Resenha: Cartas a um jovem poeta

domingo, 24 de maio de 2020


Por: Lucas

Pensar no que eu escreveria no meu primeiro post no Blog da Liga me fez formular a seguinte questão: “sobre qual assunto eu poderia falar para acrescentar algo na vida dos meus camaradas da Liga dos Betas e na de nossos queridos autores?”. Essa pergunta me levou a revirar as entranhas no meu HD, e no oceano de arquivos de textos porcamente nomeados que ali existem, me deparei com um que estava muito bem nomeado; Cartas a um Jovem Poeta, de Rainer Maria Rilke.
Sinopse: Franz Kappus é um jovem de dezenove anos em formação na Academia Militar de Wiener-Neustadt, na Áustria, durante o ano de 1902. Kappus tinha a pretensão de se tornar um poeta, e ao conversar com um de seus professores e descobrir que Rilke também havia frequentado aquela instituição de ensino, decide enviar uma carta ao já conhecido poeta tcheco.  A missiva continha alguns poemas escritos por Kappus e um pedido para que Rilke, em sua resposta, avaliasse os versos do jovem. A partir daí, ambos iniciaram uma troca de correspondências que viria a durar anos, com o experiente poeta dando conselhos a Kappus sobre criação artística, necessidade de escrever, religião, sexualidade e as relações interpessoais.
Publicada originalmente em 1929, três anos após a morte de Rilke, esta coletânea contém dez das cartas enviadas a Kappus entre 1903 e 1908.
Editora: L&MP Pocket
O que supriria melhor a minha questão do que um livro formado por cartas enviadas por um poeta experiente a um respeitoso aspirante?
Cartas a um Jovem Poeta é composto por dez cartas selecionadas por Franz Kappus nas correspondências que ele teve com Rainer Maria Rilke durante os primeiros anos do século XX. O livro contém apenas respostas de Rilke. De acordo com o organizador do livro, o próprio Kappus, as indagações que ele fazia ao poeta tcheco pouco importariam frente as respostas recebidas. Estas, jogariam luz em muitas outras questões acerca da criação artísticas – que aqui vamos considerar apenas em forma de escrita, e também, outras áreas da vida.
Todas as cartas são marcadas pela paciência de Rilke em conduzir seu interlocutor pelo caminho do amadurecimento, também por sua suavidade em expressar verdades duras de se engolir, por assim dizer. Um exemplo é logo na primeira carta, onde de forma cortês, o experiente poeta diz que comparando os versos de seu interlocutor com a carta que chegou em suas mãos só é possível concluir que Kappus ainda não possuí originalidade, sua poesia tem muito pouco de si mesmo e muito sobre os outros, tornando-se genérica.
Para Rilke, a escrita teria de vir necessariamente como uma necessidade, uma inquietação que se manifestasse na cabeça do invidio com a questão “preciso escrever?” no meio da madrugada. Isso mostra como ele considerava o processo de criação artística algo que deve ser espontâneo, de dentro para fora, e não o contrário.
A seguir, o tcheco coloca uma ideia que irá frequentar todas as cartas colocadas no livro: deve-se refletir sobre o seu ambiente e sobre si mesmo no seu interior, em sua solidão. Rilke diz que a individualidade e solidão criam as condições para que a pessoa seja capaz se refletir sobre si mesma, e nessa solidão de seu interior, até mesmo as grandes tristezas se transformam em algo que proporciona crescimento e inspiração.
As respostas de Rilke demonstram de Kappus tinha muitas aflições. Tinha dúvidas sobre sua escrita, a carreira militar que havia escolhido não lhe agravada, além de muitas inquietações sobre Deus e o amor. É interessante ver como Rilke indica leituras e tenta tranquilizar o jovem poeta pelo conceito de “volte-se para si mesmo”. Durante essas cartas, também é possível ver que Kappus continuava a mandar versos e que a satisfação do “velho poeta” vai aumentando ao elogiar os novos poemas de seu interlocutor, comemorando a evolução de suas reflexões, seu amadurecimento, e é claro, elogiando os novos poemas.
As cartas também nos ajudam a acompanhar um pouco da história de Rilke antes da Primeira Guerra Mundial, seu transito por diversos países da Europa – França, Itália, Suécia, com o poeta sempre demonstrando que essas mudanças eram motivadas por questões da saúde, e dando um pouco de suas impressões sobre cada lugar. O tcheco demonstra que embora sua obra seja composta por poesia em maioria, sua prosa é também excepcional.
O meu primeiro contato com esse livro, por coincidência, foi quando eu perguntei a um professor da universidade em que eu estudava sobre “um bom livro que fale sobre escrita”, este meu professor, que é um contista, me indicou ele. Com este livro, o professor Rogério Ivano me ajudou a olhar o meu interior e refletir, tomar os fatos que acontecem na vida e usa-los para o amadurecimento ou para inspiração. Como beta readers, acho que esse é um sentimento essencial para ser passado aos nossos autores.
Espero que eu tenha provocado o interesse de vocês em relação a este livro. Ele é uma leitura pra uma tarde, mas que pode despertar reflexões para um tempo prolongado. Conversem entre si e os seus autores sobre ele. De certa maneira, nós todos também trocamos cartas com esse caráter.
Até a próxima!

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Resenha: Holo, meu amor (2019)

domingo, 17 de maio de 2020


Por: Rebel Princess

Chamado oficial para todos os dorameiros de plantão que amam um drama conciso, tecnológico, com tudo que tem direito e que trata de amores impossíveis <3

Olá, pessoinhas! Faz um tempo que fiz resenha para o blog do nosso castelo e hoje faço o retorno triunfal com um dorama que é para agradar gregos e troianos, ou seja, é aquela oportunidade marota para você trazer seu amiguinho que ainda não assistiu nenhum para o fundo do nosso poço 😊

Venham comigo, então, apreciar esse hino chamado “Holo, meu amor”, drama original da Netflix que salvou a reputação de dorameira da plataforma.

Coloca os óculos, coleguinha
“Holo, meu amor” conta a história de Han So Yeon (vivida pela linda Go Sung Hee), aquela mina muito na dela, que todos julgam como a dona do coração de gelo que não interage com ninguém nem cria laços afetivos. Acontece que nossa protagonista tem prosopagsonia (nome chique da popular cegueira facial), o que a impede de reconhecer os rostos das pessoas, mesmo não tendo problema crônico de visão, então ela só prefere ficar em sua zona de conforto ao invés de ser “a estranha” por não reconhecer as pessoas.


So Yeon trabalha na parte administrativa de uma ótica (pegue a referência!), a qual recebe a proposta de uma empresa pioneira em desenvolvimento de inteligência artificial (IA) para desenvolver óculos especiais, portadores da tecnologia de ponta. E é aqui que somos apresentados ao HOLO, nome carinhoso e abreviatura para o holograma que acompanha os óculos e se torna o assistente pessoal da pessoa que o usa. Sim, meus amigos, esse assistente é um cara maravilhoso (trazido às telas pelo charme de Yoon Hyun Min), sonho de consumo de nós, pobres trabalhadores e solteiros [insira aqui um emoji triste].


Imaginem só o choque da So Yeon ao, por acaso (se quiser saber como, vai assistir ^^), colocar os óculos e se depara com Holo à sua frente e, sem explicação, conseguir reconhecer seu rosto! Com muito trabalho, ele consegue explicar seu funcionamento à So Yeon, que concorda por usá-lo para abrir as portas de suas relações interpessoais, ganhando reconhecimento e colegas no trabalho.

Você deve estar se perguntando: como raios conseguiram criar esse pedaço de mal caminho todo prestativo e educado do NADA? Pois bem, é aqui que temos a mente brilhante por trás da IA, Go Nan Do (vivido por Yoon Hyun Min).

Não, queridos, não leram errado e nem sou eu que estou louca — ainda —, o cara fez o holograma à sua imagem e semelhança, uma pena que nosso Holo real de carne e osso é um tanto estressadinho e tão antissocial quanto So Yeon, pois, devido a um antigo acidente, é considerado falecido oficialmente para o mundo, mas foi assim que conseguiu desenvolver a melhor IA do país, colocada nos óculos HOLO.

É claro que tem uma legião de gente atrás dessa tecnologia, né, meu povo? O tanto de tramoia que tem nesse drama para conseguirem parceria com a empresa — ou só roubar o Holo mesmo — é maior do que sua lista de doramas e séries para assistir que você nunca começa. Mais que o romance, temos um tour pelas entranhas da empresa e tudo que implica desenvolver uma máquina muito semelhante ao ser humano, além daquele pinguinho de comédia já que os usuários do HOLO são tão iludidos quanto nós por personagens fictícios e, às vezes, esquecem que ele é “só” um holograma.

Afinal, é bom mesmo ou só vou passar vontade de ter uma IA inteirinha só para mim?
Isso é fato, colega, aceita que vai passar vontade e desvie sua atenção ao enredo bem construído e boa produção. Dona Netflix investe na parte técnica, mesmo que outros pormenores deixem a desejar às vezes nas produções originais; felizmente, em “Holo, meu amor”, temos uma ótima produção junto a outros detalhes maravilhosos e bem trabalhados.

O enredo tem tudo que é típico de um dorama coreano, desde a cena na chuva até o beijo roubado/acidental (ops, spoiler do bem! Não desista que o beijo vem!), mas o essencial aqui é que não temos aquela enrolação, bem-vinda em alguns dramas e péssima em outros, para preencher episódios. O tempo de tela é coerente à história, os personagens principais são bem desenvolvidos ao longo da história e temos uma boa parcela dos secundários, não tão dispensáveis para não serem lembrados depois de finalizar o drama.

Parte ruim? A mais comum dos doramas, caros leitores, o casal demora um tempo para se tocar que gostam um do outro, então temos pouco tempo de namoro real/oficial, mas os momentos de interação são tudo que uma dorameira que é raiz e nutella ao mesmo tempo pediu aos céus.

Rola ou não rola a So Yeon com algum deles? Dá para rolar com o Holo? Será que ela acaba confundindo os dois? Alguém vai conseguir roubar a tecnologia IA? Tem que carregar na tomada toda noite para ele contar carneirinhos para você igual ele conta para a So Yeon? Chega lá nos 12 episódios que é tiro e queda para maratonar, descobrir tudo isso, se apaixonar pelo Holo, odiar o criador dele (por um tempo, porque né, uma inteligência daquelas te faz se derreter rapidinho), querer ser a So Yeon para passar reto pelos outros e ter um bom motivo para isso…

Por enquanto, só temos esse dorama disponível na Netflix, então chega no coleguinha que pode te emprestar a senha caso você não tenha e diz que é rapidinho ^^

Espero que eu tenha conseguido despertar a curiosidade de vocês, e nos contem depois se curtiram o dorama (pode falar se curtiu a resenha também!).
Vlw, flw ~um beijo e um cheiro

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Música minha de cada dia: como ela afeta a hora da escrita?

domingo, 10 de maio de 2020

Por: fullofcollors
Link no Nyah: https://fanfiction.com.br/u/750362/



Os tristes acham que o vento geme;
Os alegres acham que ele canta.
Luis Fernando Veríssimo

Por que a música nos toca?
Quando comecei a pensar sobre o tema para além do âmbito da escrita, não pude deixar de rebobinar minha própria vida e perceber quão acompanhada tenho sido pelas melodias.
Sou uma pessoa eclética. Minha playlist vai da bossa nova ao rock, passeando por todos os ritmos sem preconceito. Nem sempre tenho vontade de escutar todas elas, mas há, no fim das contas, um bom momento para cada uma. E qual o motivo para nos atrairmos por determinadas canções em dados momentos e em outros não?
Estamos vivendo uma pandemia, como todos sabem. Se você ler isso daqui alguns anos, saiba: o mundo parou, e a música agora é fundamental para deixarmos a alma viajar por onde nossos pés não podem. A nostalgia e a esperança estão em alta — a busca por playlists antigas subiu 54%, no Spotify, e Andrea Bocelli bateu recorde em live transmitida pelo YouTube para comemorar o feriado de Páscoa.
A ciência explica?
Canções são fenômenos complexos. Não é surpresa, entretanto, que sejam utilizadas para tratamento de doenças variadas, desenvolvimento da personalidade durante a infância e são capazes, inclusive, de afetar nosso estado emocional. Uma pesquisa feita em 2010 comprovou isso a partir de um teste cujo foco era medir a capacidade de 11 enxertos de música induzirem alegria, tristeza, raiva, medo e relaxamento nas pessoas.
“Tá, tia, mas o que a escrita tem a ver com isso?”.
Então, vamos a minha visão.
Como eu disse, sempre gostei muito de música. A escrita chegou depois, embora tenha tomado boa parte do meu coração. Conforme meu processo de criação começou a ser menos intuitivo, passei a perceber os elementos que o compunham, e o som foi um deles. Agora, existe uma diferença entre som e música. Eu, por exemplo, não consigo trabalhar com pessoas conversando ao redor ou na presença de muito barulho. Quando estou sob influência da música, entretanto, sinto o processo criativo fluir com maior facilidade.
E esse feeling vai pra onde?
Depende.
Existem duas perspectivas no meu caso:
·    já sei o sabor que quero para determinada cena e, portanto, procuro músicas que provoquem a sensação pretendida;
·      estou bem randômica na minha própria escrita e deixo a vida me levar, vida leva eu.
As duas tem benefícios: foco, na primeira, e surpresas positivas na segunda. A número dois, entretanto, merece cautela. Se você está esperando ter inspiração por meio da música, lembre-se de avaliar se o trecho ou cena pretendida não está destoando das demais. Sim, porque escrever uma cena escutando “Girls just Wanna Have Fun” e outro com “Cowboys from Hell” vai ter efeitos bem específicos.
Já encontrei muitas convulsões musicais nos meus textos.
Oliver Sacks, escritor e neurologista, é fã de Bach e estuda os efeitos da música sobre o cérebro. Ele fez um teste: escutou um trecho do seu ídolo e outro de Beethoven, tendo esse momento monitorado. Impressionantemente (ou não), os resultados mostraram que seu favorito não somente ativou partes essenciais do sistema nervoso, como também ativou a amígdala, vital para o processamento de emoções. Isso só prova que somos suscetíveis ao efeito da música de uma maneira muito particular. Então é bom ter em mente também que talvez o leitor não sinta exatamente o que você sentiu, mas ele vai experimentar a sua maneira.
Pra terminar, a tia vai deixar algumas dicas:
1)   evite trocar a/as música/as muitas vezes durante um capítulo. Crie um grupo pra usar, assim fica mais difícil se perder;
2)     tenha consciência dos sentimentos que determinada canção provoca em você. Dessa forma você consegue fazer a escolha certa para cada momento (a menos que a ideia seja buscar inspiração do zero);
3)   faça playlists para cada momento e/ou gênero. Isso facilita na hora de encontrar suas referências. Eu, por exemplo, prefiro os gêneros drama/romance (com drama)/terror (adivinha? Com drama), então busco por aquelas que possam me trazer as sensações necessárias na hora de compor essas cenas;
4)    deixe, caso você queira muito que o leitor sinta sua vibe, o link daquela música que te inspirou. Particularmente gosto quando meus autores preferidos proporcionam isso e consigo “estar lá” com mais facilidade;
5)       se for fazer uma história baseada em um álbum/single, conheça bem as letras e melodias. É bom buscar por um making off para entender quais foram os objetivos dos compositores e criar algo consistente.

That’s all for today, folks!
E lembrem-se: independe se os ventos cantam ou gemem, cada vibração conta uma história. Seja o dono da brisa quando estiver com a caneta na mão e faça o leitor flutuar em direção aos seus Universos.
PS.: A tia preparou duas playlists (uma instrumental e outra não) e separou outras duas que costumo escutar, essas do Spotfy. Lembrando que são baseadas nos gêneros citados lá em cima, mas vocês podem usar de inspiração pra criar suas próprias. Beijocas e aproveitem!

REFERÊNCIAS:
The violin, and my dark night of the soul: https://bit.ly/2WzuDzz
Música e neurociência: https://bit.ly/2Wfatw2
Building the musical muscle: https://bit.ly/2SJdJxx
Transformamos vibrações no ar em emoções
Quarentena faz disparar busca por músicas nostálgicas no Spotify: https://bit.ly/2WfC68d
Indução de emoções através de breves excertos musicais: https://bit.ly/3bgnpFY
A influência da música no comportamento humano: https://bit.ly/2WfLmct
Andrea Bocelli bate recorde no YouTube com show solitário na Páscoa: https://glo.bo/3bhfZSW

PLAYLISTS:
Writing Time: https://bit.ly/3dnZ4Q4
WritingTime (instrumental): https://bit.ly/3fsRdmf
dark instrumental writing/reading music: https://spoti.fi/2WzXJih
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Planeje Sua História Com A Gente 5 – Método Flashlight e Fluxograma

domingo, 3 de maio de 2020
Por: Michele Bran
Link no Nyah: https://fanfiction.com.br/u/5389/

Olá, escritores, leitores e betas.

Como vão? Espero que bem e escrevendo/lendo/betando bastante.

Hoje vamos, de novo, de post “dois em um” para economizar tempo e espaço. Dessa forma, conseguimos aprender mais estruturas sem riscos de um post ficar gigantesco e outros, pequenos demais (sou dessas que gosta de manter certa constância hehe).

Até começar as pesquisas sobre estruturas, eu não conhecia nenhum dos dois que vamos abordar hoje, mas são bem interessantes e, espero, vocês gostarão bastante.

Antes, não deixe de acompanhar as partes anteriores dessa série: a introdução, o Método SnowFlake , o Método dos Sete Pontos em suas partes um e dois, e os Métodos dos Três Pontos e de Outline de Capítulos.

Agora vamos em frente!


Método Flashlight
Considerado um método híbrido, o chamado Flashlight ou Método da Lanterna é muito interessante porque nos permite escrever conhecendo apenas o futuro imediato do personagem.

Basicamente, você começa a escrever planejando apenas o máximo que você consegue ver da história, “iluminando” o suficiente para escrever com propriedade cada capítulo. Ou seja: você está escrevendo o capítulo 1, mas lança a luz (a lanterna, flashlight) apenas até o capítulo 5, por exemplo, porque é até onde você tem em mente; e escreve o planejamento desses cinco capítulos, podendo ser breve ou detalhado. A ideia é o plot ir avançando conforme a história, mas sempre um pouquinho à frente.

Trocando por outro exemplo bem esdrúxulo (rs), é basicamente o que ocorre com o Youtube quando sua conexão não é muito boa. Tem a barrinha vermelha, a de reprodução do vídeo, e uma branca, que é até onde o vídeo já carregou e você pode ver sem travar. Normalmente, deixamos o vídeo carregar um pouco antes do play, justamente para vermos sem interrupções (palavras de quem até bem pouco tempo atrás tinha o pior plano do provedor hehe).

A ideia é essa: só começar a escrever sabendo um pouco do que acontece na frente para que sua escrita não “trave” no meio do caminho (às vezes, por tempo indeterminado) e ir deixando esse planejamento sempre alguns capítulos além até o fim.

O método é bom para plotters porque permite saber sempre o que está por vir ao mesmo tempo em que você tem espaço necessário para mudar coisas no plot, se quiser, sem precisar reescrever todo o planejamento. Em resumo, você tem um trajeto pré-determinado, mas ao mesmo tempo, mantém espaço para “manobrar” o enredo para esta ou aquela direção, conforme seu desejo ou necessidade.

Para pantsers é muito interessante também porque não é necessário planejar toda a história para começar e, como vimos acima, temos flexibilidade para mudar o que não está nos agradando.

E para plantsers, justamente por ser um método híbrido, permite que a gente possa lançar a “luz da lanterna” mais adiante ou de forma mais próxima ao que está sendo escrito. Ou seja: você pode planejar pontos-chave da trama e improvisar todo o restante. Ou lançar a lanterna apenas sobre o final e escrever todo o resto sem planejamento.



Método do Fluxograma
Esse é um dos meus preferidos, embora eu ainda não o tenha testado para histórias longas.

O fluxograma ou mapa mental é muito utilizado para estudos, por proporcionar uma visão geral e bem visual do assunto em estudo; tendo como principais características ser algo bem visual e colorido, com palavras ou textos bem curtos (e até desenhos ou imagens). Além dessas, outra vantagem é que não há um padrão: por ser um resumo dos pontos mais importantes, dificilmente encontraremos duas pessoas fazendo o mesmo mapa sobre o mesmo assunto; já que exceto conceitos, datas, locais e afins, o que pode ser importante para mim, pode não ser para outra pessoa que se debruce na mesma temática.

Ao aplicar este método na escrita, a ideia é justamente aproveitar todas estas vantagens. Você pode utilizar cores diferentes e mesmo desenhos para passar a ideia geral da história, de um capítulo, de um arco ou de personagens. Preferencialmente, fazendo isso em uma página, você terá como visualizar rapidamente e de forma que seja visualmente chamativa e agradável os principais pontos da história.

Como exemplos para fluxogramas de enredo, você pode planejar aspectos gerais de início, meio e fim ou o geral de cada capítulo. Para capítulos, a estrutura de início, meio e fim também é interessante de ser usada, bem como mencionar personagens que aparecem, localização, sentimentos a ser evocados, etc. Já sobre personagens, aspectos físicos, psicológicos e sociais, bem como sua função na trama são fundamentais. Fica ainda mais bonitinho se você sabe e gosta de desenhar.

Só recomendo fazer com lápis antes e só passar para caneta, hidrocor, etc. quando fizer seu fluxograma. Assim, você não precisa ficar refazendo tudo do zero quando cometer algum erro maior que não dê para corrigir com um corretivo ou um desenho para cobrir a falha. Caso utilize apenas textos e não goste de imagens, há sites e aplicativos para fazer mapas mentais (alguns você pode encontrar aqui).

É bom para plotters por ser um método mais divertido e intuitivo. Mesmo quando gostamos de planejar, esta etapa pode ser um pouco entediante (e até angustiante, dependendo do tamanho ou complexidade de seu enredo). Então procurar uma alternativa que seja mais lúdica e flexível pode ser uma ótima opção para tirar um pouco o peso dessa fase.

Para pantsers é bom também porque nos permite pensar apenas no geral e, depois, fechar as lacunas conforme escreve. Por ser um estilo livre, você não fica preso a fórmulas e segue apenas o fluxo de suas próprias ideias, sem modelos, fichas ou padrões pré-estabelecidos.

E para plantsers, é o meio-termo perfeito entre ter em mente todos os pontos importantes da história para não se perder e ter a flexibilidade necessária para improvisar o restante do enredo. Tudo isso de uma forma muito bonita e chamativa.

É isso, pessoal. Espero que tenham gostado desses métodos e, caso já tenha usado ou esteja querendo usar, deixe um comentário aí para trocarmos ideias.

Beijos e até o próximo mês, em que falaremos um pouco sobre o Método dos Cinco Pontos.

Até lá...
E agora voltem a escrever!
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Resenha: O Conto da Aia

domingo, 26 de abril de 2020


Por: Cam
Link no Nyah: https://fanfiction.com.br/u/565042


Sinopse: Tudo o que as Aias usam é vermelho: como a cor do sangue, que nos define. Offred é uma aia da República de Gilead, um lugar onde as mulheres são proibidas de ler, trabalhar e manter amizades. Ela serve na casa do Comandante e de sua esposa, e sob a nova ordem social ela tem apenas um propósito: uma vez por mês, deve deitar-se de costas e rezar para que o Comandante a engravide, porque em uma época de declínio da natalidade, Offred e as outras Aias têm valor apenas se forem férteis. Mas Offred se recorda dos anos anteriores a Gilead, quando era uma mulher independente, com um emprego, uma família e um nome próprio. Hoje, suas lembranças e sua vontade de sobreviver são atos de rebeldia.Provocante, surpreendente, profético. O conto da Aia é um fenômeno mundial, já adaptado para cinema, ópera, balé e uma premiada série de TV. Nessa nova versão em graphic novel, com arte arrebatadora de Renée Nault, a aterrorizante realidade de Gilead é trazida à vida como nunca antes.
Editora: Rocco
Número de páginas: 311

Hello, people! Estou de volta com mais uma resenha, dessa vez é O Conto da Aia. Para quem não conhece, este livro se assemelha muito a 1984 e Admirável Mundo Novo por se tratar de uma distopia. Nessa distopia, o mundo sofreu com uma baixa na taxa de natalidade e tomou providências radicais para erradicar o problema: forçar mulheres a engravidar.

Isso mesmo, aproveitando uma história bíblica eles “criaram” as Aias, que nada mais são que, para ser bem honesta, úteros ambulantes. O livro é o relato de uma dessas Aias, ela conta toda a vida dela, desde antes da mudança acontecer até seu dia-a-dia como Aia.

Eu já vou avisando que é um livro pesado, pois o trata da objetificação das mulheres e do machismo, porém é um livro que deve ser lido, por mais doloroso que seja.

O livro também é extremamente imersivo, por ser escrito quase que como um diário é fácil você se sentir na pele da narradora, o que torna a experiência ainda mais agoniante, pois é como se você estivesse presenciando todas as injustiças e crueldades que acontecem no livro.

E quando eu digo que as mulheres são objetificadas não falo somente das Aias, mas realmente todas elas. No livro temos, além de Aias, as Esposas que, como o nome já diz, são as mulheres dos comandantes, e elas realmente não são nada mais do que isso, pois não podem ter empregos, nem ler e escrever. Nenhuma delas pode, com exceção de um subgrupo chamado de Tias, a essas mulheres é dada a opção de virar uma espécie de doutrinadora das outras mulheres, ensinando às Aias o lugar delas na sociedade (através de manipulação mental ou até mesmo violência física), e, bem, quem iria ser tola o suficiente de recusar-se a ser Tia quando as outras opções são tornar-se Aia ou ser mandada para um campo de trabalho forçado?

Há também dois outros tipos de subgrupos de mulheres, mas basicamente o trabalho de todas elas é servir aos homens de uma forma ou outra. E vale também mencionar que a responsabilidade recai somente nas mulheres, nunca coloca-se a culpa da infertilidade sobre os homens.

Baseada no livro também há a série The Handmaid’s Tale, que já está na sua terceira temporada. Caso você já tenha visto a série, saiba que ainda vale a pena ler o livro, pois suas narrativas somente se parecem até certo ponto. O livro, diferentemente da série (até o momento), tem um fim.

É um final aberto à interpretação e, de certo modo, até te dá liberdade para escolher como a história de fato termina. Não vou me prolongar sobre isso, só direi que é realmente muito emocionante e que recomendo bastante, você tendo visto a série ou não.

Enfim, O Conto da Aia é um livro que me fez repensar várias coisas sobre o machismo e a sociedade em geral, principalmente essa pressão que todas as mulheres sofrem para serem mães e donas de casa, principalmente se pensarmos que nossos primeiros brinquedos na infância foram bonecas que imitavam bebês e fogõezinhos de brinquedo (no meu caso, pelo menos).

Espero muito mesmo que essa resenha os incentive a ler o livro, é uma leitura incrível.
Beijos e até a próxima!

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Planeje sua história com a gente 4 - Método dos Três Pontos e Outline de Capítulos

domingo, 19 de abril de 2020

Por: Michele Bran
Link no Nyah: https://fanfiction.com.br/u/5389/

Oi, pessoal.
Lá vamos nós de novo para mais um post de nossa série sobre roteiros. Dessa vez, como vamos abordar duas estruturas que são bem simples e rápidas, optei por falar de duas no mesmo post, até para que a série não se estenda demais (acredite em mim: tem trocentas estruturas diferentes hehe).
Caso não tenha lido ainda as outras partes, temos uma breve introdução, depois falei sobre o Método Snowflake e o Método dos Sete Pontos, que precisei dividir em parte 1 e parte 2 devido ao tamanho. Pode ir lê-las antes, se quiser.
Mas vamos lá…

1) Método dos Três Pontos
Essa estrutura é bastante concisa e simples, por isso não devemos confundi-la com o Método dos Três Arcos (do qual falaremos mais adiante, e é uma forma um pouco mais aprofundada de estruturar seu enredo).
O Método dos Três Pontos se aproxima mais dos Sete Pontos que vimos no post anterior da série, com a diferença que aqui vamos pensar apenas no começo, meio e fim da história.
Sim, só isso. Você pode escrever palavras-chave, uma frase, um parágrafo (pequeno ou grande) ou mesmo uma página sobre cada etapa. Até mesmo várias páginas, se quiser, tudo vai depender do nível de detalhes que você deseja dar a seu planejamento.
Apenas não esqueça do que deve ter em cada etapa:
a) Começo: apresentação de personagens, cenários, trama principal e subtramas mais importantes. Normalmente, corresponde ao primeiro quarto (25%) da história.
b) Meio: complicação dos conflitos, entrelaçamento das subtramas entre si e com a trama principal, desenvolvimento e relacionamento dos personagens entre si. Corresponde aos dois quartos seguintes da história (25 a 75%).
c) Fim: percepção de como os personagens mudaram e cresceram ao longo da jornada, resolução dos conflitos e tramas sem deixar pontas soltas, exceto em casos de histórias que terão continuação (caso em que, geralmente, temos o encerramento de uma ou algumas subtramas e outras continuam em aberto, terminando com um gancho para manter o leitor interessado na próxima parte). Equivale ao quarto final da história.

É um método bem mais rápido e direto ao ponto, perfeito para quem nunca planejou nenhuma história, mas deseja começar a fazê-lo por não ter maiores passos a seguir e, portanto, não ser tão cansativo à primeira vista.
Permite ter uma visão geral da história de forma rápida (sobretudo se você vai colocar apenas frases), mas peca muito em minha opinião por não nos deixar nenhum campo específico para desenvolvimento de personagens; o que não nos impede de fazer isso conforme a história avança, abrindo parênteses para contar aspectos relevantes da personalidade ou história do personagem que seja relevante para cada parte do enredo e, depois, construir fichas específicas para eles.
Os planejadores (plotters), assim como eu, podem achar o método um pouco vago, mas como há sempre a opção de começar pequeno (com frases) e ir aumentando para uma página ou mais, acredito que valha a pena a tentativa (principalmente com histórias mais curtas, com menos subtramas e detalhes a acrescentar).
Já os improvisadores (pantsers) e intermediários (plotsers) podem tirar mais vantagem do método, uma vez que ele permite ser bem resumido e colocar apenas o que é mais importante de cada etapa.

Viu como foi rapidinho? Até para falar dele é prático.


Agora vamos ao segundo método de hoje, o que eu usei por quase dez anos mesmo sem nem saber que tinha nome.

2) Outline de Capítulos
Para quem não manja da língua da Rainha, “outline” quer dizer esboço, formato, rascunho. É empregado com mais frequência nas artes plásticas, quando os pintores (principalmente) primeiro fazem um desenho (normalmente a lápis) da obra apenas para ter um norte antes de pôr, para valer, a tinta na tela.
A literatura meio que se apropriou do termo com o passar dos anos, usando-o para designar o planejamento da história, que permite uma visualização de como ela será antes de começarmos a escrever de fato. Podemos fazer um outline geral, da história como um todo usando diferentes métodos (inclusive o Excel, como veremos futuramente), ou um de capítulos, como veremos agora.
Basicamente, você vai escrever um resumo do que vai colocar em cada capítulo, podendo ser também palavras-chave, pedaços de diálogo ou uma “mini-sinopse” do que deve ter em cada um. Planejar sua história por capítulos traz algumas vantagens interessantes, mas também uma desvantagem bem tensa.
A vantagem é que pode ajudar você até a escolher como nomear o capítulo, ou que tipo de tom ou emoção imprimir em sua escrita. Mas a desvantagem é que esse método, se utilizado sozinho, pode tirar um pouco de você a perspectiva da macroestrutura da história.
“Mas hein?”
Calma, vamos por partes.
Toda história tem uma estrutura maior, a macro (o enredo como um todo, começo, meio e fim, pontos de virada, etc.) e as microestruturas (que são os capítulos).
O ideal é que seu capítulo também siga uma estrutura interna que seja instigante. Ou seja, além de começo, meio e fim; é interessante que ele tenha um ponto-alto, um momento que instigue o leitor a prosseguir na leitura (normalmente, o gancho é o final dele, que deixará o leitor curioso pelo próximo).
E aqui entra o que, a meu ver, é o principal defeito desse método. Se você não tomar cuidado, vai ficar pensando o tempo todo apenas na microestrutura e perder a estrutura mais geral da história. Foi o que aconteceu comigo em várias histórias.
Os capítulos tinham ganchos bons entre um e outro, mas quando eu me afastava para ver o todo, ficava parecendo que as tramas ficavam soltas entre si, não tinha pontos de virada nos momentos certos (ou ficavam muito pertos um dos outros, ou espaçados demais) e alguns conflitos ou se resolviam logo ou demoravam muito para isso.
Uma boa sugestão é você utilizar o outline de capítulos em associação com outro método, porque aí sim você poderá pensar com cuidado tanto na estrutura maior da história quando na dos capítulos.
Este método é bom para plotters porque te permite ter uma ideia de quantos capítulos a história terá, quanto tempo leva para algumas tramas se resolverem e facilita pensar sua história também de forma mais dedicada: capítulo a capítulo, cena a cena.
Para pantsers, também é útil porque você pode só fazer um resumo dos capítulos importantes para não esquecer nada e deixar a imaginação rolar no resto.
E os plotsers se beneficiam também porque podem planejar macro e microestrutura de forma bem resumida mesmo sem deixar de lado a improvisação.


Por hoje é só, pessoal. Espero que tenham gostado.
Mês que vem, voltamos com um método que eu nem sequer conhecia antes de começar a pesquisar, mas achei bem interessante quando me debrucei mais sobre ele: o Método Flashlight.
Beijos e até o próximo post.
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Como Escrever Histórias em Formato de Diário

domingo, 12 de abril de 2020

Por: queijo e uvas passas


Olá novamente! Aqui quem escreve é a beta queijo e uvas passas.
Nessa quarentena, que tal arriscar-se escrevendo alguma coisa diferente? Quem sabe uma história escrita em formato de diário? Tem interesse, mas não sabe como fazer isso? Tudo bem, estou aqui para te ajudar. *piscadinha*
Primeiramente, as histórias escritas dessa forma costumam possuir indicação de data com dia, mês e ano e uma assinatura no final do registro, e também são escritas em primeira pessoa. Por exemplo:
07/08/2005 (data)
Querido diário,
Hoje briguei com mamãe. Foi horrível! [continua...]
Por hoje é só.
Com carinho, queijo e uvas passas. (assinatura no final)
Contudo, esse é apenas o formato do diário. Escrever a história requer cuidados e, para planejar-se antes de iniciar sua jornada, tenho algumas perguntas que podem lhe auxiliar.

1)      Quem é o dono do diário?
É muito importante pensar no personagem, como ele será e, talvez o mais relevante, como verá a si próprio. Pense nas características mais relevantes sobre ele e, ao longo da narrativa, vá apresentando ao leitor. Se o protagonista tem uma autoestima muito baixa (e isso é importante para a história!), deixe implícito fazendo pequenos apontamentos: “me olhei no espelho ao acordar e minha aparência estava horrível”, “como ele poderia gostar de mim? É mil vezes mais bonito que eu!”.
Apresentar as características do personagem desse modo é mais realista, afinal ninguém começaria um diário escrevendo que é introvertido ou extrovertido, lindo ou feio, etc. A pessoa apenas contaria sua vida e a sua personalidade iria se revelando aos poucos.
Talvez seja relevante o protagonista falar sobre o contexto em que vive, mas isso depende bastante da história. Aqui usarei como exemplo o diário mais famoso da história: O Diário de Anne Frank. Tudo que ocorria ao redor dela, como o holocausto, a ascensão e a queda do nazismo, a perseguição aos judeus era muito importante para ela e para que ela pudesse contar sua história no diário. Todavia, será que todo esse contexto seria tão notório e considerável se Anne não fosse judia? Se a menina estivesse à parte dessa situação, talvez todos esses fatos não tivessem sido citados.

2)      Como ele se apresentará aos leitores?
Como eu disse na primeira pergunta, é de extrema importância a visão que o protagonista possui de si mesmo. Isso determinará como os leitores o verão. “Mas como assim?” você pode perguntar. Veja bem, se fosse uma história menos pessoal, talvez escrita em terceira pessoa, poderíamos tirar nossas próprias conclusões sobre os personagens e as situações ao ler as histórias. Porém é um diário, o qual é escrito em primeira pessoa, o que significa que, de certa forma, seremos influenciados pelas visões pessoais do protagonista. Ou seja, o modo como ele percebe as coisas e a si mesmo afeta a nossa percepção enquanto leitores. Por isso, planeje bem o modo como o protagonista perceberá o mundo, porque ele será os olhos dos leitores!

3)      Irá interagir com o diário ou apenas escrever?
No exemplo de datação e assinatura que dei acima, o personagem referiu-se ao diário por meio daquela expressão bem conhecida “Querido diário”. Essa seria uma forma de interação com o diário. No caso de O Diário de Anne Frank, foi atribuído o nome de Kitty ao diário e era assim que Anne se referia a ele. Você, assim como ela, pode inventar diferentes maneiras para que o seu protagonista dirija-se ao diário. Ou pode não usar esse recurso. Pode apenas colocar a data e então escrever.
O que determina o que você fará, além de querer ou não, é claro, é a personalidade do protagonista, bem como a idade que também deve ser levada em consideração. Uma menina de 11 anos escrevendo “Querido diário” é comum, mas uma mulher de 35, mais madura, provavelmente não interagiria com o diário.

4)      Em que momento o protagonista ganhará ou comprará o diário?
Alguém deu o diário ao protagonista? Em que contexto? Quem deu? Isso tem algum significado? De repente o responsável por ele deu o diário por recomendação do psicólogo. Ou o personagem pode ter percebido que precisava desabafar e comprou um diário para si.
É interessante começar os registros no dia em que foi recebido, assim pode contar tudo isso e também quais são as pretensões quanto ao diário: vai tentar escrever todo dia? Ou pretende apenas registrar se algo extraordinário acontecer no dia? Está contente com o diário ou ficou aborrecido? No caso de ter recebido como presente, gosta da pessoa que o presenteou? No caso de ter comprado, está satisfeito com a compra ou arrependeu-se?

5)      Qual a motivação do protagonista em fazer os registros diários?
Certo, você tem o protagonista, tem o diário, tem o contexto todo da história. Contudo o que motiva o protagonista a escrever? É recomendação do psicólogo, como sugeri antes? Ou apenas um meio de se expressar? O personagem se sente aliviado a escrever, sendo uma espécie de terapia?
É relevante que o protagonista tenha um motivo e que seja explícito, isso acrescenta propósito à história.

6)      Qual é a história a ser contada?
Essa questão está intimamente atrelada à anterior. Se a história possui propósito é porque ela é importante e merece ser contada. Então, qual é a história desse protagonista?
Está dando a volta ao mundo em uma expedição fantástica? Está vivendo uma pandemia (cof cof covid-19)? Ou algum momento histórico como uma guerra? Talvez seja apenas um adolescente descobrindo-se sexualmente, por que não? Ou um homem que leva uma vida monótona até descobrir o propósito da sua vida. Há inúmeras possibilidades, infinitas histórias a serem contadas. Sejam elas “grandiosas” ou não, todas merecem ser contadas.
Agora, vamos ver algumas dicas! J

Mantenha a personalidade do protagonista! Se ele começou a história com autoestima baixa, como pode terminar se amando sem ter havido uma mudança clara quanto a isso? O personagem vai amadurecer e se desenvolver, mas isso não é da noite para o dia, é um processo, por isso tenha cuidado. E se por acaso algum dia ele for levantar sentindo-se bem sem motivo aparente, precisa deixar claro que é uma situação inusitada (até porque somos humanos e às vezes acordamos com sentimentos e sensações distintas dos que costumamos sentir).

Lembre-se de que o leitor não conhece o universo fictício do diário. Por isso, tenha cuidado para situá-lo e explicar situações que podem não ficar claras por si só. Se o personagem mal fala com o padrasto, é interessante explicar o porquê, quando isso começou e etc.; assim, os leitores entenderão porque ambos se desgostam e, consequentemente, porque não há interação animosa entre ambos.

O recurso de flashbacks é muito legal para explicar essas situações do passado. E também tem o chamado fluxo de consciência, no qual o protagonista reflete sobre eventos passados com a sua atual consciência e comparando-a o que sentiu na época. Utilizando-se do exemplo acima, você poderia, por exemplo, descrever uma cena de briga entre o padrasto e protagonista ocorrida há cinco anos e, após, fazer questionamentos sobre o que levou a tudo, de quem foi a verdadeira culpa, se houve de fato apenas um culpado.

Outro aspecto a ser considerado no planejamento, e isso depende bastante da história a ser escrita, é o de protagonista possuir algum segredo oculto até mesmo do próprio diário. A revelação bombástica pode levar ao clímax da história se for bem trabalhado.
Bom, creio que dei todos os conselhos que pude! Hehe Espero ter ajudado a todos que leram.
Até mais ver! <3
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Como escrever cenas de guerra

domingo, 5 de abril de 2020


Por: Izabel Hiddlesworth


APRESENTAÇÃO

Olá, queridos leitores, tudo bem? Eu sou a Izabel Hiddlesworth e dessa vez vim aqui no Blog atender a um pedido de vocês. Vou passar dicas de como escrever cenas de guerra, com foco em táticas, yay!
Acredito que cenas de conflito estão no top 3 de “terror dos autores”. Por isso, essas dicas vão ser mais generalizadas. Assim vocês poderão aplicar para qualquer época/configuração de mundo/tipo de armas. Mas eu ainda vou soltar algumas mais específicas, ok?
De modo geral, nós vamos passar pelo planejamento e desenvolvimento de ataque/defesa, a divisão de frentes e o movimento delas e a interação com o inimigo. Construção de motivos de guerra, trabalho de sentimentos, relações de personagens e etc não vão aparecer aqui, mas vocês podem buscar por essas dicas em outros artigos do nosso Blog.
Ao longo dos séculos, as estratégias e táticas militares foram se aprimorando, o que levou a muitas oscilações de princípios de guerra de um líder militar para outro. Nesse artigo, eu tomei como base os princípios mais gerais utilizados atualmente. Eles vão permear os nossos dias, e lá no final, na seção de materiais de apoio, vou deixar links com a listagem na íntegra, certo?
Importante lembrar que aqui vamos focar em táticas (escala micro), não em estratégias (escala macro). O que não quer dizer que a tática pode trabalhar completamente isolada da estratégia, hein. A estratégia cria a base para o trabalho tático.
O artigo está dividido em três seções maiores que também não pode trabalhar isoladas uma da outra. Você vai perceber que todas estão intimamente conectadas, e que as dicas pedem que você as alinhave para criar uma tática completa.
Ok, tudo pronto? Vamos lá!



DOS SOLDADOS

O equipamento pessoal

Essa é uma das partes que varia muito dependendo da época/mundo em que sua guerra se passa. O equipamento pessoal abrange desde as vestimentas até as armas e acessórios. Esse quite muda de acordo com a posição do soldado dentro das divisões da força e o território em que ele vai ser inserido. Essa é a condição ideal, mas pode ser que as coisas não saiam como o planejado, o que vai gerar desvantagens para o soldado.
Imagine, por exemplo, um cavaleiro com armadura e cota de malha lutando a pé em um terreno lamacento sob chuva. Ou um soldado com vestimentas leves na infantaria recebendo uma saraivada de balas. Morte certa, não é? Um exército tem um quite de equipamento padrão, que sofre poucas variações de um setor para outro; é difícil estar total e completamente preparado para qualquer tipo de artilharia inimiga e condições de terreno.
Ok, e as armas? Assim como os uniformes, cada exército tem um leque de artilharia disponível de acordo com o poderio tecnológico da nação que ele defende. É muito bacana usar os nomes das armas (se o seu mundo for original, invente nomes para elas!), porque deixa a descrição mais palpável e menos repetitiva. As armas também variam de acordo com a posição e patente, e geram vantagens/desvantagens. Nessa parte, é preciso levar em conta tamanho, peso e alcance (curto, médio e longo).

Para as cenas é importante: apresentar o quite de equipamento para o leitor e expor vantagens e desvantagens em relação ao equipamento inimigo e às condições do campo de batalha.


As divisões

A configuração das divisões muda de época para época. Nos primórdios, os exércitos eram compostos por fazendeiros despreparados, juntos numa massa só. Nas guerras mundiais, temos exércitos enormes estruturados em unidades grandes e articuladas o bastante para desempenhar operações separada e concomitantemente (daí, várias frentes de guerra).
E como as unidades são formadas? Escolhe-se uma artilharia principal (um conjunto de uma mesma arma) e então as divisões que darão apoio a esse tipo de artilharia. Basicamente, uma unidade trabalha sobre o planejamento de um ataque combinado. Até aqui tudo bem?
Partimos para as divisões. Aqui temos, na ordem de posição e de modo geral:
1.     Infantaria: “paredão” de linha de frente, é o primeiro choque com o inimigo.
2.     Cavalaria: soldados “montados”. Nos exércitos antigos, o tamanho da cavalaria evidenciava o poder econômico daquele exército.
3.     Blindada: soldados em carros de campanha/tanques.
4.     Artilharia: atiradores, equipados para dizimar o exército inimigo.
Em 1, o objetivo é, dependendo se o exército está em modo de ataque ou defesa, abrir terreno, ou impedir o avanço inimigo. Assim, 2 fica como reforço da 1.ª ou na 2.ª linha de frente, ou então na retaguarda. A tarefa da cavalaria é abrir brechas nas linhas inimigas, quebrando sua organização. Importante ressaltar aqui que “cavalaria” não necessariamente se refere a cavalos ou outros tipos de montaria. Pode se referir ao uso de aviões e a veículos blindados, o que nos leva ao item 3.
Em 3, o objetivo é basicamente o mesmo de 2. Essa divisão pode, inclusive, excluir a 2 e/ou a 1. Ela também pode ter uma unidade “mecanizada” de apoio (terrestre ou não).
E finalmente chegamos no item 4. A artilharia é tão importante que pode constituir uma unidade inteira sozinha. Aqui são colocadas as armas mais potentes com o objetivo de concentrar o poder de fogo. O general no comando é como um maestro, ele coordena o momento e o tempo que cada linha de artilharia vai operar.
Na estratégia que você vai bolar para a história, suas unidades não precisam ser todas iguais nem ter todos esses itens. As táticas talvez variem de unidade para unidade, e pode ser que, dependendo das configurações que você adotar, haja necessidade de movimentos combinados entre duas ou mais unidades. E aqui puxo uma observação para o item anterior: o equipamento do soldado de uma divisão é diferente em relação ao colega de outra, mesmo que eles sirvam a um mesmo exército.

Para as cenas é importante: permitir que o leitor visualize a formação que você escolheu para as unidades, e como o ataque/a defesa (a tática, por assim dizer) é coordenado a partir das divisões que ela possui; a justificativa para o equipamento está aqui.




DO PLANEJAMENTO

O estopim

Como tudo, a guerra também começa com um planejamento, que, claro, está suscetível a mudanças (e mudanças bruscas!). Esse “prólogo” deve contar com itens como frentes de ataque/defesa, divisão de forças, estudo do terreno de campanha, levantamento de possíveis falhas e estimativa de resultados. Na guerra, menos é mais, por isso, um dos princípios é manter a simplicidade, tendo em mente a alta moral e os objetivos mais importantes.
O primeiro conflito é uma das partes mais cruciais, vamos dizer assim. Ele vai redirecionar o planejamento dos próximos passos e, provavelmente, redefinir a urgência dos objetivos. Aqui, tem-se duas opções: 1) proporção de 1 para 1; 2) proporção de 3 para 1. Ok, mas o que isso significa? A proporção diz respeito à quantidade de unidades que vão ser enviadas. Na opção 1, uma unidade sua combate uma unidade inimiga, e a probabilidade de ganho e perda começa igual para os dois lados. Já na opção 2, você envia duas ou mais unidades suas para combater uma unidade inimiga, e a sua probabilidade de perda vai ser menor. Lembrando sempre que o andar da guerra é imprevisível, e pode ser que seu inimigo aposte em mais unidades nesse passo inicial.
Pensando no terreno, tem-se três configurações: 1) A (seu lado) ataca e B defende o território; 2) A defende o território e B ataca; 3) A e B atacam em território neutro. Na configuração 1, B tem vantagem sobre o território (espaço), mas A pode deter o fator surpresa (tempo). Na 2, se o seu lado está defendendo o espaço, supõe-se que há uma vantagem de tempo para o preparo de armadilhas e o fator de familiaridade com o terreno. Na 3, A ou B precisam tomar a iniciativa inicial, e não há vantagens territoriais para nenhum dos dois.
Naturalmente, A e B terão conhecimentos de informações prévias (falsas ou verdadeiras) sobre a estratégia de um e de outro. Então, dependendo de como a estratégia está funcionando (quantas frentes de batalha estão abertas ao mesmo tempo), os lados podem empregar ataque/defesa aéreo, marítimo, terrestre (várias unidades de configurações diferentes) e pensar no tipo de artilharia explorando os pontos fortes e fracos do inimigo.
Você deve levar em consideração que é apenas o começo da guerra. Embora ganhar ou manter vantagens seja importante, poupar seus recursos (soldados e artilharia, principalmente) é mais. Afinal, ninguém sabe como a guerra vai terminar, não é? (Tudo bem, você sabe porque é o autor). Então, o primeiro conflito deve trabalhar com o básico: não se expor demais, não gastar demais, ser prático e direto.

Para as cenas é importante: apresentar o saldo do conflito ao leitor e dar pistas (ou esclarecer) do que isso representa e influência no planejamento. O leitor deve ser levado a entender essa justificativa satisfaz as escolhas tomadas para os próximos passos.


Os próximos passos

Depois do primeiro encontro, o planejamento se torna um tanto mais complexo. É preciso avaliar os resultados antes de mexer nos cálculos iniciais. A ganha ou perda de terreno influenciará muito aqui, bem como o conhecimento do modo de operação inimigo em batalha. Por isso, de novo, é importante ter planos simples e flexíveis, poupando o máximo de recursos possível.
As táticas podem sofrer alterações, por exemplo, na montagem das unidades, ou na combinação de duas ou mais unidades. Você sempre vai depender das ações inimigas, do terreno, das condições meteorológicas e dos recursos ainda disponíveis.
 Depois de cada conflito, o ciclo é: calcular resultados e recalcular o planejamento dos próximos.

Para as cenas é importante: justificar as tomadas de decisões. Essas decisões podem ser prejudiciais ou não no futuro, podem ser muito racionais ou desesperadas, mas precisam ser justificadas.



DO ESPAÇO/TEMPO

O terreno

 Nas seções anteriores, nós passamos brevemente por menções ao terreno de batalha, mas já deu para ter noção da importância de se ter conhecimento sobre ele, não é? Para começar, o pensamento de “tudo muda o tempo todo” também precisa ser aplicado aqui. O terreno muda a cada batalha.
 De maneira superficial, ele pode ser influenciado pelos destroços gerados pelo confronto (destroços causados por explosões, restos de munição, corpos), pela ação humana (sabe como o gramado fica depois de um jogo de futebol?) e pelas condições meteorológicas (antes, durante e depois). Além disso, voltando nas passagens sobre vantagem de espaço, o terreno pode ser alterado antes mesmo da batalha.
 E como isso acontece? Só com armadilhas para a força inimiga? Não, você tem muitas maneiras de aproveitar essa vantagem. Suas unidades podem cavar trincheiras, erguer barricadas, arquitetar casamatas ou abrigos subterrâneos mais simples, e há várias formas de se usar essas estruturas também, só depende da tática adotada (como as unidades coordenarão o ataque entre si).
 As trincheiras, por exemplo, eram utilizadas uma passagem (pular dentro para se proteger, sair correndo para atacar), mas então se tornaram pontos importantes para a artilharia trabalhar com mais segurança e tempo para mira. As barricadas podem ser construídas com destroços encontrados no próprio terreno. Os abrigos subterrâneos fornecem proteção contra o fogo inimigo em turno longo, e podem servir de rota para o reabastecimento de homens e munições nas linhas de frente; e as casamatas, além disso, servem como pequenas fortificações.

Para as cenas é importante: descrever a aparência do terreno (é interessante fazer um paralelo entre a aparência “original” e a tocada pela guerra). Evidenciar mudanças ao longo do desenvolvimento da guerra, inclusive em relação a perda/conquista de espaço. Apontar vantagens e desvantagens para os soldados e seus equipamentos, bem como para a formação e coordenação das unidades.


A duração da guerra

 Para mim, as coisas duram o quanto tiverem de durar. Mas Julio Cortázar é da opinião de que “Tudo sempre dura um pouco mais do que deveria” (tudo bem, às vezes eu acho que ele tem razão).
 O primeiro conflito vai dar uma noção (pouco ou muito vaga) sobre o tempo de duração da sua guerra. Mas aqui é preciso pensar na estratégia, nos recursos disponíveis (por exemplo, o exército tem munição para quanto tempo?), na resistência que o terreno exige e na sua manutenção, na dificuldade do alcance dos objetivos principais.
 A eficiência da estratégia e das táticas, as mudanças do entorno diplomático da guerra e do planejamento vão determinar a duração. Alguns conflitos foram resolvidos em apenas um dia, mas também temos guerras que duraram anos e anos! É importante observar que essas guerras mais demoradas tiveram batalhas igualmente demoradas (de durar semanas!).

Para as cenas é importante: passar estimativas (mesmo que vagas) da duração da guerra/das batalhas para o leitor. Evidenciar os lucros e prejuízos provocados pela extensão desse período. Observar o fator de resistência da tática inicial e das que se seguem.


Os turnos

 Uma guerra de verdade claramente não é como um joguinho daqueles de celular, não é? O que eu quero dizer é: os turnos não são alternados com “você ataca primeiro e eu espero, depois é minha vez”. Não tem essa. Como também não tem nada de “Vamos combinar de lutar hora tal no dia tal”.
 De novo, um lado pode ter (e vai ter mesmo) informações prévias sobre o outro, verdadeiras ou falsa. Não vamos entrar no mérito de saber como essas informações chegaram, só vamos contar com elas. Isso pode nortear o dia, horário e local de uma batalha, da abertura de uma frente de guerra. Mas nem todas vão ser assim.
 Os turnos prioritários são os de ataque, e os de defesa são encaixados entre eles. Note que defesa aqui não é estar no campo de batalha segurando o inimigo. É o momento de vigiar enquanto os soldados descansam, os feridos são tratados, os mortos, contados e a tática reavaliada.
 Nessa parte, o princípio da surpresa e o julgamento correto da hora certa de empreender o ataque são importantes. E além deles, os objetivos de cada ataque: destruir um grupo de divisões (a artilharia, por exemplo) das unidades inimigas, destruir seus recursos, exaurir o inimigo, exterminá-lo. Esse direcionamento rege o horário do turno e a duração dele, servindo como base para os próximos passos da empreitada e como a tática vai funcionar.

Para as cenas é importante: comentar a escala de turnos e justificá-la em termos de horário, organização posicional e objetivo. Coordenar os turnos de maneira que a tática faça sentido, fazendo paralelos com outras frentes de guerra.



ENCERRAMENTO

Exemplos

 Para encerrar, eu colhi alguns exemplos para vocês entenderem como todos esses elementos que nós vimos vão conversar entre eles para criar a tática.

1.º “O Rei
 Esse é um filme da Netflix do ano passado que retrata eventos históricos da vida de Henrique V da Inglaterra. No enredo há a batalha de Azincourt, travada entre ingleses e franceses em território francês. Durante dias, os dois lados esperam pela rendição do outro, até que decidem que haverá luta. A tática dos ingleses é planejada então de acordo com as condições meteorológicas (a promessa é chuva para a noite anterior ao conflito) e de como isso afetará o campo, bem como os empecilhos que isso trará à força inimiga (fortemente munida de armaduras e montarias). Enquanto uma divisão do exército de Henrique V enfrenta os franceses a pé e sem armaduras (para se movimentar com mais facilidade!), outra munida de arcos e flechas (a artilharia!) ataca na retaguarda.

2.º Segunda Guerra Mundial
 Na 2.º GM, os países montavam estratégias que uniam todas as Forças (Exército, Marinha e Aeronáutica), coordenando suas ações entre turnos. Uma das táticas alemãs, por exemplo, consistia em abrir fogo com bombardeios primeiro e então enviar os tanques para abrir a defesa inimiga. Depois, as divisões seguintes entravam em cena para ocupar o território.


Conhecendo a guerra

 Mesmo que sua história se passe em um mundo original ou muito diferente do nosso mundo, buscar exemplos em guerras na história é muito proveitoso. Alimente-se de filmes, documentários, artigos de historiadores e depoimentos de sobreviventes e pesquise sobre a organização das forças de cada época.


 Bem, é isso soldados! Espero que esse artigo tenha sido de ajuda e que vocês possam aprender e se divertir muito escrevendo suas cenas.
 Nos vemos por aí!


MATERIAIS DE APOIO
2. https://super.abril.com.br/historia/a-arte-da-guerra/. Acesso em 30 de março de 2020.

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