Representatividade de GLBTS e estereótipos

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Por: Captain Ricci
Link: https://fanfiction.com.br/u/530496/

Hey. how you doin’? Esse é meu primeiro post por aqui, e decidi escrever sobre uma coisa na qual penso já faz bastante tempo: a relação entre representatividade LGBT em histórias e os estereótipos.
É cada vez mais comum a presença desses personagens em fanfics e em originais, e enquanto é ótimo que o assunto seja tratado com mais naturalidade, quando a base de um personagem é um estereótipo, ele tende a não ser muito bem construído. Estereótipos são ferramentas narrativas questionáveis mas, muito além disso, são prejudiciais para o grupo que representam. Frequentemente levam a clichês e, mais ainda, quase sempre reproduzem preconceitos.
Se a ideia é trabalhar a sexualidade do personagem com certo enfoque, eu sugiro que haja bastante pesquisa da parte do autor para garantir uma boa representação.
Grande parte do que é falado aqui gira em torno da tal representatividade, porque não adianta colocar minorias em histórias e pensar que as representa, é necessário comprometimento com essa escrita.
Sobre os estereótipos nocivos, há três casos que normalmente andam juntos e prejudicam a história:

·       Heteronormatividade: apesar de possuir uma definição bem ampla, a maneira como ela aparece nessas histórias é a mesma, ou seja, mesmo numa relação homossexual existe a ideia do “homem da relação” e “mulher da relação”.
·       Sexualidade como única característica: um equívoco recorrente na construção desses personagens, que é tratá-los como se sua sexualidade fosse o que define o resto de sua vida como personagem. Tudo gira em torno da sexualidade, não existem interesses, sonhos ou traços de personalidade no geral que não se baseiam nisso. O resultado é um personagem vazio.
·       Personagens secundários e alívios cômicos: esse personagem não ocupa nenhuma função na narrativa além da “representatividade”, não é necessário em nenhuma escala para a história a não ser, talvez, a de alívio cômico.

O que esses três aspectos têm em comum? Um mau desenvolvimento de personagens que trabalha com estereótipos, reforçando-os, além de prejudicar a narrativa. Quando eles são utilizados juntos é praticamente impossível escrever algo verossímil.
Como, então, pode-se escrever personagens LGBT? Simples: escrevendo-os como pessoas, não limitando sua vida à sua sexualidade e principalmente escrevendo personagens que tenham, de fato, importância para a narrativa. Ao escrever um personagem LGBT sem limitá-lo você não só desenvolve melhor sua história, mas também para de reproduzir estereótipos nocivos.

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Fundamentos da critíca - Parte 1

quinta-feira, 7 de setembro de 2017


Por: Edgar Varenberg



Às vezes caímos numa daquelas situações em que precisamos de uma opinião ou, equivalentemente, precisam da nossa. Muito além daquilo que o verbo “gostar” tem a nos oferecer, às vezes tais opiniões pedidas vão muito além do quesito pessoal, daí começa a se perceber uma diferença entre “opinar” e “criticar”; enquanto o primeiro termo fala sobre falarmos de alguma coisa sob nosso ponto de vista, o segundo abordar falar dessa mesma coisa sob o ponto de vista geral da área a qual tal coisa se origina.
A crítica, diferente da opinião, trata de aspectos universais de um determinado material, ou seja, independente das opiniões, dos gostos, etc serão elementos que terão aquele fundamento sempre. Neste post encontraremos formas de identificar quais são esses aspectos e como percebê-los e aponta-los. No caso, o foco será na crítica de textos.

Aprendendo a abandonar o “eu”
A primeira coisa a tentar é buscar ficar pouco apegado ao texto. Não apegado do tipo “amar o texto”, mas sim abandonar certas ideias, como “Eu não faria assim” ou “Ficou confuso para mim”. Isso porque a crítica parte de pressupostos universais (ou o mais universal possível), então a partir do momento em que você passa a reparar em algo porque isso TE incomodou, talvez você esteja se distanciando do seu objetivo.

Tenha material teórico sempre em mãos (ou em mente).
Saiba o básico das coisas que compõem um texto narrativo. O que a gente precisa para formar um? Personagens, ambientes, diálogos, situações, problemáticas, etc. Agora pare e pense: “essas coisas realmente são obrigatórias?”. Pesquise tudo a respeito das suas próprias perguntas que surgirão após esta. Mas por que isso? Simples, textos literários possuem regras e fundamentos, o basicão; mas o que os tornam realmente literários é a forma como eles usam (e às vezes abusam dessas regras). Um texto mais seguro e menos ousado vai seguir todas as regras fielmente (a crítica aí geralmente o aponta como comum), já outros vão querer inovar ou se rebelar de alguma forma, seja abandonando diálogos, não descrevendo coisas propositalmente, é aí que o papel da crítica começa a se formar, em analisar se essas fugas funcionam ou não.

Linguagem de um crítico: funcionar ou não funcionar.
Atentem-se, a crítica nunca trabalha com “certo” e “errado”. Fica a dica: leia todo o texto tentando defender o máximo possível de pontos positivos; aquilo que não tem como defender de jeito nenhum, significa que faz parte daqueles quesitos universais citados mais acima. Além disso, a linguagem crítica busca trabalhar com “funciona” e “não funciona”. E, claro, acompanhadas do sagaz “porquê”.

Abordagem é a alma do negócio.
Uma crítica deve ser branda. O seu objetivo como crítico de um texto não é questionar a habilidade literária de ninguém, nem o potencial da história, é simplesmente apontar o direcionamento do texto, o quão ele está se aproximando ou se afastando do conceito que o texto aparenta. Então não precisa vir com pedras e facas; palavras objetivas e sugestões já bastam.

Entendendo os propósitos do autor.
Criticar um texto fica sempre mais fácil quando podemos simplesmente perguntar ao autor seus objetivos em cada uma das situações. Entretanto, há momentos em que isso não é possível e, além disso, antes de começarmos a questionar o autor, temos que, claramente, preparar nossos questionamentos. E para isso acontecer, temos que, às cegas, descobrir os propósitos do autor “intuitivamente”. É daí que passamos a ler o texto com uma mentalidade alternativa. Isto é, ler as cenas e se perguntando “por que x e não y?”; em seguida, com as informações que você tem no próprio texto, você mesmo deve tentar responder essas questões. Por exemplo, você viu que o personagem A se estressou por uma coisa boba, aí você começa a pensar “Por que ele simplesmente não fez isso? Resolveria e ele não se estressaria.”, mas aí você repara que em um momento da narração é citado sobre a sua personalidade explosiva e irracional, então passa a fazer sentido; caso tal descrição não esteja presente, pode ser que seja uma boa ideia apontar isso e conversar com o autor a respeito.

Enxergando além do autor.
Um crítico não precisa, necessariamente, se prender a todos os conceitos do autor, até porque a escrita costuma ser muito inconsciente, isto é, usamos certos recursos literários, que cabem ali perfeitamente (e, por isso, usamos inconscientemente), mas não fazemos ideia de que usamos, não foi proposital; isso acontece muito. Então quando o crítico vai além daquele conceito já dado e começa a enxergar essas coisas (e posteriormente leva-las ao autor), você pode estar contribuindo para um maior entendimento do texto até para o próprio autor, seja para dizer que está ou não funcionando. Se você acha que algo vale a pena ser comentado, comente sem hesitar.

Por fim, aceite o ultimato do autor.
Independentemente do que você tenha encontrado ou comentado, a voz do autor sempre será a mais poderosa no seu próprio texto, então não tente forçar ou insistir, por mais forte que seja a sua convicção naquele fato, somente o autor sabe 100% sobre o texto dele.

Conclusão
Os elementos de uma crítica buscam analisar formas diferentes de usar aquilo que é usual. Se a pessoa não foge do usual, dificilmente vai ter algo para analisar ali, assim como dificilmente o texto dela será interessante (no sentido de ter um algo a mais); um crítico deve sempre orientar o quanto o autor se aproxima ou se afasta do seu próprio objetivo, através de seus próprios conhecimentos e pesquisas (e também das inúmeras perguntas que ele tem que se fazer enquanto lê texto em questão).


Na segunda parte do post, veremos exemplos práticos de como estes elementos se aplicam na crítica.
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Marina: uma resenha

segunda-feira, 7 de agosto de 2017
 
Por: Raven Hraesvelg
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/334899/
Olá! Todos aproveitando as férias de julho? Espero que sim.
Na resenha deste mês, decidi falar sobre a minha mais nova descoberta do ano: Carlos Ruiz Zafón. Escritor espanhol, começou a carreira com contos infanto-juvenis, e é um desses contos que eu trago aqui. Marina foi publicado em 1999 e foi, de acordo com o próprio autor, o último livro desse gênero que ele escreveu (após isso ele deu início à sua série O Cemitério dos Livros Esquecidos, que estou louca para ler). Mas vamos ao que interessa, sim? 

Autor: Carlos Ruiz Zafón
Título Original: Marina
Tradução: 192 páginas
Editora: Suma de Letras
Sinopse: Na Barcelona dos anos 1980, o menino Óscar Drai, um solitário aluno de internato, conhece Marina, uma jovem misteriosa que vive num casarão com o pai idoso. Em passeios pela cidade, os dois presenciam uma cena estranha num cemitério e se envolvem na resolução de um mistério que remonta aos anos 1940. Numa tentativa inútil de escapar da própria memória, Oscar abandona sua cidade. Acreditava que, colocando-se a uma distância segura, as vozes do passado se calariam. Quinze anos mais tarde, ele regressa à cidade para exorcizar seus fantasmas e enfrentar suas lembranças — a macabra aventura que marcou sua juventude, o terror e a loucura que cercaram a história de amor.

Resenha:
Como eu disse na introdução, o livro é voltado ao público juvenil. Dizem as más línguas que de juvenil só tem a idade dos personagens, mas eu discordo disso, apesar de reconhecer a abordagem mais séria que o livro tem. Eu diria que é um infanto-juvenil bem ao estilo de Coraline, de Neil Gaiman — onde você só consegue se perguntar se o objetivo do autor era traumatizar criancinhas. Certo, não é para tanto.
Eu comecei a ler sem muitas expectativas e, apesar de ter me desapontado um pouco com a história, eu completamente amei a escrita do Zafón. A narrativa é poética e cheia de figuras de linguagem, e ele tem uma simplicidade ao escrever que dá aquele toque de fluidez na coisa toda e você se sente lendo música. É aquele tipo de autor que te faz sentir confortável com as palavras dele. Enredo a parte, eu leria o livro só pela narração.
Fiquei encantada com as descrições que ele faz das ruas e das construções de Barcelona. Aliás, descrição é algo que o Zafón faz muito bem, tanto do ambiente quanto dos personagens. Não é superficial e raso, como também não é monótono e extenso. Fica ali, bem entre esses dois extremos.
A construção do mistério é maravilhosa, a narração traz a carga certa de suspense para deixar o leitor curioso e as cenas de horror são narradas para causar desconforto. Porém, chegando nas soluções do mistério, achei tudo muito previsível.
Todo aquele mistério em torno de Marina, que começou interessante, no fim era só suspense porque não tinha mistério nenhum. O final, em relação à Marina, foi mais previsível e clichê o possível. Não gosto desse recurso trágico e dramático que insistem em usar como se fosse algo mirabolante (estou olhando para vocês, John Green e Nicholas Sparks). Estou sendo bem vaga aqui porque senão vou acabar entregando o final, o que na verdade é um cuidado meio desnecessário porque é bem provável que vá ser adivinhado logo no início do livro.
E o outro mistério, envolvendo o cemitério e a marca da borboleta, acabou sendo nada do que eu já não tenha visto ou lido. Adicione isso ao fato de que quando esses suspenses e mistérios acabam sendo ficção científica, eu costumo ficar decepcionada (só que aí já é problema meu, podemos dizer). Eu ainda me permiti ter esperanças de haver algum plot twist bem louco ou coisa do tipo, mas não, não teve nada. Volto a dizer, porém, que apesar dos finais previsíveis, a construção do mistério é muito boa.
O livro é bem curtinho, li em uma sentada só, mas o melhor é que você não sente o tempo passar. Então fica aí a indicação para aquela leitura a caminho da aula ou trabalho!
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As 10 Melhores Dicas de Grandes Autores

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Por Michele Bran 
Nyah: https://fanfiction.com.br/u/5389/

Olá, pessoal.
Como estão? Espero que escrevendo bastante!
E por falar em escrita, vamos pegar umas diquinhas hoje com quem manja da coisa? Em minhas muitas andanças pelo mundo da interwebz, cavando links para me ajudar a escrever melhor, encontrei uma coleção de posts com dicas de gente grande no meio que me foram muito úteis, desde as questões mais complicadas até as mais simples (cujas soluções, muitas vezes, estão na nossa cara e não conseguimos enxergar).
Pensando que tais pensamentos poderiam ajudar outras pessoas tanto quanto me ajudaram, fiz um post a respeito com o melhor do melhor das dicas que encontrei.
Pega o bloquinho de notas pra registrar tudo e não esquecer, e vem comigo!

1) Aceite críticas:
Em uma carta ao seu editor, Tolkien mencionou alguns comentários que C. S. Lewis fez sobre “O Senhor dos Anéis”. Nas palavras do próprio:
“Quando ele dizia, ‘Você pode fazer melhor do que isso. Melhor, Tolkien, por favor!’, eu tentava fazer. Eu sentava e escrevia a seção repetidas vezes. Isso aconteceu com a cena que acho que é a melhor do livro: o confronto entre Gandalf e seu mago rival, Saruman, na cidade destruída de Isengard”.
Há críticas que são necessárias para melhorarmos nossa forma de escrever. Alguém que está de fora pode ver seu trabalho com outros olhos e encontrar as mínimas falhas, que não conseguimos ver por estamos tão acostumados com o texto.
Saber ouvir essas sugestões e, sobretudo, separar as que vão ajudar das que não vão é fundamental. Saiba ouvir seus leitores, seus amigos, seu(s) beta(s).
E, por favor, chega de espalhar que críticos são necessariamente haters, frustrados ou invejosos. Se até o Tolkien aceitava críticas de boas, quem somos nós, pobres mortais, pra fazer mimimi?

2) Leia bastante:
Parece óbvio, mas ainda vejo pessoas internet a fora que mal terminal a leitura de um conto curto e querem ser os próximos pica das galáxias quando o assunto é escrever. Sobre isso, temos opiniões de peso.
G. R. R. Martin (juro que o “opinião de peso” e o Martin no mesmo post não foi piadoca de mal gosto rs) já nos diz “eu acho que, a coisa mais importante para qualquer aspirante a escritor, é ler. (...) Você precisa ler de tudo. Leia a história, ficção histórica, biografias, leia novelas de mistério, fantasia, ficção cientifica, horror, os sucessos, literatura clássica, erótica, aventura, sátira. Cada escritor vai ter algo para ensinar a você (...)”.
Ray Bradbury também recomenda que os autores leiam bastante para melhorar seu lado intelectual, desde histórias curtas e poemas a textos de política, biologia, filosofia, entre outros. O mais interessante é que ele recomenda que se faça isso antes de dormir: “no final de mil noites, você estará cheio de material”.
Por último, temos Stephen King e seu conselho curto e grosso: “se você não tem tempo para ler, você não tem tempo ou as ferramentas [necessárias] para escrever”.

3) Escreva:
De nada adianta querer ser escritor sem escrever porra nenhuma (preciso tatuar isso, pra ver se aprendo). O Martin aconselha escrever todos os dias, ainda que uma ou duas páginas, pois é apenas praticando que você pode melhorar sua forma de escrever.
Mas escritores de fanfics, atenção: “Mas não escreva no meu universo, no de Tolkien, no universo Marvel, de Star Trek ou em qualquer outro que você pegue emprestado. Cada escritor precisa aprender a criar seus próprios personagens, mundos e configurações. Usar o mundo de outro é o método preguiçoso. Se você não exercitar esses “músculos literários”, você nunca vai desenvolvê-los”.
Claro que se você não quer ser um escritor profissional um dia, pode ficar feliz escrevendo somente suas fanfics. Então registre a ferro e fogo apenas mais essa dica do Stephen King e elimine qualquer coisa que possa distrair você da atividade de escrever, como telefone/celular, TV ou videogame.

4) Descanse:
Como toda atividade, física ou intelectual, escrever também cansa e, para não desistir, você precisa de uma pausa. Refrescar a mente com outras atividades, seja leitura, exercícios físicos, ou atividades domésticas é sempre uma boa pedida.
O autor Chuck Palahniuk recomenda: “Alternar entre o trabalho cerebral de escrever com o trabalho não-pensante da máquina de lavar roupas ou pratos te dará os intervalos que você precisa para que novas ideias e epifanias ocorram. Se você não sabe o que vem a seguir na estória… limpe seu banheiro. Troque os lençóis. Pelo amor de Cristo, tire a poeira do computador. Uma ideia melhor surgirá”.
Mas também não vale parar de qualquer jeito. Hemingway dizia que o melhor é parar quando você está indo bem na escrita e sabe o que virá nas cenas seguintes. Assim, sua mente estará sempre trabalhando no texto ativamente, o que pode evitar o tão temido bloqueio criativo.

5) Comece devagar:
Se você começou a escrever há pouco tempo, talvez não conseguirá fazer um bom trabalho se já começar de cara fazendo séries gigantes. Sobre isso, Martin e Bradbury pensam o mesmo: é como querer aprender a escalar começando pelo Everest e leva tempo demais. Comece com histórias curtas e contos, que não apenas vão ajudá-lo a aprender como desenvolver personagens e enredo, como podem ser o pontapé inicial para você se tornar mais conhecido, caso resolva participar de antologias.
Trabalhe com calma e lembre, como já sugere King, que você deve escrever uma palavra de cada vez. Dificuldades vão surgir sempre, seja por você não curtir algumas coisas em sua escrita ou por problemas pessoais, mas não se apresse.
Faça como Tolkien e mantenha-se firme. Se ele conseguiu lidar com doenças, problemas pessoais e um filho na Guerra enquanto escrevia obras fodas como “O Senhor dos Aneis” e “O Hobbit”, nós também podemos. É só manter o foco e não parar. 

6) Pense sobre suas cenas e personagens:
Como nós sabemos, as histórias precisam ter uma razão de ser e os personagens, de um objetivo. Antes de começar cada história, é interessante que o autor já tenha pensado em tudo isso. Já falei em inúmeros outros posts do meu blog sobre a importância de planejar sua história, mas é algo tão fundamental que não custa bater de novo na tecla em qualquer lugar onde eu ponha os pés.
Nas palavras de Chuck Palahniuk: “Antes de sentar e escrever uma cena, pondere sobre ela em sua mente e saiba o propósito daquela cena. Para quais tramas anteriores esta cena vai ser vantajosa? O que isso criará para as cenas seguintes? Como esta cena levará seu enredo adiante? Conforme você trabalha, dirige, se exercita, tenha apenas esta questão em sua mente. Tome algumas notas conforme tiver ideias. E apenas quando você decidiu a ‘coluna vertebral’ daquela cena – então, sente e escreva-a. Não vá até aquele computador chato e empoeirado sem algo em mente. E não faça seu [personagem] se esforçar ao longo de uma cena na qual pouco ou nada acontece”.
Já sobre os objetivos dos personagens, todos eles precisam ter algo que os motive, que mova para frente eles e a história. Como já dizia Kurt Vonnegut, “todo personagem deve querer alguma coisa, nem que seja só um copo de água”.
Mas claro, preocupe-se também em passar os sentimentos e modos de ver o mundo daquele personagem da forma mais verdadeira que puder. Para Hemingway, escrever bem é escrever com sinceridade.

7) Não poupe ninguém, nem você:
Escrever tem ótimos momentos, como criar um universo, criar personagens críveis, divertir os leitores... Mas também tem as partes sofridas. Como por exemplo, ter que se livrar de personagens, cenas ou tramas que a gente aprendeu a gostar tanto ao longo do processo de escrita.
Vários autores falam sobre a importância desse desapego literário, mas selecionei minhas três citações preferidas. John Steinbeck já alertava “Cuidado com cenas que se tornam muito queridas para você, mais do que as outras”. Pode ser que elas se mostrem supérfluas e você precise retirá-las em algum momento. Então não se apegue. 
Também não se apegue a personagens. Kurt Vonnegut já recomendava que os autores fossem sádicos e fizessem coisas terríveis acontecerem aos personagens se fosse necessário, não importando quão doces ou inocentes eles fossem.
Stephen King é ainda mais drástico: “mate seus queridinhos, mesmo que isso destrua seu coraçãozinho egocêntrico”.
Desnecessário dizer que o Martin segue isso à risca e eu ainda preciso aprender muito com esses caras, não é?

8) Não escreva somente pensando no público:
Outra dica fundamental é não escrever apenas pensando no que os outros querem ler, em como conseguir leitores ou fazer sucesso. Menos ainda pensando no que os outros vão pensar de mal do seu texto ou que os outros irão criticar.
Simplesmente escreva.
Para John Steinbeck, o autor deve esquecer o público generalizado. “Em primeiro lugar, o público sem rosto e sem nome vai assustá-lo. Em segundo lugar, a menos que você esteja num teatro, ele não existe. Na escrita, o público é um único leitor. Eu descobri que às vezes ajuda escolher uma pessoa ― alguém que você conhece ou que imaginou ― e escrever para ela”.
Já para King e Palahniuk, o fundamental é você escrever para si mesmo, o que você deseja ler. Só então você deve se preocupar com os leitores.

9) Primeiro escreva, depois edite:
Essa é uma dica que sempre dou a quem me pergunta. Escreva. Coloque a ideia no papel. Depois você se preocupa com repetições, erros, clichês, etc. Ao fazer isso e respeitar seu fluxo de ideias, você tem menos chances de ter bloqueios e, em geral, termina de escrever mais rápido e de forma mais natural.
Mas como vocês não estão aqui para minhas dicas, fiquem com esse trecho excelente do John Steinbeck: “escreva o mais livre e rápido possível e coloque tudo no papel. Nunca corrija ou reescreva até que tenha terminado. Reescrever é um processo geralmente usado como desculpa para não seguir adiante”.
Stephen King, apesar de aconselhar o não uso de advérbios, recomenda que você não deve se preocupar exageradamente com a gramática perfeita, porque o objeto da escrita não é a correção gramatical, e sim contar uma história.
Por mais que a língua seja importante, não perca o foco: escreva primeiro. Corrija depois.

10) Escreva com alegria:
E por último, mas não menos importante (pelo contrário), vem a que é outra de minhas dicas preferidas. Remonta ao conselho de escrever primeiro pensando no que você gostaria de ler e no que vai deixá-lo confortável.
Para ser um bom escritor, você precisa de fato gostar do que faz. É um trabalho árduo por si só, então precisamos nos lembrar do que nos deixa feliz em fazê-lo e seguir em frente com isso na cabeça. Ray Bradbury já dizia a seu público: “eu quero que você inveje minha alegria”.
King também arremata dizendo que escrever não é sobre fazer sucesso, ficar rico, conseguir encontros ou fazer amigos. Menos ainda sobre fazer os outros felizes. É sobre ser feliz fazendo arte.
Mantenha isso em mente. Escreva muito, faça sua arte e seja feliz com ela! 

E aí? Curtiram? Espero que tenham gostado e se motivado a continuar escrevendo.

Vejo vocês em outros posts. :*

Fontes e Dicas Adicionais:

Em português:

- Aprenda a escrever ficção de verdade com Ernest Hemingway – 7 dicas de escrita: http://homoliteratus.com/aprenda-escrever-ficcao-de-verdade-com-ernest-hemingway-7-dicas-de-escrita/

- 12 dicas para escritores iniciantes por George R. R. Martin: http://www.gameofthronesbr.com/2014/02/12-dicas-para-escritores-iniciantes-por-george-r-r-martin.html

- A rotina diária de 13 grandes escritores e o que eles fazem para continuar escrevendo: http://papodehomem.com.br/a-rotina-diaria-de-13-grandes-escritores-e-o-que-eles-fazem-para-continuar-escrevendo/

- 10 regras para escrever ficção do escritor e roteirista Elmore Leonard: http://ficcao.emtopicos.com/2013/08/escrever-ficcao-escritor-elmore-leonard/

- Conheça 13 conselhos do transgressor Chuck Palahniuk sobre escrever: http://literatortura.com/2013/05/13-conselhos-de-chuck-palahniuk-sobre-escrever/

- Conselhos de Escrita de Ray Bradbury: http://dicasderoteiro.com/2012/09/25/conselhos-de-escrita-de-ray-bradbury/

- 6 Segredos Que Escritores Experientes Não Admitem: http://corrosiva.com.br/como-escrever-um-livro/6-segredos-que-escritores-experientes-nao-admitem/

- Dicas para novos escritores de outros autores: http://www.youtube.com/watch?v=SdtM3gjNkvs&list=UUNTBIwGaMcImg4C8R3Gq6eQ

- 9 dicas de George R.R. Martin para quem deseja escrever: http://narrativaberta.com.br/9-dicas-de-george-r-r-martin-para-quem-deseja-escrever/

- 22 Conselhos de Stephen King para escritores(as): http://homoliteratus.com/22-conselhos-de-stephen-king-para-escritoresas/



Em inglês:

- 6 Of The Best Pieces of Advice From Successful Writers: http://www.huffingtonpost.com/belle-beth-cooper/6-of-the-best-pieces-of-a_b_4628690.html

- Stephen King top 20 rules for writers: http://www.openculture.com/2014/03/stephen-kings-top-20-rules-for-writers.html

- 7 Kick-Ass Writing Tips from 7 Best Selling YA Authors: http://tomiadeyemi.com/writing-tips-from-7-best-selling-ya-authors/

- We Asked 8 Famous Authors For The Most Important Advice They’d Give To Young Writers: http://www.clickhole.com/article/we-asked-8-famous-authors-most-important-advice-th-2562?

- Ten Rules of Writing from Famous Writers: https://curious.com/lyracommunications/ten-rules-of-writing-from-famous-writers

- Neil Gaiman’s 8 Rules of Writing: http://maxkirin.tumblr.com/post/92478828861/neil-gaimans-8-rules-of-writing-a-remake-of-this

- 27 Pieces Of Advice For Writers From Famous Authors: http://www.buzzfeed.com/ellievhall/27-pieces-of-advice-for-writers-from-famous-authors
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O Guia da Procrastinação Para Escritores, parte 1

quinta-feira, 6 de julho de 2017


Por: Lariez (https://fanfiction.com.br/u/505672/)
Oi, gente! Esse é meu primeiro post no blog da Liga dos Betas, e acabei escolhendo um tema que sempre me assombrou. Como já li trocentos artigos sobre esse assunto, resolvi juntar minhas experiências (algumas felizes, outras horríveis) e escrever eu mesma um pequeno guia. Espero que te ajude!
Com as férias de muita gente chegando, bate aquele pensamento já conhecido: “cara, eu vou usar esse tempinho livre pra escrever a minha história”. Então, você lembra da história, se anima de novo com o enredo e abre o Word. Quinze minutos depois, a sua amiga te chama para bater papo e, de repente, você se encontra vendo algum vídeo muito aleatório no YouTube ou descendo a página do Facebook. Difícil, né? Esse é o maior inimigo do escritor: a procrastinação. E ela é malvada.
Muitas vezes, fazemos isso sem perceber, e quando percebemos já é tarde demais: a procrastinação quebrou a marteladas o seu raciocínio e você perdeu a animação (de novo, talvez). Isso provavelmente vai fazer com que você volte para os vídeos aleatórios e desista. Isso é normal e acontece com todo mundo, até com a pessoa que escreveu um guia para tentar evitar a procrastinação (sim, por mais irônico que isso seja).
Existem várias ferramentas para evitar que você volte para os vídeos aleatórios enquanto você devia estar escrevendo, mas poucas pessoas as conhecem e as usam. Uma das mais importantes, inclusive, são os softwares (programas de computadores) desenvolvidos para a escrita que nos ajudam a matar a nossa procrastinação interior, e são desses que nós vamos falar nesta primeira parte. Abaixo, estão cinco dos vários programas que escolhi, e um breve resumo deles.

1. FocusWriter

O FocusWriter é um programa bem conhecido pelo seu modo “distraction-free” (do inglês "livre de distração") e por ser simples de se manusear. Ele ocupa todo o espaço da sua tela (sim, aquela barra de ferramentas só aparece se você passar o mouse por ali, assim como a barra inferior onde ficam os documentos editados) a fim de deixar apenas um espaço para que você escreva. O programa também conta com vários outros recursos opcionais, como definição de meta diária, salvamento automático do seu trabalho e dicionário próprio, por exemplo.
Além disso, o FocusWriter é totalmente customizável, ou seja, você pode adicionar backgrounds, escolher o tipo de caixa e as letras! Esse é o layout que eu costumo usar quando escrevo nesse programa. Ele suporta todos os sistemas operacionais disponíveis, desde Windows até Linux, e é de graça (o que eu acredito ser a melhor parte), mas você pode contribuir com os criadores, caso tenha dinheiro. Para fazer o download, acesse a página do software, selecione seu sistema operacional e coloque $0.00 USD como opção de pagamento.



2. Write or Die
Write or Die é uma ótima opção para quem precisa escrever urgentemente ou está simplesmente procurando um desafio. Para começar a escrever neste website (a versão software, infelizmente, é paga), você precisa determinar uma meta de palavras, um tempo determinado para alcançá-la e escolher um modo de escrita, dos quais existem três disponíveis, que vão desde o mais “pega leve” até o mais difícil. Diferentemente dos outros, ele não oferece uma tela livre de distrações, então é preciso que você tenha um pouco de autocontrole. Uma boa sugestão é deixar apenas esse site aberto e colocar o seu navegador em tela cheia (F11).
No “Stimulus Mode”, você escreve ao som de músicas de ambiente, como barulhos de chuva, e quando você para de digitar por um determinado tempo, o som desaparece e a tela se torna vermelha até que você volte a escrever. No “Consequence Mode”, se você para de escrever, a tela fica vermelha e barulhos horríveis começam a aparecer, como choros de vários bebês juntos e buzinas. Já no “Kamikaze Mode”, que aparece no print, o programa começa a apagar letras aleatórias do que está escrito (aproximadamente uma letra por segundo!) até que você volte a escrever. É possível pausar a sessão se você precisar, e também salvar suas palavras.
Para começar a escrever, acesse a página do Write or Die. Vários recursos adicionais irão aparecer, mas você precisa comprá-los por aproximadamente US$ 20.00. Para usar o website de graça, há uma pequena caixa abaixo dessa que permite decidir apenas a meta, o tempo e o modo. Escolha de acordo com a sua coragem, aperte o botão “Try” e divirta-se!

3. WriteMonkey
O Write Monkey é um software com um design super simples, como a imagem mostra. Na tela do seu computador sobram você, suas palavras e um relógio. O design do fundo pode ser personalizado assim como as fontes usadas, mas nada muito sofisticado; muda-se apenas as cores. Você pode ver mais screenshots na própria página do WriteMonkey, além de informações mais específicas sobre o programa.
Além disso, o programa oferece vários recursos adicionais, que vão desde inserção de marcadores no seu texto até opção de outras línguas no programa (infelizmente, o corretor ortográfico na língua portuguesa só está disponível para o português de Portugal), sem contar dos plug-ins disponíveis, que podem ser bem úteis ao escritor. Isso faz dele um dos softwares mais completos, porém um pouco difícil de manusear. Mas é claro, se você está aqui apenas porque precisa terminar aquele capítulo o mais rápido possível, a maioria desses recursos não serão necessários a primeira instância.
Para fazer o download, acesse a página do WriteMonkey e clique em downloads.

4. Calmly Writer

Assim como “Write or Die”, o Calmly Writer não é um software e sim um website (oferecendo uma opção de extensão no navegador Google Chrome), mas merece estar na lista pela praticidade e pelo modo distraction-free.
Na tela de escrita, não há nada mais que o símbolo do website, que leva as preferências (caso o usuário queira, é possível que a contagem de palavras/caracteres também apareça). É recomendado que se escreva na tela cheia, minimizando assim a chance de procrastinação. Isso pode ser feito acessando o menu e selecionando a opção “toggle full screen”.
O Calmly Writer também possui outros recursos, que vão desde o modo focus, que deixa destacado apenas o parágrafo que você está escrevendo, até os sons de teclado. Para usá-lo, apenas acesse o site e clique em “Open Calmly Writer”.

5. FORCEdraft
Deixei esse software por último pelo fato de ser o mais radical da lista, e que provavelmente vai te fazer escrever o que você precisa por bem ou por mal. FORCEdraft é um programa cujo objetivo é não te deixar fazer nada no seu computador até que você escreva o que precisa. Ele “trava” sua barra de ferramentas do Windows para que você não consiga sair da tela, e com isso, continue escrevendo.
São oferecidas três alternativas antes que apareça a tela de escrita: você pode definir um tempo para o bloqueio da tela, um número de palavras ou simplesmente sair quando você quiser (padrão). A única forma de sair do programa é clicando no logo FORCEdraft; porém, dependendo da opção que você escolheu, ele obviamente não vai te deixar sair tão fácil assim e mostrará quantos minutos/palavras faltam. Quando você completa os minutos ou a sua meta de palavras, é só clicar no logo e depois em “save and exit”.
Dica: Cuidado para não confundir as opções! Da primeira vez que usei esse programa, escolhi 500 palavras e cliquei erroneamente na opção dos minutos. No fim, tive que esperar 500 minutos (chorando) para usar meu computador novamente. Além disso, é bom que você faça tudo o que precisa no seu computador antes de começar a escrever no FORCEdraft.
Infelizmente, o site oficial deste software não existe mais, mas ainda é possível fazer download de graça (assim como os desenvolvedores o disponibilizaram) acessando o link.

Existem outros softwares disponíveis por aí, como o DarkRoom, o ZenPen e o OmmWriter. Vale a pena dar uma olhada neles se você não gostou ou não se deu bem com algum dessa lista.
Quero ressaltar que nenhum desses softwares vai te salvar 100% da procrastinação (infelizmente). Eles oferecem apenas a base, e cabe a você construir a casa em cima dela. O que eu quero dizer com essa metáfora de qualidade duvidosa é que você precisa se policiar, fazer a sua parte. O programa já é de grande ajuda, mas se você ficar interrompendo sua escrita para ver os vídeos aleatórios, não vai adiantar muita coisa. É preciso que você tenha, acima de tudo, foco.
Uma coisa que costumo fazer é desligar a internet e deixar apenas o software de escrita em execução no computador. Assim, se eu acabar me distraindo e abrir o navegador, ele não vai se conectar e eu vou acabar voltando a escrever. Além disso, não comece estipulando metas muito grandes, como terminar todo o capítulo naquele dia ou escrever 2000 palavras. Começar do pouco vai fazer com que você alcance a meta de uma forma mais rápida, e então você pode aumentar gradativamente. Tentar escrever 500 palavras por dia, tecnicamente, vai ser mais eficaz do que tentar escrever 2000 em um único dia.
E é isso! Espero ter ajudado com essa lista. A parte 2 sairá em breve, se eu parar de procrastinar.
XOXO, Lariez.
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A costureira e o cangaceiro - Resenha

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Por: Rodrigo Caetano
Perfil:  http://fanfiction.com.br/u/82481/

E aí, povo do Nyah! Tudo certo com vocês?
Voltei nesse mês de junho com uma resenha fresquinha pra vocês. E, no espirito das festas juninas, escolhi um livro nacional que conta uma história do interior do nosso Brasil.
Mergulhando fundo na história e na cultura do nordeste e, ao mesmo tempo, abordando aspectos modernos do nosso dia-a-dia e nos trazendo uma trama de família, amor e ação dignas de Hollywood. Não é a toa que o filme baseado no livro deve ser lançado ainda esse ano aqui no Brasil.
Sem mais delongas, vamos ao que interessa:

Autora: Frances Pontes Peebles
Editora: Nova Fronteira
Sinopse: Na pequena Taquaritinga do Norte, Emília e Luzia aprendem desde cedo o ofício da tia, a melhor costureira da região. Em meio a moldes, fazendas, linhas e agulhas, as moças vão tecendo caminhos inesperadamente opostos. Luzia é incorporada a um bando de temíveis cangaceiros e vai viver com eles no sertão. Emília encontra no casamento a sua passagem para a tão sonhada vida na capital, o Recife. Sertão e cidade desafiam as irmãs a se transformarem, mas o laço que as une não se abala com as mudanças, e elas farão de tudo para tentar proteger uma à outra.

Resenha:
A costureira e o cangaceiro foi um dos melhores livros que li este ano. Um livro que me pegou de surpresa e que, pela primeira vez na vida, me deixou ansioso para ver um filme do nosso tão subestimado cinema nacional.
O livro conta a história de duas irmãs do interior do Recife que crescem pobres nas décadas de 20 e 30. Além de retratar muito bem a situação da época, a autora conseguiu modernizar o conto ao tratar de maneira tão madura e inteligente o papel da mulher na sociedade precária em que as duas personagens principais estavam inseridas.
Sempre sonhando alto, mas com objetivos e modos de pensar diametralmente opostos, as duas irmãs, Emília e Luzia, são levadas por suas escolhas a dois caminhos distintos, separando-se quando jovens e retratando ambos os lados da sociedade recifense da época: a burguesia que ganhava força na capital, subindo de classe, e o povo esquecido do interior, assombrados e, ao mesmo tempo, devotos do cangaço.
O contexto histórico da alçada de Getúlio Vargas ao poder e da modernização que o país enfrentou à época, no período entre a primeira e a segunda guerra, são o pano de fundo perfeito para esse romance, servindo como um atrativo extra nos momentos em que a trama, por sua própria necessidade, precisa diminuir o ritmo.
Enquanto isso, os momentos de ambas Luzia e Emília roubam a cena, mostrando tanto a intriga moderna da alta sociedade recifense quanto a vida dura e os momentos de ação vividos por aqueles que vivam livres em grupos de cangaceiros — que cometiam atrocidades e salvavam vidas, sempre no limite da capacidade humana.
Uma história cativante, emocionante e que, por vezes, chega a tirar o fôlego — isso sem contar na riqueza de detalhes e na precisão da caracterização histórica de um período tão interessante da sociedade brasileira, que, por vezes, chega a pulsar nas páginas.
Uma leitura fortemente recomendada, que merece a atenção de todos. O filme deve sair até o final do ano — talvez entre setembro e outubro — e nos resta torcer para que ele faça jus ao livro.
Por hoje é isso, galera! Um abraço e até a próxima!
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Deixando interessante uma história narrada por lembranças

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Por: Helen Corrêa
(https://fanfiction.com.br/u/484171/)

Hello, leitoras e leitores do blog! Depois de um tempinho sem escrever para o blog, volto com um tema tirado do banco de sugestões.
Creio que a primeira coisa que precisamos definir aqui é que, se estamos falando sobre uma história que possui “lembranças”, estamos falando nada mais nada menos que sobre os famosos “flashbacks”, não é mesmo?
Eu, particularmente, sou uma pessoa que adora ler histórias que possuem flashbacks. Não sei ao certo o porquê, mas deve ser pelo ar de mistério que a história possui enquanto tais cenas do passado não são reveladas. E esse geralmente é um dos principais motivos pelos quais os escritores fazem uso desse recurso. Contudo, há que se ter cuidado com a utilização dessa ferramenta, pois, se não usada pelos motivos certos, pode ser um grande tiro que sairá pela culatra.
Primeiramente, vamos relembrar aqui as principais formas pelas quais podemos narrar um flashback dentro da nossa história:

1. Uma simples menção do narrador em alguma parte da história, sobre algum evento que ocorreu na vida do personagem, mas sem que haja uma dramatização;
2. Uma cena dramatizada, ou seja, é como se a história realmente retrocedesse, e pudéssemos enxergar “em tempo real” o que aconteceu dentro da história no passado;
3. O próprio personagem narrando um fato sobre o passado.

Agora, sim, podemos partir para os conselhos do artigo de hoje.

Como já foi dito anteriormente, o flashback é uma ferramenta muito interessante para revelar mistérios e montar os “quebra-cabeças” que são postos no enredo de uma história. Talvez por isso mesmo ele seja muito utilizado por diversos autores. Contudo, embora seja uma ferramenta muito utilizada, nem sempre ela tem uma relevância que seja justificável ou plausível para a história. Isso significa que muitas pessoas simplesmente colocam uma lembrança dentro da história que acaba não significando nada relevante dentro do enredo. Ou pior, a pessoa coloca uma lembrança que revela coisas precipitadamente e mata o resto do enredo, bem como a vontade do leitor em continuar a leitura, que acabará se tornando ou repetitiva ou entediante.
Com isso, o que precisamos ter em mente ao colocar um flashback dentro da história?

1. O seu personagem tem que possuir um passado interessante.
Isso é o básico de toda a narrativa de lembranças. Se o seu personagem não tiver algum segredo que valha a pena vir à tona, se ele não vivenciou nada de interessante, por que retirar essa lembrança das cinzas e ressuscitá-la para dentro do seu enredo? Isso não faz sentido nenhum, não é mesmo? Por exemplo: Se eu pedisse a você que detalhasse todos os dias que você vivenciou desde janeiro até agora, você saberia me dizer? Mas é claro que não! O nosso cérebro descarta os momentos corriqueiros pelos quais passamos, simplesmente porque iria sobrecarregar a nossa memória e não iria ter relevância nenhuma em nossa vida! Nós lembramos das coisas que para nós são importantes, ou que nos impactaram de alguma forma: um evento no qual fomos, um dia sensacional, um dia muito péssimo, etc. Da mesma forma deveria funcionar a narrativa de uma história — se não possui relevância nenhuma para o personagem e, consequente, para o leitor, descarte. Não é necessário colocar um flashback na história só porque parece ser uma ferramenta legal ou que todo mundo usa.

2. O passado deve mover o enredo da história.
Bem, além de contar uma lembrança relevante na vida do personagem, a revelação desse tal passado deve, também, ter um impacto importante dentro do enredo. Se o personagem lembrar desse passado que ele viveu, isso fará com que ele tome uma atitude que será crucial na história? Ou, se o narrador mostrar uma cena do passado para o leitor, isso revelará segredos importantes que ele ainda não entendeu, e que ele precisa saber para entender o que está se passando no presente? Se a resposta for “sim”, muito bem, revelar este passado será útil na sua história. Caso contrário, há grandes chances de que ele não seja de muita utilidade para você, seus personagens e seus leitores.

Quando um flashback é mal colocado dentro de uma história, três características podem ser notadas:
  • A primeira é que o flashback não irá oferecer novas informações o suficiente para o leitor. Você já leu alguma história na qual a lembrança do passado levantava mais perguntas do que respostas? Ruim, né? Se isso também está acontecendo dentro da sua história, você está fazendo algo não muito bacana, acredite.
  •  É normal que, a princípio, alguns flashbacks levantem algumas perguntas na mente dos leitores. O problema é quando eles não respondem questão nenhuma e, de quebra, ainda levantam muitas outras! Assim sendo, um flashback deveria evitar linguagem muito metafórica ou cenas muito vagas, pois isso acaba freando o desenvolvimento do enredo, enquanto devia estar fazendo-o andar.
  • A segunda característica de um flashback mal-usado é quando ele destrói completamente os subtextos da história. Já deixamos bem claro aqui que flashback bom é aquele que traz informações relevantes para o leitor. Contudo, se você coloca um flashback extremamente detalhado já no início da história, todo o ar de mistério, suspense e/ou curiosidade que o enredo causa vai direto para o espaço! Você não pode “entregar o ouro” logo de cara para o autor, entende? Você deve mantê-lo envolvido na leitura do começo ao fim, dessa forma, caso seus flashbacks ofereçam revelações chaves, talvez seja melhor dar uma segurada neles e deixá-los para a parte final do seu enredo.
  • A última característica é quando ele muda completamente a ênfase da história de lugar. Você quer dar ênfase no passado do seu personagem ou no presente dele? E se você quer dar tanta ênfase no passado dele, por que, então, já não pensar em escrever uma prequela de uma vez por todas? Assim, cuidado para não os usar em exagero.

Ditas todas essas coisas, chegamos à conclusão de que, para que uma história que possui a narrativa de uma ou várias lembranças se mantenha interessante, é necessário saber usar os flashbacks com parcimônia. Não o use para narrar coisas cotidianas que não causarão emoção ou impacto nenhum ao leitor ou à vida do seu próprio personagem. Não o use caso ele seja mais importante até mesmo que o tempo atual da sua narrativa. Não o use cedo demais, revelando coisas que deveriam ser contadas mais para o final da história.

Embora os flashbacks geralmente revelem um elemento chave na composição do enredo, um trauma do personagem ou algo do tipo, isso não quer dizer que ele sempre tenha que ser algo ruim. O flashback também pode revelar coisas boas, contudo, lembre-se da premissa: essa lembrança vai causar alguma emoção significativa na mente do leitor? Ela vai causar alguma empatia? Se a resposta for não, provavelmente é melhor deixar o passado para lá.
À vista de todas essas coisas, posso dizer que por hoje é só, crianças. Quando estiverem escrevendo as histórias de vocês, “conheçam” o passado de seus personagens com antecedência. Imaginem cenas importantes que contenham revelações que deixarão seus leitores de boca aberta, chocados, emocionados... Imaginem um flashback como se ele fosse uma boa fofoca, o famoso “bapho”: se causar algum tipo de impacto, é porque realmente é bom. Se não, melhor focar apenas no presente, afinal, reza a lenda que quem vive de passado é o museu, rs.

Referência:
https://www.helpingwritersbecomeauthors.com/reason-story-flashbacks/
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Como Escrever História sobre Balet - Parte I

segunda-feira, 5 de junho de 2017
 
Por: Lollallyn (Palloma Antunes)
Link: https://fanfiction.com.br/u/279239/

Olá!
 Se está pensando em escrever uma história bailarinística e não tem um contato prático com o ballet, este post é especialmente para você. Essa não é uma dança fácil de praticar, imagina de descrever. Pensando nisso, esquematizei algumas dicas para auxiliar na construção de um enredo com essa temática, procurando facilitar o trabalho sobre os pontos chave. Então, pegue lápis, papel e suas sapatilhas e venha dançar um pouquinho comigo.
 Quando planejamos escrever sobre um tema específico, é importante produzir uma ambientação bem estruturada para que os leitores possam visualizar cada cena com clareza e se sintam realmente inseridos na proposta de enredo. No caso do ballet, por exemplo, descrever os passos, o ritmo da dança, as roupas de ensaio e/ou os figurinos de palco, as sapatilhas, o esforço dos músculos é essencial para dar aquele gostinho mágico e deixar a história palpável. Claro, não é preciso escrever tudo tim-tim por tim-tim (até porque, os leitores sem familiaridade com essa dança ficariam perdidos), basta dar a base necessária para que sua história, de fato, transmita as cenas que você imaginou.
 Então, vamos por partes:
 
OS PASSOS
 O ballet tem uma gama grande de passos que variam em graus de dificuldade, direçãoe e tamanho, e outros que são compostos por passos menores. Além disso, dependendo do método que o bailarino segue, alguns pormenores na execução dos passos recebem uma ênfase diferenciada. Mas esse é um detalhe que pode ser deixado de lado, visto que puxa para uma área mais técnica.
 Cada passo é acompanhado por uma posição de braços (mesmo que ele seja executado nos exercícios de barra), mas você pode pular essa parte também, pois ela pode variar dependendo do exercício. O importante é conhecer alguns passos básicos e preencher as descrições de maneira superficial, não deixando os leitores tão perdidos e permitindo que você tenha autonomia sobre sua narração.
“Os pés começaram a se mover calmamente em pas de valse, tornando-se mais ágeis conforme a música ia ganhando velocidade gradativamente. Aqui e ali surgia um floreio com um cambré, um attitude rápido.” — Pas de Deux, Sir AK’s¹
 A descrição sugere toda uma sequência, mas observe que o autor citou apenas três passos (os principais dessa sequência). Além disso, ele usa o pas de valse que é um passo composto por uma pequena coreografia de passos menores. Esse é o truque: temperar a narrativa com alguns nomes técnicos (apenas dos passos mais relevantes), transmitindo a cena de maneira satisfatória sem fazê-la parecer grego para o leitor. Nas notas finais, é legal deixar um glossário resumido explicando o que essas nomenclaturas significam na linguagem do ballet.
 Para dar uma mãozinha, separei uma lista com a descrição de alguns dos passos desse estilo:
  • Plié – (pliê) dobrar, flexionar
  • Tendu – (tandí) alongado (pé)
  • Battement – (bat'mã) batida, bater
  • Échappé – (exapê) escape, escapado
  • Relevé – (relevê) elevado
  • Sauté – (sotê) saltado
  • Attitude – (atitid') atitude. Pose do ballet inspirada em uma famosa estátua de Hermes/Mercúrio. O joelho fica prevento dobrado e a perna sustentada. A linha do attitude varia de acordo com o método. Também é o nome da posição de braços que acompanha a pose.
  • Arabesque – (arabésq') arabesco. Inspirado em ornamentos árabes, esse movimento consiste em sustentar a perna derrière, na linha da quinta posição. Pode ser feito fondu, elevée, saltando ou em attitude.
  • Passé – (passê) passado. É uma passagem; assim como na relação tendu-dégagé, o passé só é chamado assim quando ele é apenas uma passagem para outro movimento.
  • Retiré – (retirê) retirado. Movimento onde se sustenta a perna com a ponta do pé na altura do joelho da perna de base.
  • Coupé – (cupê). Diz-se que o nome deriva de 'sur le cou de pied' (sur le cu de piê - sobre o colo do pé). O pé é sustentado em ponta na altura do tornozelo, acima do colo do pé de base. Também varia de acordo com o método.
  • Frappé – (frapê) batido. Movimento que consiste em 'bater' a perna e fazer um breve développé. Pode ser feito em flex para ponta (para trabalhar a força de pé), bem como em coupé. Esse exercício trabalha agilidade e precisão.
  • Changée – trocar. Significa que no final do passo os pés estarão trocados, ou seja, o pé que estava incialmente na frente, vai estar atrás. A troca é feita em salto no ar.
  • Cambré – (cambrê) arqueado. Deslocamento do tronco para trás, criando um arco. Usado pra ornamentar. O cambré décoté é uma contração lateral, usada posta alongar e ornamentar.
  • Dégagé – (degajê) Passo de ligação. É basicamente um tendu que liga uma coisa à outra, por exemplo, na transferência da primeira pra segunda posição de pés.
  • Rond de Jambe – (ron dê jam) movimento em que desenhamos um círculo com a perna. Pode ser feito também com fondu, en l'air, grand ou demi.
  • Développé – (developê) desenvolver. A perna sai do chão, faz um passé ou coupé, passa por um attitude e termina completamente esticada. Pode ser feito em fondu também.
  • Enveloppé – (anvelopê) envelopar. Oposto do développé.
  • Raccourci – (racurrsí) recolhido. Termo do método Vaganova para o enveloppé.
  • Pas – (pá) significa "passo". São passos no ballet compostos por vários movimentos básicos, inspirados em observações.
  • Pas de Bourée – (pá dê burrê) passo inspirado em na dança folclórica de bourée. Pode ser composto de fondus, elevées, dégagés, coupés, etc. É usado para deslocamentos e é o passo do ballet com mais variações.
  • Pas de Basque – (pá dê basque) inspirado nas danças dos povos bascos/vascos. É composto por fondu, rond de jambe, glissade, chassé e dégagé.
  • Pas de Valse – (pá dê váls') passo de valsa/waltz. Também chamado às vezes de Balancé decoté (balansê decotê - balanço lateral). Composto por dégagé, elevée e coupé. Pode ser executado em tempo de valsa (1, 2, 3, 1, 2, 3, 1, 2, 3...) ou em tempo oitavas.
  • Pas de Chat – (pá dê chá) passo do gato, imita o salto felino. Basicamente dois passés feitos em sequência para deslocamentos. Possui uma variação italiana, que termina no coupé fondu.

AS APRESENTAÇÕES
 Aqui você pode se basear nos famosos ballets de repertório, como Dom Quixote, O Corsário, O Lago dos Cisnes, A Bela Adormecida, O Quebra Nozes entre outros. É um pouco difícil uma escola de dança remontar o repertório inteiro, geralmente o foco recai sobre os solos (também chamados de variações) e os grand pas de deux. E aqui pode rolar o truque: especificar o repertório e o solo, por exemplo, já sugere a ideia da coreografia inteira.

“Ana preparou-se com calma e respirou fundo. A introdução da música começava a fazer as caixas de som vibrarem, colocando-a em alerta para o início da dança. Suas pernas abriram-se em um arabesque saltado, então, de repente, ela já não era mais Ana, mas sim Harlequinade.” — Arquivo Sir AK’s²

 Aqui o autor cita a variação (recebe esse nome porque alguns passos podem ser adaptados dependendo da habilidade técnica do bailarino/do método adotado) de Harlequinade. Você pode dizer que solo é e temperar com alguns passos (como o arabesque nessa citação), como a dica na primeira sessão. Se sua coreografia for original, vale o mesmo: cite alguns passos e preencha a descrição com a música e as sensações da personagem.

Vamos encerrar a parte I aqui e fazer um pequeno intervalo (aproveite para alongar os músculos enquanto isso). Sinta-se à vontade para deixar suas dúvidas no comentário do post obrigada pela leitura.
Nossa dança continua no mês que vem!
 
Referências
https://fanfiction.com.br/historia/578313/Pas_de_Deux/¹. Acesso em 27 de maio de 2017, às 05h45. Citação permitida pelo autor.
Arquivos pessoais do autor Sir AK’s². Citação fornecida pelo autor em 27 de maio de 2017.
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