Gêneros Polêmicos (01/03)

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Por Anne L (Liga dos Betas)


Gêneros polêmicos – Parte I

Atenção: esse post tratará de temas polêmicos, rejeitados pela sociedade como um todo por ofenderem a moral, os bons costumes, algumas religiões e, em alguns casos, até a lei vigente de um país. Se o assunto incomodar você de alguma forma, não leia.

Quem nunca se deparou com uma fic “bizarra”, não é? Ou abriu uma no navegador, viu “Necrofilia” nos avisos, fez cara feia e fechou na hora? Muita gente se pergunta por que esses gêneros e avisos até mesmo existem e várias vezes já me pediram para serem removidos do Nyah!. Mas qual é a fixação que algumas pessoas têm com eles? Neste artigo, pretendo falar um pouco dos gêneros tidos como estranhos e tentar explicar por que afinal eles são tão populares.

1. Incesto – Achei que começar com o mais “aceito” seria mais fácil. Para facilitar ainda mais, segue a definição, segundo a Wikipédia: 

“Incesto é a relação sexual ou marital entre parentes próximos ou alguma forma de restrição sexual dentro de determinada sociedade.”

Chamo a atenção para “ou alguma forma de restrição sexual dentro de determinada sociedade”. Não se enganem. Embora seja comum em fics (alguns fandoms se montam inteiramente nisso, como Thor, por exemplo), incesto é algo repudiado pela sociedade, um tabu universal, sendo ainda crime em diversos países, e considerado pecado por diversas religiões. No Brasil, não é punido se ambas as partes tiverem maioridade de consentimento (14 anos, que teoricamente também vale no caso de pedofilia, mas logo chegamos lá), no entanto, nem por isso é melhor visto. Então, por que tantos leitores e escritores exploram esse tema?
O motivo mais óbvio, creio eu, remete àquele velho ditado: tudo que é proibido é mais gostoso. Existe toda aquela tensão ao escrever uma história com envolvimento romântico entre parentes próximos. Ninguém pode saber, ou eles irão testemunhar a ira dos outros parentes e conhecidos, além de terem que lutar contra seus próprios receios em relação ao assunto. Um prato cheio para quem quer criar um enredo denso e complexo. 
Para ser sincera, dificilmente as histórias abordam o incesto de forma densa e complexa, o que talvez desencoraje novos leitores. Pelo que eu já vi, o tema fica descrito de duas maneiras: 
  • Uma putaria sem fim, incentivada e inflamada pelo simples fato de haver uma relação consanguínea entre as partes;
  • Um romance perfeitamente comum (e em geral bem clichê), como se o fato de haver a relação consanguínea fosse irrelevante.

Também acho válido apontar que o tipo de incesto mais frequente e aceito em histórias é o entre irmãos: irmão-irmã, irmã-irmã ou, a mais frequente dentro dessa, irmão-irmão. Por quê? Acredito que tenha algo a ver com irmãos terem a porcentagem “certa” de proximidade. Aquela pessoa que viveu a vida toda com a outra, que sabe tudo sobre ela, com quem dividiu inúmeras experiências... É de fato instigante. Incesto entre primos em geral traz personagens com um nível de proximidade menor, talvez por isso seja menos usado. Há quem diga ainda que “primo não é parente”, o que instiga menos os ficwriters.
Dito isso, terminemos esse gênero com sua parte mais polêmica: incesto entre pai e filho. Sim, caro leitor, essa relação também se encaixa em “incesto”, “relação sexual ou marital entre parentes próximos”, para relembrar a definição. Pessoalmente, é a parte do gênero que eu não curto, mas ela não deixa de ser interessante. 
Falando outra vez da questão da proximidade, não creio haver maior proximidade entre duas pessoas que entre um pai e um filho. E alguém já ouviu falar de Complexo de Édipo? O conceito de Freud possui várias vertentes e explicações que divergem do assunto do post, mas também ajuda a entender essa parte. É provavelmente uma das relações polêmicas mais complexas apresentadas aqui.
E para você que torce o nariz quando vê uma história que trata do assunto, chamo a atenção para a História (do mundo, não outra fic). Antigamente, em muitos países, o incesto não só era praticado como também era recomendável. Várias famílias — como a real espanhola — aprovavam casamento entre irmãos e primos para preservar a herança do trono nas mesmas mãos. Às vezes esses casamentos ultrapassavam até as fronteiras dos países, tudo com o intuito de manter as monarquias com sangue “real”. 
No Egito Antigo, como o faraó podia ter quantas e quais esposas quisesse, nada mais natural que ele desposar uma de suas filhas, se assim desejasse. O posto de rainha era determinado pela posição social de cada uma das mulheres, de modo que a hierarquia se mantivesse. Nada a se estranhar, já que até alguns deuses egípcios haviam mantido relações incestuosas entre si.

2. Shotacon/Lolicon – Okay, vamos lá. Definição:

Shota (ショタ), é um termo japonês para um complexo relativo à sexualidade (Shôtaro Complex), onde um adulto homem ou mulher sente-se atraído por um garoto mais novo e vice-versa.”

Lolicon (ロリコン) é o equivalente feminino.


Espera aí, Anne, você está falando de pedofilia?! 


Sim e não. Vendo a definição, o gênero se refere a uma atração por alguém mais novo. A pedofilia começa quando a idade desse alguém mais novo diminui demais, a ponto de ele não ter mais maioridade de consentimento. Mais uma definição?

“A pedofilia (também chamada de paedophilia erotica ou pedosexualidade) é a perversão sexual, na qual a atração sexual de um indivíduo adulto ou adolescente está dirigida primariamente para crianças pré-púberes (ou seja, antes da idade em que a criança entra na puberdade) ou no início da puberdade.”

Crianças no início da puberdade e pré-púberes. Isso porque, no Brasil, a maioridade de consentimento é 14 anos. Em outros países, pode variar. Adolescentes menores de idade, de 16, 17 anos, também podem ser considerados pedófilos se suas preferências se estenderem a apenas menores de 14.
Mas como isso entra nas histórias? 
Talvez por terem sido tão difundidos em animes e mangás, shotacon e lolicon são bastante explorados em fanfics. E, como no incesto, tem aquela coisa de ser proibido e, portanto, mais instigante. 
Muita gente gosta de retratar a descoberta das duas partes, o personagem mais velho e o mais novo, do interesse que têm um pelo outro. Esse interesse não necessariamente precisa ser sexual, embora esse campo seja instigante também. No mangá/anime Loveless, o casal principal é formado pelo combatente, Soubi, de 19 anos, e o sacrifício, Ritsuka, que tem apenas 12 anos. No Japão, idade de consentimento é 14 anos, o que classificaria como pedofilia. O caso é que, nesse mangá em questão, as personalidades dos dois são retratadas como se estivessem em pé de igualdade de amadurecimento. O Ritsuka é um garoto inteligente e complexo, que lê Nietzsche e constantemente reflete sobre o mundo e a própria vida, enquanto o Soubi, que deveria teoricamente ser o ser perverso causador de tudo, é até certo ponto inocente e muitas vezes não prevê nem entende as investidas sutis do Ritsuka. Isso se deve pelo simples fato de, no mundo da ficção, muitas vezes essas características — idade, parentesco, etc — só estarem presentes para adicionar tensão à história, sem considerar as implicações reais. Não falei das fics com irmãos que têm um relacionamento normal, como se a ligação consanguínea nem existisse? É o mesmo esquema. 
Claro que a coisa muda de figura quando alguém retrata uma cena quente entre um cara de 20+ com uma criança de 10 anos ou menos, por exemplo. Eu defendo a ideia de que, desde que não tenha como objetivo influenciar ninguém ou estabelecer parâmetros, qualquer tipo de enredo é válido numa história. Você pode falar de racismo, homossexualidade e, por que não, pedofilia. Alguém já leu o livro Lolita, de Vladimir Nabokov? É o exemplo mais óbvio, até o que deu o nome para Lolicon e o estilo de moda Lolita.
Agora, falando do Nyah!, o gênero existe, adicionado como aviso, e são aceitas histórias com o assunto, desde que não haja cenas descritas de sexo com menores e que mostrem pedofilia como algo bom ou incitem a prática.

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Material consultado:
Wikipédia. Vários. Disponíveis em:
Acesso em: 15/12/2013
Psicoloucos. Complexo de Édipo. Disponível em:
Acesso em: 15/12/2013
O Fascínio do Antigo Egito. O Casamento dos Faraós. Disponível em:
Acesso em: 15/12/2013
Ceticismo. Uniões consanguíneas extinguiram linhagem de reis espanhóis. Disponível em:
Acesso em: 15/12/2013

15 comentários:

  1. Esses gêneros polêmicos tem aquele famoso "Depende do contexto" para eu ler, ou até mesmo escrever.
    Obviamente o fato de escrever um determinado assunto não quer dizer que você o aceite, sendo assim não existiriam livros sobre o Holocausto.
    Mas eu tenho uma grande antipatia pelo gênero shotacon e Lilicon. Pegando o livro de Lolita como exemplo, eu não consegui ler ele inteiro, não gostei.
    Beijocas Anne

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    1. Concordo. Eu nunca li shotacon ou Lolicon, por isso não posso opinar.

      Beijos

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    2. Li diversas estórias de ambos os gêneros, as vezes estórias contendo os dois ao mesmo tempo (no caso incesto com lilicon ou shotacon), mas eu acho que deva depender do contexto, nunca consigo terminar de ler algo que envolva um relacionamento mais que fraternal entre um pai e um filho, assim como não consigo terminar de ler algo que envolva uma pessoa de +20 com uma pessoa que tenha -15.
      Li Lolita e não gostei do livro, não somente pelo fato do homem ter mais de 40 anos e a Lolita ter apenas 12 anos, mas por outros motivos também, porém quando penso no livro eu vejo que a Lolita não era nem um pouco inocente, na verdade, durante todo o livro ela nunca foi. Assim o livro torna um outro contexto.
      Beijos.

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  2. Escrevo no Nyah a algum tempo e, concordo. Não sei, depende muito, muito mesmos, do enredo. Seja ele entre irmãos, entre pais ou simplesmente primos. Acho que incesto não precisa de grau de parentesco pra acontecer. Gostei desse artigo, lê-lo me deu uma nova visão. Até mesmo, antes de ler isso aqui, me veio a cabeça escrever algo com incesto, desisti minutos depois, percebi que eu realmente e em particular, não sirvo para digitar algo como, mas que leria, leria.
    Beijos Anne <3

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    1. Este foi um dos meus posts perferidos devido aos assuntos que tratou.

      Ainda bem que gostaste!

      Beijos

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  3. Nunca li nenhuma fanfic no Nyah! envolvendo incesto, o primeiro contato que eu tive com o tema foi com seriados, primeiro Game of Thrones e depois The Borgias, por esse último eu me apaixonei, não deu pra evitar <3 Quanto ao lolicon eu nunca li NADA que envolvesse o tema, mas tenho uma grande curiosidade por Lolita.
    Acho que tudo depende do contexto e da habilidade do autor pra te convencer a ler aquilo que ele escreve, é claro que, existem certos temas que eu não leria de forma alguma.
    Enfim, adorei o post e gostaria de saber se pretende fazer outro envolvendo outros gêneros polêmicos.
    Beijos.

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    1. Também estou muito curiosa com o livro Lolita, tanto que já arranjei como lê-lo on-line.

      A próxima parte do post deverá sair em breve.

      Beijos

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  4. Estou escrevendo uma história de romance entre uma mulher de 23 anos e uma garota de 15 anos e tem cenas de sexo, isso é contra as regras certo, quer dizer que não vou poder postar minha história? :(

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    1. Não é contra as regras, desde que a história esteja bem classificada (idade, avisos e géneros) :)

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  5. Eu realmente amei o seu post, eu normalmente não leio esses gêneros sendo uma grande fã do casal de Fairy Tail, Gajeel Redfox e Levy Mcgarden, entre tanto, é muito bom que se fale nesses temas pois muitos casais pode acabar envolvendo temas polêmicos até mesmo os de Fairy Tail...
    Eu sou uma leitora do Nyah e vou começar a postar minhas fanfics, tem um casal que eu amo muito do anime Shaman King que pode ser considerado como necrofilia, eu alertarei sobre, e farei para que não pareça muito esse gênero polêmico e que sejá bem explicado, quem conhece sabe do que estou falando, Johann George Faust VIII e Eliza Faust (se eu escrevi o nomes de uma maneira diferente da que vocês conhecem me perdoem, em cada site que leio o manga ele aparece de um jeito) e espero que seja bem aceita a fanfic... Eles são um casal muito romântico e que se amam eternamente... Ele faz tudo para ter-la de volta...

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    1. Fico contente que tenhas gostado do post! Boa sorte com a tua fic, que tudo corra bem ! ^.^

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  6. Não gostei muito desse artigo. Poxa, geralmente os artigos desse blog são tão completos, que eu até me decepcionei. O artigo deveria ser sobre temas polêmicos, mas quase não falou da polêmica de fato. Tantos campos poderiam ser abordados, como o da biologia, religião, moral, ética, senso comum, etc., e os únicos abordados foram os temas históricos e sociológicos. Poderia ser melhor.

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    1. Os artigos do blog são sempre virados para os ficwriters, por isso eles vão sempre abordar aspetos para ajudar os autores a escreverem as suas fics. Neste caso, o post era sobre assuntos polémicos em fics. Para além disso, ele vai ser dividido em 3 partes, como está no título, porque não dá para abordar tudo de uma vez.

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  7. Shotacon e Lolicon não é só Adultoxcriança, mas também criançaxcriança.
    Shota é menino 6-14 anos e Loli a mesma definição para menina
    Shotaru é algo igual o Honey-senpai de Ouran, ele tem 18, mas comporta como uma criança e aparenta uma. Agora de loli eu não sei se é Loliru também...

    De resto eu adoro lolicon e shotacon, pois dá para explorar bem ambos os lados e mostrar que crianças conseguem se apaixonar também.

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