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Vícios de Linguagem

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Por: KILL JOYS

Olá para todos, como vocês estão? 

Depois de muito tempo sem postar nada aqui no blog, decidi vir falar sobre os Vícios de Linguagem que existem na escrita. E o que são esses vícios? De onde eles vêm, o que eles fazem? 

Bom, vamos começar com uma definição simples: Vícios de Linguagem são, na maioria das vezes, erros gramaticais que cometemos, tanto por não prestarmos atenção ou por desconhecimento gramatical. Esses erros são muito comuns no nosso dia a dia e, por usarmos tanto, são considerados vícios. 

Existem diversos tipos de erros considerados vícios, principalmente na oralidade, no entanto, escolhi as cincomais importantes para contar a vocês como acontecem e o que fazer para evitar:

Ambiguidade: são frases, trechos ou expressões que causam duplo sentido na leitura. Muitas vezes, ocorre devido ao uso incorreto do pronome relativo, de vírgulas e de adjuntos adverbiais. 

Exemplo: A mãe encontrou o filho no seu quarto.

Ao ler a frase, é impossível saber se o filho estava no quarto da mãe ou no seu próprio. Para deixar claro em qual quarto ele estava, o ideal é indicar com um pronome possessivo no final, “A mãe encontrou o filho no quarto dela”. Quase todos os casos de ambuiguidade podem ser resolvidos com uma mudança de ordem de algum dos termos ou troca de pronomes.

Estrangeirismo: é o uso de termos ou expressões estrangeiras. 

Exemplo: Mesmo sem os ingressos, eles conseguiram entrar no show.

Sim, eu sei – não está errado usar palavras estrangeiras no texto, não mesmo. Acontece que, muitas vezes, usamos inúmeros estrangeirismos de uma vez, com palavras que podemos facilmente encontrar equivalentes na nossa língua, como é o caso do shampoo/xampu. 

Cacofonia: é o que ocorre quando o encontro de sílabas ou a repetição de fonemas e sílabas produzem um som desconfortável na leitura. A maioria dos casos ocorre por descuido, de modo que podem ser evitadas com a troca de uma palavra ou outra.

Exemplo: Correu com o coração na mão, pensando nas consequências estúpidas daquela ação.

Obscuridade: consiste em criar uma oração com o objetivo de torná-la difícil, ininteligível, confusa. Ocorre principalmente devido ao abuso de figuras de linguagem ou ao uso inapropriado da pontuação e orações grandes e mal intercaladas. 

Exemplo:"Uma vez que se aferiram os resultados da pesquisa, trabalho de muitos meses e destinatária de elevados recursos." 

A frase anterior é considerada obscura uma vez que não há oração principal para completar o significado da oração subordinada. A obscuridade já foi utilizada diversas vezes na literatura com o intuito de confundir o leitor, de modo que a complexidade das frases ajudou o autor a alcançar seu objetivo. O grande problema aqui é fazer uso da obscuridade por descuido, o que atrapalhará o melhor entendimento da história.

Pleonasmo: é uma figura de linguagem usada para intensificar o significado de um termo utilizando a repetição da própria palavra ou da ideia contida nela. Como vício de linguagem, o pleonasmo faz o uso de palavras ou expressões consideradas desnecessárias, uma vez que não intensificam o significado e só causam redundância.

Exemplo: Eu não a vi pela última vez há muitos anos atrás.

Apesar de ter citado apenas cinco dos diversos tipos de vícios de linguagem, é importante saber que grande parte deles pode ser evitada com um razoável conhecimento de gramática e uma revisão cuidadosa do próprio texto. Tomar esse tipo de cuidado ajuda a compreensão da história.






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Novo Acordo Ortográfico [2/2] – Prática

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Por: Coralie



E aí? Belezinha?

Faz um tempo que eu não apareço por aqui! Estou saindo da minha montanha de livros, diretamente do Mundo Chamado Meu Quarto, para escrever este post! Brincadeiras à parte, estou finalmente trazendo a segunda parte do artigo sobre a Nova Ortografia. Antes, vale lembrar que ela é oficial a partir deste ano (2016).

Muito bem! Para começar, eu acredito que a melhor forma de se aprender as novas regras, para quem mal chegou a conhecer as antigas, é aprendendo-as como se nada tivesse acontecido. Isso mesmo! Esqueça que há regras antigas e novas. Se você tentar aprender as duas formas, pode confundi-las e terá dois trabalhos, sendo que as regras antigas em breve não valerão para o português formal. Porém, para fins didáticos, colocarei a diferença entre ambas. Vamos lá?!

Mudanças no alfabeto


Nosso alfabeto passou a ter, oficialmente, 26 letras, com a reinclusão do K, Y e W. Essas três letras são originalmente do alfabeto latino, contidas também no alfabeto inglês, mas não faziam parte do nosso desde 1943. Elas são usadas como símbolos de unidades e em palavras e nomes estrangeiros, como show, William, playground etc.

Trema


As famosas "bolinhas" (¨) sobre o u para indicar a pronuncia do gue, gui, que e qui. Alguns exemplos de palavras que o levavam: bilíngue, linguiça, cinquenta, sequestro, tranquilo. Vale lembrar que a maioria das pessoas não se lembravam de usar o trema, embora seja evidente pelo fonema sua singularidade. Mesmo que ele não esteja mais presente na escrita, seu som ainda é usado na fala: bilíngUe, lingUiça, cinqUenta.

Obs.: o trema permanece em palavras estrangeiras, como Müller.


Acentuação


1. Não há mais acento nos ditongos abertos (éi e ói) das palavras paroxítonas (aquelas que levam acento tônico na penúltima sílaba). 
Exemplos de palavras que antes levavam acento: apóio, colméia, Coréia, estréia, heróico, jóia, paranóico, platéia (considerando-se a separação silábica: Co-rei-a, es-trei-a, joi-a, pa-ra-noi-co)
Obs.: a regra vale apenas para palavras paroxítonas; oxítonas e monossílabos tônicos terminados em éi e ói continuam tendo acento: papéis, herói.
2. Não se usa mais o acento no i e no u, nas paroxítonas, quando vierem depois de um ditongo.
Exemplo: bAIúca.
Obs.: o acento permanece se a palavra for oxítona terminada em i e u (ou terminar em s). Exemplo: Piauí.
Também permanece se o ditongo for crescente: gUAíba.

3. Não há mais acento nas palavras terminadas em êem ou ôo(s).
Exemplos: doo, leem, magoo, creem.

4. Não se usa mais acento para diferenciar as palavras: pára/para, péla/pela, pêlo/pelo, pólo/polo e pêra/pera.
Exemplos: Ela foi ao polo Norte; O gato tem o pelo amarelo.
Obs.: O acento permanece nos casos de:
• Pôde (forma do passado do verbo poder) e pode (forma no presente do indicativo). Exemplo: Ela não pôde correr ontem por causa da chuva, mas hoje pode.
• Pôr (verbo) e por (preposição). Exemplo: Você vai pôr aquela camisa? Por mim?
• Acentos que diferenciam as formas no singular no plural: tem/têm, detém/detêm, mantém/mantêm.
• No caso do forma e fôrma, é facultativo o uso do acento. Vale ressaltar que o uso pode causar maior clareza.

5. Os verbos arguir e redarguir, nas formas arguis, argui e arguem, do presente do indicativo, não levam acento.

Hífen


Hífen com composto


01. Usa-se o hífen nas palavras compostas que não apresentam elementos de ligação.
Exemplos: guarda-chuva, arco-íris, segunda-feira, bate-boca.
Exceção: não se usa hífen em palavras que perderam o sentido de composição, como girassol e paraquedas.

02. Usa-se o hífen em compostos que têm palavras iguais ou quase iguais, sem elementos de ligação.
Exemplos: blá-blá-blá, tique-taque, cri-cri, glu-glu, pingue-pongue, zigue-zague, esconde-esconde.

03. Não se usa o hífen em compostos que apresentam elementos de ligação.
Exemplos: pé de moleque, dia a dia, fim de semana, cor de vinho, ponto e vírgula.
Incluem-se, nesse caso, os compostos de base oracional.
Exemplos: maria vai com as outras, leva e traz, faz de conta.
Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa.

04. Usa-se o hífen nos compostos entre cujos elementos há o emprego do apóstrofo.
Exemplos: gota-d'água, pé-d'água.

05. Usa-se o hífen nas palavras compostas derivadas de topônimos (nomes próprios de lugares), com ou sem elementos de ligação.
Exemplos: Belo Horizonte — belo-horizontino, Porto Alegre — porto-alegrense, Mato Grosso do Sul — mato-grossense-do-sul, Rio Grande do Norte — rio-grandense-do-norte.

06. Usa-se o hífen nos compostos que designam espécies animais e botânicas (nomes de plantas, flores, frutos), tenham ou não elementos de ligação.
Exemplos: bem-te-vi, peixe-espada, mico-leão-dourado, erva-doce, pimenta-do-reino, cravo-da-índia.
Obs.: não se usa o hífen quando os compostos que designam espécies botânicas e zoológicas são empregados fora de seu sentido original. Observe a diferença de sentido entre o par:bico-de-papagaio (espécie de planta ornamental) — bico de papagaio (deformação nas vértebras).

Hífen com prefixo


1) Usa-se o hífen diante de palavra iniciada por h.
Exemplos: anti-higiênico, macro-história, super-homem.

2) Usa-se o hífen se o prefixo terminar com a mesma letra com que se inicia a outra palavra.
Exemplos: micro-ondas, inter-regional.

3) Não se usa o hífen se o prefixo terminar com letra diferente daquela com que se inicia a outra palavra.
Exemplos: autoescola, intermunicipal, superinteressante, semicírculo.
Obs.: se o prefixo terminar por vogal e a outra palavra começar por r ou s, dobram-se essas letras. Exemplos:minissaia, ultrassom, semirreta.

4) Nos prefixos sub e sob, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r.
Exemplos: sub-região, sub-reitor, sub-regional.

5) Nos prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal.
Exemplos: circum-navegação, pan-americano.

6) Usa-se o hífen com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, vice.
Exemplos: além-mar, ex-aluno, pós-graduação, pré-história, recém-casado, vice-rei.

7) O prefixo co junta-se com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o ou h. Neste último caso, corta-se o h. Se a palavra seguinte começar com r ou s, dobram-se essas letras.
Exemplos: coedição, cofundador, coabitação, cosseno.

8) No caso dos prefixos pre e re, não se usa o hífen, mesmo diante de palavras começadas por e.
Exemplo: reescrever.

9) Nas palavras com ab, ob e ad, usa-se o hífen diante de palavra começada por b, d ou r.
Exemplos: ad-digital, ad-renal, ob-rogar, ab-rogar.

10) Não se usa o hífen na formação de palavras com não e quase.
Exemplos: (acordo de) não agressão, (isto é um) quase delito.

11) Com mal, usa-se o hífen quando a palavra seguinte começar por vogal, h ou l.
Exemplos: mal-entendido, mal-humorado.
Obs.: Quando mal significa doença, usa-se o hífen se não houver elemento de ligação.
Exemplo: mal-francês.
Se houver, no entanto, elemento de ligação, escreve-se sem o hífen.
Exemplo: mal de lázaro.

12) Usa-se o hífen com sufixos de origem tupi-guarani que representam formas adjetivas, como açu, guaçu, mirim.
Exemplos: capim-açu, amoré-guaçu.

13) Usa-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares.
Exemplos: ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.


É isso aí, pessoal. Parece muita coisa para gravar, mas o importante é você sempre pesquisar quando tiver dúvida. Com o tempo nós nos acostumaremos a usá-las.







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30 dicas bem humoradas para melhorar a sua escrita

quarta-feira, 15 de abril de 2015
Por: Takahiro Haruka



Nenhum de nós nasceu sabendo. O processo de aprendizagem é longo, podendo durar a vida inteira. Uns têm mais facilidade em aprender, outros têm menos, mas o importante é seguir tentando. E existe uma maneira melhor de aprender do que se divertindo? O post de hoje trás 30 dicas bem-humoradas, escritas por João Pedro, professor na UNICAMP, que irão instruí-lo de modo divertido e na prática. Vamos conferir:


1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.

2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.

3. Anule aliterações altamente abusivas.

4. não esqueça as maiúsculas no início das frases.

5. Evite lugares-comuns como “o diabo foge da cruz”.

6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou? ... então valeu!

9. Palavras de baixo calão podem transformar o seu texto numa m...

10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.

12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem ideias próprias".

13. Frases incompletas podem causar.

14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma ideia várias vezes.

15. Seja mais ou menos específico.

16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!

17. A voz passiva deve ser evitada.

18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação.

19. Quem precisa de perguntas retóricas?

20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.

21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!”

23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!

25. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da ideia nelas contida e, por conterem mais do que uma ideia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-las nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.

27. Seja incisivo e coerente, ou não.

28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambiguidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza de que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.

29. Outra barbaridade que tu deves evitar chê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras! ... nada de mandar esse trem...  vixi... entendeu bichinho?

30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá aguentar, já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.

Professor João Pedro da UNICAMP


* Texto betado, corrigido, revisado e adaptado ao Novo Acordo Ortográfico.




Fonte: Jornal Conversa Pessoal – Secretaria de Recursos Humanos do Senado Federal
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Pronomes de tratamento japoneses

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Por: Ano Aoi Sora
Hey!
Aqui é Yasmin, sou uma estudante de japonês há dois anos e uma beta. Vim falar de uma coisa que você, provável fã da cultura japonesa, deve usar muito em suas fanfics.
Sim, vim falar de pronomes de tratamento! Quem nunca escreveu uma fanfic onde fizesse alguém chamar outra pessoa de “Algo-chan”? ou “Algo-kun”?
Bem, esses “-chan” e “-kun” são chamados de pronomes de tratamento japoneses. Eles indicam a relação do falante com o ouvinte, e muitos fãs de animes/mangás os usam instintivamente, acostumados com o uso. 
Entretanto, já vi também vários desses pronomes serem usados erroneamente e displicentemente. Gente, esses pronomes, na minha percepção, dão um sabor a mais para o texto. É tão triste vê-los sendo usados de forma errada.
Já que estava sentindo-me assim, resolvi fazer isto aqui: um post gigante (me desculpem) com alguns dos mais utilizados pronomes de tratamento!
Contudo, saibam que seus personagens não são obrigados a utilizá-los. “Mas como assim, Yasmin? Você acabou de falar que eles dão um sabor a mais!”. Bem, sim, eles dão. Porém, a cultura japonesa, como toda cultura, se adapta cada vez mais aos que a utilizam. Tornou-se comum não utilizar vários dos pronomes que menciono aqui. Portanto, não me venha com coisas do tipo “Mas tal personagem não usa isso para se referir a tal personagem!”. Minha resposta será “Porque tal personagem não é obrigado”. E não se toca mais no assunto. 
Outra coisa, eu não listei tudo aqui. Tem muitos que não mencionei porque não vejo a utilidade, a sério. Se você tiver alguma dúvida sobre uso de algum que não mencionei, pode vir me procurar ou mesmo dar uma pesquisada em minhas fontes! Elas são super confiáveis... (exceto google tradutor, que é só pelos kanjis.)

-San, Han
Forma em japonês, respectivamente: -さん, -はん
San é um dos pronomes de tratamento mais comuns. Ele indica respeito e distância. Já Han é a forma pronunciada quando no dialeto de Quioto. 
Você o usaria com:
Um colega de classe com quem você nunca conversou direito.
Ex: “Sakura-san, poderia me emprestar seu apontador?”
Um vizinho de quem você nunca foi muito amigo.
Ex: “Ohayou, Tenzin-san.”
“Ohayou, Natsumi-san.”
Um colega de trabalho com quem você não é extremamente próximo.
Ex: “Heiji-san, poderia entregar este documento para Seiko-sama?”

-Kun
Forma em japonês: -くん 
Vindo do kanji de “você” (君, lido como “kimi”), “kun” significa uma proximidade entre o falante e a quem o falante se dirige. Ele é geralmente utilizado para homens, mas, antigamente, era usado para ambos os sexos. Tanto que é comum ver um senhor/uma senhora de idade chamando uma garota com o pronome de tratamento kun. 
Você o usaria com:
Amigos, quando a garota se refere ao garoto.
Ex: “Ne, Kent-kun, você está muito frio hoje!”
O professor falando com um aluno.
Ex: “Sasahara-kun, sente-se!”
Uma menina se referindo amigavelmente a outra quando a segunda não é tão feminina.
Ex: “Mas, Mio-kun, eu já disse para você usar saias!”
Namorados, a garota se referindo ao namorado.
Ex: “Kou-kun, que tal visitarmos aquele restaurante?”
Um mais velho falando tanto com uma garota quanto com um garoto com quem tem proximidade.
Ex: “Douko-kun, poderia me buscar um copo de água? E traga meus remédios também, querida.”

-Chan
Forma em japonês: -ちゃん
Chan foi um pronome de tratamento criado recentemente. É um pronome carinhoso, geralmente utilizado para chamar uma garota, mas também pode ser usado como forma de deboche para garotos. Ele é usado para se referir a garotas mais novas, entre garotas amigas, entre namorados, o professor para uma de suas alunas, garotas ídolos.
Você o usaria com:
Amigas. 
Ex: “Eru-chan, não vai acreditar no que acabei de ouvir!”
“O quê, Sayaka-chan?”
Sensei para aluna.
Ex: “Touko-chan, poderia entregar estes deveres para Mabuchi-kun? Estou preocupado, já que ele tem faltado tanto por conta da doença...”
Senpai para kouhai.
Ex: “Yumi-chan, espere!”
Ídolos. 
Ex: “Remi-chan é tão incrível! Adorei o show dela ontem!”
Amizade entre garotos e garotas.
Ex: “Ne, Sakura-chan, não vai mesmo me emprestar seu dever?”
Namorados.
Ex: “Futaba-chan, te amo.”

-Tan, Chama, Tama
Forma em Japonês de Tan, Chama e Tama, respectivamente: たん, ちゃま, たま
É a versão infantil de “chan”. Muitas crianças não conseguem pronunciar essa palavra direito ainda, então falam “tan”, “chama” ou “tama”. Não é tão incomum, entretanto, encontrar alguma dessas palavras substituindo o “chan” em conversas mais joviais.
Você os usaria com:
Criança com criança.
Ex: “Sakura-tan, vem brincar com a gente!”
Apelido entre amigos/amigas.
Ex: “Kyoko-chama, estou te ligando há horas! Onde você está?”

-Sensei
Forma em japonês: 先生
Sensei significa professor. Portanto, só é usado com professores mesmo. (Dã.)
Ex: “Kakashi-sensei, por que você sempre se atrasa?”

-Senpai
Forma em japonês: 先輩
Senpai é alguém que está em uma escola/trabalho/curso/estabelecimento há mais tempo do que o falante. Por exemplo, no colegial, os alunos do 1° chamam os alunos do 2° de Senpais, por eles estarem há mais tempo na escola. 
Ex: “Togyu-senpai, poderia me explicar o exercício número 17?”

Kouhai
Forma em japonês: 後輩
Kouhais seria o contrário de Senpais. No caso citado acima, os alunos do 1° seriam os kouhais dos alunos do 2°. Entretanto, kouhai não é usado como sufixo. No máximo, é usado como forma de referência.
Ex. Usado em forma de referência: Minha kouhai não me deixa mais em paz.

-Sama
Forma em japonês: 様
Sama é usado para indicar submissão de alguém. Pode ser submissão a um chefe de empresa, pode ser à mestra de um escravo, ou a um chefe de família... Qualquer relação de submissão é contada.
Você os usaria com:
Chefe de empresa.
“Hakaze-sama, os papéis foram terminados.”
Relação mestre-escravo.
“Yumei-sama, aqui está o vestido que você requisitou.”
Chefe de família.
“Byakuya-sama, Rukia-sama já chegou de sua missão.”

-Nii-chan, Nii-sama, Nii-san
Forma em japonês, respectivamente: 兄-さん, 兄-様, 兄-ちゃん
“Nii” é escrito com o kanji de “irmão mais velho” (お兄), que se lê “Oniii”. Apesar de existir casos em que o irmão mais velho em questão é chamado só de “-nii”, a maioria das vezes ele vem acompanhado de algo.  San, chan, sama tem a mesma função que a explicada anteriormente. Portanto, um “Nii-chan” é mais carinhoso, um “Nii-sama” indica submissão e “Nii-san” indica respeito.
“Nii” não é exclusivo para relações familiares. Por exemplo, Naruto é chamado de “Naruto-nii-chan” por Konohamaru, que é somente 3 anos mais novo e não tem relação familiar nenhuma com Naruto. Isso é porque Konohamaru o considera um irmão mais velho. 
Exemplos: “Byakuya-nii-sama, me chamou?”
“Nii-chan, o almoço tá pronto!”
“Kou-nii-san, parabéns por ter passado em seus exames.”

-Nee-chan, Nee-sama, Nee-san
Forma em japonês, respectivamente: 姉-ちゃん, 姉-様, 姉-さん
“Nee” é a mesma coisa que “Nii”, mas com a diferença de que é “irmã mais velha”, não “irmão mais velho”. Além disso, no sentido adicional, pode ser considerado o nosso “tia”, que usamos para nos referir a qualquer moça com uma diferença de idade considerável, como uns 6 anos. 
Exemplos: “Ayane-nee-san, o que teremos para almoço?”
“Nee-chan, eu vou de carro com você?”

-Jii-san, Jii-chan, Jii-sama
Forma em japonês, respectivamente: 爺-さん, 爺-ちゃん, 爺-様
“Jii” vem “Ojii”, que é avô. É um modo de se referir a um homem idoso.
Exemplo: “Jii-chan, que tal uma partida de xadrez?”
“Tanaka-jii-sama, o que deseja?”

-Okaa-san, Okaa-chan, Okaa-sama 
Forma em japonês, respectivamente: お母-さん, お母-ちゃん, お母-様
“Okaa” significa “mãe”, usado como vocativo para mães e para se referir a mães de outras pessoas. Nessa função, ele funciona como Nii. Se você estiver falando sobre sua própria mãe com outra pessoa que não a tenha como mãe também, é usado “Haha”. Muitas vezes o “o” é retirado, como um modo de falar, e fica “Kaa”.
Exemplo: “Okaa-chan!”
“Okaa-san, pode vir me buscar?”
“Okaa-sama, passei em meus testes.”
“Okaa-san pediu pra você ir falar com ela, Sakura-chan!”
“Kaa-chan, olha o que ganhei de presente!”

-Otou-san, Otou-chan, Otou-sama
Forma em japonês, respectivamente: お父-さん, お父-ちゃん, お父-様
“Otou” é pai, usado como vocativo para chamar pais e pais de outras pessoas. Nessa função, ele funciona como Nii. Se você estiver falando sobre seu próprio pai com outra pessoa que não o tenha como pai também, é usado “Chichi”. Muitas vezes o “o” é retirado, como um modo de falar, e fica “Tou”. 
Exemplo: “Tou-chan, olhe minha pontuação!”
“Otou-sama, Tamoni-nee-san não voltou para casa esta noite.”
“Meu otou-san me proibiu de ir, desculpa!”

-Ue
Forma em japonês: -上
É usado como forma de respeito para “chichi” e “haha”. “Ue” significa acima, portanto, você está se colocando em uma posição inferior. A forma final ficaria “Haha-ue” e “Chichi-ue”. 
Exemplo: “Haha-ue me disse para deixar isso para lá.”
“Chichi-ue nos abandonou assim que pôde.”

-Baa-san, Baa-sama, Baa-chan
Forma em japonês, respectivamente: バア-さん, バア-様, バア-ちゃん
“Obaa” é avó. “Baa”, sem o “o” na frente, é um modo para se referir a uma mulher idosa.
Exemplo: “Baa-san, o que está fazendo? Te pedi para descansar hoje!”
“Haruhi-obaa-sama, eu juro que estava em meu quarto! Não destruí vaso algum!”
“Obaa-chan, como será que é o céu?”

-Oba-san, Oba-sama, Oba-chan
Forma em japonês, respectivamente: 叔母さん, 叔母-様, 叔-ちゃん
“Oba” é tia, e funciona como Nii funciona. Se refere, também, a uma mulher bem mais velha, mas não idosa. 
Exemplos: “Oba-chan, cadê você?”
“Erabu-ba-san, okaa-san pediu para que eu te chamasse para almoçar.”

-Oji-san, Oji-sama, Oji-chan
Forma em japonês, respectivamente: 叔父さん, 叔父-様, 叔父-ちゃん
“Oji” é tio, e funciona do mesmo modo que Nii. Pode se referir a um homem bem mais velho, mas não idoso. 
Exemplos: “Oji-san, dois ramens de porco, por favor!”
“Yuuki-ji-chan, esta é minha namorada, Sarada-chan.”

-Shishou
Forma em japonês: 師匠
Pode ser um meio de se referir a um professor, mas é usado mais como “mentor”. Também é mais comum utilizá-lo com figuras femininas, apesar de ser unissex. 
Exemplos: “Shishou, eu não estou conseguindo resolver este aqui...”
“Kori-shishou é uma ótima mestra!”
“Minha shishou é a melhor, sem dúvidas.”

-Hakase
Forma em japonês: 博士
Chamamos de “Hakase” alguém que tenha feito doutorado. É uma exímia forma de demonstrar respeito, e só se chama alguém assim depois de comprovado que este tenha passado em seu doutorado. É comum utilizar “Hakase” para professores de faculdade, já que a maioria destes tem um doutorado. 
Exemplos: “Indou-hakase, terminei meu trabalho. Aqui está.”

-Ou-sama
Forma em japonês: 王-様
“Ou” significa rei. “Sama” é só para indicar respeito. 
Exemplos: “Akura-ou-sama!”
“Ou-sama, os convidados de York chegaram.”

-Ouji-sama
Forma em japonês: 王子-様
“Ouji” significa, numa tradução literal, de rei criança, mas é usado como “príncipe”, e só é usado para príncipes na adolescência. Não é usado no sentido de mestre, mas também pode ser utilizado para se referir ao príncipe encantado. O “Sama” é utilizado para indicar respeito.
Exemplos: “Zen-ouji-sama, Ojou-sama não apareceu para o jantar. Devo começar uma busca?”
“Ouji-sama é muito descuidado.”

-Ojou-chan, Ojou-san, Ojou-sama
Forma em japonês: お嬢, お嬢, お嬢-様
 “Ojou” é uma figura de respeito feminina e jovem. Pode ser usado para se referir a uma nobre, assim como o vendedor pode se referir à garota que sempre faz compras em sua loja. Tudo depende do “chan”, “san” e “sama”. 
Exemplos: “Ojou-chan, o que vai levar hoje?”
“Ojou-san, como vai?”
“Aquela ojou-san sempre passa por aqui.”
“Ojou-sama, estava preocupado!”

-Bou-chan
Forma em japonês: (não encontrado)
“Bou-chan” é usado para se referir a filhos de lordes e outras coisas, principalmente quando é um empregado se referindo à criança de que tem de tomar conta. “Chan” já indica um bom relacionamento entre os dois, e acredito que, se o empregado não for tão próximo da criança, ele a chamaria de “sama”. 
Exemplos: “Bou-chan, não vá por aí!”
“Oz-bou-chan, seu pai o chama em seu escritório.”

-Hime
Forma em japonês: 姫
A tradução literal é “princesa”, apesar de “ojou-sama” ser mais utilizado nesses casos. Hime pode ser usado para se referir a uma garotinha importante, como a filha de um pai dedicado. Muitas vezes é utilizado por namorados para chamarem suas namoradas, como falamos “Amor, me passa o pão?” ao invés de chamá-lo pelo nome próprio.
Exemplos: “Hime, que tal pegarmos um pouco de sorvete? Está calor!”
“Tanahi-hime, está na hora do baile.”

-Dono
Forma em japonês: 殿
“Dono” significa “milorde”. É usado para se referir a pessoas de extremo respeito quando há alguém ainda superior a estas. Por exemplo, em Naruto, Temari e Kankuro são chamados de dono, pois Gaara é quem merece o maior respeito possível.
Exemplo: “Togyuu-dono, Mirai-sama te aguarda em seus aposentos.”

-Baka
Forma em japonês: -ばか
“Baka” significa, literalmente, idiota. No entanto, é comum adicioná-lo no fim dos nomes como sufixo. 
Exemplo: “Kurosaki-baka, estou do seu lado!”
“Baka, eu te amo.”

-Nyan
Forma em japonês: -にゃん
É usado mais como piada para se referir a garotas. É usado como apelido também, mas não tem real uso. Utiliza-se como “chan”. 
Exemplo: “Yume-nyan, desacelere!”

-Kaichou
Forma em japonês: -会長
“Kaichou” significa presidente. Pode ser presidente do conselho estudantil, de uma empresa, mas de um país já assume nome diferente. 
Exemplo: “Misaki-kaichou, Usui-senpai tem causado problemas com as kouhais de novo!”

-Buchou
Forma em japonês: -部長
“Buchou” significa coordenador de uma seção. Pode ser de um clube escolar, de um seguimento em uma empresa, qualquer coisa. Entretanto, por mania, é comum utilizarem “Kaichou” para clubes, por serem presidentes, apesar de o termo mais acurado ser “Buchou”.
Exemplo: “Buchou, estamos com pouco dinheiro!”
“Houtarou-buchou, te enviaremos os arquivos logo.”





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[1/2] Novo Acordo Ortográfico – Teoria

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Por: Takahiro Haruka


Olá, galera!

Hoje eu venho falar sobre o terror dos professores, dos estudantes e, é claro, de nós, escritores: o Novo Acordo Ortográfico. Achava eu, em meados de 2008, que a língua portuguesa era um pesadelo constante e que eu nunca conseguiria gravar todas aquelas regras longas, cansativas e confusas. E olhem só que irônico: apesar das décadas sendo usada e aprendida com muito esforço, em 2009 vimos uma reestruturação, e em 2012 o uso do novo acordo tornar-se intenso. Foi uma blasfêmia aos que tanto se esforçaram para aprendê-la!

Mas essas são águas passadas. Há quem é contra a reforma, há quem está se adaptando, há quem nem chegará a aprender as regras anteriores e, por fim, há quem não se importa com o assunto. Nós, escritores, no entanto, precisamos estar atentos a nossa ortografia e, para fazer bonito, precisamos nos adaptar o quanto antes.

Tendo em mente a importância da adaptação ao novo acordo, desenvolvi dois posts falando sobre o assunto. Mas por que dois, Noni? Simples, querido: vamos tratar isoladamente da história da tal reforma e das mudanças resultantes dela. Ou seja, teremos um post chamado Teoria e um chamado Prática.

Antes de começar o nosso conto de fadas ao avesso, gostaria de declarar que este post será um tipo de curiosidade, e o segundo um guia. O que queremos é que você os consulte sempre que precisar. As mudanças ocorrerão aos poucos, então não tem por que sermos afobados. O caminho para se aprender a língua portuguesa é longo e cheio de curvas. O importante é ter sempre em mente que o conhecimento vem do buscar.

Pois bem. Era uma vez, em 1943, um formulário desenvolvido pela nossa grandíssima Academia Brasileira de Letras...

Brincadeiras à parte, a história se inicia quando, procurando internacionalizar (lê-se: unificar) a língua portuguesa, Brasil e Portugal se unem para criar um único acordo ortográfico. Porém, o acordo desenvolvido em 1945, que foi acatado por Portugal, não teve o mesmo sucesso no Brasil. Retrocedemos e mantivemos as normas estabelecidas em 1943, mantendo-as até 2008.

Para conhecimento supérfluo, já que nosso foco é no acordo seguinte vigente, podemos citar a retirada das letras K, W e Y do alfabeto oficial, as regras para a acentuação das oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas, apóstrofo, hífen e sinais de pontuação e a mudança na divisão silábica (para saber todas as mudanças, vide link no fim do artigo).

Discussões sobre a unificação da língua foram sendo feitas ao longo dos anos. A Academia Brasileira de Letras e a Academia de Ciências de Lisboa desenvolveram, juntas, um Novo Acordo Ortográfico, e reuniram os representantes dos sete países lusófonos*, em 1990, para assiná-lo. Os países são: Angola (África), Brasil (América do Sul), Cabo Verde (África), Guiné-Bissau (África), Moçambique (África), Portugal (Europa) e São Tomé e Príncipe (África). Timor-Leste (Ásia) posteriormente aderiu ao acordo.

Embora o acordo tenha sido assinado, seu uso não foi posto em prática imediatamente. No Brasil e em Portugal, apenas foram oficializados em 2009. São Tomé e Príncipe ratificou em 2006 e Timor Leste em 2004.

Apesar de ele estar já em vigor no Brasil e em Portugal, seu uso ainda não é obrigatório. Ambos os países têm um prazo de até o fim de 2015 para oficializar definitivamente e vigorar as normas. No Brasil, os livros didáticos das escolas estaduais já utilizam o novo acordo.

Vale observar, por fim, que a língua portuguesa possui duas ortografias: a portuguesa (PT-PT), aderida por todos os países do CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), exceto o Brasil, onde é exercido o português brasileiro (PT-BR).

O que vem a seguir sobre o assunto são as mudanças ocorridas por causa do Novo Acordo. Para não estender muito este post, e para tornar fácil a localização apenas das mudanças, elas serão colocadas no segundo post sobre o assunto: Novo Acordo Ortográfico – Prática.

Fiquem no aguardo da sequência, que é também a parte mais complicada do assunto.


Nos vemos por aí. Beijocas! ;)



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Como pontuar diálogos?

segunda-feira, 17 de novembro de 2014


Por Ana Coelho

     Olá a todos! Como vão? Espero que esteja tudo ótimo com vocês!

Hoje trago aqui ao blog um post que penso que vos será muito útil. Inspirado em e mais aprofundado até do que um post que eu tenho no meu blog pessoal, venho falar de diálogos.

Afinal, vocês sabem pontuar diálogos corretamente ou não? Sabem onde devem aparecer os pontos finais, as vírgulas, as maiúsculas…? Usam aspas ou travessão? E que tipo de aspas? E, afinal, como podem inserir o símbolo do travessão no texto?

Pois é, essas são algumas das questões mais frequentes que eu espero que fiquem esclarecidas quando este post chegar ao fim!

Vamos saltar já para a primeira parte:

Aspas ou travessão? Afinal, qual é a diferença?

Na verdade, podem pontuar como quiserem. Quer escrevam com um, quer escrevam com o outro sinal de pontuação, a escolha é vossa. Lembrem-se apenas de optar por um ou pelo outro ao longo de toda a história ou poderão confundir os vossos leitores. Decidam qual opção querem e mantenham-na até o final, porque misturarem as duas já é errado.

Mas… como é que é possível que haja duas opções? De onde saiu isso?

Reza a lenda que, tradicionalmente, em português, se deve usar o travessão para marcar diálogos. (O travessão é esse sinal “ — “ . No final do post eu explico como o podem arranjar.) Aliás, nem as aspas tradicionais do português são iguais àquelas que estão habituados a ver por aí. As aspas tradicionais (e que ainda aprendemos a usar em Portugal, apesar de pouco se falar no assunto) são as típicas das línguas latinas, as retas ( « » ). No entanto, com o tempo, isso tem vindo a mudar. No Brasil é muito mais usual usarem-se as aspas curvas (essas), nem há teclas próprias para as aspas retas duplas como há nos teclados portugueses. Apesar de tudo, em Portugal também se tem passado a usar muito mais as aspas curvas duplas. Parece que elas estão cá para ficar, quer as usemos nos diálogos quer não.

Teclado de Portugal, com a tecla das aspas duplas retas assinalada. Ela existe, mas é bastante ignorada.

De facto, a história das aspas é curiosa e há vários tipos diferentes usados em línguas diferentes. Há aspas retas duplas ( « » ) ou simples ( ‹ › ), e há aspas curvas diferentes, como ( “ ” ), ( ‘’ ’’ ), ( ‘ ’ ) ou ( ” “ ), entre muitos mais tipos. Tudo depende da língua em que se está a escrever ou até do país de onde vem o texto. Aconselho-vos a verificarem a página da wikipédia que fala do assunto para mais esclarecimentos e podem até investigar por conta própria, se continuarem curiosos.

Mas, se é assim, então quais são as diferenças de se usar o travessão ou as aspas? Têm regras diferentes?

Como eu já expliquei anteriormente, nas línguas latinas o usual é usarem-se as aspas retas, mas as aspas usadas nos diálogos por aqui, hoje em dia, são as curvas (“essas”). E as regra são ligeiramente diferentes.

Isso acontece porque a forma de pontuar diálogos com aspas curvas também não é nossa, dos países com língua latina. Essa forma de escrever diálogos foi adquirida por influências de outras línguas onde essa é a forma predominante. Hoje em dia também é aceite (/aceita, em português do Brasil) na língua portuguesa e é por isso que as aspas são uma opção válida que podem considerar quando escreverem as vossas histórias.

Convém ressaltar que este texto tem em conta a pontuação em inglês americano, já que é seguindo essa norma que as aspas duplas são usadas, e que o inglês britânico tem regras de pontuação próprias, que explicarei por alto no final do texto.

Aconselho-vos a escolherem a forma que vos deixar mais confortáveis, juntamente com as regras correspondentes.

Mas vamos avançar e vamos falar logo dessas regras! Elas são fáceis, vocês vão ver.

Vamos começar com uma questão simples:


Sabem quando devem usar letra maiúscula ou minúscula?

Esse é o erro que eu mais vejo no Nyah!, quer pontuem os textos com aspas quer os pontuem com travessão. Apesar disso, e contrariamente ao que pode parecer, a solução é bem simples.

Nos diálogos, as regras mais importantes dependem do texto. Isso quer dizer que, dependendo daquilo que escreverem junto com a fala, a letra ou será maiúscula ou será minúscula.

Mas daqui a pouco eu entro em mais detalhe sobre isso. Para já, vamos começar com os exemplos sem grandes acessórios!

— Gosto de bolo.
~~
Gosto de bolo.”

Pronto, aí temos uma frase bem simples, pontuada das duas formas mais usuais. E quem não gosta de bolo?

Nessa frase, duvido que haja dúvidas na pontuação. É só colocar a fala a seguir a um travessão ou dentro de aspas, com letra maiúscula no início e ponto no final. Sem problemas aqui.

Mas assim não sabemos quem falou, ou como a fala foi dita, ou em que circunstâncias se desenrolou esse diálogo. Nas nossas histórias, costumamos ter muita coisa a dizer sobre as falas. E como fazemos nesses casos? Como fazemos se quisermos transmitir uma ideia com mais pormenores, como “O Pedro disse que gosta de bolo”? Como e onde colocamos esse “disse o Pedro”?

Comecemos pela forma mais simples e mais usual — depois da fala, na parte final da frase.
Exemplos A.
Queres um sapato? — perguntou a Joana.
~~
Queres um sapato?” perguntou a Joana.

Pois bem, sim, pode parecer-vos estranho, e o Word pode até sugerir que façam aí uma mudança drástica, mas essas duas frases estão bem pontuadas e bem escritas. Comecei de imediato com frases com pontos de interrogação porque quero que entendam uma coisa importante: na pontuação dos diálogos, o que conta realmente é o verbo que acompanha as falas. Mais nada.

Vamos comparar estas com as seguintes.
Exemplos B.
Queres um sapato? — A Joana esticou um dedo e apontou para os seus pés.
~~
Queres um sapato?” A Joana esticou um dedo e apontou para os seus pés.

Conseguem ver o que há de diferente dos exemplos A para os B? Nos A, depois da pergunta, havia letra minúscula. Nos B, depois de escrevermos exatamente a mesma pergunta, surge uma frase com letra maiúscula. Então os exemplos A estão certos e os exemplos B estão errados? Não. Então são os B certos e os A errados? Também não. Ambos os exemplos estão certos.

Eu disse ainda há pouco que o que diferenciava a pontuação do diálogo era o verbo que acompanhava a fala, certo? Vamos lá olhar para os verbos. E não se preocupem, não há nada gramatical aqui.

Nos exemplos A, o verbo era “perguntar”. Nos exemplos B, os verbos são “esticar” e “apontar”. Conseguem ver aqui a solução?

Pois, a verdade é que, para se descrever uma fala, nós usamos verbos que exprimem essa ideia de falar. Verbos como “dizer”, “perguntar”, “berrar”, “inquirir”, mesmo que seja através de metáforas (“chutar”: “— Gostas da Mariana? — chutou o Pedrinho.”). Todos os verbos que descrevam o ato de falar e que estejam diretamente ligados à fala têm de vir ligados a essa fala. Essa ligação é expressa através da letra minúscula, que indica que a ideia da fala ainda continua na narração, que uma complementa a outra.

E agora reparem nos exemplos B. Os verbos “esticar” e “apontar” referem-se à fala? Não, claro que não. Referem-se a duas ações que a Joana fez, imediatamente a seguir a ter falado. Então isso quer dizer que temos duas ideias diferentes e que não há um verbo de fala que una diretamente a linha do diálogo à narração. Dessa forma, temos de usar letra maiúscula.

Deixo aqui mais exemplos, para irem percebendo melhor. E vou apenas usar pontos de exclamação e de interrogação.

Gostas de chocolate? — questionou a Madalena.
Gostavas de dançar comigo? — O olhar de Rodrigo era sincero.
Tu és louco! Afasta-te de mim! — berrou o João.
Sou alérgica a chocolate! — A Rita afastou-se do bolo sobre a mesa.
Gostas de gatos?” inquiriu o Pedro.
Tenho um enorme gato preto chamado Chinelo!” O Ricardo sorriu ao relembrar as patas fofas do seu Chinelito.
Não gosto nada de ti!” exclamou a Bárbara.
Detesto baratas!” A Marina fugiu para a cozinha.

Perceberam até aqui tudo?

Quando o verbo descreve a fala (são chamados verbos dicendi universalmente), o verbo vem com letra pequena, unindo a narração ao que foi dito. Quando o verbo descreve uma ação paralela ou seguida à fala, então passamos a ter duas ideias diferentes e a letra que vem depois do ponto é maiúscula.

Nesta altura devem estar a perguntar-se por que só optei por usar frases com pontos de interrogação e de exclamação. A minha intenção era que entendessem e não se voltassem a esquecer de que, nos diálogos, é o verbo quem manda e o resto só lhe obedece. É uma ideia bem simples e é ela que rege todas as outras regras.

Tendo isso em mente, vamos agora ver o que acontece em frases mais comuns, frases que tenham pontos finais. Aqui as coisas tornam-se diferentes para o travessão e para as aspas, mas vamos avançar por um de cada vez.

Acho que o melhor é dar um exemplo para vocês poderem pensar e analisar a explicação em seguida.
Não gosto de cães — disse o Ricardo.
Não gosto de gatos. — O Ricardo afastou-se do animal.
Tenho pena de ti. — O tom da voz de Madalena era de pura compaixão.

Analisemos estes exemplos. Como podem ver, a letra maiúscula ou minúscula ainda está dependente do tipo de verbo. “Dizer” é um verbo de fala, então vem com letra pequenina. “Afastar-se” e “ser” são verbos que descrevem ações e não se aplicam diretamente sobre a fala, mesmo que indiretamente falem dela, como acontece no terceiro exemplo. Nesses últimos dois casos, usou-se letra maiúscula.

Conseguem reparar agora na outra diferença entre o primeiro caso e os outros dois? No primeiro não há ponto final, mas nos outros há. Percebem porque usei apenas pontos de exclamação e de interrogação há bocado, certo? Porque as regras são diferentes para um e para o outro tipo de ponto.

Podemos dizer que, em certos casos, os pontos de exclamação e de interrogação não funcionam realmente enquanto pontos. Eles são marcadores visuais que nos dão a entoação da frase, mas não servem para lhe colocar um final. Nos diálogos, é assim que eles funcionam e é esse o seu papel.

Comparando esses pontos com o ponto final, vemos que o ponto final já serve para colocar um final real nas frases sempre que aparece. Quando a frase não termina na fala e continua na narração através de um verbo dicendi, o ponto não aparece. Quando a frase da fala termina e é seguida de uma outra frase que se refere a uma ação completamente diferente, temos lá o ponto, para mostrar que as ideias são diferentes.

Entendem agora o que eu quis dizer com ser o verbo a mandar na pontuação? O tipo de verbo define como a pontuação se comporta a cada caso.

Vamos agora ter mais exemplos, com tudo:

Adoro gatos! — declarou a Maria.
Não gosto muito da tua tia… — disse a Matilde.
Tens quantos cães? — perguntou a Mariana?
— Tens olhos bonitos — afirmou a avó.
Detesto pó! — A Maria estava com os olhos vermelhos de alergia.
Não gosto do meu pai. — A voz de Pedro era fria como gelo.
O que te aconteceu? — A Mariana estava genuinamente preocupada.

Compreenderam tudo direitinho até aqui?

Vamos avançar e ver, afinal, o que distingue a pontuação com aspas da pontuação com travessões. Vamos introduzir mais exemplos, que eu acredito que eles tornam tudo mais simples.

Adoro camaleões!” disse a Vânia.
Amas mais o teu marido do que eu pensava, não é?” perguntou a sogra.
O golfinho sabe nadar.” Matilde bocejou.

Até aqui, é tudo igual, certo? Mas, quando se relaciona uma frase com a narração com um verbo de fala, deixa de ser.
O golfinho sabe nadar,” disse a Matilde.

Notaram ali aquela vírgula? Bom, com as aspas é necessário colocar uma vírgula quando a mesma frase tem fala e tem narração, e se passa de uma para a outra.

Ficou claro o porquê da vírgula aparecer ali? Mudou de fala para narração, tem de haver alguma coisa que o indique, então surge a vírgula.

Vamos expandir o exemplo e vamos colocar-lhe uma vírgula para eu falar de mais alguns pormenores e da posição na vírgula nessas frases. A fala que vai ser dita será O golfinho sabe nadar, mas o morcego não sabe.
O golfinho sabe nadar,” disse a Matilde, “mas o morcego não sabe.”

Notem que a vírgula vem sempre junto do primeiro elemento e não junto do segundo. Assim, se primeiro vier algo entre aspas, a vírgula vem dentro das aspas, junto à última palavra desse primeiro elemento. Se a vírgula separar narração de fala, e primeiro vier a narração, a vírgula vem fora das aspas, junto à última palavra da narração (vejam a segunda vírgula do exemplo). Assim, a vírgula que pertencia à fala acaba por aparecer logo de início. É bem simples, não é?

Agora, aproveitando o exemplo, vamos ver como ficaria intercalada uma pequena narração dentro de uma fala maior com travessão. Reparem no que acontece à vírgula:

O golfinho sabe nadar — disse a Matilde —, mas o morcego não sabe.

Ao contrário do que acontece com as aspas, nunca se coloca uma vírgula junto do primeiro elemento, ela vem sempre junto do segundo. Isto quer dizer que não podemos ter vírgulas antes de travessões. Se a fala tiver uma, temos de colocar a narração antes dessa vírgula, para que o travessão possa ficar antes dela, e a vírgula virá a acompanhar a fala.

Vejam os exemplos:
1. *— O golfinho sabe nadar — disse a Matilde — mas o morcego não sabe.
2. *— O golfinho sabe nadar — disse a Matilde, — mas o morcego não sabe.
3. *— O golfinho sabe nadar —, disse a Matilde — mas o morcego não sabe.
4. *— O golfinho sabe nadar, — disse a Matilde — mas o morcego não sabe.

Todas estas frases estão mal pontuadas (geralmente, um asterisco representa uma frase errada, e é o que está a representar aqui). Pensem assim: a vírgula existe na fala, então tem de estar lá, não pode desaparecer (1). A vírgula pertence à fala, então não pode vir junto da narração, isso não faz sentido (2 e 3). E a última regra é a mais simples: a vírgula nunca vem antes de um travessão (4).

Assim sendo, só a primeira frase dada anteriormente estava correta:
O golfinho sabe nadar — disse a Matilde —, mas o morcego não sabe.

E eu agora pergunto: e se vier um verbo de fala dentro de duas frases diferentes?
O golfinho sabe nadar. O morcego, por sua vez, sabe voar.
Quero colocar “disse a Matilde” entre as frases.

Vamos lá pontuar isso corretamente. Ficaria:
O golfinho sabe nadar — disse a Matilde. — O morcego, por sua vez, sabe voar.
O golfinho sabe nadar,” disse a Matilde. “O morcego, por sua vez, sabe voar.”

Sim, a narração vai restringir-se apenas a uma frase. O verbo “dizer” está ligado à primeira parte da fala. Depois, a frase termina e começa outra, sem verbo na narração. Assim, temos de assinalar a separação das duas frases da fala com o ponto antes da segunda, separando a primeira da segunda. A narração fica “embutida” nas falas se tiver um verbo dicendi. É como se a fala se estendesse e perdurasse durante a narração que a descreve. Só aí é que termina e, terminando a narração, termina a fala que lhe estava ligada.

Noutros casos, se tivermos uma ação no meio da fala, fica assim:

O golfinho sabe nadar.” A Matilde sorriu. “O morcego, por sua vez, sabe voar.”
O golfinho sabe nadar. — A Matilde sorriu. — O morcego, por sua vez, sabe voar.

A ação não está ligada à fala por um verbo dicendi, então temos três ideias e três frases diferentes.

Se tivermos um verbo de fala MAIS uma ação, unindo as regras anteriores, fica assim:

O golfinho sabe nadar,” disse a Matilde, sorrindo. “O morcego, por sua vez, sabe voar.”
O golfinho sabe nadar,” disse a Matilde. Ela sorriu. “O morcego, por sua vez, sabe voar.”
~~
O golfinho sabe nadar — disse a Matilde, sorrindo. — O morcego, por sua vez, sabe voar.
O golfinho sabe nadar — disse a Matilde. Ela sorriu. — O morcego, por sua vez, sabe voar.

Vamos terminar agora ao falar dos casos com frases maiores.
Apesar de ser correto intercalarem uma narração com verbos de fala no meio de uma linha de diálogo longa sem a quebrarem, não podem intercalar ações no meio de uma linha de fala grande sem a interromperem. Lembrem-se, os verbos de fala completam o diálogo, a fala estende-se para os verbos dicendi… mas os verbos de ação interrompem a fala, abordam ideias completamente diferentes e não se ligam entre si.

Peguemos na frase longa:
Eu gosto de caracóis, mas detesto porcos.”
Eu gosto de caracóis, mas detesto porcos.

Podemos ter um enunciado de fala no meio:
Eu gosto de caracóis,” disse a Mariana, “mas detesto porcos.”
Eu gosto de caracóis — disse a Mariana —, mas detesto porcos.

Ou podemos ter um enunciado de fala no final:
Eu gosto de caracóis, mas detesto porcos,” disse a Mariana.
Eu gosto de caracóis, mas detesto porcos — disse a Mariana.

A ideia é que, realmente, enunciados com verbos dicendi completam a fala, venham onde vierem, e ela segue sem problemas, esteja o enunciado onde estiver, e desde que não quebre nem interrompa nenhuma ideia que componha a frase.

Mas se tiverem uma ação já não têm essa liberdade. Vejam como se inicia uma frase nova no final por causa do verbo em questão:

Eu gosto de caracóis, mas detesto porcos.” A Mariana coçou o queixo.
Eu gosto de caracóis, mas detesto porcos. — A Mariana coçou o queixo.

A única maneira de intercalarem uma ação durante uma fala é cortando a fala em várias frases distintas, assim:

Eu gosto de caracóis…” A Mariana coçou o queixo. “Mas detesto porcos.
Eu gosto de caracóis… — A Mariana coçou o queixo. — Mas detesto porcos.


E pronto! Eu disse que estávamos a terminar! Já abordámos todas as exceções e todas as situações básicas de pontuação de diálogo!

Foi um post longo, mas espero que vos tenha ajudado!

Vou agora deixar aqui uma lista com exemplos de diálogos um pouco maiores e intercalados com mais narração para as duas formas de pontuação. Espero que não tenham mais dúvidas! Estudem os exemplos agora do final e reparem nos verbos e na pontuação usada ao intercalar o diálogo com os enunciados.

Boa escrita para todos!
~~
Queria um pouco mais do teu incrível café mágico.” Lourenço deu um toque na caneca à sua frente, sorriu para a sua filha. “Por favor, claro.”
Está bem, está bem… Mas só porque o senhor é um bom cliente!” Ela saiu da cozinha a correr e no segundo seguinte berrou do quintal, “Com muita ou com pouca terra?”
Lourenço suspirou e depois respondeu de volta, “Com muita, minha senhora!” Ele só esperava que desta vez não houvesse minhocas.
~~
Odeio-te! — exclamou Renata. Ele tentou aproximar-se dela, mas a mulher foi mais rápida. — Não me toques! — Antes que ela sequer pudesse pensar no que fazia, a sua mão subiu e acertou no rosto dele.
~~
Não acredito nisto!” disse Linda. Olhou à sua volta e ainda lhe custava reconhecer a jarra que fora da sua avó entre os cacos espalhados no chão. As flores jaziam sobre uma poça de água suja. Ela voltou a sua atenção para os seus filhos. “Quem foi que fez isto?” As crianças recusavam-se a olhá-la. “Eu fiz uma pergunta!” exclamou. Eles tremeram, e ela tornou a insistir, “Quem foi o pobre infeliz que fez isto? Juro que se vai arrepender de ter achado que brincar às espadas com a vassoura era uma boa ideia!”
~~
De certeza que sabes conduzir isto?
Flávia apertou mais as mãos à volta de Hugo. Ele sorriu, mas estava de costas para ela sobre a mota e ela não o viu.
Sim, de certeza, boneca. — De travão bem preso, ele acelerou um pouco, só para fazer barulho com o motor. Ouviu o guincho dela com prazer e o seu sorriso aumentou. — Estás com medinho? — perguntou. — Se tens medinho, diz-me. Não precisas de vir agora.
Ela mordeu o lábio e apertou-se mais contra ele.
Claro que não tenho medo! — disse. A sua voz soou surpreendentemente mais firme do que ela estava à espera, e isso agradou aos dois.
Mas Flávia tinha tanto medo que nem sentia as pernas. Apesar de tudo, ela deu por si a incentivá-lo:
Estás à espera de quê? És tu quem tem medo agora?
Hugo riu-se alto e no momento a seguir a sua risada deixou de se ouvir sobre o som ensurdecedor da mota a arrancar a toda a velocidade.
~~
Já não sei o que mais posso fazer, sabes?” disse Inês. Tinha as sobrancelhas franzidas e a boca contraída numa linha fina. “Tudo me parece tão… estranho,” concluiu. “Não confio em ninguém aqui.”
Sim, eu sei o que queres dizer,” respondeu Rodrigo, pegando na cerveja que tinha sobre a mesa. Fez o líquido girar no seu interior e depois bebeu um gole rápido. “É como se o tempo corresse de forma diferente, não é? As prioridades aqui são diferentes. Mas as pessoas têm-nos ajudado,” concedeu.
Ela suspirou e retrucou, “Esta cidade deixa-me confusa.” Formou-se um beicinho amuado no seu rosto. “Quanto tempo ainda vamos ficar aqui?”
Isso depende.” Rodrigo coçou a sobrancelha direita e pareceu pensativo por um momento. Depois olhou para ela. Não disse nada e tornou a coçar a sobrancelha, com o olhar perdido na parede atrás de Inês. “Isso depende e não é só de nós os dois…”
~~
Gostas de mim? — perguntou ela. O seu sorriso era confiante. Ela sabia que a resposta seria positiva. Ela só queria torturá-lo por mais um momento.
Ele indicou que sim com um meneio de cabeça.
Diz-me — insistiu —, gostas realmente de mim?

...



Extras:

1. COMO COLOCAR TRAVESSÕES
Se o vosso teclado tiver o number pad (o “num lock”) do lado direito, é muito simples. Mantenham o dedo sobre a tecla ALT e primam os números 0151. Esse é o código ASCI para o travessão aparecer.
Se tiverem um notebook/computador portátil e ele não tiver o number pad, podem colocar o travessão ao acederem à aba INSERIR do Microsoft Word, acederem a SÍMBOLO e o encontrarem na lista que aparece.
Uma sugestão muito boa é criarem um atalho próprio no programa que usam para escrever para poderem ter o travessão facilmente. O meu atalho é ALT + A. Sempre que eu primo essas teclas, eu coloco um travessão no Word. No Word podem ir a SÍMBOLOS e depois escolher TECLA DE ATALHO para definirem qualquer atalho à escolha para qualquer símbolo que queiram.
Se não tiverem um processador de texto que permita essas edições ou essas inserções de símbolo, podem fazer o que eu faço quando uso o Google docs. Procuro literalmente “travessão Wikipédia” no Google e acedo à página da Wikipédia sobre o travessão. Aí só tenho de copiar o símbolo diretamente da página e colá-lo sempre que precisar de colocar um no texto. Em vez de fazer ALT+A, faço CTRL+V.


...


2. UMA ÚLTIMA DICA SOBRE DIÁLOGOS — O VOCATIVO
Esta dica é um extra. Acrescento-o aqui porque é outro erro grave que incontáveis diálogos no Nyah! têm e que é realmente simples, se quiserem tentar descobrir qual é esse erro.
O vocativo é o que se chama ao “nome” da pessoa com quem estamos a falar.
Se eu me viro para um grupo de pessoas e falo “Gente, socorro!”, esse “gente” é o que eu estou a chamar a esse grupo de pessoas. “Gente” é o vocativo.
Se eu digo “Professor, tenho uma dúvida!”, “professor” é o que eu estou a chamar à pessoa com quem falei. “Professor” é o vocativo da frase.
Se eu digo “Meu amor, podes passar-me o sal?”, “meu amor” é a forma que eu tenho de chamar a pessoa com quem estou a falar, então é o vocativo.
Caso tenham reparado, tudo aquilo que eu identifiquei como vocativo veio entre vírgulas nas frases. É uma regra gramatical muito importante e simples, que basta que interiorizem para não errarem. O vocativo tem sempre de vir entre vírgulas. Ele vem só com uma se estiver encostado ao início ou ao final da frase, mas tem de vir sempre isolado do resto.
Deixo aqui outro mini exemplo de diálogos, mas com alguns vocativos em todas as falas para servir de exemplo:

— Sabes, Pedro, eu detesto o frio…
— Sei sim, Maria, estás sempre a falar disso…
— Estou? Deixa de ser chato, deixa-me em paz, seu… seu chato!
— Eu sou chato? Tu é que és irritante, sua irritante!
— Não sejas mau, irmão, não me quero chatear contigo.
— Nem eu contigo, maninha. Tens razão.
— Vamos fazer as pazes, cabeça de mula?
     — Vamos, ancas de cegonha, vamos…


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3. DIFERENÇAS DE PONTUAÇÃO US VS UK
As diferenças de pontuação com aspas são poucas. Basicamente, nos Estados Unidos da América usam as aspas curvas duplas (“ “) e no Reino Unido e na Austrália usam as aspas curvas singulares (‘ ‘). Para além disso, na norma norte-americana, a posição da vírgula entre fala e narração com verbos dicendi é fixa. Na norma britânica e australiana, essa posição é normalmente um pouco relativa.



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As imagens que servem de ilustração para o posts do blog foram encontradas mediante pesquisa no google.com e não visamos nenhum fim comercial com suas respectivas veiculações. Ainda assim, se estamos usando indevidamente uma imagem sua, envie-nos um e-mail que a retiraremos no mesmo instante. Feito com ♥ Lariz Santana