda se arrastou até lá para ver por si mesmo.


FIM DO SPOILER

 

Esse e outros inúmeros gestos e sacrifícios que mais tarde vamos conhecer, nos faz perceber o quanto perdemos desse personagem tão incrível que o Lan Zhan é.

E bem, na novel, após o fim de toda a luta e a resolução de todos os mistérios, nós também ainda temos muitos capítulos exclusivos para narrar o romance deles! A sua primeira vez (e segunda, e terceira, e quarta, quinta, sexta, décima, vigésima... todo dia é todo dia), sua vida diária, mostra um pouco do que eles fazem agora, onde eles vivem e, o mais importante, podemos ver como, a cada dia que passa, eles se tornam ainda mais apaixonados um pelo outro!

E acho que é isso, gente! Eu falei e falei e sinto que nem toquei na superfície de todas as diferenças que eu poderia citar entre a série e a novel, mas eu tentei falar daquilo que mais achei relevante, que dá mais sentido à história. Se eu esqueci de algo ou disse algo errado, não hesitem em me corrigir! E perguntas também são bem aceitas ;)

Beijinhos!!!

Sra Lovegood

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Resenha: Desventuras em série (Mau Começo)

domingo, 30 de agosto de 2020

Por: Cam 

Autor: Lemony Snicket

Sinopse: Caro Leitor,

Sinto muito dizer que o livro que você tem nas mãos é bastante desagradável. Conta a infeliz história de três crianças muito sem sorte. Apesar de encantadores e inteligentes, os irmãos Baudelaire levam uma vida esmagada por aflições e infortúnios. Logo no primeiro capítulo as crianças estão na praia e recebem uma trágica notícia. A infelicidade segue os seus passos, como se eles fossem ímãs que atraíssem desgraças.

Neste pequeno volume, os três jovens têm que lidar com um repulsivo vilão dominado pela cobiça, com roupas que pinicam o corpo, um incêndio calamitoso, um plano para roubar a fortuna deles e mingau frio servido como café da manhã.

É meu triste dever pôr no papel essas histórias lamentáveis. Mas não há nada que o impeça de largar o livro imediatamente e sair para outra leitura sobre coisas alegres, se é isso que você prefere.

Respeitosamente,

Lemony Snicket

Editora: Seguinte

Páginas: 152

 

Caros leitores, sinto muito em informar-lhes que a resenha que irão ler será extremamente desagradável — não, mentira, estou brincando! Pelo menos eu espero que não seja desagradável, hahaha.

Bem, provavelmente muitos de vocês já estejam familiarizados com a trágica história dos irmãos Baudelaire por conta do filme estrelado por Jim Carrey ou pela série na Netflix, que, se não me engano, já está na sua segunda temporada, mas, caso alguém aqui nunca nem tenha ouvido falar, eis um breve resumo.

O livro conta a história de três irmãos, Violet, a mais velha, é uma inventora muito habilidosa, o que vem a calhar diversas vezes na história, Klaus é um devorador de livros e, por fim, a neném Sunny tem dentes afiadíssimos e está sempre mordendo as coisas, uma gracinha. Entretanto, em um terrível acidente, os irmãos se encontram órfãos e completamente devastados com o incêndio que ocorreu na mansão onde moravam.

Após isso, a guarda das crianças é confiada a um parente distante, o terrível Conde Olaf, que é um homem misterioso e extremamente cruel, tornando a vida dos pobres órfãos ainda pior. Já devo alertá-los que o título e a sinopse do livro não mentem quando falam de todos os maus momentos e acontecimentos da história, então devem estar pensando, vale a pena ler uma história tão triste?

Por incrível que pareça, por mais horrível que seja a vida dos pobrezinhos, a leitura dessa história é muito leve e, por vezes, bem divertida (não me chamem de sádica, por favor, vou me explicar). Isso porque o livro tem um estilo de narrar bem diferente que o usual, onde o narrador é quase como um personagem da história, embora ele não se apresente em nenhum momento, ao menos não que eu me lembre. Então esse narrador fica durante todo o livro interagindo conosco, o leitor, e eu achei uma experiência muito incomum e divertida.

Sem contar que eu amo a mensagem que o livro traz, mesmo com o quão terrível a vida dos jovens é, os irmãos estão sempre unidos, e eles encontram um no outro a força e motivação para continuar “lutando” e para seguir em frente, isso foi algo que me deixou bastante tocada em diversos momentos.

A leitura flui muito rapidamente, recomendo esse livro para qualquer um que não tenha o hábito de ler e queira começar, em poucos dias você vai perceber que está na última página e almejar mais. E há mais! Esse livro é apenas o primeiro volume de 13 livros, para ser sincera eu não fazia ideia de que havia tantos, mas foi uma ótima surpresa.

Não tive a oportunidade, ainda, de ler os restantes livros da saga, mas após ler este sei com certeza que preciso terminá-las, mesmo que me angustie ver os três amores da minha vida sofrendo, apesar de tudo o que o narrador nos diz, ainda tenho esperanças em um final feliz, eles com certeza merecem.

Enfim, espero que esta resenha tenha atiçado sua curiosidade pelo menos um pouquinho, se decidir realmente ler o livro no futuro garanto que não irá se arrepender!

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Resenha: As Intermitências da Morte

domingo, 26 de julho de 2020
Por: Rebel Princess

Saramago, José. As intermitências da morte. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

 

Senta aí, amados, que lá vem história de suspense!

Hoje a tia Rebel veio trazer para vocês um clássico, mas antes que virem a cara e digam “chatoooo”, deixa eu soltar o spoiler que a morte tira umas férias!

Isso mesmo, senhorita Morte olhou para a humanidade ingrata que tinha que atender e pensou “não sou obrigada”, então nosso querido Saramago resolveu descrever o que aconteceu depois dessa greve.

Comecemos do começo! 1º de janeiro, um ano novo e vida nova, ou melhor, eterna.

 

“No dia seguinte, ninguém morreu”

“... basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, [...] sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, uma queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada.” (Quarta capa da edição em referência)

Se você está achando que ficou tudo as mil maravilhas, com arco-íris e unicórnios pelo ar soltando glitter, aguenta aí. Genialmente, o autor nos permite acompanhar várias histórias de diferentes pessoas, de diferentes classes, com diferentes problemas, durante as “férias” da Morte, essas tais que foram notadas a partir do momento que um abençoado era atropelado e não batia as botas, ou outro cortava uma artéria vital e estava melhor do que a gente depois que come fritura com suco de pacotinho.

O fato é que primeiro a galera comemora, uns nem tanto, mas todos estão admirados, cada um à sua maneira, por essa aparente “benção” de não se perder mais os entes queridos.

Os problemas começam quando, aparentemente, a morte ajuda na manutenção de muitas partes da sociedade. Doentes hospitalizados estão atados à cama de hospital, agonizando em suas doenças, mas não conseguem ir “pro lado de lá”, os donos de funerárias estão se virando nos 30 para sobreviverem com a falta de mortes – alguns por meios ilícitos -, primeiro-ministro também está sentindo o caos logo à porta... e por que não incluirmos aí uma máphia para oferecer soluções rápidas e milagrosas para a crise?

 

Quando seria afinal devolvido “o supremo medo ao coração dos homens?” (Orelha da edição em referência)

Para descobrir, pode ir lá dar aquela bisbilhotada no livro. Não se assuste com o tamanho dos parágrafos! Quem já conhece chefe Saramago, sabe que ele adorava escrever bastante em poucos parágrafos, mas isso não é nem um pouco prejudicial, já que não são apenas descrições ou outros detalhes que acabam não sendo importantes para a trama; não, senhor! O chefe descreve o que realmente vai acontecer e vai ser pertinente, e mesmo a trama com várias histórias sendo contadas paralelamente, mas em um mesmo contexto, é um detalhe que movimenta o enredo e te faz ansiar cada vez mais pelo momento em que a grevista da história vai se manifestar.

Para muito além de um livro sobre assassinato (ou falta dele) e outras cenas ditas “horrendas”, o cenário escrito em As intermitências da morte traz questionamentos sobre muito do tido como “certo X errado”, além de problematizações da ética que são incríveis de serem lidas em um enredo de fantasia e nem por isso menos realista no que toca ao ser humano.

Saramago é um escritor português, mas não precisa torcer o nariz para o português europeu não! A versão da Companhia das Letras é ótima e, em muitos casos, você consegue adquirir outros dois títulos do mesmo autor em um combo (Ensaio sobre a Cegueira e O Evangelho segundo Jesus Cristo); também tem versões disponíveis para Kindle e na coleção de bolso da Companhia das Letras ^^

Espero que tenham gostado e sentido uma pontinha de curiosidade sobre a greve da Morte. Conta pra gente suas deduções e impressões (mesmo que já tenha lido ou não!)

See you!


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Resenha: A Metamorfose

domingo, 21 de junho de 2020


Por: Cam

Sinopse: Nessa obra, Kafka descreve o caixeiro viajante Gregor Samsa, que abandona as suas vontades e desejos para sustentar a família e pagar a dívida dos pais. Numa certa manhã, Gregor acorda metamorfoseado num inseto monstruoso.

Editora: Via Leitura

Páginas: 96

 

Oi, pessoal! Estou de volta com mais uma resenha, e dessa vez para falar de um livro que mexeu muito comigo: A Metamorfose.

Bem, sem mais delongas, o livro conta a história de um caixeiro viajante chamado Gregor Samsa, numa manhã comum de trabalho este jovem acorda e se encontra no corpo de uma barata. Nojento, não é? Só piora a partir daqui.

Já até gostaria de falar que, se você tem fobia de barata, não é uma leitura muito agradável de ser feita, inclusive nem se você não tiver medo de barata é uma leitura muito agradável.

Enfim, nós ficamos sabendo praticamente tudo sobre a vida do Gregor, principalmente seu trabalho e suas condições de vida. De cara dá pra perceber que ele tem um trabalho muito estressante, sempre viajando de cidade em cidade e mal parando em casa, além disso, ele é a única renda da família dele que consiste no pai, a mãe e uma irmã.

Também fica claro o quanto o Gregor se importa com a família, até porque uma de suas maiores angústias ao lidar com a “vida nova” no “novo corpo” é o fato de ele estar se tornando um fardo para os seus pais e sua irmã, já que mal podia se mover e tampouco voltar ao trabalho.

O enredo em si é, a primeira vista, bem simples: estamos observando a metamorfose de Gregor em um inseto completo. Porém, quando eu parei para pensar na história como um todo, vi que vai um pouco mais além que isso. Não é apenas Gregor que sofre uma metamorfose na história, sua família também.

Para começar, eles são obrigados a abandonar o conforto em que viviam e arranjar empregos, já que Gregor estava incapacitado. E você percebe, ao longo do livro, como eles se tornam pessoas completamente amargas com isso e, ao invés de serem minimamente gratas a todo o esforço que o filho havia feito para banca-los até o momento, eles o ressentem por não poder fazer nada.

Em vários momentos durante a minha leitura eu parei para pensar: será que o Gregor realmente virou uma barata ou seria isso apenas uma metáfora para depressão? De qualquer forma, a mensagem, pra mim, é a mesma. O livro tenta mostrar a forma como seres humanos conseguem descartar tão facilmente alguém quando essa pessoa torna-se “inútil”.

Assim que o Gregor não foi mais capaz de prover para sua família, estes o consideraram completamente deplorável e indigno de atenção e afeto. E quantas vezes não vemos casos como esse acontecendo na “vida real”?

Pegue como exemplo o caso dos idosos: assim que param de trabalhar ou ser útil, e começam a “dar trabalho”, são deixados de lado pela família e postos num asilo (claro que esse não é o caso de todos, mas há várias pessoas nessa situação por aí).

Vou encerrar por aqui a fim de não dar muito spoiler. Você provavelmente vai se sentir bastante desconfortável com esse livro, mas recomendo fortemente a leitura, tenho certeza que vai te fazer pensar sobre muita coisa. Inclusive, acho que o fato de nos deixar desconfortáveis é bom, pois é difícil entender alguns tipos de angústias sem vê-las de perto.


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