Recomendações de Leitura Dia da Mulher [02/04]

“As Brumas de Avalon”, Marion Zimmer Bradley (Rodrigo Caetano) Publicada entre o final dos anos 70 e o início dos anos 80, essa ...


“As Brumas de Avalon”, Marion Zimmer Bradley
(Rodrigo Caetano)

Publicada entre o final dos anos 70 e o início dos anos 80, essa saga de livros conta a história do Rei Arthur durante 70 anos ou mais, antes e depois de seu nascimento. Seu foco, contudo, está nas mulheres que cercaram esse rei mitológico, incluindo a sua irmã, Morgana.Assim, a autora vai preenchendo as lacunas que foram deixadas por causa do paganismo e do machismo histórico da Bretanha. Além disso, o livro ainda aborda de maneira superficial algumas questões relacionadas a homossexualidade, tanto masculina quanto feminina. É uma narrativa poderosa, principalmente do ponto de vista das mulheres – Morgana em especial –, de um dos mitos mais conhecidos da Humanidade.

“Lueji, O Nascimento de um Império”, Pepetela
(Enrique Buendía)

Lueji narra a história de duas mulheres: uma é Lueji, a filha de um rei lunda, uma tribo africana na atual Angola, da qual se contam várias lendas, a outra é Lu, uma dançarina que desiste, que tenta conciliar a dança com a sua faculdade, e, bem, o livro vai narrando a histórias das duas simultaneamente: uma se passa na Angola antes de sua colonização, outra na atual Angola, e o mais interessante é o que tudo resulta no final. O narrador do livro é um homem, aparentemente o próprio Pepetela, e o que é interessante é que o livro traz o português angolano, traz a cultura de um país que fala a mesma língua falada no Brasil e em Portugal, traz tenções e sobrevivências de hábitos culturais, como reflexos de guerras entre as etnias, e também a história do nascimento de Lunda com toda a sua tradição, algo puxado para o início de Angola.

“A menina que circum-navegou o reino encantado no barco que ela mesma fez”, Catherynne M. Valente
(Giulia Correia)

Não vou enganar ninguém: admito que só peguei o livro porque tinha uma recomendação de Neil Gaiman na capa e não estava nada caro (na verdade, foi na bienal do rio, estava 10 reais). Ainda assim, quando li o livro, me surpreendi imensamente. Portanto, não se deixe enganar pela aparente infantilidade da história ou de como tudo soa, o livro é daqueles que você consegue tirar enormes interpretações de cada linha, e eu não faço ideia de como ele não é famoso.

Para começar, a protagonista é uma criança que não parece criança. Ela é inteligente e decidida. Depois, temos toda a parte de ser escolhida vs. ter se escolhido, o que vejo como uma crítica a histórias de fantasia em que a única característica boa do herói é ter uma profecia sobre seu destino e, ainda, temos um plot twist que vai te surpreender.

É um livro que deixou a feminista em mim bem feliz, por algum motivo. Talvez porque o livro está repleto de personagens femininas ótimas, desde a protagonista a personagens secundários. Temos, também, toda uma ambientação de um mundo mágico, com seres mágicos, dragões e paradoxos. Eu sou apaixonada por ele.

Se você gosta de livros tipo Alice, ou se curte histórias de Neil Gaiman, esse livro é pra você. Leia, releia, e venha conversar comigo <3

“Tieta do Agreste”, Jorge Amado
(Enrique Buendía)

Bem, Tieta é uma das personagens fictícias de Jorge Amado que mais me chamou a atenção, pela sua altivez, pela sua coragem, determinação, pela sua forma de vida, por aquilo foi capaz de fazer. Não dá pra falar muitas coisas sem acabar detalhando coisas do livro, mas Tieta é uma mulher que é expulsa de casa pelo pai e volta rica e poderosa para a sua cidade, ainda que não se saiba como ela tenha ficado rica. Altiva, ela vai, luta pelo que almeja em uma cidade que desconhece o progresso, procura resistir a preconceitos e dá um show.

“A Breve Segunda Vida de Bree Tanner”, Stephenie Meyer
(Rodrigo Caetano)

Uma história paralela à saga Crepúsculo, esse livro curto é uma das narrativas mais poderosas de Stephenie Meyer, retratando o verdadeiro mundo clandestino em que os vampiros de sua saga se escondem, explorando um espaço que a saga principal não lhe propiciou explorar. Com uma forte personagem feminina, vemos um conto que, apesar de curto, consegue ser tão poderoso quanto qualquer outro livro da série em que está inserido. Mais do que isso, o livro dá vida ao mundo criado pela autora na saga principal, e dá a ele uma profundidade muito maior.

“O Diário de Anne Frank”, Anne Frank
(Pedro)

Na literatura, por mais que haja uma história envolvente e com enredo impecável, sempre vai haver uma tênue cortina de fumaça que a separa da realidade; o limiar entre a ficção e a realidade. Esse não é o caso, feliz ou infelizmente, dessa obra.

Anne Frank é alguém que realmente existiu e o motivo da indicação é exatamente esse. Além do nazismo e da perseguição aos judeus, é possível observar como era a vida das mulheres e sua atribuição social da década de 40. É um livro que traz um relato histórico de uma das épocas mais sangrentas da Humanidade, sob a perspectiva de uma jovem com ideologias pares às que temos hoje. Em outras palavras: é um livro emocionante e rico.

“O Labirinto”, Kate Moss
(Dark Lace)

“A história se passa em duas linhas de tempo retratando a vida da mesma mulher e os caminhos que ela percorreu para lutar contra os mesmos problemas. Retrata a rotina da mulher moderna e a do medievo, suas provações e dificuldades, contrastando a forma como conseguiu encontrar as soluções. Um livro sobre a força e a coragem que uma teve que ter, para não ser esmagada num mundo masculino.”

“Trilogia Millenium”, Stieg Larsson
(Rodrigo Caetano)

Uma trilogia de um autor sueco comportando os títulos “O homem que não amava as mulheres”, “A menina que brincava com fogo” e “A rainha do castelo de ar”. Essa saga tem como protagonistas um jornalista chamado Mikael Blomkvist e uma jovem hacker chamada Lisbeth Salander. Outra personagem feminina extremamente forte e complexa, Lisbeth rouba a cena e conduz o fio narrativo dos três livros de maneira surpreendente. Quando você vê, descobre que a história sempre foi sobre ela. Apesar de não ser uma protagonista clássica, muitas vezes agindo como anti-heroína, ela chama atenção por sua ousadia, autenticidade e por seu modo único de ver e viver a vida.

Recentemente um quarto livro foi lançado, incluído na saga, porém o livro foi escrito por outro autor, uma vez que Stieg Larsson faleceu pouco antes da publicação do último volume da então trilogia.

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