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Sobre Apps e Escrita

domingo, 8 de dezembro de 2019

Por: Letícia Santos



Yooooo, meus serumaninhos lindos ♥ Já faz um tempinho desde a última vez que apareci aqui, então hoje trago para vocês um assunto que tenho certeza já passou pela cabeça de vários escritores: afinal, qual o melhor app de escrita?
Para muitos, um programa que te permita colocar as palavras na tela já é mais que o suficiente. Por isso não me surpreenderia se a maioria dissesse que o Word ou LibreOffice. Outros já precisam de mais, e unem esses dois com outras fontes, como apps de organização, fichas, lápis e papel, tudo para conseguirem detalhar ao máximo tudo o que imaginam. Estes provavelmente teriam uma resposta mais ampla ou vaga a essa pergunta. E ainda tem aqueles que só desejam algo minimalista, que os permita se focar apenas nas palavras.
Eis a minha resposta para essa pergunta: não existe o melhor app ou programa; existe apenas aquele que melhor funciona para você. Eu pesquisei e testei de tudo até encontrar o que melhor funcionava para mim. Eu consegui encontrar um que se encaixa perfeitamente no que eu preciso, e durante esses meses descobri vários outros que podem ser o que algum de vocês precisa. Por isso reuni neste post alguns dos programas e apps que testei durante esse tempo. E a melhor parte: todos são inteiramente gratuitos!

yWriter
Esse é um programa intuitivo e simples de usar. yWriter está atualmente em sua versão 6. Ele conta com ferramentas como personagens, locais e itens, além de poder acrescentar pontos de vista e objetivos para personagens e capítulos, que são de grande valia para aqueles que desejam ver todas as partes de seu planejamento num único lugar. Além disso, yWriter nos dá a opção de escrever os capítulos cena por cena, e reorganizá-las de forma prática e rápida, o que pode poupar do esforço de copiar-e-colar cenas entre capítulos quando queremos encaixá-los em outras partes do texto.
yWriter também ocupa pouco espaço na memória, o que também pode ser de grande ajuda. yWriter está disponível para Windows, Mac e IOS e, recentemente, também ganhou uma versão para Android.

oStoryBook
oStoryBook também segue a premissa de divisão de capítulos em cenas. Também é possível adicionar personagens, itens, locais, relacionamentos, ligar personagens à capítulos e cenas, visualizar todos os personagens envolvidos em cada momento da história, entre várias outras ferramentas úteis para o planejamento e escrita. A maior diferença entre o oStoryBook e o yWriter está na interface. oStoryBook é visualmente mais agradável, e tão intuitivo quanto.
Atualmente está disponível para Windows.

Quoll Writer
QuollWriter tem uma premissa similar ao dois anteriores. Ele também possui funções de adicionar personagens, itens, locais e escrever suas histórias cena por cena. As maiores diferenças que percebi foi o visual e a maneira como todas as opções estão organizadas. Também é possível acrescentar ligações entre personagens e capítulos, mas, diferente do yWriter, você tem uma lista completa dos capítulos/cenas em que um personagem aparece no momento em que abrir a aba do personagem. Além disso, possui a função de escrever em tela cheia que auxilia a manter o foco, você pode colocar objetivos de palavras/tempo e compartilhar projetos com outros editores/betas com um clique. Writing prompts, exportação de capítulos para outros formatos e uma ferramenta de busca complementam uma experiência incrível com o programa.
Quoll Writer é um programa open-source, e está disponível apenas para Windows.

Focus Writer
Focus Writer é o programa perfeito para aqueles que desejam focar apenas nas palavras. Ele funciona em tela cheia, com plano de fundo customizável, além de ser leve a agradável com o usuário.
Está disponível para download para Windows, Mac e Linux.

Novelist
Novelist é um aplicativo com organização similar ao Trello. Você planeja e organiza suas histórias através de quadros e cartões. Para os amantes de fichas de personagens, o app já possui uma ficha extensa e detalhada pronta para uso. Você pode dividir seus capítulos em cenas e colocar objetivos, sejam palavras ou datas, adicionar capas para cada projeto, além de acompanhar o seu progresso ao longo do desenvolvimento do projeto.
Está disponível para download para Android.

Writer Tools
Writer Tools também possui fichas de personagens, objetivos, e o sistema capítulos/cenas. Seu ponto forte está no seu visual e no fato de possuir um site para escrever seus projetos no PC.
Atualmente disponível para Android.

Manuskript
Manuskript é, como diz a crítica, um candidato potencial para o posto de “novo Scrivener”. Assim como a maioria, possui funções como adicionar personagens, itens, objetivos, capítulos e cenas. Seu diferencial está na adição da categoria Mundo, na implementação do método floco de neve para o planejamento, além da possibilidade de visualizar sua história em forma de linha do tempo. Também possui a função de tela cheia, além de relacionar capítulos/cenas e personagens.
Manuskript é um programa open-source disponível para Windows, Linux e Mac. Ainda está em fase de desenvolvimento, e a instalação do programa pode ser complicada para alguns. Além disso, por não ter um instalador próprio, te força a manter backups constantes para proteger seu trabalho. A experiência, entretanto, faz isso valer a pena.

Shaxpir
Shaxpir é o meu queridinho, não vou negar rsrs. Ele conta com um visual moderno, funções de arrasta e solta que auxiliam na organização, além de dividir as partes do seu trabalho em pastas. Você pode adicionar capa, fotos e ligações entre quaisquer itens utilizados. O Shaxpir também divide seu livro em Manuscript, que são os capítulos da história de fato, e Notebook, que é onde você pode colocar suas pesquisas, personagens, mundos, etc, todos completamente customizáveis e simples de usar.
Tem duas versões: a Pro, ($7,99 por mês), que contém ferramentas extras como sinônimos (em inglês, apenas), sentimento, que é uma representação visual do arco emocional de sua história através do uso de palavras positivas e negativas, e exportação para epub, além de diferentes temas e fontes. A versão grátis possui tudo aquilo o que um escritor pode precisar, incluindo exportação para docx, de forma que a falta dessas ferramentas extras não te afeta em memento algum.
Shaxpir está disponível para Mac e Windows.

E é isso. Espero que tenham gostado do post e que eu possa ter ajudado de alguma forma.
Beijinhos de Chocolate ♥

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Pronomes relativos

quarta-feira, 13 de novembro de 2013


Por: Letícia Silveira (Liga dos betas team)


“A mesa na qual estudava estava toda riscada”.


Pode parecer estranho, mas essa frase, de acordo com a maioria dos gramáticos, está gramaticalmente errada. Para alguns, “o qual” ou “a qual” soa melhor que “que” (já para outros, é o contrário, ou seja, o "que" soa melhor que "o qual", "a qual"); porém, a verdade é que não temos muita opção de quando utilizar cada um. E é para isso que lhes escrevo, para vermos como podemos conectar duas frases e estabelecer uma relação entre elas, substituindo palavras que não queremos repetir.

Para isso, precisamos compreender quais são os pronomes relativos e o que eles permitem de acordo com a maioria dos gramáticos.


1) QUE – Permite uma preposição que o anteceda com até uma sílaba (não precisa, necessariamente, conter uma preposição antes do pronome).


Ex. 1: “O trabalho a que me dedico é estressante”.

Ex. 2: “O dia que recém começou promete silenciosamente nos dar uma nova chance”.


Observemos o exemplo inicial. O que a pessoa quis dizer foi:


“A mesa estava toda riscada. Eu estudava na mesa”.


Logo, o que repetimos é “a mesa”; então, procuramos não repetir esse trecho e substituímo-lo. Para fazermo-lo, precisamos reparar no que vem antes de “a mesa” na segunda ideia (enquanto a primeira será a usada de base por ser a informação mais importante). Olhemos apenas a segunda frase:


“Eu estudava na mesa”.Esse “na” é a contração de “em + a”. Logo, há a preposição “em” antes do que se repete. Por isso, devemos colocar esse “em” antes do pronome relativo na segunda frase. Também é por essa razão que devemos, nessa frase em especial, utilizar o “que”, já que ele pode ser antecedido por preposições com uma sílaba (como “na”).

Assim, já temos algumas dicas do que pensar ao formar uma frase com pronomes relativos:

·      Ver o que se repete.
·      Procurar, na segunda frase (naquela que está se intercalando na principal), se há alguma preposição antecedendo o que se repete.
·      Essa preposição, obrigatoriamente, deve estar antes do pronome relativo e, dependendo do número de sílabas que ela conter e dependendo da relação que ela tem com o que se repete, determinará qual deve ser o pronome utilizado.



2) ONDE – É usado apenas para locais onde podemos entrar fisicamente. Por exemplo, não podemos adentrar na mesa, por isso não devemos escrever “a mesa onde estudava estava toda riscada”. O exemplo correto seria: “O museu onde eu trabalhava é muito reconhecido”. Esse pronome permite apenas preposições com uma sílaba antecedendo-o. 

Por instância: “A farmácia aonde eu ia era longe de casa” ou “O parque por onde andei ontem é perigoso”. (Lembremo-nos de que “aonde” é usado com verbos de movimento, quando há deslocamento, enquanto “onde” indica localização.)


Analisemos os exemplos acima:

A farmácia era longe de casa. Eu ia à farmácia.”


Se lembrarmos que “à” é a contração da preposição “a” mais o artigo “a”, sabemos que, ao substituirmos “a farmácia”, devemos colocar a preposição “a”.

Agora, faremos os passos que foram citados anteriormente:

· Ver o que se repete: “a farmácia”.
· Procurar, na segunda frase (naquela que está se intercalando na principal), se há alguma preposição antecedendo o que se repete: “preposição ‘a’”.
· Essa preposição, obrigatoriamente, deve estar antes do pronome relativo e, dependendo do número de sílabas que ela conter e dependendo da relação que ela tem com o que se repete, determinará qual deve ser o pronome utilizado: “aonde” (indica um local em que podemos entrar e tem uma preposição de apenas uma sílaba).

Na outra frase, temos:


“O parque é perigoso. Andei ontem pelo parque”.



· Ver o que se repete: “o parque”.


· Procurar, na segunda frase (naquela que está se intercalando na principal), se há alguma preposição antecedendo o que se repete: “preposiçãopor’, vinda da contração de por + a = pela”.


· Essa preposição, obrigatoriamente, deve estar antes do pronome relativo e, dependendo do número de sílabas que ela conter e dependendo da relação que ela tem com o que se repete, determinará qual deve ser o pronome utilizado: “por onde” (indica um local em que podemos entrar e tem uma preposição de apenas uma sílaba, “por”).


3) O QUAL (OS QUAIS) OU A QUAL (AS QUAIS) – O motivo pelo qual a frase “a mesa na qual...” está incorreta é que “o qual” e derivados devem ser utilizados com preposições de, no mínimo, duas sílabas. Assim, sempre que houver preposições “longas”, será “o qual” e seus derivados. Como “na”, que antecede “qual”, tem apenas uma sílaba, o seu uso é impróprio.

Um uso adequado seria: “O dinheiro através do qual paguei as contas já se esgotou”.

OBSERVAÇÃO: “o qual” irá variar concordando com aquilo que se repete. Como é “o dinheiro”, será “o qual”. Se fosse “os dinheiros”, seria “os quais”. Se fosse “a casa”, seria “a qual” e assim vai.



Vejamos:

“O dinheiro já se esgotou. Paguei as contas através daquele dinheiro”.


· Ver o que se repete: “o dinheiro” (aquele apenas se refere ao dinheiro citado anteriormente).

· Procurar, na segunda frase (naquela que está se intercalando na principal), se há alguma preposição antecedendo o que se repete: “através de”.

· Essa preposição, obrigatoriamente, deve estar antes do pronome relativo e, dependendo do número de sílabas que ela conter e dependendo da relação que ela tem com o que se repete, determinará qual deve ser o pronome utilizado: “através da qual” (tem uma preposição de mais de duas sílabas, “através de”, e é uma preposição “longa”). 



*CASOS COM AMBIGUIDADE:


“O qual” pode, porém, ser utilizado livremente (sem exigências de sílabas antecedendo-o) quando a frase apresentar ambiguidade. Por exemplo:


“O porão da casa, em que me encontrava, era assustador”.

Afinal, eu me encontrava no porão da casa ou na casa? Para contornar essa dúvida, podemos utilizar “o qual”, podendo alterar o sentido da casa. Assim:


“O porão da casa, no qual me encontrava, era assustador”.
(Eu estava no porão.)



“O porão da casa, na qual me encontrava, era assustador”.
(Eu estava na casa.)
Porém, isso não é lei. Apenas recomenda-se utilizar esse pronome nesses casos, pois facilita a compreensão do texto.


4) QUEM – Primeiramente, ele só deve ser usado com pessoas. Também, não deve ser utilizado sem preposição. Assim, a frase “minha mãe, quem eu amo, é maravilhosa” está incorreta gramaticalmente. O uso mais correto seria: “A minha mãe, que eu amo, é maravilhosa”.

Porém, “quem” pode ser utilizado em casos como: “A minha mãe, a quem eu dei um abraço, é maravilhosa”. Isso porque:

“A minha mãe é maravilhosa. Dei um abraço à minha mãe”.



· Ver o que se repete: “a minha mãe”.

· Procurar, na segunda frase (naquela que está se intercalando na principal), se há alguma preposição antecedendo o que se repete: “preposição ‘a’ vinda do acento grave”.


· Essa preposição, obrigatoriamente, deve estar antes do pronome relativo e, dependendo do número de sílabas que ela conter e dependendo da relação que ela tem com o que se repete, determinará qual deve ser o pronome utilizado: “a quem” (refere-se a uma pessoa e possui preposição, então pode ser usado “quem”).



5) CUJO(A) – Ele indica posse, ou seja, quando alguém possui algo (e notem que “possuir” só é utilizado em relações materiais). Pode ser utilizado com ou sem preposição, independentemente do número de sílabas. Vejamos um exemplo para desmembrar o temido “cujo”:


“O menino cuja carteira havia sido roubada não tinha como voltar para casa”.

Nesse caso, temos, seguindo a mesma lógica:

O menino não tinha como voltar para casa. A carteira do menino havia sido roubada”.



· Ver o que se repete: “o menino”.

· Procurar, na segunda frase (naquela que está se intercalando na principal), se há alguma preposição antecedendo o que se repete: “preposição ‘de’, vinda da contração de ‘de’ mais artigo ‘o’”.

· Essa preposição, obrigatoriamente, deve estar antes do pronome relativo e, dependendo do número de sílabas que ela conter e dependendo da relação que ela tem com o que se repete, determinará qual deve ser o pronome utilizado: utilizaremos “cujo” por haver “de” antes do que se repete e, antes desse “de”, haver outro substantivo. Esquematizemo-lo:

(PREPOSIÇÃO) + SUBSTANTIVO + DE + O QUE SE REPETE

Essa é a frase original. Ela deve se transformar em:

O QUE SE REPETE + (PREPOSIÇÃO) + CUJO(OS, A, AS) + SUBSTANTIVO

Por isso, vamos lembrar o que é substantivo: é uma coisa, é um nome. Sempre que quisermos comprovar, podemos colocar nessa frase: “a(o) _______ é bonita(o)”. Por exemplo: “a carteira é bonita”. Coube? Então, é um substantivo. Como temos naquela frase, “a carteira do menino”, utilizamos o “cujo”.



OBSERVAÇÃO: “cujo” sempre concordará com aquilo que vem depois dele (daquilo que vem depois da preposição “de”). Por exemplo, “o aluno cuja família”, “os alunos cujas famílias”, “o aluno cujo celular”, “o aluno cujos celulares”...

OBSERVAÇÃO 2: usar artigo (a, as, o, os) depois de “cujo” é incorreto. O artigo estará “contido” no pronome.


Vamos observar outro exemplo para colocarmos os ensinamentos em prática:

“A menina com cujas atitudes não concordo não é minha amiga”.

Assim,

“A menina não é minha amiga. Não concordo com as atitudes da menina”.



· Ver o que se repete: “a menina”.

· Procurar, na segunda frase (naquela que está se intercalando na principal), se há alguma preposição antecedendo o que se repete: “preposição ‘de’, vinda da contração de ‘de’ mais artigo ‘a’”.

· Essa preposição, obrigatoriamente, deve estar antes do pronome relativo e, dependendo do número de sílabas que ela conter e dependendo da relação que ela tem com o que se repete, determinará qual deve ser o pronome utilizado: “com cujas”

Para explicar o motivo do uso, vejamos:



(PREPOSIÇÃO) + SUBSTANTIVO + DE + O QUE SE REPETE
Com + as atitudes + de + a menina


O QUE SE REPETE + (PREPOSIÇÃO) + CUJO(OS, A, AS) +
SUBSTANTIVO
A menina + com + cujas + atitudes



Assim, “cujas” estará com o artigo “as” e “atitudes” estará seguindo “cujas”. Antes de “cujas” estará o “com” por ele estar antecedendo o substantivo que vem antes do que se repete. 

Está entendido? Então agora vem a melhor parte: o descanso. Caso restarem dúvidas (o que eu sei que é muito fácil de acontecer visto que o conteúdo é complexo), esclarecê-las-ei através dos comentários. Espero vê-los em breve, futuros ninjas gramaticais.

Fontes:


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Colocação pronominal

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Por Letícia Silveira 
(Liga dos betas team)

            
Sendo um erro muito comum em fanfics, a colocação pronominal é a causadora de diversas dúvidas. Porém, antes de começarmos, precisamos rever o que são pronomes. Existem os pronomes pessoais retos, responsáveis pelas ações, ou seja, são sempre os sujeitos das ações: eu, tu, ele, ela, você, nós, vós, eles, elas, vocês. Logo, observemos alguns casos:
Ele estendeu o produto para eu o pegar.
Porém, existem também os pronomes oblíquos, que, no singular, são: mim, me, comigo, ti, te, contigo, o(s), a(s) , si, consigo, se, lhe. Já no plural, são: nós, conosco, nos, vós, convosco, vos, eles, elas, si, se, os, as, consigo, lhes. Não se preocupem, aqui não se trata de nenhuma decoreba, apenas queremos entendê-los e ver o seu devido uso. Vejamos, pois, um exemplo de utilização de um pronome oblíquo:
“O papel, você entregou ele ao João?” (= Errado, pois “ele”, nesse caso, não faz a ação, quem faz é “você”. Podemos descobrir o sujeito ao perguntarmos para o verbo: “quem entregou ao João?”.)
“O papel, você o entregou ao João?” (= Certo) Ele lhe entregou o papel.
Podemos observar que “lhe” indica o uso de uma preposição, ou seja, “ele entregou o papel a alguém”. Poderíamos, porém, ter usado o pronome “o”, que vem da mesma pessoa do singular. Vejamos:
Ele o entregou a ela.
No exemplo acima, percebemos que “o” substitui “o papel”, pois “o(s)” e “a(s)” são utilizados quando a preposição não é necessária. De tal maneira, “o” e “a” não usam preposição, mas “lhe” usa. Assim, não teremos mais a dúvida de como substituir devidamente o “te” em nossas falas. Observe a exemplificação através da transformação da fala abaixo:
“Eu te falei o que eu queria contigo, mas tu não me ouviste”.
Suponhamos que queiramos passar da segunda pessoa do singular (do “tu”) para a terceira (o “você”). Normalmente, isso ocorre quando queremos tornar a fala mais culta e mesclar aquele “te” da fala que mescla o “você” com o “te”. Assim, a correção seria:
“Eu lhe falei o que eu queria com você, mas você não me ouviu”.
Ou seja, eu falei a você (logo, ao substituí-lo, devemos colocar “lhe”, não “o”) o que eu queria com você (não é “consigo”, pois “consigo” apenas reflete a ação para aquela mesma pessoa: “ele falava consigo mesmo”), mas você não me ouviu (concordância verbal).

Estamos entendidos quanto à diferença entre “lhe” e “o” ou “a”?


Além disso, cuidemos esse “consigo”. Não é raro encontrarmos casos em que, em vez de “consigo”, deveria ser “com você”. E sim, “com você” existe e é perfeitamente utilizável ainda quando não for sujeito.

Agora, vejamos outro caso que gera dúvidas: como juntar o verbo ao pronome oblíquo. Pois bem, temos de cuidar quando houver “o(s)” ou “a(s)” para unirem-se ao verbo. Caso haja qualquer outro (lhe, se, te, me, nos...), não haverá modificação no verbo como: “trazer-lhe” ou “chamar-te”. Entretanto, nos casos dos pronomes “o(s)” ou “a(s)”, teremos de cuidar os verbos que terminam em R, S ou Z e devemos retirar essas letras fora, cortá-las. Assim, “cantamos” perde o seu “S” e fica “cantamo”. Depois disso, devemos adicionar um “L” junto ao “o(s)” ou “a(s)” e ligar essa nova estrutura (lo, los, la, las) ao verbo através de um hífen. Obteremos, em seguida, “cantamo-la”, ou “cantamo-las”, ou “cantamo-lo”, ou “cantamo-los”. Veja alguns exemplos abaixo:


Fizemos um desenho na folha de papel. --> Fizemo-lo.

Fez um desenho na folha de papel. --> Fê-lo na folha de papel.

Vou fazer um desenho na folha de papel. --> Vou fazê-lo na folha de papel.


Podemos observar que a acentuação da palavra muda. Isso ocorre porque o verbo torna-se uma palavra oxítona (com a sílaba tônica, a mais forte, no final) ou um monossílabo tônico (que tem a mesma sílaba no mesmo local; porém, a palavra é formada por uma única sílaba). Assim, palavras terminadas em “I(s)” ou “U(s)” não serão acentuadas.

Além desse caso do R, S ou Z, há também o caso de terminação em “M” ou sílabas com o acento til (a “cobrinha” em cima de algumas palavras). Nesses casos, o verbo não perde nenhuma letra, nada “cai” dele. Apenas acrescentamos o “N” antes dos pronomes oblíquos “o(s)” ou “a(s)”. Por exemplo:

Fizeram um desenho na folha de papel. --> Fizeram-no.

Põe um vaso em cima da cima. --> Põe-no.

Tranquilinho? É preciso revisar, tirar dúvidas e entender a parte anterior para poder passar para o passo seguinte: aprender a temível próclise, mesóclise e ênclise. Digo temível por elas terem esses nomes apavorantes; porém, não são tão monstruosas assim.

A próclise ocorrerá quando uma palavra que estiver anterior ao verbo puxar o pronome, como nesse caso: “Não me machuquei jogando basquete”. Já a mesóclise é a mais desconhecida, pois, quando nada puxar o verbo e ele estiver no futuro, devemos colocar o pronome no meio do verbo: “Machucar-me-ei jogando basquete”. Mas não se estresse, caro leitor, pois nada nessa vida é impossível. Porém, para nossa tristeza, ainda há a ênclise, que acontecerá quando não houver mesóclise nem nada puxar o pronome: “Machuquei-me jogando basquete”. Agora, estudemo-las a fundo.

Assim sendo, o que devemos pensar sempre uma coisa ao refletir sobre onde devemos colocar o pronome é:


1º) se deve ser próclise;

2º) se deve ser mesóclise ;

3º) se não for nenhuma das anteriores, será ênclise.



Próclise

A próclise é a responsável por puxar o pronome para antes do verbo. Isso ocorrerá quando houver:


A) Advérbios antes do verbo:

Lembremos que advérbios são coisas que indicam tempo ou frequência (jamais, nunca, sempre), lugar, companhia, ou que negam algo (não). Na dúvida, devemos saber que os advérbios não têm plural: não existem “jamaises” ou “nuncas”, eles têm uma única forma.


Não a queria lastimar.
Jamais o havia visto assim.



B) Pronomes antes do verbo:

Há outros tipos de pronomes como os indefinidos (que não definem): alguém, algo, ninguém, nada, tudo, quem. Além desses, há os pronomes relativos que servem de conjunções, sendo “o qual”, “que”, “onde”, “cujo”. Também existem os demonstrativos: isso, aquilo, esse, este. Sempre é bom nos mantermos informados sobre todos os tipos de pronomes para podermos puxar os oblíquos quando necessário.

Algo me dizia que aquilo não iria prestar.
Ninguém me dissera antes tal coisa.

Observação: não esqueçamos que “eu, tu, ele, nós, vós, eles” também são pronomes, mas são pronomes retos. Eles têm o privilégio de nos deixar optar se queremos ou não puxar o pronome oblíquo. Assim, podemos escrever “Ele me disse” ou “Ele disse-me” de acordo com a norma culta.



C) Preposição seguida de gerúndio:

Lembremos que gerúndio é o verbo terminando em “ANDO”, “ENDO” e “INDO”, como em andando, comendo e rindo. Vejamos alguns exemplos:

Em se tratando de violência no trânsito, o Brasil é capaz de destacar-se.



D) Conjunção subordinativa:

Esse nome assustador nada mais é do que o nexo da frase. Quando uma oração depende da outra para ter sentido, o nexo utilizado para unir as orações é uma conjunção subordinativa. Observe a frase: “Ele me deu um presente, mas eu o recusei”. É possível compreender o sentido dela lendo apenas “Ele me deu um presente” e, depois, “Eu o recusei”? Sim, é perfeitamente compreensível (pois se utilizou um nexo coordenativo, não subordinativo). Agora vejamos outro exemplo: “Ele me deu um presente ainda que não fosse o meu aniversário”. Podemos entender o sentido lendo apenas “Ele me deu um presente” e, depois, “Não fosse o meu aniversário” ? Não o compreendemos porque aqui temos, justamente, a bendita conjunção subordinativa. Eis alguns exemplos:

A fim de que me animasse, minha amiga levou-me àquela festa.

Tinha certeza de que já a conhecia já que me era conhecida a sua face.



E) Uma frase exclamativa consagrada:

Frases como “Deus me acuda!” foram consideradas como consagradas e, por conseguinte, não devemos escrevê-las na forma de “Deus acuda-me”. Aqui, deve-se utilizar a próclise também.
Deus me livre!




Mesóclise


A mesóclise é a responsável por posicionar o pronome no meio do verbo. Isso ocorrerá quando houver verbos no futuro (no futuro do pretérito ou no futuro do presente, ou seja, os verbos com desinências como “ria”, “re” ou “ra”):

Entregar-lhe-ei o presente. (Antes a frase era “Lhe entregarei o presente”, mas o pronome oblíquo nunca deve estar no começo de uma frase.)


A partir do exemplo acima, podemos perceber que a inclusão do pronome será a partir do “R” do verbo. Devemos, então, procurar o “R” do futuro, incluir o pronome (cuidando se caso for “o” ou “a” e tivermos de retirar o “R” e adicionar um “L” --> “pensá-lo-ei”) e separá-lo com hifens entre as partes do verbo. Assim, observemos algumas transformações:


Faria o trabalho sem dúvidas. -->Fá-lo-ia sem dúvidas.

(Eles) Porão a jarra na geladeira. --> Pô-la-ão na geladeira.



Ênclise

A ênclise é a responsável por colocar o pronome após o verbo, sempre o ligando através do hífen. Isso ocorrerá quando a próclise ou mesóclise não exigir o uso do pronome, respectivamente, antes ou no meio do verbo. Porém, há alguns casos em que não há escapatórias para o uso de ênclise e são eles:


A) Quando o verbo iniciar a oração:


Disse-lhe o que ela não queria ouvir. (Não poderia ser “Lhe disse” de acordo com a norma culta.)
Fê-lo porque o quis.*

*Jânio Quadros, tendo sido professor de Português, disse a frase “Fi-lo porque qui-lo”; porém, alguns gramáticos contestam a afirmação, que nada mais era do que uma brincadeira, dizendo que o “porque” puxaria o pronome “o”. Apenas por curiosidade...




B) Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo:

O imperativo afirmativo é uma ordem ou pedido mais exigente que se faz a alguém. Por exemplo:

Sigam-me os bons!
Façam-no agora!

C) Quando houver uma vírgula antes do verbo:


Depois, disse-lhe o que ela não queria ouvir. (Sem a vírgula, “depois”, por ser um advérbio, teria puxado o pronome.)
Se não está chovendo, visto-me diferentemente.


D) Quando houver um verbo no gerúndio:

Ela perguntou fazendo-se de boba.
Despediu-se, abraçando-me.


Agora, teríamos terminado a nossa missão de hoje se não fossem pelas locuções verbais: temos de fazer uma observação especial para elas. 

As locuções verbais ocorrem quando há mais de um verbo explicitando uma única ideia. Podemos ter esses casos:



A) Verbo auxiliar + verbo no infinitivo (verbos terminado em AR, ER, IR)

Quando isso ocorrer, o pronome poderá se posicionar antes, depois ou no meio da locução. Apenas não podemos esquecer as regras anteriores para aplicá-las aqui.

Vou me vestir de preto hoje. (Estilo mais brasileiro)
Vou-me vestir de preto hoje. (Estilo mais português)
Vou vestir-me de preto hoje.

(“Me vou vestir de preto hoje” estaria errado porque o pronome não pode iniciar a frase. Se o verbo estivesse no futuro, a única opção seria: “Vestir-me-ei de preto hoje”.)



B) Verbo auxiliar + verbo no gerúndio (verbos terminados em ANDO, ENDO, INDO)

Aqui, o pronome também pode ocupar qualquer lugar: início, meio ou fim.

Vou me vestindo à medida que ouço a música. (Estilo mais brasileiro)
Vou-me vestindo à medida que ouço a música. (Estilo mais português)
Vou vestindo-me à medida que ouço a música.



C) Verbo auxiliar + particípio (verbos terminados em ADO, IDO ou ITO)

Aqui, o pronome pode estar no início ou no meio, mas nunca pode estar após o particípio. Por exemplo:

Tinha me vestido de preto. (Estilo mais brasileiro)
Tinha-me vestido de preto. (Estilo mais português)

(“Tinha vestido-me de preto” está errado de acordo com a norma culta assim como “Me tinha vestido de preto”.)


Por conseguinte, finalizamos essa parte de verbos e pronomes! Espera-se que, a partir de agora, não haja dúvidas na hora de posicionar o pronome. Entretanto, nunca é demais aprender, e, portanto, antes de encerrarmos essa matéria, podemos ver a diferença entre os alguns pronomes demonstrativos.


Pronomes Demonstrativos

Eles são responsáveis por apontar a aproximação do objeto com aquele que fala, com aquele que escuta e com aquele que está longe de quem fala e de quem escuta. Assim, temos:



A) ESTE, ESTA, ISTO

São usados para se referirem a algo que está perto de quem fala.

Este vestido é lindo para você usar na festa! (O vestido se encontra próximo de quem fala.)

Também são usados, em textos, para se referirem a algo que está por vir:

O meu pensamento é este: odeio preconceitos! (O pensamento a que o “este” se refere está especificado em seguida.)

Em termos de temporalidade, esses pronomes podem se referir a algo temporalmente próximo (mais atual). Por exemplo: “Esta sociedade caótica...”.



B) ESSE, ESSA, ISSO

São usados para se referirem a algo que está perto de quem escuta.

Esse vestido é lindo para você usar na festa! (O vestido se encontra próximo de quem escuta.)

Também são usados, em textos, para se referirem a algo que foi citado anteriormente:


Odeio preconceitos, esse é o meu pensamento (O “esse” se refere ao pensamento citado anteriormente.)



C) AQUELE, AQUELA, AQUILO

São usados para se referirem a algo que está longe de quem fala e de quem escuta.

Aquele vestido é lindo para você usar na festa! (“Aquele” indica certa distância.)

Observação: em textos, os pronomes podem desfazer ambiguidades (sentidos duplos). Por exemplo: “Se as amigas das minhas irmãs decidirem fazer uma única festa, aquelas irão à festa”. (“Aquelas” desfaz a ambiguidade que imporia o “elas” e se refere às primeiras, às amigas, pois elas estão mais longe na frase.) Ou “Se as amigas das minhas irmãs decidirem fazer uma única festa, estas terão trabalho”. (Nesse caso, “estas” desfaz a ambiguidade e aponta para o mais próximo.)


Agora, podemos descansar, queridos. Já vencemos palavreado demais para um único dia. Entretanto, espero que o cansaço tenha valido a pena, que tenham aproveitado essa lição de hoje. E, procurando evitar o uso inevitável dos pronomes, desejo-lhes um bom descanso.



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Como escrever o primeiro capítulo de sua fanfic

terça-feira, 7 de maio de 2013

Por: Letícia Silveira


Introdução


Sendo o primeiro capítulo de suma importância, como será visto a seguir, não serão apenas os iniciantes os beneficiados com esse artigo. Aqueles que acabam escrevendo algumas linhas que matam qualquer beta-reader ou leitor que já tenha esse senso crítico também poderão apropriar a sua escrita através desse texto.

Sabe aquela famosa primeira linha de “Meu nome é Xis, tenho tantos anos...”, que dá início a uma introdução da personagem? Ou aquelas que dizem depois “Ah, me desculpem” ou “Ah, me esqueci de me apresentar”? Assumo que já escrevi coisas assim — e, nesse e em todos os momentos, tenho vontade de tacar fogo nas minhas fanfics. E esse desejo não cresce por ser errado começar uma história desse jeito, mas sim porque é inadequado, sendo sinônimo do amadorismo. Há uma diferença tênue entre esses termos.

Vamos, então, às dicas? Para iniciá-las, é preciso haver o entendimento da importância do primeiro capítulo (não só para o escritor como também para o leitor).



“A primeira impressão é a que fica”


O primeiro capítulo é a segunda coisa que mais representa a sua fanfic (já que a primeira é a sinopse). Do enredo, porém, será o capítulo mais importante por introduzir o leitor a um novo mundo, ao mundo que você proporcionou e continuará proporcionando a ele. 

Nesse primeiro capítulo, além de introduzir a história, você também mostrará o seu estilo de escrita. Por acaso, você se lembra do velho ditado “a primeira impressão é a que fica”? Logo, em livros, é exatamente assim. Se a pessoa ler o seu primeiro capítulo com o seu estilo e não gostar, adeus, leitor. Ele não terá piedade de abandonar a fanfic, e ninguém quer que isso ocorra, certo? Por isso, preste atenção nas dicas que aqui serão distribuídas especialmente para você. Não se quer ofender ninguém, aqui se busca ajudá-lo.


Rabiscando em um computador


Espera-se que você já tenha montado o início, o meio e o fim da sua história. Caso contrário, não está na hora ainda de escrever o primeiro capítulo. Depois de ter feito já a descrição do que ocorrerá na fanfic, escreva um parágrafo resumindo os principais acontecimentos do primeiro capítulo, que deve iniciar a trama da fanfic. Por exemplo (e esse exemplo foi baseado em uma novela mexicana e, por isso, é dramático):

“Maria é uma policial disfarçada em um pequeno vilarejo. Fingindo ser uma fotógrafa de lugares exóticos, o seu verdadeiro objetivo era prender o corrupto prefeito do local. Apaixonada pela justiça, ela não contava com o paradigma de um novo visitante por quem se apaixonará: um fugitivo da polícia que está usurpando o lugar de um morto. Agora, ela terá de escolher entre o amor e a justiça.” 

Nesse parágrafo, há uma pequena apresentação da trama. É algo que ocorre antes do clímax, ou seja, do auge da história que iniciará a partir da confusão do paradigma amor-justiça no caso do exemplo. Os acontecimentos aqui narrados dão início a, justamente, esse auge. Para constar, muitos escritores americanos, principalmente de ficção, utilizam esse meio para escrever histórias. Pois é, aquele livro que você idolatra não começou com o primeiro capítulo — começou assim mesmo: com um parágrafo aleatório e introdutório. 

Depois de ter feito isso, tente expandir esse parágrafo. Adicione informações a ele, preencha-o — sempre, é claro, dando coerência. Continuando o exemplo acima, mencionar-se-ia o conflito interno da personagem diante de tal paradigma. Tentar-se-ia expandir a situação para o quadro psicológico. 

Quando você terminar esse parágrafo, você poderá começar a escrever o primeiro capítulo utilizando várias ideias que foram distribuídas nele, mas começando o capítulo do zero. Será um jeito de você ver as perguntas que surgem com o clímax para tentar colocá-las no primeiro capítulo para o leitor querer continuar a sua leitura, a fim de resolver os mistérios que despertaram a sua curiosidade.


Ambientação e sua descrição


Seguindo em frente, após escrever esse pequeno parágrafo, note em que lugar você começou a narrar a fanfic. Naquele parágrafo de exemplo, não se mencionou o local de início, então se começaria por algum lugar do vilarejo caso o foco narrativo começasse com Maria. Senão, se o foco pertencesse ao fugitivo, poderia indicar que tudo iniciou na fuga da prisão, o que também daria certo ritmo à história. 

Logo, isso é muito importante: dar intensidade para não entediar o leitor. Como é a parte mais importante do livro, tente prender o leitor logo ali, mas sem apelar para lutas, invasores ou qualquer outra coisa. Não crie um novo acontecimento a cada capítulo apenas para prender o leitor. O desenvolvimento do enredo já o faz por si mesmo.

Além disso, trate de realmente ambientar o local. Não diga algo como “estava na prisão”, diga “as paredes o cercavam por diversos lados, e, quando não as havia, se sentia como um animal enjaulado”.

Além de tudo já mencionado, é importante também realçar que o primeiro capítulo demonstra ao leitor o onde e o quando. Não é preciso mencionar obviamente, apenas guie sem pesar muito nas descrições.



Caracterização das personagens


É aqui que encontramos o elemento que prenderá o leitor à fanfic. Assim que houver uma identificação com uma personagem, o leitor quererá saber o que acontecerá em seguida, qual será o próximo acontecimento ou como ele resolverá o problema.

Chuck Wendig, romancista, roteirista e designer de jogos, disse: 

“Se eu chegar ao final do primeiro capítulo e eu não tiver uma ideia sobre o seu personagem principal — se eu e ela não estivermos conectados através de alguma corda psíquica pegajosa invisível — eu estou fora. Eu não preciso gostar dela. Eu não preciso saber tudo sobre ela. Mas eu tenho a maldita certeza de que preciso me preocupar com ela. Faça-me importar! Acione o botão de volume do fator se importar. Deixe-me saber quem ela é. Faça-me temer por ela. Fale-me de sua busca. Sussurre para mim por que é importante a sua história. Dê-me isso, e eu vou segui-la através das entranhas do Inferno”.

Sendo assim, nunca idealize uma pessoa. Ninguém é perfeito, nós sabemos disso. Então, aproveite para explorar os defeitos — bem como as qualidades. Não faça alguém só cheio de defeitos ou só cheio de qualidades. Tente sempre conciliar as características. Para facilitar esse processo, pode até basear a pessoa em você (nada ao pé da letra como nome, idade, colégio, nome dos amigos...), pois o melhor é sempre você escrever sobre algo que você domine. Se não souber descrever lutas, por exemplo, fuja delas. Coisas do gênero. Quanto mais você souber sobre o que você está falando, melhor.

Foco, foco! Voltemos à introdução, observando que não queremos uma avalanche de detalhes da personagem. É preciso desenvolvê-la aos poucos. Por exemplo, “Maria era uma policial séria, discreta, paciente e racional” não seria escrito. Desenvolver-se-ia ao longo do capítulo para não deixar isso tão previsível.

E, quando você for escrever algo como “— Só pode ser praga! — exclamou ele”, procure dar mais informações. Diga algo como “exclamou ele, cerrando os punhos e os levando à cabeça, enquanto o seu queixo tremia devido à sua força”. Isso demonstraria a irritabilidade desse personagem recém-criado. Assim, é mais legal o leitor se envolver na história ao juntar as peças do quebra-cabeça do que você dar um quebra-cabeça completo. Qual seria a graça do presente? E é justamente isso que a leitura é ao leitor: um presente. Podemos viajar, podemos esquecer, podemos viver. É um reino mágico onde não deveria ser tão difícil de entrar, certo? Deveria haver mais autores, certo? Errado. Escrever é difícil, é necessário dedicação. E, principalmente, leitura. Vamos ver a equação da escrita:



Leitura está para escrever assim como escutar está para falar. Se você não escutar, não conseguirá falar algo que preste. Ou seja, se você não ler, não conseguirá escrever decentemente.



Diálogo é o que há


Além disso, é essencial realçar a importância dos diálogos. É o melhor caminho de caracterizar um personagem, repassando os aspectos físicos e emocionais que você pensou ao escrever. Diálogo é o jeito mais rápido de fazer o leitor conhecer a personagem. 

Aliás, é um dos melhores jeitos de começar o primeiro parágrafo da sua história. É melhor que “Era uma vez”, que “Era o ano de XXXX” ou que “Maria estava caminhando pelo vilarejo”. Porém, não pode ser qualquer diálogo. Tem de ser bom, tem de ser intrigante, tem de grudar o leitor ao computador e fazê-lo nunca querer tirar a cara dali. Por isso, muitas histórias possuem o Prólogo. Essa parte revela algo crucial à história, podendo conter alguma coisa da própria ação. Por exemplo, se eu começasse uma história de ação com um Prólogo assim, você leria?



“— Dave, por favor, não fica mais aqui. Eles estão vindo, eles estão vindo! — por mais aguda que a sua voz estivesse, verdadeiramente, ela não queria que ele saísse dali. Em um acesso de egoísmo, queria agarrá-lo e apenas ficar ali com ele, mas não conseguiria privá-lo de sua própria vida. 
— Não, Duda, eu vou te tirar daqui, eu prometo. — a sua voz era firme ainda que os seus olhos estivessem cheios d’água. 
Mais uma vez, ele tentou retirá-la das ferrugens do carro em que estava preso o seu pé. Em meio às lágrimas, Duda já não sentia mais a dor física, agora apenas se preocupava com David, que morreria junto a ela por tentar salvá-la. Ela realmente tinha feito algo para merecer morrer, mas ele, não. Com certeza, o rapaz não merecia um destino tão cruel quanto aquele”.
           

Há, aí, a tentativa de estabelecer um trecho que ocorreria no meio da fanfic. E, afinal, você ficou curioso para saber o que está acontecendo com a Duda? Qual é a relação entre ela e o David? Como eles são? Quem está vindo? Essa é uma dica que também vale ouro: desperte perguntas que você seja capaz de responder depois. Até você esclarecê-las, o leitor está preso a você. 

Por conseguinte, busque ser o mais realista possível com os diálogos; de tal maneira, as personagens não precisam falar na norma culta — a não ser que seja uma fanfic escrita no passado ou algo da sociedade de mórmons (?). Use gírias, saia da concordância verbal — os faça pessoas reais, parecidas com quem você convive. Dependendo da idade, falará de um jeito. Se baseie, por exemplo, em adolescentes que você conhece para escrever os diálogos deles. Claro, procure evitar tantos estrangeirismos (principalmente das palavras em inglês) para não guiar a fanfic ao grupo de pessoas que entende essa língua e não exagere demais. É sempre bom ter uma margem bem ampla de público, ficando sempre aberto a todos. Há, porém, aqueles que se desafiam e fazem algo bem restrito, e penso que eles merecem palmas.



Conclusão


Em suma, para ter um bom primeiro capítulo, é necessário introduzir sobre o que é a fanfic. Além disso, cuide sempre a ambientação sem optar pelo óbvio assim como deve ser feito na caracterização das personagens. Busque sempre o próximo do real e dê o seu ponto de vista sobre ele. 

O primeiro capítulo deve ser o mais difícil de escrever, não se preocupe. Você não está sozinho nessa, pois todos passam pelo mesmo problema. Não sendo monótono, você conseguirá uma grande abertura para a sua fanfic. Se tiver dúvidas se o primeiro capítulo está entediante, contrate um beta-reader (que permanecerá lá dando o seu ponto de vista por toda a história), pois ele criticará coisas assim (além de muito mais).

Lembre-se: a sua missão aqui na Terra é a de abduzir leitores. Caso você não o faça, voltará para o seu planeta de origem.



Fontes: 




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Letícia Silveira é vestibulanda, beta-reader, ficwriter e colaboradora das aulas do NYAH! Fanfiction junto à Lady Salieri. Indecisa sobre qual carreira deve seguir, segue em busca de respostas ainda que as tema escutar.

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A personagem (1/2)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Por Letícia Silveira

“Eu vejo o escritor como um ouvinte. No caso da reportagem, ele é um ouvinte de personagens externos, de personagens que estão na vida real. E quando a gente faz ficção, a gente é um ouvinte de personagens internos.” Eliane Brum

            

Quando criamos uma personagem, temos sempre uma ideia geral da função que ela terá no livro; entretanto, a sua personalidade e o entendimento feito pelo leitor são dados através da sua indispensável caracterização. Logo, ao analisarmos que as personagens são as agentes das ações e que as ações são os atrativos para o leitor prosseguir com a sua leitura, percebemos a importância desses operadores da narrativa.

Ao refletirmos sobre os nossos livros favoritos, reparamos que a forma como as personagens agem, falam e pensam ajudam a tornar a história mais crível, o que gera certa conexão entre o leitor e o livro. Por isso, à medida que os desejos, as motivações, as frustrações, as intenções, entre outros, são investigados pelo ledor e servem de elementos atrativos a ele, a parte psicológica é a principal na caracterização de personagens. Assim, ainda que pensemos primeiro nas formas físicas deles, temos de dar prioridade à psicológica, que influenciará tanto no rumo da história quanto na conexão com aquele a quem destinamos a leitura.

Tendo o processo de caracterização, mediante as particularidades psicológicas, a meta de tornar mais realista à personagem, temos de enfatizar a ideia de que queremos dar características mais humanas aos personagens (independentemente de eles serem sobrenaturais ou não). Entretanto, não devemos começar querendo fazer algo muito complexo ou complicado: temos de dar prioridade aos seus caráteres que influenciarão o enredo.

Entendido isso, o processo de caracterização deve compreender a existência de dois tipos de personagens: as simples e as complexas. Assim, temos:



1. Personagens simples: são fundamentados em um traço principal da sua personalidade, que se repete diversas vezes durante a narrativa. Podem não mudar a sua forma de ser, permanecendo assim do início ao fim da história, sendo previsíveis (nesse caso, são chamados de personagens planas). Também podem funcionar como caricaturas de uma profissão, classe social ou comportamento (nesse contexto, são personagens tipo). Quando bem trabalhados, cumprem o importante papel de contrastar com personagens complexos, servindo de referencial à sua transformação durante a narrativa. 
2. Personagens complexas: expressam a complexidade da natureza humana com as suas ambiguidades, contradições e mistérios. Diferentemente das personagens simples, estas são imprevisíveis, possuem grande vida interior e tendem a mudar o seu modo de ser durante a narrativa. As grandes histórias são construídas ao redor delas, pois elas são responsáveis por dramatizar o tema da história. Além disso, as metáforas feitas por essa pessoa, normalmente, tratam-se da forma como o escritor vê o mundo.

Além de ser fundamental sabermos a qual categoria pertence o nosso personagem, temos de nos perguntar mais três coisas e respondê-las:




1. Quem é esse personagem? Reflitamos sobre os aspectos físicos (cor dos olhos, pele, cabelo, estatura, peso, porte), psicológicos (traumas, medos, segredos, atitude, personalidade, experiências) e culturais (roupas, hábitos, costumes, crenças). 

2. O que ele deseja? Qual é o seu objetivo? E qual é o seu papel no enredo e a sua influência sobre os demais?

3. Qual é a sua motivação? O que o move? O que o influencia? É o seu objetivo? É o seu status social? O personagem está em busca de se autoconhecer? Ou de um sentimento para seguir vivendo?

           
Entretanto, evitemos vir com essa de "ele era alto, moreno, forte" e não sei mais quantos adjetivos seguidos fornecidos pelo narrador. Esse tipo de caracterização se denomina caracterização direta, em que o leitor recebe diretamente o caráter e a fisionomia do personagem. Ela também pode ser feita através de monólogos, cartas, canções, sonhos e afins ou através de falas ou pensamentos de outros personagens ou de si mesma.

Porém, ainda que seja desafiante, através da caracterização indireta, podemos influenciar descobertas ao leitor através das ações dos personagens. Deixemos que o leitor desvende os agentes através da leitura. Usemos o cenário para dar esse gosto ao interessado, especialmente no lugar de escrevermos flashbacks e descrições que sejam redundantes ou que afastem o leitor da ação que está acontecendo e que é verdadeiramente importante.

Essas pistas podem vir através do local de trabalho, da residência humilde ou de um estranho hábito que implica uma característica atual. Por exemplo, o simples fato de citarmos que o personagem Xis entrou em um quarto desorganizado onde só dava para acessar a sua cama, em que ele dormiu por várias horas seguidas, demonstra que Xis é bagunceiro e dorminhoco.

Além desses dois tipos, existe a caracterização mista, que é a forma mais comum em romances. Há certo balanceamento entre a caracterização direta e indireta; medindo, como sempre, os exageros.

Enquanto pensamos nas características de cada ser da história, também devemos refletir sobre o seu papel para a trama. Logo, temos de saber as opções que podem ser dadas a eles. Não é necessário, todavia, que incluamos todos juntos em uma mesma história, mas existem oito níveis de importância dos personagens. São eles:


1. Protagonista: tudo gira ao seu redor. Reparamos já que isso soa um pouco egoísta, mas essa característica será dada por nós mesmos, os escritores. O protagonista é o eixo da história, aquela pessoa mais bem desenvolvida na narrativa.

2. Personagem central: pode ser ou pode não ser o próprio protagonista. O personagem central se encarrega por despertar maior curiosidade ao leitor, por instigá-los a continuar lendo. E essa é, justamente, a maior diferença se comparado ao protagonista. O último envolve o leitor, principalmente, pela ação enquanto o primeiro instiga curiosidade.

3. Coprotagonista: em uma metáfora, seria o ajudante do super-herói. O coprotagonista ajuda o protagonista a atingir a sua meta, normalmente tendo uma relação próxima com o principal.

4. Antagonista: é o que chamamos de vilão nas novelas brasileiras e mexicanas. É aquele ser que complica a vida do protagonista ou representa uma ameaça à coisa almejada pelo principal.

5. Oponente: é o ajudante do antagonista. Ele auxilia o antagonista a dificultar a vida do protagonista.

6. Falso protagonista: é uma personagem que é posta na trama para enganar o leitor. Ela finge ser a protagonista, mas, durante a trama, se revela quem é a verdadeira, dando um efeito surpresa à narrativa.

7. Coadjuvante: é uma personagem secundária que auxilia, complicando ou ajudando, no desenvolvimento da história.

8. Figurante: é uma personagem que é utilizada para compor o cenário, sem ter interferência alguma no enredo (senão, seria coadjuvante).

Também podemos classificar a existência de personagens em quatro tipos:


1. Real ou histórico: com certo grau de fidelidade, são tentativas do autor de reproduzir pessoas que já existiram.

2. Fictício ou ficcional: são fundamentados em pessoas reais, vivendo histórias que poderiam acontecer.

3. Real-ficcional: são personagens reais, mas com algumas características fictícias.  
4. Ficcional-ficcional: normalmente presentes em gêneros de ficção científica, fantasia e terror, são personagens totalmente ficcionais com características (tanto físicas quanto psicológicas) só possíveis no contexto imaginativo da ficção.

Relembrando o que foi dito anteriormente, é importante deixarmos, pelo menos, o protagonista com características humanas para o leitor crer no nosso ser fictício. Se ele o fizer, quererá continuar lendo a narrativa para ver como essa pessoa com quem ele se identificou houve certa identificação terminará. Claro que podemos inserir seres ficcionais-ficcionais, mas não podemos afastar muito o leitor com o excesso deles.

Se vamos escrever as características das personagens antes da história ou se as identificarmos durante, é indiferente. Isso se trata de preferências de cada escritor, não há uma fórmula exata — como tudo na escrita. Apenas é evitável alterá-los radicalmente e sem propósito algum. Prever as características e as ações ajuda nesse processo de roteiro. Além disso, é importante equilibrar a lógica e as emoções e saber discernir o que é excesso de informação e se essa é essencial para o texto ou não. Lembremos sempre: quanto mais limpa a narrativa, melhor.

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Fontes:
http://criarmundos.do.sapo.pt/Literatura/pesquisabasesliteratura023.html
http://blog.vanessasueroz.com.br/caracterizacao-de-personagens/
http://www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=598&Itemid=2
http://ficcao.emtopicos.com/criar-personagem/caracterizacao/
http://ficcao.emtopicos.com/criar-personagem/classificacao/
http://ficcao.emtopicos.com/2011/09/dica-personagem-flashback/
http://ficcao.emtopicos.com/2012/08/eliane-brum-escutar-personagens/




Letícia Silveira é vestibulanda, beta-reader, ficwriter e colaboradora das aulas do NYAH! Fanfiction junto à Lady Salieri. Indecisa sobre qual carreira deve seguir, segue em busca de respostas ainda que as tema escutar.
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