Hentai Submerso e Suas Peculiaridades

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Por: Trubluu

Alguma boa alma achou que seria ótimo existir um artigo sobre “como escrever cenas hentai debaixo d’água” na internet. Não sei o que esse ser humano iluminado tinha na cabeça quando sugeriu esse tema pro Blog, mas agradeço imensamente por me fornecer a oportunidade de digitar sobre isso. Esse assunto ficou parado no banco de sugestões por muito tempo (acho que ele é mais antigo que eu na Liga dos Betas, se duvidar), mas chegou o momento de superá-lo.  

Enfim, vamos falar sobre cenas de sexo na água sim.

Ok. Vamos lá. Quando penso em cenas do tipo, imagino que o desafio seja conseguir descrever as sensações e a mecânica da coisa de forma fluida e realista, levando em consideração as limitações e peculiaridades que o sexo na água pode trazer, abordando tudo com coesão e coerência. Pensando nisso, antes de mais nada, vamos colocar alguns pontos decisivos que temos que ter em mente antes de construir tais cenas.     

Em primeiro lugar, ao digitar uma cena mais quente (mesmo que embaixo d’água, risos), você precisa ter atenção aos personagens e, somente depois, às descrições do ato. O que quero dizer com isso? Quanto menos você se preocupar e focar na descrição de algum movimento, mais fluido ele pode ser. Quando escrevo um hentai normal (com normal me refiro a uma simples cena de sexo casual, sem BDSM ou etc) o que é importante transmitir em primeiro plano é a conexão dos personagens — ou até a falta de conexão.     

Isso é importante porque valoriza a cena tanto para o leitor, quanto para a sua história. É imprescindível ter em mente que descrever uma cena mais quente é expor a intimidade dos seus personagens e mostrar quem eles são por um ângulo diferente e único. Tentar transmitir sentimentos e sensações através das palavras pode ser difícil, mas é de suma importância para seus leitores conectarem-se profundamente com os personagens e mergulhar na cena (se me permitem o trocadilho). A dica então é fugir de descrições gratuitas de sexualidade, mas usa-las para desenvolver um lado dos personagens que não conseguiria normalmente. Isso independentemente de estar na água ou fora dela. O ponto é ser sutil e preciso no significado daquilo para seus personagens e para a história. Demonstrar empatia e entrosamento (ou a falta desses elementos) é um bom começo para uma cena sexual.

Eu costumo começar as descrições pela percepção dos personagens consigo mesmos, abordando seu estado de espírito, sua euforia, seu medo, sua ansiedade, suas emoções de maneira geral. Esse ponto é importante, pois vai ditar o ritmo das coisas a partir dali. Com uma descrição prévia do que seu personagem está sentindo as ações dele estarão bem delimitadas a partir daquele ponto norteador. Em outras palavras, quando você descreve um personagem com receio e insegurança frente a situação sexual, por exemplo, vai ter uma base mais sólida para descrever seu comportamento, seguindo sempre com coerência para evitar pecados como comumente eu vejo por aí, onde a jovem moça está sentindo medo, ansiedade, nervosismo, insegurança, mas suas ações/comportamento são dignas da melhor das súcubus

Estabeleça, portanto, o sentimento dos personagens em primeiro lugar, somente depois descreva seu comportamento para evitar incongruências.
Depois das descrições sentimentais, físicas e comportamentais de cada personagem consigo mesmo, avanço para a interação de um com o outro, onde percebem sua conexão e entrosamento, relacionando suas emoções e ações. Se ambos os personagens estiverem tímidos, nervosos ou acanhados, se for a primeira vez de ambos ou de apenas um deles… Tudo isso implica em um comportamento diferenciado. Para cada circunstância ou ambiente seu personagem vai se comportar de uma forma apropriada, então ter sensibilidade nesse sentido é importante para conseguir ler com facilidade o que cada um dos seus personagens faria frente ao sentimento e comportamento do outro.  

Superada as descrições inter partes, devemos ter atenção ao ambiente que se passa a cena e aqui chegamos no ponto da matéria: cenas debaixo d’água.

Bom, se você estiver imaginando uma cena com tritões ou sereias, ou qualquer ser que respire debaixo d’água, a coisa não vai mudar quase nada para uma cena de sexo convencional. O diferencial de se ter uma cena na água é justamente por ser um ambiente peculiar, estranho, que comumente não usamos para o coito. Nesse sentido, vou focar na ideia de seres humanos animadinhos que decidiram transar na água e deixar a ideia de criaturas fantásticas um pouco de lado, tudo bem? 


Ai meu deus, por onde começar a falar isso? Socorro…

*Respira fundo*      

*Lembra que não pode respirar debaixo d’água*       

*Se afoga*   

Ok. Ok. Vamos lá. Não tem jeito. 

Vou apontar três exemplos para refletirmos sobre as possibilidades descritivas de sexo na água. Nunca pensei que algum dia da minha vida eu faria tópicos como os que estão a seguir, mas como diria Joseph Climber: a vida é uma caixinha de surpresas.



1 — Sexo na Piscina

Nesta hipótese, os personagens não estariam completamente submersos e talvez por isso não seja tão complicado descrever a cena. Pode-se imaginar algumas posições básicas (Não me perguntem como sei dessas coisas, por favor. kkkkk) A dificuldade imaginativa de algumas posições é um tanto alta se você não tiver experiência, por isso alguma pesquisa antes de escrever é sempre bem-vinda, vale lembrar. 

A primeira das posições que eu poderia citar seria de pé, com os personagens apoiados na borda (ou sem apoio, no meio da piscina, boiando ou não). Nesse caso as descrições de sentimento/emoção dos personagens não mudaria muito em função da posição que estão praticando, logo, as descrições comportamentais não devem mudar muito do sexo convencional também. O detalhe, porém, se encontra nas descrições das ações de cada um, uma vez que, boiando no meio da piscina ou mesmo apoiados na borda ou na escada, ou numa boia, que seja, o movimento de penetração não teria tanto ímpeto como de costume. Sendo assim, é bom ficar atento para não exagerar em descrições longas e cheias de energia com movimentos insanos de vai e vem. Não vai acontecer assim dentro d'água. Acredite no tio aqui, sei do que tô falando

A segunda posição possível seria com alguém a boiar, deitado na água de maneira que fique com o corpo flutuando, enquanto o segundo personagem apoia seu corpo. Nesta hipótese há como praticar o sexo oral, considerando que uma das partes estaria boiando alto o bastante. Vale observar também que, dentro de uma piscina, utensílios como boias, camas infláveis ou os chamados macarrões/espaguetes são de grande utilidade. Não se esqueça de mencioná-los durante a cena, se possível.  

Agora, considerando essas duas posições (de pé e boiando) e também suas variáveis, não há muita chance de se realizar um sexo minimamente possível sem aderir a experimentalismos bastante exóticos, se me permitem chamar assim.

A quina da piscina, a escada, a borda, tudo pode funcionar de apoio para o coito, a posição que decidirão fazer pode ficar apenas por conta da criatividade. Mas como não estou aqui pra ensinar a transar na água, mas sim falar tecnicamente (haha, até parece) sobre uma cena de sexo ambientada na água, o que recomendo quando for digitar é pesquisar as posições no Aqua Sutra (sim, isso existe. E não me perguntem como sei). Busque algumas ilustrações das possíveis posições e tente descrevê-las.

A descrição certeira de uma cena possui muitos níveis, não só as cenas de cunho sexual, mas qualquer delas. O que eu sempre procuro fazer é tentar vendar os olhos dos personagens e descrever a cena além da visão, já experimentaram? Muitas das vezes ficamos presos aos olhos quando descrevemos as coisas. Falamos de formas e cores, mas esquecemos de citar o som, o gosto, o cheiro, a temperatura. Lembre-se de contar com os cinco sentidos quando descrever qualquer cena.       



2 — Sexo no mar   

Agora, uma segunda possibilidade de sexo na água, mas fora da piscina: o sexo em alto mar. Ou sexo marítimo, se preferir chamar assim.          

As posições, novamente, não vão fugir muito das possibilidades que a piscina pode dar: em pé ou boiando.

Dessa vez, porém, não vai ter quina, borda, parede ou escada pra se apoiar. Ou você faz no raso onde consiga ficar de pé, ou usa alguma boia ou prancha para se apoiar. A principal diferença do sexo na piscina para o sexo no mar é, com certeza, o movimento. As ondas, a correnteza, a água salgada… Isso tudo é bastante nocivo para uma cena mais calma. Provavelmente seus personagens vão estar mais preocupados em se manter seguros e boiando do que com a relação em si. Isso tudo porque se, por algum motivo, eles pararem de prestar atenção onde estão e como estão e focarem mais no coito em si, vão acabar sendo arrastados pela correnteza, tomar um caldo, caixote ou simplesmente ter cãibra e se afogar. Falo por experiência própria, acreditem em mim. De coração. Não achem que dá pra fazer o que quiser na praia que não dá. Hahaha. Você vai acabar se afogando.


Quando descrever a cena, portanto, tente passar alguma dificuldade e desconforto, afinal, não é tão fácil manter-se concentrado no sexo e no mar ao mesmo tempo. Na verdade é super difícil. Pelo menos eu achei...

Ah! Vale lembrar que o sexo em alto mar não é nem um pouco recomendado, pois a água poluída e as partículas de areia podem causar doenças, alergias e irritações. Fora o fato de que a lubrificação fica prejudicada nesse meio. Da mesma forma, sexo na piscina também é um tanto perigoso: além de produtos químicos que podem irritar as genitais, a água da piscina não ajuda na lubrificação e também prejudica o uso de preservativos, logo, não te salva da possibilidade de contrair alguma DST (Doença Sexualmente Transmissível) ou mesmo engravidar. Além disso, a água da piscina sempre tem urina misturada, o que pode causar alguma infecção.

De qualquer forma, vale lembrar que tudo o que estou falando não passa de dicas e orientações. Cada um tem sua forma de escrever e descrever as coisas, talvez o método que propus não funcione muito bem para você, mas certamente pode servir de ponto de partida, orientação ou margem para que você se encontre e consiga escrever a cena que precisa. O importante mesmo é que você pesquise e visualize bem o que quer produzir, ficando bem à vontade para digitar com coerência toda a cena.



3 — Sexo submerso.

Beleza, chegamos no ponto mais profundo do assunto (se me permitem o trocadilho. De novo). Se vocês não estavam satisfeitos com o sexo na piscina, com o sexo no mar, nem com o Aqua Sutra, vamos mergulhar (haha, sou um piadista) em uma experiência bastante peculiar.

Para escrever esse trecho do artigo recorri a pesquisas em camadas mais fundas da internet, coisas que você não veria em público, nem deixaria no histórico de navegação. É, pois é. Minhas experiências pessoais não bastavam para essa parte do artigo. Aliás, eu não fazia nem ideia das possibilidades, mas descobri que mergulhadores excitados são capazes de loucuras no fundo do mar. Com essas coisas em mente, vamos falar um pouco sobre como seria o sexo submerso, independentemente de ser em um lago, piscina ou alto mar.                     

A princípio, haveria a proeminente necessidade de se usar tubos de oxigênio para se manter debaixo d’água por bastante tempo. Esse é um ponto importante, pois a respiração deve estar presente durante toda a cena. As bolhas de ar que sobem e o cilindro pesado que fica agarrado nas costas são pontos bastante marcantes, pelo que pude notar. Mesmo que vez ou outra alguém tire a máscara para... Bom… Me faltam termos técnicos, mas a essa altura vocês sabem bem do que eu tô falando, então… Mesmo que vez ou outra retirem a máscara de oxigênio, cedo ou tarde ela vai voltar ao rosto, é inevitável. Sabendo disso, ao descrever a cena, não esqueça de pontuar esses fatores, acho que faria a diferença.       

Mecanicamente posso dizer que o sexo submerso é bastante limitado em alguns aspectos, mas rico em outros. Algumas posições ficam mais fáceis, outras mais difíceis, naturalmente. Mas o ponto primordial que quero abordar, independentemente da posição praticada, é conseguir capturar os sentimentos da coisa. Muito mais importante que as descrições das ações, acredito que um sexo tão fora do comum trate mais sobre experiências e sensações novas do que simples e mero prazer ao coito.

Então, mesmo que tenha dificuldade ao descrever cenas tão complexas e diferentes, você precisa, no fim de tudo, entregar ao leitor uma experiência diferente e — acima de tudo — entregar a sua história algo novo que acrescente ao enredo, ao universo e seus personagens.          

Estar debaixo d’água ou não, não muda um fato primordial: você só vai escrever uma boa cena se conseguir relaxar e ficar à vontade com as próprias palavras. De um jeito ou de outro, muita pesquisa também é bem vinda quando se tratar dessas cenas complicadas.           


Pois então, cenas de sexo são sempre complicadas de construir. A linha entre o erótico, o vulgar, o tabu, enfim, tudo isso, é bem delicado de tratar sem esbarrar em algum ponto controverso. O segredo para melhorar a escrita, de qualquer forma, é ler muito. Posso estar repetindo o mesmo papo furado que todo mundo conta por aí, mas é a mais pura verdade. Ler é o primeiro passo para escrever. Leia muito. Muito. Bastante mesmo. Só então, comece a escrever. E escreva muito!          

Enfim, para encerrar, vou dar um último e talvez o melhor dos conselhos que eu tenha aqui comigo agora: Evite cenas de sexo debaixo d’água. Seja bonzinho consigo mesmo. hahaha.

2 comentários:

  1. Seria esse um mero post ou um tesouro dos mais valiosos? Que artigo maravilhoso!

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    1. Obrigada pelo comentário! Ainda bem que gostaste!

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