Descrição dos cenários

Por: André Felipe  (Team da Liga dos Betas) “Cenário: s.m. Decoração adequada a uma cena que se desenvolve no teatro. / Local on...


Por: André Felipe 
(Team da Liga dos Betas)




“Cenário: s.m. Decoração adequada a uma cena que se desenvolve no teatro. / Local onde se passa algum fato: o cenário do crime.”
Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa

"Descrição é a representação verbal de um objecto sensível (ser, coisa, paisagem), através da indicação dos seus aspectos mais característicos, dos pormenores que o individualizam, que o distinguem."
Othon M. Garcia


Antes de partirmos para a escrita de qualquer texto, devemos conscientizar-nos de que essa requer certas habilidades que apreendemos ao longo de nossa experiência, tais como aperfeiçoamento vocabular, domínio das regras gramaticais como um todo, conhecimento de elementos linguísticos e extratextuais, entre outros. Outro fator de extrema relevância é a técnica utilizada para compor os diversificados tipos de textos, sejam estes: narrativos, descritivos ou dissertativos. O texto descritivo por excelência consiste em uma percepção sensorial, representada pelos cinco sentidos (visão, tato, paladar, olfato e audição) no intuito de relatar as impressões capturadas com base em uma pessoa, objeto, animal, lugar ou mesmo um determinado acontecimento do cotidiano. É como se fosse uma fotografia traduzida por meio de palavras, sendo que estas são “ornamentadas” de riquíssimos detalhes, de modo a propiciar a criação de uma imagem do objeto descrito na mente do leitor.”

A descrição do cenário pode ser objetiva ou subjetiva. 

Na objetiva, descrevemos precisamente as características do objeto, registrando os detalhes com fidelidade fotográfica, sem o uso da subjetividade, isentando-nos de quaisquer termos que possibilitem múltiplas interpretações.

Já na subjetiva, a descrição assume um caráter lírico, em uma linguagem mais pessoal, que permite a expressão de sentimentos e emoções, e um ‘toque pessoal’ do escritor.

O processo de descrição deve ser iniciado com uma avaliação diagnóstica, em que primeiramente definimos o ‘objeto’ a ser descrito. Tendo o cenário em mente, imaginemos e visualizemos em nossa mente todos os objetos, detalhes e pessoalidades que o compõem. Imaginemos a iluminação, o aroma, o clima, o sombreamento e tudo mais que o componha. Anotemos tudo. É importante registrarmos para não perdermos as ideias e também para que tenhamos novas ao ler; sempre nos lembramos de alguns detalhes adicionais.

O próximo passo é transcrevermos a descrição, para fazermos isso podemos usar alguns recursos, como:


Uso de adjetivos para caracterizar o que é descrito; mas nada muito exagerado, lembre-se de que tudo tem de trazer significado para o texto

“A sala era bem grande e clara, as paredes eram brancas e ásperas, a tinta parecia nunca ter recebido um acabamento...”


Emprego de figuras de linguagem (metáforas, metonímias, comparações, sinestesias e personificações).

“Os ventos passavam murmurando dentre as janelas, as paredes do local — que outrora foram de um azul límpido como o céu — agora não possuíam mais vida, deixando um tom de morte por todo o local...”

Muito cuidado com o emprego das metáforas, se mal usadas podem destruir toda a descrição. Não arrisque nada muito exótico ou desconhecido, o convencional, se bem usado, tem um ótimo resultado.


Uso de advérbios de localização espacial

"Até os onze anos, eu morei numa casa, uma casa velha, e essa casa era assim: na frente, uma grade de ferro; depois você entrava tinha um jardinzinho; no final tinha uma escadinha que devia ter uns cinco degraus; aí você entrava na sala da frente; dali tinha um corredor comprido de onde saíam três portas; no final do corredor tinha a cozinha, depois tinha uma escadinha que ia dar no quintal e atrás ainda tinha um galpão, que era o lugar da bagunça..." (Entrevista gravada para o Projeto NURC/RJ)
           

É importante também que a descrição seja precedida de uma ‘ponte de ligação’, para que ela não ‘corte’ a cena, de forma que ela seja inserida no momento certo e propício para ilustrar a mente do leitor. Não hesite em iniciar a cena sem a descrição, isso vai incitar a curiosidade do leitor.

Lembre-se de que você não está escrevendo para você, então leia e releia quantas vezes forem necessárias, até que tenha a certeza de que a descrição ficou suficientemente clara, pra fascinar e não deixar escapar nenhum detalhe na mente de quem está lendo.

Eu, particularmente, recomendo que não disponibilizem imagens para auxiliar na descrição, isso tira do leitor a oportunidade de imaginar, das pessoalidades do cenário, no entanto, é válido usar uma imagem para se inspirar.


Por fim, concluímos que descrição do cenário é um aspecto extremamente importante para o conjunto da história. Uma história com cenários mal descritos causa confusão e desprazer na leitura. Um cenário bem construído maravilha o leitor e facilita a reprodução da história em sua mente.



Material consultado:
Site do escritor. O texto descritivo. Disponível em: http://www.sitedoescritor.com.br/sitedoescritor_professor_virtual_assuntos_descricao.html. Acesso em: 14/07.
Vânia Duarte. O texto descritivo. Disponível em: http://www.brasilescola.com/redacao/o-texto-descritivo.html. Acesso em: 14/07.
Colégio Web. Descrição. Disponível em: http://www.colegioweb.com.br Acesso em: 14/07.

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3 comentários

  1. Minha descrição de cenários é predominantemente subjetiva. Não é preciso esforço para identificar isso. Posso descrever a cor de uma parede, mas acabo por acrescentar o sentimento que ela transmite ao personagem.
    É uma característica da minha escrita, mas confesso desejar aprimorar também a descrição objetiva. :)
    O post me provocou para isso! (rs) Obrigada!
    Beijos,
    Francine

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  2. Minha descrição é assim:

    ''Grande. Exageradamente grande. Era a definição do lugar que eu observava. Pisei na pequena ponte de madeira na frente da entrada de minha nova casa. Abaixo dela, um pequeno rio serpenteado que eu não conseguia ver onde começava e até onde terminava, pois as árvores escuras me impediam de enxergar o outro lado. Atravessei a ponte e notei os primeiros traços do meu pai; duas tigelas antigas sustentando terras e plantas ao lado da ponte.

    O jardim era extremamente lindo e amplo, bem cuidado, estendia-se por toda a sua volta. Uma passarela feita de azulejos nos convidava até a porta de madeira de carvalho logo acima da escadaria feita de vidro grosso. No lado direito da passarela, uma piscina com luz própria tinha uma área coberta de pedra sustentado por pilares que tocavam a água. Várias cadeiras e mesas pequenas estavam espalhadas pelos jardins e na beirada da piscina. No lado esquerdo, mais uma passarela que levava provavelmente ao fundo da casa.''

    Eu não consigo dizer se foi extremamente detalhista ou não.

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    Respostas
    1. Eu não acho que está demasiado detalhado, mas não consigo dar-te uma resposta muito fiável só a partir deste excerto. O que eu te aconselho, se quiseres, é a arranjares um beta para a tua fic, porque ele pode, entre muitas outras coisas, ajudar-te com as descrições. Se vais postar no Nyah!, vê se não tens nenhum beta da Liga dos Betas disponível que te possa ajudar.
      Beijos

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