NaNoDiário - Semana #1 ou The Road to 50k

sexta-feira, 8 de novembro de 2013



Galera, como prometido, alguns dos participantes da Liga estão vindo aqui partilhar com vocês suas experiências, opiniões e ideias sobre o NaNoWriMo, tentando mostrar para vocês um pouco do dia a dia desse incrível desafio. Deixe também seu depoimento e vamos juntos!



Hairo-Rodrigo


Já estive muito ocupado e com a agenda lotada em outros meses da minha vida, mas nunca contei o tempo como estou contando agora. Esse mês, cada hora é preciosa.

Comecei batendo a minha meta pessoal de duas mil palavras por dia. Aprendi que não sei escrever no fim de semana, e minha meta voltou a ser 1667 -e nem isso eu estava conseguindo bater. Hoje ela já subiu de novo para 3 mil, fato de que tenho algum orgulho. Uma coisa que eu aprendi com o tempo: sua meta deve ser dificil de alcançar. Você não pode alcançá-la todo dia. Se você a alcança diariamente, ela está fácil demais, e você deve aumentá-la. Alcançar a meta te fornece um combustível que faz falta quando ela é alcançada.

Essa semana aprendi que sim, as pep talks inspiram, mas elas não me dão novo material. A vontade de escrever não necessariamente condiz com novo material para a história. E novo material não condiz com vontade de escrever. Seguindo as dicas dos meus amigos, agora só leio as pep talks quando tenho tempo e material para escrever. 

Percebi, com um pouco de gosto, que todo o planejamento anterior tinha sido pouco. Mas que eu fiz bem em não planejar demais. Nunca teria descoberto o que descobri se tivesse tentado planejar. Dei um nome a minha personagem e no primeiro capítulo descobri que tinha de ler um livro onde aquele nome figura como principal. Botei ela em uma aula de inglês, e percebi que teria de estudar Romeu e Julieta junto com ela. Tudo isso da muito mais vida a minha história do que qualquer possível planejamento. E nada disso poderia ter sido pensado antes de surgir, palavra após palavra nas minhas páginas em branco.

Agora, sem sobre de duvida, a maior descoberta da semana foram os Word Sprints. Para quem não conhece, sprint é o termo em inglês para "pique". São breves corridas para escrever sem parar durante um periodo pré-determinado (variam de 5 minutos a 1 hora). Está com dificuldade de fazer a história fluir? Está desesperado por estar longe da meta? Está atrasado? Acesse seu Twitter (se não tiver um, crie!) e siga NaNoWordSprints. E apenas escreva. Acredito que não estaria tão confiante como estou se não tivesse descoberto isso.

Estado de espírito: Focado em descobrir a verdadeira voz da minha historia.
***

Elyon Somniare


Tudo conta a partir da meia-noite: por isso no primeiro dia só me deitei às duas manhã, feliz por ter chegado à meta diária, e assim no “dia seguinte” poder continuar com uma boa folga. Mas, oh, terror! A história não estava como eu queria. Well, em anos anteriores isto nunca foi problema, essencialmente porque no NaNo a história NUNCA vai ficar exactamente como se quer - é uma das melhores coisas do desafio. Mas esta em particular estava a incomodar-se, especialmente quando uma shinny new story estava ali a querer tomar o lugar…

O que fazer? Deixei a que tinha “planeado” (que se resumia a “duas personagens, um setting, e uma ideia vaga de plot”, porque eu sou uma pantser sem remédio) e comecei a outra. Agora, isto pode-se fazer? Pode, mas não é aconselhável. Primeiro dia, tudo ok, não interfere muito com a nova história, mas lá para o final da semana e em diante muitos NaNoNinjas sentem esta vontade de abandonar tudo e recomeçar do zero. E aí é que não de modo algum! Porque odiar a própria história é algo inevitavel ao fim de passar tanto tempo nela (mais tarde, quando relerem, notarão que não era tão má assim), e vai acabar por acontecer o mesmo com a nova história. You know what you get? Uma dúzia de históras começadas e nenhuma concluída, com os personagens tendo pouco espaço para se revelarem e tomarem os tais não-esperados-e-totalmente-awesome caminhos com os quais o autor se surpreende.

Segunda questão: e as palavras da primeira história, contam? Uma coisa que precisam interiorizar: não há regras. Ou melhor, há uma: escrever 50.000 palavras durante Novembro. Tudo o resto, it’s up to you. Essas primeira duas mil foram ficção escrita durante Novembro, e eu ainda trabalharei nelas mais tarde, so yes, it counts. Se eu decidisse pegar numa música de Celine Dion e chapar a letra na minha história, contaria.

Outra coisa de salientar é que ninguém precisa de escrever só uma história. Podem ser contos, podem ser short-stories, podem ser poemas, podem ter uma história “oficial” e escrever outras coisas ao mesmo tempo. A nanopolícia permite-o (hint: ela não existe).

E isto foi o que de maior aconteceu no meu NaNo durante esta primeira semana. Isso, e as personagens que me surgiram, que já adoro. Agora se não se importam, preciso de ir descobrir como o meu Dr. Coffin se safou depois de ter assassinado a madrasta.

Estado de espírito: apática (mais pela faculdade do que pelo NaNo).
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Last Rose of Summer


Novembro foi o primeiro mês do ano que eu realmente queria que começasse, desde que descobri o Nano, em outubro. Eu não estava realmente confiante, uma vez que todas as ideias que eu tinha pareciam fracas demais, e que eu nunca consegui terminar uma história que eu já tenha começado, que tivesse mais de um capítulo.

Dia primeiro foi uma sexta feira, que começou exatamente à meia noite. Uma das primeiras coisas que você aprende, quando quer escrever, é que a noite - ou madrugada - é sempre o horário em que suas ideias funcionam melhor. Minhas mãos tremiam quando eu abri o documento do word e eu estava muito animada. As ideias ainda não estavam prontas na minha cabeça, e eu não tinha muito planejamento, mas naquelas primeiras horas aquilo não importou de verdade. 

As primeiras mil palavras saíram que eu nem senti. Cada nova palavra era uma vitória, que me deixava mais perto dos cinquenta mil. Os primeiros dias se foram, e eu consegui cerca de três mil palavras por dia. Mal percebi quando cheguei nos dez mil e, agora, com minhas dezesseis mil palavras, estou no nível que não achava que conseguiria chegar, num primeiro momento.

Levei um tempo para me acostumar a escrever e apenas escrever, sem me preocupar com as edições. Em qualquer lugar que você vá, as pessoas mais experientes do NaNoWriMo te sugerem que desliguem o editor interno até dezembro. Não é fácil, pode ter certeza, apesar do que possa parecer. Você tem vontade de voltar aos parágrafos anteriores, relê-los, consertá-los, deixá-los o mais próximo da perfeição que você é capaz. Seus dedos coçam, mas você sabe que se o fizer, não chegará a cinquenta mil. 

E no NaNo, chegar a cinquenta mil é mais que uma meta, é uma vocação.

Nesses seis dias, eu amei e odiei a minha história ao mesmo tempo. Pulei de alegria por conseguir algumas cenas legais, orgulhosa da minha capacidade, e tive que me segurar para não apertar o botão de deletar em muitas outras cenas. Eu me apaixonei por meus personagens e os odiei, porque eles não eram do jeito que eu planejava que fossem.

Eu aprendi que sua história te mostra como quer ser contada, não importa quantos planejamentos você faça - e os meus não foram muitos. Os personagens pipocam dos cantos obscuros da sua mente e as cenas se desenrolam sob seus olhos nos momentos que você menos espera.

Foi mais fácil, e por mais contraditório que isso possa parecer, mais difícil do que eu poderia imaginar. Participar do NaNoWriMo é uma experiência única e, até agora, está sendo maravilhosa.

Estado de espírito: te vejo nos 50 mil

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Salow a.k.a Procrastinação Queen


Nada mais justo que eu seja o último da rodada, já que venho sendo o último em - exatamente - tudo. Até para contribuir para o post eu venho me atrasando. Devo ter algum dispositivo interno que tem a simples função de autossabotagem ou colocaram meu nome da boca do sapo (se alguém tiver conhecimentos sobre contra-feitiços, aceito ajuda).

Minha primeira participação no NaNo foi em 2011, peguei o bonde andando e acabei com 5.965 palavras, meio longe da meta… Não é como se eu tivesse uma esperança de conseguir as 50.000 palavras em um mês apenas, sei dos meus limites e hábitos. É mais como um treino do que qualquer coisa, me ajuda a aperfeiçoar a ação de escrever todo dia até não precisar me forçar a isso.

Comecei animado e, na madrugada, joguei mil palavras num arquivo antes de dormir. Bati a meta do primeiro dia no segundo e até hoje, nunca vi aquela bendita barra verdinha. Minha criatividade deve ter tirado uma folga, já que consegui um primeiro capítulo inteiro sem planejar nada e realmente gostei do resultado. Agora que a história realmente acontece, o medo dominou e tá tudo mais travado que sempre.

O mais incrível de participar disso é que todas as séries, as músicas, os vídeos, os filmes e convites para sair parecem mais interessantes que ficar na frente do computador (ou caderno, vai saber). Não sei se sou eu que tenho preguiça correndo no sangue, mas comigo tá sendo assim.

Mesmo para os que são como eu, recomendo o NaNo. É uma experiência ótima e realmente impele o escritor a produzir. Posso estar atrás de todo mundo, mas nunca escrevi tanto em tão pouco tempo! E se eu consigo, acho que qualquer um consegue.

Estado de espírito: eu ainda posso tentar, né?

***


Esses foram os relatos de alguns membros da Liga, alguns mais ainda estão por vir. Esperem e verão. Qualquer sugestão, dúvida ou troço que quiser nos falar, coloca nos comentários que podemos responder no próximo post. Para quem quiser acompanhar outros amiguinhos, tem o Daniel Rocha, a Paloma Engelke e o José Anilto fazendo o mesmo. Obrigado por chegar até aqui e toma um canguru porque foi uma longa viagem e você merece!

P.S: Pedimos que faça um minuto de silêncio por esses tempos problemáticos que o Nyah! está passando. Que a força, a sorte e o Word esteja com você!

8 comentários:

  1. Estou no meu primeiro NaNo. Eu fiz algo diferente do habitual, estou usando o mês para finalizar uma história que já tinha começado faz tempo, mas que não consegui terminar. O incentivo é grande e ajuda a qualquer procrastinador (eu sou um deles com certeza). Mas vamos que vamos, espero começar a minha edição antes de dezembro, não sei se será possível depois do meu momento Lisa Simpson no meio dessa semana.

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    1. Sim! No universo de quase 300 mil participantes, muita gente faz isso Amanda! Muita gente termina a história que começou no ultimo NaNo, por exemplo.

      Tomara que você termine logo! Boa sorte! xD

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  2. Entrei para o NaNo 4 dias atrás, mas não sabia que podia publicar em português, por isso deixei para lá. Hoje fiquei sabendo que sim, qualquer língua é permitida, então comecei a escrever uma história que tinha na cabeça há uns dias. Vamos ver no que vai dar...

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    1. Siiim! Vamos lá, crie seus próprios desafios! Olha, hoje quem está desde o dia 1º deve estar chegando a 20 mil. Por que não se desafiar a escreve 30 mil até o fim do mês?! xD

      Boa sorte!

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  3. Cheguei a 28 mil palavra. Adoeci durante uma semana toda e fiquei alguns dias no soro. Desisti no NaNo por esse ano, infelizmente. E a história, claro, foi mais uma vez apagada!

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    1. Você fez O QUE?! VOCÊ APAGOU? VOCÊ APAGOU 28 MIL PALAVRAS?!

      Eu estou sem palavras...

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    2. palavras ** Cadê a função editar disso aqui? q


      Apaguei, Rodrigo. Foi um dia tenso que acabou resultando nisso, mas voltei a pensar no NaNo. Comecei outra história com o mesmo tema e veremos quanto tempo conseguirei levá-la.

      Sai de todos os grupos em que eu estava, porque precisava focar-me - foi assim que consegui 28 mil palavras - e manter aquele ritmo de 5 mil por dia. Bem, estava dando certo, mas isso não foi suficiente para segurar a função "del" do teclado.

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  4. Legal. Estamos juntos nessa corrida do Nanowrimo. Bons escritos para nós! Abraços

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