Como escrever um crossover bem elaborado


Por: MrsPorcelain


Olá, meus anjos. Como vão? Eu espero que bem. Meu nome é Adriana, mas vocês podem chamar-me Angel, Adry, Dri ou qualquer um dos mil variantes que possam surgir.
O tema principal da minha postagem é um gênero de fanfics que muita gente vem adorando (ou abominando) na agora vasta história das fanfics. E, não, minha gente, não é hentai (risos). Hoje vou falar sobre os crossovers.
Há fanfics mal classificadas, quer sejam fanfics que abordem este gênero e não o tenham na classificação ou vice-versa. Existe algo melhor do que o Google para responder a essa pergunta? A Wikipedia define um crossover como:
“Fanfics onde se misturam universos (fandoms) diferentes.”
Parece que optaram por simplificar. De fato, um crossover é, sim, uma fanfic onde dois universos se misturam. Mas será que um crossover é só jogar Harry Potter e Percy Jackson na Arena e esperar os comentários? A página de ajuda do Nyah define um crossover como:
“História que mistura personagens de núcleos diferentes, fazendo-os interagir entre eles.”
Um crossover é uma fanfic onde você mistura dois ou mais universos diferentes, fazendo-os interagir entre si. Não só os personagens, mas as histórias, os enredos, os acontecimentos e os fatos. Afinal, você espera que seus leitores simplesmente entendam por que raios há mil espécies diferentes de lobisomens se você resolver misturar Crepúsculo, The Vampire Diaries, Harry Potter e Teen Wolf?
O ponto não é só jogar as histórias no caldeirão, mexer um pouco… et voilá. Você tem que encontrar um ponto intermédio entre todas as histórias que faça com que não pareça que você está misturando elas. A ideia de um crossover bem elaborado é que você leia e pense “Poxa, isso poderia mesmo ser assim!”. Se você não achar esse ponto, crie um! Você já deve estar cansado de ouvir que o céu é o limite, não é mesmo? Pois bem, mas tem gente que até já chegou à lua! (admito que peguei essa frase do Facebook –q) Mas pense bem: se uma história (um livro, uma série, etc) já tem milhares de enredos possíveis para você criar e explorar, imagine duas ou três! Você só precisa encontrar um jeito de fundir esses enredos num.
Primeiro, você deve começar decidindo que categorias você vai misturar. A dica é, se este for seu primeiro crossover, não sair misturando mil categorias ou usando-as para cobrir possíveis falhas no enredo. Decidiu que categorias quer no seu crossover? Ótimo. Agora você precisa de uma ideia. Não faça um resumo enorme, não por agora. Estabeleça apenas a base da sua ideia. Não basta dizer “Eu quero misturar essa categoria e essa, e seja o que Deus quiser”. Você não diz “Quero escrever uma fanfic de Harry Potter, e seja o que Deus quiser”, certo? Você precisa de uma ideia base, precisa decidir um tema e criar o seu enredo.
Após decidir a sua ideia base, decida o cenário. Você quer fazer uma fanfic onde Percy Jackson e Hermione Granger ficam juntos, namoram, casam e têm filhinhos? Ótimo, e onde isso acontece? Outra coisa que você tem que decidir e estabelecer é o porquê das personagens estarem nesse sítio. É claro que você não precisa explicar o porquê de Hermione estar em Hogwarts mas, se Percy foi para lá também, como isso aconteceu?
Outro ponto importante do seu crossover serão as personagens. Como elas se vão relacionar? Não basta simplesmente as juntar como se fossem melhores amigas de infância, você precisa explorar pontos da personalidade de cada um, os pontos que podem fazer eles se amarem e os pontos que podem fazer eles se tornarem inimigos mortais.
Se você reparar, na maioria das sagas, as personagens principais têm personalidades semelhantes (a maioria é leal, altruísta e tem complexo de herói). Ninguém está esperando que eles se vão dar bem de cara, na maioria das vezes, personalidades semelhantes chocam, sim. Então explore isso. Explore as diferenças e as semelhanças das personagens, tendo em conta qual você acha que seria a relação deles se os autores realmente os juntassem.
A partir do momento em que você junta dois universos numa fanfic, é um crossover. Você pode até fazer um Talk Show de Percy Jackson e Harry Potter onde a cada duas linhas você vai acrescentar uma (N/A) e uma (N/personagem) que ficará brigando com a autora (você), e será um crossover. Mas esta postagem é sobre como fazer um crossover bem elaborado.
Eu reuni opiniões de algumas autoras amigas. Uma delas me disse que: “Um crossover bom tenho que ter um ponto forte que une as histórias. Que faça ter sentido elas se unirem.” E eu realmente concordo com isso. Não é sobre juntar as histórias e sim sobre criar um sentido para essa junção. Você tem que fazer com que o leitor não sinta que você está misturando as histórias, mesmo que ele saiba, sim, que são histórias distintas.
Deite atenção ao jeito como as personagens de conectam, como os enredos se cruzam e como você vai explicar a junção. Decida as relações entre personagens, crie tramas e desenvolva explicações. Tente não deixar nenhuma ponta solta e explique tudo o que pode confundir os seus leitores ou deixar alguma gafe na história.
Uma boa dica, não só para os crossovers, mas para todas as histórias, é apontar tudo. Se tiver alguma ideia, esteja onde estiver, escreva ela. Desenvolva cada detalhe da sua história e, no final, se coloque no papel do leitor. Você leria aquela história? Se sim, ótimo. Se não, tente ver o que está faltando. Um beta pode te ajudar, apesar de ele não ir decidir nada por você. E, se precisar pesquisar, pesquise. Você pode encontrar ótimas fontes de informação sobre livros, séries e etc na internet, então pesquise. Às vezes, os mínimos detalhes – aqueles que ninguém lembra – podem ser os pontos perfeitos para fundir as histórias.
Um crossover não é diferente de qualquer outro gênero – ou, pelo menos, não devia ser. Alguns gêneros são mais difíceis de escrever que outro, e há sempre pessoas que não gostam deles. Mas assim como não deveria haver “bullying” com hentais ou lemons, também não deveria haver com crossovers. A diferença nem é muita, eles apenas precisam ser bem feitos, no final de contas.
E é isso, eu acho; espero que a postagem te possa ajudar. Até mais!

F O N T E S

30 dicas bem humoradas para melhorar a sua escrita

Por: Takahiro Haruka



Nenhum de nós nasceu sabendo. O processo de aprendizagem é longo, podendo durar a vida inteira. Uns têm mais facilidade em aprender, outros têm menos, mas o importante é seguir tentando. E existe uma maneira melhor de aprender do que se divertindo? O post de hoje trás 30 dicas bem-humoradas, escritas por João Pedro, professor na UNICAMP, que irão instruí-lo de modo divertido e na prática. Vamos conferir:


1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.

2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.

3. Anule aliterações altamente abusivas.

4. não esqueça as maiúsculas no início das frases.

5. Evite lugares-comuns como “o diabo foge da cruz”.

6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou? ... então valeu!

9. Palavras de baixo calão podem transformar o seu texto numa m...

10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.

12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem ideias próprias".

13. Frases incompletas podem causar.

14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma ideia várias vezes.

15. Seja mais ou menos específico.

16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!

17. A voz passiva deve ser evitada.

18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação.

19. Quem precisa de perguntas retóricas?

20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.

21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!”

23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!

25. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da ideia nelas contida e, por conterem mais do que uma ideia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-las nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.

27. Seja incisivo e coerente, ou não.

28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambiguidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza de que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.

29. Outra barbaridade que tu deves evitar chê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras! ... nada de mandar esse trem...  vixi... entendeu bichinho?

30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá aguentar, já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.

Professor João Pedro da UNICAMP


* Texto betado, corrigido, revisado e adaptado ao Novo Acordo Ortográfico.




Fonte: Jornal Conversa Pessoal – Secretaria de Recursos Humanos do Senado Federal

Resenha: Meu pequeno demônio


Resenha por Camy


ÁLAMO, Alice – Meu Pequeno Demónio, Paracatu – Minas Gerais, Buriti, 2015

Sinopse: Demônio? Sim, posso chamar assim a vontade que me domina, que me faz desejá-lo mais do que o permitido. A culpa não é só minha. Ele também fez sua parte, contribuiu para que esse sentimento evoluísse, permitiu que eu visse algo além de carinho em seu sorriso. O problema? Ele é meu irmão mais velho.
Resenha: Em "Meu pequeno Demônio", a personagem principal, Lucius, conta, em uma espécie de diário – mesmo que ele se negue a chamá-lo desse jeito –, sobre o relacionamento amoroso com seu irmão mais velho, Micael. É um texto muito bem escrito e intrigante, que quebra muitos dos tabus comuns da sociedade atual. O homossexualismo e o incesto são os principais, entretanto há também a promiscuidade – como diz o próprio personagem – e um relacionamento entre indivíduos de idades diferentes.
O livro é extremamente rápido de ser lido, tanto por não ser muito longo quanto por ser narrado em primeira pessoa. Consequentemente, o texto é quase um monólogo, e os termos utilizados são de fácil entendimento. O mais interessante foi a perspicácia da autora que, além de escrever as cenas de sexo com uma maestria invejável, conseguiu não exagerar. Em alguns momentos a cena era rápida, não mais do que duas ou três páginas; ou seja, indicava que a relação sexual acontecera, mas não que ela fora excepcionalmente importante para a personagem. Em outros momentos, quando acontecia com aquele alguém em especial, a narrativa era mais lenta, indicando que aquele momento era mais importante. Típico de quem escreve, é claro; as cenas mais ansiadas pelo escritor são descritas de maneira mais lenta, como se ele apreciasse cada segundo. Em outros momentos, escreve-se mais rápido, pois anseia-se chegar em outra parte da narrativa. E isso ela passou muito bem. Como o narrador é o Lucius, então é perceptível quando um acontecimento – não necessariamente o sexo – foi (ou deixou de ser) significativo para ele.
Também é válido de nota que o enredo não é nada clichê. O início dá a entender que a personagem vai tomar o rumo que muitos dos protagonistas em histórias heterossexuais tomam, e então a autora mostra que o texto não é nada clichê. As reviravoltas e surpresas que se sucedem no início são de tirar o fôlego, e é incrível como nunca se sabe qual será o próximo acontecimento.
As personagens, à exceção de Lucius, Micael e Adrian ­– padrinho de Lucius – pareceram um pouco superficiais. Provavelmente foi a intenção, pois, em diários, ninguém descreve detalhadamente sobre cada pessoa que lhe rodeia, entretanto, a antagonista deixou um pouco a desejar. Ela não parecia ter um motivo pertinente para fazer tudo o que fez; era como se ela existisse apenas para prejudicar os principais. Amanda não tinha qualidades visíveis, tampouco um contexto para resolver causar todos aqueles problemas. Talvez a própria personagem a visse dessa forma e, por essa razão, a tenha descrito assim. Talvez, mas não há como saber. Um pequeno aprofundamento sobre ela seria necessário.
À exceção disso, o livro é maravilhoso. A escrita é bem-desenvolvida e o texto é coeso, tornando a leitura muito fluida. Recomendado com louvor, diga-se de passagem. Com certeza, esse já está na lista dos favoritos.

Entrevista: Alice Álamo



Liga dos Betas (LB): Olá, Alice. Antes de mais, obrigada por teres aceitado esta entrevista ao blog da Liga, apesar de desejares manter uma certa reserva em relação a ti mesma. A primeira pergunta tem exatamente a ver com isso: Alice Álamo é um pseudónimo, correcto? Por que decidiste adoptar um?

Alice Álamo (AA): Oi, Liga! Eu que agradeço o carinho de vocês e a entrevista. Sim, Alice Álamo é um pseudônimo. Eu pensei muito antes de tomar essa decisão, para ser sincera. Apesar de querer muito o meu verdadeiro nome no livro e quase não conseguir conter a vontade de dizer para todo mundo que tinha escrito um, eu realmente notei que o pseudônimo me daria mais liberdade para tratar de temas polêmicos sem ter que me justificar para amigos ou familiares.

LB: Esses temas polémicos que são tratados no teu livro, Meu Pequeno Demónio, são yaoi e incesto, correcto? Já ficou evidente o que esperarias de amigos e familiares caso soubessem, mas qual a recepção que esperas ter do público em geral?

AA: Sim, os temas polêmicos do livro são o Yaoi e o Incesto entre irmãos. Eu espero, acho, o que todo autor deseja: despertar o sentimento. Curiosidade, incredulidade, aceitação, negação. Eu espero, por meio de um romance, trazer uma reflexão ao leitor, fazer com que ele ao menos pense nesses temas com uma visão diferente do senso comum. Quanto ao que esperava dos meus amigos e parentes, fui totalmente equivocada. Todos aceitaram muito bem a notícia e ficaram orgulhosos de mim (se bem que ainda nenhum deles leu o livro ~risos~).

LB: É das coisas boas de trazer os nossos trabalhos à luz do dia, acabamos por nos surpreender com o apoio que recebemos. Recuando agora um pouco às origens, por que começaste a escrever?

AA: Totalmente influenciada pela minha irmã. Minha irmã lia fanfics de Harry Potter e eu sempre fiquei curiosa sobre isso. Comecei então a ler fanfic. Quando ela escrevia os seus textos, eu sempre lia e acabei querendo escrever também. Entretanto vi que não tinha nenhum talento para fanfics de Harry Potter. Essa época coincidiu com a estreia de Naruto na televisão, e eu me identifiquei com o fandom. Acho que em 2008 eu lancei minha primeira fic de Naruto no site NarutoImagensV3. Eu nem sabia da existência do Nyah ainda! (risos)

LB: Ainda te lembras da sensação de quando publicaste essa primeira fic de Naruto? Como se compara com a sensação que tens hoje, a publicar as tuas histórias no Nyah, e agora também o teu livro em mercado editorial?

AA: A sensação da primeira fanfic nunca se esquece, né? Era uma história bobinha, mas que foi muito bem aceita. Eu lembro que o site era pequeno, então todo mundo lia e comentava as fics de todo mundo. Foi uma das fics mais divertidas de se escrever. Hoje a sensação é diferente. Continua sendo uma maravilha escrever, receber comentários e responder, interagir com os leitores sempre foi a parte que eu mais gostei. Porém acho que as fanfics criaram uma importância maior, eu levo mais tempo para desenvolver o enredo, me preocupo mais com o psicológico das personagens. Coisas em que você não pensa muito na sua primeira fanfic. O livro dá medo. Acho que essa é a sensação mais forte quando se ingressa no mercado editorial. É medo de recusarem, da editora mudar de ideia, de não conseguir uma capa boa, de decepcionar os leitores, dentre outros! Mas ainda assim é maravilhoso o sentimento de realização, de vitória.

LB: Quase parece que houve uma gradação de sentimentos à medida que avançavas enquanto escritora. E como foi o processo de tornar a fiction que tinhas publicada no Nyah num livro? Houve apoio da editora, a Buriti, tanto nessa transformação, como mais tarde, com o processo de publicação em si?

AA: Acho que foi sim uma gradação. Gosto disso. A fic Meu Pequeno Demônio me chamou muito a atenção. Eu não tive a ideia de publicá-la como livro até que o número de comentários, visualizações e recomendações extrapolaram muito as minhas expectativas. Quando eu percebi, a fic já tinha mais de 10.000 visualizações e umas nove recomendações! Eu nunca achei que conseguiria tanto. Comentei com a minha irmã sobre a ideia de publicar, e ela, que é uma pessoa super crítica, adorou a ideia. Nisso, eu revisei a fic, alterei os nomes e fiz pequenas modificações estruturais. Mandei para quatro editoras, se eu não me engano. Mais uma vez, fiquei chocada com o resultado quando três delas aceitaram. A Buriti foi a escolhida porque foi a editora que me deu mais liberdade: pude usar o pseudônimo e escolher eu mesma a capista. O processo de publicação foi simples e muito bem feito. Assim que assinei o contrato, o texto passou por uma revisão (a qual, pelo contrato, estava proibida de qualquer tipo de censura ou alteração não autorizada por mim) e depois disso, quando a capa feita pela capista Marina Ávila estava pronta, começou a diagramação. O processo todo levou cerca de apenas três meses! No começo de Janeiro, eu soube que o livro já entraria em pré-venda.

LB: Existe alguma diferença significativa entre tu escritora-de-fics e tu escritora-de-livros?

AA: Acho que não. Muitos me aconselharam a alterar muitas coisas no livro porque eram "aceitáveis só nas fanfictions", mas ignorei todos (risos). Não acho que fanfics e livros sejam tão diferentes. Já li fanfics melhores que muitos livros e não eram da categoria "Originais". Creio que quem altera a própria obra por isso está se censurando, querendo se enquadrar no que imagina ser mais aceito pela sociedade. Como eu disse, quis incomodar, e sei que, para os não acostumados com Yaoi, vai ser sim um incômodo, o meu livro.

LB: Focando-nos agora mais no processo de escrita, houve momentos complicados durante a escrita de Meu Pequeno Demónio? Costumam ser gerais à tua escrita, ou prenderam-se com esta história em específico?
AA: Sim, houve dificuldades. Eu não imagino a escrita sem dificuldades. Teve momentos em que eu simplesmente não sabia mais que rumo dar à história e cheguei a ficar meses sem postar um novo capítulo. Entretanto eu li uma entrevista, não me lembro do autor agora, em que o escritor disse que nunca estava inspirado para escrever seus livros. Adicionou ainda que dava mais valor aos capítulos que escrevia contra sua vontade do que aos que escrevia inspirado, pois dos capítulos movidos por surtos criativos ele não se lembrava depois de uma ou duas semanas, mas daqueles em que perdera horas tentando escrever ao menos mil palavras, desses ele se recordava e se orgulhava de ter escrito. Adotei esse estilo! Em todas as minhas histórias, eu tenho momentos de bloqueio. É algo muito comum para mim, porém agora eu simplesmente continuo escrevendo até fechar o capítulo.

LB: E o processo de revisão? Preferes fazer tudo sozinha, ou costumas recorrer a um beta ou a um revisor?

AA: Depende muito. Eu reconheço, e muito, o trabalho de um beta e um revisor. Eu gosto de recorrer aos betas para as fics one-shots. Para as long-fics, eu sofro. Toda vez que precisei de um beta para fandom Naruto, gênero Yaoi com Incesto, nunca achei alguém disponível. Mas eu aprecio muito ter minhas fics betadas! Acho maravilhoso postar um texto limpo, sabe? Apesar dos puxões de orelha da minha querida Anne L, eu adorava quando ela betava minhas fics!

LB: E a tua faceta como leitora? Gostas de ler fanfics?

AA: Sou apaixonada. Meu pai sempre achou que fosse algo passageiro, mas não consigo parar de lê-las. Eu considero um site de fanfics uma escola de artes. Ele abre possibilidades, eu acho que nunca saberia que podia escrever se eu não tivesse começado pelas fanfics. Além disso, acho incrível como o ser humano pode criar tantas situações e universos diferentes! Eu sempre me surpreendo lendo, vendo enredos que eu nunca seria capaz de desenvolver, sabe? Sem contar nos mais diferentes pontos de vista com os quais entramos em contato. Ler fanfics para mim é sempre divertido e impressionante.

LB: Chegou a vez da última pergunta: que conselho tens para aqueles que pretendem tornar as suas fics em livro físico?

AA: Não pensem duas vezes. Sempre que essa ideia aparece na cabeça do autor, ele se pergunta se a história está realmente boa para isso e tem medo de ser rejeitado. O meu conselho é: tentem. Revisem a história, veja uma editora que tenha uma linha editorial semelhante à da sua história (isso realmente é importante) e arrisquem! É importante também ser paciente, as editoras demoram para dar uma resposta, seja positiva ou não, então esperem porque de fato vale a pena.

LB: Mais uma vez, muito obrigada pelo tempo e paciência despendidos, Alice. Esperamos que as vendas corram sobre rodas, e que os leitores se sintam demonizados. ;)

A resenha de Meu Pequeno Demónio, de Alice Álamo, será publicada na próxima Quinta-feira, aqui no blog da Liga. Caso desejem adquirir o romance, poderão fazê-lo no site da editora, aqui.

A Representação feminina nas histórias, parte 1


Por: Senhorita Ellie

A literatura é uma arte extensa e cheia de possibilidades. Com ela nós podemos criar mundos, situações, pessoas, raças, culturas... Essa liberdade é maravilhosa e é ela que torna o ato de escrever tão fascinante, porque o ato de criar é fascinante. Mas não é possível criar nada se não tivermos algo anterior — um conceito, uma ideia — em que nos basearmos. Quem criou o guarda-chuva, por exemplo, pensou em algo que pudesse proteger-lhe da chuva; quem inventou o fogão, em algo que pudesse criar fogo de maneira fácil e prática. Em ambos os casos os criadores tinham ideias anteriores nas quais se basear — a da chuva, a do fogo — e suas invenções foram apenas um meio de chegar até elas.
A analogia pode ser estranha, mas descreve de maneira concisa o nosso processo de escrita: nós podemos criar mundos e pessoas, mas sempre teremos a nossa própria realidade como base. Uma história de fantasia medieval tem como base a nossa própria Idade Média; elfos, vampiros e outras raças “mágicas” têm como base a nossa própria imagem humana com alterações que sirvam ao propósito do autor. Assim, a nossa realidade está sempre sendo representada em nossas histórias, por mais fantasiosas que sejam, porque não podemos nos desvincular dela; é ela a base para nossa criação.
Aonde eu quero chegar? Se temos nossa realidade como base, nós a representamos de alguma forma nos universos que criamos. Representamos cidades baseadas nas cidades que conhecemos, culturas baseadas naquelas que vivemos e pessoas baseadas nas que conhecemos. Contudo, com influências do meio ou por causa de nossos próprios preconceitos, essa representação pode vir distorcida, e é aí que eu quero chegar com esse artigo: o modo como representamos homens e mulheres em nossas histórias e, consequentemente, a influência que isso pode ter em futuras representações. Vou me focar, nesse artigo de duas partes, na representação feminina, por ser essa aquela que apresenta a maior quantidade de distorções e estereótipos. Por ser um tema um pouco extenso, vou me focar nos principais vícios, dando motivos para você não usá-los ou para pensar um pouco antes de colocá-los em suas histórias.
Tenha consciência de que a história é sua e o jeito como você a escreve está sob seu controle — apenas seu. Mas também tenha consciência de que, quando você reproduz um preconceito, você está contribuindo para que ele se perpetue. É sua escolha considerar o lado político da nossa escrita ou apenas o lado que visa apenas o entretenimento, mas, como em toda escolha, é bom conhecer os dois lados. Dito isso, ao artigo.



As falhas da representação feminina na literatura
A representação feminina nas histórias, como um todo, estrutura-se sobre clichês, vícios de enredo que já não apresentam grande originalidade, mas que continuam vendendo e, por isso, continuam sendo usados. O motivo pelo qual tais clichês continuam vendendo é razão para outro artigo, mas o que interessa aqui é o fato de que a maior parte desses clichês envolve algum preconceito e/ou estereótipo de gênero, e por causa de sua repetição excessiva, nós nos tornamos muito habituados a eles. Isso pode parecer inofensivo, afinal, são apenas livros, não é mesmo? Contudo, tudo o que consumimos e escutamos têm influência no modo como pensamos e vemos o mundo, de forma que acabamos reproduzindo esses preconceitos no dia-a-dia sem nem perceber.
Um grande exemplo de como as coisas que escutamos são determinantes no modo como vemos o mundo é o clássico preconceito (e um grande estereótipo de gênero) da loira burra. Não há nenhum estudo que comprove discrepâncias intelectuais entre loiras e morenas (e, interessantemente, homens loiros não ganham tal conotação negativa, embora a cor de cabelo seja a mesma), mas, de tanto ouvir piadas sobre o assunto, muita gente realmente acredita que as mulheres loiras realmente sejam mais burras (ou que, abordando um lado mais absurdo, pintar o cabelo de loiro seja capaz de minar a inteligência de alguém). O contra-argumento mais comum para as reclamações sobre esse estereótipo é oras, mas é só uma piada!, mas ninguém pensa nas mulheres loiras que são obrigadas a escutar piadas e serem ridicularizadas por isso.
Pronto. Eu dei um exemplo de como uma piada pode perpetuar preconceitos e estereótipos, mas onde a literatura se encaixa nisso? Em mais campos do que você imagina. A seguir, vou abordar de forma mais ou menos superficial os principais vícios da representação de personagens (sobretudo as mulheres) nas histórias. Por que as mulheres? Além do motivo já citado — a representação das mulheres em cima de vícios de enredo e clichês —, porque a nossa representação é minúscula comparada ao que ela poderia ser, principalmente em gêneros de “predominância masculina”, como a fantasia, por exemplo. Em gêneros onde praticamente não somos representadas, então é natural que lutemos por uma representação mais justa de nossas mulheres.
E antes que qualquer pessoa pense que é mentira a parte que diz sobre a nossa representação quase inexistente, peço que você tente se lembrar, em detalhes, o número de mulheres presentes em O Hobbit, por exemplo, um dos mais conhecidos livros de fantasia do século passado — e uma fonte de inspiração para muitas histórias.
Não há nenhuma.
Agora, aos clichês:
Donzela em perigo – Esse é, provavelmente, o estereótipo mais clássico. Não é necessário pensar muito para se lembrar de exemplos dele em nossa cultura. A maior parte dos contos de fada, por exemplo, é totalmente estruturada em cima desse clichê: a mulher é compassiva, dócil e incapaz de se defender, sendo assim necessário que um homem apareça para salvá-la do perigo no final. Ou a mulher é aparentemente forte e independente, mas se torna igualmente frágil nos momentos de perigo, sendo novamente necessário que um homem apareça para salvá-la no fim.
Esse chavão, apesar de aparecer em diferentes graus em diversos gêneros da literatura, encontra seu clímax em histórias de fantasia, sobretudo aquelas em que temos um protagonista homem (ou seja, a grande e esmagadora maioria). Isso acontece porque esse é um clichê que serve perfeitamente como um gás para qualquer enredo, mesmo já sendo perfeitamente manjado. O autor não sabe como fazer o herói iniciar sua jornada? O herói não tem um grande motivo para iniciar sua vingança? O autor quer simplesmente dar o clássico apelo dramático para a história? Faça a mocinha que o herói ama ser sequestrada, sua vida colocada em perigo enquanto ela desesperadamente grita por socorro.
Outra variante (um pouco mais radical, inclusive) da donzela em perigo é aquela mulher, geralmente muito próxima do protagonista, que é introduzida na história com uma única função: morrer. Isso vai despertar os ímpetos vingativos do herói, que irá até o inferno para se vingar do assassino de sua amada. O autor espera, também, que uma morte assim, tão abrupta, cause empatia nos leitores, que eles sintam pena e entendam um pouco o lado do herói.
E qual é o problema desses dois clichês? Não haveria nenhum se, na maior parte de suas ocorrências, a mulher não fosse anulada como personagem e relegada à categoria de ferramenta no enredo. Essas mulheres não têm presença, não são desenvolvidas como seres dotados de personalidade e história próprias. Ora, tudo o que colocamos na história é uma ferramenta para o enredo funcionar, afinal, nós precisamos fazer nossa história chegar até o final, mas suas mulheres realmente precisam ser apenas isso? Essa representação só reforça a ideia de que a mulher é o sexo frágil, capaz de nada mais do que gritar por socorro e esperar por um homem que a socorra.


Girl on girl hate – Para sermos justos com esse clichê, ele é muito mais comum no cinema do que na literatura, o que não quer dizer que ele não apareça em muitos livros, principalmente naqueles voltados para um grupo majoritariamente feminino e adolescente.
Girl on girl hate é o ódio entre mulheres, e ele pode se manifestar de diversas formas. É geralmente baseado na ideia de que não existe amizade verdadeira entre mulheres, que o único propósito das relações femininas é a de competição e que, no fim, as mulheres sempre estarão prontas para boicotar umas às outras. É um tema muito extenso e, baseado em suas aparições, pode ser dividido em alguns clichês menores e mais específicos, como:
- Duas mulheres que brigam por um homem: rivalidades no amor são comuns; é possível vê-las na vida real o tempo todo, porque não é incomum pessoas brigarem pelo amor umas das outras. Contudo, na literatura e no cinema — sobretudo quando a história é contada sob o ponto de vista de apenas um personagem— é comum uma desumanização de uma das partes em prol da “santificação” da outra. Hã?
Isso significa que uma das mulheres é demonizada com um leque de características (que serão abordadas no próximo ponto) enquanto, para a outra, é dado aquele conjunto de características que torna possível classificá-la como Mary Sue. Em linhas gerais, uma delas estará sempre fazendo tudo para prejudicar a outra, agindo de forma agressiva e até mesmo ilógica, às vezes (mesmo considerando que o amor nos deixa ilógicos), enquanto a segunda continuará acreditando de boa fé na humanidade e não fará nada além de se defender. No fim pode rolar até uma lição de moral.
O interessante é que, apesar de eu estar falando sobre representação feminina, esse clichê é muito comum na literatura em geral. Há sempre heróis e vilões, há sempre um lado demonizado e um lado perfeito demais para se acreditar. Todo mundo adora o combate entre o vilão e o herói, mas ele pode deixar seus personagens planos e o enredo previsível; afinal de contas, todo mundo sabe que o herói vai vencer no fim e isso pode acabar com toda a graça.


- A vadia do mal e a virgem do bem: Esse é apenas um desdobramento do tema anterior, mas por sua repetição excessiva, merece alguma atenção. Essa tendência é notável em histórias de colegial, principalmente, e um chavão clássico do cinema.
É muito simples: a vadia do mal é a menina bonita que sabe que é bonita. Ela é alta, tem postura, faz as unhas, passa batom, conversa sobre assuntos de mulher — isso não é bem visto — e é, no geral, considerada bem fútil e burra. Muitas vezes namora o cara popular. A virgem do bem, por sua vez, é aquela menina que é bonita (elas sempre são bonitas), mas não sabe disso. Ela gosta de coisas “diferentes” (como videogames, filmes de ficção científica, andar de skate), não sabe nada de maquiagem, não entende nada de moda e tem zero experiência com relacionamentos.
E, incrivelmente, as duas sempre se odeiam. Geralmente por causa do homem, mas nem sempre; pode ser alguma competição escolar, alguma vaga em alguma instituição do colégio... A vadia do mal sempre age de maneira muito agressiva, mesmo que não haja motivo, e a virgem do bem sempre aceita. Por um tempo, uma humilha a outra (geralmente de forma verbal), até que finalmente a mocinha se cansa da opressão e vira a mesa. A vilã pode terminar humilhada, sozinha ou amargurada; em raríssimos casos, ela e a mocinha se tornam amigas.
Não é tão comum, mas também acontece a versão masculina desse clichê, onde o cara musculoso e popular é o vilão e o nerd retraído, o mocinho. É interessante notar que as características de vilania estão relacionadas ao ideal de beleza e extroversão, enquanto as de bondade, à introversão e ao altruísmo.
Como novamente já foi dito, isso pode deixar seus personagens planos e o enredo previsível. Mas, principalmente, isso pode criar, na vida real, a ideia de que as pessoas mais populares (ou as que você considera mais bonitas) são inimigos a serem combatidos ou que você, por ser retraído e não fazer parte destas turmas, é melhor do que eles. E todo mundo sabe (ou deveria saber) que nós somos muito mais do que as nossas aparências ou as pessoas com quem andamos.



E por aqui terminamos a primeira parte. Na parte dois, vou falar sobre as aplicações do teste de bechdel na literatura, sobre a beleza excessiva de nossos protagonistas, a sexualização das mulheres em enredos de fantasia e alguns outros tropes menores. Gostaria de lembrar, novamente, que não estou ditando regras nem dizendo o que você deve ou não escrever, mas é sempre bom estarmos conscientes daquilo que colocamos no papel e compartilhamos com outras pessoas.

Espero que tenham gostado. Até a parte dois!
*Agradecimentos a Inês Montenegro, Giulia Correia, Yasmim Bom, Iamela Freitas e Raphael Ferreroni.



A Playlist de Hayden

Oi, oi, gente!
O blog da Liga recebeu, na semana passada, a prévia do próximo lançamento da Novo Conceito, que vai acontecer no dia 6 de abril de 2015.
Eu já dei uma conferida nos capítulos disponibilizados da obra e vim compartilhar com vocês minhas primeiras impressões.

Título original: Playlist for the dead
Título brasileiro: A playlist de Hayden
Autora: Michelle Falkoff
Editora: Novo Conceito
Tradução: Amanda Orlando

Depois da morte de seu amigo, Sam parece um fantasma vagando pelos corredores da escola — o que não é muito diferente de antes. Ele sabe que tem que aceitar o que Hayden fez, mas se culpa pelo que aconteceu e não consegue mudar o que sente.
Enquanto ouve música por música da lista deixada por Hayden, Sam tenta descobrir o que exatamente aconteceu naquela noite. E, quanto mais ele ouve e reflete sobre o passado, mais segredos descobre sobre seu amigo e sobre a vida que ele levava.
A PLAYLIST DE HAYDEN é uma história inquietante sobre perda, raiva, superação e bullying. Acima de tudo, sobre encontrar esperança quando essa parte parece ser a mais difícil.

PARA SAM.
OUÇA. VOCÊ VAI ENTENDER.”

Essa foi a frase escrita no bilhete que Sam encontrou junto ao corpo inerte do melhor amigo, Hayden. Ao lado dele, havia um pen drive contendo uma playlist. Foi assim que Sam se decidiu por chamar a emergência, mas já era tarde demais.
Encontrar o melhor — e único — amigo morto foi uma surpresa para Sam. Na verdade, surpresa é um eufemismo. Isso o abalou muito, trazendo à tona uma raiva inestimável. Foi difícil para Sam enfrentar o funeral, ainda mais ao assistir a todas aquelas pessoas que sempre maltrataram Hayden agindo como se fossem sofrer sua perda por cada mísero segundo de suas vidas.
Em meio a seu luto, Sam conhece Astrid, e descobre que aquela garota que desperta nele sentimentos inexplorados, por ter sido amiga de Hayden também, mesmo que ele jamais tivesse compartilhado a informação com Sam.
A perda do amigo é difícil... seguir a vida sem ele, de algum modo, não parece certo. Não quando Hayden deu cabo da própria vida. Não quando na noite anterior ao suicídio os dois tiveram uma briga que, possivelmente, poderia ter sido a causa do fim da amizade de anos.
E a verdade é que ouvir a playlist que Hayden lhe deixara não estava fazendo com que Sam entendesse o porquê de o melhor amigo ter chegado a uma medida de fuga tão radical.
Com capítulos pequenos e em linguagem simples, A playlist de Hayden é um livro narrado em primeira pessoa, pelo próprio Sam. É através dele que conhecemos Hayden e a vida conturbada que levava, e vemos como nasceu a amizade dos dois.

Esse pode até não ser um livro sobre um grande amor, e certamente não é sobre a bravura de alguém que enfrenta todos os obstáculos. Mas, certamente, é um livro sobre uma grande amizade, e vale a pena conferir.

Pesquisar para escrever ou imaginar?


Por: Arabella
Perfil: http://fanfiction.com.br/u/210814/

Olá, pessoas. Este é o meu primeiro post no blog, então eu estou bastante nervosa. De qualquer modo, espero que lhes seja útil.

Vamos à questão principal do post: pesquisar para escrever ou imaginar? Meu caro ninja, a resposta é: os dois.

“Mas como assim, tia?”

Meu caro, dependendo do tema você pode criar mais coisas. Usemos como exemplo o gênero fantasia e ficção científica. Você pode pesquisar sobre determinado assunto e usá-lo como base para criar outra coisa. Vários autores pesquisam sobre um determinado vírus ou gene e acabam fazendo mutações nele para que ocorra algo como um apocalipse ou guerra. Ou, se você está criando um novo mundo, precisará pesquisar um tanto sobre geografia ou, dependendo do seu mundo, alguma outra coisa, não? Nesse caso, envolve um pouco mais de pesquisa.

Já outros pesquisam justamente para escrever sobre. Por exemplo, câncer – que estava bastante na moda devido A Culpa é das Estrelas. Se você quiser fazer uma fanfic sobre essa doença, basta fazer algumas pesquisas, não precisa dominar todos os termos médicos, mas saber a causa e os tratamentos ajuda bastante. Sem falar de mais inimagináveis temas, certo?

“Mas como eu pesquiso, tia?”

A Wikipedia, às vezes, pode não ser confiável, mas vamos dar alguns créditos para a coitada, certo? Há também, em inglês, o ERIC, Infotopia, JURN. E agora alguns em português: Bússula Escolar, Yahoo Search (lá tem várias formas de pesquisas, gente, é sério. Tem um bando de empresa dentro do Yahoo). Sem falar do nosso supremo: o Google. Usando as palavras certas, você encontra tudo que precisa por lá. Se você quiser pesquisar sobre câncer, por exemplo, usando palavras como “tipos de câncer”, “o que é câncer” e “sobre o câncer” você acha tudo que precisa. O Google é uma ferramenta maravilhosa, pessoal, podem usar e abusar dela.

“E como é que eu organizo tudo o que achei, tia?”

Eu recomendo fazer um documento – seja no google drive, word, office, não importa o local – com os links que você achou úteis ou interessantes, além de um resumo sobre a história ou o próprio plot. Se possível, também faça um resumo sobre os personagens e onde as pesquisas se encaixam.

No fim, o importante, além da pesquisa, é empenho. Tendo empenho, você achará lugares com boas respostas para suas perguntas e achará pessoas dispostas a te ajudar. Sem falar, é claro, dos betas. Sim, betas! Betas também podem te ajudar nas pesquisas ou dando impressões quanto ao que sabe. Também há algum post aqui na Liga falando que boas histórias não são feitas somente de boas ideias, porque, obviamente, precisamos também pesquisar.

No mais, é isso. Espero que seja útil para vocês.



Fontes:

http://noticias.universia.com.br/vida-universitaria/noticia/2014/07/02/1100039/descubra-5-sites-fazer-boas-pesquisas-academicas.html


http://www.sobresites.com/pesquisa/pesquisa.htm

Resenha: Veneno


Por: Takahiro Haruka

Ei, ei, como vão?

Olha quem está aqui de novo! Sim, a Noni! Desta vez vos trago mais uma resenha de um livro que eu li. Vamos lá?

Título Original: Poison
Título Brasileiro: Veneno
Autor: Sarah Pinborough
Editora: Única
Tradução: Edmundo Barreiros

Sinopse: Sexy, sarcástico e de prender a respiração!
Para os fãs de Once Upon a Time e Grimm, Veneno é a prova de que contos de fadas são para adultos!
Não existe “Felizes para sempre”!
Você já pensou que uma rainha má tem seus motivos para agir como tal? E que princesas podem ser extremamente mimadas? E que príncipes não são encantados e reinos distantes também têm problemas reais? Então este livro é para você! Em Veneno, a autora Sarah Pinborough reconta a história de Branca de Neve de maneira sarcástica, madura e sem rodeios. Todos os personagens que nos cativaram por anos estão lá, mas seriam eles tão tolos quanto aparentam? Acompanhe a história de Branca de Neve e seu embate com a Rainha, sua madrasta. Você vai entender por que nem todos são só bons ou maus e que talvez o que seria “um final feliz” pode se tornar o pior dos pesadelos!
Veneno é o primeiro livro da trilogia Encantadas, e já é um best-seller inglês. Sarah Pinborough coloca os contos de fadas de ponta-cabeça e narra histórias surpreendentes que a Disney jamais ousaria contar. Com um realismo cínico e cenas fortes, o leitor será levado a questionar, finalmente, quem são os mocinhos e quem são os vilões dos livros de fantasia!

Resenha: Comprei o livro por causa da capa, devo confessar. Não só a do primeiro livro, as capas de todos são lindíssimas.
Bem, Veneno é o primeiro livro da saga Encantadas. Pela capa dele podemos imaginar em que ambiente a história se passará: uma moça de pele pálida, lábios tentadores, um espelho e maçãs. Sem dúvida, Branca de Neve!
Mas, Noni, mais uma releitura de obra? Sim, mais uma versão do clássico da Disney. Só que, desta vez, muito, muito diferente.
A história começa com foco na rainha. Aqui, seu nome é Lilith — fazendo alusão a Lilite, deusa que acreditam ter sido criada junto com Adão, no Jardim do Éden, uma mulher feita do pó da Terra, que fugiu por não querer ser submissa a seu parceiro e foi amaldiçoada por Deus a perder cem filhos por dia (vide Wikipédia). Em Veneno, Lilith foi obrigada a se casar com o rei muito jovem, tendo sido trazida de outro reino. Ela tem quatro anos a menos que a filha do rei — algo que a irrita.
Para aqueles que ainda não leram o livro, devo confessar que ele não é para crianças. Possui uma história adulta. Não é só inveja ou raiva que guia o enredo. Há sexo e troca de interesses no desenrolar da trama. A rainha, como na obra original, é uma bruxa, e odeia a Branca de Neve. Só que, diferentemente das rainhas que vemos por aí, Lilith possui sentimentos. Ela vive constantemente em debate consigo mesma. Ela odeia a princesa, mas várias vezes revê sua vontade de lhe fazer mal.
Há, nesta releitura, muitas peculiaridades da obra original, o que mantém o enredo da história. Por exemplo, temos os anões, o rei saindo do palácio e deixando Branca de Neve nas mãos de sua madrasta. Tem também o caçador, que é uma peça principal no erotismo do livro e que tem participação especial no fim da história.
As duas coisas que mais me interessaram na história foram um detalhe que a liga a um outro conto clássico e o final. Lilith, que é uma bruxa, possui, na história, uma bisavó — que a visita no castelo, contando-lhe que foi enganada pelo caçador e que Branca de Neve está viva. Uma coisa que me fez aplaudir a genial ideia da autora foi saber que a velhinha é, na verdade, a vovó que possui uma casinha repleta de doces no meio da floresta.
Quem se lembra de João e Maria, as duas crianças que foram seduzidas por doces? Exatamente: a bisavó de Lilith é, na história, a tal velhinha! Eu achei essa ligação muito interessante.
A segunda coisa que me interessou foi o final. Não foi bem interessou, foi mais um: uau, quem imaginaria que acabaria assim? Pois é, eu disse sobre os anões e a inveja, mas faltou a peça principal de um conto clássico: o príncipe. Sim, aqui ele também existe. E ele está mais ligado à maçã envenenada do que na versão original. Ele encontra Branca de Neve já amaldiçoada pela maçã dada pela bisavó de Lilith. Ele se apaixona por ela daquela forma e, quando ela acorda, enquanto o príncipe a levava para seu reino, ele imediatamente a pede em casamento.
É dessa parte em diante que a história toma um rumo totalmente diferente. Não vou contar tudo, mas posso dizer que nossa princesa não é tão inocente assim, que um tal caçador foi além dos limites permitidos pelo decoro e que o príncipe não é encantado. O fim que Branca de Neve tem é tão triste que a própria rainha lamenta suas decisões. Até que ponto podemos confiar nas pessoas ao nosso redor? Quais são as expectativas das pessoas sobre nós? Talvez o que parece bom não diz jus à realidade.
Aventure-se no mundo de Veneno e descubra, por si mesmo, como essa história termina. Acredite, seu queixo vai cair, como aconteceu com o meu.

Gostaram da resenha? Que tal ler o livro e deixar um comentário com a sua opinião sobre ele?