Uma reflexão sobre o processo criativo (03/03)

Edgar Varenberg  https://fanfiction.com.br/u/581877/ Nesta terceira e última parte do artigo, chega a oportunidade para ref...



Edgar Varenberg 

https://fanfiction.com.br/u/581877/


Nesta terceira e última parte do artigo, chega a oportunidade para refletirmos sobre o conceito de potencial criativo. Nos textos passados, encaramos fatos sobre consciência e memória criativas, vimos a singela relação entre elas e, para fechar o nosso trio de relações, é a vez do potencial.

Temos como potencial criativo tudo aquilo que podemos fazer para expressar nossa consciência e memória; isto é, é o momento do nosso processo criativo em que sabemos o que estamos fazendo e aplicando nosso conhecimento, muito encontrado, geralmente, em recursos literários ou até mesmo quando você está discutindo com o seu beta a melhor maneira de representar uma ideia.

Com isso em mente, a ideia de potencial vem do plano concreto de já se saber o que fazer, ou seja, vem do pressuposto da linhagem da consciência criativa e da memória que já foram refletidas antes (por isso deixei para falar do potencial por último).

É simples. A consciência criativa trabalha com aspectos existenciais do seu texto; a memória com aspectos teóricos; e, por fim, o potencial trabalha com a parte prática, aquilo que nos faz “colocar a mão na massa”. E ela é formada justamente da soma consciência + memória.

Consciência + Memória = Potencial

Como eu disse mais acima, encontramos mais comumente essa etapa do processo criativo em recursos literários e discussões. Por que isso? Bom, os recursos literários são o uso concreto de toda uma reflexão que se tem acerca da literatura; por exemplo a aliteração, que é a repetição de fonemas no início de cada palavra durante a mesma frase para causar um efeito estilístico; temos por consciência saber que esse recurso não se usa naturalmente, ou seja, ele é pensado; ter a consciência de que isso não é natural da nossa mente, mas que pode ser configurada mesmo assim, apresenta evidências da consciência criativa, daí passamos a aplicar as palavras com as tais repetições, palavras estas que surgem da nossa memória, é essa memória que vai decidir o conjunto de palavras que você quer usar, qual o fonema que soará mais agradável para o seu texto, tudo diante das palavras que você já conheceu ao longo da sua vida, apresentando evidências da memória criativa.

A união de toda essa bagunça, da forma como trabalhamos isso para caracterizar nosso texto, e usamos, buscamos saber se causou um efeito legal (geralmente perguntando aos outros ou simplesmente seguindo nossos instintos), tornar isso mais frequente e construtivo na sua história apresenta as ideias do potencial criativo.

Agora que temos uma maior noção dos três principais termos, que tal vermos como isso se aplicaria numa construção de enredo? Consideremos a seguinte linha do tempo:

Abstrato – Memória – Rascunho – Potencial 1 – Ideia – Consciência – Potencial 2 – Enredo – Escrita

Primeiramente, quero esclarecer que essa não é uma linha do tempo obrigatória, que TODO processo criativo se passa por ela, muito menos de que é o único caminho. Lembremos que o objetivo deste artigo é apenas propor reflexão, não orientar necessariamente sobre algo, até porque orientar sobre processo criativo é uma coisa muito individual.

Pensa naquele momento que você está, por exemplo, voltando para casa, num transporte qualquer, ou até mesmo caminhando, e diversos temas começam a perambular pela sua mente; temas estes que começam a te despertar um interesse inicial por criar uma história ou acrescentar algo numa que já exista. Vamos denominar isso como Abstrato.

E então, dentro deste abstrato, começamos a recuperar informações que já estão na nossa consciência, ou prontamente ao nosso redor, seja conteúdos de outros textos ou um personagem que te inspira, ou até o que você almoçou na tarde da semana passada; são informações que já estão na sua mente que servirão para dar forma a essa abstração, e falamos deste tipo de informação antes, certo? Lá no segundo artigo, isto é, a Memória.

O objetivo da memória, como dito no parágrafo anterior, é dar forma à abstração. Porque, em forma, além da melhor visualização das suas informações, você tem ali base para construir algo, editar, mostrar para outros, obter opinião. Essa informação já concreta, já com forma, denominaremos de Rascunho.

E qual é o objetivo do rascunho? Mexer, remexer, pedir opinião, tudo que já citei acima, certo? Afinal, sua informação já tem forma, já está sendo bombardeada de informações, então é hora de refinar com todos os recursos que você tem disponíveis. E essa ideia de recurso nos lembra de qual conceito? O de Potencial.

Então, revisadas e refinadas suas informações, passada por opiniões (seja dos outros ou a sua própria), já temos um novo nível de criação, certo? Com tudo isso, com algo que já saiu do papel, já saiu da área de rascunho, já podemos dizer que temos uma Ideia. Basicamente, aquilo que se quer transformar numa história.

E é com a ideia que começamos a colocar nossa mente para funcionar, para vermos certos detalhes que foram questionados na primeira parte do artigo, ver o quanto você domina essa ideia e o quanto ela é simplesmente construída inconscientemente, e tentar equilibrar isso a seu favor. Como vimos na primeira parte do artigo, são as relações da Consciência.

A sua ideia atingiu um novo nível, mas ainda precisa ser melhor lapidada, conversada, revisada, porque todo o processo criativo é feito de pura revisão de fatos. Ou seja, novamente está na hora de darmos aquela parada de opinião, utilizarmos nossos recursos para ir mais longe, novamente aparecendo o Potencial.

E com isso lapidado, atingimos o novo nível, que é propriamente o Enredo, termo o qual todos conhecem muito bem. Uma ideia que está pronta para ser um pressuposto de uma história, um ponto de partida para a Escrita, que se trata de um termo extremamente relacionado com o Potencial, visto que a nossa escrita é moldada de memória e consciência puramente (aquela equação lá no início do artigo).

Conseguem refletir como o processo criativo é muito dependente dessa equação? De como as coisas precisam ser lapidadas, revisadas? Da importância de ler conteúdos para inspiração ou para aprendizado, simplesmente porque cada detalhe conta.

Se tiver dúvidas ou quiser mais reflexões, entre em contato comigo, ok?

REFERÊNCIAS

http://www.mariosantiago.net/textos%20em%20pdf/criatividade%20e%20processos%20de%20cria%C3%A7%C3%A3o.pdf

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