Entrevista: Evelyn Santana

Evelyn Santana se apaixonou ainda bem cedo pela literatura, mas foi apenas quando conheceu o autor Sidney Sheldon que decidiu entrar par...


Evelyn Santana se apaixonou ainda bem cedo pela literatura, mas foi apenas quando conheceu o autor Sidney Sheldon que decidiu entrar para o mundo da escrita. Escreveu seu primeiro livro com 16 anos de idade e hoje, aos 22, cursa Letras e trabalha como revisora. Doce Amargo é seu romance de estreia.

Liga dos Betas (LB): Antes de mais, obrigada por teres acedido a esta entrevista! Começando pelos inícios… Por que começaste a escrever? Quando começaste a partilhar as tuas histórias na Internet?
Evelyn Santana (ES): Eu comecei a escrever romances (histórias mais longas) em 2009. Estava passando por uma fase complicada e escrever foi um escape maior que a própria leitura. Pela primeira vez, eu pude controlar o curso da vida e me senti bem com a sensação.
Só fui compartilhar minhas histórias na internet, no entanto, alguns anos depois, em 2013.

LB: Mudou muito desde essa altura até agora, que acabas de publicar o teu primeiro romance, Doce Amargo? Como compararias as duas alturas?
ES: Mudei, sim. Doce Amargo é meu sexto romance, então a escrita é bem diferente da de antes, mas sinto que a essência é a mesma. Meus personagens cresceram junto comigo também, o que achei bem legal. No meu primeiro livro escrito, por exemplo, a proagonista é uma adolescente e tínhamos a mesma faixa etária. Em Doce Amargo, os protagonistas são adultos e mais velhos que eu.

LB: Como costuma ser o teu processo criativo? És a arquitecta que projecta os planos antes de começar, ou a jardineira que lança a semente e vai desenvolvendo conforme? Ou um pouco de ambos?
ES: Ah, amei a analogia! Posso utilizar no próximo livro? Hahahaha
Bem, quando começo, sempre quero dar uma de arquiteta e planejo tudo. Mas a jardineira em mim exclui a arquiteta da história. É sempre assim. No final, a história é 30% do que planejei e 70% do que os personagens fizeram com que fosse.

LB: Alguma vez, durante esse processo, tiveste de lidar com bloqueios criativos?
ES: Quase todos os dias Sim! Alguns dizem que é frescura esse lance de bloqueio, ou mesmo falta de interesse. Mas olha… não é! Os personagens mandam mesmo na história, então às vezes a gente fica sem rumo mesmo. Acho que isso é normal, nunca conheci um autor que não tivesse seus momentos complicados com o capítulo seguinte.

LB: E a revisão? Sabemos que é uma etapa que não ignoras, trabalhando tu mesma como revisora ou beta-reader de outros autores, mas como funciona quando estás do outro lado e a autora és tu?
ES: Pelo trabalho que tenho, sei bem a importância de um beta-reader durante o processo de escrita. Era minha beta, a Maira (que conheci lá no Nyah!, através de suas próprias histórias), que me ajudava a passar pelos momentos mais críticos de bloqueio criativo. Lembra que eu disse que a história é 30% do que planejei e 70% do que os personagens quiseram que fosse? Vou retificar essa proporção: 30% planos da autora, 25% planos da beta e 45% dos personagens. Hahahahaha
A Maira teve um peso enorme para DA ser como é hoje. Ela me dissuadiu de mil e uma ideias absurdas e me mostrou muitos caminhos a serem explorados. DA não seria o que é hoje sem ela.
Agora, revisão… hahahahaha
DA foi revisado 5 vezes antes de ir para a editora. Lá, ele passou pela revisão maravilhosa da Isie Fernandes, uma colega de trabalho maravilhosa em quem confio plenamente.
Revisão nunca é demais. Estou feliz por ter tirado o meu tempo e ter lido e relido o texto tantas vezes em vez de me precipitar e publicá-lo logo de uma vez.

LB: A ideia geral é que um autor é sempre um leitor… Que histórias, ou autores, podes dizer que mais te influenciaram? Ou simplesmente que mais gostas? (Nota: tanto livros quanto fics =) )
ES: Nossa, eu leio demais! Hahahahahaha
Por incrível que pareça, romance nem é meu gênero favorito, apesar de ser o que mais escrevo. Os meus queridinhos aqui na estante são Harlan Coben, Sidney Sheldon e Eduardo Spohr! Eu admiro muito o trabalho desses três!
Recentemente eu me vi engolfada por livros nacionais. Hahahaha Não li um único livro estrangeiro esse ano, apenas obras brasileiras, e isso trouxe mais uma autora ao hall de favoritos: Camila Pelegrini. Ela é incrivelmente perfeita.
No âmbito Nyah!/autores que conheci por lá: Tem a Maira, minha beta maravilhosa! A escrita dela é impecável e foi isso que me fez querê-la para me ajudar com DA. Olivia Vert, uma autora de romance policial que… uau! A maturidade da narrativa é impressionante, poucas pessoas escrevem tão bem quanto ela. E a Clara de Assis, coleguinha de Liga, que conheci pelo Nyah! também, mas já li quase todos os livros que ela publicou (até revisei alguns deles). Ela é incrível, detalhista e os diálogos que escreve são sagazes a um nível sobre-humano.

LB: Além de livros, tens também o hábito de ler fanfics?
ES: Acho que respondi lá em cima. Hahahahahaha’
Eu tenho, sim! Nos últimos tempos, com o trabalho e os projetos de livros, estou meio em off no Nyah!, mas tenho fanfics que acompanho, comento e recomendo, sim! Adoro aquele site e não consigo mesmo largá-lo.

LB: Este ano foi possível encontrar-te com o teu romance de estreia na Bienal… Como foi a experiência? Podes falar um pouco sobre Doce Amargo?
ES: Foi uma experiência maravilhosa! Foi quando eu me senti autora de verdade. Uma moça entrou no estande, se interessou pelo meu livro, comprou e depois tocou o meu braço com um: “Moça, acabei de comprar o seu livro, será que você pode autografar pra mim?”
Eu sequer sabia o que escrever. Hahahahaha’ Mas foi perfeito. Eu adorei cada leitor novo que conquistei e a oportunidade de, pela primeira vez, poder abraçá-los em vez de apenas trocar umas palavras pela internet.
Fui a São Paulo sem esperar muita coisa, mas olha… eu me surpreendi de forma inenarrável. Conheci pessoas maravilhosas e fiz amigos que levarei para a vida.

LB: Por fim, há algum conselho para os restantes autores que desejam publicar os seus manuscritos?
ES: Escrevam e revisem incansavelmente! Nenhum texto é tão bom que não possa ser melhorado e nenhum autor é tão bom que não possa ser ajudado. Ter um beta é muito importante, ouvir a opinião de outras pessoas para nosso amadurecimento… Eles nos preparam também, com as críticas, para receber um “não gostei” que sempre vai ver de um leitor ou outro.
Nunca iremos agradar a todos, mas todo autor tem sem público.

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2 comentários

  1. Amei a entrevista! Obrigada pela referência, Evelyn!
    Gostei demais de algumas passagens: "É sempre assim. No final, a história é 30% do que planejei e 70% do que os personagens fizeram com que fosse", é um fato.
    "Nenhum texto é tão bom que não possa ser melhorado e nenhum autor é tão bom que não possa ser ajudado".

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