Resenha: Perdido em Marte

Por: Rodrigo Caetano Perfil:  https://fanfiction.com.br/u/82481/ E aí, galera, tudo bem? Hoje vim aqui falar de um livro que m...


Por: Rodrigo Caetano

E aí, galera, tudo bem? Hoje vim aqui falar de um livro que me surpreendeu muito, e positivamente. “Perdido em Marte” foi o livro que mais gostei de ler em 2015, e olha que li alguns que realmente gostei.

Porém, eu tenho um motivo especial para trazer essa resenha para vocês, que vai além do quão especial esse livro é ou do quão legal ficou a sua adaptação para o cinema (nomeado para nada mais nada menos do que 7 Oscars). Essa razão é o autor.

Andy Weir era um programador de computador formado na década de 90 que cresceu lendo ficção científica. Como muitos aqui, ele também gostava muito de escrever, mas tinha medo de perseguir a carreira. A instabilidade o assustava, e ele gostava de seu outro trabalho, que lhe permitia viver bem, mesmo que sem luxos. Isso acabou fazendo com que a escrita ficasse em segundo plano, como um hobby.

Para manter esse hobby, ele criou um blog, onde ele escrevia sobre várias coisas. Não apenas ficção, mas sobre assuntos de seu interesse, como ciência e programação. As histórias que ele escrevia por diversão eram apenas uma das coisas postadas lá. Foi então que ele começou a escrever e postar, capítulo a capítulo, a história de Mark Watney. Como todos nós, ele se demorava, e tinha de lidar com os leitores (no começo, não muitos) pedindo atualizações e reclamando das demoras.

Apenas anos depois de começar, Andy finalmente conseguiu escrever o último capítulo, e, enquanto isso, a história ia ganhando popularidade. Logo os leitores começaram a pedir para que ele facilitasse a leitura. Não queriam mais acessar o blog, queria poder ler em seus e-readers. Andy, então, disponibilizou gratuitamente o arquivo inteiro para download.

Porém, graças a alguns problemas de compatibilidade do arquivo com alguns leitores digitais populares (como o Kindle), Andy sofria com inúmeros pedidos para resolver o problema. Foi aí que ele resolveu postar o livro na loja virtual da Amazon, pelo preço mínimo que a loja permite: U$ 0,99 (Andy diz que gostaria de ter colocado gratuitamente, como no blog, mas a loja o obrigava a cobrar esse valor).

Aqui, gostaria de abrir um parêntese nessa história: quantos de vocês já reclamaram de seus leitores por diversos motivos? Porque o Andy, com certeza, reclamou. Depois de anos escrevendo, a galera o perturbava para criar um arquivo único, muitos por preguiça de entrar no site. Depois, ele teve o trabalho de compilar e disponibilizar o arquivo gratuitamente no blog, e a galera ainda não ficou satisfeita. Eles não queriam converter o arquivo para seus respectivos e-readers (existem locais na internet que você consegue fazer essa conversão gratuitamente em questão de minutos). O cara teve de aprender a lidar com a Amazon para conseguir atender o gosto dos leitores “preguiçosos”...

Só que, aí, o livro estourou. Foi lançar na Amazon que, sem explicação, as pessoas preferiam pagar 1 dólar do que baixar de graça no site dele (o arquivo continuava disponível, igualzinho). E a popularidade subiu tanto que ele chegou no Top 10 de ficção cientifica do site inteiro. O resto, é história. Ele assinou contrato com a editora e com a empresa para fazer o filme, tudo na mesma semana, e, em um ano, tudo já tinha sido preparado. Livro nas prateleiras, filme em processo de produção, e a vida inteira dele de cabeça para baixo.

Eu não sei vocês, mas a história do Andy me faz sorrir. Não apenas por ele e por ele ter realizado um sonho. Ela me dá esperanças. Não existe diferença nenhuma entre uma fanfic original e o que Andy Weir escreveu. Ele só postou no seu próprio blog, e nós postamos no Nyah! Andy é um de nós, que conseguiu o que sonhamos ter. O fato de a história que ele escreveu ser incrível é só a cereja do bolo.

Título Original: The Martian
Título Brasileiro: Perdido em Marte
Autor: Andy Weir
Editora: Arqueiro
Tradução: Fernanda Abreu

Sinopse: Há seis dias, o astronauta Mark Watney se tornou a décima sétima pessoa a pisar em Marte. E, provavelmente, será a primeira a morrer no planeta vermelho. Depois de uma forte tempestade de areia, a missão Ares 3 é abortada e a tripulação vai embora, certa de que Mark morreu em um terrível acidente. Ao despertar, ele se vê completamente sozinho, ferido e sem ter como avisar às pessoas na Terra que está vivo. E, mesmo que conseguisse se comunicar, seus mantimentos terminariam anos antes da chegada de um possível resgate.

Ainda assim, Mark não está disposto a desistir. Munido de nada além de curiosidade e de suas habilidades de engenheiro e botânico — e um senso de humor inabalável —, ele embarca numa luta obstinada pela sobrevivência. Para isso, será o primeiro homem a plantar batatas em Marte e, usando uma genial mistura de cálculos e fita adesiva, vai elaborar um plano para entrar em contato com a Nasa e, quem sabe, sair vivo de lá.

Com um forte embasamento científico real e moderno, “Perdido em Marte” é um suspense memorável e divertido, impulsionado por uma trama que não para de surpreender o leitor.

Resenha:
Definitivamente um dos livros mais divertidos e interessantes que eu já li. “Perdido em Marte” é uma leitura rápida, com uma história simples e, ao mesmo tempo, terrivelmente complexa, capaz de te fazer rir e tremer ao mesmo tempo, com uma simples mudança de parágrafo. E Mark Watney é um dos protagonistas mais carismáticos que já conheci. Uma personalidade magnética, de uma pessoa extremamente inteligente e divertida.

Em um ritmo acelerado, com alternâncias narrativas e um senso de humor impecável, Mark alcança umas das maiores façanhas da história da humanidade sendo nada mais do que um homem comum, de boa formação e treinamento. É fácil de se identificar e de se relacionar com um personagem tão simples, o que faz dessa leitura — praticamente um relato de seu isolamento — algo muito mais prazeroso do que o esperado.

Sim, existem explicações cientificas o tempo todo, e talvez você tenha dificuldades para absorver ou compreender totalmente algumas delas, mas a linguagem e o as artimanhas do autor fazem com que tudo fique razoavelmente compreensível, principalmente para uma pessoa com boa formação do ensino médio. E me sinto seguro ao falar isso por saber que toda minha base de conhecimento científico veio de lá. Vou até além: se você ainda estiver no ensino médio, mergulhe fundo nesse livro. Procure entender as explicações científicas com detalhes e pergunte aos seus professores. O livro pode te ajudar a entender conceitos complexo e difíceis com muito mais facilidade do que uma aula qualquer.

Apesar de ter gostado muito, encontrei uma série de defeitos no livro, que, na verdade, pouco prejudicaram no que senti ao lê-lo. Vou me explicar: em alguns momentos, sinto que faltou ao autor de primeira viagem uma experiência em construir ou desconstruir expectativa, ou de revelar ou não revelar certas informações, que poderiam ter potencializado os momentos de mistério e tensão. De certa forma, também uma falha do editor, já que são pontos que podem ser indicados na revisão e preparação para publicação.

Em alguns pontos, também achei que as formas narrativas (uma constante alternância entre diários de bordo, narrações em terceira pessoa da Terra, narrações em terceira pessoa da Nave espacial e narrações em terceira pessoa mais distante) ficaram mal organizadas e poderiam ter sido justapostas de maneira mais eficiente, para fazer com que a transição ficasse mais fácil, ou, em alguns momentos, para aumentar a tensão e a expectativa. Se você se interessa por organização textual, vale a pena ler o livro prestando atenção nesses aspectos e aprender um pouco com seus erros.

Por último, pessoalmente gosto de finais que se desenrolem um pouco após o clímax. E fiquei um pouco decepcionado ao ver o livro terminar imediatamente após a resolução da trama principal. Para mim, cabia um último capítulo curto de fechamento, até para terminar de amarrar todos os laços secundários e menos centrais da trama.

Porém, isso não me impede de reafirmar que foi um dos livros mais interessantes e divertidos que já li. Além disso, ao saber da história de publicação independente que contei lá em cima, e considerando que Andy é um autor de primeira viagem, consigo compreender melhor como algumas dificuldades editoriais possam ter causado alguns dos problemas que apontei. Afinal, o editor teve de correr para editar e preparar o livro para postagem, enquanto muitos já tinham tido acesso a uma certa organização pessoal do autor na Amazon e o roteiro do filme era preparado.

No geral, é um livro que recomendo fortemente, e a qualquer pessoa, de qualquer idade. Leiam o livro (de preferência, antes de ver o filme). Vale muito a pena.

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