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Como Escrever Cenas Trágicas e/ou de Morte?

segunda-feira, 23 de abril de 2018



Como abordar a tensão dos últimos minutos de vida? Qual a melhor forma de se representar a tragédia da partida de um personagem? O que podemos fazer para aumentar o impacto desse tipo de cena? Qual o caminho mais razoável para se seguir ao descrever uma cena fatal? Tudo isso e mais um pouco no artigo de hoje.

Saudações, amigos leitores! Eu sou Trubluu no Nyah Fanfiction, também conhecido como MK lá no Betacast e Maycon Stuartt no VLOG da Liga (e no resto da vida). Algum tempo atrás decidi pegar o tema mais encalhado de todos no banco de sugestões de artigos que temos para postar aqui e superei um grande estigma que vinha assombrando os escritores de artigos do nosso singelo blog. Como resultado, surgiu o fatídico artigo sobre “Como escrever cenas hentai debaixo d’água”.

No maior espírito de nobre cavaleiro, aceitei mais um desafio e peguei outro tema encalhado no banco de ideias: Como escrever cenas trágicas/de morte em 1ª e 3ª pessoa. Pois é. Não sei quem sugeriu isso, mas obrigado pela oportunidade, adianto que as pesquisas para esse artigo foram bastante proveitosas.

Enfim, sem mais delongas, vamos direto ao assunto. Desta vez quero ser um pouco mais didático, então vou destrinchar por completo as ideias, separando as coisas em tópicos, a começar pela tragédia.

Muito bem amiguinhos, o artigo vai ficar um pouco longo, então pegue a pipoca e vem com o tio.

A tragédia

Pra começar, é importante saber o que é uma “cena trágica”, que, antes de mais nada, independente do resultado morte estar presente ou não. Geralmente entendemos como tragédia a história que tem um final doloroso, mas adianto que esse gênero vai muito além dessa percepção comum e tão rasa.

Vocês já devem saber, mas vale lembrar que a tragédia surgiu na Grécia Antiga e já foi objeto de estudo de muitas figuras importantes ao longo do tempo. Dentre outros, o conceito a seguir é um que acredito resumir a ideia mais abrangente de tragédia para nosso artigo:

A tragédia é uma forma dramática de arte, em geral solene, cujo fim é excitar o terror ou a piedade, baseada no percurso e no destino do protagonista ou herói, que termina, quase sempre, envolvido num acontecimento funesto. Nela se expressa o conflito entre a vontade humana e os desígnios inelutáveis do destino, nela se geram paixões contraditórias entre o indivíduo e o coletivo ou o transcendente. Em sentido lato, pode abranger qualquer obra ou situação marcada por acontecimentos trágicos, ou seja, em que se verifique algo de terrível e que inspire comoção.”


Vendo dessa forma, a tragédia deixa de ser apenas um final triste e acaba possuindo uma estrutura e requisitos a serem levados em conta na hora de se escrever a história. Dentre outras coisas, vale citar que a tragédia clássica deve cumprir, segundo Aristóteles, três condições básicas: 1 - possuir personagens de elevada condição (heróis, reis, deuses), 2 - ser contada em linguagem elevada e digna e 3 - ter um final triste, com a destruição ou loucura de um ou vários personagens sacrificados por seu orgulho ao tentar se rebelar contra as forças do destino.

Observando tais requisitos levantados por Aristóteles, resumo e aponto os pontos determinantes dentro da tragédia para nosso artigo:

Impotência e inevitabilidade.

Quando escrever uma tragédia, ou uma cena trágica, que seja, assegure-se de garantir que aquele que sofrerá com o fim trágico não tinha força ou tempo para impedir o resultado. É como uma fatalidade. Em geral, nada pode ser feito frente a tragédia. Os gregos falavam muito em castigo divino ou destino quando chegavam ao Êxodo da história justamente pela sensação de impotência dos heróis frente ao destino. Não à toa os desastres naturais são chamados de tragédias.

A inevitabilidade e a impotência do personagem frente ao final é algo que caracteriza a tragédia e nos dá a catarse que permeia esse gênero. Para Aristóteles, a função da tragédia é provocar, por meio da compaixão e do temor, a expurgação ou purificação dos sentimentos. Sendo assim, precisamos nos assegurar que a cena trágica transborde compaixão e temor, para que se gere empatia com o personagem e seu fim.

Ainda sobre a estrutura, é comum a citação de três etapas na construção da narrativa trágica:

Prólogo (exposição inicial): Onde os personagens e o conflito é apresentado. É o trecho onde se dá motivação e empatia para os protagonistas.

Episódios (os atos que constituíam a intriga): É o desenrolar da trama de maneira geral. Nesse ponto se tem uma grande tensão durante o conflito. Geralmente o protagonista que sofrerá com o final trágico se vê determinado, mas impotente frente ao possível fracasso inevitável. Aqui apresentamos o medo, a paixão e os demais sentimentos que vão gerar a catarse final.

Êxodo (desenlace ou desfecho): É o encerramento fatal do conflito, onde esvaziamos todas as emoções que outrora uniram o público em expectativa.

Nota pessoal: Eu, particularmente, gosto de mortes com “significados escondidos”. Digo, quando alguém morre em algum texto que produzo, não costumo enfeitar sua partida (no sentido de dar-lhe um propósito maior, para que o leitor fique com pena do personagem). Geralmente eu simplesmente mato, sem glória ou choro, sem condolências, sem drama. E acredito que esse também é um dos aspectos da tragédia. Você simplesmente morre e não segue na história, tal como acontece em desastres naturais inesperados. Diferente de mortes poéticas, cheias de significados em si mesmas, deixo que o personagem morto fale por si e não a cena que o matou.



A morte

Agora vamos falar sobre alguns aspectos da morte nas histórias. Vou tentar ser o mais objetivo possível e começar dando uma grande dica que tenho carregado para minha vida de escritor: Em regra, morte é um resultado, salvo quando causa.

Eu explico.

Enquanto escritores, acredito que não devemos cair na tentação de matar um personagem só por matar. Eu sei que tem dia que acordamos com a “pá virada” e dá vontade de cometer alguns homicídios por aí, mas entenda: a história precisa de motivos. A morte de um personagem sempre deve ser o resultado de algum conflito, de algumas escolhas, de alguma coisa. Seja uma luta que ele não conseguiu ganhar ou seja porque ele não olhou pros dois lados na hora de atravessar porque estava com pressa para algum compromisso, o motivo não importa muito, desde que você tenha apresentado a sequência lógica justificativa da morte.

Deve-se entender também que a morte precisa, acima de tudo, mover a história e os personagens pra frente, progredindo o enredo. Não adianta matar um personagem por mero capricho. Mortes gratuitas, feitas com a simples intenção de chocar o público não são muito recomendadas, nem é o foco de discussão deste artigo. Quando queremos fazer uma morte trágica precisamos dar a ela um motivo:

“Por que essa morte vai acontecer?” é a pergunta que precisa responder antes de tomar qualquer decisão.

As mortes, portanto, devem ser o resultado de diversos eventos justificados. Não é muito apreciável que você, quando bem entender, mate determinado personagem simplesmente com um tropeção ou uma bala perdida. As mortes precisam ser justificadas e também mover a história para frente, mudando as coisas e progredindo o enredo. Se a morte de determinado personagem atrapalhar mais a sua história do que ajudar, salve-o.

Agora, existem mortes que são a causa dos eventos. Como eu disse: a morte é um resultado da história, salvo quando ela mesma é a causa da história. Existe também a possibilidade da morte iniciar uma trama. Nesse caso dispensa-se muito as justificativas, causas, razões e circunstâncias. As explicações ficam pra depois (e às vezes nem aparecem ou importam). As consequências daquela morte, porém, é que são relevantes para a história. Um exemplo bem claro são enredos e tramas que giram em torno de vingança. A morte de alguém pode motivar e impulsionar as coisas.

Então, se a morte que quer escrever não for o resultado de vários acontecimentos devidamente explicados e registrados na sua história, nem for a causa da história ou de algo importante nela, repense: Essa morte precisa MESMO acontecer?


Respondida essas questões, vamos unir os dois tópicos e falar sobre outra coisa, que acho interessante e tem bastante relação com a sugestão inicial do artigo:

mortes trágicas.


Qual a diferença de uma morte “normal” e uma morte trágica, afinal? Falamos um pouco sobre a tragédia e a morte, de maneira separada, mas como abordar os temas juntos? 

Como vimos mais acima, para se ter uma cena trágica precisamos de alguns requisitos, dentre eles um elevado panteão de personagens, ou seja, alguém relevante, de poder considerável na sua história. Seja um guerreiro, um Deus, o chefe de departamento ou a mãe de alguém, em suma o personagem precisa, necessariamente, ter uma relevância para o público e também para o universo em que sua história acontece.

Agora, mesmo que seu personagem não esteja no ápice da hierarquia do seu universo, sendo ele — talvez — um mero plebeu ou um reles funcionário da firma, você precisa ter o cuidado de dá-lo alguma relevância dentro do contexto fatal em que vai inseri-lo se quiser construir uma morte trágica nos moldes que estamos estudando aqui. Para a morte ser trágica o personagem precisa ter alguma importância para aquele contexto. De repente ele guarda um segredo importante da história, ou tem relações relevantes com outros personagens-chave. Nesse sentido não existem muitas dicas que posso dar. Tudo vai da sua sensibilidade como criador da história para saber expor ao público os motivos do personagem ser relevante e digno de alguma comoção.

Depois de arrumar completamente os motivos da morte do personagem, esteja atento aos fatores que permeiam a tragédia propriamente dita, como a impotência do personagem frente a fatalidade e a imprevisibilidade ou inafastabilidade do destino.

A ideia é que você digite tudo em um tom mais amargo que o comum, procurando palavras que incitem a compaixão com o personagem e o temor da situação que ele vive, como mencionamos anteriormente. Para tanto, tenho uma dica extra: modalização.

A modalização é um fenômeno discursivo em que um sujeito falante se coloca como fonte de referências pessoais, temporais, espaciais, e, ao mesmo tempo, toma uma atitude em relação ao que diz ou ao seu co-enunciador. Ela pode ser evidenciada nas manifestações escritas e orais da linguagem, nos mais variados contextos.

Modalizar um texto nada mais é do que torná-lo parcial, argumentativo em algum nível. É algo que é usado em abundância no meio jurídico, por exemplo. Para tanto, nos aproveitamos de algumas artimanhas, como o uso generoso de adjetivos, por exemplo. Modalização, por si só, já renderia um artigo inteirinho por ser um assunto extenso, por isso vou tentar resumir o papo aqui.

Tipos Básicos de modalização:

a) Modalidades Epistêmicas: referem-se ao eixo do saber (certeza/ probabilidade);

· Crer – eu acho, é possível: Provavelmente irei ao acampamento de verão.
· Saber – eu sei, é certo: Irei sem falta ao acampamento de verão.

b) Modalidades Deônticas: referem-se ao eixo da conduta (obrigatoriedade/ permissibilidade).

· Proibido: Não se deve fumar na sala de espera do consultório.
· Obrigatório: A vida tem que valer a pena.


A ideia de se modalizar o texto é, basicamente, dar alguma carga sentimental de maneira parcial. Talvez essa seja a melhor forma de se conseguir uma narrativa a altura da cena trágica que quer representar. Embora eu quisesse falar mais sobre modalização, como disse, não é o foco do artigo, por isso vou me resumir a esse pequeno e definitivo exemplo:

Fato da história: Pedro morreu, esfaqueado.
Fato da história, modalizando: Pedro, pobre e infeliz jovem, sofreu com estocadas violentas de faca pelo corpo, até morrer.

A ideia de se ter uma atenção maior na transição dos Episódios da tragédia até o Êxodo é justamente criar no leitor alguma tensão, compaixão ou temor para com o personagem.

> Importante dizer que, em regra, temos a missão de dar ao personagem o protagonismo da cena, e não a cena em si. Em outras palavras, a morte deve ser trágica em função do personagem que morreu e não em função da simples cena em si. Vamos trabalhar sempre no sentido de valorar os personagens da nossa história.

Ainda sobre modalização, tem um quadro que eu tenho guardado na minha pastinha de imagens importantes e vou deixar aqui com vocês também para darem uma olhada. Podem dar uma estudada nos modalizadores com mais calma depois. :)


Prosseguindo… (Que assunto extenso, meu Deus, me ajuda).

Agora vamos terminar de juntar as peças. Já falamos sobre tragédia, sobre as mortes, sobre as mortes trágicas e demais influenciadores, regras, dicas e recomendações. Agora, qual a diferença de se escrever isso tudo em primeira ou terceira pessoa?

A princípio, posso adiantar que eu prefiro digitar cenas como essa em primeira pessoa, justamente por causa do fácil acesso aos modalizadores. Em primeira pessoa eu consigo ser mais parcial e dar uma carga dramática aos fatos, impondo a ótica de um determinado personagem sobre a história, usando sempre modalizadores para acrescentar a carga de temor e compaixão necessária para compor a catarse final.

Já com o texto em terceira pessoa, as coisas costumam ficar entre dois extremos: o épico e o indiferente.

Quando escrevo cenas de morte em terceira pessoa não tenho meio termo: ou a morte se torna uma epopéia épica e poética (pleonasmo pra reforçar), ou a pessoa simplesmente morre, como eu disse, sem glória, sem louros, sem lástimas. Nesse sentido, pela minha experiência e preferência pessoal, recomendo usar os recursos do texto em primeira pessoa para escrever cenas trágicas, de maneira geral.


De qualquer forma, acho importante abordar um ponto pertinente sobre a história e a morte trágica antes de encerrarmos: “Como essa tragédia vai acontecer, afinal?”

Se for um desastre natural alheio aos personagens, uma fatalidade, acidente ou afins, sugiro que seja em terceira pessoa, em função da amplitude narrativa. Com um narrador onisciente ficaria muito mais fácil descrever e justificar os acontecimentos que resultam na morte (lembrem-se que a morte, em regra, é resultado de alguns eventos. Certifique-se de registrá-los)

Agora, se a morte for em função de algum personagem, um homicídio, por exemplo, sugiro a narrativa em primeira pessoa, para capturar a essência do assassino ou da vítima através dos modalizadores.

ENFIM!

O tipo de narrativa que você vai preferir adotar, por si só, já rende um artigo inteiro e, graças a Deus, ele já existe aqui no Blog. Então se quiserem mais detalhes, tá aqui o link: http://ligadosbetas.blogspot.com.br/2013/03/modos-de-narrar-1-pessoa-ou-3-pessoa.html

ENFIM, ENFIM!

Mesmo que eu digite mais cem páginas não vou conseguir esgotar completamente o assunto, já que um tema puxa outro, que puxa outro e a coisa só estica cada vez mais. Mas acredito que abordei os principais pontos que imaginei quando li a sugestão do artigo para o Blog. Acho que por hoje é só. Estou tragicamente morto de cansado. Até mais e tudo de bom sempre. Abraços. ~Trubluu.
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Hentai Submerso e Suas Peculiaridades

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Por: Trubluu

Alguma boa alma achou que seria ótimo existir um artigo sobre “como escrever cenas hentai debaixo d’água” na internet. Não sei o que esse ser humano iluminado tinha na cabeça quando sugeriu esse tema pro Blog, mas agradeço imensamente por me fornecer a oportunidade de digitar sobre isso. Esse assunto ficou parado no banco de sugestões por muito tempo (acho que ele é mais antigo que eu na Liga dos Betas, se duvidar), mas chegou o momento de superá-lo.  

Enfim, vamos falar sobre cenas de sexo na água sim.

Ok. Vamos lá. Quando penso em cenas do tipo, imagino que o desafio seja conseguir descrever as sensações e a mecânica da coisa de forma fluida e realista, levando em consideração as limitações e peculiaridades que o sexo na água pode trazer, abordando tudo com coesão e coerência. Pensando nisso, antes de mais nada, vamos colocar alguns pontos decisivos que temos que ter em mente antes de construir tais cenas.     

Em primeiro lugar, ao digitar uma cena mais quente (mesmo que embaixo d’água, risos), você precisa ter atenção aos personagens e, somente depois, às descrições do ato. O que quero dizer com isso? Quanto menos você se preocupar e focar na descrição de algum movimento, mais fluido ele pode ser. Quando escrevo um hentai normal (com normal me refiro a uma simples cena de sexo casual, sem BDSM ou etc) o que é importante transmitir em primeiro plano é a conexão dos personagens — ou até a falta de conexão.     

Isso é importante porque valoriza a cena tanto para o leitor, quanto para a sua história. É imprescindível ter em mente que descrever uma cena mais quente é expor a intimidade dos seus personagens e mostrar quem eles são por um ângulo diferente e único. Tentar transmitir sentimentos e sensações através das palavras pode ser difícil, mas é de suma importância para seus leitores conectarem-se profundamente com os personagens e mergulhar na cena (se me permitem o trocadilho). A dica então é fugir de descrições gratuitas de sexualidade, mas usa-las para desenvolver um lado dos personagens que não conseguiria normalmente. Isso independentemente de estar na água ou fora dela. O ponto é ser sutil e preciso no significado daquilo para seus personagens e para a história. Demonstrar empatia e entrosamento (ou a falta desses elementos) é um bom começo para uma cena sexual.

Eu costumo começar as descrições pela percepção dos personagens consigo mesmos, abordando seu estado de espírito, sua euforia, seu medo, sua ansiedade, suas emoções de maneira geral. Esse ponto é importante, pois vai ditar o ritmo das coisas a partir dali. Com uma descrição prévia do que seu personagem está sentindo as ações dele estarão bem delimitadas a partir daquele ponto norteador. Em outras palavras, quando você descreve um personagem com receio e insegurança frente a situação sexual, por exemplo, vai ter uma base mais sólida para descrever seu comportamento, seguindo sempre com coerência para evitar pecados como comumente eu vejo por aí, onde a jovem moça está sentindo medo, ansiedade, nervosismo, insegurança, mas suas ações/comportamento são dignas da melhor das súcubus

Estabeleça, portanto, o sentimento dos personagens em primeiro lugar, somente depois descreva seu comportamento para evitar incongruências.
Depois das descrições sentimentais, físicas e comportamentais de cada personagem consigo mesmo, avanço para a interação de um com o outro, onde percebem sua conexão e entrosamento, relacionando suas emoções e ações. Se ambos os personagens estiverem tímidos, nervosos ou acanhados, se for a primeira vez de ambos ou de apenas um deles… Tudo isso implica em um comportamento diferenciado. Para cada circunstância ou ambiente seu personagem vai se comportar de uma forma apropriada, então ter sensibilidade nesse sentido é importante para conseguir ler com facilidade o que cada um dos seus personagens faria frente ao sentimento e comportamento do outro.  

Superada as descrições inter partes, devemos ter atenção ao ambiente que se passa a cena e aqui chegamos no ponto da matéria: cenas debaixo d’água.

Bom, se você estiver imaginando uma cena com tritões ou sereias, ou qualquer ser que respire debaixo d’água, a coisa não vai mudar quase nada para uma cena de sexo convencional. O diferencial de se ter uma cena na água é justamente por ser um ambiente peculiar, estranho, que comumente não usamos para o coito. Nesse sentido, vou focar na ideia de seres humanos animadinhos que decidiram transar na água e deixar a ideia de criaturas fantásticas um pouco de lado, tudo bem? 


Ai meu deus, por onde começar a falar isso? Socorro…

*Respira fundo*      

*Lembra que não pode respirar debaixo d’água*       

*Se afoga*   

Ok. Ok. Vamos lá. Não tem jeito. 

Vou apontar três exemplos para refletirmos sobre as possibilidades descritivas de sexo na água. Nunca pensei que algum dia da minha vida eu faria tópicos como os que estão a seguir, mas como diria Joseph Climber: a vida é uma caixinha de surpresas.



1 — Sexo na Piscina

Nesta hipótese, os personagens não estariam completamente submersos e talvez por isso não seja tão complicado descrever a cena. Pode-se imaginar algumas posições básicas (Não me perguntem como sei dessas coisas, por favor. kkkkk) A dificuldade imaginativa de algumas posições é um tanto alta se você não tiver experiência, por isso alguma pesquisa antes de escrever é sempre bem-vinda, vale lembrar. 

A primeira das posições que eu poderia citar seria de pé, com os personagens apoiados na borda (ou sem apoio, no meio da piscina, boiando ou não). Nesse caso as descrições de sentimento/emoção dos personagens não mudaria muito em função da posição que estão praticando, logo, as descrições comportamentais não devem mudar muito do sexo convencional também. O detalhe, porém, se encontra nas descrições das ações de cada um, uma vez que, boiando no meio da piscina ou mesmo apoiados na borda ou na escada, ou numa boia, que seja, o movimento de penetração não teria tanto ímpeto como de costume. Sendo assim, é bom ficar atento para não exagerar em descrições longas e cheias de energia com movimentos insanos de vai e vem. Não vai acontecer assim dentro d'água. Acredite no tio aqui, sei do que tô falando

A segunda posição possível seria com alguém a boiar, deitado na água de maneira que fique com o corpo flutuando, enquanto o segundo personagem apoia seu corpo. Nesta hipótese há como praticar o sexo oral, considerando que uma das partes estaria boiando alto o bastante. Vale observar também que, dentro de uma piscina, utensílios como boias, camas infláveis ou os chamados macarrões/espaguetes são de grande utilidade. Não se esqueça de mencioná-los durante a cena, se possível.  

Agora, considerando essas duas posições (de pé e boiando) e também suas variáveis, não há muita chance de se realizar um sexo minimamente possível sem aderir a experimentalismos bastante exóticos, se me permitem chamar assim.

A quina da piscina, a escada, a borda, tudo pode funcionar de apoio para o coito, a posição que decidirão fazer pode ficar apenas por conta da criatividade. Mas como não estou aqui pra ensinar a transar na água, mas sim falar tecnicamente (haha, até parece) sobre uma cena de sexo ambientada na água, o que recomendo quando for digitar é pesquisar as posições no Aqua Sutra (sim, isso existe. E não me perguntem como sei). Busque algumas ilustrações das possíveis posições e tente descrevê-las.

A descrição certeira de uma cena possui muitos níveis, não só as cenas de cunho sexual, mas qualquer delas. O que eu sempre procuro fazer é tentar vendar os olhos dos personagens e descrever a cena além da visão, já experimentaram? Muitas das vezes ficamos presos aos olhos quando descrevemos as coisas. Falamos de formas e cores, mas esquecemos de citar o som, o gosto, o cheiro, a temperatura. Lembre-se de contar com os cinco sentidos quando descrever qualquer cena.       



2 — Sexo no mar   

Agora, uma segunda possibilidade de sexo na água, mas fora da piscina: o sexo em alto mar. Ou sexo marítimo, se preferir chamar assim.          

As posições, novamente, não vão fugir muito das possibilidades que a piscina pode dar: em pé ou boiando.

Dessa vez, porém, não vai ter quina, borda, parede ou escada pra se apoiar. Ou você faz no raso onde consiga ficar de pé, ou usa alguma boia ou prancha para se apoiar. A principal diferença do sexo na piscina para o sexo no mar é, com certeza, o movimento. As ondas, a correnteza, a água salgada… Isso tudo é bastante nocivo para uma cena mais calma. Provavelmente seus personagens vão estar mais preocupados em se manter seguros e boiando do que com a relação em si. Isso tudo porque se, por algum motivo, eles pararem de prestar atenção onde estão e como estão e focarem mais no coito em si, vão acabar sendo arrastados pela correnteza, tomar um caldo, caixote ou simplesmente ter cãibra e se afogar. Falo por experiência própria, acreditem em mim. De coração. Não achem que dá pra fazer o que quiser na praia que não dá. Hahaha. Você vai acabar se afogando.


Quando descrever a cena, portanto, tente passar alguma dificuldade e desconforto, afinal, não é tão fácil manter-se concentrado no sexo e no mar ao mesmo tempo. Na verdade é super difícil. Pelo menos eu achei...

Ah! Vale lembrar que o sexo em alto mar não é nem um pouco recomendado, pois a água poluída e as partículas de areia podem causar doenças, alergias e irritações. Fora o fato de que a lubrificação fica prejudicada nesse meio. Da mesma forma, sexo na piscina também é um tanto perigoso: além de produtos químicos que podem irritar as genitais, a água da piscina não ajuda na lubrificação e também prejudica o uso de preservativos, logo, não te salva da possibilidade de contrair alguma DST (Doença Sexualmente Transmissível) ou mesmo engravidar. Além disso, a água da piscina sempre tem urina misturada, o que pode causar alguma infecção.

De qualquer forma, vale lembrar que tudo o que estou falando não passa de dicas e orientações. Cada um tem sua forma de escrever e descrever as coisas, talvez o método que propus não funcione muito bem para você, mas certamente pode servir de ponto de partida, orientação ou margem para que você se encontre e consiga escrever a cena que precisa. O importante mesmo é que você pesquise e visualize bem o que quer produzir, ficando bem à vontade para digitar com coerência toda a cena.



3 — Sexo submerso.

Beleza, chegamos no ponto mais profundo do assunto (se me permitem o trocadilho. De novo). Se vocês não estavam satisfeitos com o sexo na piscina, com o sexo no mar, nem com o Aqua Sutra, vamos mergulhar (haha, sou um piadista) em uma experiência bastante peculiar.

Para escrever esse trecho do artigo recorri a pesquisas em camadas mais fundas da internet, coisas que você não veria em público, nem deixaria no histórico de navegação. É, pois é. Minhas experiências pessoais não bastavam para essa parte do artigo. Aliás, eu não fazia nem ideia das possibilidades, mas descobri que mergulhadores excitados são capazes de loucuras no fundo do mar. Com essas coisas em mente, vamos falar um pouco sobre como seria o sexo submerso, independentemente de ser em um lago, piscina ou alto mar.                     

A princípio, haveria a proeminente necessidade de se usar tubos de oxigênio para se manter debaixo d’água por bastante tempo. Esse é um ponto importante, pois a respiração deve estar presente durante toda a cena. As bolhas de ar que sobem e o cilindro pesado que fica agarrado nas costas são pontos bastante marcantes, pelo que pude notar. Mesmo que vez ou outra alguém tire a máscara para... Bom… Me faltam termos técnicos, mas a essa altura vocês sabem bem do que eu tô falando, então… Mesmo que vez ou outra retirem a máscara de oxigênio, cedo ou tarde ela vai voltar ao rosto, é inevitável. Sabendo disso, ao descrever a cena, não esqueça de pontuar esses fatores, acho que faria a diferença.       

Mecanicamente posso dizer que o sexo submerso é bastante limitado em alguns aspectos, mas rico em outros. Algumas posições ficam mais fáceis, outras mais difíceis, naturalmente. Mas o ponto primordial que quero abordar, independentemente da posição praticada, é conseguir capturar os sentimentos da coisa. Muito mais importante que as descrições das ações, acredito que um sexo tão fora do comum trate mais sobre experiências e sensações novas do que simples e mero prazer ao coito.

Então, mesmo que tenha dificuldade ao descrever cenas tão complexas e diferentes, você precisa, no fim de tudo, entregar ao leitor uma experiência diferente e — acima de tudo — entregar a sua história algo novo que acrescente ao enredo, ao universo e seus personagens.          

Estar debaixo d’água ou não, não muda um fato primordial: você só vai escrever uma boa cena se conseguir relaxar e ficar à vontade com as próprias palavras. De um jeito ou de outro, muita pesquisa também é bem vinda quando se tratar dessas cenas complicadas.           


Pois então, cenas de sexo são sempre complicadas de construir. A linha entre o erótico, o vulgar, o tabu, enfim, tudo isso, é bem delicado de tratar sem esbarrar em algum ponto controverso. O segredo para melhorar a escrita, de qualquer forma, é ler muito. Posso estar repetindo o mesmo papo furado que todo mundo conta por aí, mas é a mais pura verdade. Ler é o primeiro passo para escrever. Leia muito. Muito. Bastante mesmo. Só então, comece a escrever. E escreva muito!          

Enfim, para encerrar, vou dar um último e talvez o melhor dos conselhos que eu tenha aqui comigo agora: Evite cenas de sexo debaixo d’água. Seja bonzinho consigo mesmo. hahaha.

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