Resenha: O Vilarejo

Por: Rodrigo Caetano Perfil: http://fanfiction.com.br/u/82481/ E aí, galera, tudo bem? A resenha de hoje é de um livro novo d...



Por: Rodrigo Caetano

E aí, galera, tudo bem? A resenha de hoje é de um livro novo de um autor nacional que vem chamando a atenção por aí. Conhecem o Raphael Montes? O cara é um escritor de 24 anos, formado em direito, que publicou seu terceiro livro, chamado “O Vilarejo”, na bienal deste ano. Além disso, ele tem também dois livros policiais: “Suicidas” e “Dias Perfeitos”, ambos na minha lista.
O livro que vim comentar é o último que ele lançou e o escolhi por diversos motivos, mas o principal é que ele é um livro diferente dos que normalmente costumam ganhar resenhas aqui. Um livro violento, classificado como de terror, e, além disso, um livro curto de contos. Achei que poderia dar uma variada no que normalmente vemos aqui.
Sem enrolação, vamos lá:
Título Original: O Vilarejo
Autor: Raphael Montes
Editora: Suma das Letras
Sinopse: No vilarejo, falar que o pecado mora ao lado é mais do que um dito popular: é uma verdade ameaçadora da qual os moradores se dão conta pouco a pouco. E, para alguns, é tarde demais. Como resistir ao mal? À luxúria, à ganância, à ira? Como não ceder aos pecados da carne quando a guerra chega e o inverno castiga, quando o frio e a fome tomam conta, quando uma força maior parece conspirar e rodear os moradores para que eles se entreguem a seus piores instintos?
A cada conto, conheça a história de um habitante e como todas elas se entrelaçam para formar uma narrativa perturbadora e fascinante sobre nossa infinita capacidade de crueldade e compaixão.
Resenha: O Vilarejo é um livro que me surpreendeu de muitas maneiras e pode não ter sido a melhor escolha para uma resenha, pois é um livro misterioso e eu não sou fã de spoilers. Porém, há muito o que se analisar aqui, acredito eu, sem de fato estragar a diversão para ninguém.
Contando várias histórias sobre um lugar em épocas diferentes, Raphael nos faz embarcar para um local que ele não diz o nome, no meio de um país que ele não diz qual é, numa época que ele não nos conta qual é.
O livro consiste de prefácio, posfácio (ambos importantes) e sete contos separados, cada um com um título, cada um com seus personagens principais, mas conseguimos perceber que envolvem o mesmo local em diferentes épocas, relatando bastante bem a suposta última geração a viver no lugar que desapareceu.
Claramente fazendo homenagem aos sete pecados capitais, vemos um a um os habitantes desse lugar distante e misterioso sucumbindo a seus próprios desejos, defeitos, psicoses e tentações, enquanto somos levados a explorar até que ponto uma pessoa pode ir. É triste o quão surpreendente é a resposta para essa pergunta.
Além disso, a ordem dos contos faz com que o leitor tenha de se esforçar um pouco para acompanhar a ordem dos acontecimentos no tempo, e ligar os pontos pouco a pouco até que consiga desenhar a verdadeira história por trás dos acontecimentos terríveis desse lugar.
Tudo isso, combinado a um estilo de narrativa dinâmico, com contos curtos e histórias contadas no tempo presente que fazem com que a linha entre ficção e realidade fique um pouco borrada, nos levando a crer que talvez, apenas talvez, um lugar como aquele pudesse realmente ter existido em algum momento. E é um tanto quanto inquietante perceber isso, depois de ter se surpreendido e se chocado tanto.
Tendo dito isso, apesar do livro ser classificado como um livro de terror, ele não me deixou temeroso, nem me deu grandes sustos. Mas me chocou bastante algumas vezes, e me fez refletir, como todo bom livro deve fazer, acredito eu. Um ponto extra: o livro ilustrado é bem divertido, e as ilustrações são um tanto quanto fortes, ajudando a passar a exata sensação que o livro busca gerar.
No todo, um trabalho bem feito pelo nosso escritor e uma boa leitura para qualquer um que tenha estomago.
Valeu, galera! Até a próxima.

P.S.: Sobre não ter ficado com medo, isso era verdade antes de perceber que essa resenha tinha exatas 666 palavras antes do P.S. Espero sinceramente que entendam a minha decisão de escrever um pouco mais aqui...

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