Resenha: O legado de Avalon: o Garoto, o Velho e a Espada

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Resenha por Elyon Somniare





MENDES, Luiz Fabrício de Oliveira – O Legado de Avalon: o Garoto, o Velho e a Espada, Paracatu - Minas Gerais, Buriti, 2014



Sinopse: Quando a lenda termina, a aventura começa. Desde que a feiticeira Morgana Le Fay passou a perseguir e aniquilar os poucos descendentes do Rei Arthur, a Ordem de Excalibur encarregou-se de espalhá-los pelas colônias e países amigos do antigo Império Britânico, incluindo o Brasil do Segundo Reinado. Mais de 150 anos mais tarde, Aurélio Britto, garoto morador da periferia do Rio de Janeiro, fã de futebol de botão e games de estratégia, é atacado na casa do avô por um misterioso homem-onça. O dono do antiquário da esquina, senhor Campbell, revela-se na verdade o milenar mago Merlin, prestes a apresentá-lo a uma arriscada jornada de herói: sobreviver às investidas dos seguidores de Morgana e reencontrar a espada Excalibur, desaparecida nas mãos da Dama do Lago há mais de mil anos. Junto com a implicante Gui (e ai de quem chamá-la pelo nome inteiro, Guilhermina!), o fã de rock, Gabriel, o pessimista Bruno e o primo deste, Junior, além do avô Genaro é formado um pacto em torno de uma mesa de parquinho redonda, visando o objetivo de restaurar o sonho de Camelot na pessoa de seu último herdeiro.



Resenha: Virado para um público juvenil, O Legado de Avalon destaca-se no uso dos mitos, da acção e da aventura. Ao longo da sua leitura, são notados dois elementos muito comuns à literatura de fantasia: o jovem “Escolhido” e a estrutura da “Jornada do Herói”, cunhada por Campbell. Clichés, talvez, mas nem por isso negativos. O autor não só demonstra ter conhecimento sobre os mesmos (inclusive inserindo “Mr. Campbell” na narrativa), como uma capacidade em os utilizar a favor da sua narrativa.
Uma outra área em que o conhecimento do autor vem ao de cima é a histórica. Não são raras as ocasiões em que informações sobre a História brasileira são contextualizadas. Abrangendo locais, pessoas ou acontecimentos, os detalhes são inseridos de forma credível no enredo, ligando-se de alguma forma ao protagonista, ou à lenda de Arthur. Deste modo, o que poderia tornar-se num infodump, apresenta-se como um dosagem moderada de curiosidades, que ascendem a necessidade pelo contexto.
Esta capacidade de contextualização e ligação encontra-se ainda em evidência numa outra área: a fusão, chamemos-lhe assim, dos mitos arturianos com o folclore brasileiro. Torna-se difícil alongar muito nesta questão sem entregar spoilers, mas não haverá problemas em afirmar que o autor pegou nos elementos que existem em comum, e os trabalhou de forma que o leitor não estranhasse a presença de mitos da Inglaterra de séculos passados, no Brasil contemporâneo.
Como referido no início da resenha, o público-alvo do romance é o juvenil. Em consonância com essa faixa etária, a narrativa é acessível e perceptível sem, contudo, infantilizar os possíveis leitores. Um reparo a fazer prende-se, no entanto, com a pontuação: o excesso de reticências. Estas são usadas com uma abundância desnecessária, e que passou despercebida na revisão.
Apesar de o enredo apresentar um arco completo – princípio, meio e fim –, o livro acaba deixando mistérios e questões suficientes para o conectar com uma continuação, se não mesmo pedir por ela. O Legado de Avalon é, portanto, o primeiro de uma série, que pelo bem dos leitores, se espera continuar a ser publicada.





 






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