BetaCast #4 - A Arte de Procrastinar


Por: Salow e Deadly Fortune

Olá, olá, seus cheirosos! Sentiram nossa falta? O BetaCast demorou, mas chegou! Depois de tanto tempo, que assunto melhor para se tratar do que a procrastinação? Trabalhamos esse tema do último episódio até agora e teremos muito para comentar.  Nesta edição, a Gee, o Igor, o Elton, a Ana Coelho, o Gabriel e a Giulia se reúnem para sambar no salto 15, falar sobre a preguiça e dar dicas para quem está tentando se livrar desse mal. Aperte o play e aproveite!

Em abril tem mais!

Contém: 42 minutos de beleza pura, piadas internas, linguagem imprópria e em alguns momentos, o áudio bugou, então pedimos para não ouvir com o volume muito alto para o bem dos seus ouvidos.

Editado pela linda Helen Corrêa, agradecimentos especiais para essa fofa! <3 
 


Se não conseguir acessar o player, clique aqui.
Clique em salvar link como para baixar.

Links: Panelinha da Limonada

Playlist: 1. Quem Nasceu Piriga (Camila Uckers); 
2. Bang Bang (Jessie J. Ariana e Nicki);  
3. Love on Top (Beyoncé); 
4. Problem (Ariana Grande); 
5. Put Your Records On (Corinne Bailey); 
6. All About That Bass (Meghan Trainor); 
7. This Love (Maroon 5); 
8. Doo Wop (Glee); 
9. I Believe I Can Fly (Glee); 
10. Sugar Free (T-ara); 
11. I'm Not The Only One (Sam Smith); 
12. Ragatanga (Rouge); 
13. Boss (Fifth Harmony).

Como frear o tempo... e fazê-lo correr


Por: Rodrigo Caetano

Você conhece muitas histórias que mexem com o tempo. Seja através do vira-tempo de Harry Potter, do famoso carro do filme De Volta ao Futuro ou da cabine telefônica do icônico Dr. Who, você sabe do que estou falando. Se você ainda não considerou como seria ter o poder de brincar com o tempo, eu o convido a fazer isso agora. Pense bem no que você faria se pudesse dar um pause na sua vida, ou então voltar alguns anos, e – por que não? – ver como será o futuro. E se pudesse fazer com que tudo se movesse mais devagar ou então corresse mais depressa?

Então o que você faria se eu te contasse que, quando você se senta para escrever, você ganha o poder de controlar o tempo?
Deixem-me explicar:

Alguns dizem que o trabalho de um escritor, em muitos aspectos, se assemelha ao trabalho de Deus. Afinal, nós, escritores, criamos mundos e damos vida às personagens que neles vivem. Nós decidimos o que e quando vai alguma coisa vai acontecer, e ainda dizemos como aquilo acontece. A nossa habilidade de dar vida é tão impressionante, que muitos escritores dizem que seus personagens fogem de seu controle, com uma forma própria de livre arbítrio.
Pensando assim, nós, muito como Deus, também podemos brincar com o tempo.
Muitos de vocês já devem ter visto ou utilizado um flashback, ou uma cena solta de algum ponto no futuro, colocada no meio ou inicio da história para dar um tom de suspense. Isso se assemelha a voltar no tempo, ou a visitar o futuro para ver o que vai acontecer, e são apenas alguns dos muitos usos que esse poder tem.
Mas, como disse um certo Tio Ben, em uma certa história em quadrinhos, com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades. E hoje estou aqui para ajudar vocês a tomarem controle do seu poder e usá-lo para o deleite de seus leitores. Para iniciarmos, contudo, vamos devagar. Nada de saltos na linha do tempo, por enquanto. Antes de brincar com o futuro e o com o passado, por que não aprender a brincar com o presente primeiro?

Como fazer o tempo andar devagar

Você já percebeu como, em alguns momentos da sua vida, você se lembra de algo que você sabe ter acontecido em alguns segundos, mas que, na sua cabeça, aquilo demora muito mais para realmente acontecer? Normalmente são momentos marcantes, surpreendentes ou com alguma dose de adrenalina, susto ou medo.
Isso acontece em momentos em que sua mente é subitamente obrigada a trabalhar tão rápido, que você consegue registrar uma imensa quantidade de informações em apenas um segundo. Depois, quando sua mente está trabalhando em velocidade normal e você se lembra de toda aquela informação, as frações de segundo parecem passar muito mais devagar.
Você vê o menino dentro da quadra dobrar e esticar a perna para atingir, com o peito do pé, o centro exato da bola. Ele está perto do limite da área de futsal, não muito longe de você, na arquibancada da quadra do seu colégio. Você vê o objeto redondo pegar impulso com a força do menino e deixar o solo, veloz. Percebe a expressão tranquila do goleiro enquanto ele vê que o chute saiu sem a direção desejada, e a careta que o jogador faz quando percebe que seu chute foi em vão.
Você não quer acreditar naquilo. De novo, não...
O torcedor, do outro lado, já virou o rosto, decepcionado. Você percebe exatamente o momento em que a bola tomou conta de mais da metade do seu campo de visão, lembra-se de quando você perdeu a respiração, em susto, enquanto involuntariamente arregalava os olhos. Você antecipa a dor, sabendo que não há mais como escapar. E, apesar de tudo, consegue se lembrar com perfeição da pontada de dor que sentiu quando ela amassou o seu nariz, antes de atingir o restante do rosto, deixando uma marca tão vermelha que não levaria menos de algumas horas para desaparecer inteiramente.
E, mesmo que você não lembre de mais nada depois da pancada na cara, você vai guardar na sua memória aqueles poucos segundos, como algo que aconteceu em câmera lenta.
Nós, escritores, temos o poder de fazer com que isso aconteça com nossos leitores à hora que quisermos. Mas, para isso, devemos saber como usar esse poder de maneira adequada. Não basta escrever “O menino chutou a bola e errou o alvo. Ela me acertou em cheio no rosto e eu fiquei desnorteado.” Por mais que essas frases tenham narrado a mesma coisa, elas estão longe de produzir o mesmo efeito e poder da cena que descrevi acima.
E qual seria o motivo disso?
Lembra como eu falei que, naqueles segundos em que a vida parece acontecer em câmera lenta, a nossa mente registra muitas informações em pouco tempo? Pois bem, quando escrevemos, temos de repetir o mesmo processo. Temos de nos concentrar em mostrar os detalhes, as pequenas coisas, e descrever cada passo e cada sentimento, de maneira a fazer com que o leitor absorva também toda aquelas informações que seriam absorvidas na vida real. Desse modo, para o leitor, cuja mente trabalha na velocidade normal, aquele momento também passa mais devagar, devido a toda a informação que tem que processar.

E, simples assim, você conseguiu frear o tempo.
Agora, vamos fazê-lo correr.

A lógica é bastante parecida, mas o procedimento é inverso. Lembre-se daquelas vezes em que você mal consegue se lembrar do que aconteceu. Lembre-se das vezes em que o mundo parecia estar se movendo tão rápido que tudo em que você conseguia pensar era no que fazer para entrar no mesmo ritmo. Normalmente, isso acontece quando temos um maior senso de urgência, algum instinto guiando a nossa cabeça. É normal que estejamos em alguma atividade que envolva esforço físico e/ou mental.
Isso acontece quando nossa mente é tomada por um instinto maior, uma preocupação que inibe a nossa capacidade de processar qualquer outra informação que não possa ser utilizada para aquele propósito instintivo. É algo muito comum quando somos movidos pelo que é chamado de “instinto da sobrevivência”, por exemplo. Vou explicar um pouco do seu poder para vocês entenderem melhor:
Você sabia que os salva-vidas são comumente treinados para abordar uma vítima de afogamento por trás e, antes de qualquer coisa, imobilizá-las? Isso porque, caso o salva-vidas se coloque ao alcance dos braços da vítima, ela tentará usá-lo como alavanca para subir à superfície, podendo, inclusive, afogar aquele que tentava lhe salvar. Normalmente, nesses casos, a vítima não tem memórias claras do que aconteceu. Ela não processa que na sua frente tem um homem. Tudo o que ela vê é algo que pode lhe trazer à superfície, onde ela pode respirar. Sua mente está focada unicamente em respirar para sobreviver.
Assim, a primeira coisa que precisamos ter para acelerar o tempo, é foco. Precisamos de algum objetivo claro na cena, algo importante em que se concentrar, capaz de ofuscar todo o resto, como faz o instinto de sobrevivência com a nossa mente. Em seguida, nós devemos nos preocupar em registrar apenas o que é importante para aquele objetivo, deixando de lado detalhes menores. Lembre-se de que a mente, nessas situações, é o mais objetiva e direta possível, portanto, nada de frases longas ou enrolações.
Observem a sequência de fatos a seguir:
“Ela pulou da janela do segundo andar sem olhar para trás. Caiu de joelhos, já estudando para a rua à sua frente. Pulou o primeiro carro e estava do outro lado da calçada quando os homens de preto a avistaram. Um deles tinha uma pistola na mão. Ela correu, esbarrando em algumas pessoas pelo caminho, tentando se esconder no mar de pessoas à sua frente. Correu pela rua sem saber o que fazer. Sentiu a respiração pesar e continuou correndo. Em um cruzamento, viu a porta de um caminhão de carga aberta, na rua ao lado. Fez a curva e pulou para dentro, sentando-se atrás de uma das caixas de madeira. Rezou para que tivesse conseguido se esconder antes que seus perseguidores tivessem virado a esquina.”
O parágrafo não é curto, mas você percebe a quantidade de coisas que aconteceram aqui? Nesse parágrafo, pode-se estimar, foram narrados alguns, se não vários, minutos de perseguição. E, ainda assim, isso tudo aconteceu até um pouco mais rápido que os segundos que a bola levou para atingir o rosto do menino lá em cima, lembra?
Nesses momentos, nós não queremos saber o modelo do táxi em que a personagem pulou enquanto estava fugindo dos bandidos pelo meio da rua, ou o sabor do sorvete que o menino, que parecia ter cinco anos de idade, derrubou quando ela esbarrou nele, correndo. Ela não precisa perceber o cheiro de repolho dentro do caminhão até que tenha sentado atrás das caixas para respirar fundo e se tranquilizar.
Tudo o que você deve registrar é o essencial para construir a cena que tem em mente, e, simples assim, os quinze minutos que ela levou para fugir do apartamento e encontrar um esconderijo terão se passado como um piscar de olhos, com muitos verbos, poucos adjetivos, e pouco espaço para o seu leitor respirar, enquanto apertamos o botão de fast forward.

E ai? Gostaram de brincar com o tempo?

Lembre-se, de nada adianta termos o poder se não soubermos quando e como usá-lo. Encontre o momento que você quer registrar com mais cuidado e detalhe bastante para reduzir a velocidade, e encontre o momento em que você precisa de foco para sobreviver e foque em apenas sobreviver. Use seus recursos com sabedoria e tudo correrá no tempo certo.

Os flashbacks e viagens ao futuro a gente discute em outro momento, beleza? Até mais!


Retratação

Olá, pessoas.
Bom, eu venho aqui para avisar a todos que houve uma pequena e significante edição no post Gênero – Distopia, aqui do blog. Em nossas referências, acabamos por deixar de fora um texto de grande ajuda no momento da criação de nosso próprio artigo.
Aqui vão os créditos ao blog Who’s Tanny?, de onde tiramos o texto Entendendo o Gênero Distopia, que serviu de norte para o nosso post supracitado.
Retificado esse ponto, esperamos que os artigos sejam capazes de sanar todas as dúvidas remanescentes.

Coordenação de Comunicação.

Resenha: Fique Comigo


Por: E S Pierce

Olá, pessoas. Vocês sabem que dia é hoje? Exatamente! Dia de resenha no blog da Liga! o/
O autor escolhido é o maravilhoso, incrível, perfeito, amado e apertável Harlan Coben, com seu romance policial Fique Comigo.


Título original: Stay Close
Título brasileiro: Fique Comigo
Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro
Tradução: Fabiano Morais
Pontuação:


A vida de Megan Pierce nem sempre foi um mar de rosas. Houve uma época em que ela nunca sabia como seria o dia seguinte. Mas hoje é mãe de dois filhos, tem um marido perfeito e a casa dos sonhos de qualquer mulher – e, apesar disso, se sente cada vez mais insatisfeita. Ray Levine já foi um fotógrafo respeitado, mas agora, aos 40 anos, tem um emprego em que finge ser paparazzo para massagear o ego de jovens endinheirados obcecados em se tornar celebridades.
Broome é um detetive incapaz de esquecer um caso que nunca conseguiu resolver: há 17 anos, um pai de família desapareceu sem deixar rastros. Todos os anos ele visita a casa em que a mulher e os filhos do homem esperam seu retorno.
Essas pessoas levam vidas que nunca desejaram. Agora, um misterioso acontecimento fará com que seus caminhos se cruzem, obrigando-as a lidar com terríveis consequências de fatos que pareciam enterrados havia muito tempo. E, à medida que se deparam com a faceta sombria do sonho americano - o tédio dos subúrbios, a angústia da tentação, o desespero e os anseios que podem se esconder nas mais belas fachadas -, elas chegarão à chocante conclusão de que talvez não queiram deixar o passado para trás.
Eu fui apresentada a Harlan Coben através de Fique Comigo e, ainda no primeiro capítulo, soube que o autor já tinha me conquistado para sempre. Ele consegue reunir no mesmo cenário pessoas de mundos diferentes, que têm um elo muito duvidoso: o desaparecimento de um pai de família.
Broome é o detetive responsável pela investigação do caso. Ray, o cara apaixonado pela misteriosa Cassie, a mocinha na mira das investigações. E Megan, bom, por ora basta saber que nem sempre ela foi a mãe de família que é nos dias atuais.
Um novo caso, envolvendo o desaparecimento de Carlton Flynn, restaura toda a onda de investigações, ainda que, a princípio, ninguém consiga encontrar um porquê para os misteriosos desaparecimentos, ou mesmo algo que ligue um ao outro.
O desaparecimento do filho de Del Flynn torna tudo ainda mais interessante. Ele contrata um casal de boa aparência, conhecidos como Barbie e Ken, para investigar o desaparecimento do filho, e eles se mostram bem mais sanguinários do que qualquer um poderia imaginar.
O enredo é repleto de suspense, pontas soltas e informações trocadas, mas tudo passa a fazer sentido quando o verdadeiro culpado pelos desaparecimentos se revela. Harlan explora o lado humano do criminoso ao apontar o que suas vítimas têm em comum, e a revelação é mesmo surpreendente, de tirar o fôlego, porque o culpado é justo a pessoa que menos esperamos, aquela que passa livre de qualquer suspeita.
Claro que, nesse meio tempo, temos nossos personagens se questionando sobre seus passados, suas escolhas e o que decidiram para seu futuro. É o meio da crise existencial de Megan, em que ela questiona a si mesma sobre as coisas que deixou para trás ao optar dividir sua vida com Dave Pierce e construir uma nova história. Uma bem diferente da que teria se não tivesse fugido de seu passado, há 17 anos. Ray Levine tem uma profissão decadente, muito distante da que um dia ele desejou para si. E Broome, bom, ele sente-se atado a um caso antigo que nunca conseguiu resolver.
A narrativa vicia, é intrigante e te faz devorar página por página, só para chegar ao desfecho do que, para mim, é um dos melhores livros de romance policial que já li.


E é isso aí, pessoal. Espero que tenham curtido e que corram para ler o livro, porque super vale a pena.
Nós nos vemos por aí. xD

Títulos e pronomes de tratamento


Nick no Nyah: Corvid
Perfil: http://fanfiction.com.br/u/474248/


Hey! Tudo bom?
    Bem, se você está aqui, quer dizer que viu o título e, por algum motivo, resolveu ver como funciona essa parada de pronomes de tratamento e títulos de nobreza. Eles podem te ajudar muito na sua fic de Fantasia. Muitas vezes não sabemos qual pronome de tratamento usar para cada cargo, né? É por isso que estou aqui! Vamos dar uma conferida:

    Vamos voltar um pouquinho na história, sim? (Não se preocupe se você não gostar de história, vai ser legal!)
    Láááááá na Idade Média, os títulos nobres: duque, marquês, conde, visconde e barão (em ordem de relevância, sendo duque o mais relevante e barão o menos relevante) eram dados às pessoas que ajudavam o rei a administrar o reino. Quanto maior o título, maior poder tinha o sujeito. Fácil de entender.
    Pois bem, com o tempo, os títulos começaram a ser hereditários, ou seja, se seu pai fosse um Conde, você seria um Conde também. Tudo muito lindo, não? Muito lindo até a formação da monarquia brasileira. Os nossos monarcas ancestrais, carinhas gananciosos, começaram a pedir dinheiro em troca do direito de ter um título por hereditariedade. Ou seja, se seu pai fosse um Conde e infelizmente morresse, tu só seria Conde se pagasse ao governo uma graninha.
    E por aí foi a origem desses títulos. Que tal conhecermos os mais tipicamente usados? MAS PRIMEIRO vocês vão gostar de saber uma coisinha sobre Império e Reino.

    Logo digo que esse assunto é meio subjetivo, algumas pessoas podem considerar um Reino e um Império a mesma coisa, mas o significado mais aceito nesse assunto é que um Império se alonga por uma gigantesca área, enquanto um reino é muito menor. Mas as diferenças não param por aí! Um Império faz de tudo para conquistar outros povos, seja pela força ou por razões econômicas diplomáticas, ou seja, está sempre em constante evolução ou retrocesso. Um Reino é estável, fica no cantinho dele, não sai por aí conquistando outros povos para aumentar sua área política, fica na dele. Um Reino, é claro, pode evoluir para um Império, isso se conquistar mais área.
    Resumindo de uma forma simplificada: o Rei manda em seu povo, o Imperador manda em todos os povos do seu Império, logo, está acima do Rei, sendo absoluto.

    Agora sim:

    Rei - o mais conhecido de todos. O mandante. O chefão. O maioral! O Rei, na Idade Média, manda em tudo que está no reino. Tudo mesmo! Ele pode te condenar à morte por estar respirando, ou então matar toda a sua família e destruir tua casa sem motivo algum. Todos estão abaixo dele, e deve ser tratado como Vossa Majestade.
    (...) Mas, tio! Eu ouvi você dizer que Imperador é mais chefão que o Rei!”
    De fato, é! Mas o Imperador manda num Império todo, o Rei, num Reino. Um Reino é um Reino, um Império (que possui, de certa forma, vários reinos) é um Império. Nem todo Reino precisa fazer parte de um Império. Entendeu? Eu sei, é um assunto polêmico! Mas, oras, a fic é sua, você pode inventar e desinventar qualquer coisa que quiser.
    PS: Vossa Majestade Imperial é para os Imperadores.

    Duque - esse é o título nobre (lembre-se de que Nobre e Real são coisas totalmente diferentes) mais elevado. Dependendo da região, há seus derivados, como: Grão-duque, na Rússia, e Arquiduque, na Áustria. O pessoal tem que tratar esses sujeitos assim: Vossa Realeza Imperial, Vossa Alteza Real ou Vossa Alteza.

    Marquês - não, não é coisa de Carnaval! Esses sujeitos, chamados de marqueses, cuidavam das fronteiras do reino. Estão abaixo dos duques, é claro, mas ainda assim devem ser tratados como Vossa Graça ou Vossa Excelência.

    Conde - sendo um dos títulos mais conhecidos, os condes e condessas, na Idade Média, tinham castelos (isso, com plural) e um “pedacinho” de terra chamado condado. Estão abaixo dos marqueses e acima dos viscondes. Devem ser chamados de Vossa Senhoria ou Vossa Graça.
   
    Visconde - levanta a mão quem lembrou do Sítio do Pica-pau Amarelo! Enfim, os viscondes também eram Senhores feudais, e por isso também possuíam uns pedacinhos de terra chamados de viscondado. Eu prefiro não usar desses pronomes de tratamento com os viscondes, para mim “Visconde de Sabugosa” já é o suficiente.
   
    Barão - estando inferiores aos viscondes, os barões, assim como os demais da nobreza, podiam participar da política e, ainda assim, tinham pedaços de terra. No caso do Barão, suas terras eram chamadas de Baronia. Os camaradas aqui devem ser chamados de Vossa Graça ou Vossa Senhoria.

    Príncipes e Princesas - são os filhos e filhas dos reis e rainhas. Isso todo mundo sabe. Mas, para quem tem dúvidas, esse povo precisa ser chamado de Vossa Alteza.

    Pronto! Esses são os títulos mais clássicos da monarquia em diversos países. Mas é claro que você também quer saber os títulos não-monarcas, não é? De qualquer maneira, vamos dar uma espiadinha neles.
   
    Fique preparado se for ter um encontro com o presidente e os políticos em geral! O pronome de tratamento Vossa Excelência deve ser usado para presidentes, senadores, deputados, prefeitos, ministros, governadores, embaixadores e cônsules. Isso falando das Autoridades de Estado, mas esse mesmo “Vossa Excelência” deve ser usado também para juízes, membros de tribunais, ministros dos tribunais superiores, o Procurador-Geral da República, Delegados e também advogados. Já na área militar, “Vossa Excelência” deve ser usado para os oficiais generais.
    O Vossa Senhoria é para todas as autoridades que não são chamados de Vossa Excelência. Já o Vossa Magnificência é para os Reitores das Universidades e seus vices.

    Você sabia que pastor e padre também são pronomes de tratamentos, não é? Os pronomes de tratamento da Igreja são bem legais, por exemplo, os cardeais devem ser chamados de Vossa Eminência, já Vossa Reverendíssima deve ser usado para os bispos. Ah, e o Papa? Ele deve ser chamado de Vossa Santidade. Amém!

    Também há os Pronomes de Tratamento Formais, aqueles que são mais light, sabe? É claro, o Senhor e a Senhora são os mais conhecidos. O título de Doutor é para o pessoal que atingiu o grau de Doutorado Acadêmico, porém, por razões culturais, os médicos do Brasil e de outros países também são chamados assim. Além desses, tem mais: professor, arquiteto, engenheiro, comendador, etc.

    (...) Tio, por que ‘Vossa’ e não ‘Sua’?”
    Ahá! Existe uma diferença entre usar Vossa Majestade e Sua Majestade, essa regrinha serve para todos os pronomes de tratamento.
    O Vossa é usado quando você está falando diretamente com a pessoa, exemplo:
    “Vossa Excelência gostaria de tomar um café hoje?”
    Já o Sua é usado para se referir à pessoa, não falar com ela, exemplo:
    “Todos os ministros mandaram Sua Excelência, Trilma Duchefe, ir catar coquinho.”

    Aposto que agora você já sanou várias dúvidas sobre os pronomes de tratamento. PORÉM, se você for um membro da Resistência Fantasia como eu, vai gostar de uma dica bem legal pra usar no seu Universo Alternativo.

Vamos começar do começo. Se você joga ou lê Fantasia, sabe que existem uns títulos assim: Arquimago, Arquidruida, etc. Muita gente os usa erroneamente, como se esses “Arqui” fossem só mais uma palavrinha pra colocar no Pronome de Tratamento. Como eu disse, isso está errado.
O Arqui vem do latim e significa superioridade. Ou seja, você não pode achar um mago nômade e chamá-lo de Arquimago. Pra que ele seja um Arquimago precisa ser o Mago Chefe de algum grupo, o sujeito que manda em todos os outros, entendeu?
A mesma coisa com o druida. Ah, sim, um druida, nos jogos e livros, é responsável por proteger a natureza, mantendo o equilíbrio. Muitas vezes eles usam de poderes naturais para deter os inimigos da fauna e flora. Assim, o Arquidruida é o Druida Chefe de uma sociedade.
Viva a magia e o druidismo!
Opa, opa, opa. Não vá ficar usando o Arqui em tudo que é título, por exemplo: um rei não pode ser Arquirei, um Rei já é o chefão, ou seja, o Arqui é totalmente desnecessário, já que possui o mesmo significado.

Por favor, não se prive utilizando somente os títulos que listei aqui, se você tiver criatividade suficiente pode até criar um! O mundo dos Pronomes de Tratamento está te esperando de braços abertíssimos.

    Até mais! 


Clube de Leitura



Saudações!
O Clube de Leitura tem sido um dos mais antigos projectos no blog da Liga. Tendo tido um começo auspicioso, fomos recebendo cada vez menos resenhas à medida que as rodadas avançaram, até resolvermos suspender o Clube por tempo indeterminado, por falta de participantes. Durante esse período em que o projecto esteve suspenso, foram várias as mensagens que recebemos na Liga perguntando sobre a sua volta. Assim, consideramos que as férias seriam uma boa altura para relançar o Clube. Infelizmente, o interesse que foi demonstrado durante a sua suspensão não se reflectiu aquando a sua reabertura efectiva, tendo havido apenas um participante.
Apesar de o considerarmos um dos melhores projectos actuais no blog, não o podemos manter quando não há interesse dos autores e leitores do Nyah. Em consequência, o Clube de Leitura será definitivamente encerrado: esta foi a última rodada.
Agradecemos a todos os que ao longo das várias rodadas participaram, e esperamos que se tenham divertido, e descoberto novas histórias e autores que apreciem.
Coordenação de Comunicação


Segue-se a resenha à fanfic “Adeus, Leslie”, do autor Theodor Von Teasir.

Last Rose of Summer

A história é baseada no livro “Ponte para Terabítia”, que eu ainda não li, mas que já assisti ao filme. Eu gosto bastante da história, acho que tem muito espaço para interpretação e tem uma maneira muito interessante de expor a infância — o que faz com que escrever nesse universo seja uma coisa difícil, porque esse é um tom difícil de manter. Ainda assim, a história “Adeus Leslie” não deixou a peteca cair, e manteve esse mesmo tom, de maneira que você realmente percebe que a história se passa no mesmo universo por causa do texto, e não porque a história informa isso. Acho essa uma característica super importante para uma fanfic.
A narração não é infalível, eu encontrei alguns erros de português e algumas frases que eu creio que poderiam ter soado melhor (olhar de beta, desculpe), mas isso não diminui, em nada, a qualidade da história.
Se você assistiu ao filme ou leu ao livro, eu sugiro que leia, porque ela dá um final para a história que vai além da morte da menina — demonstra a maneira como o Jess lidou com a perda e a superação da morte de sua melhor amiga.

Como criar um personagem queer

Por: Last Rose of Summer


Queer é uma palavra que vem do inglês, e sua definição do dicionário é ligeiramente diferente da definição usada pela comunidade LGBT. Há quem diga que ela é usada apenas para pessoas trans não-binárias (calma, vou explicar o que isso significa mais tarde), há quem diga que apenas para pessoas trans (binárias ou não-binárias), mas aqui no texto eu vou usá-la pelo seu significado mais amplo, que é para designar toda e qualquer pessoa que não seja heterossexual ou cisgênera (que eu também vou explicar o que é logo adiante), como um sinônimo de LGBT.
Dito isso, devo completar dizendo que personagens queer são personagens como qualquer outro, embora sejam consideravelmente mais difíceis de se retratar, principalmente se você não está familiarizado com a comunidade, e retratá-lo baseando-se em estereótipos pode ser muito ofensivo para as pessoas que se consideram queer. Por isso, o ideal, antes de começar a pensar em criá-lo, é fazer uma pesquisa e conversar com pessoas que sejam da mesma “categoria” que o seu personagem. A maioria das pessoas não se importa em responder perguntas se você não for ofensivo, e é bastante comum encontrar tumblrs sobre isso, principalmente se você souber inglês (se não souber, mas estiver interessado, o google tradutor é sempre uma opção). Há também páginas no Facebook que podem ajudar um leigo a compreender as vivências queer, e que podem ser muito úteis como pesquisa. Só lembrem-se de não utilizar nada do que eles dizem em uma história, nem uma situação específica, sem permissão.
Nesse artigo eu vou falar, de maneira bem básica, sobre orientação sexual, orientação romântica, identidade de gênero e expressão de gênero, e a maneira como elas podem afetar seu personagem na história. Vou deixar claro, logo agora, que não existe uma maneira certa de se retratar um personagem queer, mas existem, sim, maneiras muito erradas e ofensivas de fazê-lo.
Sem mais delongas, vamos ao que interessa?

Orientação Sexual vs Orientação Romântica:

Estou colocando esses dois juntos porque eles geralmente andam de mãos dadas, e é difícil falar de um sem puxar o outro. Eles são muito parecidos e frequentemente confundidos, e a maioria das pessoas que conhece o primeiro não faz ideia de que o segundo existe. Outra parcela não acredita que eles estão separados, e outra ainda não entende o que cada um significa. Para esta, uma breve explicação:
Orientação sexual é algo bem amplo e relativamente abstrato, e tão físico quanto psicológico, mas não quero entrar em detalhes ou discussões filosóficas. Engloba principalmente atração sexual, desejo sexual e impulso sexual. De maneira menos ampla: por quem o seu personagem se sente sexualmente atraído (com quem ele gostaria de fazer sexo), seu desejo de engajar em atividades sexuais e a sua necessidade física de fazê-lo (a sua resposta fisiológica ao estímulo sexual). É preciso destacar que há uma diferença entre atração estética, que é, basicamente, achar alguém bonito, e atração sexual, e que atração estética não tem relação com a orientação sexual que o personagem possui. Um personagem masculino e heterossexual pode achar um outro homem bonito e isso não faz com que ele seja menos hétero. A orientação romântica, por outro lado, engloba basicamente a atração romântica do personagem, ou seja, seu desejo de estar em um relacionamento romântico com outro personagem. É simples assim.
Como eu disse, as duas podem andar de mãos dadas, e geralmente andam, mas isso não é uma regra: um personagem pode ser homossexual e birromântico, por exemplo, ao sentir atração pelo mesmo gênero, mas se imaginar namorando tanto garotos quanto garotas. Um personagem pode ser heterossexual e arromântico, ao sentir atração sexual pelo gênero oposto, mas nunca se imaginar namorando ninguém — e isso não faz dele um personagem necessariamente promíscuo ou que pega todos, não. A orientação sexual (e a romântica) não definem traços de personalidade.

Agora que você já sabe o que é orientação sexual e o que é orientação romântica, está na hora de conhecer quais elas são mais especificamente. O prefixo é sempre o mesmo, o que muda é o final:

Hétero — heterossexual, heterorromântico — pessoa do gênero masculino que sente atração pelo gênero feminino, ou pessoa do gênero feminino que sente atração pelo gênero masculino. Para pessoas não-binárias que sentem atração pelo gênero feminino, usa-se gyno (gynossexual, gynorromântico), e para não-binárias que sentem atração pelo gênero masculino usa-se andro (androssexual, androrromântico)
Homo — homossexual, homorromântico — pessoa que sente atração pelo mesmo gênero com o qual se identifica.
Bi — bissexual, birromântico — quanto a esse aqui, há controvérsias. Normalmente, diz-se da pessoa que sente atração pelo gênero masculino e pelo gênero feminino. No entanto, algumas pessoas usam para se referir a alguém que sente atração por dois gêneros distintos, não necessariamente binários. As pessoas que usam bi para binários usam, para não-binários, poli (polissexual, polirromântico).
Pan — pansexual, panromântico — pessoa que sente atração independentemente de gênero (ou por todos os gêneros).
Ace — assexual, arromântico — pessoa que não sente atração, ou sente tão pouca que pode ser desconsiderada.

Agora que você já sabe o básico, vamos ao que interessa: como a orientação do seu personagem afeta a sua história?

Ora, de várias maneiras. É importante ressaltar que a orientação funciona diferente de pessoa para pessoa, então você pode, mais do que dar um nome para essa orientação — dizer se o seu personagem é gay, bi, pan —, descrevê-la. Você não precisa que seu personagem, ou o narrador, diga com todas as letras em sua história que o seu personagem gosta de garotos ou garotas, ou ambos, ou nenhum. Você pode mostrar, descrevendo as reações de seu personagem diante da maneira como ele se relaciona com as pessoas.
Uma personagem do gênero feminino e bissexual pode se pegar imaginando, por exemplo, como seria beijar a sua melhor amiga, mesmo que ela já tenha tido namorados antes. Um garoto homossexual pode se sentir excitado diante da imagem de um homem sem blusa na televisão. Você não precisa que ele beije um garoto durante a história — não. Também é possível mostrar por meio de comentários que ele faz ou mesmo pela maneira como ele recebe investidas sexuais das pessoas. Um personagem assexual pode, por exemplo, se sentir desconfortável com a ideia de “pegar” alguém.
Além disso, as orientações sexual e romântica permitem que você desenvolva seu personagem psicologicamente — como ele lida com o fato de não ser hétero? Se a atração sexual difere da atração romântica, como ele lida com o fato de poder entrar num relacionamento e não sentir atração sexual pelo parceiro? Ele tem problemas com pessoas leigas no assunto, caso se depare com alguém que não saiba o que a sua orientação significa? Se alguém faz um comentário preconceituoso, como ele reage?
É importante levar em consideração que algumas pessoas lidam com o preconceito melhor do que outras — logo, seu personagem pode ser daqueles que fica calado no seu canto ou levanta a voz e discute. Pode ser ativo nas discussões LGBT, pode frequentar marchas, por exemplo, e falar abertamente sobre o que ele é, ou pode chorar, se trancar no quarto e tentar se esconder. Pode fingir ser hétero para se encaixar, o que é comum, ou pode se recusar a aceitar que não o é.
Você também pode desenvolver a história dele baseada na orientação — ele perdeu amigos quando se assumiu (se é que se assumiu)? Como seus pais lidaram com o assunto? Como ele lidou com o assunto? Ele já teve muitos relacionamentos não-heterossexuais? Tais relacionamentos terminaram bem? Acima de tudo, como tudo isso afeta a maneira como ele vive e age no tempo presente (ou no tempo em que a história se passa)?
Outra coisa que é legal levar em consideração é que nem todos os pais são preconceituosos ou têm problemas com a orientação dos filhos. Alguns conseguem aceitá-los facilmente, alguns conseguem aceitá-los com alguma dificuldade — e pode ser bem legal desenvolver a maneira como os pais lidam com a sexualidade do filho, por exemplo, ao ter que apresentar isso para os amigos ou vizinhos — e alguns, infelizmente, não conseguem aceitá-los. Além disso, nem todo mundo perde todos os amigos ou fica rodeado de amigos com a mesma orientação.
Se o seu personagem possui alguma religião, também pode ser interessante desenvolver a maneira como ele lida com o fato de a maioria das pessoas acreditar que não ser hétero é pecado — ou ele é do tipo que acredita que Deus vai aceitá-lo independentemente da Bíblia? As possibilidades são infinitas!
É claro que a orientação do seu personagem não precisa ser o mais importante na história — pode ser só um fato como a cor do cabelo ou o emprego, por exemplo, ou o que quer que a sua história peça.

Identidade de Gênero vs Expressão de Gênero

Antes de mais nada, é preciso deixar claro que orientação sexual não tem nenhuma relação com identidade de gênero. Um homem homossexual é apenas um homem que sente atração por outros homens, e não um homem que quer ser mulher. Isso dito, vamos seguir em frente:
Para saber o significado de identidade e expressão de gênero, primeiro nós precisamos saber o que é “gênero”.

Gênero é uma construção social. Não é definido pelo nosso sexo — o órgão genital com o qual nascemos —, mas pelo conjunto de características com o qual nos identificamos. Uma frase que eu gosto muito e que eu acho que resume isso bem o bastante é “nós geralmente pensamos em gênero como uma característica fixa, mas, na realidade, é mais como uma constelação de traços”. Logo, identidade de gênero é a constelação de traços do seu personagem. Se a maioria desses traços é socialmente considerada masculina, então ele provavelmente se identifica como um homem. Se é feminina, então se identifica como mulher. Se é uma constelação única, cuja maioria não é nem masculina nem feminina, então se identifica com outra coisa. Expressão de gênero, por outro lado, é o “gênero” que o seu personagem expressa. Enquanto identidade de gênero se refere principalmente a características psicológicas — gostos e traços da personalidade —, a expressão se refere a características físicas: roupas, cabelo, maneira de falar, etc.
O gênero, geralmente, é socialmente imposto — ou seja, espera-se que ajamos e nos expressemos de acordo com o sexo com o qual nascemos. Se há uma vagina, espera-se que sejamos do gênero feminino, se há um pênis, espera-se que sejamos do gênero masculino. Quando isso acontece — quando a pessoa se identifica com o gênero que lhe foi imposto — ela é cisgênera ou cissexual (abreviado para cis). Por outro lado, quando a pessoa não se identifica com o gênero imposto, ela é transgênera ou transexual.
Algumas pessoas diferenciam transgênero de transexual — sendo transexual aquele que passou pela operação de redesignação sexual, e transgênero aquele que não passou —, mas a maioria acha essa diferenciação irrelevante. Para não errar, é muito mais simples usar a abreviação, trans (caso você pesquise sobre o assunto, provavelmente vai encontrar textos em que trans é seguido por um asterisco — trans* — isso, porém, não é mais utilizado).

Caso você vá pesquisar sobre transsexualidade (como eu sugiro que faça, já que esse artigo é bastante superficial), há alguns termos que você precisa conhecer:

Amab — assigned male at birth — pessoa trans que nasceu do sexo masculino. A tradução literal seria “assinalado macho ao nascer”.
Afab — assigned female at birth — pessoa trans que nasceu do sexo feminino. A tradução literal seria “assinalado fêmea ao nascer”.
Nb — non-binary, não binário — pessoa trans que não se identifica nem com o gênero feminino, nem com o gênero masculino. Ela pode ser neutrois, demiboy ou demigirl, por exemplo.

Como a expressão de gênero realmente se diferencia da identidade?

Assim como a orientação romântica anda junto com a orientação sexual, a expressão de gênero anda junto da identidade de gênero sem, no entanto, serem a mesma coisa. Uma pessoa que se identifica como sendo do gênero masculino pode, por exemplo, usar saias, se preferir, e ele não se torna menos homem por isso. O que quero dizer é: o fato de ele usar saia não anula que sua constelação de traços é essencialmente o que a nossa sociedade encara como masculina.
Pense, por exemplo, na moda feminina de alguns séculos atrás. A ideia de mulheres usarem calças era absurda! Ainda assim, hoje em dia, muitas mulheres as utilizam e nem por isso são menos mulheres. A definição do que é aceitável ou não para determinado gênero muda de acordo com a cultura da época e do lugar, mas o fato de ser mulher não vai mudar só porque nasceu numa cultura diferente — entende?

Retratar a transexualidade num personagem é uma coisa tão difícil quanto ampla — você precisa levar em consideração, por exemplo, de que ser trans é muito menos socialmente aceito que ser gay, e que há muito menos gente que entende e aceita a transexualidade. Também precisa levar em consideração que não é algo instantâneo, não é algo de um dia para o outro, mas um processo. Algumas pessoas se assumem muito jovens — “garotos” que pedem vestidos para os pais e fazem comentários como “você sabe que eu sou uma garota, não sabe?” mesmo que ainda não entendam muito bem sobre isso (e tem um vídeo muito lindo sobre isso, em inglês, infelizmente, sobre uma mãe falando sobre sua filha trans: https://www.youtube.com/watch?v=-oIuw3yIyhI) — e outras demoram anos para se assumir — a Laerte, por exemplo, cartunista relativamente famosa que se assumiu como travesti aos cinquenta e poucos anos de idade (tem uma entrevista da Laerte maravilhosa, aqui: https://www.youtube.com/watch?v=uxD1xXvQWYM, que trata bastante sobre isso. O melhor de tudo: ela é brasileira!).
Pessoas trans passam por fases — logo, personagens trans passam por elas também. Tem a fase de descobrimento, em que o personagem descobre que não se identifica com seu gênero imposto, e então vai definindo qual é o gênero com o qual se identifica, e tem a fase da transição, que é quando o personagem já sabe quem é, e passa a agir de acordo com isso — seja passando a se vestir de acordo, mudando de nome ou, ainda mais importante, pedindo às pessoas que se refiram a ele com outros pronomes. Essas fases não possuem duração específica e podem ocorrer mutuamente — um personagem trans pode mudar a maneira de agir ao mesmo tempo em que define quem é, por exemplo.
Os pronomes são muito importantes para as pessoas trans — então, por favor, use-os corretamente quando for escrever. Se seu personagem é amab, mas se identifica com o gênero feminino, use pronomes femininos, por exemplo. Caso se identifique como neutro, pode utilizar linguagem neutra, pronomes masculinos ou femininos (a maioria das pessoas tem a preferência por um deles, ou seja, o ideal é escolher um e referir-se ao personagem por tal pronome durante toda a história).
A escolha de um novo nome pode ser importante — embora algumas pessoas trans decidam não modificá-lo. Outra coisa que é importante ressaltar, é que nem todas as pessoas trans tomam hormônios ou passam pela operação de redesignação sexual (aliás, perguntar para uma pessoa trans se ela já passou pela operação pode ser bastante ofensivo).

Como a transexualidade afeta a sua história?

Como no caso da orientação, você pode decidir se a sua história vai girar em torno disso ou não. Pode ser simplesmente um fato na história como qualquer outro fato, e a história pode ser sobre uma aventura no espaço. Ainda assim, o fato de ser trans pode (e deve) afetar o personagem: Ele fala abertamente sobre ser trans ou é algo que esconde das pessoas que conhece? Ele se sente mal quando as pessoas utilizam o pronome errado ou o chamam por seu nome antigo (caso tenha trocado)? Ele se ressente do preconceito? Os pais têm problemas com isso ou são capazes de aceitá-lo? Se sim, como foi que lidaram com isso no início? O fato de os pais lidarem mal com sua transgeneridade (caso lidem mal) atrapalha sua vida? Com quantos anos ele começou a questionar seu gênero? Sua transição foi fácil ou difícil? Novamente, há inúmeras possibilidades a serem exploradas, e tudo depende de o que você pretende fazer na sua história.


Criar e desenvolver um personagem queer não é uma tarefa fácil, e requer muita pesquisa. Antes de começar, eu sugiro que se pergunte se o seu personagem ou sua história realmente pedem por isso: um personagem queer não é uma cota a se cumprir, não é algo que deve ser feito só por fazer. Também não é algo que você deva deixar de fazer só porque já tem queer demais — a diversidade é uma coisa linda e deve, sim, ser explorada.
Se a resposta para a pergunta for sim, então sugiro pesquisa. Defina o que seu personagem será — cis e pan, cis e ace, trans e ace, trans e hétero? — e pesquise mais profundamente sobre o assunto. Se o seu personagem for arromântico, por exemplo, eu sugiro pesquisar sobre relacionamentos queerplatonics, e se for trans, sobre disforia e genderfluidismo, assuntos que eu não tratei aqui.
Eu espero que o artigo seja de ajuda para vocês, e qualquer pergunta é só falar. Deixo vocês com uma música linda (https://www.youtube.com/watch?v=Cf79KXBCIDg) e os links que usei para pesquisa.