Como Escrever Histórias sobre Balet - Parte II

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
(Fonte: http://data.whicdn.com/images/247905840/large.jpg)

Por: Lollallyn (Palloma Antunes)
Link:
https://fanfiction.com.br/u/279239/
Olá!
 Esta é a segunda parte do artigo “Como escrever histórias sobre ballet”. Se você ainda não leu a primeira, é só dar um pulinho aqui e depois voltar para cá. Agora, se já passou por lá, pode fazer um alongamento e calçar as sapatilhas, pois nós vamos continuar a dança de onde paramos.

Os figurinos

 Ballet não é só tutu prato, minha gente. Temos também o tutu romântico, que é uma saia mais longa e sem armação. No mais, se você não estiver seguindo nenhum “ballet pronto” pode fantasiar à vontade sobre o figurino. Aproveite e dê um pulinho no artigo “Como descrever vestuário” aqui no blog da Liga¹.
 Já aproveitando a ideia, vamos falar sobre as roupas de aula. Aqui não tem segredo: sendo uma roupa confortável e que permita alongamentos, não tem problema (a não ser que a escola de dança na história tenha um uniforme). Os professores precisam checar o trabalho dos músculos, então opte por peças que sejam justas no corpo, ou que deixem ele à mostra. As roupas “de lei” são: meia calça (de preferência um modelo com furos nos pés – suplex –, para que a bailarina possa colocar e tirar a ponteira, ou ficar descalça sem ter de tirar a meia), collant, shorts/saia e, claro, sapatilha (alguns bailarinos preferem utilizar meias para perceber melhor os pontos de apoio do pé).
 Falando sobre sapatilhas, é importante lembrar que sapatilhas de ponta estão sempre acompanhadas das fiéis ponteiras. Cada bailarina (é difícil ver bailarinos utilizando ponta, mas alguns deles usam!) tem uma força e uma necessidade diferente, então os modelos de ponta e ponteira diferem muito. Inclusive, muitas alunas fazem adaptações em suas pontas, como quebrar as solas, por exemplo. Por isso não é recomendável emprestar sapatilhas de ponta; é um item bem pessoal.

Os termos

 Existem alguns termos que aparecem bastante no ballet (bastante mesmo). Eles completam os passos para indicar o tamanho e a direção, por exemplo. Observe: tendu devant – tendu que estica a perna à frente do corpo.
 E aqui você tem uma listinha com os principais termos:
v  Devant (dêvã) à frente.
v  En avant – (an avã) para frente.
v  A la seconde – para a segunda (posição).
v  Décoté – (decotê) ao lado.
v  Derrière – (derriér') atrás.
v  En arrière – (an arriér') para trás.
v  Allongé – (alonjê) alongado (braços, movimentos e posições de pé).
v  Dessous – (dessú) também chamado de Under no Método Royal. É o movimento que vem da frente por trás.
v  Dessus – (dessí) também chamado de Over no Método Royal. É o movimento que vem de trás pela frente.
v  Demi – (demí) metade. Todo movimento feito até a metade. Um demi rond de jambe começa devant e termina décoté.
v  Grand – (grã) grande. Um movimento feito de forma ampliada.
v  Grand pas de deux – (grã pá dê dê) passo de dois. É o pas de deux completo, composto de entrée, adagio, variação masculina e feminina e coda.
v  Bas – (bá) baixo.
v  Bras – (brá) braço. Port de bras significa portagem de braços; sequência de movimentos com os braços. Bras bas é o braço preparatório; os braços ficam alongados abaixo da linha do umbigo.
v  En dehors – (ãn deór) para fora. É a rotação que fazemos com as pernas e pés, como também é um sentido, uma direção, para movimentos. Se a perna de ação for a direita, ela vai da direita para a direita ou para trás, dependendo do movimento e da sensação de cada um.
v  En dedan – (ãn dedã) para dentro. "Dans" significa que algo está inserido em algo. Oposição do en dehors, essa rotação é muito usada no jazz e na dança contemporânea ocidental. Também é uma direção: se a perna de ação for a esquerda, ela vem da esquerda para a direita ou frente, dependendo do movimento ou sensação de cada um.

Dicas e lembretes gerais
v  Nas cenas de dança, é essencial fazer a narrativa acompanhar o ritmo da música. Por exemplo, se a música for mais tranquila, procure transmitir uma sensação de suavidade e leveza através de suas palavras; se ela for mais rápida e/ou agressiva, expresse o ardor, a raiva, a agonia da melodia.
v  A dança sempre tem um sentimento para passar, uma história para contar. É através dela que o bailarino se expõe para a plateia, então uma coreografia nunca é dançada da mesma maneira por duas pessoas diferentes. Citar nomes técnicos e criar toda uma ambientação condizente é necessário, claro, mas não se esqueça de dar ênfase no principal objetivo da dança: transmitir sentimentos. Saber como a personagem se sente dançando, o que a dança representa em sua vida, por que ela dança são detalhes que agregam toda uma magia especial à história.
v  Não se atenha tanto a nomes técnicos. Citar um aqui e outro ali só para dar um ar bailarinístico ao enredo já é o suficiente. Continue escrevendo como sempre escreveu e confie em suas descrições.
v  Por mais que uma pessoa ame o ballet, nem sempre (na maior parte do tempo) é uma dança gratificante. É preciso muito esforço, determinação, foco e persistência. Talento não é nada se a pessoa se contenta em ficar na zona de conforto, é preciso aproveitar todas as oportunidades para se aprimorar.
v  Os bailarinos costumam estudar várias danças ao mesmo tempo (como jazz e contemporâneo). Mesmo tendo foco e linhas diferentes, esses outros estilos podem contribuir para a técnica do ballet.
v  É comum acontecerem lesões durante os treinos. Coisas como torsões, luxações, fadiga muscular, fraturas e etc. Para evitar isso, é importante fazer um bom aquecimento e saber os limites do próprio corpo.

Se você nunca teve um contato prático com o ballet, sugiro que tente experimentar participar de uma aula, ou apenas ir assistir. Procurar por tutoriais de passos no YouTube e tentar reproduzir os mais simples (faça um aquecimento antes!) também é válido. Isso vai ser uma ajuda e tanto na hora de descrever as sensações das suas personagens com mais vivacidade.
 E falando no famigerado YouTube, abuse muito dele. Procure por tutoriais de passos, vídeos de aulas de ballet, depoimento de bailarinas, apresentações e aproveite para assistir aos ballets de repertório. Tentar ir a apresentações de ballet ao vivo também é válido (e uma ótima oportunidade para suspirar com as habilidades alheias). Não se esqueça de se afogar nos filmes sobre o tema.
 Ah, e se você quiser saber mais sobre os métodos do ballet, dê um pulinho aqui: https://goo.gl/Frs5s9². Aliás, esse blog é cheio de posts bacanas que podem te dar uma luz.
 Então, chegamos ao reverence! Espero que este artigo tenha te ajudado de alguma forma. Sinta-se livre para deixar dúvidas nos comentários do post. Obrigada por ter separado um tempo para dançar comigo e até a próxima.

Referências

http://naspontas.com.br/2016/01/13/metodos-de-ballet/². Acesso em 24 de maio de 2017, às 20h50.

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