Planeje sua História com a Gente 3 - Método dos Sete Pontos [2/2]

domingo, 8 de março de 2020

Por: Michele Bran
Link no Nyah: https://fanfiction.com.br/u/5389/


Olá, escritores.
Aqui estamos para a segunda parte de nosso post sobre o Método dos Sete Pontos (e a primeira você pode ler aqui).
Indo direto ao ponto, continuemos :D

4.       O Espelho

A escolha que seu personagem principal tomará no Catalisador o levará a um dos momentos mais cruciais da trama: o Espelho, onde o protagonista pode encontrar ou perder sua verdadeira motivação e onde a jornada parece ainda mais não ter volta (ou não ter possibilidade de acabar bem). Segundo as palavras do Lee:
Fazendo uma analogia com o próprio nome, é como se o protagonista se olhasse no espelho e se perguntasse: o que foi que eu fiz?”.
Aqui, algo muito importante (e geralmente de profundo impacto) acontece, levando seu personagem ao impulso de trabalhar ainda mais para resolver os problemas que aparecem em seu caminho. É aqui que o personagem reflete sobre suas ações e as consequências delas, se organizando para corrigir os erros e solucionar a questão da melhor forma possível (coitados, ainda temos muito chão hehe).
O Espelho, via de regra, deve aparecer no meio da história. Se formos usar um desenho como exemplo, podemos dizer que o começo é o ponto 0 e, a partir dali, temos uma curva ascendente, que sobe até o máximo e, depois, começa a descer novamente até a linha inicial. O Espelho é o meio disso e deve dar impulso para que o leitor chegue ao ponto alto, o clímax.
Exemplinhos:
1984: Após descobrir como o Partido manipula a população, Winston decide investigar um misterioso grupo de resistência.
Senhor dos Anéis: O conselho se reúne em Rivendell e, após diversos desentendimentos. Frodo decide ele mesmo levar o Um Anel a Mordor.
Harry Potter: Harry se olha no Espelho de Ojesed (coincidência?) e decide honrar a morte de seus pais.
Star Wars: Luke e seus companheiros são levados à Estrela da Morte, descobrem que Leia está sendo mantida prisioneira e decidem resgatá-la”.

5.       Crise

O protagonista já refletiu sobre suas ações e decidiu agir no sentido de resolver os problemas.
Maravilha! Hora de dar mais problemas para ele.
Como o próprio nome já indica, é hora de complicar ainda mais a situação de seu protagonista. Bônus se isso acontecer porque ele tomou uma decisão errada, que levou a uma grande e colossal tragédia e agora até seus aliados estão conta ele e-PERA, sem spoilers da minha história, hehe.
A crise é outro momento fundamental para o desenvolvimento da personalidade do personagem e serve para mostrar ao leitor todos os conflitos internos, dilemas, mudanças pelas quais ele passou e como toda essa jornada o está afetando (positiva ou negativamente falando). Aqui, podemos mostrar como o mundo interno do personagem interage com o externo com ainda mais força.
Exemplos:
Batman Begins: Ra`s Al Ghul queima a mansão Wayne e deixa Bruce à beira da morte.
Senhor dos Anéis: Gandalf cai no abismo ao enfrentar o Balrog.
Harry Potter: Harry vê Voldemort sugar o sangue de unicórnio e quase é morto.
Star Wars: Os stormtroopers atacam os heróis enquanto eles tentam fugir da Estrela da Morte com a princesa Leia”.

6.       Clímax

Aqui chegamos ao ponto alto da trama (lembrem da curva ascendente que mencionei ali em cima). Aqui, tudo se conecta e faz sentido, todos os segredos são revelados e agora o protagonista finalmente consegue descobrir o que é necessário para derrotar seus inimigos. É aqui que o detetive descobre que perseguiu o fulano errado a história inteira e o verdadeiro culpado está se preparando para agir em outro lugar.
Tudo na história deve culminar para o clímax para que ele tenha o efeito desejado de pegar todo mundo de surpresa (tanto quem participa da cena quanto quem a lê) e causar grande impacto emocional no leitor.
Exemplinhos:
O Caso dos Dez Negrinhos: Oito já morreram e apenas dois restam. Cada um dos dois sobreviventes sabe que ele próprio não é culpado pelas mortes e os dois se confrontam.
Senhor dos Anéis: Boromir tenta roubar o Um Anel de Frodo, fazendo o hobbit perceber o poder do anel em corromper seus companheiros. Ele, então, percebe que terá de enfrentar o desafio sozinho.
Harry Potter: Ao se olhar no espelho de Ojesed, percebe que, como seus motivos são puros, ele é o único que pode possuir a pedra filosofal.
Star Wars: Luke descobre que tem a Força, e terá que usá-la para destruir a Estrela da Morte”.

 7.       Resolução

E, por fim, o fim.
Aqui, tudo se resolve (ou se ferra de vez e todo mundo morre [juro que não é spoiler]). Batalhas são vencidas ou perdidas. Amores são reconquistados ou definitivamente desfeitos. Famílias se reencontram ou se separam por completo.
Ao chegar ao final, a ideia é que o conflito principal da trama seja resolvido e nenhum dos personagens de peso (protagonista, sobretudo, mas também secundários) termine da mesma maneira que era no começo. Toda a jornada, as lutas, os ganhos e perdas, os desafios, as dificuldades o terão transformado. Ele será uma pessoa melhor (ou pior) quando chegar ao fim de sua jornada.
E aqui cabem duas perguntas:
a)       Qual é o conflito principal? (importante para que você saiba, afinal, qual trama precisa ter maior destaque e deve ser resolvida ao fim de tudo); e
b)      Como meus personagens foram afetados? (se algum dos de grande importância terminar igual quem era no começo, volte e mude algo no meio).
Também é importante pensar se estamos falando do fim de uma história única ou de parte de uma saga (duologia, trilogia, série... etc). Se é uma história “livro único”, todos os mistérios precisam ser resolvidos até o fim. Se temos uma série, o mistério principal será resolvido, mas precisaremos deixar ganchos para a parte seguinte.
Vamos aos exemplos (todos do Livro 1 de uma saga, por coincidência, para facilitar o entendimento do que acabei de dizer hehe):
Jogos Vorazes: Katniss desafia os juízes dos Jogos e sobrevive. Ela agora tem uma visão distinta do governo controlador.
Senhor dos Anéis: A Sociedade se separa. Frodo resolve seguir seu caminho e destruir o Um Anel, custe o que custar.
Harry Potter: Harry derrota Voldermort. Ele agora sabe que, enquanto viver, Voldemort pode retornar para conseguir sua vingança.
Star Wars: A Aliança destrói a Estrela da Morte. Com o conhecimento da Força, Luke resolve treinar para destruir o Império”.

Mas como sabemos que o final e o meio (não necessariamente nessa ordem) são as partes mais difíceis de escrever, há algo maravilhoso sobre essa estrutura que me deixou positivamente surpresa enquanto estudava mais sobre ela. Devemos planejar nessa estrutura na seguinte ordem:

1º: Resolução
2º: Gancho
3º Espelho
4ª Chamado
5º Crise
6º Clímax
7º Catalisador

A ideia por trás disso é começar pelos pontos mais importantes, de forma que o seguinte se torne mais fácil de pensar a respeito após concluirmos o anterior. Começando pelo final, já temos uma boa visão de como queremos que seja a transformação do personagem.
Daí, fica mais fácil imaginar como apresentar essa bagunça e pensar na principal crise do meio. Com o começo, meio e fim já registrados, a tarefa de pensar em como desenvolver cada crise e problema também se torna menos árdua.

O método é excelente para plotters porque nos dá a estrutura geral da história com cada ponto-chave. Como o nível de detalhes é definido por você, fique livre para detalhar o máximo que quiser dentro da estrutura.
E auxilia pantsers e plotsers porque não é necessário expandir por páginas e páginas, como o Snowflake. Com apenas uma frase, você pode definir o que é mais importante em cada etapa. Além disso, também pode apenas fazer o começo e/ou o final e ir pensando no restante conforme a história avança.

E eu reclamando do post anterior, hein? Esse ficou quase um TCC (hehe).
Espero que tenham gostado apesar do tamanho e que tenha sido útil. Até o mês que vem com, espero eu, mais um post da série. Dessa vez, sobre a estrutura dos Três Pontos.
Beijos e até lá.

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