Resenha: A Droga da Amizade

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Por: Rodrigo Caetano

E aí, galera? Tudo bem? Hoje venho aqui falar de um livro que me pegou de surpresa na Bienal do Rio de Janeiro esse ano. Eu estava lá passeando, distraído com tanta maravilha quando, de repente, percebo uma fila para pegar autógrafos com ninguém menos que Pedro Bandeira.
Para quem não o conhece, Pedro é um grande autor brasileiro, principalmente quando se trata de histórias infanto-juvenis. E, ainda no colégio, eu fui apresentado ao trabalho dele através da sua série de livros sobre “os Karas”. Apesar de ter sido iniciada nos anos oitenta, a série ainda mantinha, nos anos 2000, todo o seu apelo pela aventura fascinante, os esquemas inteligentes, seus códigos secretos que passavam a ser usados especialmente pelos fãs para comunicações com seu próprio grupo de amigos, e os personagens relacionáveis que ele nos ensinou a amar.
Há muito tempo venho ouvindo a história de um último livro da série a ser lançado, mas confesso que a medida que cresci, fui deixando a história dos Karas de lado. Até que, com vinte e quatro anos, descubro que finalmente o livro que eu esperava quando era mais novo estava sendo publicado.
Então, achei que seria legal trazer essa resenha para o blog, tanto para falar com aqueles que, como eu, tem uma conexão antiga com a série, tanto para aqueles novos que nunca ouviram falar, e podem ter a chance de acessar todos os livros da série, que foram impressos novamente junto ao novo lançamento.

Título Original: A Droga da Amizade
Editora: Moderna
Sinopse: Como Miguel começou a turma dos Karas? Como conheceu e por que escolheu Magrí, Crânio, Calu, Chumbinho e a Americana Peggy para formar essa turma tão especial? E por que Andrade era um policial diferente, melhor do que qualquer outro? Como cada um deles demonstrou ao líder dos Karas que era uma pessoa especial, tanto pela coragem quanto pela honestidade, pelo caráter e pelo desejo de mudar o mundo para melhor? E o que terá acontecido com eles depois de todas as aventuras que estes sete heróis viveram? Em que terão se transformado todos eles depois de adultos?

Resenha:
Se você não conhece os Karas, você não sabe o que está perdendo. Se você conhece, esse livro foi feito única e exclusivamente para você. Esse livro foi feito para te fazer reviver tudo aquilo que você amava de um jeito totalmente diferente!
Eu sei, eu também fiquei um tanto quanto decepcionado ao saber que esse não é um livro como os outros, mas eu aprendi a gostar desse novo estilo, percebendo que o autor não tentou fazer uma repetição daquilo que fez da série o que ela é, pois o público da série já cresceu.
Por tanto, se você quer conhecer esse incrível grupo de amigos, eu sugiro que comece do início, com “A Droga da Obediência” (1984); “Pântano de Sangue” (1987); ”Anjo da Morte” (1981); “A Droga do Amor” (1994); e “A Droga de Americana” (2001), todos da editora Moderna.
Mas, se você já leu esses livros, então pode pegar a Droga da Amizade sem medo. Por que esse é o primeiro livro que conheçocapaz de, com sucesso, servir como prólogo, epilogo e ainda apresentar uma nova história, tudo em pouco mais de 150 páginas.
Não se engane, aqui veremos nosso líder já adulto, separado de seus amigos, relembrando e recontando ao mesmo tempo como os conheceu e tudo o que aconteceu com eles depois de deixarem o prestigiado e tão amado colégio Elite. Ao mesmo tempo que ele alude à mitologia do nosso grande pequeno grupo de aventureiros, ele também nos deixa mais presos ao chão, agradando tambémàqueles que prezam por uma abordagem mais realista e verossímil, que acaba nos atingindo a todos, em diferentes níveis, com a idade.
Mas, apesar dessa estrutura surpreendentemente fluida e bem organizada de memórias e de futuro, o livro ainda consegue nos apresentar a uma nova aventura, posterior àquelas do último livro, que mantém o nível de suspense e demonstra muito bem todo o grupo em ação da maneira que nós mais gostamos de ver, e que nos remete aos melhores tempos com esses amigos espiões e agentes secretos.
A narrativa tem falhas, sim, e, apesar de mirar tanto em novos públicos e velhos conhecidos, o estilo ainda é rápido e sem muito preocupações com detalhes, como é recorrente em muitos dos livros infanto-juvenis, principalmente baseados em histórias dos anos oitenta. Ele corre o risco de, ao tentar agradar a todos, não agradar ninguém,mas, na minha opinião, o livro consegue capturar tanto a imaginação dos novos leitores quanto o sentimento nostálgico dos fãs de longa data.
Dessa forma, Pedro Bandeira conseguiu dar o fim que essa saga merece e que ele ficou devendo durante mais de três décadas, e ainda mostra que é capaz de atingir os leitores, trazendo a várias gerações essa grande história de amizade, amor, aventura e, acima de tudo, esperança.

Recomendo essa leitura a todos os fãs, e, àqueles que não o são, recomendo fortemente que comecem a leitura da série. Vocês não sabem o que estão perdendo. Que sejamos todos Karas! O avesso dos coroas, o contrário dos caretas!

2 comentários:

  1. Que saudade dos "Karas"! Terminei a leitura do livro recentemente e é incrível como a história continua cativante!

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