Diferenças Entre as Religiões e Denominações Cristãs

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018


Olá!

 Se você está pensando em escrever uma história que aborda a religiosidade, clicou no artigo certo. É sempre necessário pesquisar tudo o que puder sobre o tema que se planeja tratar. Ainda mais quando se fala em algo tão delicado quanto a religião.

 Com o passar dos séculos e a evolução da humanidade, muitas religiões surgiram e desapareceram, e um artigo só não bastaria para falar sobre todas elas. Por isso, vamos focar aqui nas principais religiões que são praticadas atualmente no mundo.

 Para começar, é importante definir o que é religião. Religião é um conjunto de símbolos, crenças, rituais e tradições que rege um grupo de fiéis nos aspectos espirituais e morais. Geralmente, uma religião tem sua base na crença do sobrenatural, da existência de um poder divino que comanda o destino da humanidade e que deve ser temido (no sentido de ser respeitado, obedecido).

 Atualmente, as principais religiões do mundo são:

1. Cristianismo
  1. Origem: fundada pelos seguidores de Jesus Cristo em 30 d.C. (estimativa).
  2. Adeptos: cristãos - aproximadamente 2,2 bilhões
  3. Crença: monoteísta - Deus Uno e Trino; Pai, Filho e Espírito Santo (formando a Santíssima Trindade); santos e profetas; anjos e demônios.
  4. Na prática:
    * batizado dos recém-nascidos;
    * seguimento e reflexão da Bíblia Sagrada (Cristã);
    * em memória da morte e ressurreição de Jesus Cristo, celebra-se a eucaristia (comunhão);
    * atividades religiosas aos domingos.
     Os cristãos acreditam que Jesus Cristo, filho de Deus, veio ao mundo para salvar a humanidade. Para eles, Deus é onipresente e onisciente, ou seja, está em todo lugar e sabe de todas as coisas.
     Têm o propósito de viver sob os mandamentos de Deus para alcançar o perdão dos pecados e, assim, ter a vida eterna.
     Há divisões dentro desta religião, mas sua base está presente em todas elas.
  5. Para saber mais: documentário da BBC sobre a história do cristianismo - https://goo.gl/LXvNXT.

2. Islamismo
  1. Origem: fundada pelo profeta Maomé no início do século VII.
  2. Adeptos: muçulmanos - aproximadamente 1,6 bilhões.
  3. Crença: monoteísta - Deus único chamado Alá; Maomé e outros profetas; anjos e jinns (espíritos que podem ser bons, mas em sua maioria são maus).
  4. Na prática:
    * obediência aos cinco pilares do Islã: fé, oração, peregrinação, esmola e jejum;
    * seguimento e reflexão do Alcorão;
    * não se pode consumir carne de porco, cão ou gato;
    * exercício do Ramadã, mês em que se pratica o jejum desde o nascer até o pôr-do-sol.
    * atividades religiosas às sextas-feiras.
     Os muçulmanos seguem os mandamentos da lei islâmica (a sharia), e acreditam que os ensinamentos de Alá contidos no Alcorão foram revelados a Maomé pelo anjo Gabriel. Assim como a Bíblia Cristã, o Alcorão apresenta admoestações sobre o Juízo Final e sobre a conduta ética e moral que seus fiéis, bem como histórias sobre Maomé e outros profetas.
     Também como os cristãos, os muçulmanos creem que, após a morte, as pessoas boas vão para o Paraíso, e as más, para o Inferno.
     Existem vertentes dentro desta religião com diferenças significativas relacionadas, principalmente, às concepções de liderança.
  5. Para saber mais: documentário sobre a história do Islã - https://goo.gl/f5obYA.

3. Hinduísmo
  1. Origem: Índia.
  2. Adeptos: hindus - aproximadamente 900 milhões.
  3. Crença: politeísta - Brama representa a força criadora ativa no universo, se manifestando em cerca de 330 mil deuses e deusas; Brama, Vishnu e Shiva são os deuses que formam a Trimúrti (a trindade hindu).
  4. Na prática:
    * devoção a um deus ou a uma deusa hindu;
    * crença no carma (a lei do retorno), a força que define que todas as ações têm consequências diretas;
    * exercícios de meditação e yoga;
    * peregrinação às cidades sagradas da tradição hindu.
     O hinduísmo tem suas doutrinas baseadas nas escrituras sagradas do livro de Vedas, e abrange uma vasta gama de seitas e variações (que podem ser politeísta ou monoteístas).
     Para os hindus, os humanos são escravos da ignorância, mas podem e devem evoluir espiritualmente. Eles creem que, após a morte, a alma reencarna diversas vezes até atingir o Nirvana (o ápice da evolução espiritual).
  5. Para saber mais: documentário da universidade Estácio de Sá (Vitória - ES) sobre o hinduísmo - https://goo.gl/1hMfyn.

4. Religião Tradicional Chinesa
  1. Origem: China.
  2. Adeptos: aproximadamente 400 milhões.
  3. Crença: politeísta - Guan Yu é o deus supremo; dualista - baseada no yin e yang.
  4. Na prática:
    * culto e devoção aos ancestrais;
    * adivinhações e profecias;
    * práticas de longevidade;
    * exercício do feng-shui: um prática chinesa que envolve arte e ciência, tendo o propósito de atrair influências positivas da natureza.
     O termo “religião tradicional chinesa” engloba a complexas interações entre as várias religiões e tradições filosóficas que se manifestam no território chinês. Misturam crenças, práticas e rituais de diferentes doutrinas como o Budismo, o Confucionismo, o Taoísmo e outras religiões menos populares.
     O objetivo dos adeptos desta religião é viver de modo favorável e alcançar a vida após a morte, reverenciando os ancestrais em ritos de homenagem. Acreditam no Juízo Final, que guia as almas para a reencarnação ou para o inferno temporário. Após a passagem pelo inferno, as almas podem voltar ao ciclo de reencarnação até que atinjam o Nirvana.
  5. Para saber mais: artigos com fotos e vídeo sobre as doutrinas da China - https://goo.gl/2C1oxW, https://goo.gl/eQGx6k

5. Budismo
  1. Origem: fundada por Sidarta Gautama (Buda), em 520 a.C. (estimativa).
  2. Adeptos: budistas - aproximadamente 376 milhões.
  3. Crença: não há um deus, apenas um líder espiritual (Buda); vertente politeísta e ateia.
  4. Na prática:
    * exercícios de meditação e mantras;
    * leitura de cânones;
    * devoção às divindades (dentro das seitas politeístas);
    * adoração às mandalas budistas.
     O budismo acredita no ciclo reencarnação, onde as vidas presentes e passadas estão interligadas, até que se atinja o Nirvana e se consiga a plenitude da natureza humana. Para seus fiéis, o carma passado e/ou presente determina consequências (frutos) e/ou resultados (vipaka); ele é gerado pelas ações do corpo, da fala e da mente (pelas reais intenções mentais).
     Existem diferentes escolas dentro desta religião que se dividem em: Escolas Antigas, Escolas Mahayana e Escolas Vajrayana.
  5. Para saber mais: documentário sobre a história do budismo - https://goo.gl/oigwqp.

6. Sikhismo
  1. Origem: fundada pelo Guru Nanak, na província de Punjab na Índia, no fim do século XV.
  2. Adeptos: sikhs - aproximadamente 20 milhões.
  3. Crença: monoteísta - Deus supremo chamado Ik Onkar (ou Nam).
  4. Na prática:
    * uso de turbantes;
    * orações e meditações sobre Deus;
    * equilíbrio entre trabalho, culto e caridade;
    * cerimônia de iniciação à comunidade sikh, chamada de khalsa.
     Os sikhs têm o objetivo de superar a si mesmos, alinhando a vida com a vontade divina para lutar pelo bem da humanidade e se tornar um “soldado santo”. Também acreditam na reencarnação, que termina após a solução das falhas humanas numa busca pela união com Deus.
     Uma das tradições do sikhismo consiste em levar as crianças recém-nascidas a um gurdwara (templo sikh). Lá, abre-se o Guru Granth Sahib (o principal texto religioso) numa página qualquer para se escolher um nome. Ele começará pela primeira letra da primeira palavra da página do lado esquerdo, na parte em que o livro foi aberto.
  5. Para saber mais: documentário da Globo sobre o sikhismo - https://goo.gl/PVhFEB.

7.  Judaísmo
  1. Origem: Palestina, 1300 a.C. (religião hebraica).
  2. Adeptos: judeus - aproximadamente 15 milhões.
  3. Crença: monoteísta - Deus único chamado Adonai; Abrãao como patriarca.
  4. Na prática:
    * circuncisão no nascimento;
    * leitura e reflexão da Bíblia Hebraica;
    * celebração do Bar Mitzvá (para meninos aos 13 anos e um dia) e do Bat Mitzvá (para meninas aos 12 anos e um dia), que marcam a passagem para a maioridade religiosa;
    * reserva dos sábados para descanso;
    * cultos nas sinagogas e nos templos judeus.
     O judaísmo objetiva uma vida ética sob a obediência aos mandamentos divinos contidos na Torá, que foi revelada a Moisés por Deus. Dentre seus fiéis, há aqueles que acreditam numa vida após a morte (no “Mundo Vindouro”, o paraíso), e há aqueles que descartam a ideia. A religião em si não determina nada exato em relação a esse quesito.
     Os judeus praticam uma tradição matriarcal, ou seja, um filho de mãe judia também será judeu.
     A religião possui três grupos diferentes: o ortodoxo, o conservador e o reformista.
  5. Para saber mais: documentário sobre a história e origem do judaísmo - https://goo.gl/PpfXof.

8.  Espiritismo
  1. Origem: fundado nos EUA após a difusão do O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec (França, 1857).
  2. Adeptos: espíritas - aproximadamente 13 milhões.
  3. Crença: a crença oficial é baseada na doutrina e no Deus cristão, mas existem variações.
  4. Na prática:
    * comunicação com os espíritos dos mortos;
    * medicina espiritual;
    * leituras de guias e idas a centros espíritas.
     Na verdade, o espiritismo é mais um movimento do que uma religião. Seus princípios são baseados em cinco “obras básicas” chamadas de Codificação Espírita (também de Allan Kardec).
     Para os espíritas, o corpo e o espírito são entidades separadas. Acreditam que seguir valores morais e manter contato com espíritos afeta a vida após a morte. Quando uma pessoa morre, seu espírito vai para o Céu, ou fica preso neste plano até que tenha evoluído o suficiente para seguir seu caminho em forma de luz.
  5. Para saber mais: documentário da BBC - https://goo.gl/Bmkmhc.


 Como dito anteriormente, há divisões dentro da religião cristã, e um dos pedidos para esse post foi a diferenciação entre elas. No Brasil, convivemos diariamente com a maioria dessas divisões, mas quem as observa de fora pode confundi-las, ou ficar com a impressão de que são todas iguais. Apesar de a base do cristianismo (as informações listadas lá em cima) estar presente em cada uma de suas divisões, podemos encontrar muitas divergências.
 Dê uma olhada na lista a seguir com as principais ramificações cristãs:

1. Catolicismo
  1. Hierarquia: o papa é a autoridade máxima dentro da Igreja.
  2. Sacramentos: batismo, eucaristia, crisma, casamento, ordem, penitência e extrema unção.
  3. Salvação: fé e boas obras.
  4. Escrituras: Bíblia e livros deuterocanônicos (sete livros que foram retirados da atual tradução do Antigo Testamento).
  5. Particularidades:
    * latim como língua litúrgica oficial (mas as missas podem ser celebradas em qualquer idioma);
    * uso de terços, crucifixos e imagens (estátuas) de santos (importante lembrar que católicos não adoram imagens, apenas as usam como uma representação concreta dos santos).

2. Igreja Ortodoxa
  1. Hierarquia: descentralizada, porém representada pelo Patriarca de Constantinopla.
  2. Sacramentos: batismo, eucaristia, crisma, casamento, ordem, penitência, extrema unção, jejum e doações.
  3. Salvação: fé e boas obras.
  4. Escrituras: Bíblia e livros deuterocanônicos.
  5. Particularidades:
    * todas as missas são realizadas na língua vernácula;
    * uso de rosários, crucifixos e imagens pintadas (quadros) de santos (importante lembrar que ortodoxos não adoram imagens, apenas as usam como uma representação concreta dos santos).
    > Para conferir diferenças mais detalhadas entre a Igreja Católica e a Ortodoxa, dê um pulinho aqui: https://goo.gl/oPkhvo.

3. Anglicanismo
  1. Hierarquia: centralizada de forma moderada, com o arcebispo da Cantuária como símbolo de unidade mundial.
  2. Sacramentos: batismo e eucaristia, são os principais; crisma, casamento, ordem, penitência e extrema unção são tidos como sacramentos menores (ritos sacramentais).
  3. Salvação: fé.
  4. Escrituras: Bíblia e livros deuterocanônicos (com restrição às seções mais protestantes).
  5. Particularidades:
    * não possui língua litúrgica oficial.
    * a Igreja Anglicana se descreve como uma instituição que manteve alguns elementos católicos, mas que também incorporou elementos protestantes.

4. Luteranismo
  1. Hierarquia: descentralizada.
  2. Sacramentos: batismo e eucaristia.
  3. Salvação: fé.
  4. Escrituras: Bíblia e livros protocanônicos (que foram retirados da atual tradução do Antigo Testamento).
  5. Particularidades:
    * a Bíblia pode ser livremente interpretada.

5. Igreja Batista
  1. Hierarquia: descentralizada.
  2. Sacramentos: não há. O batismo é voluntário e a Ceia do Senhor, memorial; ambos são tidos como ritmos comunitários.
  3. Salvação: arrependimento e contrição.
  4. Escrituras: Bíblia (com ênfase no Novo Testamento).
  5. Particularidades:
    * a Bíblia pode ser livremente interpretada;
    * separação entre Igreja e Estado.

6. Presbiterianismo
  1. Hierarquia: descentralizada.
  2. Sacramentos: batismo e eucaristia.
  3. Salvação: predestinação.
  4. Escrituras: Bíblia e livros protocanônicos.

7. Adventismo
  1. Hierarquia: escolhido por voto, o presidente da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia é a autoridade máxima.
  2. Sacramentos: batismo, eucaristia e lava-pés.
  3. Salvação: fé e boas obras.
  4. Escrituras: Bíblia e Obras de Ellen G. White.
  5. Particularidades:
    * sábado como dia de descanso;
    * separação entre Igreja e Estado;
    * mortalidade da alma e volta de Jesus Cristo.

8. Metodismo
  1. Hierarquia: descentralizada.
  2. Sacramentos: batismo e eucaristia.
  3. Salvação: em três passos - graça previniente, conversão e santificação.
  4. Escrituras: Bíblia.

9. Testemunhas de Jeová
  1. Hierarquia: centralizada no Corpo Governante e suas corporações afiliadas.
  2. Sacramentos: batismo.
  3. Salvação: fé e obras de evangelização.
  4. Escrituras: Bíblia, com exclusão dos livros apócrifos (e na tradução do Novo Mundo).
  5. Particularidades:
    * evangelização de casa em casa;
    * paraíso na terra como esperança.

10. Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmon)
  1. Hierarquia: presidente da igreja (com sede em Salt Lake City) é a autoridade máxima.
  2. Sacramentos: batismo, crisma, casamento e ordem.
  3. Salvação: boas obras.
  4. Escrituras: Bíblia, Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e Pérola de Grande Valor.
  5. Particularidades:
    * pré-existência da alma antes da encarnação.

 Existem outras ramificações cristãs, mas procurei listar aqui as que mais encontrei pelas fanfics do Nyah!. Aqui você encontra uma linha do tempo com mais ramificações: http://arte.folha.uol.com.br/poder/2016/12/25/arvore-religioes/.
 Independentemente da religião que escolher abordar em sua história, tenha em mente que esse post contém apenas características básicas para uma diferenciação mínima, e que, claro, existem outras religiões além das que apareceram aqui. Para descobrir mais particularidades sobre a sua escolha, aposte nestas dicas:
  1. Documentários: nesse mundo vasto chamado internet, você consegue encontrar documentários em várias línguas e durações sem muito esforço. Antes de assisti-los, cheque as críticas para saber o que vai encontrar (procure sempre pelos conteúdos neutros).
  2. Artigos: muitos veículos de informação têm artigos super esclarecedores sobre as religiões do mundo (como BBC, Globo, Superinteressante…). Além deles, você pode contar com sites dedicados à religião que você escolher, onde, geralmente, o conteúdo é mais rico em detalhes.
  3. Pesquisa de campo: se possível, vá a uma celebração/cerimônia dessa religião para observar com seus próprios sentidos a reação dos fiéis e a realização dos ritos, por exemplo. Se conhecer algum praticante, tente uma entrevista para tirar suas dúvidas.
  4. Pesquisa, pesquisa e pesquisa: apoie-se em imagens, músicas, vídeos de depoimentos/celebrações e tudo o mais que puder encontrar sobre a religião escolhida. Claro, sua história não tem de ser uma aula de religião, mas incrementá-la com alguns detalhes únicos a deixará muito mais palpável para os leitores!

  Agora, e se você ainda não escolheu que religião abordar? Não se preocupe! Temos dicas para esse caso também:
  1. Local/Época: definindo esses dois pontos sobre seu enredo, você pode pesquisar quais eram as religiões mais populares no espaço entre eles e qual se encaixa melhor no plot.
  2. Características dos personagens: de acordo com o perfil dos seus personagens, qual religião você acredita que eles se encaixariam?

 Bom, esse foi nosso post sobre as diferenças entre as principais religiões. Obrigada por ter lido até aqui. Espero ter te ajudado pelo menos um pouquinho, e também espero criar uma ótima história!
 Se restar alguma dúvida, fique à vontade para me contatar pelo Nyah.
 Até mais ver!

Referências

Entrevista com Mariléa Antunes Costa, formada em Teologia (para leigos) pela Faculdade Paulo VI (Mogi das Cruzes - SP).
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20 Dicas para Manter a Inspiração

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Por: Hannah Dias



Olá, pessoal! Mais um post meu aqui no blog, que coisa linda!

Estamos aqui hoje para conversar sobre um assunto que todo escritor precisa parar para pensar um pouco. Utilidade pública, galera! O tema desse post é: INSPIRAÇÃO.

Essa palavrinha linda contrapõe uma chatinha que é a DESMOTIVAÇÃO, antônima da palavra MOTIVAÇÃO, que está ligada à INSPIRAÇÃO. Vamos falar disso hoje. Primeiro porque todo mundo precisa de um discurso bonito para melhorar o ânimo, segundo porque eu também estou precisando de um empurrão para tomar vergonha na cara e escrever minhas histórias.

Eu sei que a criação de uma história pode ser extremamente gratificante. Tudo parece em paz com a vida. O céu sorri para você. Os dias estão mais bonitos e parece que o Universo finalmente (finalmente!!) está ao seu lado para dar um "up" nas situações que você vive. Somos escritores aqui, tendeu? Eu sei disso. Tu sabes disso. Machado de Assis sabia disso.

O problema começa quando esse processo maravilindo tem alguns problemas no caminho. E eles são horríveis. Tudo despenca. Você não consegue escrever uma frase. Seus personagens não têm sentido, as cenas que pulavam na sua cabeça desapareceram e/ou perderam o brilho, sua gramática foge dos seus dedos e parece que aqueles bons 12 anos de escola não fizeram nenhuma diferença na sua vida. E o que você faz? Você desiste, deixa para depois, sente inveja do amiguinho que consegue escrever uns 20 parágrafos em uma tarde, toma um pote de sorvete, chora um pouquinho e vai assistir série.

Sem julgamentos. Eu também faço isso.

            Todo mundo fala da boa vida de escritor, mas ninguém te conta os contras que essa profissão incrível traz. Baixa autoestima, desespero, desesperança, tudo isso vem junto da alegria, realização e confiança.

            Mas, eu vou te contar um segredinho: todo aquele sentimento que você está falhando em toda palavra que escreve? Ele não existe de verdade. Você apenas falha quando PARA de escrever.
            Vou te dar 20 dicas para se motivar e se inspirar. VINTE! Vinte que vieram da minha cabeça e das pesquisas que o amigo Google proporciona. Todos eles funcionam, caso você esteja em sintonia com aquilo que ama: escrever.

1.      Escolha uma área agradável para escrever: Posso ser sincera e dizer que essa dica realmente funciona. Estou morando há quatro anos em Brasília, mas antes morei no Rio Grande do Sul. E quando me mudei, meu quarto era bem feinho. A luz era péssima, a cor da parede me lembrava vômito (sem brincadeira) e o meu guarda-roupa parecia aquele que leva a Nárnia. Pedi para minha mãe uma mudança e deixei tudo do jeito que eu mais queria. Hoje, amo escrever quando estou no meu quarto. Um sentimento bom demais.
2.      Tenha momentos de pausa: TODO mundo precisa dar um tempo em seu ofício. Mesmo o trabalho mais prazeroso pode causar estresse. Vá ler um bom livro, assistir um filme ou passear com o seu cachorro. Isso é uma ordem!!
3.      Desenvolva uma rotina: Eu acredito que aquela famosa expressão de "viver no automático" pode fazer bem. Uma rotina é o que mais motiva uma pessoa para levantar e fazer aquilo que está planejado para o dia. Existem diversas maneiras para planejar a sua rotina de forma divertida e gostosa. Quem sabe um planner ou um bullet journal?
4.      Identifique e SUPERE as suas limitações: Veja o que está te prendendo e tente mudar isso. É por causa da falta de vocabulário? Leia um livro. Falta de ideias? Veja um filme. É baixa autoestima? Leia esse post!
5.      Confie em sua criatividade: Ser um escritor é ser um ARTISTA. Você já tem toda a criatividade necessária para escrever uma boa história. Faz parte de quem você é. Confie nisso.
6.      Continue, continue, continue: Continue escrevendo! Não para! Go, go, go! Confie em si mesmo e pegue o papel (ou o computador) e escreva o que quiser. Nem que seja uma lista de compras do mês.
7.      NUNCA pare de aprender: Nosso português é rico em regras, palavras e tudo que há de bom. E, por ser tão diverso, é preciso ter sempre uma gramática por perto para estar "bebendo" do conhecimento contido nela. Minha antiga professora de português falava que a gramática era igual a problemas matemáticos: tem que treinar bastante! Aliás, não apenas a gramática! Exercite a sua mente em diversas áreas de aprendizagem para que suas histórias sejam ricas em conhecimento!
8.      Seja amoroso consigo mesmo: Por tudo que é mais sagrado, se trate com carinho. Você merece. Não seja exigente demais. Perfeccionista demais. NADA "demais". Apenas entenda que você tem (e vai continuar tendo, deal with it!!) limites e precisa aceitar eles, para que possa superá-los de maneira saudável.
9.      Lembre-se do porquê você escreve: Essa é uma dica importante. Por que você escreve?
10.  Comemore suas vitórias: Não existe pequena ou grande vitória. Qualquer meta que você cumpre merece comemoração. Se conseguiu escrever um parágrafo inteiro, fique feliz! Saia com os seus amigos, coma um pedaço de bolo, dance sozinho no quarto. Continue se motivando!
11.  Escreva o que você quiser: "Mas, se o que eu quiser escrever for muito comum?" Ok, pode ser comum, como um romance entre nerd e popular. Já vimos várias vezes, blah blah blah. O problema é que ainda não vimos o que foi escrito por você. Comum ou não. Sendo de sua autoria já será, na simplicidade da palavra, original.
12.  Assista filmes/séries ou ouça músicas que você ame: Como eu disse, somos artistas. Artistas precisam estar em contato com outros artistas. Pense comigo: uma música foi escrita por alguém. Querendo ou não, essa pessoa é um escritor e isso pode te motivar. Um filme ou uma série tiveram roteiros escritos por pessoas (alô, Shonda Rhimes, maravilhosa!!) e isso também pode te inspirar. Observar o trabalho de outras pessoas sempre faz bem para o nosso próprio desenvolvimento pessoal.
13.  Leia, leia e leia mais um pouco: O lado bom de ser escritor é a oportunidade de simplesmente GOSTAR de ler livros o tempo todo. Aprecie isso. Lendo, a sua escrita melhora uns 20% (nada fundamentado, apenas chutei um número. Hehe). Por que não? Além disso, ler é muito bom, gente. Fala sério!!
14.  Peça conselhos: O lado bom de se ter um beta (eu tive uma e ela estará sempre em meu coração) é que você aprende MUITA coisa. Com a minha beta (que tive aos meus 12 anos), aprendi tanto sobre escrever que fico até assustada. Sempre que eu tinha dúvidas, ela me ajudava com muita paciência e isso é muito bom. Peça ajuda das pessoas. Pergunte o que você não sabe. E veja a mágica acontecer.
15.  Planejar é legal, mas ficar apenas no planejamento não: Eu amo criar fichas e fichas de personagens para uma história nova. Eu crio de tudo. Parece que é a minha história em tópicos! O problema é ficar apenas no planejamento e nunca partir para a escrita, né? Planejar é bom, mas escrever é melhor.
16.  Veja fotos no Pinterest (hahaha!): ESSE EU AMO! PARA TUDO! Há dias que fico mais de duas horas apenas vendo foto no Pinterest e lá tem tanta coisa para se inspirar. Fique uma meia hora pesquisando fotos lá e entre para esse mundo repleto de inspiração!
17.  Mantenha perto o que te deixa feliz: Quando for escrever, deixe uma foto que você ama por perto. Um quadro, um livro, um objeto… Qualquer coisa que só de você olhar, já te coloque aquele sorrisão no rosto.
18.  Acredite na sua capacidade: Você é capaz. Tudo está ao seu alcance! Entenda e sinta isso. Você pode escrever uma boa história. Você pode escrever um bom livro. Você consegue. Tudo que você desejar já é seu.
19.  Cerque-se de pessoas que te apoiam: Ter um grupo de pessoas que estão sempre dispostos a te animar, te ajudar e te lembrar o quanto você é incrível ajuda muito. Ter a liberdade de simplesmente contar o que nos incomoda para outras pessoas que sabemos que nos amam é incrível. E sempre existirão pessoas assim. Sempre! Procure, encontre e mantenha elas em um potinho!
20.  Divirta-se: Escreva feliz. Esse é o maior segredo para se livrar da desmotivação e da falta de inspiração. Felicidade. Diversão. Encontre isso e fique bem!

Ufa! Gente, que lista longa!

Eu quero todos bem, escrevendo até a mão não aguentar! Eu quero que essa geração de escritores encontre no papel (ou no computador) uma forma de se sentirem livres e desinibidos. Fortes, confiantes e felizes. Não sejam tímidos. Escrevam. Está ruim? Ótimo! Continue! Está bom? Melhor ainda! Continue!

Lembre-se de uma coisa fundamental: talento é importante para escrever bem, mas o verdadeiro talento é ter a determinação para seguir em frente.

O verdadeiro segredo para sua motivação, o verdadeiro segredo para sua inspiração está nisso: Continue escrevendo. Persevere. Não pare. Não tenha medo de falhar (e o que é "falhar", afinal?). Eu disse antes e repito: você só está falhando quando para de escrever.
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Quer Publicar seu Livro? Pergunte-me Como! - Parte 1

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Olá, pessoas. Como vão? Espero que bem :3
Já vamos começar o ano novo atendendo a (muitos) pedidos e falar sobe aquela parte de escrever um livro que é a glória para muitos autores: a danada da publicação.
O post completo acabou ficando gigantesco (sério, quase um TCC) e será dividido em (várias) partes para facilitar a leitura.
Se você está pensando em terminar uma história para publicar ou já tem o texto pronto, mas ainda não sabe bem o que fazer a seguir, este post é para você.
Vem!


“Eu devo publicar meu livro?”
Essa é uma excelente pergunta para começar se fazendo.
Já adianto a resposta: não, você não deve se sentir na obrigação de publicar apenas porque seus amigos publicaram ou seus leitores pediram.
Esse desejo tem que partir de você.
A estrada para quem deseja ter sua obra nas estantes alheias não é fácil e se esse sonho não vem de seu interior, maiores as chances de você se desmotivar.
Além disso, você não precisa ter sua obra impressa para que ela valha a pena. Publicar não vai fazer seu texto melhor ou pior do que os outros. Apenas vai deixá-lo disponível de uma forma diferente.
Então reflita. “Eu quero publicar essa obra e estou preparado/a para enfrentar a jornada que vem por aí?”
Se a resposta for “sim”, passemos para o tópico a seguir.


"Que cuidados eu preciso ter antes de publicar?"
Primeiramente, registre a autoria de sua obra. Aliás, mesmo que seu texto fique apenas em alguma plataforma online, é altamente recomendado que você registre se for original.
Ao contrário do que alguns pensam, isso não vai evitar plágios. Infelizmente, a única forma de ter certeza de que não será plagiado é não mostrar seu texto para ninguém. Porém você tem como provar que aquela obra é mesmo sua em caso de cópia e tomar providências (inclusive judiciais) para fazer valer seus direitos.

“Tia Michele, comofas/ para registrar?”
Vamos ver, com bastante calma e passo a passo.



Registrando na Biblioteca Nacional
O processo é meio longo, mas vale muito a pena. Segundo o site deles, você tem que seguir os passos:

Prepare seu texto para envio:
Se sua obra não está publicada fisicamente ainda (é inédita), você precisa imprimir uma via com todas as páginas numeradas. Feito isso, você precisa assiná-las (sim, todas... boa sorte na fisioterapia contra tendinite depois).
Na capa, coloque o nome da obra e seus dados (nome completo, RG, CPF, cidade e ano). Não esqueça: não grampeie nem encaderne as páginas, okay?
Se sua obra já está no formato físico, envie dois exemplares.

Bitch, better have my money!
Sim, o serviço é pago. Melhor já ir juntando as moedinhas.
Mas enfim, vá a esta página e gere o boleto bancário. Não esqueça de preencher os seguintes campos:
Código de Recolhimento: 28830-6
Nome do Pagante: [o seu rs]
CPF ou CNPJ:
UG: Fundação Biblioteca Nacional – Código 3440042/34209
Valor: R$ [consulte aqui a tabela de valores]

Caso não consiga gerar o boleto, você pode pagar em qualquer agência do Banco do Brasil através de depósito bancário. Não esqueça os dados:
Transação: 210
Opção: 7
Cliente: Conta Única do Tesouro Nacional
Identificador 1: 3.440.423.420.928.830 6

Preencha o Formulário
Baixe o formulário de Requerimento de Registro ou Averbação [neste link], imprima e preencha à mão.
Mas atenção: há alguns campos cujo preenchimento fica a cargo da BN. Leia com cuidado.
Dados do registro: este bloco é para preenchimento do EDA (Escritório de Direitos Autorais). Deixe em branco.
Informações sobre a obra intelectual: Preencha os campos com as informações sobre a obra. "Número de páginas” se refere à versão que está sendo enviada. Se for a impressão de obra não publicada (inédita), informe o número de páginas impressas. Se for a obra já publicada, informe o número de páginas da publicação. Ah! O “romance” ali não é quanto ao tema, e sim ao gênero literário, ou seja: “uma sequência de fatos interligados que ocorrem ao longo de certo tempo”. Fonte. Em outras palavras: uma história tão longa quanto essa série de postagens (rs).
Dados de identificação: Informe os dados do requerente dos direitos autorais. Se houver outros requerentes (como ilustrador, tradutor, outro autor, etc.) preencha os blocos subsequentes "Outros Requerentes".
Representante legal: Preencha apenas caso o autor seja menor de 18 anos, e informe os dados do responsável pelo menor.
Obra intelectual é adaptação e/ou tradução: Preencha apenas caso a obra seja uma adaptação e/ou tradução [/Capitã Óbvia].
Observações: Preencha apenas caso queira fazer alguma observação [/Capitã Óbvia 2]
Disposições finais: Assine para declarar a veracidade das informações e sua responsabilidade pela obra intelectual. Se houver mais de um requerente, todos devem assinar.
Preenchimento a cargo da instituição: Este bloco é para preenchimento do EDA [/Capitã Óbvia 3]. Deixe em branco.

Papers, please!
Agora você vai precisar reunir alguns documentos para passarmos para a próxima etapa.
Pegue um envelope e coloque nele, tudo organizadinho, tudo bonitinho:
O formulário preenchido conforme o item anterior;
Comprovante original de pagamento da GRU (Guia de Recolhimento à União) (sugestão: tire uma xérox e guarde-a. Mesmo nossos Correios sendo lindos e nunca perdendo coisas COF COF nunca se sabe, né?);
A obra a ser registrada (uma ou duas vias, como já vimos);
Cópia do contrato de cessão de direitos (se houver).

Além disso, dependendo do seu caso, vai precisar de mais alguns documentinhos. Melhor ver em qual caso você se encaixa e anotar a lista rs

Autor Pessoa Física:
Cópia de RG e CPF/CIC do(s) requerente(s);
Cópia do comprovante de residência do requerente principal, conforme os dados informados no formulário.

Autor Menor de Idade:
Cópia do RG e CPF/CIC do Representante Legal;
Cópia do comprovante de residência do representante legal do autor.

Autor Pessoa Jurídica:
Cópia do CNPJ do(s) requerente(s);
Cópia do Contrato/Estatuto Social;
Cópia da Ata de Constituição e/ou Assembleia.

Solicitação de Registro via Procuração
Procuração original (com firma reconhecida ou cópia autenticada) constando: endereço completo com CEP, CPF e/ou CNPJ do procurador e dados do autor representado.

Prepare-se para gastar mais (ops!)
É chegada a hora de pegar esse tijolo envelopado (rs) e despachar para alcançar seu objetivo. Você pode enviar de duas formas: pelo Correio ou procurando presencialmente em algum Posto Avançado do EDA mais próximo de você. Tia Michele vai facilitar sua vida e jogar bem na sua cara (♪) um link com os endereços.
Caso precise enviar pelos Correios, mande um SEDEX ou Carta Registrada para:
Escritório de Direitos Autorais (EDA)
Palácio Gustavo Capanema
Rua da Imprensa 16, 12º andar
Centro, Rio de Janeiro, RJ
CEP 20030-120

Calma que tá quase lá!
Com tudo isso feito, agora é só aguardar o Certificado e Registro ou Averbação que será enviado para o endereço registrado no formulário através dos Correios.

“E se eu mudar a obra? Preciso fazer outro registro?”
Sinceramente, a informação não está bem clara no site nem nos outros que pesquisei, mas o mais óbvio é registrar novamente se fizer mudanças muito extensas no conteúdo da obra. Se for algo como correção ortográfica, inclusão ou retirada de trechos pequenos, algo do tipo, pelo que vi, pode permanecer o mesmo registro. Por via das dúvidas, pesquise mais antes de qualquer coisa.

Enquanto esperamos (pode levar até 90 dias, mas caso não receba em até 6 meses, clique aqui para saber o que fazer), vamos tomar um chá com bolinhos e aproveito para informar o tema da próxima postagem: vamos aprender o que é e para qual chefe dos 9 círculos do inferno precisamos vender a alma para conseguir o tão famoso ISBN.
Não descola da cadeira que a gente volta daqui a algumas semanas.
Até a próxima.
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Resenha: O Pecador, Tess Gerritsen

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Por: Cris Reese
Perfil: https://fanfiction.com.br/u/595046/


Hello! Hello! Estou saltitante pela minha estreia como resenhista! E como toda boa estreia, escolhi o melhor: trouxe minha escritora predileta Tess Gerritsen. 
Tess pertence ao suspense policial com uma pitada muito grande de suspense médico. Stephen king, inclusive, disse “Gerritsen é leitura obrigatória em minha casa”. Olha a moral da moça!
A lista de livros que ela lançou é um pouco extensa, já estamos na segunda dezena (YAAAHHH) e não há previsão de aposentadoria. Trago o meu livro preferido dela, O pecador (The Sinner, 2003), para marcar meu começo aqui.
Vamos falar sobre a autora antes. “Tão arrepiante quanto intrincado, 'O pecador' mostra Tess Gerritsen no auge da forma, revelando a sua experiência nos porões da investigação criminal. Através de visões profundas da alma de seus personagens e a rica descrição da luta diária do bem contra o mal, pulsa o coração de um romance de suspense irresistível.” BBC
Tess é formada em medicina, no entanto, largou o jaleco e se empenhou na escrita após um manuscrito ser bem aceito por um certo tipo de público. Seu livro de estreia (e best seller) foi O Cirurgião, que trouxe um suspense policial eletrizante e uma narração (na visão do serial killer) maravilhosa. Uma personagem se destacou muito, a detetive Jane Rizzoli, se tornando a personagem principal da maioria de livros que a Tess lançou. A personalidade forte de Jane permaneceu na sequência “Dublê de Corpos”, que trouxe a estreia de mais uma personagem que se tornou uma segunda protagonista também, a patologista Maura Isles.
Então chegamos ao livro que eu trouxe para nossa resenha de hoje, o terceiro livro, O Pecador. Ele não possui um serial killer como os outros anteriores, na verdade. Nem temos noção do que está acontecendo até a história ser toda esfregada em nossa cara e a gente ficar com cara de bobo olhando para o nada pensando “como não vi isso?”.

*Mesmo que seja sequência (novel Rizzoli and Isles), é possível ler qualquer livro da Tess fora da ordem porque eles são bem independentes.*
Vamos falar sobre o livro agora, afinal, estamos aqui para isso *pensativa enquanto toma o chá*.
Tess possui uma escrita bem detalhada, de certa forma, bem nua e crua, e isso ficou mais evidente nesse livro. Ela possui uma forma própria de narrar as cenas em terceira pessoa e incluir a visão de um único personagem junto. Sabe quando você está lendo algo e uma frase te pega e te joga no chão? Pois é, os livros dela são cheios disso, O Pecador em especial. Ele começa com uma cena solta que não parece ter nexo com a história, mas traz uma revelação surreal durante a trama.
A história começa girando em torno de dois homicídios dentro de um convento totalmente isolado. Duas freiras são brutalmente assassinadas, uma ainda é levada ao hospital.... mas... pois é... vamos só dizer que foram dois homicídios brutais por enquanto.
Cada uma possui uma história própria que nos leva a experimentar sentimentos conflitantes e uma delas estava grávida (ops!) e teve o bebê no convento, mas ninguém soube disso e muito menos sabem aonde está essa criança. Quanto mais o caso aprofunda, mais temos a certeza que as mortes são apenas a ponta de um iceberg. Uma frase que jamais saiu da minha mente quando eu estava lendo sobre as histórias dela (que são fragmentos perdidos que vamos juntando com o desenvolvimento do livro) foi “As pessoas que mais amamos são as que podem nos infligir as dores mais profundas”. Essa frase marcou minha vida! Dentro do contexto da história ficou perfeita!

Esse livro possui uma tensão mais forte na parte psicológica, os personagens estão sendo desenvolvidos e nos vemos perdidos em meio a teia de sentimentos e dúvidas que eles estão enfrentando. Tess mostrou nesse livro uma escrita muito realista, sentimos que conhecemos aqueles personagens e vivenciamos as dores e medos junto com eles a cada capítulo.
Jane e Maura precisam tomar decisões que mudarão o rumo de suas vidas, uma virada de 360° que nos deixa apreensivos.
Jane Rizzoli é uma detetive forte e teimosa. A coragem, perspicácia e persistência dela é, muitas vezes, inacreditável. Ela é tão corajosa que quase beira a burrice ao tomar certas atitudes. Há muitos problemas com sua família e eles são nos apresentado na sequência dos livros. Sua personalidade sarcástica e irônica nos tira algumas boas risadas. Seu apelido é “bruxa”, por seu mau humor constante, sobrando tudo para seu parceiro Frost.
Maura Isles possui o apelido de “rainha dos mortos”, não apenas pela sua profissão de patologista, mas por sua frieza. No desenvolver do livro, enxergamos uma outra Maura, uma pessoa que transborda sentimentos e não é tão segura quanto aparenta. Ela também possui problemas que são duramente resolvidos nesse livro... bem, alguns deles.

Comparando com os outros livros:
Além das duas mortes, mais um corpo é encontrado de uma forma nada bonita e descobrimos que ele tem uma forte ligação com a morte das freiras. Porém não há um serial killer, há muitas coisas por trás dessas mortes (politica até), mas só enxergamos quando o êxtase do livro já nos enlaçou e está nos tirando o ar. Sério! Não posso falar sobre as cenas por ser de suspense, os detalhes são reveladores e desejo que vocês percam o fôlego ao ler uma certa parte que acontece com uma das protagonistas. Sobre essa cena, lembro que estava lendo no ônibus e eu fiquei tão fissurada na leitura que passei meu ponto de descida, fui até a garagem do ônibus e iniciei a nova viagem com eles... aí desci no meu ponto, mas fiquei andando igual lerda na rua após a cena de ação e emoção que li no livro. Vou evitar falar dos gritinhos que dei enquanto lia, as pessoas no ônibus nunca mais me olharam da mesma forma.
Enfim, quem está cansado daquela coisa ultrapassada de “um serial killer, um policial fodão e muita pancadaria”, irá gostar dos livros da Tess. Esse é mais profundo no quesito sentimentos e tensão, mas há outros com serial killer. Nenhum dos livros dela possuem o “quem foi que matou?”, mas sim uma investigação que vamos investigando junto, é tudo bem amplo, muito bem estruturado e o mais interessante, tudo está ligado de alguma forma.

Minha nota em 10 é 9,5 devido a um detalhe no final, eu torcia por outra coisa.
Ah! Já estava esquecendo de algo importante, há uma série (infelizmente terminada) com as personagens desse livro. Sim, Jane e Maura. E adivinhem só, chama Rizzoli e Isles, pertence a TNT e foi encerrada em 2017 (snif).
Se gostou deposite seu comentário na caixinha abaixo, por favor.
Obrigada por ter chegado até esse ponto da resenha e até a próxima! ^^
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O que Seria Literatura e O que Seria Entretenimento?

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Por: Hannah Dias

 
            Olá, pessoas! Como vocês estão? Como anda o mundo literário de vocês? Espero (do fundo do meu coração) que esteja cheio de aventuras!

            Esta é minha primeira postagem aqui no Blog da Liga e é uma honra poder conversar com vocês sobre um tema que tem muito a ver comigo, mesmo sendo uma pirralha. Na verdade, acredito que, sendo pirralha, posso falar mais abertamente sobre o que sinto em relação a um dos grandes problemas da literatura atual, principalmente por ser uma das protagonistas. Há uma divergência muito grande entre os acadêmicos (vulgo chefões, letrados, estudados, galera que manda em tudo) e os adolescentes (eu, tu, nós, vós; os bebês que ainda não entendem muito da vida e adoram gritar alto) e pessoas "comuns", por causa do grande preconceito existente entre ambos os lados.


            E o que isso tem a ver comigo? Eu sou uma adolescente e meus pais são pessoas desse ramo de chefões, manda-chuvas, doutores em tudo, iluminados pelos seres divinos com uma sabedoria além do normal. Eles sempre incentivaram minha leitura e foi algo que agradeço aos céus por ter acontecido, porém… quando cresci e deixei de ser ignorante (um pouco, apenas), meus pais decidiram que era o momento para deixar as ficções "infantis" de lado e ir para o mundo dos letrados do século XIX e XX. "Há uma diferença entre leitura para prazer e leitura para conhecimento", eles disseram.

            Então vamos começar pelo básico do básico, amiguinhos. O que é "Literatura"? E o que é "Entretenimento"?


LITERATURA

1.    lit uso estético da linguagem escrita; arte literária.

2.    lit conjunto de obras literárias de reconhecido valor estético, pertencentes a um país, época, gênero etc.



ENTRETENIMENTO

  1. Divertimento; o que diverte e distrai; o que é feito como diversão ou para se entreter: canal de entretenimento; local de entretenimento.

2.    Ação ou efeito de entreter; ato de se divertir, de se distrair.
 

Certo, entenderam? Simples, né? Me digam, por qual vocês mais se atraíram?

O certo não seria dizer: "os dois"? Simples. Porém, atualmente, o conceito de "literatura" e "entretenimento" não estão na mesma página. É aquela coisa de "Há tempo para diversão e tempo para trabalho". Por que não há tempo para os dois juntos? Por que a linguagem foi colocada como algo predominante nos conceitos acadêmicos, que apenas um grupo seleto de pessoas conseguem entender de maneira plena? Por que nós, reles mortais, não podemos ser como eles?

Eu acredito que o julgamento é algo bem comum. Comum demais. Deixamos que os outros, que nem sabemos quem são, falem o que é um livro/história boa ou ruim. Deixamos que eles peguem os nossos livros, com um estrondoso número de vendas, e ditem que é uma literatura barata. Deixamos que menosprezem os nossos gostos, além de menosprezar autores que dão o sangue para criar suas obras, que na opinião de um (PEQUENO) grupo elitista é ruim, apenas por não ter diversos jogos de linguagem e palavras "difíceis", que demonstram certo tipo, meio deturpado, de genialidade pessoal. Então, essas mesmas pessoas, criam obras apenas para as críticas e para se classificarem como uma estirpe iluminada, mas que estão apenas presas num conceito elitista e pretensioso.

Vamos jogar no ventilador: você passa doze anos na escola e, o livro que os seus professores colocam na sua mesa é um belo exemplar de "Memórias Póstumas de Brás Cubas" aos seus treze anos. É um livro ruim? Obviamente que não. Mas você tem treze anos. Você não quer ler Machado de Assis, você quer ir para casa dormir. E o que isso faz? Colocamos na cabeça das nossas crianças e adolescentes que "ler é chato" e jogamos a leitura em um patamar desnecessário e segregatório. Afinal, quem, me diga quem, com treze anos consegue entender plenamente um livro de Machado de Assis?

            E esse é apenas parte do problema. O pessoal "superficial" se abstêm desse tipo de livro, mas sempre fala. O famoso "encher linguiça": "Machado de Assis é maravilhoso!", porém nunca conseguiu pegar em sequer uma página de um Dom Casmurro e também não pretende. Prefere ler Harry Potter, mas tem vergonha de admitir isso, por causa da quantidade infindável de críticas de autores que apenas estão preocupados com a satisfação de uma vaidade intelectual. O outro grupo é aquele que fala que nunca leu Machado de Assis, não quer ler, afinal, é "chato", e prefere John Green e companhia. Os grandes Best-sellers, capa do The New York Times, o famoso "conteúdo de entretenimento".

Então, fica a pergunta: quem ganha?

            E eu te respondo: ninguém.

            Literatura é uma arte e não podemos rotular arte. Só porque um livro é popular não quer dizer que é ruim. Só porque a pessoa prefere Harry Potter à Dom Casmurro, não quer dizer que ela não possui uma habilidade de interpretação. Além disso, as pessoas que preferem Dom Casmurro à Harry Potter também não são piores. E nem melhores (deixando isso beeeem claro). Exagerar o lugar da literatura demonstra apenas um pensamento ignorante e preconceituoso. O século XXI é recheado de talentos e oportunidades. Ficar preso aos criadores de eras passadas podem nos limitar. E isso não quer dizer que os grandes escritores devem ser esquecidos, mas sim, que os grandes escritores de hoje devem ser reconhecidos.

            Usa-se o conceito de entretenimento para diminuir alguma obra. O prazer da leitura deve estar superior a qualquer tipo de preconceito. As pessoas devem se sentir livres e orgulhosas de bater no peito e gritar ao mundo que livro elas gostam. É preciso parar com esse discurso (que já cansou muita gente, diga-se de passagem) de cultura erudita vs cultura popular. O conhecimento era algo destinado apenas à elite, criando um conceito de exclusão na literatura. Hoje, porém, temos a tecnologia e a informação ao nosso favor e, contrário ao que muitos dizem, essa sociedade atual, graças às grandes invenções digitais, aumentou o gosto pela palavra e pelo texto. Então, é preciso criar um ambiente que permita a entrada desses peregrinos ao lado lindo da Força. E isso acontece com aquela palavrinha básica e muito importante: respeito.

            O leitor que não segue um modelo único NÃO é burro, pouco exigente, ou até mesmo superficial. Ele é apenas um leitor. Com gostos e desgostos.

Vamos acabar com o conceito de "o que é fácil de ler não tem valor literário". Tem, sim! Vai continuar tendo. É muito simples escrever textos para um grupo de pessoas conservadoras, com palavras bonitas e figuras de linguagem ao extremo. Difícil é escrever fácil e fazer com que o outro se emocione com a sua escrita. Difícil sempre será emocionar alguém com suas palavras. Difícil é fazer com que a pessoa se sinta acorrentada à leitura. Difícil é tocar o coração de alguém. É simples fazer uma interpretação profunda sobre um livro que todos classificam como "literatura". Difícil é pegar o livro que todos chamam de "cultura pobre" e levar ensinamentos para o resto da vida.

E, nas palavras do inesquecível C.S. Lewis (já que nos baseamos em autores do século passado): "A grande leitura não exige perícia ou força; exige, ao contrário, desarme e paixão."

Leiam aquilo que vocês são apaixonados. Não importa o que seja. O gosto não é errado e não deixe que alguém diga o que vocês devem ler, não importa se é a escola, a faculdade, os pais, os amigos, e etc. Esqueçam o que é o "dever" e se concentrem no "querer". Diversão e conhecimento podem estar interligados, é preciso ter apenas o discernimento para fazer isso acontecer.

E, nas palavras de Felipe Pena, doutor em Literatura, com sei lá quantas graduações e formações no exterior (porque também nos baseamos em letrados que nunca sabemos quem são direito. Desculpe, mamãe e papai): "Em literatura, entretenimento é a sedução pela palavra escrita. É a capacidade de envolver o leitor, fazê-lo virar a página, emocioná-lo, transformá-lo.".
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