4 Dicas para Criar Personagens

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Por: Servine HXP



Olá pessoal

Sou ServineHXP, membro da liga dos betas e hoje vamos tentar dar algumas ideias do que você pode fazer para deixar seu personagem mais “próximo” de seus leitores.

Vamos lembrar que nada é uma regra e que muita coisa na arte da escrita é subjetiva, porém eu sinceramente recomendaria muito para pessoas mais iniciantes não começarem tentando quebrar todos os paradigmas da literatura.


1 – Saiba para quem você escreve.

Pensemos em um exemplo para dar início a esse primeiro.

Talvez você ainda se lembre daquela saga adolescente que tanta gente amava e tanta gente ainda odeia nomeada de Crepúsculo, não?

Quando a autora foi escrever o livro dela, ela tinha em mente que ela queria escrever para adolescentes, pessoas cheias de hormônios (e que normalmente tem grandes expectativas no amor… doce ilusão).

Os vampiros sempre estiveram enraizados com a ideia do terror e horror, só que não faria sentido para uma pessoa que realmente quer vender muito investir num gênero que nem entre os adultos faz tanto sucesso assim, logo, ela foi direto no romance (só você entrar na página inicial do Nyah! Que você constata quanto o povo adora esse tema).

Ela criou uma personagem insegura, que vive aquele amor avassalador, que tem um sonho de princesa e no fim um final feliz. E acredite que tem muita gente que se identifica com isso.

Você pode até não concordar, entretanto, para milhares de pessoas, a Bella é bem carismática…

Bem, saiba mais ou menos quem vai ler a sua história e se pergunte: o que essas pessoas querem ler? Que tipo de personagens elas querem ver?


2 – Faça um personagem que saiba reagir e agir

Sabe uma coisa incrível que eu descobri? As pessoas, nem mesmo frente à morte de um ser humano têm a mesma reação; e não só isso, descobri que chorar não é um indicador certeiro do quanto alguém está sofrendo. Pode morrer um parente bem próximo, mesmo assim, caso você não chore, não quer dizer que você não está sofrendo. Li isso num blog de psicologia.

O personagem não chora por nada, porém para realmente mostrar que ele tá sofrendo você o coloca aos prantos (o que não é nem de longe errado); mas será que isso é realmente necessário? Talvez o seu personagem simplesmente não seja o do tipo que chora, e nem por razões extremas ele o faria.

Às vezes abrir mão do que é mais comum para dar ao seu personagem o próprio jeito de fazer as coisas é o melhor. Ele tem que seguir seu próprio ser e não o que é mais recorrente ou que faria mais sentido para nós (autores e leitores), afinal, ele é outro ser.

E isso não só reflete em como ele reage a acontecimentos, mas também como ele encara a vida. Talvez o seu personagem, andando por uma rua, veria coisas que você não veria, e é isso que torna algumas cenas tão interessantes.

Imagina um personagem andando na rua, o que você poderia descrever ali que seria interessante? Talvez você só descrevesse a rua de maneira normal falando que era movimentada e cinza, quando, na verdade, seu personagem é uma pessoa que fica muito em casa e quando sai na rua fica muito acanhado, então ele sairia na rua e olharia para as pessoas tentando estudá-las melhor. Nessa andança ele falaria das feições das pessoas em vez de focar na rua propriamente dita.

E isso é tão básico sobre construção de personagem que de vez em quando a gente até esquece, e é muito legal pois permite o leitor imergir em ser aquela pessoa por um tempo, ter outros horizontes seguindo sempre o que foi proposto para aquele tipo de personalidade.

É uma daquelas coisas que você só se dá conta quando cai a ficha.

Resumindo: realmente tente olhar o mundo pelos olhos do seu personagem e sempre tente mantê-lo coerente.


3 – Escreva sobre quem é importante

Imagine o seguinte: você é um escritor de fantasia e você passa meses criando um mundo para se passar a história; cria raças, cria línguas diferentes para acompanhar as culturas, cria os monstros, o vilão maligno mais das trevas que sua mente consegue imaginar, e também cria um certo grupinho que você decide que vai caçar o tal vilão — só que eles nunca tiveram sucesso em derrotar essa força do mal porque eles não têm o poder necessário. De todas as raças que você criou, de todas as possibilidades que foram postas você cria o protagonista humano, bem genérico mesmo e nem é tão diferente de um qualquer que você visse na rua, que talvez use uma espada e que não tem nada a ver com o vilão. Você já até pensou em como vai amarrá-lo para forçá-lo a derrotar as forças do mal. Ok… Mas por quê?

Por que eu tenho que viver a pele do personagem mais normalzinho da tropa? Por que não uma das milhares de raças ou então um cara daquele grupo que tava caçando o antagonista?

Você pode pensar: tá o que isso tem a ver?

Você tem mais chances de se sentir instigado a ler para saber sobre uma raça que você não conhece do que um humanozinho comum. Tende-se a criar mais perguntas e essas perguntas prendem a atenção do leitor.

Tá o que isso tem a ver comigo que não escrevo fantasia?

Vamos pensar num romance.

Imagina o cenário: você cria a pior de todas as famílias para o seu personagem, cria traumas, pensamentos e pontos fracos; você é ainda pior e fica maquinando como fazer ainda mais infernal a vida desse pobre ser. Aí você cria a protagonista que é a garota que acabou de se mudar para a casa ao lado… E o pior: toda essa treta de família muitas vezes até já acabou, o personagem só tá sentindo as consequências de tudo que já passou, ele já tá adulto e trabalhando.

Não era mais fácil ter deixado o protagonista ser o garoto que estava sofrendo e colocar todo esse sofrimento no tempo presente?

Essa coisa pode dar uma boa história de investigação? Pode. Mas se o foco não é investigação (que não é sinônimo de manter a atenção do leitor, pois só por ter mistério não significa que as pessoas vão se sentir instigadas. Eu vi fanfics, e até alguns livros, que tentam vender uns mistérios que não tem muito sentido; o mistério começa quando você lê a sinopse e pergunta: mas sobre o que diabos essa história se trata? Mas em vez de clicar para saber, as pessoas só passam para a próxima).

Vou contar uma história com spoilers sobre um anime, porém deem uma chance que vai valer a pena:

Tokyo Ghoul é um anime/mangá que conta a história sobre um mundo onde a cidade capital do Japão é habitada por outros seres além de humanos, os ghouls. Ela é dividida em distritos, alguns mais perigosos que outros. O protagonista vive num distrito relativamente seguro, entretanto ultimamente tem acontecido muitos ataques na região, devido a essa criatura que está atacando desenfreadamente. Ghouls são como vampiros, só que eles precisam da carne e não só do sangue (tem alguns que comem cadáveres em vez de gente viva, mas enfim).

Ele, nessa época, estava a fim de uma garota chamada Rize, e certo dia ele descobre que ela está lendo o mesmo livro que ele e os dois marcam de sair. O passeio é muito bom, só que à noite, depois do rolê, ela fala que mora perto de um dos locais onde aconteceu um ataque e que está com medo de voltar sozinha e pede para ser acompanhada. Num beco escuro, os dois começam a conversar e então ela se revela sendo um ghoul e tenta matar o protagonista; ela o perfura com uma espécie de tentáculo e então, para o azar da moça, eles estavam perto de uma construção e várias vigas de metal caem sobre ela.

No hospital o médico pega os órgãos da moça e transferem para o protagonista que estava morrendo pela perfuração, então, ele acorda e tem a belíssima surpresa de ter se transformado em um ghoul por causa dos tais órgãos.

Essa sinopse é basicamente o que vende o anime. Acho que quase todo mundo foi para assistir o anime já sabendo que isso acontece e é justamente a coisa que mais causa perguntas na obra porque você quer saber mais, você quer saber como as coisas vão se desenrolar a partir dali, pois Kaneki (o protagonista) já não é nem humano, mas não quer virar um monstro.

Isso são 10-12 minutos do primeiro episódio. E não precisaram apelar para suspense ou para aqueles tipos de sinopse em nível de: “O protagonista está prestes a sofrer uma mudança em sua vida, algo que vai mudá-lo para sempre. Uma situação. Ele teve sorte, ou nem tanto. E agora, ser humano ou ser um monstro?!” dois espaços e complementado com: “Leia para descobrir”.

Crie oportunidades de você demonstrar quem seu personagem é e isso se constrói com um enredo que normalmente tem algo acontecendo.

Façamos uma métrica fácil aqui: se o seu personagem tem mais treta no passado dele do que no presente e o maior atrativo da sua história é você descobrir sobre o passado dele, então talvez a sua história deveria se passar no passado do personagem em vez de anos depois, e com ele só sofrendo. Ver ele reagir é melhor do que ver só as consequências.


4 – Dicas da psicologia

Li alguns artigos sobre o que nos faz gostar das pessoas e achei algumas coisas muito boas de efeitos que você pode usar para criar essa identificação maior.

Essa dica é muito simples e eu sinto que vai ter gente que vai se chatear comigo, mas vamos botar as cartas na mesa, pessoal: o humor.

Não tem nada que aproxime mais uma pessoa da outra do que boas risadas. E muita coisa que o povo ama hoje em dia tem fortes raízes do humor. Mas calma, não tô falando para você criar um banco e fingir que é A Praça É Nossa. Todavia, uma ceninha aqui ou ali ajudam sim a dar aquela aproximada nas relações. E o ponto é igual ao que eu falei há alguns itens atrás: cada caso tem o seu específico.

Em Indiana Jones o herói não é um contador de piadas, só que ele tem azar no que faz, o que sempre acaba o colocando em situações embaraçosas.

Já para o Machado Assis o narrador irônico é o toque do humor. Nada de personagens fazendo macacadas por aí.

Duas histórias de duas mídias diferentes que não tem nada a ver. Mesmo assim ainda usam humor e os dois funcionam à sua maneira.

O outro é o efeito de mera exposição. Só por estar lá você começa a criar um certo apego.

E tô falando desse em específico para poder falar do Kishimoto, o criador de Naruto.

Ele usa uma coisa assim. Se você perceber, ele sempre introduz os personagens de um jeito específico.

Ele te expõe ao personagem, deixa que você se acostume com ele ali e então ele começa a explorá-lo, falar do passado, das dúvidas, das motivações… É um bom jeito de você criar uma certa relação para personagens.

Agora a lista dos outros efeitos legais a se comentar:

Fazer besteira é uma coisa que aproxima, segundo o artigo que li, e não só isso, mas também quando você reconhece que errou. Acho que é porque é fácil se identificar com isso, não?

Faça o seu personagem errar, falhar. Talvez numa característica ou num relacionamento que teve, enfim. Não o faça perfeito.

E o último é compartilhar segredos.

O que pode aproximar mais duas pessoas do que confiança, não é pessoal?

Teve até um experimento em que eles separaram grupos de estranhos e os colocaram para conversar, separando os tipos de perguntas entre pessoais e coisas mais recorrentes. E chegou-se à conclusão que as pessoas que tinham feito as perguntas mais pessoais se sentiam mais próximas do que as que fizeram perguntas do tipo: “O que você está achando do clima?”.


Bem, queria agradecer quem leu tudo até aqui e até aqueles que só deram uma olhada por cima, obrigado. Espero ter ajudado de alguma forma.

Nós vemos por aí. XD

2 comentários:

  1. Eu estou com uma dúvida é tipo eu quero fazer um fanfic sobre o filho de um personagem oficial(esses que foram inventados por outra pessoa) e tipo eu não sei se dou um nome que lembre o nome de seu pai ou se dou um nome diferente. E adorei bastante o post bem útil.

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    1. Oi! Acho que tudo depende das circunstâncias do nascimento da personagem e do que tu achas que tem um maior significado na história :)

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O blog da Liga é um espaço para ajudar os escritores iniciantes a colocarem suas ideias no papel da melhor maneira possível.



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