Plágio

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

This is not yours.

Por: Bloody Heartless 
(beta reader liga dos betas)


Olá, galerinha,

Primeiramente quero dar-lhes uma explicação do que vem a ser plágio, ou de quando uma obra é caracterizada como plágio. Segue explicativa abaixo:

Plágio significa copiar ou assinar uma obra com partes ou totalmente reproduzida de outra pessoa, dizendo que é sua própria, e é um termo oriundo do latim. O plágio pode ser de qualquer natureza, como em livros, música, obras, fotografias, trabalhos etc... 
O plágio ocorre, quando um indivíduo copia o trabalho de alguém e não coloca os créditos para o autor original. O Plágio é a cópia não autorizada de várias informações, e é considerado crime, previsto no Código Penal Brasileiro, e na lei 9610. É considerado uma atitude antiética em vários países e como crime de violação de direito autoral. (Disponível em: www.significados.com.br).

O termo plágio definido pelo dicionário priberam:

Plágio:
(latim plagium,-ii, roubo de escravos, plágio)
s. m.
1. Ato ou efeito de plagiar.
2. Imitação ou cópia fraudulenta. 


Plagiar, em poucas palavras, seria copiar a obra de alguém (textos, músicas, falas etc...) sem dar-lhe o devido crédito e, em alguns casos, o ônus devido. 

O primeiro caso de plágio registrado na história brasileira foi a cópia do quadro Friedland, em 1807, do artista Jean-Louis Ernest Meissonier (que retratava uma conhecida vitória de Napoleão Bonaparte) pelo artista brasileiro Pedro Américo, em 1888, que chamou “sua obra” de O grito do Ipiranga, retratando a cena da Independência do Brasil. Não obstante, a obra do brasileiro não retratava nem de perto a realidade dos acontecimentos da época (Brasil colônia), que tinha a coroa ruindo em seu desespero e o príncipe regente (D. Pedro I) fisicamente indisposto.


Acabei de citar sobre um brasileiro que plagiou uma obra internacional (embora nunca tenha sido provado que a obra realmente fosse um plágio, a semelhança esteja nas imagens), mas mostrarei também o contrário:


A obra Max e os felinos, publicada em 1980, pelo escritor Moacir Sciliar foi, em parte, plagiada pelo autor canadense Yann Martel, autor da obra As aventuras de PI, cujo livro rendeu, além de fortuna, um filme de mesmo nome da obra. A hipótese sobre o possível plágio do autor Yann surgiu quando, Moacir, em entrevista, disse que o Best Seller The life of Pi continha parcialmente trechos e referências de sua obra publicada muitos anos antes, mas sem sucesso em território nacional, sendo traduzido para a terra da rainha em 1990.


Dados os exemplos e as definições da palavra acima, já podemos saber o que vem a ser plágio, mas você sabe como identificá-lo? Citarei algumas maneiras (pessoais) de realizar a verificação de textos plagiados e identificar uma obra fruto de uma cópia de outra mais antiga.


Como Identificar o Plágio: 

1. Por meio de leitura de muitas obras: 

A leitura pode ser um dos melhores meios de realizar essa verificação. Quando lemos vários autores e diversas obras diferentes das comuns (das obras em voga, muito comuns entre adolescentes), é possível, de alguma forma, automaticamente reconhecer textos já reproduzidos em outras obras. A mente é capaz de memorizar diversos trechos (embora você nem sempre consiga lembrar) que, quando relidos, voltam como memórias... O chamado déjà vú. Você, sendo conhecedor de uma obra – e caso queira identificar se é realmente plágio -, consegue quase que instantaneamente lembrar-se onde foi lido o trecho em questão. 

Todavia, você não pode simplesmente dizer que é plágio, porque é necessário realizar algumas verificações antes, a saber: 

 O trecho que você está lendo agora foi publicado realmente antes da outra obra? Nesse caso, é bom verificar a data de publicação.  

• O autor realmente não faz referência ou releitura de nenhuma outra obra? Claro, verificar se no início ou no final, ele não dá um aviso. Pesquise mais sobre! Sendo ela famosa ou não, vale a pena verificar. É muito comum utilizarmos as frases de outras obras, para darmos continuidade aos nossos próprios trabalhos. É quase como se fosse um jogo com essas citações, obrigado ao leitor que pesquise e encontre sobre o que você está falando. Então, é sempre bom termos o cuidado em acusar uma outra obra, pois os desinformados podem acabar por sermos nós. 


2. Por meio de ferramentas digitais e da Internet: 

Hoje em dia, o que a internet não consegue fazer em relação a explorarmos diversos textos e identificarmos textos repetitivos, não é mesmo? Há algumas ferramentas (onlines ou não) que podem facilitar a vida do escritor na hora de identificar se ele está sendo plagiado ou não, se está plagiando ou não (porque você também pode reproduzir um trecho de um livro que tenha lido, inconscientemente; isso nós chamaríamos de plágio não-intencional). 

No meio acadêmico, os acusados de plágio podem responder criminalmente perante a Lei 9610/98, que regulamenta os direitos autorais sobre cada obra. Sendo assim, uma das ferramentas que vêm sendo utilizadas com frequência na internet, tem um nome peculiar: Um programa chamado Plagius, que pode ser encontrado em vários sites de download. Além de ajudar a legitimar a sua obra, ele pode também identificar o plágio em diversos formatos de documentos (pdf, word, html, etc...), exibindo a frequência com que o trecho, ou a obra, é citado, em quantos lugares diferentes e o percentual do suposto plágio (entenda, como eu disse, há o plágio não-intencional, em que o sujeito acaba reproduzindo um trecho inconscientemente por já ter lido, mas não se lembra da leitura. Um dos mistérios da mente humana). 

Já de forma online, podemos utilizar os seguintes serviços: http://www.plagiarism.org ou http://www.ithenticate.com (dentre outros). Ambos os sites disponibilizam para o autor, ou pesquisador, uma releitura de diversos arquivos na internet, partindo de um trecho em que será utilizado como base para a verificação. Mas são estatísticas. Pode ser realmente uma cópia ou não! 

Tipos de plágio: 

1 -) Plágio direto: cópia de palavra por palavra, sem indicar fonte ou autor. cópia da obra por inteiro, sem nada ser modificado. 

2 -) Referência vaga ou incorreta: o autor utiliza a mesma ideia de um terceiro, mudando apenas uns pontos, mas em citar a fonte de suas ideias ou dando-lhe os créditos. 

3 -) Mosaico: o tipo de plágio comum. O autor usa das ideias de vários outros autores para construir seu texto. Esses parágrafos não são citações, mas estão próximos de ser, ou seja, o autor não atualiza as ideias utilizadas, utiliza-as assim como outro autor as utilizou. 


Modos de evitar plágios: 

1 -) Pesquisa: inicie uma pesquisa o mais cedo possível, para identificar se o seu texto é trabalhável (se não é um plágio direto de outra obra que vá gerar-lhe dor de cabeça, futuramente). Muitas vezes a preguiça de estudar um determinado assunto antes de desenvolvê-lo, é o que gera o plágio, porque, quando você não está disposto a estudar sobre determinado assunto, acaba copiando de alguém, pois isso é muito mais fácil do que você mesmo interagir com a obra. 

2 -) Transforme em um hábito, a utilização de parênteses para referenciar os autores utilizados: Isso facilita na hora de dar referência a fonte, na hora da finalização do seu texto. 

3 -) Confiança: Antes de mais nada, é necessário que você tenha confiança em sua escrita e em suas ideias, reforçadas pela pesquisa. Confiar nas suas capacidades é algo indispensável para que você possa ter um texto e/ou obra original. 


Parece plágio, mas não é: 


Citação: cópia palavra por palavra de algo que alguém disse ou escreveu. É indicado por aspas no começo e no fim da situação, geralmente destacado do texto principal (por fonte ou formatação). A fonte precisa, ainda, ser evidenciada no texto (citação) ou como fonte de pesquisa. 

Paráfrase: reformulação – com suas próprias palavras – do que a fonte utilizada disse. Muitas redações são praticamente paráfrases. Parafrasear seria, em poucas palavras, descrever a ideia que você tem sobre o artigo desenvolvido pela fonte, mostrando-se que você é capaz de compreender e modificar as palavras utilizadas. Essa forma é comumente utilizada por revistas, para dar palavras simples a artigos científicos, sem tirar a verdade exposta pelos pesquisadores. Obrigatoriamente a fonte tem que ser referenciada, caso contrário é caracterizado como plágio. Modificar as palavras de uma ideia já utilizada por outro, não a faz sua. 

Resumo: o resumo é feito com suas próprias palavras, mas de uma fonte especificada. É, geralmente, de menor tamanho do que a obra original, sendo necessário, também, referenciar o autor ou obra original. Diferente da paráfrase, o resumo é uma forma mais livre de comentar sobre uma obra. 

Referência: identifica a fonte de uma citação, paráfrase e/ou resumo. 



Fui plagiado. O que fazer? 

Para nós, escritores amadores, o plágio também é algo que vem acontecendo em nosso dia-a-dia. Não é raro olharmos a história de alguém e identificarmos um trecho ou abordagem direta de nossas cenas, descritas em poucas palavras, sem ao menos termos recebido créditos por elas. É uma situação chata e degradante, que muitas das vezes nos fazem perder a paciência e até mesmo chegarmos a ofender o nosso “ofensor” literário. Porém, nem sempre a solução tomada por nós, realmente é efetiva ou reconhecida, podendo nos fazer sair como errados. 

Xingar ou humilhar o nosso plagiador, não é a solução mais madura que podemos pensar no momento da raiva – mesmo que, às vezes, isso possa gerar alívio ao nosso coração -, porque pode manchar a nossa própria imagem perante outros escritores. Mas você dirá: “Leo, não vivo de imagens!” e eu te responderei que: “Você vive, sim.” Quando alguém lê a sua obra, muitas vezes ele não a indica porque é algo realmente bom, mas pela simpatia com que foi tratado pelo autor – no caso você -, fazendo-o gostar mais da história, do que gostaria caso tivesse sido maltratado. Quando você está inteirado com os seus leitores, automaticamente as histórias escritas por você se tornam mais lidas e espalhadas, tornando-te mais famoso do que a sua própria obra em questão, o que, de certa maneira é algo positivo. 

Enfim... Voltando ao assunto do tópico desenvolvido, aqui vão algumas sugestões sobre o que pode ser feito, caso realmente você achar que sua obra está sendo plagiada. 

Acionar a justiça: nesse caso, seria mais se sua obra fosse registrada e patenteada com direitos autorais, o que não creio ocorrer entre os escritores amadores. Acionar a justiça é algo comum no mundo dos grandes e famosos (infelizmente), quando suas obras são descaradamente plagiadas. Além de obrigar a dar créditos para a sua obra e para você, o infrator também está sujeito a pena de pagar os ônus ganhos pela publicação da obra plagiadora para o verdadeiro autor. 

Conversar com o acusado de plágio: antes de mais nada, verifique se realmente é ele quem está plagiando-te e não o contrário, porque seria algo vergonhoso caso ele provasse que você é o plagiador em questão. Identifique, também, se não foi realizada uma correta citação, paráfrase ou resumo. 

Quando estiver com suspeita de estar sendo plagiado por outro autor, procure antes fazer uma pesquisa. Verifique a data da obra em questão, além de utilizar-se das ferramentas (citadas lá em cima) para verificação. 

Estando com as provas em mãos (contra fatos não há argumentos), contate o plagiador. Seja tranquilo e direto em suas palavras. Prove-o que você sabe que está sendo plagiado e que apenas quer os créditos pela parte que te compete. Diga-lhe que não é necessário que a obra dele seja excluída e que você apenas precisa ser reconhecido pelo trecho que ele reproduziu, é de sua autoria. Mostre as provas que você tem de que aquilo realmente te pertence, e caso ele (o plagiador) não seja um cara-de-pau, vai estar dando-te os devidos créditos pela obra. 

Conversei, mas ele se recusou: Poucos devem saber, mas no Nyah temos uma política anti-plágio. Caso realmente seja provada a fidelidade de suas acusações e o autor negar-se a dar-te os devidos créditos ou simplesmente fingir que você não existe, é possível acessar o suporte do Nyah e realizar a denúncia. Porém, é necessário que você dê as provas e explique de forma clara a acusação, além de deixar também o link da história e perfil do acusado. O suporte estará a verificar o mais rápido possível, dando a resposta assim que apurados todos os fatos e o plagiador devidamente punido segundo as regras. 

Você pode realizar a denúncia sobre plágio, não somente pela cópia de sua obra, mas sobre a cópia de qualquer outra obra, quando não dado os créditos. Caso você verifique outra história dentro do site e ela for referência direta a um trecho e/ou criação já existente – sem estar discriminado -, também é possível realizar a denúncia, sendo ela verificada da mesma forma anterior. Nunca se esqueça de sempre ter certeza, porque como dito lá em cima, os autores costumam usar partes já conhecidas de outras obras, justamente para fazer uma brincadeira com o interesse dos leitores. 

Considerações finais: 

Não plagiar é uma questão de moral, caráter e ética. Não é apenas uma questão de boa educação, pois ela só vai até certo ponto e ninguém (no caso os pais) pode ser acusado pela falta de caráter de outro ser-humano. 

Quando tomamos créditos pela criação de outra pessoa, você está descendo ao menor dos níveis possíveis, estando sujeito a ser desmascarado a qualquer momento, pela própria pessoa ou por um autor que esteja acompanhando a sua obra. Quando isso ocorrer, além de estar exposto as acusações, pode ser incriminado judicialmente, vindo a manchar não somente a sua imagem, assim como também o conhecimento sobre o seu caráter e conduta no meio literário (amador ou não). Por isso, quando estiver criando uma obra, antes faça uma pesquisa sobre os fatos e identifique se as ideias utilizadas por você, já não foram utilizadas por algum outro escritor, e, caso tenha sido, lembre-se de dar-lhe os devidos créditos pela execução parcial ou completa de uma ideia já exposta. 

Além de certa identificação com a leitura e escrita, para que possamos ser bons escritores, também é necessário que tenhamos caráter, ética e moral para lidarmos com as mais diversas situações, sempre buscando a melhor solução possível para interagirmos com os outros, além de buscar a melhor solução para resolvermos os possíveis problemas. Quando você é um plagiador, além de estar ridicularizando-se, diminui também a confiança que os leitores terão sobre as suas futuras publicações, além de dúvidas sobre as publicações antigas. E convenhamos, isso seria ridículo! 


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Material consultado:







Plágio. Questão de ética: http://sandrapontes.com/?page_id=816


3 comentários:

  1. Agora, é só você complementar com o seu. ♥

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  2. Muito interessante o artigo e vejo que deu bastante trabalho! Parabéns pela dedicação!
    Confesso que conheço muitos casos de plagio e cópia de marcas e obras, mas não conhecia os dois citados aqui. Muito interessante mesmo...

    Sou estudante de Direito, além de ficwriter, e tenho um interesse especial pela área de Propriedade Intelectual, especialmente no que concerne o Direito Autoral, então me interesso de verdade pelo assunto do post.

    Acredito que talvez seja importante diferenciar o plágio no meio acadêmico ao plagio no meio literário. Tendo em vista a natureza completamente diferente dos trabalhos, os modos de se caracterizar o plágio em um ou em outro também são diferentes. Não vou ficar dando colocações muito jurídicas também, porque acho que foge ao objetivo do post, mas achei importante esclarecer pelo menos algumas coisas:

    Um fator muito importante do plágio no meio literário, por exemplo, é o objetivo de auferir vantagem ou lucro com a obra copiada. Um dos motivos que uma fanfic não é considerada plágio, mesmo se utilizando abertamente do universo literário de outro, é esse. Você não vende sua fanfic, nem ganha nada com ela.

    Vale apontar também que no meio literário(e artístico em geral) a simples menção ao fato de que o texto não é seu não desconfigura o plágio. Pelo contrário, serve até mesmo de confissão. O único modo de você utilizar uma criação literária ou artística de outrem é com a devida autorização prévia do autor.

    Outra coisa que acho que importante dizer é que a Lei que você citou realmente trata do plágio e dos direitos autorais no Brasil, mas ela não faz dele crime. Ela diz como tratar dele na esfera civil, com multas, reparações por danos e etc. O que faz do plágio crime é o artigo 184 do Código Penal Brasileiro. Vale a pena ir lá e dar uma olhada!

    No mais, parabéns pelo artigo! Ele está realmente bem claro e muito bem organizado. É realmente importante que todo mundo saiba bem o que é o plágio e como lidar com ele! ;D

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