Escrevendo em nível épico com os cinco pilares da narrativa

Por Bruno Costa Vitorino A Literatura Épica é um gênero crescente no que se compreende por Fantasia, em geral, com As Crônicas de Ge...


Por Bruno Costa Vitorino

A Literatura Épica é um gênero crescente no que se compreende por Fantasia, em geral, com As Crônicas de Gelo e Fogo popularizando o que já era popular com O Senhor dos Anéis, e vem parecendo a vontade de muitos autores, seja em livros publicados ou em projetos para a Internet, que podem ser achados em serviços como o Nyah!, portanto, nada melhor do que ensinar a esses interessados pupilos (isso soou mais ridículo do que já parecia). Sendo assim, eu venho por meio deste (por outro que não) "ensinar" a produzir uma história de nível épico.

Embora pareça que esse gênero está limitado apenas à Fantasia, por ser mais comum, é possível fazê-lo também na Ficção Científica, o que no caso será um desafio mais complexo, mas ainda assim capaz de ser feito. Portanto, se você gosta de escrever Sci-fi, pode ler isso até o final.

Outra coisa: não se deve considerar toda fantasia uma aventura épica, isso porque a literatura épica é um meio que descende da poesia épica ou epopeia, logo, livros muito bons como As Crônicas de Gelo e do Fogo, não podem ser considerados como histórias épicas puras, ainda que sejam de fantasia medieval, será dito que existem determinados fatores nas histórias épicas que condicionam esse nível épico (OBS: Eu me baseei em obras de epopeia por falta de material sobre a estrutura da literatura épica).

Vamos lá.

Primeiramente, devemos analisar o material clássico da Literatura Épica. Ela começa na Literatura Fantástica justamente com Tolkien. Sim, eu sei, nem todo começo é simples, mas analisando, temos duas coisas facilmente detectáveis: primeiro, um mundo novo, o que não era comum, embora possa ser visto em As Viagens de Gulliver com Lilliput. Segundo, temos algo que vai além do conceito estético, a construção do conceito da mitopeia. Como assim? Tanto no livro de Swift quanto no de Tolkien, o Universo possui características sociais, morais e culturais diferentes, que caracterizam esse mundo, mas foi o nosso querido inglês (Swift era da Irlanda) que estendeu isso historicamente, construindo uma história e uma geografia típica da região, assim como seria feito em tantos outros mundos, facilmente encontrados em todas as livrarias. E se eu tiver sorte, um dia esse artigo fará o seu próprio Universo ir parar lá também.

Para construir seu mundo, vamos considerar a criação de universos (vide: Dicas para se criar um Universo Alternativo por Blitzkrieg), mas eu quero especificar as características de sua história, e podemos fazer em cinco passos básicos: Cenário, Personagem, Trama, Tema e Estilo. Os 5 pilares da ficção.

Fator Épico: Algo épico é algo grandioso ou em grande escala, epicus vem do latim extraordinário, afinal é isso que condiciona uma história a ser épica: ela ser memorável, tanto que é comum as histórias épicas falarem de momentos históricos como a Guerra de Troia. Agora realmente podemos começar.

1. Cenário

Eu sei que disse que não vou ensinar a criar um Universo, isso é trabalho do Blitzkrieg, mas ainda assim devemos considerar o cenário. Agora, se você está escrevendo Sci-fi ou Fantasia, é recomendável que apresente um mundo tipicamente épico, com grandes feitos e uma história tão épica, ou até mais, quanto a história humana.

Para um cenário fantástico é simples: Um mundo com ou sem mágica, em seu auge ou decadência, onde surge uma grande ameaça de caráter mágico que pode ser vencida com ferramentas milenares criadas por seres poderosos como deuses, por exemplo. Antes de tudo, lembre-se de que sempre, na Epopeia, há presença e intervenção divina, armas mágicas poderosas e, também é comum a presença de emissários divinos, como Gilgamesh e Aquiles, além disso, é comum haver uma jornada por esse cenário.

O cenário épico, geralmente, é tão conflituoso quanto grandioso e se baseia especificamente em detalhes. Os detalhes são as grandes ferramentas do escritor de literatura épica, e devem ser retratados de maneira prática, mas funcional e bela, de maneira que as coisas pareçam, além de bonitas, úteis para o enriquecimento da história/universo. Os detalhes são usados por autores fantásticos (se quer levar tudo ao pé da letra “e de ficção científica"), como Tolkien, para apresentar seus mundos.

Não te convenci que é possível mostrar seu mundo com detalhes? Para quem leu a Ilíada sabe que Homero se distanciava algumas vezes do rumo principal da história para contar outras, como Belerofonte e seu caso com a Quimera. Na verdade, descobrimos novidades até mesmo na chegada dos navios em Troia.

Em Sci-fi você precisa usar a ciência também, o que requer esforço para manter tudo no limite crível e, claro, épico também.

2. Personagem

Como criar um personagem épico? Muito simples, torne-o favorecido. Os melhores personagens das epopeias são grandiosos e poderosos, como Gilgamesh e Aquiles, e sim, o personagem principal de “O Senhor dos Anéis” é o Frodo, mas observem: numa aventura épica é necessário um personagem épico, como Gandalf, e mesmo assim há uma tentativa de tornar Frodo épico, ainda mais em questão à formação da personalidade do personagem, que é Um Anel.

Portanto, a criação de um personagem consiste em três fatores: personalidade, geralmente, uma pessoa de caráter nobre e que considera muito a honra e a glória (Características Estoicas). Origem, que não precisa ser necessariamente divina ou gloriosa, mas que precisa no mínimo ter algum fator que torne o personagem épico. Diferenças, sejam elas intelectuais, físicas ou as duas, o importante é que o personagem seja melhor que todos os outros em alguma coisa, ou possua algo que o distingue dos outros, como poderes; Aquiles era inatingível, mas se quer manter seu personagem sem tantas facilitações, veja o caso de Ulisses, personagem da Odisseia, o mais inteligente e astuto dos homens.

Na Ficção Científica você pode usar a política e a cultura para o quesito pessoal, a genética para construir seu semideus futurista e a tecnologia e a ciência para diferenciá-lo.

E lembre-se de memorizar isso para todo tipo de história que escrever: Personalidade que sofre das alterações do Cenário e da Trama sofre de Evolução.

3. Trama

A trama do seu personagem deve girar em torno de algo grandioso, conflitos políticos como Ilíada e A Canção dos Nibelungos, ou uma jornada pelo mundo como em Odisseia e Eneida e, até mesmo como Senhor dos Anéis (o “até mesmo” se deve ao fato de não ser uma epopeia). Uma dica para construir sua história é, primeiramente, construir o espaço, moldar a história e marcar eventos.

A Jornada do Herói (leiam o artigo da Elyon Somniare) é ótima para fundamentar a trama da sua história épica, por que Joseph Campbell se baseou em diversas histórias mitológicas, sendo algumas delas epopeias. Logo, use e abuse, leia e releia o artigo da Elyon no blog e construa sua história baseada nessa teoria literária.

Caso opte por não usá-la, você pode optar por escolher uma trama simples e exagerá-la, ou seja, torná-la épica. Construa fatos complexos, de maneira a tornar a trama complexa, use a política, a cultura e sua nova sociedade como uma arma, ou seja, se você quer contar uma história de guerra, crie governos inimigos, culturas diferentes por algum motivo e conceitos sociais diferentes, mas o mais importante de tudo, é usar o quesito épico (e também os detalhes) do qual falamos em Cenário.

4. Tema

O Tema não é e, ao mesmo tempo, é tão importante numa história épica, porque se divide em dois, basicamente: Fantasia, Ficção Científica ou Histórica, mas acontece que mundos novos ou mundos passados são apenas o plano de fundo, ou melhor, o contexto, porque a maneira como a história se desenrola é o verdadeiro tema.

É uma história de crime? Uma história de guerra? Uma história de vingança? Adeque as características dos núcleos de suas histórias com esse contexto e, lembrem-se, sempre use o tema adequado ao seu personagem. Um detetive para uma história de crime, um guerreiro para uma história de guerra e alguém que sofreu muito, para se vingar. Sempre use o tema como um complemento ao seu Universo, usando tanto a história quanto o próprio tema para apresentar esse mundo que você criou: o detetive está investigado a morte de um membro da política local do planeta X, portanto, use as investigações para contar a história desse mundo.

Caso goste de ser alternativo, pode colocar seu personagem numa situação de desconforto, uma pessoa comum se envolvendo num caso ou, se queremos exagerar as coisas, um genial enxadrista num ambiente de guerra onde atua como principal estrategista (essa até que é uma boa ideia).

O Tema auxilia a Trama para apresentar o Cenário, e o Tema auxilia a Trama para moldar o Personagem.

5. Estilo

O estilo é muito simples na construção de uma história épica, porque ele sempre será em terceira pessoa, o que exige aos escritores mais íntimos uma valorização do conceito épico no que quer dizer ao uso de detalhes e também, de ter uma visão distante de tudo, como se ele não produzisse efeitos sobre a história. Pode se usar em primeira pessoa, mas é necessário que esteja num passado não muito próximo, e deve ser apresentada uma visão geral dos fatos, como se o narrador soubesse, e de fato sabe, o que aconteceu.

A voz deve ser sempre rebuscada, mas não muito, grandiosa e passiva, ou ativa quando deve.

Agora uma breve recomendação:

Para escrever Sci-fi, o escritor deve sempre utilizar os recursos científicos na sua narração.



Sobre a Construção de Narrativa Épica: Análise de Eneida, Canção dos Nibelungos, Ilíada, Odisseia, Epopeia de Gilgamesh e Lusíadas.


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