Antagonista: Aquilo/aquele que dá sabor às histórias




Por: Felipe Martins

 Saudações, leitores do Blog da Liga! Esta é a minha primeira postagem aqui, mas espero agradar-lhes nesse post falando um pouco sobre uma figura tão conhecida e, por vezes, maltrabalhada no mundo das (fan)fics: o antagonista! Para começarmos, vamos saber mais sobre a palavra em si.
De acordo com o dicionário Houaiss, antagonista vem do grego antagōnistḗs (ἀνταγωνιστής) e significa “1. que ou o que age em sentido oposto; opositor. 2. que ou aquele que é contra alguém ou contra alguma coisa; adversário”. Perceba que, em ambas as definições, se fala sobre algo (ou alguém) que age em sentido contrário, detalhe valioso para se entender o que é o antagonista na literatura: aquilo (ou aquele) que vai contra os objetivos do protagonista.

Historicamente, a título de curiosidade, deve-se a criação da figura antagonista a Ésquilo, um tragediógrafo grego famoso, sendo que, no início, o termo era empregado apenas para indicar o adversário principal do protagonista (ou seja, a “segunda” figura mais importante da trama).


 Algumas observações importantes que você precisa ter em mente antes de inserir a figura antagonista na sua fic:

  1. Apesar de agir de forma contrária aos objetivos do protagonista, ele não é necessariamente o “vilão” da história; em certos casos, quando o protagonista é um anti-herói, o antagonista pode assumir o papel de “bonzinho” no enredo.
  1. Ele não precisa ser um personagem; pode ser o próprio local onde se passa o texto (o ambiente sertanejo de Vidas Secas, de Graciliano Ramos), um sentimento que o protagonista tem de enfrentar (o ciúme em Dom Casmurro, de Machado de Assis), um preconceito, desigualdades (Capitães da Areia, de Jorge Amado, trata das desigualdades sociais), entre outros. Existem infinitas possibilidades!
  1. O antagonista, assim como qualquer outra pessoa ou coisa na história, não precisa ter uma posição fixa durante todo o enredo, já que a intenção de o inserir ali não precisa ser obrigatoriamente maniqueísta (ou seja, que traz uma visão dualista de Bem e Mal).


Exemplo: Vegeta, da saga Dragon Ball, era o antagonista em busca das Esferas do Dragão para obter a imortalidade e o domínio sobre a galáxia; com o passar do tempo, vendo que ele e os protagonistas tinham inimigos em comum, viu-se forçado a criar uma aliança com eles e a virar um anti-herói vingativo, buscando sempre ser melhor que Goku.


  •   Mas, afinal, qual é a utilidade de um antagonista?
O antagonista é uma figura essencial em quase todo tipo de gênero em que seja possível encaixar personagens. Muitas histórias, na dinâmica entre os dois personagens, encontram o eixo principal de um enredo conciso, sólido e complexo, o que exige que eles tenham uma construção bem planejada. Não é preciso ir longe para descobrir isso: J.K. Rowling baseou uma saga incrível e famosa em protagonista (Harry Potter) e antagonista (Lord Voldemort).
É claro, contudo, que um enredo não se constrói apenas com isso. Mas muitos dos livros que vierem à sua mente nos próximos minutos terão essa rivalidade como o gênesis de tudo, garanto.
Sendo uma figura tão notável, é importante conhecê-la bem para criarmos nossas (fan)fics sem problemas, não é mesmo?

  • Como eu faço para ter um bom antagonista?
Assim como tudo humano, não existe uma fórmula exata que crie magicamente um “antagonista perfeito”. Entretanto, é importante que você procure ter a mesma atenção e foco na hora de criar o seu protagonista com o antagonista, pois, como já foi dito, ambos são muito importantes.
Procure fugir do maniqueísmo: originalidade e/ou inovação, assim como tudo na escrita, são a alma do negócio! E lembre-se: ainda que pareça difícil, pesquisar é muito importante e útil, afinal, é conhecendo o velho que se pode imaginar o novo!
Espero que este artigo o tenha ajudado, leitor, a compreender um pouco mais sobre os antagonistas. ‘Bora escrever antagonistas complexos e originais, ‘bora? <3
Até a próxima, pessoal! Boa sorte e boas pesquisas!



Como escrever um bom enredo policial



Por NamelessChick



Olá, meus queridos. Estava eu, uma simples novata da liga, a vagar por aí, quando dei de cara com uma oportunidade de ouro: escrever um artigo para o blog. *gritinhos de comemoração*

Bem, aqui estou. E dentre “n” assuntos que eu poderia falar, decidi escrever sobre um tema sugerido por vocês (sim, vocês, caros leitores), que chamou minha atenção.

Vocês perguntaram:

Como escrever um bom enredo policial?”
E ainda um adicional de:
“(...) como explorar o ponto de vista tanto dos policiais quanto dos criminosos, como demonstrar tanto o lado da ação quanto o lado mais científico das investigações (...)?”

Meus caros, não temam. Estou aqui para ajudá-los. Mas antes de mais nada... Vamos recapitular: O que é enredo?

“No contexto narrativo, enredo é o encadeamento dos fatos narrados em um texto, um dos elementos da estrutura de um romance, de uma novela ou de um conto. É o conteúdo em que a narrativa se constrói. É a trama, é a sequência dos fatos, são as situações vividas pelos personagens durante o desenrolar de uma história.
O enredo apresenta diversas características. A partir do enredo pode-se chegar ao tema, que é o motivo central de uma narrativa. O enredo apresenta situações de conflito entre os personagens, criadas para se obter dramaticidade no texto. O clímax é o momento de maior tensão dramática de um enredo, isto é, o momento em que o conflito atinge sua maior dramaticidade. O desfecho de um enredo é o momento em que os conflitos são solucionados.”

“Tia Nameless, isso daí eu aprendi na escola! Me fala logo como escrever um enredo POLICIAL para eu correr e escrever a fic dos meus sonhos!”
Calma, pequeno gafanhoto. Recordar é viver.


Sabendo o que é um enredo, ou pelo menos, recordando, vamos ao que interessa.


Como uma louca por séries e, principalmente, séries policiais, decidi abordar o assunto com base no que conheço — e um adicional de pesquisas, é claro.


O que todo escritor busca — ou deveria buscar — é uma forma de criar um enredo envolvente e interessante, fazendo com que o leitor se sintonize com a história, louco por mais e mais capítulos. Com um enredo policial não é nem um pouco diferente. Vocês vão perceber que existem algumas “formulinhas” de enredo policial que geralmente fazem sucesso — se você não gosta de clichês, provavelmente deve evitar esse tipo de construção — e que vou citar ao longo do texto.
Para começar a explicação, decidi trabalhar com duas vertentes separadas: as originais e as fanfics. Pode parecer estranho fazer tal separação, mas logo, logo, vocês vão entender o porquê.
Primeiro, as originais — já que elas vão requerer uma explicação relativamente mais complexa que as fanfics.


Antes de mais nada, você tem que estabelecer alguns objetivos para poder desenvolver da melhor maneira possível sua história. Como não vejo nenhuma outra maneira mais fácil — ou mais didática — de iniciar a explicação, vou criar um esquema de perguntas e respostas para vos orientar.
Comecemos pelo “esqueleto” da história, que será a base do tão sonhado enredo.


1) Sua história será em algum lugar real ou fictício?
Se for em algum lugar específico, como Estados Unidos ou Brasil, por exemplo, você deve fazer uma boa pesquisa sobre como funciona o sistema penal do lugar. Além do sistema penal, é interessante estudar a forma como a polícia se organiza, e se possível, dar uma olhada em jurisdições. Pode parecer trabalhoso — e por muitas vezes, é de fato —, mas o mínimo de pesquisa é primordial. Imagine uma história que se passa no Brasil, em pleno ano de 2015, onde um ladrão de galinhas vai preso e condenado à prisão perpétua? Absurdo, não? Você não quer correr o risco de cometer um erro — ou uma gafe, como essa do exemplo — na sua história, não é mesmo?

“Nossa, que difícil. Não, tia, minha história é num lugar fictício.”

Pois então, gafanhoto. Sente-se e respire fundo. Você vai ter que bolar tudo aquilo que não quis pesquisar. Afinal, se é um enredo policial, precisa se passar em algum lugar e todo lugar tem leis, correto? E também um sistema que julga aqueles que fogem a essa lei. Então, boa sorte. Não tem que criar uma constituição nem nada disso, mas é de suma importância você criar um âmbito para que a lei possa agir e, consequentemente, a história acontecer.


2) Sua história se passará no presente, passado ou futuro?

Tão importante quanto a primeira pergunta, é essa segunda. Você tem que ter muito claro em sua cabecinha tão cheia de ideias o período em que sua trama ocorrerá. Fictícias ou não, as leis mudam ao longo dos anos, bem como a criminalística, as áreas forenses, as tecnologias e praticamente tudo aquilo que está presente num enredo policial. Escolha um período, pesquise sobre como funcionava tudo aquilo discutido na resposta da primeira pergunta e se adeque ao contexto. Nada de pistolas semiautomáticas no século dezoito, certo?
No caso da história fictícia isso pode não ser tão rígido, mas essa ideia de que as tecnologias, leis e a própria estrutura da polícia mudam com o tempo é sempre a mesma. (A não ser que você crie uma história onde tudo funcione da mesma forma desde sempre e nunca mude, o que faz com que essa segunda resposta seja completamente inútil para você.)


3) Sua história vai ter o enfoque principal no(s) policial(ais) ou no(s) bandido(s)?

Essa é uma divisão clássica nas histórias policiais. Em geral, o autor escolhe um dos “lados” e desenvolve sua história com a perspectiva desse lado em questão.
Eu particularmente sou adepta da tal divisão, mas é claro que você pode adotar os dois e contar com uma “visão dupla”. No entanto, o grau de dificuldade desse tipo de história é relativamente maior, visto que requer mais detalhes de ambas as partes.

Geralmente quando se escolhe retratar o lado policial, a parte técnica da criminalística é muito mais evidente. Também ganha destaque nessa vertente o mistério, a ação, a investigação e a resolução (ou não) de crimes. No lado criminoso, ganha destaque o crime em si, o próprio bandido, o porquê do crime, ser pego pela polícia ou não e outras variantes.
Não existe um “lado melhor”. Nem um lado “mais fácil”. Os dois são igualmente interessantes e ambos requerem certas pesquisas para aprofundar mais certos detalhes do texto.


Por ora, você deve ter tudo isso planejadinho. Tem que saber responder essas três perguntas. Elas são a base da sua história. Sem isso, nada vai se desenvolver com fluidez.

“Ok, Tia Nameless. Já sei o que quero. Mas... e agora?”

Bem, meu jovem, agora vem uma parte fundamental para toda história policial: a criminalística.
“Hãn? O que é isso? É de comer?”

Não, meu jovem. Criminalística é a disciplina que reúne os conhecimentos e técnicas necessários à elucidação dos crimes e à descoberta de seus autores, mediante coleta e interpretação dos vestígios, fatos e consequências supervenientes.

“Ainda não entendi, tia.”

É a investigação e a “parte técnica”, meu querido. Duas coisas com tantas possibilidades a serem exploradas que você pode ficar até tonto.

Falando da parte técnica — ou mais “científica” — em si, existem autores que exploram bastante essa área, dando grande destaque para ela, que por muitas vezes resolvem os crimes por si só. Um ótimo exemplo é o seriado Bones, onde a história baseia-se na parceria entre um agente especial do FBI e uma antropóloga forense. Rizzoli & Isles é um outro exemplo interessante, onde as protagonistas são uma legista e uma detetive da delegacia de homicídios.
Você pode escolher como a criminalística vai interferir na sua história e como ela vai auxiliar a investigação: com muito ou pouco destaque, com uma boa eficiência ou não e etc.
Citando somente alguns exemplos do que você poderia usar, se o contexto permitir, na sua história... Você tem: DNA, reconhecimento facial, retrato falado, balística, psicologia, especialistas em áreas específicas, legistas, banco de placas de veículos, conhecimentos médicos, conhecimentos químicos, conhecimentos físicos, banco de dados de digitais, análise de fotos, uso de luminol e etc. O céu é o limite.

P.S: Só tome o cuidado para não dar tanto destaque a essa parte “científica” e se esquecer da investigação. Pode não parecer, mas muitos se empolgam com essa parte e basicamente resolvem todos os crimes sem uma investigação decente. Ou então, quando a investigação empaca, vem algum dado científico do céu e resolve todos os problemas. Quem nunca assistiu um “CSI da vida” que o crime foi solucionado com um “banco de dados de impressões deixadas pelo pneu tal”?

A investigação também é uma área a ser amplamente explorada, onde você pode usar e criar técnicas de investigação. O mistério da solução de um crime está aqui. Se quer mistério na sua história, essa é a chave do sucesso. Busca de pistas, escutas, entrevistas com testemunhas e informantes, policiais trabalhando à paisana e até mesmo a tortura: tudo isso e muito mais são técnicas de investigação utilizadas, interessantíssimas, e que sempre podem ser bem trabalhadas. Também existem os “Sherlock Holmes” da vida que resolvem muitos crimes na base dos seus conhecimentos ninja-dedutivos.
Ufa! Finalmente! Vamos agora às fanfics.
Mas você que é autor das originais, não pense que o assunto acabou. Ainda temos detalhes a discutir que são a “cerejinha do bolo” da sua história, que servem tanto para originais quanto para fanfics.

Bem, se você quer escrever uma fanfic, o mínimo do mínimo é o seu domínio a respeito da obra original. Saber os locais, como descrevê-los, conhecer os personagens e suas personalidades, como se desenvolve a trama policial original, as técnicas de investigação utilizadas e todos esses pormenores um tanto complicadinhos na hora de se desenvolver a trama. Tendo isso em mente, você tem três possibilidades:

  • Criar um universo alternativo e, consequentemente, ter que utilizar as três perguntas anteriores;
  • Seguir o mesmo universo e os mesmos crimes, contudo, alterando as ações e o curso da história para evitar o temível plágio;
  • Seguir o mesmo universo, mas com crimes de sua autoria.

Escolhendo qualquer uma das três possibilidades é só desenvolver o seu enredo. Seguindo as “limitações” do seu universo e desenvolvendo sua história a partir das informações que você já tem.

“Tia Nameless, agora eu tenho todo o esqueleto da minha história pronto. E depois?”

Que bom que perguntou, gafanhoto.
Tendo tudo isso pronto, você praticamente está com sua história prontinha. É só brincar com gêneros e possibilidades para criar o enredo. Confesso que as explicações estavam mais focadas para a parte “policial” da coisa, e não do ponto de vista de um criminoso, mas essa reta final vai abranger as duas partes.


– O que é indispensável num bom enredo policial?

Sem dúvidas, o mistério e a ação. Toda a emoção está em ver um crime ser cometido, investigado, solucionado, a perseguição do criminoso e etc. Um toque de drama também é indispensável. Notem que todas as histórias policiais, por mais que tenham romance, comédia, yaoi/yuri, fantasia, ficção científica ou qualquer outro gênero, a ação e o mistério são elementos fundamentais e sempre presentes na obra.


– O que pode ser explorado na narração da história?

Visando o lado “bandido”, você pode sempre narrar o crime em questão, trabalhar todo um lado psicológico do seu criminoso, se ele é descoberto ou não, como ele encobre seus crimes, ou se não os encobre, se ele é perseguido pela polícia ou não e etc.

Falando do lado “policial”, você pode sempre narrar a descoberta do crime, o impacto que ele causa nas pessoas, conversas com as vítimas, a investigação, a frustração de um policial em sua incessante busca pelo autor de determinado crime, como seu trabalho afeta sua vida pessoal e etc.

Além de tudo isso, você ainda tem a chance de trabalhar com conceitos de anti-heróis, protagonistas e antagonistas. Podem existir policiais, juízes, promotores, informantes corruptos, por exemplo. Ou aquele policial que virou bandido. Ou o bandido que é justiceiro. Enfim, são inúmeras as possibilidades.

  • O que deve ser evitado?

Sem dúvidas, os exageros. Como todo tipo de gênero, o policial tem seus clichês e, sobretudo, as formas não bem escritas dos seus clichês. No enredo policial, esse clichê mal escrito se chama exagero.
É algo recorrente ao gênero algumas fugas da realidade. Um exemplo clássico são os policiais que resolvem absolutamente todos os casos e em tempo recorde. Ou o laboratório que tem como extrair DNA e digitais de qualquer coisa, ou apresentar resultados de testes em minutos. Geralmente essas situações são produto de falta de pesquisa do autor, ou sua ansiedade em desenvolver o quanto antes a história.
Nas cenas de ação também ocorrem muitas falhas, como policiais que nunca erram um tiro e tem a mira perfeita. Armas que nunca são recarregadas na narrativa, lutas em que o vencedor sai praticamente ileso e sem dores corporais depois, bandidos que são descuidados de seus crimes e mesmo assim nunca são pegos. Um lugar onde todos são corruptos ou todos são 100% bonzinhos. História onde todos os crimes em qualquer lugar são resolvidos com subornos. E outras coisas do gênero.
Escrever um bom enredo policial é um processo trabalhoso, que requer muitos detalhes, onde busca-se um equilíbrio bacana entre investigação e “ciência”, e esses são alguns “mecanismos” utilizados por alguns autores para de certa forma acelerar ou agilizar alguns momentos da história. É uma questão um tanto polêmica, pois é algo recorrente nas obras do meio, e que são geralmente aceitas pelo grande público — apesar das duras críticas que essas situações recebem de uma parcela de leitores/espectadores.


E isso é tudo, meus queridos. Com todos esses ingredientes juntos, você pode criar sua história que terá tudo para ter um bom enredo policial. Mas, como prometi anteriormente, eis aqui algumas fórmulas que sempre fazem sucesso em tramas policiais:


  • O casal. Sim, para os shippers de plantão, um casal sempre deixa a história mais interessante. Quem nunca shippou dois policiais que trabalhavam juntos? Ou um policial e um bandido? Ou dois bandidos? E o interessante é que eles não precisam estar necessariamente juntos. E, sim, isso faz muito sucesso. E está presente em quase todas as obras policiais. No meu mundo de séries, por exemplo, eu poderia citar novamente Bones (com o casal Brennan e Booth) e a série Law and Order SVU (com o “não-casal” Olivia e Ellitot).

  • A comédia. Sim, a comédia é um elemento que faz certo sucesso em muita história policial por aí. Seja em um humor mais descarado e tosco, ou negro e sarcástico, o humor é algo que sempre angaria e agrada leitores e, de certa forma, dá uma leveza à história, tirando todo o peso dos dramas, dos crimes e etc. Dá um ar de descontração interessante. Poderia citar como exemplo as séries Brooklyn Nine-nine e The Mysteries of Laura.

  • “O bandido”. Sabe aquele maldito bandido que aparece e é simplesmente o mais esperto, o mais astuto, o mais foda, o mais perigoso? Pois é, esse cara. Tem sempre aquele bandido que aparece pra marcar a trama. Geralmente é um cara que comete algum crime de modo excepcional e os policiais nunca conseguem pegar. É o cara que tira as noites de sono dos investigadores e enlouquece de raiva os leitores com a sua genialidade sobrenatural. Chega até a ser irritante. Muitas vezes esse bandido aparece e fica por muito tempo na história, pode sequestrar alguém, matar um personagem secundário e tudo o mais. Na maioria dos casos, esse cara é morto — porque se for preso, com certeza vai escapar e atormentar a vida de todo mundo até ser morto. Muitos autores abusam desse bandido, prolongando dolorosamente o enredo nas mesmas coisas, deixando-o repetitivo e chato. É legal esse bandido, mas... Uma hora enche o saco.

  • No caso do policial ser protagonista: ele ser sequestrado por alguém, ou quase assassinado, ou quando conspiram contra ele, fazendo com que perca (ou quase perca) seu emprego e sua credibilidade, ou ser pego pelo criminoso que estava buscando e passa a correr um risco de vida. Enfim. Todos esses “quase” dão um ibope danado. Todo leitor fica agoniado com o desenvolver desse tipo de situação, temendo pela vida do policial, querendo saber se ele vai dar a volta por cima ou não. É algo que rende muita história e prende muito leitor ao texto.

  • No caso do bandido ser protagonista: ele quase ser pego. Essa é a graça. O quase. O segredo é ele nunca ser pego. Não importa o quão difícil seja a situação: ele vai escapar no final. Porque a história depende de seus crimes. Se ele for preso, acaba a história. Um exemplo é a série Dexter. Narrada do ponto de vista de um serial killer justiceiro que trabalha como consultor da polícia. Se observarem na série, ele “quase” foi pego muitas vezes, e além dos próprios dramas pessoais, passava por esses ocasionais “sufocos”.

  • A conspiração. Oh, sim. Isso aqui rende muito e agrada muita gente. É aquele crime que veio de outro crime, que foi feito por alguém, com um pretexto “x”... Enfim, são incontáveis possibilidades. Tem grandes corporações, máfias, governo, espiões, agências, agentes secretos, muita gente corrupta e todas essas coisas que as conspirações englobam.

  • Por último, mas não menos importante: a dupla de parceiros. Pois é. Dificilmente você encontra por aí um enredo que não tenha uma dupla de parceiros como protagonistas. Aquela “duplinha da pesada” que sempre resolve todos os crimes juntos. Muito usada quando o autor busca adicionar um romance à história, cria-se duplas de parceiros onde sempre rola aquele clima. Ou apenas uma dinâmica diferenciada. Os leitores geralmente shippam muitos desses casais, por vários motivos, mesmo que os parceiros não fiquem juntos (resultando em toneladas de fanfics). Muitos autores gostam de formar como casal (seja no sentido romântico ou não) um policial e um “não policial”, para dar um toque interessante, embora não abram mão da dupla de policiais também. Um exemplo divertido é o agente sênior do FBI Peter Burke e o brilhante falsificador Neal Caffrey de White Collar.


E isso é tudo, meus queridos. Fico por aqui. Espero ter ajudado vocês.





Resenha: Aluga-se um Noivo



Olá, pessoal! Como vão vocês? Nessa linda sexta-feira, vim até aqui para apresentar-lhes a resenha do livro “Aluga-se um Noivo”, da nossa querida Clara de Assis, a autora entrevistada nesta semana pelo blog da Liga.

Sinopse: Nada poderia ter afetado tanto Débora Albuquerque quanto ter de enfrentar seu ex-namorado, João, como padrinho de casamento de seu irmão. Como se não bastasse, acompanhado por sua nova namorada, ninguém menos que Letícia, a quem Débora um dia chamou de amiga.
A situação já parecia bastante ruim, quando Débora teve a brilhante ideia de surgir na festa muito bem acompanhada. Para tanto, acordou com um garoto de programa, Théo, para que fizesse a vez de namorado e, juntos, seriam o casal mais feliz do mundo. Por sorte ou não, a inseparável melhor amiga de Débora, Carol, resolveu dar uma mãozinha, e o que antes era uma loucura, tornou-se algo mais complicado que nunca: de namorado a noivo, num piscar de olhos.
Débora, carioca, balzaquiana, estava disposta a pagar o quanto fosse para não aparecer sozinha na festa. Théo seria o namorado ideal, lindo, sofisticado, com sotaque italiano e extremamente sedutor. O plano era perfeito, mas Débora se apaixonou...



Por ter seu ego ferido pela traição de João e ainda receber a notícia de que o ex traidor vai ser o padrinho de casamento do seu irmão, Júnior, Débora está disposta a qualquer coisa para não aparecer na cerimônia sozinha. Até mesmo a contratar um garoto de programas para acompanhá-la. Com a ajuda de sua melhor amiga, Carol, a personagem que mais vai fazer com que você dê risadas nesse livro, Débora encontra Théo, o cara perfeito para o serviço.
A química entre nossos protagonistas é praticamente instantânea, isso porque Théo sempre parece saber o que dizer/fazer para mandar toda a articulação de Débora para o espaço. Quando a tensão sexual entre os dois torna-se insuportável, eles simplesmente explodem no reconhecimento dos corpos um do outro e, nesse ponto da leitura, se você ainda não havia percebido, consegue ver nitidamente que o que há entre Théo e Débora vai muito além de um acordo comercial. Mas isso não é tão óbvio para Débora.
Claro que ela sabe que está apaixonada, porém as dúvidas quanto aos sentimentos de Théo a corroem por dentro. Ela é uma mulher madura, inteligente e decidida, que caiu de cabeça num relacionamento mal resolvido com um cara sobre quem não sabe nada, nem mesmo o nome completo.
Em meio a idas e vindas, encontros e desencontros, nossa autora ainda consegue lançar uma bomba no colo dos leitores! Théo não é nada do que possamos imaginar dele, e por essa Débora Albuquerque não esperava.
Se você curte comédias românticas, situações inusitadas, uma pitada de erotismo e romances que contêm porções generosas de tudo o que o Rio de Janeiro tem a oferecer, então “Aluga-se um Noivo” vai se provar uma leitura mega divertida, ao melhor estilo despojado que uma narrativa em primeira pessoa pode trazer e com uma reviravolta de tirar o fôlego!

A leitura é fácil, leve e divertida até mesmo quando traz certa dose de drama! E o final... ah, o final! Um show à parte! Um verdadeiro mimo aos românticos de plantão.

Entrevista: Clara de Assis



Clara de Assis é brasileira, carioca, conquistou dois diplomas que não fazem a menor diferença para uma escritora. Começou a escrever pequenos contos aos dez anos. Leitora compulsiva, pragmática e de riso fácil. Esquece o que comeu no dia anterior, mas guarda suas sinopses na cabeça, algumas ainda em fase embrionária há anos.
Atualmente mora com a família em Niterói/Rio de Janeiro.

Liga dos Betas (LB): Autora, beta, revisora, mãe, trabalhadora em doses industriais… Muito obrigada por teres arranjado um tempinho para a entrevista, Clara. Em consistência com esta tua característica, a primeira pergunta também se desdobra em várias. Como e por que começaste a escrever? Coincidiu com o momento em que começaste a publicar as tuas histórias online?

Clara de Assis (CA): Oi, Liga... Antes de tudo eu agradeço a oportunidade de poder falar sobre meu trabalho, o tempo e o interesse de vocês também. Escrevo desde os nove anos, mas, por favor, não me faça mostrar pois tenho senso do ridículo, hahaha. Minha primeira publicação foi no Nyah, há três anos, com um nick diferente do meu nome; foi um teste, eu queria saber se o que eu escrevia prestava; era Fantasia, por motivos de: eu adoro RPG. Não deu muito certo, óbvio, hahaha No ano seguinte eu coloquei minha cara pra bater e testei alguns gêneros, e não é que teve gente que gostou?

LB: Engraçado as coisas que podem dar certo quando nos arriscamos, não é? E ok, não iremos pedir os teus escritos de quanto tinhas nove anos… Mas vamos perguntar sobre a primeira coisa que te lembras de ter escrito. Em particular como te sentiste nessa altura em relação à tua escrita, e como te sentes agora.

CA: Lembro bem que era um livro de época, naquele tempo (não importa quanto no passado, hahaha), eu lia muito José de Alencar. Só o livro Senhora li oito vezes, a primeira vez aos três anos, porque eu queria ler tudo pela frente e é claro que eu não entendi patavinas. A cada período da minha infância eu fui lendo e relendo Senhora. Aos nove anos eu me achava especialista em romance de época, hahaha, e o que eu senti foi alívio quando terminei um caderno de 160 páginas. Foi: Ufa! Que bom que eu terminei, agora só falta plantar uma árvore. Estava na cara que o filho só muito mais tarde, rs. Hoje ... primeiro de tudo, não sei nada de nada. E o que sinto quando escrevo é liberdade, é algo que eu faço por mim, que (apesar de atingir outras pessoas) tem muito a ver com poder dizer: eu consigo criar.
Escrever é algo que não faço pra agradar ao meu pai, para agradá-lo eu fiz Arquitetura e Urbanismo. Tem a ver com prazer, com poder criar, dar vida, voz e forma para um personagem, posso matá-lo, posso casá-lo, posso fazê-lo feio ou lindo demais, ele pode ter manias e ele sempre vai ser meu. Podem até negar, mas quem escreve adora brincar de Deus.

LB: Julgo que os leitores concordarão que definitivamente consegues criar. Mas como foi o processo de pegar nessa criação, publicada na internet, e torná-la num livro? Refiro-me em específico a Aluga-se um Noivo, a tua estreia no mercado editorial.

CA: Vamos esclarecer isso de vez, Elyon. O livro estava pronto; Carol, minha grande amiga, estava trabalhando em SP na época das postagens, ela lia o Nyah e eu postava pra ela, depois de adaptar um texto que já existia, já estava registrado, enfim. Então foi o inverso, não foi a fic que virou livro, foi o livro que virou fic, tanto que há muitos capítulos que eu não ousei postar. A estreia foi completamente atropelada por culpa de plágio e reprodução indevida. Eu sou perfeccionista, não falo isso com prazer, é um defeito, então, eu queria "sentir o terreno", saber se o livro poderia ser publicado, se haveria retorno. Bom, o livro foi aceito, foi plagiado algumas vezes, reproduzido sem minha autorização muitas outras, e até mesmo um mito eu virei (será que Clara de Assis existe?) Soube dessas histórias conversando com algumas parceiras de eventos literários... Enfim, daí no meio do caminho contratei uma pessoa pra betar que me entregou o livro como pronto, mas não estava. Enfim, ele foi muito zoado... Coitado do Théo, hahaha. Vamos ver se nas continuações eu consigo lançar sem atropelos, como foi o caso do Dragão de Jade, esse saiu direitinho, quotes, book trailer, capa revelada, livro. Foi maravilhoso.

LB: Um plot twist! Mexendo ainda um pouco no desagradável, visto as tuas (infelizmente) várias experiências com plágio, qual é na tua opinião a melhor maneira de se lidar com isso?

CA: Ai, eu vou tentar ser sucinta, moças, porque eu tenho uma opinião extensa sobre o assunto....
Respeito. Tudo começa com Respeito. Muitas pessoas não fazem ideia de que prejudicam o autor de maneira colossal, e os que têm essa consciência pedem o arquivo pirata porque querem ter vantagem. Eu não vejo o sujeito que pede o arquivo menos culpado do que quem quebrou o DMR e quem passou adiante. Só há prática ilícita se tiver quem corrobore, quem bata palma. É triste pra caramba, mas a maioria das pessoas que prejudicam o autor não o conhece, não o respeita como indivíduo.
Uma pergunta para se pensar: Será que eu tenho coragem de roubar meu amigo, estar com ele, perceber seu sacrifício, o tanto que abre mão de muitas coisas pra realizar aquele feito e então eu vou roubá-lo?
A maioria que plagia, que pirateia, não respeita o outro, o trabalho, a vida, não tem competência para se colocar no lugar do outro.

LB: Olhando para a introdução desta entrevista, dá logo para perceber que és uma pessoa atarefada. Como concilias a faceta de escritora com as restantes partes da tua vida?

CA: Essa sim é a pergunta mais difícil de todas, hahaha E eu não sei te responder, as coisas vão acontecendo! Eu estou aqui com vocês, mas já dei comidinha para as crianças, já fui andar pela casa pra ver o que tem de ser feito amanhã, enquanto vocês preparavam a pergunta eu fui lá na fábrica em que o Anghelo prepara a cerveja e já o ajudei a fechar um fermentador, hahahaha Voltei, passei pela sala, vi os meninos jogando Xbox, já respondi três leitoras e agora estou digitando isso enquanto falo com a minha mãe no telefone. Eu não sei... As coisas só.... acontecem!

LB: Fiquei cansada só de ler. Então, dentro desse “acontecer”, como é o teu processo criativo? Inventas na hora ou preferes estruturar e planear tudo antes de começar?

CA: Eu estruturo tudo antes, Elyon. Evelyn [beta/revisora] pode confirmar, ela deu uma lidinha numa das minhas estruturas, rsrsrs.

LB: Já deu para perceber por alguns detalhes numa resposta aqui e ali que dás o teu trabalho a ler a algumas pessoas antes de o tornar público. Como funciona essa relação autora/beta? Ou estão mais para revisoras?

CA: Eu gosto de saber se estou indo por um caminho certo, estou longe de ser a dona da verdade e não tenho vergonha de pedir ajuda, eu já tive uma história jogada no lixo inteirinha por uma das minhas revisoras, hahaha... Era pra ser uma piada, mas ela ficou passada com o nível de loucura, então vai virar fic só pra gente se divertir, hahaha. Minha relação com a Evelyn é boa, hahaha, eu falo “pode mexer, mas não mate ninguém por favor”, hahahaha. Minha relação com a Vânia Nunes é conturbada, nos amamos e brigamos muito, porque eu falo... coisas, ela puxa minha orelha e tende a me esganar, hahaha. Eu gosto de saber se o povo vai querer ler, acho o trabalho do beta e do revisor fundamental! Só Deus sabe o quanto eu sofri quando vi minha história com mil erros invadindo a casa das pessoas... Quem acha que não precisa de beta precisa rever seus conceitos.

LB: Falando em livros a invadirem a casa das pessoas (esperemos que sem a dor de mil erros), que estratégias de divulgação usaste, e quais as que tiveram mais sucesso?

CA: Nenhuma estratégia maluca. O boca-a-boca ainda é a melhor propaganda. Tenho parcerias, sempre posto degustação antes de "cobrar", tem a página do face e minha página pessoal... Nada demais. Por isso que eu só posso agradecer aos leitores que indicam, sempre falo que tenho os leitores mais legais do mundo, são educados, são carinhosos, se preocupam comigo (além dos livros). Se meus livros ficam em primeiro nas vendas, pode apostar que são eles que fazem muito por mim. Só posso agradecer.

LB: Os leitores-sonho de qualquer autor, então, ahah. E a tua faceta de leitora? Quais são as tuas histórias favoritas (além de Senhora) e quais sentes que mais te influenciaram?

CA: Sou chata pra livro nacional. Tem muita gente que se acha autor, mas não é; tipo, colega, pare, você está fazendo isso errado, hahaha. Pesquisa é importante, verossimilhança é importante, observar os furos (sinopse de: mocinha forte, mas que passa dez capítulos chorando, oras, tem algo errado aí). Inconsistência de enredo... Gente, um beta serve pra isso! Pra caçar e exterminar esses probleminhas! Por isso eu sou bem chata pra livro nacional. Amo de paixão Lucy Vargas, a pesquisa que ela faz é primorosa! O cuidado com o texto, o amor que ela coloca nas páginas, ela respeita o trabalho dela. Quem tem lugar garantido na minha estante: RLaila, Evy Maciel, Evelyn Santana, Lucy Vargas, Barbara Biazioli, Anna Julia Ventura... Tem mais algumas, essas são as que eu mais tenho contato, então eu lembro logo, rs. Eu gosto de romance histórico: Lisa Kleypas, Mary Balogh, Julia Quinn. Gosto de distopia: GOT, Jogos Vorazes, Divergente... Meu estilo como leitora é bem diversificado. De Lauren Kate (Fallen) até Shakespeare, depende do momento. Quem me inspira... Depende do que eu estiver escrevendo.

LB: Por fim, a última questão: algum conselho para aqueles ficwritters que desejam lançar-se no mercado editorial?

CA: Uma boa ideia não serve de nada se não for bem executada. Estudar é um conselho que eu me dou diariamente, ter carinho com seu próprio trabalho e respeitar o leitor. Todo autor acha que sua história é o próximo boom de lançamento; gente, um pouquinho de humildade faz um bem enorme! Mas quer saber...? Quem tem amor pelo que faz não precisa de conselho, porque sempre vai procurar o melhor para sua história, vai se preocupar em ter um beta/revisor, vai se colocar no lugar do leitor.... É só ter amor, colocar respeito e paixão que tudo vai dar certo.

LB: Muito obrigada pelo tempo e palavras despendidos! Tivemos respostas interessantíssimas, com certeza serão lidas com avidez.

A resenha do livro Aluga-se um Noivo será publicada aqui no blog na próxima Quinta-feira.

Gêneros Polêmicos (03/03)



Por: Anne L


Atenção: Este post tratará de temas polêmicos, rejeitados pela sociedade como um todo por ofenderem a moral, os bons costumes, algumas religiões e, em alguns casos, até a lei vigente de um país. Se o assunto incomodar você de alguma forma, não leia.

Levou uma vida e meia, mas eu voltei, rs. Vamos aos últimos gêneros.

5. Canibalismo – Acho que todo mundo sabe o que é, mas vamos à definição assim mesmo (do dicionário Priberam):

ca·ni·ba·lis·mo 
(canibal + -ismo)

substantivo masculino
1. Qualidade ou hábito de pessoa ou de grupo humano que come carne humana. = ANDROFAGIA, ANTROPOFAGIA
2. [Ecologia]  Qualidade ou hábito de um animal comer carne de outro animal da mesma espécie.

Há ainda outros significados, mas os importantes para as histórias são esses.
Considero este item um dos mais palpáveis da lista, ainda mais num mundo pós-Hannibal, que popularizou tanto esse termo (por causa do apelido “Hannibal the Cannibal”) quanto “psicopatia” e que familiarizou muita gente com ele através dos livros, filmes e, recentemente, do seriado. A abordagem que fizeram neste último, aliás, é bem interessante de se analisar. O transtorno de personalidade antissocial (não, não se diz “psicopatia”) do personagem-título faz com que ele enxergue as pessoas não como seres humanos exatamente, mas como presas. Matar alguém e arrancar seus pulmões porque surgiu a vontade de cozinhar um prato com esses órgãos não é muito diferente de ir a um açougue e comprar a carne de algum animal.
Particularmente, gosto dessa naturalidade como ele trata o ato, como se não fosse nada de mais. Hannibal passa horas criando os pratos mais refinados e elaborados com os frutos de seus crimes e diverte-se servindo-os para seus amigos e colegas. Ele tem consciência do que é certo e do que é errado, porém age de acordo com seus desejos. Como muitos serial killers, é um personagem tão complexo e profundo que eu poderia passar horas falando sobre ele, mas ainda temos 3 gêneros pela frente, então, paro com “Hannibal” por aqui.
Outra faceta do canibalismo vem com os costumes de algumas tribos, por exemplo, nas quais esse ato ocorria como forma de se absorver as virtudes dos mortos. Às vezes, a pessoa pedia em vida que sua carne fosse devorada por alguém da tribo, uma honra sem tamanho. Ao ingerir parte de outro membro da tribo, você poderia ganhar a força dele, a inteligência, a virilidade. É uma perspectiva interessante para usar em uma história, além de fugir daquela coisa de serial killer que, especialmente nos últimos 10 anos, tem sido recorrente na mídia. Não me lembro de já ter visto muitas assim no Nyah!.
Um terceiro caso é o do canibalismo motivado pela sobrevivência. Por exemplo: se um avião cair em uma região muito fria e longe da civilização, deixando como única opção de sustento comer a carne das pessoas que já morreram (ou que ainda estão vivas, se você quiser trabalhar com a questão da loucura e do instinto de sobrevivência, que levam alguém “bom” e “comum” a cometer um assassinato por conta das circunstâncias).
Existem muitas possibilidades. O que importa é o autor estar disposto a pesquisar, construir e desenvolver seus personagens de modo que, caso ele venha a praticar o canibalismo, fique plausível. Para quem quiser ler um pouco mais sobre os serial killers que faziam isso (esse tipo de personagem é um dos mais difíceis de fazer, na minha opinião), no final do post, tem o link de um site de que eu gosto bastante.

6. BDSM – É um acrônimo para “bondage e disciplina, dominação e submissão, sadismo e masoquismo”. Não tem nada a ver com violência doméstica e/ou estupro, gente, tirem isso da cabeça. Também não considero “50 Tons de Cinza” uma boa fonte de informação sobre o assunto (ou sobre qualquer coisa na vida, mas enfim), então, não usarei a trilogia de base. Apesar dos pesares, foi ela que popularizou BDSM nos últimos tempos, portanto, pelo menos, darei esse crédito à autora.
A chave para se trabalhar com esse gênero é pensar que tudo o que ocorre entre os praticantes é consensual. É preciso certo grau de confiança para você aceitar que seu parceiro amarre alguma parte do seu corpo, por exemplo (bondage), sabendo que ele não vai machucá-lo e que, no fim das contas, tudo o que fizerem será para o prazer de ambos. E essa confiança deve ser mútua.
É nessa parte que vejo muitas fics falhando, “ampliando” as regras dessa prática ou mesmo ignorando-as totalmente para dar um tom mais sexy ou mais pessoal à história. Porque não tem nada mais sexy que alguém insistindo em fazer algo com você apesar dos seus protestos para a pessoa parar, certo? Errado. Tudo errado. Erradíssimo. Muito cuidado aqui para não transformar sua história linda com BDSM em um caso estranho de romantização de estupro e violência doméstica. Eu não diria que a linha entre as duas partes é tênue, mas já vi que muitas pessoas são incapazes de ver qualquer linha quando o assunto é fic. Vocês já estão cansados de saber, porém, que o que pode diferenciar seu texto lindo de uma representação pavorosa da comunidade BDSM é a pesquisa. Basta ler relatos, ver como funciona, descobrir até mesmo as definições de cada área certinho, e você vai se sair bem.

7. Necrofilia e Zoofilia – Para começar, as definições:

ne·cro·fi·li·a 
(necro- + -filia)

substantivo feminino
[Psicopatologia]  Perversão sexual que procura a sua satisfação nos cadáveres.

zo·o·fi·li·a 
(zoo- + -filia)

substantivo feminino
1. Gosto de animais.
2. Qualidade de quem é zoófilo.


“Ai, Anne, que horrorosa você, colocou os dois juntos porque são a mesma coisa?!” Não, nada disso. Só ler as definições para ver que não são a mesma coisa. A razão para eu falar de ambos ao mesmo tempo é que, o “ato”, propriamente dito, se dá de maneira similar: através do estupro. Animais não podem se defender de um ataque desses (alguns até podem, mas acho improvável que o praticante procure um leão para fazer isso ou coisa assim), muito menos cadáveres (a não ser que sua fic tenha uma pegada de fantasia e o morto vá se vingar depois ou algo do tipo).
Acho a parte mais tensa dos gêneros polêmicos, porque me parecem os mais difíceis de se dobrar para algo que o leitor possa considerar legal ou mesmo interessante. Envolve muito desenvolvimento emocional e psicológico dos personagens e um esforço para que, ainda que errada, a atitude deles seja convincente. Às vezes, o foco pode ser a luta contra essas vontades, como a vida da pessoa é afetada por isso, seus relacionamentos, seu emprego, etc. Talvez ela não entenda por que se sente assim ou o contrário, entende, sabe que é errado e não consegue evitar. Dá para escrever uma long inteira só com base nisso. Porém, nada o impede, é claro, de criar um personagem que simplesmente tenha uma tara por cadáveres ou animais e que procure satisfazer os próprios desejos sem tratar essas parafilias com muita profundidade. Depende da proposta da história.


O objetivo do post, naturalmente, não foi escrever um artigo acadêmico sobre cada gênero (o que eu pensei que fosse óbvio, porém, alguns comentários me levaram a ressaltar isso aqui), mas falar um pouco sobre cada um e mostrar as definições para quem estava perdido com tanto nome estranho e confundindo shotacon com zoofilia, e assim por diante. Se vocês quiserem que a gente se aprofunde em algum, basta pedir nos comentários.
Apesar da polêmica, são todos gêneros muito legais e complexos para se usar nas histórias, podendo até servir como o diferencial delas, caso você trabalhe bem com o assunto. E essa parte eu já expliquei diversas vezes, não é? Basta fazer muita, muita, muita pesquisa e desenvolver bem o lado psicológico dos personagens.



Links: "canibalismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/canibalismo [consultado em 20-07-2015].

Site sobre canibalismo/serial killers http://oaprendizverde.com.br/tag/canibalismo/ [consultado em 20-07-2015]


"necrofilia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/necrofilia [consultado em 20-07-2015].

"zoofilia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/zoofilia [consultado em 20-07-2015].

Entrevista com a moderadora Kaline Bogard, que é psicóloga.




Resenha: A Luz de Cada Mundo



Por: SayakaHarume
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/35539/

Então, gente! Aqui venho em nome da Liga dos Betas apresentar uma resenha sobre um livro nacional de um autor iniciante. Farei meu melhor para não apresentar spoilers e não estragar a surpresa de ninguém quando forem conferir essa obra.

Título: A Luz de Cada Mundo
Autor: Rennan Andrade
Editora: Autopublicação
Número de Páginas: 391
ISBN: -

Sinopse: O livro conta a história de Ryze Hope, um garoto de 16 anos sem muitas expectativas que logo descobre ser dono do dom da magia. No entanto, seus poderes só funcionam quando tem seu colar (que usa desde o nascimento) pendurado no pescoço, e também quando está junto a Chloe Lights, uma garota extremamente patricinha.
Juntos, eles vão atrás de seu passado e descobrem serem os escolhidos para continuar uma tradição que já dura séculos, e para isso eles precisarão viajar por mundos desconhecidos, matando os representantes do imperador da magia negra, Ronan, e restaurando a fé dos mundos, assim como dos seus representantes da luz.

Resenha: A Luz de Cada Mundo acompanha a história de Ryze Hope e Chloe Lights. Chloe é uma estudante transferida e, quando os dois se conhecem, rapidamente percebem que ambos possuem pingentes que começam a brilhar quando estão juntos. Logo descobrem outras coincidências, como terem nascido no mesmo dia, no mesmo hospital, e pelas mãos do mesmo médico.
Com um pouco de investigação, logo descobrem que esse médico, Doutor Buddy K. Holmes, é o guardião mágico dos dois, e que ambos tinham herdado os poderes de uma poderosa maga chamada Maya e que eles tinham como missão derrotar o maligno Rei Ronan, que reencarna em um mortal a cada mil anos. Esse é o pontapé da história, onde eles viajam por vários mundos para combater a magia negra enquanto correm contra o tempo.
Quem gosta de jogos de RPG ou MMORPG vai notar semelhanças de como a história se desenvolve, e isso, para mim, foi um ponto positivo, já que é esse desenvolvimento que me faz gostar tanto de jogos.
Sobre os protagonistas: Essa é uma opinião pessoal e possivelmente exagerada, porque o Ryze tem motivo para ser do jeito que é, e ele compensa no decorrer do livro, então, quando eu coloco na balança, minha antipatia por ele é injustificada. Porém, com a Chloe foi amor à primeira vista. Eles fazem uma boa dupla, ela sendo maluquinha do jeito que é e ele com sua visão um pouco pessimista do mundo.
É um ótimo enredo, e embora demore um pouco para dar aquela vontade louca de começar a ler sem parar, vale a pena, mesmo ficando um pouco arrastado em certos pontos. O mundo e regras são bem construídas e a variedade de personagens que aparecem é grande e o leitor vai se apegar a vários.
Um ponto negativo que devo apontar é que simplesmente não houve treinamento. Assim que Ryze e Chloe descobrem que têm esses poderes, eles já partem para a missão. Senti falta de um momento para eles realmente refletirem sob o peso da missão que estavam prestes a aceitar.
Existem alguns erros de pontuação de diálogos, mas nada que objetivamente atrapalhe a leitura.
Espero que tenham gostado da resenha e que confiram o livro quando sair!