Entrevista: Tatiana Amaral

Tatiana Amaral é baiana e mora em Salvador. Por muitos anos não sabia ao certo o que queria ser. Preparou-se para estudar teatro, pre...



Tatiana Amaral é baiana e mora em Salvador. Por muitos anos não sabia ao certo o que queria ser. Preparou-se para estudar teatro, prestou vestibular para Direito, se formou em Administração com habilitação em Marketing, mas se encontrou como escritora. Amante da leitura, começou a carreira literária postando histórias na internet, alcançando assim um grande público. Atualmente possui nove livros publicados: Casei, E agora? – As aventuras do meu descasamento; Segredos; Traições; A Carona; a Trilogia Função CEO e dois livros da série O Professor.

Liga dos Betas (LB): Agradecemos imensamente por você ceder um pouco de seu tempo. Bom, para começarmos nada melhor do que saber sobre o que te levou à escrita. Como começou a escrever? Você se lembra da primeira coisa que escreveu e o que te inspirou a fazê-la? 

Tatiana Amaral (TA): Depois de algum tempo acabei me dando conta de que sempre estive envolvida com a escrita. Fiz muito tempo de teatro e escrevia peças, gostava de escrever poesias e músicas, mas nunca pensei nisso como algo que eu quisesse para passar a vida fazendo. Como amante dos livros, sempre estive envolvida com a literatura, mas já tinha um bom tempo que não me emocionava com algum livro, então alguém me recomendou a Saga Crepúsculo. Relutei, pois era uma literatura para adolescentes e eu não conhecia nada mesmo sobre os livros. Mesmo assim comprei todos e comecei a ler. Foi uma paixão que eu não sei como explicar. Quando acabou eu me senti vazia, queria que a história continuasse, fantasiava com isso. Foi quando fui apresentada às fanfics. Depois de ler algumas decidi que poderia escrever a minha própria história, e foi o que fiz. Minha primeira fanfic virou o meu primeiro livro, Segredos, daí em diante nunca mais parei.

LB: É um processo orgânico iniciar a escrever depois de receber influências de diversos outros autores. Quais você pode mencionar como essenciais para a você iniciante e a você de hoje em dia?

TA: Para ser bem sincera, eu nunca prestava atenção nos autores. Li de tudo, porque amo ler, mas nunca me preocupei com quem tinha escrito o livro. Sabia os principais autores, aqueles que eram estudados na escola, ou aqueles que possuíam uma série e eu acompanhava, mas nada relevante ou que me influenciasse. Como leitora compulsiva não tenho como identificar autores essenciais. Tenho sim os que eu adoro a escrita e compro todos os livros que lançam, como Dan Brown, Carina Rissi, dentre outros. 

LB: Sobre o seu processo de criação, suas histórias tendem a se tecer de acordo com o tempo, conforme sua mente trabalha despreocupada, ou você costuma estruturá-las antes de pôr qualquer coisa no papel? O processo de escrever costuma vir acompanhado de algum ritual?

TA: Não tenho um ritual. Gosto de escrever ouvindo música, mas gosto também de estar em frente à praia ou da piscina. Normalmente não encontro problemas em escrever. Quando a ideia chega, eu consigo colocar para fora até em uma praça de alimentação de um shopping lotado. Todas as minhas histórias já chegam para mim com um começo, um meio e um fim, mas lógico que no decorrer da construção outras ideias vão se juntando às primeiras, muda um pouco o rumo, mas no final dá tudo certo.

LB: Você poderia falar da sua trilogia, Função CEO? E sobre futuros projetos, tem algo vindo à frente?

TA: Função CEO foi o livro mais complexo que já escrevi. Ele começou com a ideia erótica, mas o desenrolar acabou levando o livro para outro lado. Existe uma tensão tão forte que faz com que as pessoas passem muito tempo pensando no que aconteceu. Foi assim comigo. Levei meses para conseguir me desvencilhar dos livros. Atualmente estou me dedicando à série O Professor. Os dois primeiros livros já estão em todas as livrarias e eu estou trabalhando no terceiro, que está previsto para agosto, mas penso em voltar a Função CEO quando acabar a série.

LB: Antes de publicar é essencial a revisão da história. Você, ao ter seus textos concluídos, procura a ajuda de um beta reader, ou revisor? Ou prefere fazer a revisão de forma independente?

TA: A revisão é fundamental. Construí uma equipe minha, independente das editoras, justamente porque tento oferecer um texto o mais limpo possível. Estabeleci a seguinte rotina: eu escrevo, volto o texto todo fazendo o que é necessário para deixar a história toda costurada, faço contagem do tempo e dos acontecimentos, então passo para a revisão ortográfica. Recebo o texto revisado com sugestões, volto todo o texto e estudo tudo o que foi sugerido, aceitando ou não, então passo o texto para a revisão técnica. O processo se repete, eu recebo o texto com sugestões e analiso o que acho correto ou não. Só após esta rotina envio o original para a editora, que tem o seu próprio pessoal e rotina. Depois de todo o tratamento da editora, recebo de volta o arquivo com a revisão deles, contendo sugestões; preciso ler o texto todo outra vez, dialogamos sobre o que deve ou não ser modificado e só depois disso o livro vai para a produção.

LG: Segundo os dados estáticos fornecidos pelo Skoob, o seu público é majoritariamente feminino. Você imagina que isso tenha um motivo específico? Poderia ter relação com o tipo de romance que você tem escrito?

TA: Com certeza com o tipo de literatura que escrevo. São romances e são eróticos, ou seja, poucos homens admitem ler (risos).

LG: Bom, o gênero que engloba os romances eróticos tem ganhado grande espaço nas estantes das livrarias de todo o mundo. Você acredita que isso esteja relacionado à crescente quebra de estigmas e preconceitos ou que seja apenas um novo gênero que caiu nas graças do grande público? 

TA: Eu acho as duas coisas (risos). Com certeza conseguimos abrir uma porta que não voltará a se fechar. Creio que, como tudo na vida, vamos nos adaptando, ajustando as bordas, até que não fique mais nada de fora. Existe muito a ser discutido. O preconceito é grande, contudo é muito menos do que quando comecei. Hoje os eróticos estão na frente, são os mais vendidos, enfeitam as vitrines. É uma grande vitória.

LB: Você utilizou o site Nyah! como plataforma para as suas histórias disponíveis ao público, certo? Pode-se dizer que suas primeiras fanfics puderam te moldar como autora?

TA: Sim. O Nyah! foi a minha primeira plataforma e foi de lá que saiu a minha trilogia Função CEO. Eu lancei tudo o que escrevi e quase tudo foi fanfic, então esta foi a minha grande escola. Hoje não posso mais fazer assim, falta tempo, mas não vontade. 

LG: Você iniciou com as fanfics, algo que permitia uma maior interação com público. Nesse contexto, você diria que isso refletiu no seu relacionamento mais direto e próximo com o seus leitores de livros publicados?

TA: Eu nunca estive longe do meu público e não sei como seria se precisasse ser assim. Desde o começo interagimos, eu ouvia o que eles achavam, conversávamos, fiz grandes amigos assim. Não me colocar na posição de escritora, com uma equipe à frente, e esquecer deles. Sempre peço à minha assessoria para deixar as mensagens privadas para que eu possa responder, nunca eles. Acho que é o mínimo que posso fazer como agradecimento pelos longos anos em que eles me acompanham. São fiéis, leitores que abraçam a causa e lutam comigo para que continue dando certo. É complicado, o tempo é cada vez mais escarço, mas eu sigo tentando continuar próxima deles. 

LG: Tendo nove livros publicados, pode-se afirmar que você possui conhecimento e experiências dentro do mercado editorial, claro. Portanto, aproveito para te perguntar: que conselho você poderia dar para aqueles ficwritters que almejam se lançar nesse universo das publicações?

TA: São muitos conselhos. Primeiro de tudo: não tenha pressa. Trabalhe o seu texto o máximo que puder, deixe ele perfeito. É importante contar com uma revisão, mesmo que não seja profissional, mas alguém que possa ler e encontrar os que os olhos viciados não encontram. Outro ponto importante é não se deixar enganar por propostas que exigem investimentos altíssimos. Eu sei que uma editora não vai investir em quem não tem um público, é arriscado e o mercado não está nada fácil, então tenha calma, procure uma plataforma como a Amazon para iniciar, divulgue o máximo que puder, construa a sua imagem e torne o seu livro conhecido, depois disso as editoras vão te procurar.

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