As Mil e Uma (e meia) maneiras de (d)escrever mensagens em livros [02/02]

Por: Ladybug Perfil: https://fanfiction.com.br/u/693356/ SMS, WhatsApp, Twitter e demais aplicativos da vida moderna (móvel)......


Por: Ladybug


SMS, WhatsApp, Twitter e demais aplicativos da vida moderna (móvel)...

Então seus personagens já trocaram e-mails e vocês decidiram por um método X que não complicaria em nada a compreensão do leitor (lembre-se, não fazemos aos outros o que não queremos a nós mesmos, ficar tentando entender o que o autor escreveu não é legal), agora, seus personagens contemporâneos estão com telefone móvel em punho, seja ele rico ou pobre, tenha ele pago por um telefone caro ou baratinho, no momento em que repassar o número para alguém, virá uma mensagem (nem que seja da operadora), acontece que os personagens cotidianos da vida contemporânea trocam mensagem como se trocassem de roupa (alguns mais, outros menos), imagine, a partir daí, que o personagem fica o tempo todo sinalizando que vai trocar mensagem... Beeeem chaaaaaaato.
Pego meu telefone da marca tal e envio um sms: Fulano vc quer se encontrar cmg? ;)”
Obviamente que virá a resposta:
No segundo em que me viro e taco meu telefone da marca tal sobre a cama, ouço a chegada da mensagem, é, sem dúvida, o Fulano respondendo. Pego meu telefone da marca tal e verifico que é realmente o Fulano e ele diz: =O Finalmente vc aceitou, eu já estava cansado de tentar =) **palmas** <3”
Não, amiguinhos, não façam isso. Não haver norma culta (registrada em cartório) para envio de mensagens eletrônicas, não torna “isso aqui” terra de Marlboro, de jeito nenhum! Não ter “regras” não é o mesmo que não ter “bom senso”. Lembrando que é muito bacana manter um nível de entendimento do seu texto quanto ao que é falado e o que é escrito. Mesmo sendo uma expressão jovial, sei lá, entre personagens que ainda vão para a escola, tente respeitar a limitação de alguns leitores, não é impossível encontrar pessoas que não falam internetês. Logo, mesmo sendo um texto jovial, escrito por pessoas muito novinhas e coisa e tal, alguns “adultos” podem querer ler e aí... Bem, digamos que... Sabe a expansão da faixa etária da sua história? Pois é, não vai rolar. Brincar de adivinhar o que o autor está tentando escrever é terrível!
Creio que estamos de acordo quanto a manter a norma culta em consonância ao Acordo Ortográfico atualizado para e-mail e também mensagens (curtas) de texto. Pressuposto, vamos para a diagramação desses textos e como tornar essa troca de mensagem atraente e divertida.

Esse aqui é muito, muito bom! (Eu deveria manter-me à margem de opiniões, como foi o caso dos livros citados pela diagramação de e-mails, visto que 50 Tons e A Culpa é das Estrelas encontram defensores e atacantes viscerais, munidos de pau, pedra, chicotes, estiletes, alguns até tentam agredir os de opinião contrária com cilindros de oxigênio), ainda assim, fica difícil não pasmar com esse livro, a capa já fala por si (eu o li em inglês, estou aguardando-o em português, não vai chegar a tempo dessa postagem, então vou mostrar a diagramação em inglês, mesmo que alguns de vocês não entendam uma palavra, o conceito dos retângulos para a mensagem de texto via SMS fica “visualizável”):


A dúvida é: Dá para colocar os benditos retangulozinhos no Nyah! Fanfiction? (eu parei a matéria aqui neste ponto, abri o site apenas para me certificar disto. A resposta é não, tentei copiar e colar normalmente e não vai. Como imagem, tem toda aquela trabalheira de salvar a imagem em um banco específico e blá-blá-blá. Muito barulho por tão pouco “e se eu acho que é muito pouco e você acha que não é, então eu creio que você é doido de pedra”).
O lado bom: você não precisa desses retângulos para se fazer entender!

Um outro exemplo de diagramação de texto é o Twitter de Cíntia, a personagem Cinderela Pop, da Paula Pimenta (como leio bastante e-book, fica fácil trazer um print):


A diagramação das mensagens está com a mesma fonte, só que menor, e há o espaçamento entre a narrativa da personagem e os tweet’s que ela vai lendo no decorrer do livro.
Creio que no Nyah! Fanfiction, para mensagens tão curtinhas do Twitter, o bom e velho itálico dá seu recado direitinho, sem embolar a vista de ninguém (lembre-se do bom senso, trocar mil mensagens em itálico, sem intercalar com o texto em formatação normal, poderá ser tedioso ao extremo, cansativo, e corre-se um risco enorme de que abandonem sua história).

Observação: Descrever o sistema operacional do telefone também não é necessário (cuidado para não cair nesta armadilha, já repararam que fica ostentoso — de um modo ruim, nada cômico — a todo momento lermos que o Personagem C estava com seu “Ai”alguma-coisa para lá e para cá, trocando mensagem com a personagem J que também usava um “Ai”sei-lá-qual-modelo-mais).

De volta ao: O que fazer com meu SMS??? Devo colocar data? Hora? Alinhar à esquerda para um e à direita para o outro? (Dá para fazer isso no Nyah! Fanfiction?) [essa é a deixa de interrupção de matéria para verificação da dúvida]...
Resposta com um print:
Sim. Porém, e como estava escrito no texto printado, qual seria a necessidade de diagramarmos uma história assim? Será que isso teria mais a ver com o desejo quase que incontrolável do autor em postar sua história com uma diagramação dessas, ou o leitor realmente se identificaria com isso? Acharia legal e coisa e tal? (eu não tenho uma resposta para uma indagação desse porte em um nível coletivo).
Tricia Rayburn, no livro A Sereia, retratou a mensagem de texto com uma simplicidade enorme!

(...) A capa de couro branco, com La vie en rose escrito em letras pequenas. Tirei o celular do bolso da calça e mudei de direção, seguindo para a mesa de bebidas. Tentei falar com Simon, depois com Caleb e com Simon novamente. As ligações caíam na caixa postal, então mandei uma mensagem de texto para Simon: Z está aqui. Pegue C. Encontre-me no carro em 2 minutos. (...)”

A autora usou (dois pontos) e (itálico). Apenas.
Enquanto isso, Drica Pinotti, em seu livro A Pílula do Amor, fez parágrafo, acionou dois pontos, e ainda, manteve o texto, sem qualquer formatação. Depois, achou melhor letra maiúscula. E para completar, itálico após os dois pontos e itálico em um parágrafo. Cada uma dessas formatações em momentos diferentes do texto (salvo no capítulo 6). Vejam:

Capítulo 6:
(...) Então, não me espantei quando recebi uma mensagem de Peter em meu Blackberry. Ele trabalha em uma agência de publicidade, talvez quisesse um conselho sobre alguma questão legal. Eu sei. Pouco provável, mas mais improvável ainda foi o que aconteceu na sequência.
Peter Thompson: Está livre hoje à noite?
Nossa, ele é mesmo direto. Claro (...)
Eu: Depende, qual é a proposta?
Peter: Apenas um jantar, vinho e boa conversa.
Perfeito! Adorei! Julia fez mesmo o dever de casa. Como havia prometido, conseguiu um encontro entre mim e Peter. Essa garota é das minhas. (...)”

(...). Desliguei, entrei em casa, tomei um banho e, quando me preparava para ir para a cama, uma mensagem chegou no meu celular.
Me diverti muito essa noite. Vamos repetir. Tenha bons sonhos.”

Capítulo 19:
Já passava das sete quando meu celular apitou. Eu tinha adormecido na banheira e nem percebi o tempo passar. Era uma mensagem vinda de um número não identificado: ÀS 7h45 SIGA AS PEGADAS, ABRA A PORTA E SINTA-SE EM CASA.
Era ele. Me mandou a última dica por celular.

Capítulo 20:
Mas saí de lá com a receita de um analgésico leve, o pé enfaixado e uma mensagem de Brian no celular: Seu cheiro está comigo, te ligo à noite. Tenha um bom dia, pequeno cacto.”

Com franqueza, não sei até que ponto a miscelânea de estilos descritivos pode ser interessante para o leitor, há muitos leitores que apreciam a uniformidade nos textos. Saber o que vão encontrar quando o autor narrar que seguirá um trecho em mensagem de texto é garantir que não haja distração do enredo. O leitor não vai ficar tentando adivinhar a maneira como o autor vai formatar o texto.
Novamente, Megan Maxuell, em Peça-me o que quiser, exibe a mensagem de texto do protagonista e opta por aspas:

(...) O celular apita. Recebi uma mensagem. Eric. “8h30 na recepção.” (...)”

Não tem como dizer que está complicado de entender.
Portanto, não se esqueça de que, independentemente da maneira como você vai inserir a cultura contemporânea das mensagens de texto, não se descuide da ortografia, da sintaxe, que seja coerente, que seja de fácil entendimento e que não canse nossas vistas (aqui é um apelo totalmente pessoal).

Quanto aos áudios?

Acredite, não há muita diferença entre áudios e mensagem de texto. Descreva que seu personagem enviou/recebeu um áudio e a mensagem entregue/recebida pode seguir a mesma linha em que se baseou para as mensagens de texto. Não me lembrava de ver uma diagramação para áudio em um dos livros que li, mas, tornei a procurar em cada um deles. Enquanto eu procurava nos mais óbvios, os livros chick lit, lembrei que havia algo em A Culpa é das Estrelas, abri o livro e comecei uma busca frenética pelas páginas, e, Ufa! Encontrei algo similar:

(...) Acabei ligando para ele. O telefone tocou cinco vezes e a caixa postal atendeu. “Esta é a caixa postal do Augustus Waters”, ele disse, a voz de clarim pela qual eu tinha me apaixonado. “Deixe uma mensagem.” E o bipe. O silêncio na linha era muito horripilante. (...)”

A representação da fala do personagem em uma mensagem de áudio, mesmo sendo da secretária do celular, já nos dá uma ideia de como o Sr. Green resolveu a questão. A resposta: Aspas.
Drica Pinotti, a autora de A Pilula do Amor, citada ali em cima, também representou a mensagem de áudio de uma secretária de celular (em itálico) reparem que os trechos são curtos e intercalados de narrativa: