Pronomes de tratamento japoneses


Por: Ano Aoi Sora
Hey!
Aqui é Yasmin, sou uma estudante de japonês há dois anos e uma beta. Vim falar de uma coisa que você, provável fã da cultura japonesa, deve usar muito em suas fanfics.
Sim, vim falar de pronomes de tratamento! Quem nunca escreveu uma fanfic onde fizesse alguém chamar outra pessoa de “Algo-chan”? ou “Algo-kun”?
Bem, esses “-chan” e “-kun” são chamados de pronomes de tratamento japoneses. Eles indicam a relação do falante com o ouvinte, e muitos fãs de animes/mangás os usam instintivamente, acostumados com o uso. 
Entretanto, já vi também vários desses pronomes serem usados erroneamente e displicentemente. Gente, esses pronomes, na minha percepção, dão um sabor a mais para o texto. É tão triste vê-los sendo usados de forma errada.
Já que estava sentindo-me assim, resolvi fazer isto aqui: um post gigante (me desculpem) com alguns dos mais utilizados pronomes de tratamento!
Contudo, saibam que seus personagens não são obrigados a utilizá-los. “Mas como assim, Yasmin? Você acabou de falar que eles dão um sabor a mais!”. Bem, sim, eles dão. Porém, a cultura japonesa, como toda cultura, se adapta cada vez mais aos que a utilizam. Tornou-se comum não utilizar vários dos pronomes que menciono aqui. Portanto, não me venha com coisas do tipo “Mas tal personagem não usa isso para se referir a tal personagem!”. Minha resposta será “Porque tal personagem não é obrigado”. E não se toca mais no assunto. 
Outra coisa, eu não listei tudo aqui. Tem muitos que não mencionei porque não vejo a utilidade, a sério. Se você tiver alguma dúvida sobre uso de algum que não mencionei, pode vir me procurar ou mesmo dar uma pesquisada em minhas fontes! Elas são super confiáveis... (exceto google tradutor, que é só pelos kanjis.)

-San, Han
Forma em japonês, respectivamente: -さん, -はん
San é um dos pronomes de tratamento mais comuns. Ele indica respeito e distância. Já Han é a forma pronunciada quando no dialeto de Quioto. 
Você o usaria com:
Um colega de classe com quem você nunca conversou direito.
Ex: “Sakura-san, poderia me emprestar seu apontador?”
Um vizinho de quem você nunca foi muito amigo.
Ex: “Ohayou, Tenzin-san.”
“Ohayou, Natsumi-san.”
Um colega de trabalho com quem você não é extremamente próximo.
Ex: “Heiji-san, poderia entregar este documento para Seiko-sama?”

-Kun
Forma em japonês: -くん 
Vindo do kanji de “você” (君, lido como “kimi”), “kun” significa uma proximidade entre o falante e a quem o falante se dirige. Ele é geralmente utilizado para homens, mas, antigamente, era usado para ambos os sexos. Tanto que é comum ver um senhor/uma senhora de idade chamando uma garota com o pronome de tratamento kun. 
Você o usaria com:
Amigos, quando a garota se refere ao garoto.
Ex: “Ne, Kent-kun, você está muito frio hoje!”
O professor falando com um aluno.
Ex: “Sasahara-kun, sente-se!”
Uma menina se referindo amigavelmente a outra quando a segunda não é tão feminina.
Ex: “Mas, Mio-kun, eu já disse para você usar saias!”
Namorados, a garota se referindo ao namorado.
Ex: “Kou-kun, que tal visitarmos aquele restaurante?”
Um mais velho falando tanto com uma garota quanto com um garoto com quem tem proximidade.
Ex: “Douko-kun, poderia me buscar um copo de água? E traga meus remédios também, querida.”

-Chan
Forma em japonês: -ちゃん
Chan foi um pronome de tratamento criado recentemente. É um pronome carinhoso, geralmente utilizado para chamar uma garota, mas também pode ser usado como forma de deboche para garotos. Ele é usado para se referir a garotas mais novas, entre garotas amigas, entre namorados, o professor para uma de suas alunas, garotas ídolos.
Você o usaria com:
Amigas. 
Ex: “Eru-chan, não vai acreditar no que acabei de ouvir!”
“O quê, Sayaka-chan?”
Sensei para aluna.
Ex: “Touko-chan, poderia entregar estes deveres para Mabuchi-kun? Estou preocupado, já que ele tem faltado tanto por conta da doença...”
Senpai para kouhai.
Ex: “Yumi-chan, espere!”
Ídolos. 
Ex: “Remi-chan é tão incrível! Adorei o show dela ontem!”
Amizade entre garotos e garotas.
Ex: “Ne, Sakura-chan, não vai mesmo me emprestar seu dever?”
Namorados.
Ex: “Futaba-chan, te amo.”

-Tan, Chama, Tama
Forma em Japonês de Tan, Chama e Tama, respectivamente: たん, ちゃま, たま
É a versão infantil de “chan”. Muitas crianças não conseguem pronunciar essa palavra direito ainda, então falam “tan”, “chama” ou “tama”. Não é tão incomum, entretanto, encontrar alguma dessas palavras substituindo o “chan” em conversas mais joviais.
Você os usaria com:
Criança com criança.
Ex: “Sakura-tan, vem brincar com a gente!”
Apelido entre amigos/amigas.
Ex: “Kyoko-chama, estou te ligando há horas! Onde você está?”

-Sensei
Forma em japonês: 先生
Sensei significa professor. Portanto, só é usado com professores mesmo. (Dã.)
Ex: “Kakashi-sensei, por que você sempre se atrasa?”

-Senpai
Forma em japonês: 先輩
Senpai é alguém que está em uma escola/trabalho/curso/estabelecimento há mais tempo do que o falante. Por exemplo, no colegial, os alunos do 1° chamam os alunos do 2° de Senpais, por eles estarem há mais tempo na escola. 
Ex: “Togyu-senpai, poderia me explicar o exercício número 17?”

Kouhai
Forma em japonês: 後輩
Kouhais seria o contrário de Senpais. No caso citado acima, os alunos do 1° seriam os kouhais dos alunos do 2°. Entretanto, kouhai não é usado como sufixo. No máximo, é usado como forma de referência.
Ex. Usado em forma de referência: Minha kouhai não me deixa mais em paz.

-Sama
Forma em japonês: 様
Sama é usado para indicar submissão de alguém. Pode ser submissão a um chefe de empresa, pode ser à mestra de um escravo, ou a um chefe de família... Qualquer relação de submissão é contada.
Você os usaria com:
Chefe de empresa.
“Hakaze-sama, os papéis foram terminados.”
Relação mestre-escravo.
“Yumei-sama, aqui está o vestido que você requisitou.”
Chefe de família.
“Byakuya-sama, Rukia-sama já chegou de sua missão.”

-Nii-chan, Nii-sama, Nii-san
Forma em japonês, respectivamente: 兄-さん, 兄-様, 兄-ちゃん
“Nii” é escrito com o kanji de “irmão mais velho” (お兄), que se lê “Oniii”. Apesar de existir casos em que o irmão mais velho em questão é chamado só de “-nii”, a maioria das vezes ele vem acompanhado de algo.  San, chan, sama tem a mesma função que a explicada anteriormente. Portanto, um “Nii-chan” é mais carinhoso, um “Nii-sama” indica submissão e “Nii-san” indica respeito.
“Nii” não é exclusivo para relações familiares. Por exemplo, Naruto é chamado de “Naruto-nii-chan” por Konohamaru, que é somente 3 anos mais novo e não tem relação familiar nenhuma com Naruto. Isso é porque Konohamaru o considera um irmão mais velho. 
Exemplos: “Byakuya-nii-sama, me chamou?”
“Nii-chan, o almoço tá pronto!”
“Kou-nii-san, parabéns por ter passado em seus exames.”

-Nee-chan, Nee-sama, Nee-san
Forma em japonês, respectivamente: 姉-ちゃん, 姉-様, 姉-さん
“Nee” é a mesma coisa que “Nii”, mas com a diferença de que é “irmã mais velha”, não “irmão mais velho”. Além disso, no sentido adicional, pode ser considerado o nosso “tia”, que usamos para nos referir a qualquer moça com uma diferença de idade considerável, como uns 6 anos. 
Exemplos: “Ayane-nee-san, o que teremos para almoço?”
“Nee-chan, eu vou de carro com você?”

-Jii-san, Jii-chan, Jii-sama
Forma em japonês, respectivamente: 爺-さん, 爺-ちゃん, 爺-様
“Jii” vem “Ojii”, que é avô. É um modo de se referir a um homem idoso.
Exemplo: “Jii-chan, que tal uma partida de xadrez?”
“Tanaka-jii-sama, o que deseja?”

-Okaa-san, Okaa-chan, Okaa-sama 
Forma em japonês, respectivamente: お母-さん, お母-ちゃん, お母-様
“Okaa” significa “mãe”, usado como vocativo para mães e para se referir a mães de outras pessoas. Nessa função, ele funciona como Nii. Se você estiver falando sobre sua própria mãe com outra pessoa que não a tenha como mãe também, é usado “Haha”. Muitas vezes o “o” é retirado, como um modo de falar, e fica “Kaa”.
Exemplo: “Okaa-chan!”
“Okaa-san, pode vir me buscar?”
“Okaa-sama, passei em meus testes.”
“Okaa-san pediu pra você ir falar com ela, Sakura-chan!”
“Kaa-chan, olha o que ganhei de presente!”

-Otou-san, Otou-chan, Otou-sama
Forma em japonês, respectivamente: お父-さん, お父-ちゃん, お父-様
“Otou” é pai, usado como vocativo para chamar pais e pais de outras pessoas. Nessa função, ele funciona como Nii. Se você estiver falando sobre seu próprio pai com outra pessoa que não o tenha como pai também, é usado “Chichi”. Muitas vezes o “o” é retirado, como um modo de falar, e fica “Tou”. 
Exemplo: “Tou-chan, olhe minha pontuação!”
“Otou-sama, Tamoni-nee-san não voltou para casa esta noite.”
“Meu otou-san me proibiu de ir, desculpa!”

-Ue
Forma em japonês: -上
É usado como forma de respeito para “chichi” e “haha”. “Ue” significa acima, portanto, você está se colocando em uma posição inferior. A forma final ficaria “Haha-ue” e “Chichi-ue”. 
Exemplo: “Haha-ue me disse para deixar isso para lá.”
“Chichi-ue nos abandonou assim que pôde.”

-Baa-san, Baa-sama, Baa-chan
Forma em japonês, respectivamente: バア-さん, バア-様, バア-ちゃん
“Obaa” é avó. “Baa”, sem o “o” na frente, é um modo para se referir a uma mulher idosa.
Exemplo: “Baa-san, o que está fazendo? Te pedi para descansar hoje!”
“Haruhi-obaa-sama, eu juro que estava em meu quarto! Não destruí vaso algum!”
“Obaa-chan, como será que é o céu?”

-Oba-san, Oba-sama, Oba-chan
Forma em japonês, respectivamente: 叔母さん, 叔母-様, 叔-ちゃん
“Oba” é tia, e funciona como Nii funciona. Se refere, também, a uma mulher bem mais velha, mas não idosa. 
Exemplos: “Oba-chan, cadê você?”
“Erabu-ba-san, okaa-san pediu para que eu te chamasse para almoçar.”

-Oji-san, Oji-sama, Oji-chan
Forma em japonês, respectivamente: 叔父さん, 叔父-様, 叔父-ちゃん
“Oji” é tio, e funciona do mesmo modo que Nii. Pode se referir a um homem bem mais velho, mas não idoso. 
Exemplos: “Oji-san, dois ramens de porco, por favor!”
“Yuuki-ji-chan, esta é minha namorada, Sarada-chan.”

-Shishou
Forma em japonês: 師匠
Pode ser um meio de se referir a um professor, mas é usado mais como “mentor”. Também é mais comum utilizá-lo com figuras femininas, apesar de ser unissex. 
Exemplos: “Shishou, eu não estou conseguindo resolver este aqui...”
“Kori-shishou é uma ótima mestra!”
“Minha shishou é a melhor, sem dúvidas.”

-Hakase
Forma em japonês: 博士
Chamamos de “Hakase” alguém que tenha feito doutorado. É uma exímia forma de demonstrar respeito, e só se chama alguém assim depois de comprovado que este tenha passado em seu doutorado. É comum utilizar “Hakase” para professores de faculdade, já que a maioria destes tem um doutorado. 
Exemplos: “Indou-hakase, terminei meu trabalho. Aqui está.”

-Ou-sama
Forma em japonês: 王-様
“Ou” significa rei. “Sama” é só para indicar respeito. 
Exemplos: “Akura-ou-sama!”
“Ou-sama, os convidados de York chegaram.”

-Ouji-sama
Forma em japonês: 王子-様
“Ouji” significa, numa tradução literal, de rei criança, mas é usado como “príncipe”, e só é usado para príncipes na adolescência. Não é usado no sentido de mestre, mas também pode ser utilizado para se referir ao príncipe encantado. O “Sama” é utilizado para indicar respeito.
Exemplos: “Zen-ouji-sama, Ojou-sama não apareceu para o jantar. Devo começar uma busca?”
“Ouji-sama é muito descuidado.”

-Ojou-chan, Ojou-san, Ojou-sama
Forma em japonês: お嬢, お嬢, お嬢-様
 “Ojou” é uma figura de respeito feminina e jovem. Pode ser usado para se referir a uma nobre, assim como o vendedor pode se referir à garota que sempre faz compras em sua loja. Tudo depende do “chan”, “san” e “sama”. 
Exemplos: “Ojou-chan, o que vai levar hoje?”
“Ojou-san, como vai?”
“Aquela ojou-san sempre passa por aqui.”
“Ojou-sama, estava preocupado!”

-Bou-chan
Forma em japonês: (não encontrado)
“Bou-chan” é usado para se referir a filhos de lordes e outras coisas, principalmente quando é um empregado se referindo à criança de que tem de tomar conta. “Chan” já indica um bom relacionamento entre os dois, e acredito que, se o empregado não for tão próximo da criança, ele a chamaria de “sama”. 
Exemplos: “Bou-chan, não vá por aí!”
“Oz-bou-chan, seu pai o chama em seu escritório.”

-Hime
Forma em japonês: 姫
A tradução literal é “princesa”, apesar de “ojou-sama” ser mais utilizado nesses casos. Hime pode ser usado para se referir a uma garotinha importante, como a filha de um pai dedicado. Muitas vezes é utilizado por namorados para chamarem suas namoradas, como falamos “Amor, me passa o pão?” ao invés de chamá-lo pelo nome próprio.
Exemplos: “Hime, que tal pegarmos um pouco de sorvete? Está calor!”
“Tanahi-hime, está na hora do baile.”

-Dono
Forma em japonês: 殿
“Dono” significa “milorde”. É usado para se referir a pessoas de extremo respeito quando há alguém ainda superior a estas. Por exemplo, em Naruto, Temari e Kankuro são chamados de dono, pois Gaara é quem merece o maior respeito possível.
Exemplo: “Togyuu-dono, Mirai-sama te aguarda em seus aposentos.”

-Baka
Forma em japonês: -ばか
“Baka” significa, literalmente, idiota. No entanto, é comum adicioná-lo no fim dos nomes como sufixo. 
Exemplo: “Kurosaki-baka, estou do seu lado!”
“Baka, eu te amo.”

-Nyan
Forma em japonês: -にゃん
É usado mais como piada para se referir a garotas. É usado como apelido também, mas não tem real uso. Utiliza-se como “chan”. 
Exemplo: “Yume-nyan, desacelere!”

-Kaichou
Forma em japonês: -会長
“Kaichou” significa presidente. Pode ser presidente do conselho estudantil, de uma empresa, mas de um país já assume nome diferente. 
Exemplo: “Misaki-kaichou, Usui-senpai tem causado problemas com as kouhais de novo!”

-Buchou
Forma em japonês: -部長
“Buchou” significa coordenador de uma seção. Pode ser de um clube escolar, de um seguimento em uma empresa, qualquer coisa. Entretanto, por mania, é comum utilizarem “Kaichou” para clubes, por serem presidentes, apesar de o termo mais acurado ser “Buchou”.
Exemplo: “Buchou, estamos com pouco dinheiro!”
“Houtarou-buchou, te enviaremos os arquivos logo.”





Plot Twist: a arte de enganar e ainda assim cativar


Por: Carol Ferreira (Annye)




O texto contém grandes spoilers. No entanto, eles estão marcados em branco. Para lê-los, basta selecioná-los com o mouse. Só sugiro que faça caso já tenha lido o livro/assistido ao filme.
Aqui no blog da Liga, a gente já falou várias vezes sobre clichês.
Como eu teria um trabalho enorme para fazer um compilado de textos que abordam o clichê (correndo ainda o risco de não reunir todos os links desse tema), vou deixar apenas a dica para que vocês procurem mais sobre o tema na caixinha de busca que fica logo ao lado do menu.
Mas se vocês notaram o título do texto, perceberam que hoje nós não vamos falar dos temidos clichês, e sim, de seu oposto.
“Plot twist” (plot = enredo/twist = torcido), traduzido literalmente como reviravolta, é um elemento narrativo usado para surpreender os leitores/expectadores.
A wikipedia define Plot Twist como: “[...] uma mudança radical na direção esperada ou prevista da narrativa de um romance, filme, série de televisão, quadrinho, jogo eletrônico ou outra obra narrativa. É uma prática muito usada para manter o interesse do público na obra, para normalmente surpreendê-los com uma revelação.”
Mas como eu uso o plot twist em meu texto? Só há uma maneira?”
Claro que não!
Existem vários métodos de introduzir um plot twist em uma narrativa. Por falta de didática melhor, acredito que a melhor forma de explicar as diversas formas seja enchendo esse post com inúmeros exemplos. Eles obviamente virão acompanhados de spoilers, a fim de ilustrar da melhor forma possível. 

Então peço desculpas desde já, e aviso que os spoilers estarão invisíveis (para ler o spoiler, basta selecionar o texto entre aspas com o mouse). 

1. Plot Twist ao fim da narrativa


O tipo de reviravolta que todos conhecem. Nesses casos, o grande clímax da história está justamente em um grande fato ou acontecimento. Ele determinará o fim da história, e é por meio desse grande final que conhecemos obras que ficaram eternizadas.
~Spoilers – Clube da Luta (filme de David Fincher)~
Quem já assistiu sabe que no fim da história descobrimos que o Tyler na verdade era uma projeção do próprio Jack, devido suas noites insones e problemas psicológicos.
Mas o plot twist da história se revela apenas ao fim, quando Jack passa a rever todos os acontecimentos pela sua ótica, e se vê segurando a arma que Tyler apontava para ele. Naquele momento, é tarde demais para conter o grande plano de Tyler, que acaba ocorrendo. Mas fica subentendido que o romance entre Jack e Marla foi levado a frente – isso é, se ele não foi preso e sobreviveu.”
Sendo assim, podemos dizer que a marca registrada desse tipo de elemento narrativo, quando executado da forma acima citada, é a surpresa que só afeta aquele pequeno período de tempo. Nós não veremos o que irá acontecer depois, porque o depois não importa. O choque imediato é suficiente para que qualquer dúvida se torne algo de segundo plano.
2. Plot Twist no início/meio da narrativa
Estamos acostumados a ver reviravoltas acontecerem no final, mas esse tipo de plot twist muito me interessa por sua peculiaridade. Diferentemente do que se espera, a história é narrada bem até determinado ponto e depois ainda tem que lidar com os resultados – imediatos e a longo prazo – de sua mudança.

~ SPOILERS: “A favorita” (novela de João Emanuel Carneiro)
Aqui temos duas protagonistas: Flora e Donatella. Por mais de dois meses de novela (exatamente 59 capítulos), o público foi induzido a pensar que Donatella tinha cometido um crime e estava pagando por seus pecados na cadeia. Mas no capítulo 60, eis que surge a magia do twist.
Foi na verdade Flora quem cometeu o crime, e a missão de Donatella passa a ser desmascarar a vilã e reconquistar sua filha, que acabou ficando sob a tutela de Flora enquanto Donatella esteve na cadeia..”
O mais legal nesse tipo de reviravolta, é que ainda temos mais da metade dos acontecimentos pela frente. Sendo assim, o autor praticamente desenvolve duas tramas. Além do mais, o plot twist aqui não serve para dar fim a uma sucessão de fatos, mas para desencadear uma série de novos problemas que deverão ser solucionados até o fim da jornada.
Ou seja, usar a ferramenta do plot twist no meio da história é mais para “animar” o público, dando a eles a sensação que a história não é previsível e que muita coisa ainda pode acontecer dali pra frente.

Ainda existem algumas subclasses para os twists:
a) Cronologia reversa: a história, nesses casos, começa justamente pelo seu final. Sendo assim a curiosidade é plantada no “como” a situação prosseguiu até que se chegasse a esse ponto e não no “porquê”.
Exemplo: Em “Memórias póstumas de Brás Cubas”, temos o narrador protagonista contando sua história até que chegasse a morte. Mas ele avisa o leitor logo no início que ele já estava morto.
b) Red herring (ou “distração”): usado principalmente em romances policiais, é a reviravolta que pega a todos desprevenidos, pois planta pistas falsas ou oculta informações primordiais para a solução do mistério.
Exemplo: Em “Os Outros”, vemos uma mãe desesperada com a casa cheia de fantasmas. Durante todo o filme tentamos entender de onde vêm os espíritos e o que fazer para afastá-los. Até que para surpresa geral, na verdade a Nicole Kidman, seus filhos e empregados que estavam mortos. Chocante.
c) Flashbacks: esses aqui são mais do que conhecidos. Usados por 10 em cada 11 ficwriters (e aqueles que nunca usaram, ainda vão), são a melhor forma de justificar uma personagem. Trazendo o que já sabemos de flashbacks para a mecânica do plot twist, nesses casos, apenas uma cena do passado é suficiente para mudar todo o enredo futuro.
Exemplo: Em “Titanic”, o objetivo principal do filme é achar o maldito diamante que todos achavam que tinha se perdido para sempre na imensidão azul. Claro que tudo foi esquecido a partir da primeira cena de Jack e Rose. Até que já estamos nos anos 90 e, de repente, somos transportados de volta a 1912, onde vemos Rose mexer em seu bolso e achar o diamante. Uma cena tão sutil que mudou o rumo da história (para os telespectadores, é claro, já que não faz muita diferença para aquele cara que gastou milhões procurando uma pedra para desistir quando ela finalmente foi lançada ao mar)..
d) Narrador não-confiável: Ele está narrando a história em primeira pessoa, então é a única fonte de informação do público. O choque da reviravolta aqui é salientado pelo narrador se dar muito bem/muito mal, mesmo não merecendo. Afinal de contas, ele manipulou toda história a seu favor, deixando difícil para os leitores decidirem o que realmente acham de sua índole.
Exemplo: Citando Machado de Assis novamente, temos a discussão mais acalorada por todo ensino médio. Em “Dom Casmurro”, deveríamos ler apenas uma história cotidiana de romance, que virou uma tragédia devido à “infidelidade” de Capitu. Contudo, o narrador da história é o próprio Bento, e nunca ficamos sabendo se ele estava mentindo ou não.
e) Chekhov's gun: é um princípio narrativo que diz que tudo que é colocado em uma narrativa tem um propósito. Em meio a um plot twist, o chekhov's gun pode ser qualquer elemento (desde uma personagem até um objeto), que irá ser relevante para o clímax da história.
Exemplo: No filme* “Um porto seguro” temos a personagem Jo, que se torna amiga de Erin. As duas ficam cada vez mais próximas, e Jo passa a dar várias dicas de relacionamento para que Erin perca seu medo e Alex e ela sejam felizes juntos. No fim descobrimos que Jo é a falecida esposa de Alex, que tirou férias do céu e permaneceu por ali só para ter certeza de que seu amado e filhos teriam um bom futuro.
*(não li o livro, então não posso dizer se a narrativa se repete)
f) Descoberta: A última e não menos importante subcategoria do plot twist, é a descoberta (ou anagnórise). Nesse caso, a personagem faz uma descoberta sobre si (ou de outro personagem) que muda o rumo da narrativa.
Exemplo: Em “O sexto sentido” Bruce Willis está morto. O filme inteiro. O que difere, no entanto, com o plot twist Red herring demonstrado em “Os outros”, é o fato de que a narrativa girava em torno do menino, Cole. Então a descoberta nos faz ver que o protagonista nunca foi Cole, e sim Malcolm (por protagonista, falo daquele que precisava “fechar” um ciclo). Claro, temos algumas dinâmicas Red herring (de deixar pistas soltas que indicavam a morte do psicólogo), mas o choque nesse caso é justamente a mudança súbita da natureza do protagonista.

Ótimo, agora eu tenho muitas referências. Mas como eu utilizo essas dinâmicas no meu texto?
Não existe uma fórmula mágica que faça plot twists funcionarem. O grande segredo para uma reviravolta ser bem executada, é ela ter coerência e casar com o texto.
Com isso quero dizer: não force a barra para usar um plot twist. Criar uma história mirabolante só para inserir uma ideia que cause choque no leitor não é uma boa ideia.
Além do mais, fazer de plot twists uma assinatura sua pode tornar-se, por incrível que pareça, previsível demais.
Um exemplo simples que nem chega a ser um spoiler: George R. R. Martin adora matar suas personagens. O primeiro “protagonista” que morreu causou um tremendo choque e comoção. Mas agora, mesmo ferindo sentimentos alheios, as mortes são apenas o caminho necessário para o decorrer da narrativa. Ou motivo para piada no Facebook. De qualquer forma, aquele choque que sentíamos nos primeiros livros/temporadas de Game of Thrones, agora já passou.
Temos também o diretor de cinema Shyamalan. Depois de “O sexto sentido”, vimos “Sinais” e “A vila” serem vendidos como filmes de finais surpreendentes. Mas basta perceber como ambos não geraram polêmica pelos seus finais para saber que eles talvez não tenham surpreendido tanto assim.

Conclusão
Reviravolta é um elemento que pode lançar sua narrativa para o sucesso. Tendo um bom enredo e um final surpreendente, é quase impossível a história não receber comentários positivos.
O problema é que a única forma de saber o que funciona e o que não funciona é testando.
Gostaria então, de deixar um site muito interessante, que pode ajudar muito aqueles que querem ter ideias para plot twist (seja para incorporar em suas histórias ou apenas para treinar seu poder narrativo). Estou falando do Plot Twist Generator. O site é em inglês, mas seu objetivo é dar uma frase de reviravolta para que o autor possa se inspirar e incorporar aquilo à sua história.

Espero então que toda a informação acima auxilie vocês na hora de escolher o tipo de plot twist que mais se encaixa com sua história.
Links consultados:




Resenha: A garota que eu quero


 Por: Takahiro Haruka



Olá, seus lindos!

Hoje darei início, oficialmente, ao projeto Resenhas de Livros. Foi-me dada a tarefa de fazer a primeira resenha, e cá estou eu. Vamos lá? O livro que escolhi foi A garota que eu quero, do Markus Zusak.



Título Original: Getting The Girl
Título Brasileiro: A garota que eu quero
Autor: Markus Zusak
Editora: Intrínseca
Tradução: Vera Ribeiro
Pontuação:


Sinopse: Cameron Wolfe é o caçula de três irmãos e o mais quieto da família. Não é nada parecido com Steve, o irmão mais velho e astro do futebol, nem com Rube, o do meio, cheio de charme e coragem e que a cada semana está com uma garota nova. Cameron daria tudo para se aproximar de uma garota daquelas, para amá-la e tratá-la bem, e gosta especialmente da mais recente namorada de Rube, Octavia, com suas ideias brilhantes e olhos verde-mar. Cameron e Rube sempre foram leais um com o outro, mas isso é colocado à prova quando Cam se apaixona por Octavia. Mas por que alguém como ela se interessaria por um perdedor como ele?
Octavia, porém, sabe que Cameron é mais interessante do que pensa. Talvez ele tenha algo a dizer, e talvez suas palavras mudem tudo: as vitórias, os amores, as derrotas, a família Wolfe e até ele mesmo.

Resenha: A garota que eu quero parece, em um primeiro momento — olhando para o título, a capa e a sinopse — uma história comum entre adolescentes, um tema muito tratado hoje em dia. Estamos tão acostumados aos temas clichês que os evitamos, mas há autores que conseguem transformá-los em algo fascinante. Um desses é Markus Zusak, mais conhecido por sua obra A menina que roubava livros.
Quando escolhi esse livro para ler e resenhar, confesso que estava um pouco insegura sobre a leitura. Mas agora vejo que eram preocupações tolas. A história tem, sim, um tema clichê. Porém, o autor o aborda de tal forma que é impossível não se encantar pela história. Para começar, o personagem principal não é o típico garoto bonito, popular, galante e cativante. Muito pelo contrário. Cameron é o caçula de três irmãos homens, sendo um deles famoso por seu talento com futebol e o outro de papo fácil, encantador e que consegue qualquer garota em quem puser os olhos.
Já Cameron nunca fez nada muito surpreendente, e é esse o foco da história. O autor narra em primeira pessoa, com Cam como foco principal. A partir do ponto de vista dele, conhecemos um garoto que pensa sempre o pior de si mesmo. Ele acha que todo mundo o vê como um perdedor — e, no final, alguns o veem. Sua autoestima é tão baixa que chega a ser irritante, e é aí que a história fica interessante.
O autor foca totalmente no desenvolvimento pessoal do personagem, desde os seus problemas familiares até seu problema com as garotas. A história se passa em um inverno — três meses? —, o que é irônico, porque a estação combina exatamente com ele: triste e solitária. Ao final, Cam prova para os outros e, principalmente, para si mesmo, que não é o perdedor que todos pensam ser.
Seria surpreendente se fosse apenas isso, mas há mais. Markus Zusak parece ter um tara por palavras, textos. Isso mesmo! Assim como em A menina que roubava livros, em A garota que eu quero as palavras possuem grande papel na história. A começar pelo fato de que, enquanto a história se passa com Cam e seus problemas pessoais, há o outro lado da moeda: sua mente perturbada por sentimentos ruins.
Cam, repentinamente, sente vontade de escrever, e as palavras o levam a seu subconsciente, onde vive uma realidade alternativa, enfrentando desafios e vivendo situações desesperadoras ao lado de um cão solitário, que o guia por aquele mundo desconhecido — ele mesmo. Conforme Cameron enfrenta a realidade e a fantasia, descobre a si mesmo. Descobre como superar seus problemas. E quando os dois universos se chocam, ele real e ele imaginário, Cam faz a melhor escolha de sua vida: ele escolhe superar-se.
A história de Cam nos ensina que precisamos, antes de tudo, entender a nós mesmos. Pararmos para avaliar-nos e descobrirmos onde estão nossas falhas. Precisamos aprender a superá-las, a confiar em nossas capacidades, a pensarmos que podemos, sim, ser mais do que as pessoas dizem ou pensam. Precisamos de pessoas ao nosso redor que nos apoiem, e não daquelas que nos derrubam ainda mais. A história é uma lição de sobrevivência, de como enfrentar seus medos, reconhecendo-os e superando-os.
Acredito ser um ótimo livro para pessoas que têm baixa autoestima, ou para aquelas que não conseguem superar seus problemas pessoais. Cam é um grande exemplo de que só encontramos as respostas dentro de nós mesmos, e que, mesmo que não pareça, em algum momento aparecerá alguém que irá ajudá-lo a superar. Sua Octavia aparecerá quando você menos esperar.
A garota que eu quero faz parte de uma trilogia, mas pode ser lido de modo independente. Os outros dois títulos são: O Azarão e Bom de briga.


Gostaram da resenha? Que tal ler o livro e deixar um comentário com a sua opinião sobre ele?

Uma boa história não é feita somente de boas ideias


Por: Renan Andrade (Autor do Nyah)
Meia-noite. Você está escutando música calmamente, mexendo no WhatsApp e vendo vídeos no Youtube quando, de repente, surge uma grande ideia para uma fanfic. Você abre rapidamente o seu editor de texto e começa a digitar seus milhares de ideias e rascunhos para fazer sua história, personagens, cenários e pensar como deixar tudo mais realista, futurista, sobrenatural, mágico, etc.
Você pensa em todos os detalhes de uma cena e faz questão de envolver o leitor em cada segundo de uma trama, se importando 100% com a sua concordância verbal, gramática e tentando limpar qualquer erro de português para fora de sua fanfic. Parabéns, você é um em um milhão.
Como escritores e autores, sempre pensamos antes de levar uma ideia ao papel. Afinal, sempre existe a dúvida natural de que ela não seja boa ou atraente o suficiente. Mas quando vem aquela ideia ideal, a pressa para escrever é tanta que nem mesmo pensamos se aquilo está ficando bom ou não. Isso é certo. Afinal, as maiores cenas um dia já foram rascunhos que o escritor leu e releu por dias ou semanas, e é exatamente aí que o escritor se sabota: na revisão.
Como uma boa história não é feita somente de boas ideias, as boas ideias em si não fazem a história toda. É preciso uma boa escrita, um aprofundamento das cenas de clímax (sim, toda história que se prese precisa de no mínimo uma cena de clímax, já que esse é o momento pelo qual o leitor se lembrará da sua história amando-a ou amando odiá-la), um bom desenvolvimento do enredo, uma boa passagem pela revisão duas ou três vezes, para assim poder amadurecer as ideias, retirando o que está ruim ou acrescentando o que lhe pareceu faltar enquanto você revisava toda a sua ideia.
No entanto, é raro. Histórias com ideias extraordinárias já foram estragadas pela falta de um(a) autor(a) que se presasse. A escrita foi ruim, a história não tinha clímax ou uma continuidade, isso sem falar naquela ideia tosca que apareceu naquele momento estranho, somente para preencher mais algumas linhas de texto. Por favor... Nem uma one-shot sem compromissos merece um quarto desse desprezo!
Autores no começo da carreira sempre têm ambições mais altas que resultam nas ideias mais extraordinárias que os escritores experientes. Porém, o peso de uma ideia extraordinária nunca será suportado por um escritor novato, público para o qual escrevo esse texto. Pessoal, é sempre normal olhar para trás e dizer que não gosta de suas fanfics antigas, afinal, você começou a escrever ali, e boas ideias foram mal trabalhadas ali também. Você não aguentava o drama do enredo, não tinha a melhor das gramáticas, e era um bebê aprendendo a dar seus primeiros passos. Sempre devemos perdoar. Mas, depois do primeiro ano escrevendo e percebendo que a sua escrita não era tão boa no passado, você não deveria tentar melhorar como autor?
Ledo engano...
Escritores de fanfics que escrevem há quase cinco anos pouco melhoraram desde seu primeiro ano. Eles seguram mais firmemente as ideias em suas mãos, mas ainda não conseguem compor uma história envolvente por causa da escrita, ou têm gramáticas lindas que são estragadas pelo peso nos ombros que uma boa história pode causar. Seja qual for o motivo, esse escritor já deveria ter parado de escrever em seu terceiro ano, pois não, para um escritor de fanfics, o terceiro ano é o máximo de tempo que você tem para amadurecer, depois dali, você já sabe que um escritor não vai mudar... Não sem MUITO esforço.
Eu posso lhes dizer isso pois mesmo sendo um escritor de fanfics no final de seu segundo ano, eu treino minha escrita ferozmente quando escrevo, sejam histórias, personagens ou canções, além de conhecer pessoas que nada amadurecem sua escrita. Isso me deixa triste. Ver pessoas publicando rascunhos na internet (sim, eu digo, pois é verdade: em cada dez fanfics, seis serão rascunhos), histórias que poderiam ser melhor empregadas, melhor tratadas, amadas, cuidadas. Que poderiam ter sido mais bem revisadas! Essas histórias poderiam ter me feito chorar de emoção, enquanto somente me fizeram chorar de arder os olhos por causa de uma escrita ruim, ou de ódio de quem escreveu por ter dado o diamante de sua mente à forma de pedra no papel.

A minha dica é: leiam. Antes de escrever, leiam. Muito. Não leiam fanfics com erros gramaticais terríveis, leiam fanfics com uma escrita revisada e bonita, leiam livros, qualquer coisa que consiga fazer você entender o poder de uma só frase, e, aí, você finalmente irá entender o poder que uma história tem quando bem feita. Não seja um escritor de ideias, seja um escritor de histórias.

Clube de Leitura - 11º rodada



Extra, extra!
Senhoras e senhores, sentem-se para este pronunciamento.

O Projeto do clube de leitura retornou *chove purpurina dourada, toca aquela musiquinha e vê-se o tapete vermelho*. Não, seus óculos não precisam ser limpos, é verdade.
Continuaremos de onde paramos (nunca deveríamos) com a 11ª rodada, e a história da vez é Adeus Leslie, do autor Theodor Von Teasir.

“Mas eu não sei como o projeto funciona, então chorarei até meus olhos secarem?”

Calma, pessoinha, na verdade é bem simples: quem quiser participar pode enviar-nos suas oneshots, haverá um sorteio e o/a felizardo(a) terá sua história postada aqui, no blog da Liga, a fim de receber resenhas. Todos podem enviar resenhas para a história da vez, esse é objetivo, assim como também podem enviar-nos a história para o próximo sorteio.

As resenhas devem ser enviadas para o e-mail da comunicação (comunicacao.ligadosbetas@gmail.com) até o dia 10/02. As resenhas e/ou histórias enviadas após essa data serão automaticamente desclassificadas.

E para comemorar a volta do Clube, o dono da melhor resenha ganha um design para sua fanfic, ou mesmo uma capa para usar no Facebook e/ou Nyah!, fornecida pela Sailor Edições, nossa parceria aqui no blog! 

É isso aí, galera! O Clube de Leitura está oficialmente de volta. o/

Preparem seus dedinhos e não deixem de participar!

[Sugestão Atendida] Como lidar com bloqueios criativos


Por: Senhorita Ellie


 Se existe um problema que é praticamente unânime entre os escritores em geral, causando bastante dor de cabeça, é o bloqueio criativo; você não precisa procurar muito para encontrar escritores com tristes histórias sobre bloqueios medonhos para contar.

A experiência do bloqueio criativo não é agradável para o escritor em questão por uma infinidade de fatores. Acostumado com as ideias fluindo naturalmente, um momento de vazio pode ser encarado com pânico e apreensão, e a não-resolução do problema por si só apenas o faz parecer maior. Neste post, eu vou fazer um compilado de dicas para conviver e lidar com uma inevitável falha na sua criatividade. É interessante notar que, tal como pessoas operam de modos diferentes, as dicas podem ter efeitos diversos, sendo efetivas ou não. O importante é testar todas, descobrir qual funciona melhor com você e, caso necessário, fazer suas próprias adaptações.


Se a criatividade te dá uma banana, faça limonada


O bloqueio criativo não é uma doença, é um estado de desgaste mental e suas razões são inúmeras. Ele pode surgir depois da finalização de um capítulo que o escritor considerou muito bom (e no qual, consequentemente, ele colocou bastante esforço), em decorrência de inseguranças pessoais relacionadas à própria escrita e à receptividade do que está sendo escrito — isso não está bom o suficiente, ninguém vai ler isso, está horrível —, no meio de uma cena que o escritor não está sentindo prazer em desenvolver, ou após um período muito intenso de escrita, que pode exigir bastante da criatividade do autor em questão.

Qualquer que seja o motivo, entretanto, os “sintomas” são sempre os mesmos: o escritor se vê num momento onde as ideias não aparecem, onde há a vontade de escrever, mas não há nada que pareça digno da atividade — às vezes, até a vontade de escrever some — e onde o fato de não conseguir gerar nada bom só traz mais frustração. Bloqueios por si só podem durar dias, meses ou até mesmo anos e a “cura” vem absolutamente do nada; certo dia, a ideia salvadora aparece e então a vida do escritor volta aos eixos... Pelo menos até o próximo bloqueio.

Contudo, mesmo lidando com o fato de que não há de fato uma “cura”, nós podemos incentivar a nossa criatividade a funcionar. A criatividade não é um dom, é um processo e, como tal, pode ser devidamente estimulada.

Assim, as principais dicas para acelerar o fim do seu bloqueio criativo são:


  1. Faça um brainstorm: Escolha alguém em quem você confie — pode ser seu beta, um amigo que lê e conhece a sua história ou até mesmo um alguém externo —, explique em detalhes genéricos a situação na qual você empacou e, juntos, comecem a cogitar possibilidades para uma possível continuação. Não se preocupe com a verossimilhança das ideias; a intenção não é de fato encontrar um desfecho para a cena e sim colocar sua mente para trabalhar. No meio das probabilidades esdrúxulas, você vai rir, relaxar e, como duas cabeças pensam melhor do que uma, abrir-se para novas possibilidades no seu enredo. Vai que, no meio de toda a descontração, surge alguma ideia realmente aproveitável?

  1. Escreva sobre qualquer coisa: E, quando digo qualquer coisa, é qualquer coisa mesmo: em um papel ou no word, despeje um texto completamente aleatório sobre outra coisa completamente aleatória. Não se preocupe com o sentidose você está escrevendo sobre bananas ou sobre fadas numa rave — e nem com a qualidade. O único objetivo aqui é forçar a sua mente a funcionar com uma coisa descontraída, que não envolva a responsabilidade de uma grande história.

  1. Escreva uma história diferente: Seu problema é com uma história em particular? Enjoou do enredo, não consegue suportar os personagens? Comece outra, de outro gênero, com outra abordagem; não precisa ser nada muito longo nem muito elaborado. Em uma outra história, novas ideias podem surgir ou você simplesmente pode aproveitar a oportunidade para descansar a cabeça do enredo que está te atrapalhando, sem necessariamente precisar parar de escrever.

  1. Force a si mesmo a escrever: Mas de novo? Sim! Você está com problemas a respeito de uma história, mas não quer começar outra? Continue escrevendo na sua história principal. Esqueça todos os seus padrões de qualidade ou de prazer com o que está fazendo; escreva apenas por escrever. Pode parecer pouco nobre, mas a verdade é que, depois de algum tempo, você vai acabar chegando naquele ponto onde o prazer com a escrita retorna e você volta a gostar do que está no papel. Se necessário, em revisões futuras, você pode reescrever toda aquela parte criada de maneira forçada; o importante é não parar.

  1. Mude seus rumos, faça reviravoltas: Você travou em uma cena de ação? Manipule seu enredo para continuar em um diálogo, em uma cena mais intimista, em algo diferente. A mudança precisa fazer sentido, mas pode ajudar você a pensar em novos rumos para o seu enredo.

  1. Brinque com a sua linha do tempo: Isso só funciona se você tiver um enredo bem planejado, mas pode ser uma ótima solução para o problema. Se você estiver tendo problemas com uma cena, escreva outra cena posterior na história e, depois com o enredo desenvolvido mais para a frente, volte na cena que está se apresentando como um problema. Com os rumos do enredo definidos, você pode trabalhar a passagem que está te travando de modo a fazê-la chegar às cenas que já escreveu, o que pode ser uma benção.

  1. Analise o que você já escreveu e se abra para mudanças: Você travou em uma cena, não consegue escrever nada? Tente entender o porquê de isso estar acontecendo. Volte no texto imediatamente interior ao momento problemático e o analise; está realista? Está bom o suficiente? Há outros rumos que você pode deduzir disso? Caso alguma das respostas seja sim, considere a hipótese de reescrever aquele trecho em questão. Isso pode apresentar novos caminhos na história e atiçar sua criatividade.

  1. Leia livros inspiradores: Leia o livro de um autor que você admira ou releia um livro do qual você gosta. Não se compare, mas relaxe com a leitura, escolha um livro com um gênero parecido com o da sua história e separe passagens nas quais você pode se inspirar. Pode ser, além de um relaxamento, uma ótima forma de estimular sua criatividade.

  1. Releia seus próprios trabalhos: Reler suas histórias anteriores ou a própria história que está bloqueando você pode, além de restaurar sua confiança no próprio trabalho, mostrar novos caminhos e ideias para seus projetos atuais. Quem melhor para inspirar você do que você mesmo?

  1. Admita que está na hora de parar: Todos os métodos podem funcionar em momentos diferentes, mas tem momentos em que você está simplesmente cansado demais; nessas horas, a melhor coisa a fazer é se afastar. Não se culpe por não estar conseguindo escrever. Entenda que é um momento temporário, parte do caminho da maior parte dos escritores, e não entre em pânico. Para relaxar, faça coisas que você gosta, coisas que não tenham nada a ver com escrita: durma, dê um passeio, assista a um filme... Seu afastamento pode durar por horas ou dias. Tome seu tempo e, quando se sentir pronto, retorne.


É interessante lembrar que a escrita é um exercício constante e que a falta de prática pode tornar um retorno problemático, mas lidar com eles é apenas um detalhe. O mais importante é manter a calma e não se sentir inseguro a respeito; baixa autoestima pode ser apenas um agravante no seu bloqueio. Em um ou outro momento, sua criatividade retornará. As dicas ajudam, mas ter consciência de que é um período passageiro é a melhor alternativa.


Post especial de Ano Novo - Coisas que descobri me tornando um beta reader




Coisas que descobri me tornando um beta reader:



Por: Kaworu Ishida




*Que todos pensam que betas não são humanos; eles podem ser qualquer coisa, menos humanos;
*Que tempo livre é luxo;
*Que, de fato, existe um motivo para chamarem prazos de “deadlines”;
*Que existe 70% de chances de que uma autora se apaixone por você e 60% de que a mesma autora escreva uma história a seu respeito;
*Que você nunca mais vai ler uma fanfic da mesma maneira;
*Que você nunca mais vai ler nada da mesma maneira;
*Que um bom texto nunca está bom o bastante;
*Que a palavra “beta” é mágica e se assemelha mais a “Alohomora” do que pode parecer;
*O significado real da palavra “sinceridade”;
*Que você vai começar a corrigir seus amigos até que eles se irritem com você;
*Que você vai começar a corrigir você mesmo até que você se irrite;
*Que perfeição é igual Papai Noel, pois, enquanto o autor não souber que ela não existe, você pode continuar insistindo para que ele acredite que vai encontrá-la um dia;
*Que você sempre vai descobrir palavras novas, mesmo que a maioria delas não exista;
*Que a palavra “obrigado” pode significar bem mais do que o dicionário diz que pode;
*Que os formulários amam os betas, mesmo que esse amor não seja recíproco;
*Que não há nada mais gratificante do que terminar uma betagem;
*Que por mais que não pareça, você é, acima de tudo, necessário.



A Liga dos Betas deseja a todos um Feliz Ano Novo! 

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Transtornos Psicológicos


Por: SayakaHarume


Hallo, filhotes~
Bem, pra quem não me conhece, eu sou uma sofredora acadêmica de psicologia, e durante meu percurso no mundo das fanfics, encontrei muitas com personagens que possuíam algum tipo de distúrbio mental e precisavam ir ao psiquiatra/psicólogo.
O que pode enriquecer muito um texto, também pode deixá-lo fraco, se não tratado devidamente. Já vi vários distúrbios explicados e mostrados de forma incorreta, pendendo para um estereotipo que eu não acho legal incentivar, por que existem pessoas de verdade com esses problemas, e não sabemos quantas estão do outro lado da tela, lendo nossos textos.
Porém, nada está perdido! Estou trazendo aqui alguns dos distúrbios que eu mais vi aparecerem nas fanfics que li por aí. Vou tentar deixar o mais explicado e simples possível :P







Não posso falar muito sobre a psiquiatria, além de que, como acredito que todo mundo saiba, ela é uma especialização da medicina e exclusiva da medicina. Já cruzei com pessoas que achavam que quem se forma em psicologia pode fazer psiquiatria, mas não.
Já sobre a psicologia... Só tenho amor por isso. Porém, não se prendam ao velho conceito de deitar no divã. O divã é exclusivo da psicanálise, que é apenas uma parcela de um todo. Na psicanálise, o terapeuta não faz contato visual com o indivíduo para não chamar a atenção para si e deixar o indivíduo fazer a associação de ideias que quiser, falar o que quiser. Nas outras correntes da psicologia, já não temos muito disso. É valorizada a transferência, o olho no olho. Não que as outras correntes sejam melhores, são apenas diferentes, abordagens diferentes. Só quero mostrar aqui que nem só de divãs se fazem as terapias.
Sobre o termo de confidencialidade acredito que todos já sabem: o que é falado no consultório, fica no consultório, exceto em poucos casos:
  1. O indivíduo é menor de idade (porém, nesses casos, o psicólogo só fala o quadro geral do cliente e como a família pode ajudar, o que é dito por ele fica em segredo);
  2. Quando há risco de vida para o cliente (indivíduos que mostram ideação suicida);
  3. Quando há risco para terceiros;
  4. Quando alguém confessa algum crime no consultório (o psicólogo tem que reportar ao Conselho Regional de Psicologia).
Porém, nos dois primeiros casos, o indivíduo é informado que o psicólogo vai conversar com a família, e o psicólogo tem que tranquilizar o cliente quanto a isso, valorizando o laço de confiança criado entre eles. No terceiro caso, dependendo do tipo de risco que o indivíduo representa, o psicólogo tem que tomar cuidado para que não se torne um alvo. No quarto caso, o psicólogo agirá segundo as orientações do CRP.

No SBLAN, grupo de interação entre a Liga dos Betas e a comunidade do Nyah!, alguns meses atrás eu fiz uma pesquisa a respeito dos distúrbios sobre os quais mais tinham dúvidas na hora de escrever e fiz uma lista para explicá-los em uma série de três artigos. Neste, vou falar sobre a Bipolaridade e o TOC. Apenas dois para o artigo não ficar muito extenso e cansativo, mas estão previstos para os próximos artigos sete distúrbios!

Antes, algumas explicações: na corrente psicológica que eu sigo, o Humanismo, não chamamos o indivíduo de paciente, já que a pessoa não é passiva em seu tratamento, nós chamamos de cliente, e vai ser assim que vou chamar no decorrer do artigo.
Deixando claro que tentarei usar o mínimo possível de termos clínicos, mas algumas vezes, terei que recorrer a eles. Por isso, peço que deixem seus pré-conceitos sobre a psicologia e tudo que a envolve bem aqui, porque os significados desses termos, muitas vezes são bem diferentes do significado “popular”. Nesse artigo, três desses termos clínicos foram, para mim, impossíveis de traduzir no texto corrido, então, trago a “tradução” aqui:
Episódio Maníaco – Também chamado em alguns textos de Mania, é um distúrbio mental definido como um período distinto, durante o qual existe um humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável. É característico, embora não exclusivo, do transtorno bipolar no qual os episódios maníacos alternam com episódios depressivos.
Episódio Hipomaníaco – Também chamado de Hipomania, é uma alteração de humor semelhante à mania, porém com menor intensidade. A pessoa se sente muito bem, com bastante energia. Normalmente a necessidade de sono diminui e a libido aumenta.
Episódio Depressivo Maior – Não é a Depressão Nervosa em si. Diferencia-se do humor "triste", que afeta a maioria das pessoas regularmente, por se tratar de uma condição duradoura (a maior parte do dia, quase todos os dias, pelo menos 2 semanas), de maior intensidade ou mesmo por uma tristeza de qualidade diferente da tristeza habitual, acompanhada de vários sintomas específicos e que trazem prejuízo à vida da pessoa.
Por favor, não se autodiagnostiquem caso se identifiquem com alguns sintomas.
TRANSTORNO BIPOLAR
Transtorno Bipolar é um distúrbio complexo. Sua característica mais marcante é a alternância, às vezes súbita, de episódios de depressão com os de euforia (maníaco e hipomaníaco) e de períodos assintomáticos (sem sintomas) entre eles. As crises podem variar de intensidade (leve, moderada e grave), frequência e duração. As flutuações de humor têm reflexos negativos sobre o comportamento e atitudes dos indivíduos, e a reação que provocam é sempre desproporcional aos fatos que serviram de gatilho ou, até mesmo, independem deles.
Em geral, essa perturbação do humor se manifesta tanto nos homens quanto nas mulheres, entre os 15 e os 25 anos, mas pode afetar também as crianças e pessoas mais velhas.
Clinicamente, existe mais de um tipo de Transtorno Bipolar que podem vir a serem diagnosticados no cliente: transtorno bipolar tipo I, transtorno bipolar tipo II, transtorno ciclotímic e outros mais raros que não tratarei nesse artigo.
Transtorno Bipolar tipo I: É o que antigamente, nos primórdios das descobertas dos distúrbios mentais, se chamava psicose afetiva. De lá pra cá, foi descoberto que não há exigência de psicose ou de experiência na vida de um episódio depressivo maior, ainda que, a maioria dos indivíduos que são diagnosticados, tenham tido episódios depressivos maiores durante sua vida.
Para o diagnóstico dessa modalidade do transtorno, é necessário o preenchimento de alguns critérios para um episódio maníaco e pode ser antecedido ou seguido por episódios hipomaníacos ou depressivos maiores, ainda que não seja regra.
Episódio maníaco: Um período distinto de humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável, e aumento anormal e persistente da atividade dirigida a objetivos ou da energia, com duração mínima de uma semana e presente na maior parte do dia, ou quase todos os dias. Traduzindo: Por uma semana ou mais, o indivíduo fica com o humor facilmente irritável e expansivo, com a bateria ligada no máximo, durante a maior parte do dia, na maior parte dos dias da duração desse episódio.
Durante esse período, três (ou mais) dos seguintes sintomas estão presentes em grau significativo e representam uma mudança notável do comportamento habitual:
  1. Autoestima elevada ou grandiosidade;
  2. Redução da necessidade de sono (p. ex., sente-se descansado com 3horas de sono);
  3. Mais falante que o habitual ou pressão para continuar falando;
  4. Fuga de ideias ou sensação que os pensamentos estão mais acelerados;
  5. Distrabilidade (a atenção é desviada muito facilmente por estímulos externos insignificantes);
  6. Aumento da atividade dirigida a objetivos (seja socialmente, no trabalho ou escola, ou mesmo sexualmente) ou agitação psicomotora (atividade sem propósito não dirigida a objetivos);
  7. Envolvimento excessivo em atividades com elevado potencial para consequências dolorosas, como: surtos desenfreados de compras (e não se trata de consumismo. É sair comprando coisas sem motivo algum. Já vi um estudo de caso de uma mulher que saiu de casa para comprar uma cortina e comprou um carro), indiscrições sexuais ou investimentos financeiros insensatos, e por aí vai.
Essa perturbação no humor é suficientemente grave a ponto de causar prejuízo no funcionamento social ou profissional do indivíduo, ou a ponto de necessitar de hospitalização para evitar dano ao cliente ou a terceiros.
O episódio não é atribuível aos efeitos de substâncias (p. ex., abuso de drogas ou medicamentos, etc.)
Episódio Hipomaníaco: Em comparação ao Episódio maníaco, as diferenças se dão em relação à duração (neste tipo de episódio são no mínimo quatro dias), está associado a uma mudança clara no comportamento do indivíduo, tanto que elas são observadas mais claramente por terceiros, mas o episódio não é tão grave a ponto de causar prejuízos ao indivíduo.
Episódio Depressivo Maior: Quando cinco (ou mais) dos seguintes sintomas persistem durante duas semanas e representam mudança de comportamento; pelo menos um dos sintomas é humor deprimido ou perda de interesse ou prazer (tem que ter pelo menos um desses dois!):
  1. Humor deprimido (em crianças e adolescentes pode ser humor irritável);
  2. Acentuada diminuição de interesse ou prazer em todas, ou quase todas, atividades na maior parte do dia, quase todos os dias;
  3. Perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta;
  4. Insônia ou hipersonia (sonolência excessiva) quase diária;
  5. Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observável por outras pessoas; não apenas sensações de inquietação ou de estar mais lento);
  6. Fadiga ou perda de energia quase todos os dias;
  7. Sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada (que pode ser delirantes – sem motivo) quase todos os dias (não apenas autorrecriminação ou culpa por estar doente);
  8. Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, ou indecisão quase todos os dias;
  9. Pensamentos recorrentes de morte (não somente medo de morrer), ideação suicida recorrente sem plano específico, tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio (dependendo da intensidade do episódio).
A principal diferença entre os Transtornos Bipolares I e II é que, no primeiro, há o Episódio Maníaco, enquanto no tipo II, há os episódios hipomaníaco e depressivo maior. Também, o tipo II caracteriza-se por episódios de humor recorrentes, mudando de um ou mais episódios depressivos maiores e pelo menos um hipomaníaco. No tipo I, a existência desses outros dois tipos de episódios não são obrigatórias.
Entre esses dois, não há um considerado mais leve ou mais grave, já que são casos diferentes. A euforia e irritação do tipo I é mais forte, enquanto no tipo II, prevalece a depressão e euforia em formas mais brandas.
Transtorno Ciclotímico: É o quadro mais leve do transtorno bipolar, marcado por oscilações crônicas do humor, que podem ocorrer até no mesmo dia. O paciente alterna sintomas hipomaníacos e de depressão leve que, muitas vezes, são entendidos como próprios de um temperamento instável ou irresponsável. Outras características:
  1. Por pelo menos dois anos (um ano em crianças e adolescentes), presença de vários períodos de sintomas hipomaníacos que não satisfazem os critérios de episódio hipomaníaco (são menos de três sintomas) e vários períodos com sintomas depressivos que não satisfazem os critérios de episódio depressivo maior (são menos de cinco sintomas);
  2. Durante o período citado em A, os períodos com sintomas hipomaníacos e depressivos estiveram presentes por pelo menos metade do tempo, e o indivíduo não permaneceu sem os sintomas por mais que dois meses consecutivos;
  3. Os critérios para episódios maníacos, hipomaníacos ou depressivos maiores nunca foram satisfeitos;
  4. Outros distúrbios como esquizofrenia e outros transtornos psicóticos foram descartados;
  5. Os sintomas não são atribuíveis a efeitos de substância;
  6. Os sintomas causam sofrimento ou prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
Ufa! Terminei de explicar os três principais tipos. Bipolaridade é algo bem complexo, não é só estar feliz em um momento e daqui a pouco, estar triste. É algo que causa muito sofrimento a quem possui o distúrbio e deve ser conduzido com cuidado.
Causas: Ainda não tem uma causa determinada, porém, já se sabe que vem de fatores genéticos hereditários.
Diagnóstico: O diagnóstico do transtorno bipolar é clínico, baseado no levantamento da história e no relato dos sintomas pelo próprio paciente ou por um amigo ou familiar. Em geral, ele leva mais de dez anos para ser concluído, porque os sinais podem ser confundidos com os de doenças como esquizofrenia, depressão maior, síndrome do pânico ou distúrbios da ansiedade. Daí a importância de estabelecer o diagnóstico diferencial antes de propor qualquer medida terapêutica.
Tratamento: Transtorno bipolar não tem cura, mas pode ser controlado. O tratamento inclui o uso de medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida, tais como o fim do consumo de substâncias psicoativas, (cafeína, anfetaminas, álcool e cocaína, por exemplo), o desenvolvimento de hábitos saudáveis de alimentação e sono e redução dos níveis de estresse. A associação de lítio com antidepressivos e anticonvulsivantes tem demonstrado maior eficácia para prevenir recaídas. No entanto, os antidepressivos devem ser utilizados com cuidado, porque podem provocar uma guinada rápida da depressão para a euforia, ou acelerar a incidência das crises.
A porcentagem de pessoas com bipolaridade de qualquer tipo que tentam o suicídio está entre 30 e 50%.
Exemplos:
Tipo I:
“Patrícia passou horas no shopping, fazendo compras. Quando chegou em casa, a mãe a advertiu que tudo aquilo – um conjunto de abajures, um kit de jardinagem e dois vestidos de festa – não era necessário no momento, e lhe disse para ter cuidado com o cartão de crédito. Patrícia irritou-se, apesar do tom da mãe não ser de reprimenda, e iniciou uma discussão. Após meia hora não aguentou e saiu de casa, indo conversar na praça com quem estivesse passando. Tornou a discutir com a mãe no final do dia, por alguns objetos fora do lugar, e sua mãe aproveitou para externar sua preocupação por ela estar dormindo pouco e estar extremamente distraída, mas Patrícia menospreza essa preocupação, dizendo que a mãe não vê que ela está sempre ocupada com coisas mais importantes.” – Um exemplo de um dia de um Episódio Maníaco.
Tipo II:
“João levantou-se da cama com esforço. Não estava em nada interessado nas atividades do dia: a preparação para a comemoração do final do ano. Sentia-se cansado, já que havia alguns dias que não conseguia dormir, e também vinha perdendo peso com facilidade, embora não estivesse sequer saindo de casa, quanto mais se exercitando. Encontrou suas irmãs na cozinha, lavando já a louça do almoço e se tomou por um sentimento de culpa, já que uma vez que elas já haviam preparado o almoço, devia ao menos ajudar a limpar a cozinha, mas sempre achava que era melhor não atrapalhar do que acabar estragando alguma coisa. Ana, sua irmã mais nova, percebeu sua chegada e lhe sorriu, o que o fez pensar que ela estava ansiosa pelos dias bons que ela sabia que viriam.” – Exemplo de Episódio Depressivo Maior, comum no Transtorno Bipolar tipo II.
Transtorno Cíclico:
“Samantha se dirigiu ao consultório do seu terapeuta logo depois de deixar os filhos na escola. Havia brigado com o namorado no dia anterior, quando ele a acusava de ter se esquecido de pegar as crianças na escola por preguiça, o que não era verdade. Ela só não havia percebido o tempo passar enquanto ficava na cama, ocupada com vários pensamentos depressivos. Em um geral, ela se sentia mais fraca e desanimada, como se houvesse uma corrente a arrastando para mar aberto, e se sentia ainda pior, já que tinha a esperança de que seus dias bons fossem durar um pouco mais. Estava há um mês sem escorregar para a depressão, ainda que seus dias eufóricos fossem igualmente ruins e prejudiciais. Na última vez, perdera tempo demais no trabalho organizando a papelada antiga e esqueceu de terminar o balancete do mês, e quase foi demitida.” – Exemplo de alternância de Episódio Hipomaníaco e Episódio Depressivo Maior, que ocorrem tanto no Tipo II, quando no Transtorno Cíclico.

TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO – TOC
A principal característica do TOC é a presença de crises recorrentes de obsessões e compulsões.
Entende-se por obsessão pensamentos, ideias e imagens que invadem a pessoa insistentemente, sem que ela queira. Esses pensamentos ficam rodando dentro da cabeça e o único jeito para livrar-se deles por algum tempo é realizar o ritual próprio da compulsão, seguindo regras e etapas rígidas e pré-estabelecidas, que ajudam a aliviar a ansiedade. Alguns portadores dessa desordem acham que, se não agirem assim, algo terrível pode acontecer-lhes. No entanto, a ocorrência dos pensamentos obsessivos tende a agravar-se à medida que são realizados os rituais e pode transformar-se num obstáculo não só para a rotina diária da pessoa, como para a vida da família inteira.
Em geral, os rituais se desenvolvem nas áreas da limpeza, checagem ou conferência, contagem, organização, simetria, colecionismo, e podem variar ao longo da evolução da doença.
Já me deparei com estudos de caso em que o cliente achava que um acidente de carro terrível aconteceria se antes de ele entrar no carro, ele não abrisse e fechasse cada porta e o porta-malas duas vezes. Também outro que, tinha rituais diferentes para cada dia da semana.
O indivíduo também não consegue apenas não fazer o ritual. Ignorar o ritual pode deixá-lo incrivelmente ansioso e inquieto, gerando um mal-estar que pode se mostrar físico.
Por favor, não confundir TOC com mania de limpeza e/ou organização. Uma pessoa com essas manias pode se sentir irritada se algo estiver fora do lugar. Alguém com TOC vai se sentir angustiado se seu ritual não for feito.
Causas: Estudos sugerem a existência de alterações na comunicação entre determinadas zonas cerebrais que utilizam a serotonina. Fatores psicológicos e históricos familiares também estão entre as possíveis causas desse distúrbio de ansiedade.
Diagnóstico: Em geral, apenas nove anos depois que manifestou os primeiros sintomas, o portador do distúrbio recebe o diagnóstico de certeza e inicia o tratamento. Por isso, a maior parte dos casos é diagnosticada em adultos, embora o transtorno obsessivo-compulsivo possa acometer crianças a partir dos três, quatro anos de idade. Na infância, o distúrbio é mais frequente nos meninos. No final da adolescência, porém, pode-se dizer que o número de casos é igual nos dois sexos.
Tratamento: Nos casos mais graves pode ser necessária a utilização de antidepressivos inibidores da reabsorção da serotonina, mas sempre aliado à terapia cognitivo-comportamental, que é usada tanto nos casos mais leves aos mais graves (nesses, aliado a medicação).
Seu princípio básico é expor a pessoa à situação que gera ansiedade, começando pelos sintomas mais brandos. Por exemplo: mostrar ao indivíduo que nada de ruim acontecerá se ele não acender e desligar a luz duas vezes antes de sair de casa. O terapeuta parte dos mais simples para os mais complexos, respeitando o tempo do cliente.
Exemplos:
“Maria roía as unhas sem parar, sentindo as mãos suando e ouvindo o pé bater no chão. Seu estômago estava se revirando, e havia um gosto ruim em sua boca. Tinha quase certeza absoluta que não abrira e fechara as janelas de sua casa antes de sair, para verificar se estavam bem trancadas. Com certeza, quando chegasse depois do trabalho, encontraria tudo revirado e seus pertences valiosos roubados. Não parava de se perguntar se nas duas horas que teria de almoço seriam suficientes para ir até em casa verificar as janelas. Sem falar que já ficara sabendo que no refeitório era dia de bolo de carne, e ela absolutamente não poderia comer aquilo. Era terça-feira, ela só podia comer salada nas terças-feiras!” – Exemplo de uma crise de ansiedade de uma pessoa com TOC.
“André respirou fundo enquanto seu terapeuta lhe incentivava mudamente. Tudo que ele queria era voltar e organizar toda aquela prateleira de livros, organizando todos por tamanhos e cores, mas entendia o quanto aquilo já lhe prejudicara durante toda a sua vida. Já perdera as contas de quantas brigas arranjou, quantas vezes se atrasou, porque precisava que tudo estivesse em simetria. Respirou fundo mais uma vez e começou a andar mais rapidamente para longe daquele brechó de livros. Olhou para o lado e o terapeuta lhe parabenizou, o que não o impediu de perguntar timidamente:
― Não podemos voltar e dizer a um dos vendedores que aquilo tudo está uma desordem total?” – Exemplo de tratamento de pessoa com TOC.

Bem, escolhi esses dois distúrbios para irem primeiro por ver que eles são bastante utilizados por aí, mas também são os que mais contêm equívocos na forma como são mostrados, perdendo apenas para a Depressão, mas essa última vai ficar para outro momento, para que eu possa falar dela como se deve. Não quis me estender muito, uma vez que são temas complexos e eu não quero sobrecarregar ninguém com muita informação.
Os próximos distúrbios a serem discutidos nos dois artigos que faltam: Depressão, Transtorno Dissociativo de Personalidade (Dupla Personalidade, mas não a minissérie –q), Transtorno Boderline, Psicopatia x Sociopatia Funcional, Autismo x Aspenger, Fobia Social e Esquizofrenia Paranóide.
Até a próxima o/

DSM – V: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais