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Recomendações de Leitura Dia da Mulher [02/04]

quinta-feira, 17 de março de 2016

“As Brumas de Avalon”, Marion Zimmer Bradley
(Rodrigo Caetano)

Publicada entre o final dos anos 70 e o início dos anos 80, essa saga de livros conta a história do Rei Arthur durante 70 anos ou mais, antes e depois de seu nascimento. Seu foco, contudo, está nas mulheres que cercaram esse rei mitológico, incluindo a sua irmã, Morgana.Assim, a autora vai preenchendo as lacunas que foram deixadas por causa do paganismo e do machismo histórico da Bretanha. Além disso, o livro ainda aborda de maneira superficial algumas questões relacionadas a homossexualidade, tanto masculina quanto feminina. É uma narrativa poderosa, principalmente do ponto de vista das mulheres – Morgana em especial –, de um dos mitos mais conhecidos da Humanidade.

“Lueji, O Nascimento de um Império”, Pepetela
(Enrique Buendía)

Lueji narra a história de duas mulheres: uma é Lueji, a filha de um rei lunda, uma tribo africana na atual Angola, da qual se contam várias lendas, a outra é Lu, uma dançarina que desiste, que tenta conciliar a dança com a sua faculdade, e, bem, o livro vai narrando a histórias das duas simultaneamente: uma se passa na Angola antes de sua colonização, outra na atual Angola, e o mais interessante é o que tudo resulta no final. O narrador do livro é um homem, aparentemente o próprio Pepetela, e o que é interessante é que o livro traz o português angolano, traz a cultura de um país que fala a mesma língua falada no Brasil e em Portugal, traz tenções e sobrevivências de hábitos culturais, como reflexos de guerras entre as etnias, e também a história do nascimento de Lunda com toda a sua tradição, algo puxado para o início de Angola.

“A menina que circum-navegou o reino encantado no barco que ela mesma fez”, Catherynne M. Valente
(Giulia Correia)

Não vou enganar ninguém: admito que só peguei o livro porque tinha uma recomendação de Neil Gaiman na capa e não estava nada caro (na verdade, foi na bienal do rio, estava 10 reais). Ainda assim, quando li o livro, me surpreendi imensamente. Portanto, não se deixe enganar pela aparente infantilidade da história ou de como tudo soa, o livro é daqueles que você consegue tirar enormes interpretações de cada linha, e eu não faço ideia de como ele não é famoso.

Para começar, a protagonista é uma criança que não parece criança. Ela é inteligente e decidida. Depois, temos toda a parte de ser escolhida vs. ter se escolhido, o que vejo como uma crítica a histórias de fantasia em que a única característica boa do herói é ter uma profecia sobre seu destino e, ainda, temos um plot twist que vai te surpreender.

É um livro que deixou a feminista em mim bem feliz, por algum motivo. Talvez porque o livro está repleto de personagens femininas ótimas, desde a protagonista a personagens secundários. Temos, também, toda uma ambientação de um mundo mágico, com seres mágicos, dragões e paradoxos. Eu sou apaixonada por ele.

Se você gosta de livros tipo Alice, ou se curte histórias de Neil Gaiman, esse livro é pra você. Leia, releia, e venha conversar comigo <3

“Tieta do Agreste”, Jorge Amado
(Enrique Buendía)

Bem, Tieta é uma das personagens fictícias de Jorge Amado que mais me chamou a atenção, pela sua altivez, pela sua coragem, determinação, pela sua forma de vida, por aquilo foi capaz de fazer. Não dá pra falar muitas coisas sem acabar detalhando coisas do livro, mas Tieta é uma mulher que é expulsa de casa pelo pai e volta rica e poderosa para a sua cidade, ainda que não se saiba como ela tenha ficado rica. Altiva, ela vai, luta pelo que almeja em uma cidade que desconhece o progresso, procura resistir a preconceitos e dá um show.

“A Breve Segunda Vida de Bree Tanner”, Stephenie Meyer
(Rodrigo Caetano)

Uma história paralela à saga Crepúsculo, esse livro curto é uma das narrativas mais poderosas de Stephenie Meyer, retratando o verdadeiro mundo clandestino em que os vampiros de sua saga se escondem, explorando um espaço que a saga principal não lhe propiciou explorar. Com uma forte personagem feminina, vemos um conto que, apesar de curto, consegue ser tão poderoso quanto qualquer outro livro da série em que está inserido. Mais do que isso, o livro dá vida ao mundo criado pela autora na saga principal, e dá a ele uma profundidade muito maior.

“O Diário de Anne Frank”, Anne Frank
(Pedro)

Na literatura, por mais que haja uma história envolvente e com enredo impecável, sempre vai haver uma tênue cortina de fumaça que a separa da realidade; o limiar entre a ficção e a realidade. Esse não é o caso, feliz ou infelizmente, dessa obra.

Anne Frank é alguém que realmente existiu e o motivo da indicação é exatamente esse. Além do nazismo e da perseguição aos judeus, é possível observar como era a vida das mulheres e sua atribuição social da década de 40. É um livro que traz um relato histórico de uma das épocas mais sangrentas da Humanidade, sob a perspectiva de uma jovem com ideologias pares às que temos hoje. Em outras palavras: é um livro emocionante e rico.

“O Labirinto”, Kate Moss
(Dark Lace)

“A história se passa em duas linhas de tempo retratando a vida da mesma mulher e os caminhos que ela percorreu para lutar contra os mesmos problemas. Retrata a rotina da mulher moderna e a do medievo, suas provações e dificuldades, contrastando a forma como conseguiu encontrar as soluções. Um livro sobre a força e a coragem que uma teve que ter, para não ser esmagada num mundo masculino.”

“Trilogia Millenium”, Stieg Larsson
(Rodrigo Caetano)

Uma trilogia de um autor sueco comportando os títulos “O homem que não amava as mulheres”, “A menina que brincava com fogo” e “A rainha do castelo de ar”. Essa saga tem como protagonistas um jornalista chamado Mikael Blomkvist e uma jovem hacker chamada Lisbeth Salander. Outra personagem feminina extremamente forte e complexa, Lisbeth rouba a cena e conduz o fio narrativo dos três livros de maneira surpreendente. Quando você vê, descobre que a história sempre foi sobre ela. Apesar de não ser uma protagonista clássica, muitas vezes agindo como anti-heroína, ela chama atenção por sua ousadia, autenticidade e por seu modo único de ver e viver a vida.

Recentemente um quarto livro foi lançado, incluído na saga, porém o livro foi escrito por outro autor, uma vez que Stieg Larsson faleceu pouco antes da publicação do último volume da então trilogia.
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Recomendações de Leitura Dia da Mulher [01/04]

terça-feira, 8 de março de 2016


Saudações, jovens pinguinzinhos! 

Quem vos fala escreve nesta introdução é a Elyon Somniare, e não me irei alongar muito. Sabem que dia é hoje? Oito de Março, Dia da Mulher, e se não sabem a razão, aconselho a procurarem no Google, porque é algo sempre bom de se saber. Mas mais do que a razão histórica para dar importância à data, temos a razão social que ainda hoje, infelizmente, justifica a importância deste dia. Não, não nos iremos alongar sobre isso, não só porque daria pano para mangas, como também por não ser esse o foco do blog. A Liga, contudo, não quis deixar passar a data em branco, e por que não lançar algumas recomendações de leitura durante este mês? Com isso em mente, fizemos um apelo aos nossos betas, que prontamente lhe responderam. Serão quatro posts extra a saírem durante este mês Março, três com recomendações de livros, um com recomendações de fics no Nyah! (e uma surpresa que saberão na altura, ahah).

Antes de continuarem, contudo, peço que tenham atenção a duas coisas: as recomendações são variadas e destinadas a várias idades e gostos. Então, ao pensar “Como assim, colocaram livro X ao nível de livro Y, como pode!?” lembrem-se que o livro X pode não ser eeeeessa coisa para vocês, mas que o será para alguém de uma idade diversa, de uma experiência de vida diversa, de um gosto literário diverso, etc. A segunda coisa é que todos os betas que deram recomendações responderam ao apelo. Não houve nenhum beta que respondeu e foi ignorado, therefore, gostaria de não os ver a serem desmerecidos por conta da sua sugestão que vai contra o vosso gosto ou opinião ou pelo seu género, ok? Obrigada ;) 

“Jogos Vorazes”, Suzanne Collins
(Rodrigo Caetano)

Não apenas um, mas três livros contando a história de uma das personagens femininas mais marcantes dos últimos tempos, a saga de Jogos Vorazes nos apresenta a Katniss Everdeen, uma adolescente forçada a agir como adulta pela dura realidade que assola o mundo em que vive. Escolhida como símbolo de uma revolução de proporções maiores do que ela poderia imaginar, essa história é sobre uma mulher e não sobre o ícone que se constrói a sua volta, e isso faz com que ela seja uma das personagens femininas favoritas dos jovens nos últimos tempos. Isso e o fato de ela ser (insira aqui um palavrão que sirva para exaltá-la), além de ter os dois homens de sua vida babando por ela.

“Tereza Batista Cansada de Guerra”, Jorge Amado
(Enrique Buendía)

Eu sempre choro ao ler um livro do Jorge Amado, mas Tereza... foi um dos que mais conseguiu me arrancar lágrimas; Tereza é uma mulher que conhece a fama e a miséria, foi prostituta (liderou uma luta ao lado de prostituas, inclusive), foi vendida quando era uma adolescente, matou um homem com a faca da cozinha, não suportava ver homem batendo em mulher, enfim, uma mulher incrível. Acho que ela é a mais completa do Jorge Amado porque ela consegue reunir aquilo que as demais possuem e, assim, se sobressai, lutando por aquilo que quer, destemida, umbandista, guerreira, enfim, acho que é uma grande mulher pra ser homenageada no dia 8 de março.

“Chocolate”, Joanne Harris
(Ana Luísa Coelho)

"Chocolate" é um livro maravilhosamente doce da Joanne Harris. Toda a gente conhece o filme, ou já ouviu falar dele, porque tem o Johnny Depp no meio do elenco. Tendo lido apenas o livro, nem vos sei dizer qual personagem ele deveria interpretar porque, apesar de haver vários homens importantes em momentos diferentes, nenhum rouba o foco à protagonista e à sua filha, nunca. Este é um livro verdadeiramente próximo do que é ser-se mulher, e quem comentar que é por ter a ver com chocolate e comida e cozinha vai apanhar! Ficamos a conhecer uma mulher e a sua filha, o amor que as une, a sua forma de viver e o que trazem ao mundo por serem como são. O chocolate surge num contexto delicioso e com descrições tão vívidas que o leitor se sente na loja de chocolates da protagonista a toda a hora. É um livro com mulheres, sobre mulheres, mas para qualquer pesaoa de qualquer género. A história é simples, mas bem descrita, e tem pontos fortes que se ligam bem à realidade de qualquer pessoa, mesmo, para os notar e reavaliar, que a pessoa tenha ainda de matutar sobre o livro por alguns dias. Esses dois dias serão dias felizes. Adorei devorá-lo. É raro encontrarmos livros com protagonistas femininas que sejam sobre a vida delas, e como ela é boa através dos seus esforços e ideias, e não sobre como a vida delas melhora com algum par romântico. Romance não entra sequer na equação e garanto que ninguém, nem os românticos fervorosos como eu, lhe sentirão a falta. Recomendo muito este livro. Espero que também gostem dele.

“A Hora da Estrela”, Clarice Lispector
(Enrique Buendía)

O último da Clarice, conhecido pela sua personagem Macabea, uma mulher que, confesso, me deixou muito chocado, Macabea é uma nordestina que vai para o Rio depois da morte de sua única parente, uma tia, mas ela mal tem consciência de existir, vive apenas a sua vida pacata e sem ambições, ingênua e desamparada, uma mulher que “ninguém a quer” e que “não faz falta a ninguém”. A história narrada também é muito crua, com aquele intimismo da Clarice, mas não tão forte, e com uma jogada que vale a pena ser mencionada, a autora cria um narrador homem porque “escritora mulher pode lacrimejar piegas”, ou seja, sendo ela uma escritora mulher, faz todo um jogo irônico com a imagem de que a mulher, por descrever uma história triste, chora. Com a revelação de uma cartomante de que teria um futuro brilhante, Macabea tem a sua hora da estrela bem mais cedo e de forma surpreendente, algo que nos faz parar para pensar.

“Memórias de uma Gueixa”, Arthur Golden
(Dark Lace)

A história mostra a adaptabilidade feminina e sua flexibilidade numa cultura e época em que elas deveriam ser o que os homens esperavam delas. Entre a tradição e a guerra, o livro retrata o espírito feminino, sensível mas forte.

“O Fantasma”, Daniele Steel
(Dark Lace)

A história conta a trajetória de uma mulher que sofria a opressão masculina social e até violências, mas que apesar disso nunca perdeu a esperança de ser feliz. Outro livro que retrata a força e flexibilidade do espírito feminino, a coragem e o pioneirismo de uma mulher em uma época em que ela seria nada diferente de um objeto da casa.

“Orgulho e Preconceito”, Jane Austen
(Giulia Correia)

A fama do livro o precede: de todos os livros da Jane Austen, eu diria que é o mais famoso, o mais comentado, aquele com mais adaptações. Fala por si, não? Que um dos maiores nomes da literatura seja uma mulher e, mais, que ela tenha escrito seus livros e não se casado numa época em que se esperava que as mulheres fizessem o contrário me faz acreditar que não podia faltar um livro dela numa recomendação sobre o dia da mulher.

Acredito eu que a história, per se, a maioria das pessoas conheça, então não vou focar a recomendação nisso. Além disso, basta jogar no google e você vai achar diversos resumos. Então, aqui, vou falar sobre os motivos pelos quais você deveria ler o livro, além de assistir o filme.
Para começar, o livro desenvolve melhor o romance e a personalidade das personagens. O livro te dá uma ambientação maravilhosa e, apesar da linguagem e da idade, é bastante fácil de ler, principalmente se você pegar uma edição decente. O livro, também, tem muitas, mas muitas, cenas que não estão no filme. Se você viu a série (sim, tem uma série, é ótima, RECOMENDO), talvez reconheça a maioria, mas não todas.

Se você gostou do filme, não duvido que vai amar o livro. Sério. O filme é como se fosse uma versão resumida, e me lembro de (apesar de ter amado a história) ter achado tudo muito corrido, não ter visto o desenvolvimento do romance acontecer muito bem, o que se resolveu completamente quando li o livro.

Aliás, sobre a série: é antiga, mas é ótima. Muito mais semelhante ao livro, atores ótimos, COLIN FIRTH NOVINHO DE ROUPA COLADA. Tem uma entrada muito bonitinha e, senhor, a ambientação e as personagens são feitas de maneira muito boa. Sugiro assistir a série, ler o livro, ver o filme e procurar as adaptações <3
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