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Plot Twist: a arte de enganar e ainda assim cativar

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Por: Carol Ferreira (Annye)




O texto contém grandes spoilers. No entanto, eles estão marcados em branco. Para lê-los, basta selecioná-los com o mouse. Só sugiro que faça caso já tenha lido o livro/assistido ao filme.
Aqui no blog da Liga, a gente já falou várias vezes sobre clichês.
Como eu teria um trabalho enorme para fazer um compilado de textos que abordam o clichê (correndo ainda o risco de não reunir todos os links desse tema), vou deixar apenas a dica para que vocês procurem mais sobre o tema na caixinha de busca que fica logo ao lado do menu.
Mas se vocês notaram o título do texto, perceberam que hoje nós não vamos falar dos temidos clichês, e sim, de seu oposto.
“Plot twist” (plot = enredo/twist = torcido), traduzido literalmente como reviravolta, é um elemento narrativo usado para surpreender os leitores/expectadores.
A wikipedia define Plot Twist como: “[...] uma mudança radical na direção esperada ou prevista da narrativa de um romance, filme, série de televisão, quadrinho, jogo eletrônico ou outra obra narrativa. É uma prática muito usada para manter o interesse do público na obra, para normalmente surpreendê-los com uma revelação.”
Mas como eu uso o plot twist em meu texto? Só há uma maneira?”
Claro que não!
Existem vários métodos de introduzir um plot twist em uma narrativa. Por falta de didática melhor, acredito que a melhor forma de explicar as diversas formas seja enchendo esse post com inúmeros exemplos. Eles obviamente virão acompanhados de spoilers, a fim de ilustrar da melhor forma possível. 

Então peço desculpas desde já, e aviso que os spoilers estarão invisíveis (para ler o spoiler, basta selecionar o texto entre aspas com o mouse). 

1. Plot Twist ao fim da narrativa


O tipo de reviravolta que todos conhecem. Nesses casos, o grande clímax da história está justamente em um grande fato ou acontecimento. Ele determinará o fim da história, e é por meio desse grande final que conhecemos obras que ficaram eternizadas.
~Spoilers – Clube da Luta (filme de David Fincher)~
Quem já assistiu sabe que no fim da história descobrimos que o Tyler na verdade era uma projeção do próprio Jack, devido suas noites insones e problemas psicológicos.
Mas o plot twist da história se revela apenas ao fim, quando Jack passa a rever todos os acontecimentos pela sua ótica, e se vê segurando a arma que Tyler apontava para ele. Naquele momento, é tarde demais para conter o grande plano de Tyler, que acaba ocorrendo. Mas fica subentendido que o romance entre Jack e Marla foi levado a frente – isso é, se ele não foi preso e sobreviveu.”
Sendo assim, podemos dizer que a marca registrada desse tipo de elemento narrativo, quando executado da forma acima citada, é a surpresa que só afeta aquele pequeno período de tempo. Nós não veremos o que irá acontecer depois, porque o depois não importa. O choque imediato é suficiente para que qualquer dúvida se torne algo de segundo plano.
2. Plot Twist no início/meio da narrativa
Estamos acostumados a ver reviravoltas acontecerem no final, mas esse tipo de plot twist muito me interessa por sua peculiaridade. Diferentemente do que se espera, a história é narrada bem até determinado ponto e depois ainda tem que lidar com os resultados – imediatos e a longo prazo – de sua mudança.

~ SPOILERS: “A favorita” (novela de João Emanuel Carneiro)
Aqui temos duas protagonistas: Flora e Donatella. Por mais de dois meses de novela (exatamente 59 capítulos), o público foi induzido a pensar que Donatella tinha cometido um crime e estava pagando por seus pecados na cadeia. Mas no capítulo 60, eis que surge a magia do twist.
Foi na verdade Flora quem cometeu o crime, e a missão de Donatella passa a ser desmascarar a vilã e reconquistar sua filha, que acabou ficando sob a tutela de Flora enquanto Donatella esteve na cadeia..”
O mais legal nesse tipo de reviravolta, é que ainda temos mais da metade dos acontecimentos pela frente. Sendo assim, o autor praticamente desenvolve duas tramas. Além do mais, o plot twist aqui não serve para dar fim a uma sucessão de fatos, mas para desencadear uma série de novos problemas que deverão ser solucionados até o fim da jornada.
Ou seja, usar a ferramenta do plot twist no meio da história é mais para “animar” o público, dando a eles a sensação que a história não é previsível e que muita coisa ainda pode acontecer dali pra frente.

Ainda existem algumas subclasses para os twists:
a) Cronologia reversa: a história, nesses casos, começa justamente pelo seu final. Sendo assim a curiosidade é plantada no “como” a situação prosseguiu até que se chegasse a esse ponto e não no “porquê”.
Exemplo: Em “Memórias póstumas de Brás Cubas”, temos o narrador protagonista contando sua história até que chegasse a morte. Mas ele avisa o leitor logo no início que ele já estava morto.
b) Red herring (ou “distração”): usado principalmente em romances policiais, é a reviravolta que pega a todos desprevenidos, pois planta pistas falsas ou oculta informações primordiais para a solução do mistério.
Exemplo: Em “Os Outros”, vemos uma mãe desesperada com a casa cheia de fantasmas. Durante todo o filme tentamos entender de onde vêm os espíritos e o que fazer para afastá-los. Até que para surpresa geral, na verdade a Nicole Kidman, seus filhos e empregados que estavam mortos. Chocante.
c) Flashbacks: esses aqui são mais do que conhecidos. Usados por 10 em cada 11 ficwriters (e aqueles que nunca usaram, ainda vão), são a melhor forma de justificar uma personagem. Trazendo o que já sabemos de flashbacks para a mecânica do plot twist, nesses casos, apenas uma cena do passado é suficiente para mudar todo o enredo futuro.
Exemplo: Em “Titanic”, o objetivo principal do filme é achar o maldito diamante que todos achavam que tinha se perdido para sempre na imensidão azul. Claro que tudo foi esquecido a partir da primeira cena de Jack e Rose. Até que já estamos nos anos 90 e, de repente, somos transportados de volta a 1912, onde vemos Rose mexer em seu bolso e achar o diamante. Uma cena tão sutil que mudou o rumo da história (para os telespectadores, é claro, já que não faz muita diferença para aquele cara que gastou milhões procurando uma pedra para desistir quando ela finalmente foi lançada ao mar)..
d) Narrador não-confiável: Ele está narrando a história em primeira pessoa, então é a única fonte de informação do público. O choque da reviravolta aqui é salientado pelo narrador se dar muito bem/muito mal, mesmo não merecendo. Afinal de contas, ele manipulou toda história a seu favor, deixando difícil para os leitores decidirem o que realmente acham de sua índole.
Exemplo: Citando Machado de Assis novamente, temos a discussão mais acalorada por todo ensino médio. Em “Dom Casmurro”, deveríamos ler apenas uma história cotidiana de romance, que virou uma tragédia devido à “infidelidade” de Capitu. Contudo, o narrador da história é o próprio Bento, e nunca ficamos sabendo se ele estava mentindo ou não.
e) Chekhov's gun: é um princípio narrativo que diz que tudo que é colocado em uma narrativa tem um propósito. Em meio a um plot twist, o chekhov's gun pode ser qualquer elemento (desde uma personagem até um objeto), que irá ser relevante para o clímax da história.
Exemplo: No filme* “Um porto seguro” temos a personagem Jo, que se torna amiga de Erin. As duas ficam cada vez mais próximas, e Jo passa a dar várias dicas de relacionamento para que Erin perca seu medo e Alex e ela sejam felizes juntos. No fim descobrimos que Jo é a falecida esposa de Alex, que tirou férias do céu e permaneceu por ali só para ter certeza de que seu amado e filhos teriam um bom futuro.
*(não li o livro, então não posso dizer se a narrativa se repete)
f) Descoberta: A última e não menos importante subcategoria do plot twist, é a descoberta (ou anagnórise). Nesse caso, a personagem faz uma descoberta sobre si (ou de outro personagem) que muda o rumo da narrativa.
Exemplo: Em “O sexto sentido” Bruce Willis está morto. O filme inteiro. O que difere, no entanto, com o plot twist Red herring demonstrado em “Os outros”, é o fato de que a narrativa girava em torno do menino, Cole. Então a descoberta nos faz ver que o protagonista nunca foi Cole, e sim Malcolm (por protagonista, falo daquele que precisava “fechar” um ciclo). Claro, temos algumas dinâmicas Red herring (de deixar pistas soltas que indicavam a morte do psicólogo), mas o choque nesse caso é justamente a mudança súbita da natureza do protagonista.

Ótimo, agora eu tenho muitas referências. Mas como eu utilizo essas dinâmicas no meu texto?
Não existe uma fórmula mágica que faça plot twists funcionarem. O grande segredo para uma reviravolta ser bem executada, é ela ter coerência e casar com o texto.
Com isso quero dizer: não force a barra para usar um plot twist. Criar uma história mirabolante só para inserir uma ideia que cause choque no leitor não é uma boa ideia.
Além do mais, fazer de plot twists uma assinatura sua pode tornar-se, por incrível que pareça, previsível demais.
Um exemplo simples que nem chega a ser um spoiler: George R. R. Martin adora matar suas personagens. O primeiro “protagonista” que morreu causou um tremendo choque e comoção. Mas agora, mesmo ferindo sentimentos alheios, as mortes são apenas o caminho necessário para o decorrer da narrativa. Ou motivo para piada no Facebook. De qualquer forma, aquele choque que sentíamos nos primeiros livros/temporadas de Game of Thrones, agora já passou.
Temos também o diretor de cinema Shyamalan. Depois de “O sexto sentido”, vimos “Sinais” e “A vila” serem vendidos como filmes de finais surpreendentes. Mas basta perceber como ambos não geraram polêmica pelos seus finais para saber que eles talvez não tenham surpreendido tanto assim.

Conclusão
Reviravolta é um elemento que pode lançar sua narrativa para o sucesso. Tendo um bom enredo e um final surpreendente, é quase impossível a história não receber comentários positivos.
O problema é que a única forma de saber o que funciona e o que não funciona é testando.
Gostaria então, de deixar um site muito interessante, que pode ajudar muito aqueles que querem ter ideias para plot twist (seja para incorporar em suas histórias ou apenas para treinar seu poder narrativo). Estou falando do Plot Twist Generator. O site é em inglês, mas seu objetivo é dar uma frase de reviravolta para que o autor possa se inspirar e incorporar aquilo à sua história.

Espero então que toda a informação acima auxilie vocês na hora de escolher o tipo de plot twist que mais se encaixa com sua história.
Links consultados:




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Diferença entre Hentai, Lemon e Orange

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Por: Carol F. (Annye)

Se você acompanha o blog da Liga há algum tempo, deve ter visto o “Dicionário de termos e siglas do mundo das fanfics ”, caso ainda não tenha visto, fica a dica de um post que pode te ajudar bastante na hora de buscar e classificar fanfics. 
Mas nesse post vamos explicar um pouco mais sobre três termos desse dicionário: Hentai, lemon e orange (e alguns outros sinônimos dessas palavras), bem como dar algumas dicas na hora de escrever esses gêneros. 

O que têm em comum?
Hentai, lemon e orange são subgêneros de escrita que classificam uma fiction. Toda vez que você vir uma dessas três palavras, saiba que o conteúdo que você lerá contém cenas de sexo explícito e deverá acompanhar a classificação +18 (ou M).  
– Então não existem Hentais/Lemons/Oranges com a classificação +16?
Não. Fanfics que contém temas adultos e sexo implícito recebem o título de Lime. Caso a fanfic seja focada em animes, mangás e obras da cultura japonesa, pode-se usar o termo “Shounen-ai” (para casais masculinos) e “Shoujo-ai” (para casais femininos), embora esses termos estejam ligados mais a um relacionamento platônico e cenas leves de romance nas quais há alguma insinuação ao ato sexual. 
As semelhanças, contudo, acabam por aqui. Vamos às diferenças.

Hentai
Fanfics com esse tema abordam relacionamento heterossexual adulto. Provavelmente o uso dessa palavra em nosso universo teve influência direta de mangás e fanfics de animes. Contudo, hoje é utilizada em todas as categorias do Nyah! (e outros sites de fanfictions, internet a fora). 
– Espera aí, eu já vi a palavra “lemon” ser utilizada no lugar desse “hentai”. Qual o certo?
Poderia escrever um grande discurso sobre “como a língua se modifica” ou “palavras podem ter significados diferentes para diferentes grupos”, mas vou simplificar com um “depende”. 
Dentro deste texto, a única forma aceita seria hentai mesmo, pois lemon terá outro significado (como poderá ser visto logo adiante). Além disso, a disseminação da palavra “lemon” como sendo relação sexual heterossexual veio, provavelmente, porque as fanfics da categoria lemon eram muito populares e conhecidas justamente por suas cenas de sexo. 
Enfim, nesse caso não temos um padrão. Se você posta suas fanfics no Nyah!, sugiro o uso do bom e velho hentai mesmo. Mas se você posta (ou lê) fanfics em outros sites, pode ocorrer de elas serem marcadas como lemon, desde que seja usual para aquele grupo (não se esqueçam de ter bom senso, ok?).  

Lemon
Caracteriza fanfics que tenham relação homossexual adulta entre dois homens. 
– Pode ser relação homossexual entre duas mulheres?
Não.
– E entre homem e mulher?
Cai no tópico que acabamos de abordar lá no “hentai”. Até pode, mas eu recomendo que não use (principalmente no Nyah!). 
Também é importante falar que “lemon” tem alguns sinônimos: yaoi e slash.
– Tá, tia, então tem lemon, yaoi e slash. E qual eu uso?  
Confesso que nem eu mesma sabia a diferença entre essas três palavras e, minha resposta instintiva seria: qualquer uma. Mas após pesquisas, consegui uma resposta.
Yaoi é o PWP (sigla para porn without plot, que significa “sexo sem enredo”) cujo o casal central é composto por dois homens. Além disso, esse gênero é usualmente utilizado para fanfics de origem japonesa (ou seja, animes e mangás). 
Já Lemon e Slash têm significados praticamente iguais. A única diferença que eu achei é que “slash” caracteriza relacionamento amoroso, ou seja, eles obrigatoriamente são o casal principal romântico da fanfic. Lemon simplesmente significa que haverá sexo explícito entre duas personagens do mesmo sexo em grande parte da fanfic. 
No Nyah!, quando vamos classificar os gêneros, não existe a opção “slash”, deixando subentendido que Lemon é o substituto da palavra. Então, para todos os efeitos, usamos: Lemon para relacionamento adulto homossexual masculino e Yaoi para cenas de sexo homossexual masculino que não terão um enredo OU (por favor, reparem bem nesse “ou”) fanfics que sejam com um tema advindo da cultura japonesa.

Orange
É a contraparte feminina do “Lemon”. Ou seja, relação homossexual adulta entre duas mulheres. 
Fanfics com esse tema são bem menos populares que as “Lemons”, por isso, praticamente todas suas nomenclaturas tiveram como base palavras masculinas (Orange relacionado ao Lemon, Femmeslash ao Slash e Yuri ao Yaoi).
“Femmeslash” seria a contraparte feminina do “Slash”. Caracteriza relacionamento central amoroso entre duas mulheres. 
“Yuri” seria a contraparte feminina do “Yaoi”. Caracteriza obras de origem japonesa que apresentam relações sexuais entre um casal homossexual feminino. 
– Espera ai, tia! Yuri não pode ser PWP como o Yaoi?
Como já disse acima, quem sou eu para falar o que você pode e o que você não pode? Mas devo avisar que não é algo usual.
No Nyah!, também não existe o uso do termo “femmeslash”; então as nomenclaturas ficam: Orange, como sendo relacionamento adulto homossexual  feminino e Yuri, como sendo relacionamento adulto homossexual feminino (se a obra tiver influência japonesa). Simples assim. 

Dicas
Depois de elucidar vossas dúvidas sobre o tema, queria fechar esse artigo com algumas dicas que vocês podem utilizar para escrever bons Hentais/Lemons/Oranges, porém, todos precisam de dicas muito direcionadas, e eu não quero me estender ainda mais. Por isso, selecionei alguns textos já publicados no blog da Liga, que caíram como uma luva para complementar esse artigo.
Se você procura dicas para Hentai, os links abaixo podem te ajudar:

Se você procura dicas para Lemons, os links abaixo podem te ajudar:

E se você procura dicas para Orange... Bem, não temos sequer um artigo com essa finalidade. Ainda. De qualquer forma, ler os dois artigos da categoria Hentai e o primeiro da categoria Lemon pode ajudar grandemente, ainda que não sejam direcionados especificamente para esse fim. 

Concluindo
É bem compreensível que haja dúvidas na hora de classificarmos uma fanfic, principalmente porque, como já foi dito, a linguagem é dinâmica e vive em constante mudança. 
Por isso, espero que esse texto tenha esclarecido todas as questões referentes aos temas abordados. 
Caso esse artigo não tenha sido suficientemente claro, ou você discorde de alguma definição, ou então tenha algo a complementar (como um link com dicas de Orange, rs), os comentários são um espaço aberto que espera por você. 


Material consultado 
Além dos textos já linkados nesse artigo, utilizei o http://www.urbandictionary.com/ para me nortear nas definições. 


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Eu odeio os betas!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Por: Carol Ferreira*
(Liga dos Betas)


Olá, olá. A postagem de hoje não tem fins didáticos e, sim, de discorrer um pouco sobre um tema polêmico que rondou minha timeline do Facebook no último mês. O conteúdo abaixo expressa única e exclusivamente minha opinião, que provavelmente irá divergir da de outros betas. Finalizado o disclaimer, vamos ao que interessa. Sou o tipo de pessoa que adora participar de grupos de interação social. Se eu fosse uma personagem dos anos 90, com certeza seria a Marla de “Clube da luta”. Porém, como não há essas reuniões onde vivo, me contento em participar ativamente de milhares de grupos no Facebook. Nos últimos meses, entrei em uma onda de grupos de fanfics e tudo estava indo muito bem. Até que alguns amigos que fiz na Liga comentaram que certo grupo não aceitava betas como membros. Achei chato, mas não reclamei, pois se o grupo é particular, é direito de seus moderadores só aceitarem os membros que coadunem com o grupo.  


Então, semana passada estava conversando com um grupo de meninas que eu conheci por intermédio de um grupo de fanfics do Nyah!; e, em certo momento, enquanto trocávamos links de nossas fanfics, elas descobriram que eu era da Liga. Uma das meninas fez um comentário que chamou minha atenção: “Nossa, você é da Liga dos Betas? Mas você é tão legal!”. Pedi para ela me explicar essa afirmação, afinal, não entendia a ligação entre não ser legal e ser um beta. Durante as duas horas seguintes, eu tive que ouvir que meus colegas eram arrogantes, prepotentes, grosseiros, presunçosos, insira aqui outra ofensa de sua preferência... Curiosa para saber se o caso era isolado ou geral, fui conversar com mais pessoas, para saber o que elas pensavam a respeito e, quase sempre, a resposta era a mesma: arrogantes, grosseiros, dá até medo de visualizar o perfil. Uma afirmou categoricamente: “EU ODEIO OS BETAS!” (em caixa alta e com exclamação). Decidi então que precisava desmistificar esse preconceito, e fiz questão de que as meninas me contassem o que exatamente elas não gostavam nos betas. Abaixo vou listar os cinco maiores motivos de ódio errôneo direcionado aos betas.


 1) “Eu não gosto dos betas, porque eles excluíram minha fanfic.” Sinto lhe dizer meu caro jovem, mas os betas não têm esse poder grandioso de excluir ou não uma fanfic. Quem cuida dessa parte são os staffs do site, que vale a pena lembrar, só excluem fanfics que infringem alguma regra de postagem ou conduta.


 2) “Ok, quem excluiu minha fanfic foram os staffs, mas tenho certeza de que foi um beta que denunciou!” As denúncias são feitas de maneira anônima, então, não, você não pode ter absoluta certeza de que foi um beta que denunciou. Quero ressaltar também que não existe peso maior: uma denúncia feita por um usuário do Nyah! vale e será devidamente respondida, do mesmo jeito que a de um beta. E, voltando para o item acima, só são excluídas as fanfics fora das regras.


 3) “Por que os betas não aceitam betar a minha fanfic?” Temos várias hipóteses aqui, mas vamos para a principal: você está fazendo isso correto? Tem certeza? Ao fim do artigo, deixarei o link do “Guia básico para encontrar um beta”, desenvolvido pela staff (e não beta) Kori Hime. Lá está tudo escrito bem bonitinho e, se você tiver paciência para ler, verá que algo estava errado das outras vezes que você enviou a MP.Vale a pena lembrar que um beta pode negar sua fanfic,simplesmente por achar que não combina com ele (por mais que todas as especificações de sua fanfic batam com as do classificado dele).


 4) “Os betas são arrogantes demais, nunca falaram comigo, não respondem minhas MPs, nunca me convidaram para jantar…”A Liga dos Betas é composta por quase 100 membros. Agora, pense em sua sala de aula. Se com quarenta pessoas é difícil se identificar e fazer amizade com todos, imagine em um site com o tamanho do Nyah!. Gostaria também de lembrar que nós da liga realizamos betagens, além da inúmeras atividades que já temos em nossas vidas, sendo assim, não ficamos 24h por dia online, fazendo amizades site afora. Mas, particularmente, não me importo de responder pessoas que falam comigo por MP. Provavelmente a maioria dos betas também não vão comer seus dedinhos à noite se você o fizer.


 5) “Tenho muito medo dos betas. Acho que, se for falar com eles, eles irão me humilhar ou excluir minha conta ou fanfic.”Não para todas as afirmações acima. A faixa escrita “Liga dos Betas” só nos dá habilitação de betar fanfics no site. Se cometemos irregularidades, somos punidos da mesma forma que qualquer usuário do site. Ou seja, esse medo é totalmente infundado. Novamente, excluir fanfics está fora do nosso poder. Quanto à humilhação, nenhum usuário do Nyah! tem esse direito. E, se um beta o fez, você deve relatar isso aos coordenadores da Liga. Só pedimos discernimento, pois uma denúncia é algo muito sério, e só deve ser feita se realmente necessária.


 Fazendo um resumo de tudo acima, a Liga dos Betas não é um conjunto de monstros canibais que querem exterminar todos os usuários do site. Nós somos monstrinhos legais, que só desejam o bem para sua estória. E, diferente do rótulo que temos hoje, somos super sociáveis, amigáveis e, esporadicamente, podemos até ser engraçados.



Links para consulta: Guia básico para encontrar um beta - http://fanfiction.com.br/noticia/256/guia_basico_para_encontrar_um_beta/ 

*Edição feita para trocar o nome do autor. Equivocadamente pensei que fosse a Elyon, mas na verdade foi a Carol F. Desculpem-me
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Clichês: Fuja de Mary Sue

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Por: Annye (Beta reader – Liga dos Betas)


Imagine o seguinte: há uma personagem que, pasmem, tem o mesmo nome da autora da fanfic. Além do nome, elas também dividem as mesmas características físicas, porém, com uma beleza/habilidade maximizada. Essa personagem está inserida no universo de seus personagens favoritos (ou em um universo criado pela autora), e torna-se peça chave para concluir o objetivo principal da história. Dentre as habilidades mais comuns da Srta. Mary Sue estão: magia ilimitada, ser filha de um deus e receber bênçãos sem fim, jogar arco e flecha e nunca errar o alvo, adquirir superpoderes sem mais nem menos, vencer um exército gigantesco usando apenas uma faca de cozinha e claro, assoviar e chupar cana ao mesmo tempo.

O exemplo acima pode parecer absurdo, entretanto, personagens assim são escritos por muitos autores, de forma que eles nem percebem. Antes das conclusões, iremos explorar mais o universo perfeitamente clichê de onde saem as Sues.


O que é Mary Sue?

A definição que mais se acha sites a fora é: “uma personagem tão perfeita que irrita”. Em melhores palavras, Mary Sue é nomenclatura atribuída por ficwritters a personagens principais que se destacam por sua extrema perfeição. Por perfeição é claro, temos a interpretação pessoal de cada autor, mas algumas generalidades sempre estão lá: uma menina muito bonita, inteligente, super simpática, que atraí as pessoas a sua volta e que com certeza será de extrema importância para o que estiver para acontecer na estória. O masculino da personagem chama-se Gary/Martin Stu. Nesse texto falarei mais no feminino, citando Mary, entretanto, absolutamente tudo se aplica igualmente a Gary Stus.



Quais são as características de uma Mary Sue/Gary Stu?



Como dito acima, o conceito que define essas personagens é a “perfeição”, e isso pode ser demonstrado de diversas formas, dependendo do autor e do fandom a que a estória pertence (sendo também diferente em fics originais). Ainda assim, vamos listar as características mais genéricas:


- Tem o mesmo nome ou características físicas do autor da fic; 
- Possui forças superiores que a deixa em vantagem para alcançar o objetivo principal da estória;
- Possui um passado ou uma linhagem desconhecida, que quando revelada, muda a vida não só da personagem, mas de todos que a cercam (de preferência, o local em que se passa a estória);
- Tem um nome pretensioso e cheio de referências – como Vitória, Milagre, Salvador, etc.; 
- O defeito da personagem acaba sendo uma característica positiva, por exemplo, beleza, inteligência ou carisma excessivo;
- O antagonista não luta por uma causa, e, sim, para destruir a personagem, motivado por ciúme.




Tipos de Mary Sues


Além das características gerais, temos arquétipos próprios para definir Sues:


- Mary-Sue Clássica: basicamente o arquétipo de mulher frágil, doce e delicada, que necessita desesperadamente de seu príncipe encantado para protegê-la. Costuma atrair todo núcleo masculino, apesar dela mesma não se considerar bonita. O enredo gira em torno dela e seus conflitos amorosos, geralmente, e se houver uma batalha, provavelmente ela não lutará (pois há quem o faça). 

- Warrior-Sue: essas personagens costumam ter um passado trágico, quase sempre eram filhas de reis/chefes de estado que foram depostos, e agora, tem de travar uma guerra para recuperar seu reino e restabelecer a ordem no local. Ah, claro, elas tem um grande distanciamento emocional, mas apesar disso, acabam achando seus próprios príncipes encantados. Importante ressaltar que no fim tudo dá certo, e apesar da impossibilidade, ela consegue atingir seu objetivo, sem perdas significativas. 

- Mage-Sue: ela pode ser uma bruxa, uma maga, uma deusa, uma louca, uma feiticeira... Enfim, ela tem poderes superiores, que irão garantir seu triunfo dentro do enredo. Algumas vezes, elas já sabem que possuí esses poderes, noutras o objetivo é justamente descobrir como ela os adquiriu. Porém todas as fics com esse tipo de Sue terá obrigatoriamente uma cena de treinamento de poderes. 

- Punk-Sue: bem comum nas fics atuais, essa personagem é a típica revoltada, protestadora, que não segue modinhas. Outro adjetivo bem utilizado para expressá-la é “não conformada” (com a vida, em geral). Costuma ser representada por uma menina de quinze anos, que já se considera madura suficiente (apesar de ainda estar no ensino médio e na casa dos pais) para mudar o mundo. Fisicamente, ela usará roupas “despojadas”, pois ela não se importa com moda, e provavelmente terá o cabelo de mais de uma cor, querendo mostrar seu estilo transgressor. Como uma boa Sue, no fim ela atinge seus objetivos, e de quebra, acha um garoto que aceita seu estilo, e vive feliz para sempre. 

- Misfit-Sue: ela é inteligente, porém desajustada socialmente. Uma nerd. Diferente das outras Sues, a estória não começa com ela absolutamente linda, entretanto, ela irá passar por um “makeover”, mostrando que ela já era linda e só precisava colocar isso para fora. Ah, ela vira um imã de homens. Importante dizer que esse tipo enquadra-se melhor ainda para Gary Stus. 



E qual o problema em escrever uma Mary Sue?



Perceberam acima, que pelo tipo de Mary Sue vocês já conseguem imaginar toda a estória em torno dela? Esse é o problema.

Em uma narrativa personagens são essenciais, porém, mais importante ainda é a estória para o personagem viver. No caso de autores que escrevem Sues, eles escolherem o melhor para a personagem, causando vários desvios no enredo (em geral deixando buracos, ou ignorando completamente a verossimilhança). 

Por isso, geralmente quando esse tipo de personagem é identificado em uma fic (e é possível fazê-lo logo no início), os leitores já se desanimam a ler, uma vez que o futuro fica bem previsível. 



Como fujo dessa "personagem"?


Primeira dica: o personagem deve ser criado para estória, não o contrário. Todo animal é guiado por ações e objetivos. Ter um personagem que você considera incrível e não ter uma estória para ele é deprimente, porém, se não há um conflito na vida dele, uma causa que o tire da inércia, não há um motivo para ele existir. 

Segunda dica: em hipótese alguma se coloque na estória. Quando a personagem tem muita proximidade conosco, é criado um “vínculo”. Se você pudesse escrever sua história, só aconteceriam coisas legais com você. Ninguém quer se prejudicar. E por isso mesmo, se você se coloca na estória, com certeza criará uma Sue.

Terceira dica: planeje. Quando paramos para escrever fichas de personagem ou o rumo do enredo, as chances de criar essa personagem são bem menores, uma vez que você já está pensando no rumo da estória. E sobre as fichas de personagens, temos a proposta de uma aqui no blog (link logo no fim do texto) adaptado pela Anne L, que particularmente acho perfeita. Fazendo a ficha, se o autor não pular nenhum item, ou então tentar “enganar” (colocando, como já foi citado, uma qualidade no lugar de um defeito), é bem difícil criar uma Mary Sue. 

Por fim, se ainda está em dúvida se sua personagem é ou não uma Mary Sue, não se desespere. Existem testes online para elucidar sua dúvida. Infelizmente, até a conclusão desse post não haviam testes em português. Mas deixarei um link do melhor teste que eu achei (em inglês). 

Links:
A personagem (2/2): proposta de ficha –


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Material Consultado:






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As imagens que servem de ilustração para o posts do blog foram encontradas mediante pesquisa no google.com e não visamos nenhum fim comercial com suas respectivas veiculações. Ainda assim, se estamos usando indevidamente uma imagem sua, envie-nos um e-mail que a retiraremos no mesmo instante. Feito com ♥ Lariz Santana