Entrevista: Kamile Girão

Kamile Girão é uma estudante cearense de Design Gráfico e Letras Português/Inglês. Nascida no início da década de 90, começou a...



Kamile Girão é uma estudante cearense de Design Gráfico e Letras Português/Inglês. Nascida no início da década de 90, começou a escrever ainda na infância, quando comprava brochurinhas para descrever suas brincadeiras no colégio e de boneca. Com o advento da pré-adolescência, a então diversão virou hábito. Inventou várias histórias, transformou outras em livros. Vive criando mundos paralelos e realidades alternativas nos percursos de ônibus que faz pelas ruas de Fortaleza.

Liga dos Betas (LB): Estudante de Letras e Design Gráfico, criadora do blog Café da Kami, autora de dois romances publicados, Yume (2011) e Outubro (2013), além do conto O Eco dos Sinos; e revisora. Obrigado por ceder um pouco do seu tempo para nós. Bom, para iniciarmos nada melhor do que saber sobre as origens do seu interesse pela escrita. Como começou a escrever? Você se lembra da primeira coisa que escreveu e o que te inspirou a fazê-la?

Kamile Girão (KG): Minha história com a escrita é engraçada. Veja bem, eu fui uma criança solitária. Não podia sair muito de casa e só tinha minhas amigas da escola para brincar (e não era sempre que elas vinham para a minha casa). Então, meu refúgio e minha diversão sempre foram os livros. Minha mãe lia muitas histórias para mim e isso me influenciou a querer escrever minhas próprias aventuras (principalmente, porque eu tinha dois primos mais novos e queria ler para eles também). Então, eu pedia para os meus pais comprarem caderninhos e escrevia lá as minhas brincadeiras no colégio, sempre acrescentando algum elemento fantasioso. Era a minha diversão: escrever sempre foi, acima de tudo, minha maneira de me divertir sozinha.

LB: É sempre bom ver o quanto a escrita e a leitura, acima de tudo, podem acrescentar a nossa vida. Então, enquanto autores, é natural recebermos diversas influências. Quais você pode mencionar como primordiais para aquela jovem escritora? E quais aquelas que te acompanham até os dias de hoje?

KG: Eu sinto que minhas influências variam conforme vou ficando mais velha e minha experiência como leitora cresce. Por exemplo, quando eu tinha 12 anos, era muito influenciada pela Flavia Bujor (autora de "A Profecia das Pedras") e pelas garotas que escreviam fanfics de Naruto (Neji x Tenten). Atualmente, sinto que aprendo com cada novo autor que entro em contato. No momento, as meninas dos meus olhos são Jane Austen e Caitlín R. Kiernan (A Menina Submersa). Mas coloco no pódio do meu coração Anne Rice, Neil Gaiman, Bran Stoker e Oscar Wilde. Aprendi muito com eles. Também posso dizer que fui muito influenciada pelas mangakas Naoko Takeuchi (Sailor Moon) e as garotas do CLAMP. Elas me influenciaram (e influenciam) até hoje.

LB: Já que mencionou as fanfics, vamos para seguinte pergunta. Pode-se afirmar que o site Nyah! foi o palco para as sua primeiras histórias disponíveis ao público? Suas fanfics ajudaram a te moldar como autora?

KG: Claro! Eu era muito tímida para mostrar meus escritos para alguém, então o Nyah! foi uma ótima forma de superar minha timidez e ganhar alguma confiança como escritora. Minha webnovel "Inevitável" foi bem aceita na época em que publiquei (meados de 2009), e isso me deixou segura para continuar a escrever.

LB: E sobre o seu processo de criação, costuma deixar a história fluir naturalmente ou prefere partir de uma base bem estruturada? Há algum ritual na hora de escrever?

KG: Eu passo um tempo ruminando a história e monto o roteiro dela. Mas não tenho nenhum ritual para escrever, além de olhar pro computador e pensar: "Eu deveria estar escrevendo, né?"

LB: Você poderia falar de seus dois romances publicados? Sobre o que fala Yume e Outono?

KG: Yume (que no momento está fora de circulação) fala sobre sonhos. A Nadia, uma garota alemã, recebe a proposta de desenhar um personagem dos seus sonhos por 1000 euros. Ela topa a oferta e começa a se forçar a sonhar com um rapaz que, ao contrário do que ela acredita, mora no Brasil e se chama Adrien. Por causa disso, ele também começa a sonhar com ela, e daí a história se desenrola.
Outubro já é um drama/romance/new adult ambientado em dois tempos. No presente, nós temos o enfermeiro Felipe Alves reencontrando o amor de sua adolescência e tentando acertar os erros do passado com ela. Já no passado, a gente vê a história deles se desenrolando cronologicamente. Um período intercala o outro e ambos se completam para narrar a história de Kaero e Felipe.

LB: Yume foi publicado primeiramente pela Editora Dracaena, enquanto Outono teve distribuição feita através da Amazon. O que você pode destacar como pontos positivos e negativos destas duas formas de publicação?

KG: Ah, Outubro também entrou em uma editora por demanda. Mas confesso que pesco poucos pontos positivos nessa forma de publicação. Tive muitas chateações, principalmente com a falta de profissionalismo com os editores. Então, posso dizer que foram experiências ruins.
Mas, com a publicação independente, a coisa melhorou de rumo. Consegui alcançar mais leitores e divulgar melhor o meu trabalho. Isso foi ótimo! O livro, com um preço mais acessível, foi adquirido por mais gente, fato que não consegui nas editoras pagas. Porém, o índice de pirataria subiu também. Já cheguei a ver gente vendendo o ebook de Outubro no Mercado Livre (na maior cara de pau mesmo). Já teve site distribuindo o ebook sem meu consentimento e se negando a apagar o livro mesmo com minha pressão. É algo bastante chato, mas consegui resolver. Inclusive, já vi gente publicando o livro (novamente, sem meu consentimento) integralmente em plataformas como o Wattpad.

LB: Seja qual for a forma de publicação é essencial a revisão da história. Você, ao ter seus textos finalizados, procura a ajuda de um beta reader, ou revisor? Ou opta por fazer a revisão de forma independente?

KG: Opto pelos dois. Eu já tive experiências infelizes em publicar algo sem antes submetê-lo ao crivo de um beta. Revisão também é essencial. Embora eu trabalhe com isso, prefiro ter um outro olhar sobre meus textos e contrato revisores. Eles podem perceber erros que não notei por já estar viciada e acostumada com o texto. É mais seguro passar por esse processo.

LB: Enquanto aos novos projetos, tem algo preparado para lançamento futuro?

KG: Tenho um livro no momento que está passando por uma leitura crítica, porém não tenho data de lançamento. Estou mais focada agora em concluir minha faculdade (me formo em Design agora em 2016, no meio do ano). Por isso, é provável que eu não divulgue novidades até conseguir o meu diploma...

LB: Ah, claro. Um projeto deve requerer tanto tempo e energias quanto a conclusão de um curso superior. Então, no mundo das fanfics a interação com o leitor é muito mais simples, acontecendo através de reviews e recomendações. Já no mercado editorial isto muda de figura. Como você obtém o feedback de seus leitores?

KG: Através de resenhas. Eles também entram em contato comigo pelas redes sociais, porém não é com a mesma velocidade que chegam as reviews das fanfics (risos).

LG: Para provar que a sua relação com as fanfics não podia ser mais real, existe uma fanfic postada no Nyah! de um de seus livros. Você sabia? Como se sente em relação a isto?

KG: Sim! Foi da super querida Milla Felacio! Eu fiquei muito honrada quando ela me falou que escreveu algo sobre Outubro. Como eu sou cria de fanfic, ver que alguém fez uma do meu livro me deixa honrada demais. Dá um sentimento quentinho no coração!

LG: Estamos chegando no fim de nossa entrevista. Mas, para encerrar em definitivo, um último questionamento. Tendo publicado seu primeiro romance aos dezoito anos, pode-se dizer que você possui conhecimento e experiências dentro do mercado editorial, não? Portanto, qual conselho poderia dar para aqueles autores de fanfics que almejam ter sua obra publicada?

KG: Primeiro de tudo: perseverança. Escrever um livro é, acima de qualquer coisa, um ato de persistência e dedicação.
Segundo: sempre procure um bom beta-reader. Por mais que seja complicado, a gente precisa entender que nossos manuscritos precisam passar por ajustes. Eles não saem perfeitos assim que terminamos de escrever, então é necessário fazer essa lapidação.
Terceiro: paciência, jovem padawan! Antes de lançar seu livro, pesquise sobre mercado editorial, analise qual alternativa de publicação é mais adequada ao que você deseja. Converse com autores, leia blogs, mantenha-se informado. Isso é muito importante.

Boa sorte a todos!

Artigos relacionados

2 comentários

  1. Oi gente :D
    Que amorzinho a entrevista. Eu me apaixonei pela Kamile Girão desde que a gente se cruzou lá no twitter falando sobre Outubro.
    Eu tinha o livro no meu Ipad já uns meses, dai estava querendo ler algo diferente e bum, pesquei ele na lista de livros. Daí terminei de ler 4 horas depois. Outubro me remete uma época de historias que eu sentia saudades de ler. Conversamos sobre o texto, a revisão, o caso com a editora... e dai eu queria pegar a Kamile e por no meu bolso kkk
    Ela começou a postar uma história no Nyah, com um pseudônimo (só to contando pq ela decidiu expor o pseudonimo no facebok KKKKKK) e dai eu li os 2 capítulo (chorando pq queria mais) e vi como a evolução da escrita no caso dela fez um bem danado.
    Isso é maravilhoso, ver nosso trabalho crescendo e evoluindo com o tempo.
    Parabéns <3

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigada pelo comentário! Ainda bem que gostaste da entrevista! :D

      Excluir

O blog da Liga é um espaço para ajudar os escritores iniciantes a colocarem suas ideias no papel da melhor maneira possível.