Entrevista com Yuka-chan, autora de A Clarividente

Por: Diandra Santiago A Clarividente é mais um caso de “fic boa não reconhecida”. Com boa expressão escrita e gramática de qualid...


Por: Diandra Santiago


A Clarividente é mais um caso de “fic boa não reconhecida”. Com boa expressão escrita e gramática de qualidade, o que é, na opinião de diversos usuários, difícil de se encontrar no site, além de um enredo que envolve magos, mistério, amizade e fantasia, essa Original tem muitas características que a tornam cativante. O projeto está sendo postado aos poucos, e mesmo que seja de classificação livre, a escrita é madura, sem ser cansativa. Eu mesma sempre gostei muito do estilo da Yuka-chan, e A Clarividente foi (ou melhor, está sendo) uma surpresa mais que agradável de ler, especialmente por ser a primeira fanfic longa da autora.

A história tem como personagem principal a jovem Nirina, no auge de seus quinze anos, que mora sozinha com Arthus, seu mestre e pai adotivo. A garota é uma aprendiz de magia relacionada a água, e também é fascinada por Zahra, uma famosa maga clarividente. Quando Nirina descobre que Zahra está voltando de viagem e que vai passar pela cidade, ela resolve ir conhecê-la.

Infelizmente, Nirina não consegue nem mesmo ver a maga, mas em compensação acaba se metendo em algo maior, perigoso e bastante inesperado...

Não se engane pelos seus capítulos que variam, em média, de duas mil a três mil palavras. Você vai perder a noção do tempo e vai acabar sempre com um gostinho de “quero mais” no final de cada capítulo. Aconteceu comigo pelo menos, e é por essas tantas qualidades que estou indicando A Clarividente aqui.

Vamos para a entrevista com a autora:


Pergunta: como você começou a escrever fanfics?

Resposta: Eu sempre gostei muito de ler, e aprendi desde cedo, desde os meus três anos, graças ao meu avô. Quando entrei na escola eu já gostava muito das palavras, e a minha melhor matéria sempre foi o português. Com o passar do tempo, comecei a me apaixonar pela escrita também. 

A primeira fanfic que eu escrevi foi de Naruto, aos meus catorze anos, e foi um horror, diga-se de passagem. As primeiras nunca são tão boas, né? Eu tinha visto sites de fanfics na internet, já que comecei a usar a internet cedo também, desde os nove anos, mas não tinha coragem de postar. Mas eu gostava de escrever e, como eu tinha facilidade com o idioma, escrever, pra mim, era simples. 

Eu costumava escrever durante as aulas, e a minha irmã me ajudou bastante também, escrevendo histórias junto comigo. Comecei com fanfics de animes, que eu sempre gostei, e por já terem personagens e enredos criados, algo bem mais fácil para começar antes de criar uma história original. Desde então não parei mais de escrever, e comecei a postar mesmo no Nyah em 2009, quando fiz minha conta e postei minha primeira história: uma história que envolvia o casal Gilbert (Prússia) e Elizaveta (Hungria) do anime Axis Powers: Hetalia. Foi no fandom de Hetalia que evoluí bastante e até mesmo fiquei mais conhecida.


Pergunta: O que havia em Hetalia que te fez ter inspiração? E por qual razão você saiu desse fandom?

Resposta: Eu gostava muito das personagens do anime e, pra ser sincera, tinhas muitas opções pra escrever yaoi, que era (e ainda é) um dos meus gêneros favoritos pra escrever, como os integrantes do fandom sabem (e é perceptível pelas minhas histórias). O motivo de sair do fandom, sinceramente, foi o fato de o anime ter ficado muito conhecido e o número de fanfics ter aumentado grotescamente. Quando postei minha história, ela foi a sétima da categoria de Hetalia e eu preferia quando a categoria tinha menos autores, por incrível que pareça. Um dos motivos principais também foi o fato do meu desencanto por animes. Apesar de ainda gostar e assistir alguns, gosto bem menos do que há quatro anos, quando escrevia várias fanfics de desenhos japoneses. Apeguei-me mais a livros do que a mangás, e acabei deixando a categoria de animes de lado, de modo geral.


Pergunta: Quando surgiu sua inspiração para escrever A Clarividente? O que te motivou?

Resposta: A inspiração para A Clarividente foi algo bem inesperado.
O que me fez começar, de uma vez por todas, foi a admiração pela trilogia mais recente de magos que li, a Trilogia do Mago Negro, da Trudi Canavan. Fantasia é meu gênero preferido e eu amo magos. Eu sempre sonhei em escrever uma história longa, que não fosse one-shot, que era o que eu mais escrevia. Já tinha tentado, há anos atrás, escrever um romance entre uma estudante descendente de alemães que se mudava para o Japão e se apaixonava por um amigo de classe. Os dois eram separados pelo trabalho do pai dela, já que ele precisava voltar para a Alemanha. A partir daí a história se tornava mais trágica, mas eu acabei achando o enredo fraquíssimo e desisti. Desde então, fiquei anos sem tentar.

Depois de ler a trilogia da Trudi, resolvi contar a história de uma aprendiz de magia, a Nirina, personagem principal da minha história. No começo, era simples. Minha intenção era contar apenas a história dela, vivendo em uma casa isolada da cidade com seu pai de criação, Arthus, já que ela é órfã. Resolvi que daria uma chance a mim mesma e à minha capacidade de escritora e comecei. Quando iniciei, não parei mais. Fui tendo novas ideias para as magias da minha história, novas personagens e novas complicações no enredo. Devo admitir que grande parte das ideias só surgiu quando eu já tinha começado. Alguns autores acreditam que as histórias tem vida própria e, sinceramente, às vezes parece mesmo!


Pergunta: Além do seu fascínio por magos, o que mais te inspirou para escrever A Clarividente? Em quais outras obras você se inspirou para escrever e definir o universo de sua história?

Resposta: De modo geral, me inspirei bastante na trilogia da Trudi. Mas minha história tem outra inspiração muito forte: Franz Bardon, vulgo Frabato, último mago de verdade do século XXI.

Bardon afirmava que todas as pessoas do mundo sofriam influência dos quatro elementos principais, mas tinha um deles que era mais evidente. E era graças a isso que as pessoas tinham personalidades diferentes. Lendo o livro dele, “Magia prática para Iniciantes”, descobri que o elemento mais influente sobre mim era a água e eu adorei isso. Os magos de elementos, no meu livro, são inspirados nas personalidades descritas por Bardon. Consequentemente pode-se perceber rivalidade entre magos de fogo e água; e magos de terra e ar, como geralmente acontece com as pessoas do mesmo elemento segundo Bardon. Eu realmente adoro magia e resolvi estudar um pouco mais a fundo antes de escrever.


Pergunta: Essa é sua primeira história original, além de possuir mais de um capítulo. Como está sendo a sensação de se aventurar nesse território novo?

Resposta: A sensação é ótima. Eu sempre tive facilidade de passar as minhas ideias pr’o papel (ou pr’o computador, haha), mas eu sentia que tinha poucas ideias. Quando senti que A Clarividente poderia crescer bastante, fiquei bem feliz.
O que mais acho difícil como escritora de one-shots até agora é a preocupação com o tempo. Como as coisas acontecem em uma história longa, cada acontecimento deve tomar seu tempo, e às vezes temo estar fazendo tudo acontecer rápido demais na história. Mas acho que esse é um aspecto que só melhora mesmo com muita leitura e muita escrita. Não existe mesmo uma fórmula.


Pergunta: Olhando em seu perfil, também notei que essa é sua única fic com classificação livre, enquanto as outras são entre 13+ e 18+. Há alguma razão para isso? Como está sendo escrever uma história sem apelar muito para a violência pesada, sexo ou dramas muito complexos?

Resposta: Pois é. Eu sempre foquei em histórias 18+, e A Clarividente é uma das poucas que fogem disso, apesar de ter algumas cenas de violência nem tão pesadas assim. Pra ser sincera, várias coisas aconteceram na minha vida pessoal que me fizeram mudar o foco. Pensar mais em questionar a personalidade das pessoas (existe muito disso na minha história), e dar valor aos verdadeiros amigos. Além disso, meu objetivo com A Clarividente era escrever algo completamente inédito, algo que eu nunca havia tentado antes. Por isso, resolvi fugir de todas as coisas que já havia escrito anteriormente.

A ideia de escrever algo diferente tem sido bem agradável. Escrever A Clarividente tem sido uma experiência ótima, e eu já sinto um carinho imenso por todas as personagens que criei.


Pergunta: Como alguém que segue seu trabalho, também vi que você deletou sua fics antigas de Hetalia, seu fandom original, deixando poucos trabalhos ainda publicados. Foi por vergonha de sua escrita antiga ou por desejo de mudar de ares?

Resposta: Ambos os motivos!

Frequentemente eu percebo como minha escrita tem mudado para melhor pois sempre tento melhorar e, relendo os trabalhos antigos, sinto que eles tinham muito o que melhorar. Algumas vezes deleto algumas, mas ainda tenho todas salvas nos meus documentos para, algum dia, aprimorar elas e quem sabe postar de novo.

Grande parte disso também veio, realmente, do desejo de mudar de ares. Eu tenho pensado em aprimorar minha escrita cada vez mais, até mesmo de um modo profissional, porque, sim, eu sonho em publicar um livro. Resolvi mudar meus temas de modo radical, e acho que a parte de deletar várias das minhas fanfics antigas vem disso. Também porque esse ano completo três anos de Nyah!, então minhas pretensões têm mudado bastante.


Pergunta: Alguma dica para quem está começando a escrever, seja em um fandom ou não?

Resposta: Escrever é uma melhora constante.

Como em qualquer uma das artes, leva-se tempo para atingir um bom nível. Apesar de se tratar de nosso idioma, algo que está presente no nosso dia-a-dia, escrever é difícil e requer bastante leitura e prática. Ninguém deve esperar escrever bem logo nas primeiras tentativas só porque sabe falar português. Pelo mesmo motivo, também não se deve desistir!

Leia vários autores, peça a opinião de leitores e, mais importante de tudo: sempre aceite críticas. Mesmo um escritor experiente deve aceitar críticas construtivas, que dirá um escritor iniciante. E sempre tenha em mente que pessoas gostarão ou não de suas histórias. Receber um “Não gostei” não quer dizer que sua história é ruim. Opiniões são sempre importantes, positivas ou não!


É, Yuka-chan, você realmente gosta de escrever. Que respostas longas! Espero que continue sempre assim, melhorando como você mesma falou aqui!

Link do perfil da yuka-chan: http://fanfiction.com.br/u/17541/


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Diandra Santiago é beta reader, ficwriter e estudante de Direito. Quer ser promotora e aspira ter pelo menos um livro publicado. Dona de uma imaginação fértil e administradora de seu Tumblr (http://unelmates.tumblr.com/).


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