[Sugestão atendida] Desvios mais comuns no teste da Liga dos Betas e dicas para betar um texto

Por: Holly Robin (Beta Reader - Liga dos Betas) e Lady Salieri Perfil: http://fanfiction.com.br/u/353198/ Queridos nossos, ...


Por: Holly Robin (Beta Reader - Liga dos Betas) e Lady Salieri



Queridos nossos,

Atendendo a pedidos, e também pensando no teste da Liga cujo processo começa dia 25.11, resolvemos fazer este post voltado para aqueles que desejam ser betas. Na verdade, a Holly Robin o escreveu e eu (Lady Salieri) me intrometi aqui, apenas acrescentando alguns detalhes. Espero que possa sanar as dúvidas em relação ao nosso teste e sirva de guia para aqueles que desejam ser betas. Desde já, desejamos boa sorte a todos!


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Quando você pensa em um beta, o que vem à sua mente? Muitos ainda veem um beta reader apenas como um corretor ortográfico e pensam que para passar no teste da Liga só é necessário ser bom em gramática. É importante ter prestado atenção a todas as aulas do seu professor de português e ser bom nos aspectos gramaticais da nossa língua? Sim. Mas não é apenas isso que fará de você um bom beta.


Mas por que você está falando isso, tia, já não existe um post na Liga falando o que é um beta reader?


Sim, existe! Mas foi preciso ressaltar mais uma vez o que é um beta antes de começarmos a falar sobre o tema deste post. Todos os meses, centenas de testes são aplicados, mas muitos possuem os mesmos erros. Boa parte deles nos mostra que o candidato não compreendeu muito bem o que é um beta e simplesmente saiu corrigindo cada vírgula do texto. Para acabar de vez com as dúvidas, explicaremos os desvios mais cometidos nos testes, assim como se beta uma história. Então, vamos lá!


a) Acreditar que beta só corrige gramática — o candidato corrige “todas as vírgulas”, mas não diz por que o está fazendo. Além disso, se esquece de que a expressão escrita é muito — mas muito mesmo! — mais do que escrever frases gramaticalmente corretas.

Então, seja crítico! Quando você pega uma história para betar, deve ‘entrar’ na história, avaliar o enredo, as personagens, tudo. Para tanto, é necessário ter mente aberta e um excelente senso crítico. Lembrando que criticar não significa humilhar e utilizar-se de piadas maldosas. Avalie a história, veja todas as inconsistências e aponte-as para o autor. Não tenha medo de ser sincero, só tome os cuidados necessários para não ofender ou influenciar o autor a modificar sua história. Tudo não pode passar de uma sugestão.


b) Hipercorreção — o autor/avaliador escreve: “ele colocou a ‘pia’ na lanterna para procurar as ‘teias’ de aranha.” O candidato vai lá e corrige: “ele colocou a ‘pilha’ na lanterna para procurar as ‘telhas’ de aranha.” “Pilha” ficou certo, estrelinha na testa, mas não existe “telha” de aranha, não é mesmo?

Dessa forma, nada de “corrigir em excesso”. Primeiramente, como beta, o seu objetivo é guiar o autor. Lembre-se de que você vai ajudá-lo a melhorar sua escrita através de dicas, explicações, inúmeras pesquisas, dentre muitos outros aspectos. Sempre tenha em mente esse objetivo, pois muitas vezes você pode salvar uma história. Betar não é simplesmente sair corrigindo vírgula, acentuação e formatação errada.

Cada autor tem o seu jeito de escrever, por isso, do mesmo jeito que um beta pode salvar uma história, pode destruí-la. “Corrigir em excesso” não ajuda, pelo contrário, atrapalha. Isso é o que chamamos de hipercorreção. Este é um dos principais erros nos testes da Liga. Aprofundando um pouco mais no tema:

Segundo o dicionário de linguística Dubois (2002), hipercorreção corresponde à busca do uso correto que se eleva “acima da correção” em uma língua. Resumindo, é um esforço exagerado para escrever o que consideram como correto. O teste da Liga pede para que você aponte o maior número de desvios possíveis, mas é bom levar em conta que é impossível fazer um texto perfeito e que muitas vezes o candidato irá corrigir o que não deve e ser desclassificado.

c) Trocar o que está certo pelo que está equivocado — é muito próximo ao tópico “b”, mas aqui é algo mais generalizado. Nesse caso, o autor escreve: “comi pão com ‘muçarela’ ontem”. Nosso amado candidato tacha “muçarela” e troca por “mussarela”. E, creiam-me, se escreve "muçarela" mesmo. Vai marcar alguma coisa como equívoco? Mesmo que seja algo com que você esteja acostumado, não custa nada pesquisar, por desencargo de consciência, verdade?

Assim, pesquise e revise o que escreveu: esse é um item muito importante quando se está betando uma história. Como todo ser humano, somos passíveis de erros, mas no caso do beta reader, que irá apontar falhas e sugerir correções para o autor, não é nada legal ensinar errado, não é mesmo? Por isso, as pesquisas são imprescindíveis. Pesquise! Deixe mais de dez abas abertas no seu navegador, mas pesquise.

Também é super importante revisar o que você escreve; uma vez que estará sugerindo correções, não irá pegar nada bem o autor ver erros desastrosos na sua betagem. Além de causar constrangimento, fará com que você perca uma boa parte da confiança do autor.


d) Fazer uma betagem por cores e, ou não colocar legenda, ou colocar tantas cores que fica impossível entender a legenda — esse é quase autoexplicativo. O candidato supõe que o autor/avaliador já conhece as cores (ou mesmo já conhece o método “Bob Marley”, não sabemos ao certo) e, no fim da betagem, o texto se parece a uma “árvore de natal”, mas está ininteligível.

Ao fazer o teste, então, não deixe o texto ‘poluído’. Isso significa que é para sair mexendo (editando) no texto do autor? Não, meus caros, não é isso. Em hipótese alguma você irá “mexer” no texto do autor, a menos que seja para algo muito simples como um travessão, ou uma vírgula. Mesmo assim, o autor deve ser avisado destas mudanças porque quem irá corrigir tudo é ele.

Quando falamos de ‘poluição’ no texto, nos referimos à poluição visual. Existem diversos métodos de betagem, não existe um padrão e por isso cada um irá se adequar ao que for mais cômodo. O problema surge quando o método utilizado faz o autor ficar confuso, como o já citado ‘método Bob Marley’, ou seja, quando você usa as cores para indicar o que está fazendo no texto do autor. Fica um efeito bonitinho, mas, ao ser usado de forma errada, causa muita dor de cabeça. Imagine uma história repleta de erros: simplesmente fazer uma legenda e colorir o texto todo fará com que o autor tenha que voltar para cima toda hora só para saber o que cada cor significa. Isso torna a correção muito mais cansativa. Então o método “Bob Marley” está errado e não é bom para ser usado? Não. Muito pelo contrário, adapte-se ao método de betagem que acreditar ser melhor, mas pense antes de tudo no bem estar do seu autor.

Atenção especial na hora de apontar as falhas de um texto apenas sublinhando, seja tachando ou escrevendo observações no final do capítulo, pois eles também geram poluição visual e cansaço.


e) Destratar o autor — há duas formas de fazer isso: 1. Quando o beta pensa que o autor/avaliador é “idiota” e fica, por meio de uma arrogância bem intencionada, se sobrepondo às ideias do autor; 2. Quando o beta fala mal mais da pessoa do autor/avaliador que do texto, ou seja, aqui ele é descarado mesmo. Como foi dito acima, se um beta (no extremo de um lado) não corrige somente gramática, tampouco (no extremo oposto) é coautor da obra. Ele sugere coisas, não “diz o que é melhor”, mas o que “lhe soa melhor”. Preste atenção na diferença entre as duas frases.

E isso é o mais importante de tudo! Trate bem o seu autor. Lidar com as pessoas não é a tarefa mais fácil do mundo, logo um beta deve ser expansivo e sociável. Quando se está betando uma história, é necessário tomar muito cuidado com o que irá ser dito. Um primeiro contato com o autor antes de betar é essencial, pois assim você será capaz de saber seus objetivos e expectativas para a trama. Dependendo do método de abordagem utilizado, você irá se meter em situações embaraçosas. 

Tenha paciência e seja gentil, essas são as palavras-chave para ser um bom beta. Cada pessoa possui um ritmo e você deverá se adequar a cada um deles.


Acreditamos que com estes cinco itens você será capaz, não só de se preparar melhor para os testes de admissão da Liga, como também estará apto para betar uma história, mas não se esqueça de sempre aprimorar seus conhecimentos. Conhecimento é poder. 

Esperamos que todos tenham gostado, e até a próxima!

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Material consultado




Blog Karina – Meireles/beta reader, disponível em: http://karina-meireles.blogspot.com.br/2012/04/beta-reader.html

Blog da Liga dos Betas – O que é um beta reader, disponível em: http://ligadosbetas.blogspot.com.br/2013/02/o-que-e-beta-reader.html


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3 comentários

  1. “Corrigir em excesso” não ajuda" – Bom conselho. Devia tatuar no braço de todos, sejam betas ou não =X
    Boa sorte para todo mundo.

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  2. Hum, esse post foi muito oportuno; desde que tomei conhecimento do Clube dos Betas que fiquei curiosa a respeito de como funcionava e tal, infelizmente todos os meses eu sempre esqueço de fazer a inscrição e quando vou lembrar já tem passado o prazo, mas é a vida. Uma das coisas que me deixa meio apreensiva é exatamente essa coisa do português; eu me considero relativamente boa em gramática, mas tenho muitas dúvidas e muito o que aprender, algo que eu acho normal, se considerarmos a vastidão da nossa Língua, certo? Então é bom saber que ser um 'gramaticaholic' (com o perdão do neologismo) não é necessariamente um ponto a favor. Por fim, eu acredito que ser um beta reader seja uma maneira de aprender também, se aprofundar em temas que talvez você não esteja familiarizado.

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  3. Cool! É sempre legal para todo mundo lembrar um pouco do que a Liga faz, e dos desafios que se encontram no dia-a-dia. Isso sem contar o incentivo para que cada vez mais o trabalho seja conhecido e mais pessoas busquem fazer parte do grupo.

    Ótimo post! =)

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