Como Retratar Relacionamentos de Amor/Ódio

domingo, 20 de outubro de 2019
relacionamento amor ódio dica de escrita


Por: Lady Lovegood

Olá, chuchus da tia! Como estão? Depois de um tempinho sumida, cá estou eu com mais um artigo para o Blog! Da última vez eu dei algumas dicas sobre “Como escrever BDSM”, e dessa vez vou tentar dar uma direção sobre como escrever os tão queridos arcos de “Amor X Ódio”.
Esse trope com certeza é um dos meus favoritos e eu li centenas de fanfics sobre relacionamentos assim, uma vez que meu OTP é Draco e Harry, e eles com certeza são a encarnação de um relacionamento baseado nisso. Enfim, com base em toda minha longa gama de experiência com os mais variados tipos de histórias seguindo essa premissa, vou tentar guiar você, destemido escritor, que gostaria de se aventurar por essa terra misteriosa e deliciosa!
Lembrando que esse artigo será focado inteiramente em relacionamentos românticos (afinal, existe amor/ódio entre amigos, familiares, também, etc.).

  1. Antes do Amor


Para você, escritor, que está apenas começando a esboçar a ideia de uma história de amor e ódio, a coisa mais importante a se considerar para construir um relacionamento sólido e coerente entre seus personagens é tentar delinear primeiro quem eles são antes de atingir a etapa do amor; isto é, o que eles significam um para o outro.
Seus personagens são apenas conhecidos? Seus personagens já foram amigos em algum momento? Eles têm frequente contato um com o outro ou nunca se falaram? Os dois se odeiam mutuamente? Isso é muito importante, porque nos leva ao próximo item, que é com certeza um dos pontos que deve ser mais bem explicados na sua história.

  1. Motivos do Ódio

Veja bem, para que você tenha uma verdadeira história que caminhe nos moldes do “amor/ódio”, é preciso que o ódio sentido pelos personagens um pelo outro, ou apenas por parte de um, seja coerente e realmente faça sentido existir.
Responderei a algumas das indagações do item anterior para dar um exemplo de como definir o que os personagens significam um para o outro  +  o motivo de seu ódio ser essencial.

Seus personagens são apenas conhecidos?
Sim, suponhamos que você queira que eles sejam apenas conhecidos e nunca tenham sido amigos antes.
Veja bem, com base nisso, existe uma gama de possibilidades que você já pode descartar ou colocar na mesma. Seus personagens, já que não se conhecem muito bem e não têm um relacionamento íntimo anterior, não podem, por exemplo, manter seu ódio baseado em um sentimento de traição ou mágoa profundo (até pode, neste último caso, mas é outro caso que vou apresentar mais para a frente, sendo uma exceção*), mas eles podem muito bem odiar a outra pessoa pelo que ela representa.
Quem não se lembra do ódio entre alunos da sonserina e grifinória? A maioria dos alunos realmente não se conhecia, mas eles se odiavam simplesmente pelo que achavam que o outro representava.

Seus personagens se odeiam mutuamente?
Digamos que não, que apenas um deles odeia o outro. E isso, apenas isso, meu caro escritor, pode dar uma abordagem completamente diferente a sua história, porque então não somente você precisa definir quem eles são um para o outro, mas o motivo para um odiar enquanto o outro não.
Aqui, nesse conceito, está uma das ramificações mais usadas no trope de amor/ódio, que é quando um dos personagens sente ódio e o outro amor.
Isso me lembra muito o Simon e o Baz de Carry On, que vivem e respiram o amor/ódio.
Na história (SPOILER, SPOILER, SPOILER), eles realmente não se dão muito bem e são inimigos(?), mas eles também se conhecem muito bem, porque compartilharam um dormitório por muitos anos. Mas enquanto o Simon apenas demonstra desconfiança pelo Baz e parece que em algum momento realmente o odiou, o Baz, no fundo, sob todo o descontentamento, ódio e atitudes mesquinhas para chamar a atenção, realmente está apaixonado pelo Simon (sim, ele admite isso com todas as letras no livro. LEIAM, é muito bom).
E não esquecendo, é claro, que no livro o Simon tem motivos muito claros e sólidos para odiar o Baz (o Baz foi uma merda de várias formas), então o ódio dele é muito coerente, enquanto apresenta também argumentos muito sólidos para o Baz estar apaixonado pelo Simon e o odiar também.



  1. Eles se amam e odeiam ao mesmo tempo?


Resolvi separar isso do tópico anterior para não ficar muito grande e porque também quero trabalhar como um quesito de exceção (apesar de ser muito usado).
Como ressaltei anteriormente, há casos em que um dos personagens está apaixonado pelo outro enquanto o outro o odeia. Mas também existe a possibilidade deles se odiarem e amarem ao mesmo tempo. É uma das coisas que mais vejo em fanfics Drarry. 
O importante, como falei nos itens anteriores, é haver motivos coerentes para o ódio e o amor.
Vamos aos exemplos:
Em muitas fanfics vejo o Draco amando o Harry pela boa pessoa que ele é, por ser heroico, bonito e por ter salvado ele na guerra, além de ter matado Voldemort e ter livrado sua família da ira daquele tirano. Em contrapartida, ele também o odeia, pois a derrota de Voldemort também fez com que sua família estivesse do lado perdedor da guerra e Draco se sente inferior a Harry.
O Harry, por sua vez, ama o Draco por toda a lealdade que ele demonstra com sua família, por sua beleza, esperteza e engenhosidade, mas também o odeia por tudo que ele representa, por tudo que ele e sua família fez e por tudo que ele acredita.
Eu considero que esse seja uma das ramificações mais difíceis de trabalhar, pois vocês têm que decidir com antecedência se eles vão chegar a perdoar um ao outro em algum momento, se vão conseguir superar seu ódio, ou se vão apenas considerar enterrar tudo para debaixo do tapete.
Eu sinceramente espero que vocês escrevam muitas histórias em que eles se perdoem e sejam muito felizes e tenham bebês <3



  1. A estrada para o Amor

Depois de decidir todas essas coisas, aqui vamos nós! O desenvolvimento.
Você, corajoso escritor, precisa traçar o caminho que nossos jovens heróis vão traçar para chegar ao amor, e aqui vai muito da sua criatividade, sinceramente. Já vi fanfics de tudo quanto é jeito em que no final as coisas funcionam.
Mas eu vou dar alguns exemplos do que é mais comum por aí, casos vocês precisem de algumas ideias!
Seus personagens podem ser conhecidos que se odeiam apenas com base no pouco que conhecem um do outro e, com o tempo e oportunidade, começam a se conhecer melhor e sentir algo mais um pelo outro.
Eles também podem ser amigos que, por algum motivo, passaram a se odiar, mas que, com o tempo, reacendem a amizade, se perdoam e logo se tornam algo mais.
Ou, O MEU FAVORITO: eles são inimigos mortais que também sentem uma atração gigantesca um pelo outro e não conseguem manter as mãos longe um do outro, se amassando por aí nos armários de vassouras de Hogwar-... quer dizer, *cof, cof*, se amassando por aí... E então começam a lenta ou rapidamente a se apaixonar um pelo outro, conforme vão se conhecendo.
E lembram daquele meu asterisco de exceção lá em cima? Aqui vai ele!!!!!!!
Meu arco favorito de desenvolvimento de amor/ódio até hoje com certeza é o dos personagens Laurent e Damen de Príncipe Cativo! É sinceramente além do perfeito.
SPOILER, SPOILER!
Na série de 3 livros nós vemos o ódio que o Príncipe Laurent sente pelo Príncipe do país inimigo, Damianos, porque Damen matou o irmão mais velho de Laurent, Auguste.
Veja bem, como eu disse no asterisco, aqui está uma exceção porque o Laurent realmente não conhece intimamente o Damen, mas o odeia com todas as forças por isso. Mas é um motivo sólido, então é coerente.
No livro o Damen conhece o Laurent anos depois de ter matado o Auguste e realmente não pensa nele antes disso, todo o ódio dele pelo Laurent é baseado na pessoa que ele vem a conhecer durante o tempo que ele passa ao lado do Laurent (Laurent pode ser cruel).
Mas o mais interessante é como eles começam a lentamente mudar esse relacionamento deles, mesmo sem querer, para algo diferente. Eles começam a se conhecer e perceber que eles são muito mais do que o que viam superficialmente ou baseado em preconceitos. O livro também é excelente porque trabalha o personagem Laurent de uma forma fantástica, fazendo com que o leitor quase não reconheça o Laurent das primeiras páginas com o Laurent das últimas páginas. Mas, claro, se você ler o meio do livro irá entender o porquê disso e os motivos que levaram os dois a deixarem de se odiarem.
Desculpem, eu me empolgo falando desse livro.



  1. O Amor

E finalmente chegamos ao fim! O tão maravilhoso amor. Cabe a vocês, nobres escritores, decidirem que fim dar a seus personagens.
Como eu falei em um item anterior, vocês precisam decidir se, nesse ponto, os personagens conseguiram ou não superar seu ódio, se eles irão ficar juntos mesmo ainda odiando o outro um pouco, se eles não ficarão juntos, se eles perdoaram um ao outro, etc...
Como o trope se chama “ódio ao amor”, o mais comum é que eles consigam, sim, superar esse ódio e ficarem juntos <3 Vocês só precisam ter o cuidado, aqui, de fazer com que a estrada para o amor seja lógica e desembarque em um final que não vai deixar pontas soltas ou os leitores confusos se perguntando “Como?” ou “Por quê?”.
E lembrem-se: o clichê só é clichê porque é maravilhoso, sim, e as pessoas adoram. Não tenham medo de escrever sua própria versão desse trope e usar e abusar da imaginação!!!


Enfim, eu sinceramente espero que isso tenha ficado mais coerente do que eu acho que ficou, e que tenha ajudado vocês em algo! Hahahaha São tantas coisas para falar que ficou difícil selecionar.
Qualquer pergunta ou ajuda que vocês precisarem, podem comentar aqui embaixo que responderei com todo prazer! <3
Beijos!
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A Tradução Nossa de Cada Dia

domingo, 13 de outubro de 2019



Por: Íngrid Lívero

Nick no Nyah: https://fanfiction.com.br/u/474498/


Tá esperando o que para agradecer aquela pessoa supimpa, mais conhecida como “tradutor”, que legenda sua série ou obra favorita?

Fugindo de meus posts enaltecendo obras literárias/doramas/filmes, venho aqui hoje enaltecer o trabalho dos indivíduos que tornam possível a nós, brasileiros natos com nosso português estilizado, acessarmos tanto material cultural de outras línguas. Quem são esses seres estranhos que se comunicam de formas diferentes? Onde vivem? Que vida social têm e com quantos espécimes diferentes? Sexta, no Globo Repórter Confira um pouquinho do trabalho maravilhoso da tradução logo abaixo!

No dia 30 de setembro é celebrado o Dia Internacional da Tradução, ou Dia do Tradutor, e a história por trás dessa data é incrível. O dia que encerra setembro é o dia de falecimento de São Jerônimo, mais conhecido como o cara que entendia do que estava fazendo, pois traduziu a Bíblia (sim, a Bíblia!) do grego antigo e do hebraico para o latim (haja paciência). Esse indivíduo também foi autor de textos sobre a arte de traduzir, logo também foi considerado o santo padroeiro dos tradutores – sim, colegas que trabalham no ramo, temos um santo para defender aqueles que acreditam.

Origens à parte, tornar-se tradutor é se especializar em uma língua estrangeira, conhecendo todos os pormenores de sua gramática e uso para ser capaz de transpor desde palavras até textos e livros inteiros de um idioma para outro. Se você acha que é a carreira certa para você, invista em um curso de Bacharel em Letras e também se esforce bastante para conhecer a língua (falando pessoalmente, é uma experiência incrível).

Que tal vermos um pouco do trabalho de algumas modalidades de tradução?

1 – Livros e afins

O que dizer desses tradutores dos clássicos Harry Potter, O senhor dos anéis e Sherlock Holmes que mal conhecemos, mas já consideramos pacas? O processo de tradução de livros, principalmente de cunho literário fantástico, envolve não só a mudança de uma palavra de um idioma para outro, mas também toda uma adaptação de termos que podem ser, muitas vezes, “intraduzíveis”. Nomes próprios, trocadilhos e gírias são os exemplos mais comuns, pois podem fazer muito sentido em certo idioma e, quando traduzidos ao pé da letra, perdem muito do significado. Exemplo? Percebam a genialidade de quem traduziu Gryffindor para Grifinória e Slytherin para Sonserina!

2 – Legendas

Falo aqui da posição de tradutora de uma fansub de dramas asiáticos (indicação abaixo!) e, vou contar para vocês, é um negócio “louco”! Esses loucos que fazem as legendas de vários sites, sejam eles oficiais pagos ou não, precisam entender um pouco dos programas que ajudam no trabalho. Após se familiarizarem com eles, especificamente os sites que disponibilizam um trabalho de fã para fã (não oficiais) vão em busca de legendas originais para a tradução, geralmente aquelas em inglês que se aproximam mais de boa parte dos idiomas latinos em comparação ao hangul, por exemplo. Feita a tradução, é hora de revisar, colocar estilos de letras, arrumar o timmer para que a legenda esteja sincronizada com as falas, encodar várias vezes depois de baixar um vídeo em alta definição... ufa! Finalmente, postado!

3 – Trabalhos acadêmicos

Se já é difícil traduzir um nome fantástico, quem dirá um termo científico? A tradução de trabalhos acadêmicos envolve uma formação aprofundada, e não basta conhecer vocabulário, é necessário trabalhar em conjunto com o autor original ou alguém da área para que nada escape ou acabe tendo um deslize que comprometa o sentido, ou seja, tem que ter um jogo de cintura aí para saber conversar.

    Enfim! Há uma infinidade de coisas legais para se falar da tradução, mas talvez o que mais deixa um tradutor grato é o reconhecimento de seu trabalho (é muito legal os reviews dos usuários dos fansubs, e de tantos outros meios, que elogiam o trabalho feito), então, sempre que possível, parabenize seu amiguinho que está se aventurando a aprender uma nova língua. Por fim, deixo aqui um site de legendas que faz um trabalho muito bom e nomes renomados de tradutores brasileiros, os guerreiros que trouxeram muito do estrangeiro para nós.

Site: https://www.fightingsub.com/

Tradutores:

- Paulo Mendes Campos – tradutor de Julio Verne, Oscar Wilde, T. S. Eliot e C. S. Lewis.

- Augusto de Campos – tradutor de James Joyce e Ezra Pound.

- Raquel Zampil – tradutora de Cressida Cowell, Rick Riordan e John Green.

- Ana Ban – tradutora de Virginia Woolf e Meg Cabot.

- Andre Czarnobai – tradutor da Companhia das Letras (!) e das obras de Lemony Snicket.

See you! <3

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5 Coisas que eu Queria que Tivessem me Ensinado Quando Comecei a Escrever

domingo, 6 de outubro de 2019
dicas de escrita


Por: Michele Bran
Link no Nyah: https://fanfiction.com.br/u/5389/

Olá, escritores, betas e leitores.
Como têm passado? Cá estou eu de novo (agora aos domingos, já que mudou a grade de posts aqui do blog). Para quem não me conhece (imagino que a maioria rs), faço parte da Liga desde 2013, mas comecei a escrever um pouco antes, em 2007.
Nesses doze anos (socorro, me senti meio velha agora rs), já cometi muitos erros e acertos (mais erros, claro) e consegui aprender coisas que, infelizmente, as dicas de escrita habituais não vão nos contar.
Contudo são lições muito importantes que, caso você aprenda apenas lendo, pode vir a evitar muita dor de cabeça. Sério, vai por mim.
Pega o bloquinho de notas e vem.


5) Seus problemas são seus

Já vamos começar com tijolada? Já vamos começar com tijolada!
Não importa o que tenha acontecido: se seu dia foi ruim, se sua escrita não está ok ainda, se você não recebeu o retorno que esperava... Esses problemas são seus e não é justo jogar para outros resolverem ou, pior ainda, rebaixar o trabalho alheio porque o seu não teve o destaque que você acha que merece.
Não foi algo que aprendi na prática (grazadels), mas a verdade é que quanto mais você sai falando em grupos de escritores que o livro do amiguinho é clichê, que determinado gênero literário é ruim, que só história ruim faz sucesso, que você não está nem aí pra comentários e visualizações (mesmo chorando pra ter mais deles o tempo todo), mais ranço as pessoas pegam de você. Uma coisa é fazer uma crítica pontual, outra é choramingar por isso em onze de dez posts que faz.
Vale muito mais a pena investir em você e em seu trabalho do que viver para falar mal dos outros, criar tretinha e discórdia, rebaixar o texto alheio. Falar eternamente mal dos outros diz mais sobre você do que sobre eles, além de que ranços conquistados não voltam atrás.
Não conto quantas histórias bacanas eu já deixei de lado porque os autores eram pessoas tóxicas e amarguradas. Credo!

4) Mulher, melhore!

Procure sempre melhorar suas técnicas de escrita e estudar bastante. Não apenas para deixar seu texto o mais afiado possível, mas principalmente porque quanto mais tempo você gastar em sua melhoria pessoal, menos chances de te sobrarem horas suficientes no dia para que você fique alguém amargo como as pessoas citadas no tópico anterior.
Joguei shade mesmo!

3) Ninguém é obrigado

Agora vamos começar a falar mais de mim.
E se você pensa que, por causa disso, serei boazinha, está redondamente enganado!
Algo que me ressentia bastante, e não faz muito tempo, era o fato de meus amigos escritores e/ou leitores não passarem pelas minhas histórias para dar um oi, mesmo quando eu estava escrevendo algo do gênero que eles mais gostavam. Principalmente quando eles liam e acompanhavam fielmente histórias parecidas com as minhas.
Mas... nem sempre as pessoas estão com tempo livre para ler. Ou têm interesse. Independentemente do motivo: ninguém é obrigado a ler absolutamente nada de ninguém. Muito menos a gostar.
Eu mesma não li ainda bastante coisa que meus amigos escreveram e odiaria que eles viessem me cobrar, então por que faria isso com qualquer um deles? A vontade de ler tem que partir da pessoa para que a experiência valha a pena. Cobrar, ficar de mimimi e choramingar que ninguém dá atenção só serve para as pessoas se encherem de nós.
Se a pessoa sequer é sua amiga, então, pior ainda. O que já vi de gente indo cobrar leitor atrasado ou gente que prometeu ler em algum momento não é brinks.
Não faz isso, gente. Descobri por experiência própria que isso é um tiro no pé. Ao invés de atrair leitores, afasta. Vai por mim.

2) Agrade a si mesmo/a antes de tudo

Nessa ânsia de querer ter mais e mais números, parece natural que seguir as dicas dos leitores (todas elas) vá tornar essa tarefa mais fácil, mas não se engane: é pegar um atalho para o fracasso.
Nem sempre as sugestões que você vai receber são viáveis ou te interessam. E é aí que entra meu conselho: só coloque na história aquilo que deixe você contente com o desenvolvimento dela.
Após anos tentando manter todo mundo satisfeito, percebi que é impossível. E olha que nem estou falando só por mim, pelo que eu queria. As dicas, muitas vezes, são conflitantes. Não dá para seguir x sem desagradar quem queria y. Não tem como você manter todos os seus leitores satisfeitos todo o tempo. Escrever é fazer escolhas, e fatalmente elas vão deixar alguém insatisfeito em algum momento.
Então se esforce em manter em alta a animação do seu leitor mais importante: você mesmo. Sem estar feliz com o que está fazendo, você vai se desmotivar e terminar seu trabalho se tornará um fardo muito pesado.
Já é algo complicado por si só começar, desenvolver e terminar uma história quando se tem por objetivo fazer algo com certo nível de qualidade. Não deixe esse processo ainda mais complicado.

1) Não vai ser fácil

Você vai ter vontade de mudar de história, largar tudo, se jogar de uma ponte... Eu sei, já passei por tudo isso.
Mas é assim mesmo. É normal se perder, se desmotivar, esperar tanto e receber tão pouco (ou mesmo nada) em troca.
O ponto é: todo mundo já passou por isso, o que nos leva à lição bônus "nada vai cair do céu". Todo mundo que hoje é famosinho nos sites já começou sendo apenas uma @ a mais com histórias para contar. Mais um número insignificante em meio a tantos outros. Com muito esforço, persistência e divulgação é que alguns começaram a se destacar, mas até isso acontecer, todos passaram por essa mesma fase ruim em que nada parece dar certo.
E não se engane: alguns estão nessa mesmo hoje, embora ainda pareçam tão bem-sucedidos.
Você pode chegar lá, claro! Mas não se iluda: vai ser preciso escrever bastante, insistir bastante e divulgar ainda mais. A única coisa que cai do céu é chuva.
E olhe lá!


Que lições literárias vocês aprenderam ao longo da vida? Deixem aqui nos comentários e vamos trocar figurinhas 
Beijos e até a próxima :*
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RESENHA: "A Teoria de Tudo", de Jane Hawking

domingo, 23 de junho de 2019

Por: Cam
Perfil do Nyah: https://fanfiction.com.br/u/565042


Sinopse: A história de Stephen Hawking é contada pela luz da genialidade e do amor que não vê obstáculos. Quando Jane conhece Stephen, percebe que está entrando para uma família que é pelo menos diferente. Com grande sede de conhecimento, os Hawking possuíam o hábito de levar material de leitura para o jantar, ir à óperas e concertos e estimular o brilhantismo em seus filhos — entre eles aquele que seria conhecido como um dos maiores gênios da humanidade, Stephen. Descubra a história por trás de Stephen Hawking, cientista e autor de sucessos como “Uma breve história do tempo”, que já vendeu mais de 25 milhões de exemplares. Diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica aos 21 anos, enquanto conhecia a jovem tímida Jane, Hawking superou todas as expectativas dos médicos sobre suas chances de sobrevivência a partir da perseverança de sua mulher. Mesmo ao descobrir que a condição de Stephen apenas pioraria, Jane seguiu firme na decisão de compartilhar a vida com aquele que havia lhe encantado. Ao contar uma trajetória de 25 anos de casamento e três filhos, ela mostra uma história universal e tocante, narrada sob um ponto de vista único. Stephen Hawking chega o mais próximo que alguém já conseguiu de explicar o sentido da vida, enquanto Jane nos mostra que já o conhecia desde sempre: ele está na nossa capacidade de amar e de superar limites em nome daqueles que escolhemos para compartilhar a vida.
Número de Páginas: 448
Editora: Única


Oi, pessoal! Sejam bem-vindos à minha primeira resenha da vida! Espero ter sorte de principiante nesse caso. Bem, antes de mais nada, gostaria de esclarecer que este livro, A Teoria de Tudo, foi escrito pela JANE HAWKING, ex-esposa do Stephen Hawking, e não pelo próprio Stephen, não estou pronta para livros de física ainda.

Resolvi ler esse livro mais ou menos no meio do ano passado, pouco depois da morte do Stephen, pois queria saber mais sobre sua inspiradora vida. Porém, devo alertá-los que, diferente do que eu pensava, esse livro não é uma biografia da vida de Stephen Hawking.

Caso você não esteja familiar com a história deste livro, ele é, basicamente, a visão que a Jane tinha de seu relacionamento e casamento com Stephen, escrito anos após seu divórcio com o mesmo.

Sei que de primeira o livro não parece atrativo, dá até a impressão de estarmos invadindo a privacidade do casal, mas o que me prendeu foi perceber que tinha todo um fator sobre a história da sobrevivência do Stephen que foi ignorado, que é justamente a presença da Jane na vida dele.

Sempre que ouvimos falar de Stephen Hawking lembramos dele como um homem valente que lutou contra uma das doenças mais raras que existe, a ELA, que causou sua paralisia e sobre como ele foi guerreiro e tudo mais (não me levem a mal, ele foi mesmo um guerreiro, disso não há dúvidas). Porém quem já ouviu falar de Jane Hawking? Diria que não muitas pessoas, se tivesse que adivinhar.

Tudo bem, ela não teve muito reconhecimento no mundo acadêmico, pelo menos não tanto quanto Stephen, mas saibam que ela é uma das principais razões dele ter sobrevivido tanto tempo com uma doença daquelas.

Além disso, a meu ver, um dos assuntos mais interessantes abordado no texto é a forma como as namoradas dos cientistas são tratadas no mundo acadêmico. E, é claro, o romance entre o Stephen e a Jane é uma das coisas mais tocantes que já li na minha vida. E foi real, não uma história saída da cabeça de alguém, o que para mim faz com que o livro se torne ainda mais especial.

Dito isso, imagino que muitos de vocês devem saber que existe um filme baseado nesse livro (inclusive foi premiado com o oscar de melhor ator, se não me engano). Agora vem a pergunta: vale a pena ler o livro mesmo já tendo visto o filme?

A resposta é: sim. Chocando um total de 0 pessoas.

Na minha opinião, o filme é um ótimo drama, porém não faz ao livro justiça. Isso porque mudaram alguns acontecimentos e exageraram outros para impressionar na tela do cinema, e não tem nada de errado nisso. Enfim, eu poderia divagar sobre uma ou outra coisa a respeito do filme que me incomodaram um pouco, mas isso viraria uma resenha do filme e poderia até conter alguns spoilers.

No mais, o livro é lindo. Recomendo sempre a leitura dele, você pode ler mesmo se romance não for sua praia, pois o livro aborda vários outros temas muito interessantes. Entretanto, a última coisa que quero falar antes de encerrar esta minha tentativa de resenha, é que, caso você queira ler o livro, seja imparcial. Ao encerrar a leitura você pode ficar com um sentimento amargo com relação ao Stephen, o que não é justo. O livro conta somente a versão da Jane sobre como o relacionamento começou e acabou, e sabemos que existem duas versões para a mesma história, então tenha cuidado para não ficar muito emocionalmente envolvido na narrativa dela.

É isso, sinto que falei mais do que devia, mas espero que tenha sido útil!
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RESENHA: "A Bolsa Amarela", de Lygia Bojunga

domingo, 16 de junho de 2019

Por: Rebel Princess
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/474498/

A cada mês, venho eu panfletar uma obra lida na faculdade e que salvou minha vida. Literatura infantil/juvenil? Vou fazer isso sim! Não desista da resenha ainda! O ícone que trago para vocês hoje é uma queridíssima que publicava lá em 1970, mas que tem uns livros tão atuais que até me pergunto se ela não veio para o futuro escrever e depois voltou lá para publicar :v
                Lygia Bojunga – premiada com o Nobel de Literatura Infantil em 1982 - foi essa pessoa que nos trouxe, na forma de um “livrinho bobo”, uma reflexão linda sobre a transformação da personalidade, a formação da identidade de alguém. Mesmo Raquel - nossa protagonista - sendo uma criança da mesma época que Bojunga, é impossível não relacionar alguns dos receios e pensamentos dela com os que nós próprios já tivemos e, por vezes, observamos nas crianças de hoje. Ou seja, meus caros, aquelas viagens “ao mundo da lua” que acontecem de vez em quando são postas à vista nessa obra, e sua problematização não é nem de longe enfadonha de se ler: é uma viagem ao fantástico para se aproveitar do início ao fim, sem culpa caso você já não seja mais o público da literatura infantil/juvenil.


Pulo do gato sobre o enredo para chamar a atenção – a bolsa e as vontades de Raquel
                A Bolsa Amarela é um livro bem curtinho (com figuras!) que vai contar como Raquel, uma simpatia de menina, precisa esconder suas vontades, porque elas são grandes demais e ela morre de vergonha que os outros vejam. Basicamente, ela tem 3 vontades: crescer e deixar de ser criança, ter nascido garoto em vez de menina e escrever. Como as duas primeiras não estão ao seu alcance para serem resolvidas – e considerando o contexto de sociedade ainda tradicional na qual ser criança e mulher tinha suas limitações, isso se constitui um detalhe bem elaborado na trama -, ela começa a praticar a escrita com cartas para seus amigos imaginários (ela tem um monte de papeizinhos com nomes aleatórios, para cada carta, ela sorteia um destinatário). A história é de gênero fantástico, então não espere explicações para todas as “peculiaridades” de Raquel!
                O mais intrigante – e revoltante, diga-se de passagem – é como a família dela a trata, como um verdadeiro “zero à esquerda”, expondo-a a situações humilhantes e de deboche e pouco se importando sobre seus sentimentos. Entretanto, na verdade, tudo pelo que ela passa – pasmem – é realmente comum de se ver com pais que “obrigam” seus filhos a fazer isso ou aquilo, a mostrar tal coisa que sabem fazer, a “respeitar” quem ordena algo... para entender tudinho que a autora problematiza, já que coloca uma criança com sentimentos e caráter próprios para narrar, só lendo mesmo (é mindblowing).
                Enfim, após uma “doação” que a tia rica de Raquel faz à sua família de coisas que não quer mais, acaba sobrando para ela uma bolsa amarela, feia, grande e pela qual ninguém se interessou. Problema resolvido: as vontades vão todas para a bolsa! Raquel ainda passa por muitas complicações com ela (o zíper emperra, as vontades crescem demais e a bolsa quase explode, o primo chato pega a bolsa para caçoar dela), mas seus fiéis companheiros que ela encontra no decorrer da história – um galo de briga chamado Afonso, um guarda-chuva e um alfinete – vão ajudando-a a superar cada “chateação”, para usarmos uma palavra que ela usa bastante, de forma que ela começa a perceber que pode construir seu próprio valor enquanto menina, criança e escritora amadora.
                Com uma linguagem bem coloquial, sem seguir rigidamente as normas de escrita, já que é uma criança que narra a história, Lygia Bojunga revolucionou o modo de pensar essa parte da vida, tão cara à formação da estrutura psicológica e de caráter. Já falei demais da história e das contribuições dela, então só resta deixar minha indicação para que você, em qualquer fim de semana à toa ou naquelas horinhas de folga no meio da rotina, pegue A Bolsa Amarela para conferir esse mundo maravilhoso de Raquel que em muito pode se assemelhar ao nosso! <3
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Quem Tem Ranço da Jornada do Herói - Parte 2/3

segunda-feira, 8 de abril de 2019
Por: Asthera Maxwell 
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/243608/



Olar, pessoas!

Bom, vamos compensar o imenso atraso do post com uma intro bem rapidinha!

Hoje vamos falar sobre o que propus a vocês no primeiro post. Afinal, sem personagens, a jornada do herói não anda, né?

Mas como nasce um herói? Como ele é no começo e no que ele se transforma durante a jornada? Veremos arquétipos no post de hoje, e, melhor ainda, arquétipos que a gente não lê todo dia por aí! ARQUÉTIPOS MASCULINOS.

Vem comigo!


1 - RELEMBRANDO ARQUÉTIPO X ESTEREÓTIPO: NÃO É A MESMA COISA!

Só pra relembrar. Arquétipo pode ser traduzido como um determinado padrão de comportamento da sociedade, que foi identificado em lendas, mitos e histórias antigas pelos estudiosos da área. Ou seja, não tem diferentão aqui, todos os arquétipos já apareceram em algum momento na história da humanidade. Exemplo de arquétipo: Mago.

Estereótipo é o modo como esse padrão é abordado nas histórias. Suas características internas e externas, digamos assim. Exemplos de estereótipo de Mago: Gandalf, Merlin, Dumbledore. Todos barbudos, com roupas longas, velhos, enfim.



2 - ARQUÉTIPOS MASCULINOS: ETAPA 1 (CRIANÇA DIVINA, CRIANÇA PRECOCE, CRIANÇA EDIPIANA E HERÓI)

Você pode falar o que quiser de religião, mas é impossível negar o papel importante que ela tem, seja para o bem ou para o mal. Aqui vou focar no que ela tem de bom.

As religiões são um bom exemplo de estabelecimento de arquétipos. Pode ver que todas elas possuem uma criança divina: Jesus, Moisés, Buddha, Shiva, Zeus, Arthur; ou seja, não adiantou você brigar com aquele parente chato na ceia de natal para ver quem deles veio primeiro, todo mundo tem seu modo de representar o mesmo arquétipo e tá tudo bem.

Nesse post, apresentarei os arquétipos masculinos infantis, então, eles ainda não estão maduros e apresentam forte ligação com a figura da Mãe e o que ela representa para eles, antes de passarem pelo arquétipo do herói que será seu divisor de águas para que se tornem homens. Os arquétipos são: criança divina, criança precoce, criança edipiana e Herói.

Cada um dos três possui dois “sub-arquétipos” que compõem sua sombra, ou seja, as nuances que os arquétipos adquirem se vividos em excesso ou em falta. Importante ressaltar que os arquétipos infantis podem ser vividos mesmo na fase adulta, então não se preocupe se encontrar um cara agindo como tirano da cadeirinha alta por aí.

Por mais reprováveis que os comportamentos sejam na vida real, na literatura é um campo farto para seus personagens, afinal, ninguém gosta de personagens planos! Então, julgamentos à parte, use-os tanto para desenvolver sua jornada de redenção, quanto para fazê-los afundar ainda mais!


2.1 - CRIANÇA DIVINA




O primeiro estágio, portanto, mais primitivo do masculino imaturo. Ela pode ser definida da seguinte forma: todo-poderoso, o centro do universo, mas, ao mesmo tempo, indefeso e frágil. Entre outras coisas, ele representa a fragilidade, mas também o propósito da ordem que seu nascimento representa (segundo os autores, Cristo pode ser considerado um exemplo, sendo ele o elemento da ordem e os animais que acompanharam seu nascimento, os impulsos primitivos agora já controlados). É o arquétipo infantil que antecede o arquétipo maduro do Rei. Segundo Freud, são pulsões "primitivas" ou "infantis", amorais, enérgicas e cheias de pretensões divinas. Impulsos impessoais, preocupados apenas com as necessidades ilimitadas da criança.

Para Adler, é um complexo de superioridade oculto que encobre nossos sentimentos de vulnerabilidade, fraqueza e inferioridade. Já estudiosos de Jung, que inclusive é elemento importante que influenciou os arquétipos literários que conhecemos hoje, pensaram de outra maneira. Para eles, a Criança Divina é nossa fonte de vida, de características mágicas que dão poder. Entrar em contato com elas gera sensação de bem-estar, entusiasmo pela vida, criatividade, beleza e grande paz e alegria.

Acima de tudo, a Criança Divina representa também renovação. Se seu personagem já está numa posição de liderança, ou vai desenvolvê-la, é importante que ele não se esqueça desse aspecto. Afinal, sem essa ligação com a sua criança divina interna, não há como ele promover o potencial de sua ideia/causa/propósito e ele descerá na curva de desenvolvimento, sentindo-se vazio e incapaz.

2.1.1 - O TIRANO DA CADEIRINHA ALTA: Uma das sombras da Criança Divina. Nesse caso, é a sombra que peca pelo excesso. O mimado que quer tudo e nada, que as coisas sejam feitas do jeito que ele quer e quando ele quiser, caso contrário, preparem-se para o espetáculo. É aquela criança que limpa o chão do mercado fazendo birra porque a mãe não compra o que ele quer. E, quando adulto, o cara arrogante que acha que o mundo gira ao seu redor, e é tudo sobre ele. Nunca está satisfeito consigo mesmo, nem com os outros; o perfeccionista que centraliza tudo, que se as coisas não forem feitas do jeito dele, nunca vão funcionar. Explosões de raiva são suas armas mais frequentes.

2.1.2 - O PRÍNCIPE COVARDE: A outra sombra, mas que peca pela falta. Enquanto o tirano vive num pedestal, o príncipe vive numa redoma. Sabe aquele seu irmão mais novo que aprontava o céu e o inferno em casa, mas que quando o bicho pegava, corria pra saia da sua mãe e jogava a culpa em você? Ta aí, você tem um Príncipe Covarde em casa. O príncipe é um ótimo manipulador, é o mimado que vive reclamando de tudo e de todos, não tem iniciativa nenhuma e a família vive em função dele, tornando-o pior que o tirano, pois o primeiro já mostra a cara e você já sabe como lidar. Aqui, não é com ele que você lida, mas sim com aqueles que ele manipula. Nada impede que ele dê uns ataques de fúria como acontece com o tirano, mas a maior arma dele é se fazer de coitadinho, e se o seu personagem tiver alguém pra bajulá-lo, mesmo estando errado, terá um prato cheio na história.


2.2 - CRIANÇA PRECOCE

  
Resumidamente, é a criança prodígio. Frequentemente aprende a ler cedo (em especial para responder as próprias perguntas), quer saber o "como, quê e onde" de tudo. Saber/conhecimento é praticamente o que faz sua vida ter sentido, independente do que ela precisa superar para adquirir mais. É o arquétipo que permite ter coragem de explorar, iniciativa, desbravar o desconhecido, manter viva sua curiosidade e a dos outros também. Costuma ser bom em várias coisas, mesmo que não sejam áreas afins. Tende a ser introvertido, mas ele se torna mais aberto com aqueles que se interessam pelo conhecimento, aprender e compartilhar. É o arquétipo infantil que antecede o arquétipo masculino maduro do Mago.

2.2.1 - O TRAPACEIRO SABICHÃO: A sombra do Precoce, que peca pelo excesso. Se por um lado, sua energia é extremamente importante no que se diz respeito a expor as mentiras e derrubar aqueles que as contaram, pode ser muito nociva. É o chamado agressivo-passivo, que só quer expor a galera, ver o circo pegar fogo, mas não tomar o lugar do dono do circo e resolver o incêndio. É o que sabe tudo e adora mostrar que sabe, que é superior aos outros por isso. Também pode ser aquele que faz aquelas brincadeiras de mau gosto, o que expõe a "burrice" dos outros com elas e exalta a própria inteligência. É o que acredita que todo mundo é corrupto, mas nunca assume as próprias responsabilidades (como eu disse lá trás, ele não quer resolver o incêndio, só quer causá-lo). É o que domina as conversas, o que interrompe, o que tenta invalidar seus argumentos e transforma discussões amigáveis em sermões, mas também é aquele cara que, se for mais Sabichão que Trapaceiro, te coloca no seu devido lugar quando você acha que sabe tudo. É o que abaixa tua bola quando você se acha a última coca-cola do deserto. Em geral, esse comportamento surge e se acentua quando a pessoa é rebaixada, criticada, agredida emocionalmente pelos outros e o fato de não se sentir especial a torna presa fácil para esse arquétipo, que pode reforçar sua necessidade de se sentir especial, mostrando-se tão esperto ao ponto de usar sua inteligência para passar as pessoas pra trás.

2.2.2 - O PALERMA: A sombra que peca pela falta. É aquele que, na sala, você só percebe que existe porque ele responde a chamada, porque em geral é descrito como indiferente, ingênuo, lerdo, raciocínio lento e frequentemente é alvo de zombaria e desprezo dos colegas. Porém, o Palerma frequentemente percebe mais do que demonstra e seu comportamento pode mascarar sua grandiosidade/vulnerabilidade, tornando-o perigosamente propenso a desonestidade, afinal ele não sabe de nada.


2.3 - A CRIANÇA EDIPIANA


Vimos até agora um padrão entre os arquétipos: a importância da mãe como aquela que supre as necessidades do filho, que ainda apresenta seu arquétipo imaturo. Vimos também o que acontece quando a mãe falha nisso, na opinião dele, tornando-o um Tirano ou um Príncipe. A criança edipiana está, por falta de uma frase melhor, acima de tudo isso. Embora os três arquétipos estejam ligados à espiritualidade por intermédio da mãe terrena, não é a sua mãe terrena que a criança edipiana anseia, mas sim ao aspecto materno da criação, do amor, da nutrição, da espiritualidade, beleza e sensibilidade presente em todas as criações humanas. O senso místico de unidade retratado pelo culto à Grande Mãe em várias culturas. A criança edipiana não vivencia totalmente seu masculino nutridor, mas é capaz de vivenciar os aspectos positivos deste. É terno, afetuoso, com fortíssima ligação com a espiritualidade. É o arquétipo infantil que antecede o arquétipo amadurecido do amante.

2.3.1 - O FILHINHO DA MAMÃE: A sombra que peca pelo excesso dessa busca pela Mãe. Para ilustrar, usarei as Crônicas de Gelo e Fogo. Na série isso não acontece, só nos livros. Após a morte da mãe, Sweetrobin (Robert Arryn) fica muito ligado a Alayne Stone, que ao mesmo tempo em que se torna uma substituta da mãe pra ele, vez ou outra você o vê dizendo que Alayne é dele, que quer casar com ela e coisa parecida, justamente porque ele sabe que o querem morto e de quebra, a ideia de qualquer um chegar perto dela, em especial o “rival” dele, Harry, é insuportável. É desse tipo de comportamento que se trata o filhinho da mamãe.
Segundo Moore e Gillette (1993), no ponto de vista do desenvolvimento, o pai é deus e a mãe, a deusa, e a busca inconsciente pela vivência do espiritual se torna mais forte quando essa figura paterna não existe. Outra característica dele, em busca dessa beleza, ternura, satisfação transcendental que só a "Grande Deusa" poderia oferecer é ele se tornar um Dom Juan, porque nenhuma mortal consegue preencher esse anseio, então o cidadão pula de uma mulher para outra nesse anseio pelo feminino transcedental.

E como não podia deixar de ser, o filhinho pode se tornar um compulsivo sexual, se        masturbando compulsivamente, no desespero de vivenciar o poder do seu falo, o seu poder      da criação. Assim como a infinidade das formas femininas são representações da Deusa, o    filhinho da mamãe pode ter essa fixação por unir-se a ela, tornando-se/vivenciando o     "Grande falo" ao conhecê-las, seja pela pornografia, seja se deitando com quantas mulheres conseguir.

2.3.2 - O SONHADOR: O filhinho da mamãe pelo menos buscava a Mãe. Em excesso, mas buscava. O Sonhador não faz isso, pode-se dizer que ele tem consciência da sua condição terrena e que nunca será capaz de alcançá-la justamente por isso. Ao levar ao extremo os impulsos espirituais da Criança Edipiana, ele se deixa levar tanto pela passividade, que se isola dos relacionamentos humanos. Seu mundo imaginário é mais importante e interessante do que o mundo real, parecendo ser reservado e deprimido e isso pode se transferir para seus sonhos também, tornando-os melancólicos ou etéreos. Seu comportamento isolado demonstra o ressentimento por não ter a posse da Mãe, a grandiosidade que os arquétipos imaturos possuem, no arquétipo do Sonhador aparecem como melancolia ou depressão.


2.4 - ARQUÉTIPO DO HERÓI


Eu poderia explicar o herói em duas vertentes, a do storytelling (a que surgiu com os gregos, blá blá whiskas sachê) e a psicológica. Por enquanto, vou focar na psicológica porque o herói como arquétipo do storytelling precisa de um estudo que o post atual não comportaria, olha só o tamanho dele!

As energias do herói surgem como um divisor de águas para os arquétipos imaturos. O arquétipo do Herói, apesar de também ligado a Mãe, surge para despertar o masculino dentro do menino, preparando-o para o que o mundo trará como desafio. É o arquétipo que joga o menino na parede e canta “I'll make a man out of you” pra ele, o que permite que o menino se afirme e se defina como uma pessoa e suas particularidades, para que possa se relacionar com os outros. No mundo atual, que não se lembra mais dos seus heróis, esse momento é imprescindível para que o menino não se deixe levar pela preguiça, pelo egoísmo ou a inveja, sentimentos que podem levá-lo a regredir para algum dos arquétipos-sombra apresentados. Ele reconhece suas falhas e que precisa dos outros, coisa que o Valentão exibicionista e o Covarde não sabem fazer.

2.4.1 - O VALENTÃO EXIBICIONISTA: O arquétipo que a gente mais vê nas histórias. O nome já dispensa descrição. O menino/homem que quer impressionar os outros, o valentão que age sozinho para conseguir as glórias para si, mas as consequências dos seus atos quando eles dão errado são coletivas. O que se acha a última coca-cola do deserto e se acha no direito disso; o que tem o ego inflado, mas na verdade não passa de alguém covarde e inseguro. Essa sombra do herói, quando vai enfrentar o dragão, ou sai queimado, ou descobre-se incapaz de amar a princesa que resgatou, significando que alguma coisa deu errado no seu processo de despertar do masculino. Quando influenciado por esse arquétipo, ele ainda está ligado à Mãe, mas precisa superá-la desesperadamente. O herói, em geral, é especialista em negar a morte, por mais que a gente esfregue "momento morri" na cara dele, ou Hades arremesse nele a placa com as palavras de boas-vindas do Inferno de Dante, ele continuará tampando os ouvidos e cantando lalala.

2.4.2 - O COVARDE: Outro arquétipo que a gente vê por aí. Na linguagem comum é o arregão, o que não consegue se defender sozinho dos confrontos, sejam físicos ou verbais. O que se submete fácil à pressão dos outros, mas para variar, o arquétipo que quando o Valentão Exibicionista aflora nele, leva uma arma para a escola e mata todo mundo.



UFA, CONSEGUIMOS!

E então, o que acharam desse compilado de arquétipos e suas sombras? Deu trabalho, mas espero que tenha ajudado!

No próximo e último post, trarei os arquétipos masculinos maduros, esses aqui foram os do menino, os próximos serão os do homem. Sim, minha gente, tem muito mais!

Até!


REFERÊNCIAS

MOORE, Robert; GILLETTE, David. Rei, guerreiro, mago, amante: a redescoberta dos arquétipos do masculino. Editora Campus, 1993.
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Como Retratar Corretamente Relacionamentos Abusivos - 3/5

segunda-feira, 25 de março de 2019


Por: Musa


Bem-vindos, queridos leitores. Estou de volta com a continuação dessa série de utilidade pública para nos ajudar a retratar corretamente relacionamentos abusivos na escrita.

Até agora, aprendemos como escrever relacionamentos saudáveis e o ciclo do abuso. Tudo isso para termos uma ideia generalizada de como esse tipo de relações funciona e como distingui-las das saudáveis ou apenas disfuncionais.

Neste post, vou estar explicando os tipos de abuso, pois é. Existem vários tipos, uma relação abusiva pode funcionar de várias maneiras e ter mais que um tipo de abuso em simultâneo. Tudo vai depender do tipo de abusador que você pretende escrever, assim como o tipo de relação que ambos os personagens têm.

A importância deste post não é descrever as reações da vítima e do abusador ao exercer ou sofrer os diferentes tipos de abuso, e sim compreender do que se trata e o que os torna abusivos em vez de apenas casos isolados ou disfuncionais. A mentalidade da vítima e do abusador por trás ou após o abuso é algo muito complexo que deverá ser desenvolvido através da pesquisa do autor.

Existem várias niches de abuso e algumas delas podem ser incluídos em tipos mais abrangentes. Então vou resumir no seguintes: Abuso Emocional, Abuso Físico, Abuso Sexual, Abuso Financeiro e Abuso Espiritual.

Vamos lá!


Abuso Emocional

Há uma razão porque decidi abordar este tipo primeiro:

Ao contrário dos outros tipos de abuso, que são facultativos para constituir uma relação abusiva, o abuso emocional não pode, de jeito nenhum, não existir. Este tipo está na génese de qualquer relacionamento abusivo. Sem ele, não existe o abuso nem a possibilidade do abuso manter-se.

Como falei no post anterior, o ciclo de abuso é constituído por um abuso emocional integrado. Ele é o combustível deste tipos de relacionamento. Ou seja, se você se pergunta se a relação que escreve é abusiva, disfuncional, ou apenas mal escrita, tem que começar pelo abuso emocional e se ele está ou não presente, se está ou não desenvolvido.

Portanto, comece por ele.

Os outros tipos de abuso são apenas maneiras que o abusador procura para atingir a vítima de formas em que o emocional não é suficiente, ou é aquele que consolida ou banaliza as atitudes dos outros tipos de abuso. É aquele que quebra e molda a vítima ao gosto do abusador.

O abuso emocional é constituído ou realizado através de outros tipos mais pequenos, como o verbal. O abusador usa palavras como armas para a vítima, ela começa a acreditar nas suas mentiras; fazendo-a acreditar que é estúpida, doida, que ninguém a vai querer, que ninguém a ama/aguenta. Isso pode existir na vítima antes, e o abusador aproveitar-se, ou podem ser inseguranças que são inseridas na vítima após ouvi-lo por tanto tempo. Estas mentiras vão deixar a vítima isolada, pois ninguém a quer por perto, ou impossibilitá-la de falar acerca do seu abuso, por pensar que merece ou é doida e está exagerando.

Não apenas por palavras, pequenas ações ajudam a promover este abuso. Coisas como mover pertences da vítima e dizer que sempre estiveram ali, negar que certas coisas aconteceram, diminuir ou distorcer as palavras da vítima — especialmente se está queixando-se de algo que o abusador fez. Acontece através de um sistema longo e consistente, vai fazer a vítima duvidar da sua própria sanidade. O que gera mais isolamento ou fá-las sentir que ninguém vai acreditar nelas se falar no que está acontecendo, afinal elas nem se lembram onde deixaram as chaves de casa, não é mesmo?

Muito se pode dizer sobre este tipo de abuso e a sua importância, apenas saiba que não pode esquecer-se dele, pois é a cola que deixa tudo juntinho.

Quando for escrever um relacionamento abusivo sem desenvolver uma base cíclica, constante e bem fundada em abuso psicológico e/ou emocional, os seus relacionamentos abusivos vão parecer superficiais e não acreditáveis.

Este é o abuso que vai seguir a vítima por mais, tempo, o físico, sexual, financeiro, são palpáveis e visíveis, podemos afastar a pessoa que magoa a vítima e terminá-los. Porém o emocional permanece, por vezes permanentemente, muito depois da vítima sair da situação. Ele vai moldar o trauma e sua mentalidade dali para a frente.

Então pesquise muito sobre, não pense que pode adivinhar o que é passar sobre esse tipo de abuso sem tê-lo vivido; e desenvolva-o antes de qualquer outro.


Abuso Físico

Este é o mais visível e, normalmente, aquele em que pensamos quando vemos a palavra “abuso”. Às vezes, até mesmo relações que não envolvem este tipo de abuso nem são consideradas abusivas ou “abusivas o suficiente”.

Não existe muito a dizer sobre o que acontece no abuso físico, ele inclui machucar alguém com ou sem objetos (atirar coisas como vasos, usar armas, etc.); também inclui sufocar, invadir o espaço pessoal e até mesmo a ameaça de comprometer a integridade física da vítima através de coisas como conduzir sem cuidado, tornar os espaços onde ela se encontra inseguros, escorregadios, tóxicos, tudo o que é deliberadamente feito pelo abusador para magoar a vítima fisicamente é considerado abuso físico.

A violência pode estar presente em várias situações e relações, o que a torna abusiva é haver claramente uma vítima e um abusador consistentemente, no caso, não quer dizer que a vítima não retalie uma vez ou outra, mas ela sempre sai com um castigo muito maior se se atreve a fazê-lo. Também existe o facto que a violência é usada pelo abusador como demonstração de uma frustração por não conseguir o que quer da vítima através dos métodos não violentos (abuso emocional). Ou talvez seja o abuso físico nascente de problemas em lidar com a raiva, consumo de substâncias, e então o abuso emocional segue-se para que o comportamento seja banalizado.

O que se deve ter em consideração descrevendo abuso físico é encontrar a lógica que o seu abusador tem para usá-lo, por que ele o usa? Em que situações? Como ele faz depois de um episódio para que a vítima permaneça com ele? Quais os seus gatilhos? Como ele justifica fazer isso para si mesmo? Isso são tudo particularidades de uma relação abusiva, em oposição à violência disfuncional ou entre estranhos e rivais, que não tem um cariz manipulador e cíclico.

Portanto, quando escreve abuso físico, tenha em consideração que este é visível e portanto terá que trabalhá-lo muito bem para a vítima permanecer com o abusador ou os amigos e família não intervirem.


Abuso Sexual

O Abuso sexual merece estar numa categoria diferente do físico pelos componentes altamente emocionais, o cariz único sentimental que existe no ato sexual e a maneira como está diretamente relacionado com a autonomia da vítima.

Ele pode existir em qualquer tipo de relação abusiva, qualquer dinâmica ou natureza da relação. E o trauma é diferente para as vítimas de contextos diferentes, abuso sexual entre familiares e entre parceiros românticos vai gerar uma miríade de sentimentos distintos que devem ser estudados separadamente dependendo do que for tratar.

Pesquise sobre a experiência da vítima na perspectiva do papel que o abusador tem na vida dela, pois influencia muito o trauma.

Este tipo de abuso existe, como muitos sabem, através da violação, o ato sexual não consentido. Novamente, de uma maneira abusiva, isto acontece sempre com uma vítima e um abusador, os papéis não mudam, pois numa relação abusiva o poder está bem estabelecido.

Da mesma forma que o abuso físico, o abusador pode usar o sexo como uma arma para manipular e desarmar a vítima de formas que o abuso emocional não consegue. Isto é, fazê-la sentir que sexo é tudo para que serve, que não tem o direito de dizer não pois o sexo é um direito (comum em casos de relacionamentos românticos abusivos, especialmente entre personagens casados), ou também forçar situações ou atos sexuais que a vítima não deseja ou sente-se confortável a fazer pois é o que precisa para satisfazer o parceiro e humilhá-la se não conseguir ou quiser fazê-los.

A pressão para ser melhor no sexo, que nunca é bom suficiente, também faz parte do abuso sexual. O ato sexual é sempre, de um jeito ou outro, íntimo e repleto de reações biológicas e emocionais automáticas do nosso corpo. O que gera sentimentos muito confusos e nocivos para uma vítima de abuso sexual, pois algo inerentemente relacionado à autonomia da pessoa está sendo usado contra ela, está sendo roubado dela.

Isso gera um trauma complicado com repercussões complexas e profundas. Mais uma vez, se você nunca foi vítima de abuso sexual, não tente adivinhar o que passa pela cabeça de quem foi, pesquise diretamente a história de vítimas da boca delas para poder narrar melhor este tipo de trauma.


Abuso Financeiro

Afinal, a partir do momento que sua história se passa num universo capitalista, o dinheiro dita muita coisa acerca da independência e liberdade de uma pessoa. E é de esperar que um abusador fosse querer tirar partido disso ou controlar essa vertente da vida da vítima.

É algo mais comum em casais e relacionamentos abusivos entre pais e filhos. Pois normalmente existe uma partilha de bens ou dependência econômica entre ambos.

Para além disso, tem que se entender que esta dependência econômica é muitas vezes o que impede a vítima de sair da relação. 

Como funciona? De várias maneiras, o abusador pode impedir a vítima de arranjar um trabalho e consequentemente deixar todos os fardos financeiros a seu cuidado. Também pode não deixar a vítima ter acesso à sua conta bancária ou ter algum poder de decisão sobre o orçamento ou finanças, isto pode ser usado como abuso emocional ao fazer a vítima sentir-se incompetente para tais tarefas.

Também pode o abusador entrar em dívidas em nome da vítima, arruinando a sua situação econômica, o que pode impedi-la de arranjar nova habitação, transporte, ou fugir.

Este é um tipo de abuso muito materialista, o trauma que resulta dele normalmente é apenas associado ao emocional. Ele arruína as coisas materiais para a vítima, e não tanto o seu interior por si. Mas não deixa de ser um fator importante pensar na situação econômica dos seus personagens quando for escrever e como interfere com o ciclo abusivo.


Abuso Espiritual

Também pode ser conhecido como abuso religioso ou cultural, é encontrado em relações onde um ou ambos os personagens possui crenças religiosas, superstições ou uma cultura diferente ou iguais ao abusador.

É um sistema abusivo de comportamentos contínuos onde o abusador ridiculariza, banaliza e humilha a vítima na procura da sua espiritualidade, ou comportamentos religiosos e culturais, fazendo-a sentir-se mais isolada. Também acontece o abusador não permitir que a vítima participe de eventos culturais particulares dela, ou ir na igreja ou local de adoração específico. Como mencionado, é uma técnica para deixar a vítima isolada e retirar o lugar de Deus da sua vida, assim como afastá-la da sua comunidade para não haver espaço para alguém acima do abusador na vida dela.

Outra maneira que o abuso se manifesta é a contrária, se o abusador também é religioso ou parte de uma cultura igual à da vítima. Ele pode constantemente usar suas crenças para manipular a vítima, fazê-la sentir que o que faz para adorar o seu Deus ou honrar seus anciãos nunca é suficiente. É muito comum entre pais e filhos, por exemplo.

Também é possível o abusador usar a parte da identidade da vítima como ameaça, no sentido ameaçar revelá-la para pessoas que não sabem ou podem colocá-la numa posição de perigo.

Isto faz a vítima sentir-se em constante dívida para com Deus e sua cultura. O que a torna fácil de convencer a fazer coisas que o abusador quer para aliviar essa sensação.



É tudo por esse post. Podemos compreender as várias maneiras como o abuso se manifesta, tendo em consideração que o abuso emocional é o único que terá que estar sempre presente para constituir uma relação abusiva.

Entendemos também que para tratarmos estes comportamentos como abusivos em vez de casos de violência isolados, eles têm que acontecer consistentemente, por algum período de tempo com um ciclo semelhante ao que mencionamos no post anterior.

Espero que tenham gostado, nos vemos no próximo!
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