Por: Anne
Olá, pessoas da superfície terrena! Tudo bom com vocês? Hoje quem vem lhes falar sou eu, Anne, com a participação especial de minha primeira postagem no blog! Espero que lhes seja útil.
Outro dia eu estava olhando perguntas no Ask da Liga e me deparei com a seguinte: “(não sei se aqui é o lugar certo pra falar isso, mas...) Eu queria sugerir que, se possível, vocês fizessem um post pro blog sobre como escrever do ponto de vista de crianças. Seria uma grande ajuda pra mim, e espero que para outras pessoas também >3< Ah, e eu adoro o trabalho e esforço de vocês c:”.
Não sei quem a fez, mas queria deixar bem claro que foi essa sugestão que me deu a inspiração para esse post. Com o título alardeando o assunto de hoje e a sugestão desse anônimo camarada postada aí em cima, você já deve ter uma noção do que eu vou tratar hoje, certo?
Perspectiva Infantil: O que é?
Para explicar nossa Perspectiva Infantil, primeiro quero esclarecer o significado da sigla POV, que é bastante utilizada no âmbito das fics. POV é uma sigla da língua inglesa que abrevia “Point of View”, ou seja, ponto de vista. O POV é utilizado quando o autor quer trazer para a história (se a mesma já não for narrada assim desde o início) uma perspectiva do personagem, seja ele principal ou secundário. O que seria implantado nessa tal perspectiva, então? Na maioria das vezes, em POVs o personagem pode falar abertamente sobre o que sente acerca de determinado assunto, como vê determinada situação e, principalmente, como reage às mesmas. Essa interação mais direta com o personagem ajuda o leitor no quesito de identificação do caráter em questão, e é muito eficiente quando utilizada em fics/livros que envolvem psicopatia e outros transtornos mentais.
E isso finalmente nos leva ao nosso “POV infantil”. Um ponto de vista infantil numa história – seja em fics ou livros materiais – é um caráter ingênuo – e muitas vezes confuso – muito difícil de produzir. Um POV infantil tem que levar em consideração inúmeros fatores impostos pelo autor no caráter da criança para que fique bem desenvolvido, tais como:
Quantos anos tem o personagem?
  • A idade do personagem é um fator decisivo para o POV do mesmo. Levando em consideração os conceitos psicanalíticos, a criança, dependendo de sua idade, pode já obter conceitos de razão. O ideal é fazer uma pesquisa geral sobre as características de desenvolvimento de cada idade, para não errar na hora de elaborar o caráter do personagem e, por consequência, equivocar-se em sua perspectiva na história.
Qual é o meio em que ele vive?
  • O meio ambiente em que o personagem foi criado também é uma importante rotatória de seu POV. Tanto psicológica quanto fisicamente, o meio em que vive o personagem é decisivo para sua perspectiva pessoal. Digamos que eu tenha uma criança que nasceu e se criou numa fazenda no interior:
Consequentemente, o POV do personagem terá que se adequar à falta de toda uma rotina que nos é normal nas grandes metrópoles, e terá que conter detalhes rurais com os quais ele convive diariamente.
Agora, vamos supor que eu tenha uma criança nascida em uma cidade futurística:
Os objetos de costume do meio infantil terão se modificado drasticamente, como já fizeram de épocas passadas para a de hoje (pense nos tablets, computadores, celulares e outras tecnologias que surgiram da época de seus bisavôs para a sua), e isso terá que ser abrigado na narrativa.
Qual é sua história?
  • Principalmente o passado e presente do personagem devem ser levados em consideração. Mesmo as coisas mais simples e banais (como um trauma que a mãe pode ter sofrido durante a gravidez; um susto que levou; um desejo que não foi realizado) podem ser retratadas na personalidade e no POV dessa criança. Além disso, os fatos presentes também adequam muitos detalhes da perspectiva infantil; por exemplo: essa criança sofre Bullying? Essa criança recebe amor dos pais? Essa criança confia demais em estranhos? Caso a criança sofra abuso sexual, o que a levou a não desconfiar de nada? Seria sua personalidade ou apenas a ingenuidade infantil? E o que gerou esse abuso, quais foram os métodos que o estuprador usou para convencê-la a ir com ele? São inúmeras perguntas importantes e, talvez, esse seja o ponto que mais altera/forma o POV, tanto infantil quanto os demais.
A criança tem sua saúde mental completa?
  • Talvez esse seja o ponto mais delicado de um POV infantil. Caso a história envolva transtornos mentais, as pesquisas devem ser ainda mais acirradas e minuciosas. Se narrar um transtorno mental em condições normais já é difícil, imagine trazendo-o para o POV infantil! O grande quê da questão é ligar essa característica com os outros pontos já citados anteriormente. Um exemplo:
Eliana tinha cinco anos, vivia no meio rural, tinha TOC e sofreu abuso sexual. – Viu como cada detalhe vai influenciar no POV de Eliana? Se ela vivia no meio rural, o abuso sexual não ia ter consequências graves para o estuprador, pela falta de contato com forças superiores e de policiamento nas regiões mais pobres e afastadas da metrópole. Se ela tinha cinco anos, a idade da ingenuidade ainda não havia passado e, isso, imediatamente, se tornaria um trauma confuso na cabeça da criança. Se ela tinha TOC, esse transtorno se agravaria por conta do abuso e com certeza a tornaria diferente do que era. As pesquisas têm que vir bem completinhas aqui, e o mais importante é juntar todos esses pontos da sua fic para inserir no POV infantil o máximo de informações possível.
Como elaborar a minha narrativa?

A segunda parte do post se inicia com essa perguntinha difícil. Como elaborar uma narrativa de POV infantil? Imagino que, com as circunstâncias do personagem já trabalhadas na sua cabeça, essa parte flua com mais facilidade. Então vamos lá:
  • Narrar dentro do pensamento infantil é uma coisa, no mínimo, complexa. Pelo menos o que eu lembro sobre quando era criança não é nada simples. Lembro que, na minha ideia, os beijos de novela eram mentira, e os atores colocavam um tipo de fitinha especial nos lábios – invisíveis ante a ação das câmeras, pra disfarçar legal, é claro – para evitar o constrangimento da cena e não sentir os lábios se tocando. Lembro que pensava que minha vida era uma novela improvisada, e que os telespectadores iam, uma hora ou outra, revelar-se a mim e aos demais participantes. As crianças pensam coisas loucas, improváveis e bobas – mas é claro que a idade também influencia demais nesse quesito –, então é importante ressaltar isso na narrativa e evitar construir um Pedrinho de sete anos que já consegue bolar frases de naipe pra discutir com o Seu Alceu, de quarenta e dois. O personagem pode ter uma inteligência intrigante? Pode, sim... Acho até interessante! Mas sem sair dos aspectos infantis, por favor, e analisando os assuntos que serão tratados com essa tal inteligência, porque acho que ninguém espera ver um Pedrinho de sete anos (ainda que inteligente) discutindo sobre política com o Seu Alceu.
  • A linguagem infantil também não pode fugir do seu POV, viu? É importante saber que a criança utiliza uma linguagem amena, simples e livre de complicações. Nada de fazer o Pedrinho falar “Nós nos encontramos ontem e sentamos para conversar sobre o José”. O Pedrinho de sete anos geralmente fala assim: “A gente se encontrou ontem e sentou pra bater um papo sobre o José”. Mas não vá também colocando esse tipo de linguagem pra qualquer criança, tá? Espere aí. Como eu disse anteriormente, todas as características já construídas valerão nessa fase de narrar o POV infantil; ou seja: se você construiu um Pedrinho nascido na Europa e desde cedo matriculado em internatos dos mais altos níveis, a linguagem também não pode vir fantasiada de dialeto comum de molequinho do morro. Tente fazer pesquisas acerca disso, também.
  • A situação em que esse POV virá na história também influencia muito o dialeto e as ações da criança. Acho que com qualquer personagem, aliás, e não só com crianças, essa circunstância pode beneficiar ou danificar um POV. Por exemplo: se a mãe da criança acabou de morrer num acidente de carro, não terá sentido fazê-la falar com todas as capacidades cognitivas intactas (mesmo que ainda usando o dialeto infantil e mais informal). Você tem que saber “interpretar” aquele personagem na narrativa e fazê-lo sentir realmente as circunstâncias que lhe rodeiam. É inútil tentar fazer um POV funcionar sem utilizar as circunstâncias para moldar seu personagem; o caráter não vai ficar incólume em todas as situações. Se já foi dito no início do capítulo que a criança tem asma, quando, no final, ela sofre um forte impacto, essa asma tem que vir à baila e fazer seu papel. Com qualquer POV é importante fazer isso, viu? Também vejo muitos autores errando nessas circunstâncias (não sei se é falta de pesquisa ou só desleixo): dizem que o personagem gagueja, mas só o fazem gaguejar na frente da garota dos sonhos, se esquecem de fazê-lo gaguejar também no cotidiano. Se o personagem tem algum problema/deficiência, não se pode escolher horas específicas para elas aparecerem.
Indicações de POV:

Acho que essa vai não só para quem quer narrar POVs infantis, mas para todos os autores que narram POVs, no geral. Se sua narrativa tem POV desde o início e só é narrada em um, pule esta parte. Mas, caso você queira incluir POVs apenas em alguns capítulos, ou variá-los diversas vezes em um só, isso é pra você:
Como indicar que vou narrar em POV?
Na verdade, acho que não há um jeito correto para fazer essa indicação. Cada autor tem sua maneira. Mas, além de dar alguns exemplos de como fazê-lo, também quero deixar claro alguns meios de indicar POV que não acho legais (por opinião própria). Já viu autores que, quando vão narrar em POV, indicam assim: “Fulano ON/Fulano OFF”? Não acho isso legal. Acho meio irreverente para narrativas, mesmo que sejam apenas fics e que não haja o desejo de transformá-las em livros algum dia. Pra mim, isso é como utilizar “Huehue” – uma linguagem de internauta em uma história. Outra coisa que não acho muito interessante: indicar que vai começar a narrativa em POV, assim: “POV de Fulano”. Acho muito discrepante, sabe? Então, vou colocar aqui alguns exemplos que me são agradáveis, e que, inclusive, já vi sendo utilizados em livros com POVs de vários personagens (principais ou não):
  • Quando o POV é divido por capítulos (um capítulo é narrado com o POV de um personagem, o outro é narrado com outro POV e assim por diante):
Eliana - como título do capítulo;
(e narrativa segue normal).
  • Quando o POV entra em 1° pessoa, depois do narrador observador:
(narrativa em narrador observador)....
- parágrafo
Eliana
(narrativa de Eliana).
  • Quando o POV vem como pensamento do personagem:
(narrativa normal)
Vou matá-lo!, ela pensou. (<- o POV em itálico e descrito como numa fala normal, com parágrafo e travessão).
(narrativa prossegue).
*
Bom, é isso! Obrigada pela atenção e espero que lhes tenha sido útil. Vocês têm outras maneiras para narrar/indicar POVs? Deixem nos comentários!

Fontes utilizadas:
Experiência própria;

POV - Perspectiva Infantil

Posted by : Ligados Betas
15 setembro 2014
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Por: Lady Salieri


Gente! Só eu achei que essa semana passou absurdamente rápido? Enfim, de todos os modos, só sei que foi uma semana conturbadíssima para nós, os participantes do desafio. Se a primeira semana foi de empolgação [quase] geral, essa segunda semana foi de atrasos, conflitos, indecisões, desânimos... Confiramos:


Lady Salieri (http://fanfiction.com.br/u/112117/)
Fanfic: Super Natural -- Série sobrenatural, romance (http://fanfiction.com.br/historia/541685/Super_natural/



Simplesmente, todo o ânimo da primeira semana caiu precipício abaixo. Como eu andei dizendo por aí (desculpem a esclerose), não sei se foi a falta de comentário, a falta de foco, a falta de um que dizer consistente, ou se foi o fato de que a história não tem mais NADA NADA NADA NADA a ver com aquilo que eu tinha na cabeça, mas: travei. Os dois últimos capítulos foram um suplício para escrever, e ainda terminei por enfiar um personagem a mais que está tomando conta da história e me atrapalhando a narrar aquilo que eu quero. Como eu disse antes, o enredo saiu do meu controle, total! 

Mas ainda sigo em dia e estamos aí. Acho que continuo no páreo mais pelo exercício que por qualquer outra coisa (ou preciso pensar nisso para não desistir de vez... porque se eu for avaliar pelo que eu tinha planejado...). E também porque só de pensar em abandonar o barco tão no começo me provoca uma sensação de fracasso que "não está escrita".

Vamos que vamos! (Eu gritando para mim).



Rainha Kori Hime (http://fanfiction.com.br/u/7256/)
Fanfic: Eu quero a sorte de um amor maluco - Livro Percy Jackson - Romance (yaoi) http://fanfiction.com.br/historia/541410/Eu_quero_a_sorte_de_um_amor_maluco/





Depoimento da Kori Hime, gravando! 

Esse desafio foi inspirado em outro que rola na internet, o 30 day OTP challenge. Mas no dia em que comecei a bolar o tema, me veio a ideia de usar música. Anne aprovou a ideia e daí chegou a parte difícil: a trilha sonora. 

Bolei uma maneira em que as músicas se chocassem e também combinassem, assim o autor poderia trabalhar de várias maneiras (explorando todos os gêneros possíveis). Só que nada são rosas. Quem acompanha os desafios, percebe que vamos adicionando elementos novos, é um exercício para que possamos criar os desafios de gente grande futuramente. 

Escrevi três capítulos um dia antes de publicar o desafio na página do Facebook, porque eu sabia que o pessoal precisaria de exemplos para criar suas histórias. Tanto é que um monte de gente falou que não sabia o que era uma songfic (além de outras dúvidas sofridas, mas isso não vem ao caso). 

Só que não publiquei os capítulos que eu escrevi antes. Escrevi depois certinho um por dia. Me bateu um peso na consciência. A mesma coisa aconteceu dias 5 e 6 de setembro, pois essa semana que passou foi casamento do meu cunhado e eu fui madrinha e ajudei a organizar tudo. 

Estava escrito e programado a postagem. Só que me bateu de novo aquele peso na consciência. A minha história está lá de exemplo para todo mundo ver como é o desafio, coisa feia trapacear. Dia 5 escrevi o capítulo no salão, enquanto fazia as unhas dos pés. Na hora das unhas das mãos fiquei lendo as histórias da galera, só não comentei na hora porque a manicure me olhou feio. 

Dia 6 escrevi o capítulo no salão enquanto fazia o cabelo. Mais tarde, eu levei meu Ipad para a casa da vizinha que fez minha maquiagem, ela tirou ele da minha mão e só devolveu quando terminou. Daí fui correndo para me vestir e ir pro casamento (que foi no jardim de casa).

Quando 'tava rolando a festa, eu já estava muito alegre de vinho e champanhe, corri para o quarto e publiquei o capítulo. Nem revisei. O mais interessante foi que a música do dia 6, Pra sonhar, foi a mesma música que a noiva entrou, eu nem sabia. Foi tão lindo!

Voltando ao desafio. Tive problemas em publicar também porque a internet aqui da casa onde estou tem birra comigo. Tentei publicar várias vezes até que consegui. 

Não estamos nem na metade do caminho. Vamos ver se até dia 30 eu consigo manter o ritmo. Mesmo que eu tenha escolhido a maioria das músicas e feito a sequência, não tá fácil para mim não. Tem músicas que eu não conheço e nem curto, mas aí que está, se fosse moleza, não se chamava desafio.


You are always here to me, série Doctor Who, romance (http://fanfiction.com.br/historia/544183/You_are_always_here_to_me/)



Essa semana está particularmente difícil. Não pelas músicas, mas pelo tempo. Eu estava fazendo uma fanfic de Harry Potter no desafio, mas o plot estava ficando muito confuso e estava começando a confundir até a solitária leitora que me deixou três comentários. Assim, decidi mudar de casal e deixar aquela ideia para uma long fic.

Meu segundo casal foi River/Eleven. Num impulso louco, decidi começar do começo, ao invés de na segunda semana. Fiz algum tipo de macumba ou dei uma de bruxa, não sei ao certo, mas consegui escrever 8 capítulos em um dia. Após isso, tudo devia ser fácil, certo? Não, não de verdade.

Estou escrevendo duas fanfics no desafio, a segunda junto com uma amiga, com personagens originais nossos. No dia em que fiz a nova, atrasei nela. Tentando recuperar o atraso na original, atrasei a outra... E o círculo continua. Meu maior problema, no final, está sendo o tempo. Não sei se vou continuar com a original, mas realmente espero poder recuperar esse atraso e começar a postar a tempo. E nunca desistir, claro!


SuperBat de A a Z, Liga da Justiça, Romance (http://fanfiction.com.br/historia/541879/Superbat_de_A_a_Z/)




Eu fiquei doente por volta do dia 5, aí estava um pouco difícil continuar a história com posts diários. Mas, sendo uma autora muito enrolada, meio que virou questão de honra deixar a fic certinha. Eu acabei indo parar no hospital e perdi um dia, mas, com um esforço extra depois e um bocado de paciência, consegui alcançar de volta. É divertidíssimo ir produzindo uma história nova todos os dias, em especial por não ter que ser conectada à anterior. Continuo tentando unir as one-shots a longo prazo, porém, se acabar deixando algumas de fora no final, acho que o que vai valer mais será a experiência (clichezão, sim, mas é verdade). Nunca escrevi tanto e tão rápido.






A minha semana se definiu em: "socorro!". Quem está no grupo do SBLAN deve ter percebido que volta e meia eu postava lá pedindo ajuda ou descontando minha frustração. Essa semana foi muito difícil: Yesterday, Fancy, Back to Black e Like a Virgin de uma vez só, que não combinam n-a-d-a com o casal que eu escolhi e a linha de história que eu venho levando.

O bom de tudo isso é não ser a única, rs.

Quase todo mundo lá está nas mesmas. Mesmo quem achou que Fancy ia ser fácil (ó as indiretas <3) acabou tendo dificuldade com a música. No final das contas, acabamos todos odiando Fancy, hahua.

Estou firme e forte no desafio e não perdi nenhum dia até agora (com a Violin, pelo menos). Se ainda não tá participando, vem participar também, ainda dá tempo! :3


The Escapist (http://fanfiction.com.br/u/44061/)
Infinito, originais, romance (http://fanfiction.com.br/historia/543267/Infinito/)




Esse desafio tem sido de sentimentos conflitantes para mim. Primeiro, já comecei com uma semana de atraso. Assim que vi a postagem, pensei que queria participar, mas estava um pouco ocupada e decidi deixar de lado a escrita apenas para acompanhar algumas fics. Só que eu fui impelida a participar, porque sim. Para dificultar um pouco as coisas, fui direto para um original com romance no centro da coisa toda e um lindíssimo clichê começou a se desenhar no horizonte. 

As músicas mais difíceis, naturalmente, são aquelas que não fazem parte do meu gosto pessoal. Fancy foi ridiculamente complicada, e quase me fez desistir do desafio, mas como a próxima seria True Love, consegui manter o foco.

O mais interessante do desafio até aqui é não saber o que vai acontecer. A história não tem planejamento, tudo depende da música do dia, e do momento também. Dependendo de como você está na hora que escuta uma certa música, vai interpretá-la de formas diferentes. 

O mais difícil pra mim é não ser literal na interpretação da música. Ai, estou aqui pensando em como vai ser Like a virgin.


Roberto Lasneau (http://fanfiction.com.br/u/205844/)
Profilaxia: original, Yaoi (http://fanfiction.com.br/historia/542348/Profilaxia/)




Assim como semana passada, continuo atrasado. No entanto, minha visão da história começou a mudar bastante. Criar um enredo às cegas não está mais sendo um problema, as ideias estão surgindo bem rápido, mas confesso que me encontro desanimado a começar a escrever (o que me deixa atrasado). Creio que o meu grande desafio agora está sendo criar ânimo e revisar os capítulos (porque estou postando de qualquer jeito). Tudo tem seu tempo e espero conseguir a tempo.


***

Nos vemos na próxima semana, gente bonitaa!

[Desafio Songfics Nyah] Tracking semanal: 2a semana

Posted by : Ligados Betas
12 setembro 2014
2 Comments

Por Sentinela

Estamos numa era de ouro da Fantasia. Qualquer um, hoje em dia, pode escrever livros e livros sobre mundos inspirados na era medieval sem sofrer quaisquer preconceitos (a não ser que o livro seja ruim, porque aí ele merece), como, um dia, foi escrever em uma região do Universo que não fosse nossa Terra, retratando nossos problemas e todo o tipo de conceito filosófico humano.
Dessa forma, sabendo que MILHÕES de pessoas vão a MILHÕES de blogs por toda a Internet para descobrir como elaborar um mundo fantástico, me propus a seguir uma fórmula de um dos MILHÕES de portais. E, sinceramente, não poderia ter dado mais errado. Não porque eu não segui com esforço os ensinamentos (ok, tinha um ou outro que eu ignorava), mas sim porque o artigo se focava no complexo, criando as fórmulas de planejamento de história que podem ser resumidas em parágrafos, e que, no final das contas, acabam não sendo.
Pensando nisso, decidi rever tudo que já fiz na minha breve "carreira". Concluí, no final, que tudo que escrevi - e tudo que escrevi é Ficção Científica passada em mundos mais distantes e sem conexão com a Terra - não sofreu de fórmulas mais complexas do que Mitologia, Estrutura (e esse abriga Personagem, Cenário e Trama) e Filosofia, a mesma fórmula que será trabalhada neste artigo (vocês não vão escapar tão cedo).

Para a existência de Mitologia é necessário “Referência”. Tolkien, antes da Terra Média, se baseou em conceitos da mitologia nórdica e judaico-cristã para dar forma, aspecto e substância a seu mundo fantástico. Como quero algo simples, não me estenderei a mais do que proferir o conceito de Mitologia: ela é toda a complexidade surreal ou que vai além do comum, ela tira a realidade e entrega algo melhor: Fantasia.
Estrutura é o mais importante por agregar valor três coisas importantes: “Personagem”, elas são os sentidos emocionais e mentais do autor; “Cenário”, que é todo o espaço que o autor usa (lembrando que um mundo fantástico complexo é sempre mil vezes maior que o Cenário); e “Trama”, que é o fio narrativo na qual o autor se baseia. Para isso ele deve, porém, considerar também a mitologia de seu mundo.
Filosofia não é necessariamente reflexão, mas simplesmente “Pensamento”. Quando o personagem pensa, deve pensar de acordo com o ambiente proposto pela mitologia em volta dele. É impossível haver uma obra dignamente genial onde a necessidade de reflexão por parte do autor e do leitor estejam excluídas. Obras onde o pensar está em segundo plano não prosperam.
É isso (eu não estou brincando, é isso mesmo).

Conclusão & Resumo

Acho que consegui. Expliquei simplesmente o que acho necessário para uma história. Claro, você não pode achar que vai ser o escritor quando terminar isso. Precisará usar conselhos mais voltados para a escrita, embora eles não fujam (e ainda bem que não, porque ia ser um saco): leia, escreva, leia o que escreveu, apague o que está ruim, ad infinitum. Além disso, verificar, uma hora ou outra, artigos sobre criação de universos é melhor do que andar cego em meio a algo tão difícil como escrever, mas, claro, deixe de lado essa enrolação sobre fazer linhas do tempo gigantescas e escreva.
E outra coisa, só porque eu disse que esse é o essencial, não significa que isso serve para criar obras essenciais, afinal podemos ver em qualquer material fantástico essa fórmula, seja ele complexo ou não. Livros como Frankenstein e Drácula, filmes como a Star Wars e Homem de Aço e finalmente séries como Doctor Who e Once Upon a Time (foi a primeira que me veio a cabeça) possuem essa fórmula e vão muito além do simples. Assim, eu espero ter fixado na cabeça que a fórmula serve para qualquer coisa que fuja um pouco da realidade.


Para fixar, um resumo: "A Estrutura de um universo fantástico se forma na Filosofia proposta nos conceitos elaborados pela Mitologia do mesmo."

Todo o artigo se baseia nas "belas" palavras de Maurício de Souza na seguinte entrevista: http://www.vicentetavares.com.br/2011/09/quando-mestres-se-encontram.html?q=dinheiro

Os Elementos Essenciais de um Mundo Fantástico

Posted by : Ligados Betas
09 setembro 2014
0 Comments

Por: Lady Salieri
(http://fanfiction.com.br/u/112117/)

Olá, pessoinhas queridas!

Não se se vocês sabem, mas está correndo um desafio muito legal no Nyah! Fanfiction durante esse mês de setembro: o desafio de Songfics. A tia Kori Hime separou para gente uma playlist com 30 canções sobre a quais devemos escrever um capítulo, postando uma por dia -- e isso baseado em nosso casal preferido. Pode ser tanto uma long fic como uma coleção de one-shots baseada na canção do dia. Se você, pequeno gafanhoto desavisado, não estava sabendo disso, aqui coloco a listagem da playlist, bem como o endereço da compilação de todas as músicas feita pela tia Kori:



Acesse a playlist aqui: http://goo.gl/vqVjp8
E se você quiser saber TUDO sobre o desafio, acesse o post do facebook referente a ele: http://goo.gl/CozgOQ


Enfim, pessoalmente, posso dizer que, de início, poucas coisas me empolgaram tanto como o desafio de escrever um capítulo por dia e ainda sob certas limitações de tema. Por mais que eu viesse desanimada com a escrita por esses tempos, devido a uma grande quantidade de trabalho cujos prazos venceram ao mesmo tempo, essa proposta da Kori renovou todos os meus ânimos. E a parte mais divertida é que essa empolgação foi compartilhada com vários outros betas e escritores do site.

Pensando nisso, em uma conversa no nosso grupo de interação, o SBLAN, decidimos que, toda sexta-feira, da mesma forma que nosso beta reader Hairo-Rodrigo fez em relação ao NanoWrimo, nós também íamos discutir sobre nossas alegrias e tristezas durante o cumprimento do desafio. Espero que vocês se sintam identificados, vejam que não estão sozinhos e, acima de tudo, NÃO DESANIMEM!

Vamos lá:

Lady Salieri (http://fanfiction.com.br/u/112117/)
Fanfic: Super Natural -- Série sobrenatural, romance (http://fanfiction.com.br/reviews/historia/541685/)



Quando eu li sobre esse desafio, nem pensei duas vezes. Pulei logo de onde estava e resolvi tirar da gaveta uma ideia de uma fic que eu sequer pensava em escrever sobre uma garota que fosse realmente capaz de dobrar nosso querido Dean Winchester. E como desgraça pouca pra mim é bobagem, pensei: "vou escrever é uma história só, coletânea de ones é para os fracos" hahaha. Além disso, na minha cabeça nasceu um enredo lindo e perfeito que eu podia até vender para o Kipke e para o povo da Warner. Daí, no primeiro dia, reuni todas as energias que se tinham acumulado desde um tempão sem escrever e fiz um capítulo lindo, que eu olhei e pensei: "é isso". Eu mal pude esperar para divulgá-lo em qualquer lugar que pudesse. No entanto, nos dias seguintes, especialmente no 3o quando chegamos àquela canção da Shakira, minha cabeça deu um nó, e a história já não tem nada a ver com o que eu tinha pensado antes... Reveses da vida... Mas eu ainda estou gostando do resultado. Isso sem contar o fato de que se trata de uma história que nem eu sei o final... xD (não sei é nada, porque eu nem olho as músicas seguintes, deixo pra olhar só na hora de escrever mesmo xD).

O capítulo de hoje também foi particularmente difícil para mim, porque, como eu comecei a história do relacionamento da minha personagem com o Dean adiante, essa parte de "não quero apenas ser amigo" foi simplesmente sublimada, daí a música do Cazuza é sobre isso... 

Desde a música da Shakira estou seguindo o conselho do Roberto Lesneau e fazendo interpretações nada ortodoxas... 

De todos os modos, verdade seja dita, não perdi nenhuma data ainda. Apesar de postar faltando sempre 5 minutos para acabar o dia, estou firme e forte por aqui. E sem qualquer pensamento de desistir!

Obs: Detalhe: estou me sentindo uma E.T por escrever fic hétero. Já falei disso em todo lado, e ainda não superei esse sentimento...

Last Rose of Summer (http://fanfiction.com.br/u/348014/)
Violin, Sherlock, Yaoi (http://fanfiction.com.br/historia/541896/Violin/)



Essa semana toda tem sido uma loucura, mas muito boa. Eu sempre quis participar desses desafios de trinta dias, e assim que surgiu a oportunidade, eu sabia que faria. Nem hesitei. 

As músicas são ótimas. São bem variadas, tanto em português quanto em inglês, e dá para fazer muita coisa com elas. Uma das coisas que eu achei mais divertidas foi perceber como as pessoas têm interpretações diferentes da minha, mesmo quando utilizam o mesmo casal (como é o caso de eu e uma amiga, porque a gente combinou de fazer duas vezes o desafio, uma com um casal normal e uma com um de personagens que criamos).

Eu tenho percebido um nível de dificuldade um pouco grande, porque escolhi um casal que nunca tinha usado numa fic antes, além de ter pouco contato com eles. Mas no fim das contas, é tudo um baita desafio de criatividade, porque me obriga a encaixar um casal que é pouco flexível numa variedade de músicas e tentar mantê-los da maneira que são, sem modificar a personalidade.

Até agora, estou gostando do resultado. 

Senhorita Ellie (http://fanfiction.com.br/u/358339/)
Álbum de Fotografias, The Mortal Instruments, Lemon (http://fanfiction.com.br/historia/542426/Album_De_Fotografias/)




Minha ideia original era fazer uma fanfic com 30 contos independentes entre si, ainda que seguindo uma ordem cronológica, sobre um casal original de minha criação. Perdi os dois primeiros dias nessa ideia até ela se tornar complexa demais para o formato que eu estava planejando e excluir a fanfic para, futuramente, repostá-la com mais algumas (mil) palavras.

Assim, escolhi gêneros ao mesmo tempo familiares e estranhos para mim: Porn Without Plot (foi meu primeiro, uma tristeza para escrever, tanto constrangimento, socorro) e Yaoi, que eu já estou desenvolvendo há algum tempo com outra história.

Malec é um casal gostoso de desenvolver, estou gostando. <3

Star (http://fanfiction.com.br/u/166116/)
Perigeu: Naruto, romance (http://fanfiction.com.br/historia/541469/Perigeu/)



ABSURDAMENTE AGONIANTE! Eu faço faculdade em tempo integral, então minhas duas únicas opções para escrever são: acordar mais cedo ou escrever quando chego em casa. Quando eu chego em casa, tô cheia de ideia (porque fico pensando em escrever o dia inteiro) mas tô cansada demais e a narrativa fica repetitiva e sem graça. Quando é de manhã, eu tô cheia de energia e com o espírito de Shakespeare no corpo, mas não tenho ideia do que escrever!!! A melhor solução até agora é fazer um rascunho de noite e completar pela manhã, mas se eu não consigo fazer um dos dois, fico perdida!

Roberto Lasneau (http://fanfiction.com.br/u/205844/)
Profilaxia: original, romance (http://fanfiction.com.br/historia/542348/Profilaxia/)




Super atrasado em tudo, mil coisas para fazer, mas com muita vontade de prosseguir. Com o desafio, acabei por quebrar minhas barreiras e fazer capítulos pequenos (que antes eu abominava). Aproveitei também para testar estilos de escrita diferentes e, no meio de tantos testes, o desafio vem e acaba criando algo interessante na sua história. Criar um enredo às cegas nunca foi tão divertido (e frustrante). A minha maior luta no momento está sendo acompanhar os dias, mas uma hora eu chego lá.


Ironborn (http://fanfiction.com.br/u/54453/)
o amor é a voz sob todos os silêncios: originais, romance (http://fanfiction.com.br/historia/541784/o_amor_e_a_voz_sob_todos_os_silencios/)




Olha, pessoal, eu queria muito dizer que esse desafio é um mar de rosa e está tudo indo muito bem, mas não é verdade. E por isso eu tô gostando cada vez mais dele, explico: eu sou uma pessoa totalmente irregular na escrita. Às vezes escrevo fanfics inteiras em um dia, aí depois demoro meses e meses pra escrever outra coisa (já até passei um ano sem escrever nadica). Além disso, estudo de manhã e a tarde, então sempre chego cansada a casa e ainda tenho que escrever um capítulo (e tem que ficar bonito!), por mais vontade de dormir que eu tenha, agora que assumi o compromisso tenho que cumprir! E é isso que é bom no desafio, porque você não quer desistir dele e então, vamos lá né, até eu acho que consigo escrever um capítulo todo dia (por enquanto ainda estou aguentando, mas vamos ver até quando eu vou ter ideias sobrando).

***

E é isso! Nos vemos na próxima sexta, seus lindos!

Tracking semanal: Desafio Songfics Nyah! Fanfiction

Posted by : Ligados Betas
06 setembro 2014
1 Comment

Por Roberto Lasneau

No post anterior, vimos as dificuldades mais comuns em se representar a homossexualidade nas fanfics. Falou-se sobre a sociedade heteronormativa (que está acostumada com a heterossexualidade) e os fundamentos do pré-conceito.
Seguindo a mesma linha do post anterior, este post tratará dos mesmos tópicos, porém, dessa vez, tratando-se de Bissexualidade e Assexualidade.
Parte 2.1 – Bissexualidade
Desmistificando os conceitos da bissexualidade
Bissexualidade é uma transição para a homossexualidade – Muitos pensam que, ao a pessoa se descobrir homossexual, ela primeiro passa por uma transição bissexual (como se fosse mudar aos poucos). Não, não é assim. Apesar de existirem homossexuais que usaram a bissexualidade como uma fase de transição (e isso, inclusive, é muito retratado em algumas fics e não há problema algum), os bissexuais em si não possuem esse pensamento. Eles simplesmente sentem atração pelos dois gêneros.
Bissexuais são um bando de indecisos! – Não! Eles não são indecisos. Muito pelo contrário, eles se decidem muito bem pelo fato de reconhecerem que são adeptos aos dois sexos. Alguns bissexuais podem ter mais atração homossexual do que heterossexual, mas isso não os torna indecisos, claro que não.
Bissexuais são mais promíscuos, afinal, eles pegam de tudo – Também não funciona assim. A sexualidade não define as pessoas, portanto, ser promíscuo (ou não ser) não é algo que é ditado por bi, homo ou heterossexualidade, não é algo que pode se relacionar assim; não funciona com essas proporções. Sua personagem bissexual pode muito bem conseguir, naturalmente, estabelecer relações monogâmicas e duradouras como qualquer outra.
Sexo: a necessidade e o ato
O que mais se discute, na bissexualidade, em relação ao sexo é o grande questionamento: “Um bissexual, quando, por exemplo, está se relacionando com uma mulher, sente falta das relações com os homens?”.
Não. Não funciona assim. Usando o caso como exemplo, se sua personagem for bissexual e estiver num relacionamento com uma mulher e quer levá-lo mais adiante (popularmente conhecido como o relacionamento sério), ela não sentirá falta das relações com os parceiros masculinos.
Por que não?”
Sentir atração pelos dois sexos não significa, necessariamente, que essa atração é simultânea e contínua. Didaticamente falando, supondo que você goste de maçã e chocolate, isso não significa que, necessariamente, você goste de comer os dois juntos (o gosto, para você, pode não ser algo agradável). É exatamente assim que funciona. Não se esqueça de que sua personagem é humana e seres humanos não seguem regras exatas e constantes.
Mini F.A.Q. sobre bissexualidade
Perguntas para ajudar na aplicação do tema em fics
01 – Muitos adolescentes costumam experimentar os dois lados apenas por experiência mesmo. Numa festa, por exemplo, eu quero retratar todo esse envolvimento, então devo colocar, nos avisos, que tem Bissexualidade?
No caso do Nyah, creio eu que colocar nos avisos o termo “Bissexualidade” é avisar que uma mesma pessoa tem relações com pessoas dos dois sexos. No entanto, não vamos confundir “curiosidade” com “bissexualidade”. Na adolescência, é muito comum que as pessoas experimentem mesmo, às vezes por vontade própria, às vezes para agradar a expectativa de um grupo, mas isso não tem muito a ver com a Bissexualidade. Pelo contrário, é um jeito de assimilá-la, erroneamente, com promiscuidade.
02 – Se a minha personagem é um homem bi, mas, na fic, ele só se envolverá com homens, eu posso denominá-lo, na história, como gay?
Não. Não significa que, por um homem bi estar se relacionando com outro homem, que ele seja gay: ele continuará bi. Apesar de, no caso, ele não sentir falta de um relacionamento com uma mulher, isso não significa que ele vai deixar de achá-las atraentes.
03 – Eu li em algum lugar sobre pansexualidade, uns dizem que é um ramo da bissexualidade, outros dizem que não é. O que é, como funciona, seria interessante eu trazer isso para uma fic?
Muito se fala sobre a tal da pansexualidade, eu não diria que é um ramo da bissexualidade, pois ela tem características próprias. A pansexualidade seria a atração por tudo e por todos, sem muitas restrições. Uns relatam que essa atração envolve desde pessoas até mesmo objetos, outros já dizem que é só uma forma de sentir atração por qualquer tipo de humano (saindo do conceito de gênero). Para uma fic, minha recomendação é simplesmente atuar como alguma cena em específico, uma característica mais relevante, mas não aconselho a fazer disso o foco principal da sua fic.
Parte 2.2 – Assexualidade
Primeiramente, o que seria a assexualidade? Uns já notam logo o prefixo “a” e dizem: a não atração por pessoas. Não é bem assim, não tão geral assim. Não se atrair sexualmente com alguém não significa uma não atração em geral. E isso será visto aqui:
Assexuais x Arromânticos
Arromânticos são as pessoas que não sentem atração afetuosa (amorosa) por outras. No entanto, assexuais já são aqueles que não sentem atração sexual por outras, mas que podem, naturalmente, desenvolver a atração afetuosa.
Assexuais românticos podem ser classificados como “heterorromânticos”, “homorromânticos” e “birromânticos”. Com a nomenclatura clara, indica com quem eles sentirão essa atração afetuosa.
Assexuais arromânticos não são necessariamente infelizes. A maioria prefere manter relações amistosas e ficam muito bem com isso. Amor/sexo não é de grande valor e isso pode parecer estranho diante da nossa sociedade.
Sexo: a necessidade e o ato
O assexual não sente a necessidade em praticar o sexo. Eles podem, sim, casar-se, manter uma união estável sem depender do sexo. No entanto, nem sempre assexuais se casam com outros assexuais e alguns fazem um certo sacrifício para agradar o parceiro de vez em quando.
É importante ressaltar que a falta de atração pelo sexo não significa infelicidade, insatisfação, etc. É simplesmente a forma como essas pessoas querem que seja, a forma que elas se sentem bem.
Além disso, tem-se uma curiosidade: “Assexuais praticam a masturbação?”. Bom, uns sim, outros não. Os que fazem costumam dizer que está mais associado a uma necessidade fisiológica, que o fazem sem pensar em muita coisa.
F.A.Q. sobre Assexualidade
01 – Supondo que minha personagem encontrou uma pessoa legal e eles decidiram que não praticariam sexo antes do casamento. Durante esse tempo, eles seriam assexuais?
Não. Ser assexual não é a mesma coisa que não ser praticante de sexo. A assexualidade está envolvida na falta de atração pelo ato. Uma pessoa que não tem a vida sexual ativa não tem relação alguma com assexualidade, ainda mais se tratando desse tipo de promessa (já que, depois do casamento, eles praticariam o sexo).
02 – Quero fazer uma personagem assexual arromântica, como fazê-la dentro de um grupo de não-assexuais?
Faça um personagem normal, nada muda. A pessoa arromântica não fica incomodada ao ver os românticos tendo suas relações, afinal, não é aquilo que a agrada.
03 – Se minha personagem sofreu abuso sexual e ficou com trauma de sexo, isto a torna assexual?
Nesse caso, já parte para uma questão mais psicológica. O trauma até pode fazer a pessoa perder o gosto pelo ato sexual e se sentir satisfeita com isso, mas depende muito do psicológico da personagem. Numa fic, é necessário deixar essas informações bem claras (da satisfação da personagem, etc).
04 – Vi que alguns dizem “Assexuado” e outros dizem “Assexuais”. Tem termo correto?
Bom, “assexuado” dá a ideia de pessoa sem genitália, enquanto “assexual” dá a ideia que estamos costumados a conhecer, portanto, é recomendável que se use o segundo termo.
05 – Eu tive uma ideia para um enredo interessante: um assexual arromântico que, por não se preocupar com sexo e amor, acabou desenvolvendo maior capacidade mental. Isso tem chance de dar certo?
Não. Sexualidade não define ninguém. Fazer ou não fazer sexo, amar ou não amar não deixa ninguém mais burro ou mais inteligente. Trata-se de um enredo preconceituoso.
Conclusão
Independente se a pessoa gosta de ambos os sexos ou de nenhum, é preciso representar da melhor maneira possível nas fanfics. Respeite suas personagens, tente entendê-las, pensar como elas e até quebrar um pouco os seus próprios conceitos, é uma ótima dica para tentar compreender o lado diferente da sua personagem.
Novamente com pesquisas grandes, então vou resumir dois sites ótimos:
http://assexualidade.org/faq - O que é a assexualidade?

Sexualidade e Verossimilhança (2/3)

Posted by : Ligados Betas
02 setembro 2014
2 Comments

Por Roberto Lasneau

No mundo das fanfics, é muito comum encontrar histórias que envolvam o relacionamento amoroso entre pessoas. Para isso, é preciso abordar um tema bastante complexo, mas que, para muitos, não parece tão complexo assim: a orientação sexual. A sociedade atual é heteronormativa, isto é, uma classificação que diz que a heterossexualidade é a única orientação normal (e por “normal” temos como “aquilo que a sociedade está acostumada”, e não como “errado”, como alguns costumam pregar) e, por isso, ao tratar de outras sexualidades, pertencentes à comunidade LGBTA (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Assexuais), tem-se uma dificuldade em manter a realidade; literariamente falando, a verossimilhança, muitas vezes simplesmente pelo autor não conhecer muita coisa do universo.
Tendo isso em mente, o post servirá para tratar dos fatos mais simples sobre as orientações sexuais, mas sobre os quais muitos não têm esse conhecimento e acabam criando situações inadequadas em suas histórias; acabam por representar, de forma errada, essa parte da orientação, podendo até mesmo ser classificado como um erro literário (por causa da ausência de verossimilhança). O post, ao todo, será divido em três partes: nessa primeira parte será focada a homossexualidade (tanto masculina quanto feminina). Na parte 2, o foco será em “Bissexualidade e Assexualidade” e, por último, na parte 3, o assunto será focado em “Transsexualidade e Heterossexualidade”.

Parte 1 – Homossexualidade (feminina e masculina)

Desmistificando o lado homossexual

Lésbicas/Gays continuam sendo Mulheres/Homens. – Parece um tanto óbvio, não é mesmo? Mas, às vezes, em algumas histórias, nem sempre a realidade é tratada dessa forma. Apesar de todos terem personalidades diferentes, ou seja, uns seres mais masculinos/femininos do que outros, isso não altera a identidade de gênero; logo, um homem, por mais gay e feminino que ele seja, talvez não se interesse por usar vestidos, pois não faz parte da identidade de gênero dele. Existem uns casos específicos, mas esse tema será melhor abordado no tópico sobre transsexualidade.

O rótulo de ativo(a)/passivo(a). – Isso provavelmente é uma das maiores dificuldades de retratação no mundo das fics. Muitos autores fundamentam a personalidade dos seus personagens através do seu papel sexual, popularmente conhecidos como “ativo(a)” e “passivo(a)”. No entanto, o que muitos não sabem é que isso acaba por ser uma atitude preconceituosa (lembrando que “preconceito” vem de “pré-conceito”, isto é, querer conceituar algo que não conhece) e que pode ser desconfortável para alguns.
Rotular suas personagens (utilizando o papel sexual) é ruim. Uma pessoa que é ativa na relação sexual não será mais masculina que a pessoa que proporcionar o papel passivo (isso vale tanto para a homossexualidade masculina quanto para a feminina). É comum se pensar assim, pois, como foi dito no início do post, a sociedade é acostumada com a heterossexualidade, isto é, com um papel feminino e um papel masculino, mas, na homossexualidade, isso não acontece. Ser ativo(a) não designa ninguém mais homem e ser passivo(a) não designa ninguém mais mulher. O papel sexual só interfere nas relações sexuais e só. O(a) ativo(a) não é necessariamente a pessoa insensível, bruta, séria, o “macho” da relação, assim como o(a) passivo(a) não é necessariamente a pessoa delicada, emocional e sensível, a “fêmea” da relação. Isso é um ato muito impensado.
Além disso, apesar de existirem, nem sempre as pessoas são 100% ativas/passivas, existem as pessoas versáteis (principalmente na homossexualidade feminina, já que o prazer precisa ser mútuo, mas também não é regra). A principal coisa que se precisa saber aqui é diferenciar as coisas: papel sexual não tem nada a ver com personalidade e o papel social. Num casal homossexual masculino, por exemplo, o que é o ativo pode muito bem ser o cozinheiro da casa, assim como o passivo pode ser aquele que faz o trabalho pesado (assim como isso pode acontecer num casal de héteros, em que o homem cuide da casa e a mulher trabalhe). O essencial de tudo: não faz sentido rotular as coisas. Sexualidade não define pessoas. Sexualidade é apenas sexualidade. Papel sexual é apenas papel sexual.

Cuidado com os estereótipos! – “Toda lésbica é desleixada”, “Todo gay tem um senso de moda apurado”. Não, gente, não é bem assim. Como eu disse no final do assunto anterior, sexualidade não define pessoas. Sua personagem lésbica pode ser desleixada, mas isso não é regra. Sua personagem gay pode ter um senso de moda apurado, mas isso também não é regra. Aliás, nada é regra no mundo, isso de “Todo alguma coisa é isso” nunca funciona, não é? Além disso, existe o vasto mundo das gírias homossexuais e, acreditem, não é todo homossexual que as usa/conhece! Então, não quer dizer que seu personagem gay seja bem afeminado, que ele use o termo “Aloka”, ele pode nem conhecer (é possível, sim, não conhecer os termos).

Homossexuais sempre se dão bem entre si. – Lá vou eu de novo: não, gente, não é bem assim. Sexualidade não define pessoas. Esse assunto serve para abordar diversos tipos de relacionamentos:
- Amorosos: Basicamente acontece aquilo de um casal homossexual se formar simplesmente por serem homossexuais. Tudo bem, a mesma sexualidade é um motivo, sim, para a união, mas não é o único. As pessoas se amam pela atração, pelo envolvimento, tem que ter uma série de fatos para isso.
- Amistosos: Gays, lésbicas (assim como trans, bissexuais, etc.) podem muito bem não criar amizade com outros da mesma sexualidade, até porque amizade nem tem base sexual, então não há motivos para isso ser um requisito. Essa dica vale para um estereótipo que ocorre muito, que é quando cismam que a melhor amiga de um gay é lésbica ou vice-versa. Pode acontecer? Claro. No entanto, não é uma regra. Não é algo do tipo “Gay só se dá bem com lésbica”. Não.
- Profissionais: “Eu trabalho melhor com fulana porque ela é lésbica como eu”, isso não faz sentido algum. Assim como o ambiente amistoso, o âmbito profissional não tem base sexual, então não há por que isso ser requisito. Pessoas continuam sendo pessoas, independente da sexualidade, e o que deve atrair alguém profissionalmente é a vocação, o método de trabalho, etc. Outro caso também é falar que existem “trabalhos homossexuais”, tipo associar “estilista” com “gay” no mesmo segundo. Não é assim, gente. Pode até ser que uma determinada profissão tenha uma maior concentração de homossexuais, mas isso não é desculpar para definir as pessoas assim.

Sexo: a necessidade e o ato

Por motivos de diferença maior entre os dois, falarei sobre a homossexualidade feminina e masculina separadamente, mas, antes disso, é preciso deixar uma coisa clara: um casal hétero faz sexo com a mesma necessidade de um casal homo, isso não muda. Tem uns que gostam, outros não gostam e o fato de retribuir o amor (quando é o caso de ambos concordarem com o ato) é válido para qualquer casal.

- Homossexualidade feminina – Quando se fala desse tipo de relação sexual (na linguagem das fanfics, “Orange”), você precisa ter uma boa visão das suas personagens. Como elas são? O que elas gostam? Como elas preferem? O “Orange” pode ser feito e explorado de inúmeras formas, inúmeras possibilidades, até porque mulheres são complexas por natureza, essa é a qualidade da mulher.
No entanto, acima de tudo, o texto precisa de realidade. Ser realista ajuda a deixar tudo mais natural, ainda mais no meio homossexual, que poucos conhecem.

“Como elas fazem sexo, se não tem penetração?”
É uma coisa muito perguntada. Tudo tem um jeito. Carícias e as tão conhecidas preliminares são essenciais numa relação boa, e isso deve, sim, ser representado, de forma natural, nas fics. Nada de ir direto ao ponto, suas personagens têm muito que aproveitar ainda.
É importante você conhecer mais suas personagens justamente para você, escritor(a) de Yuri, ver como elas vão se satisfazer no momento do sexo. Lembrando que não há regra para as coisas (o sexo não precisa ser aquela coisa rotulada e com regras rígidas, é nisso que muitas fics pecam), uma pode se completar da maneira que gostar.

“Mesmo assim não sei como fazer. Como posso inovar sem pecar na realidade? Como fazer minhas personagens tão decididas com o que elas querem?”
Se o seu problema é não conseguir fazer essa decisão nelas, você pode tentar descrever suas personagens descobrindo seus gostos na hora H. Agora, se você for uma pessoa mais sistemática, a dica que eu dou é montar uma tabela com as preferências de cada uma: Fulana curte x, y e z. Cicrana só curte y. E tentar experimentar as possibilidades, pois, como eu disse, o grande mistério do sexo lésbico é a complexidade da mulher. Muitas vezes nem é necessária a penetração, o legal é ter a criatividade.

“Ok, ok, mas o que isso tudo tem a ver com verossimilhança?”
Tudo! A melhor maneira de fazer um Orange realista é não utilizar do “heteronormatismo”. Sexo homossexual é uma coisa; sexo heterossexual é outra. No contexto do Orange, a principal coisa a se pensar é que não existe “homem” da relação, que mulheres não são “escravas” da penetração e que elas precisam de brinquedos simuladores de pênis para se satisfazerem (apesar de ter umas que gostem, isso é de gosto pessoal e não uma regra). Nada disso! Além disso, vale lembrar que orgasmos femininos possuem um tempo de recuperação baixo (não confundir “baixo” com “nulo”) de um a outro (bem diferente do orgasmo masculino), então ter um orgasmo não significa que a relação vai parar. Respeite a atração sexual da sua personagem, sem precisar fazê-la depender de características masculinas.

- Homossexualidade masculina – Aqui a visão das personagens já é um pouco separada. Primeiramente, a relação que você vai descrever terá penetração?

“Ué, mas é claro, são dois homens, tem que ter penetração!”
Ué, só por que são dois homens, a penetração é obrigatória? É isso que é necessário desmistificar quando falamos de sexualidade e verossimilhança. Lembrando que sexo sem penetração não é exclusividade homossexual, só que não se fala muito disso.
A relação homossexual masculina sem penetração é chamada de Gouinage. Trata-se apenas de carícias, movimentos e sexo oral, simples. Se você, escritor(a) de Yaoi, deseja inovar nos seus textos, por que não tentar?

Na linguagem das fics, temos o sexo gay denominado por Lemon. E o irônico de tudo é que a dica que eu vou dar aqui é feita de maneira muito errônea nas fanfics, que é: estabeleça as vontades da personagem ativo e passivo.
“Ué, mas você não disse pra não rotular? Por que está falando de ativo/passivo agora?”
Porque estamos falando de sexo, de papel sexual, que é a única ocasião em que devemos definir as personagens como ativos/passivos (em vez de descrevê-los assim o tempo todo, como o papel social, que é o que muitos escritores erram, e que até mesmo gera preconceito). Lembrando que em relações sem penetração, esses papéis não existem. Lembrando também que existem os versáteis e a troca pode ser feita na mesma transa.

Tendo em vista a sua personagem passivo, popularmente conhecido como uke, é preciso ter coisas em mente: ele está preparado para aquilo? Ele deseja a penetração? Ele já fez isso alguma vez? Vocês já devem estar carecas de saber, mas o ânus não é uma área tão lubrificada naturalmente quanto a vagina, é preciso ter cuidados e todas essas coisas. A dor é imensa, então o grande erro de representar isso num Lemon é falar, por exemplo, que o personagem se acostumou rapidamente (às vezes isso acontece muito rápido e não faz sentido) ou que o membro do ativo entrou facilmente de primeira. Não, não é bem assim.
“Mas não tem a próstata? Ela já não é o suficiente para ignorar todas as dores?”
A próstata! O órgão favorito dos escritores na hora de descrever o prazer, e é alvo de muitos erros na escrita também! Gente, a próstata não é um órgão milagroso, ela não fará sua personagem gozar trinta vezes seguidas ou sentir a sensação de estar em quinhentos céus ao mesmo tempo, muito menos aliviar a dor da penetração. A única função da próstata, no sexo, é tornar a ejaculação mais livre, mais natural (dando um pouco a mais de prazer). Apenas isso. Nada de órgão milagreiro que traz sensações milagreiras.

Tendo em vista a sua personagem ativo, popularmente conhecido como seme, é preciso ver também se ele está preparado para isso (a parte psicológica não se restringe apenas ao passivo, gente), se ele já fez isso alguma vez também. E, claro, o cuidado com algumas situações irreais, como, por exemplo, o ativo ter fôlego infinito, recuperar-se de uma ejaculação em segundos (diferente das mulheres, os homens precisam de mais tempo para se recuperar) ou ele não sentir o mínimo de dor no ato. 
“O ativo sente dor???”
Uns podem sentir mais que outros, mas sentem, sim. Não é, óbvio, uma dor comparada com a do passivo, mas pode haver um incômodo na tentativa da penetração; tente enfiar seu dedo num buraco que seja menor que ele e force, você saberá do que eu estou falando. Também tem que ter muito cuidado. Não vá fazer, também, sua personagem fazer a penetração com uma força monstruosa, a não ser que você queira que ele vá parar no hospital com o membro torto.

Mini F.A.Q. sobre homossexualidade
Perguntas para ajudar na aplicação do tema em fanfics.

01 – Como eu posso retratar a descoberta do meu personagem? Ele pode escolher isso?
Do nada. Exatamente isso. É assim que acontece na vida real e representar isso em fics não seria problema. No entanto, atente-se a não errar no quão instantâneo isso pode ser, também não vai fazer a personagem ver alguém do mesmo sexo e BOOM, “virou” homossexual e aceita isso numa boa. Aceitar-se não é tão fácil assim. Além disso, você não precisa, necessariamente, usar outra pessoa para que sua personagem descubra a sexualidade; nem sempre isso é descoberto por ver pessoas. Além disso, não se prenda a idades, a descoberta pode acontecer em qualquer momento da vida de uma pessoa, mesmo que ela já esteja num casamento heterossexual, por exemplo.
Não, isso não é escolha. Nenhuma sexualidade, nem mesmo a heterossexualidade, é uma escolha. Pessoas podem escolher experimentar, mas não podem escolher ter (ou não) atração sexual. É por isso que não se trata de “opção sexual”, mas, sim, de “orientação sexual”.

02 – Como fazer uma personagem homossexual? (Esta pergunta vale também para todas as outras sexualidades)
Faça como uma personagem normal, com qualidades e defeitos, características físicas. Um nome! A sexualidade é só mais uma característica.

03 – Eu tive uma ideia muito legal para a minha fic: seria um rapaz que sofreu abuso quando era criança e, por isso, virou gay. Como posso fazer isso dar certo na fic?
Sem chances de dar certo. Abusos sexuais, maus relacionamentos com o sexo oposto e etc não justificam homossexualidade. Nesse caso, o enredo será preconceituoso e poderá afastar muitos leitores.

04 – Ouvi dizer que todas as lésbicas são amazonas feministas devoradoras de homens, achei isso muito legal. Posso criar uma personagem assim?
Criar uma personagem assim você até pode, mas não vá justificar sua ação pela sexualidade. Além disso, esse termo longo é outra atitude preconceituosa, já que feministas não odeiam homens, só lutam pelos mesmos direitos. Não faz sentido associar isso com a sexualidade nem usar esses termos como “amazonas” e “devoradoras”. Assim como na pergunta anterior, tratar-se-á de algo preconceituoso e que poderá afastará muitos leitores.

05 – Eu até tento tirar o pensamento de “seme machão” e “uke fêmea”, mas eu simplesmente não consigo imaginar o “uke” sendo o ativo. Como eu posso reverter a situação?
Tem coisas que as pessoas não precisam imaginar. Altura, comportamento e gostos não definem papel sexual. Além disso, papel sexual é apenas papel sexual (e às vezes eles revezam), não existe essa de “macho” e “fêmea” numa relação desse tipo. O motivo de tanto choque é por a sociedade estar acostumada com isso de homem e mulher, mas não tem nada de errado em o mais baixo ser ativo ou o mais “machinho” ser o passivo. Sexualidade não define pessoas e papel sexual não define nada. Como reverter? Simplesmente revertendo. Pode ficar feio aos olhos de alguns, mas estará respeitando a realidade mais do que nunca!

06 – Tem diferença entre “preconceito” e “homofobia”? Como encaixar ambos numa fic?
Sim, existe uma diferença. Digamos que toda homofobia é preconceito, mas nem todo preconceito é homofobia. Preconceito vem de “pré-conceito” e consiste em apontar, julgar sobre determinado assunto sem conhecê-lo e acabar falando algo errado. Já a homofobia é mais crítica, já envolve ódio sem sentido, que pode envolver exclusões e atos violentos, coisas do tipo “Eu te odeio só porque você é homossexual.”. Podemos ver essa diferença quando criamos estereótipos; eles fazem parte do preconceito (mas, no caso, criado pela ignorância no assunto mesmo), mas não é homofobia, pois não gera ódio.
Sobre encaixar isso numa fic, o preconceito vem no cotidiano, o melhor a se fazer é explorar os estereótipos mesmo, os velhos discursos e o fato da sociedade não estar acostumada com isso. Já a homofobia, se quiser colocar algo assim na sua história, vem da exclusão social ou até mesmo da violência ou assassinato.

07 – Li em algum lugar sobre “estupro corretivo”. O que isso significa? No que difere do “estupro comum”?
O tal do “estupro corretivo” são ações homofóbicas que consistem em estuprar homossexuais, a fim de tentar convertê-los para a heterossexualidade. É uma atitude primitiva e bastante humilhante. O “estupro comum” não possui esse ideal.

08 – Quando eu vejo coisas sobre esse assunto, eu vejo que uns falam “homossexualismo” e outros falam “homossexualidade”. Qual é o certo?
Sobre isso, uns dizem que “homossexualismo” está errado por se tratar de um sufixo que indica patologia. Até vale como uma interpretação, mas eu prefiro explicar da seguinte maneira: “-ismo” vem de “dogma, prática, característica”. Até aí vemos que não tem problema nenhum. No entanto, o “-idade” representa o quesito de “identidade”. Isso pode gerar uma confusão, mas é recomendável que se use o termo “heterossexualidade”, por se tratar de “sexualidade” (que envolve a atração, o afeto) e não “sexualismo” (que envolve apenas o sexo em si).

09 – O que os homossexuais têm de diferente dos heterossexuais fora a atração sexual?
Nada.

10 – Um heterossexual pode ter trejeitos?
Apesar de não ser comum, pode, sim. Um menino ser afeminado não é sinônimo de homossexualidade; existem meninos héteros afeminados. O mesmo vale para meninas mais masculinas. O único fator que indica homossexualidade é a atração mesmo, não há outras características que comprovem isso. Além disso, também há a possibilidade de homossexuais não terem trejeitos. Varia muito de pessoa para pessoa.

Conclusão

Frisando as coisas finais: sexualidade não define pessoas. Todos são comuns e possuem suas qualidades e defeitos normalmente, o que muda é só por quem elas sentem atração, certo? E o mais importante de tudo: não é só atração sexual, é amor também. Homossexuais amam e desejam relações duradouras como quaisquer tipos de pessoas que desejam algo romântico.

Bibliografia:
A minha pesquisa foi bem ampla, então colocar todos os sites que visitei ocuparia muito espaço (fora que grande parte veio da própria experiência e de outras pessoas que perguntei), então, para os interessados no assunto, recomendarei um site que aborda todo o tema de forma bem mais aberta:
Para quem quer algo mais específico e direto, este F.A.Q. é bem interessante:

Sexualidade e Verossimilhança (1/3)

Posted by : Ligados Betas
25 agosto 2014
2 Comments

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